abril 30, 2004
Informação ( muito ) Interessante
Eu e as Finanças não nos damos lá muito bem.
Deve ser defeito meu, com certeza, mas todos os anos por esta altura do ano, tenho uns arrepios, um mal estar, uns esquecimentos, eu sei lá, uns sintomas estranhos de verdade. Depois de entregar o I.R.S. a fatal declaração, fico numa espécie de limbo, onde evito pensar em dinheiros até chegar a simpática cartinha com o montante rectificado ...
Desde há uns tempos com aquela interessante novidade dos “pagamentos por conta" que a nossa Nelinha descobriu como modo de forçar alguns empréstimos privados ao estado.
Este ano, pela primeira vez fiz o que devia ter feito sempre, e entreguei todas as ralações nas mãos de uma profissional. Foi muito bom, porque não tive qualquer chatice e quando tratou de enviar a papelada ela disse-me logo o que teria de pagar o que foi um sossego.
Mas estranhei a contabilista ter insistido na pergunta "se eu não fazia qualquer doação". Havia uma coisinha minúscula, e lá dei o papelinho, mas não entendi que valor tinha aquilo. Ora acabo agora de encontrar a resposta à pergunta que não cheguei a fazer. Nós podemos mesmo doar parte do nosso IRS.
É brilhante! Aprendi isso no Gin Tónico que também se tem revelado mais do que um blog uma verdadeira Instituição de Utilidade Pública.
Emiéle
Afixado por afixe às 21:47 | Afixadelas (2)
Ritmos de Trabalho
Terá a ver com a "latinidade"? É que tenho andado a reparar que os nossos horários de trabalho têm andado a escorregar cada vez para mais tarde! ( nossos, quero eu dizer cá do burgo, que não os meus, mas eu devo ser
"esquisita"...) Muitas vezes o início do dia de muita gente é lá para as 10 da manhã, já o sol vai alto.
Um dos sinais mais visíveis desta mudança (evolução?) observa-se no comércio. E isto dá que pensar. O comércio tradicional, de bairro, queixa-se e dentro da sua razão, de que os Centros Comerciais lhe roubam a freguesia. Acho que têm razão, isso é mesmo verdade. Mas, nesse caso, faria todo o sentido que a competição se manifestasse na oferta daquilo que a danada dessa concorrência não nos dá.
Ora o primeiro ponto a oferecer podia ser exactamente um horário matutino. Pois não é, não senhor.
Cada vez mais, pelo menos na zona de Lisboa, se encontram lojas de pequeno comércio a abrir também às 10 da manhã. Ora, como muitas vezes fazem uma pausa para a hora do almoço e às 7 estão a baixar os taipais, onde está a concorrência? E depois venham queixar-se das lojas dos
chineses que trabalham que nem formiguinhas...
Emiéle
Afixado por afixe às 19:15 | Afixadelas (7)
Azoo...quê????
E ainda dizem que os tribunais não sabem lidar com a ciência, nem com as expressões da dita. Ora, veja-se um recente acórdão do STJ, num processo de investigação de paternidade. Um autêntico tratado de urologia:
1º Capítulo - O pai investigado tenta safar-se:
O réu excepcionou a impossibilidade de procriar por sofrer de azoospermia (não possuir espermatozóides), na sequência do processo evolutivo da doença, na infância, do tresorelho, mais tarde aliada a varicocelo (cont- 26 a 28) e, ao seu articulado, juntou relatório de exame bacteriológico de 94.03.04/08 (espermograma) onde se lê, a dada altura «exame microscópico - contagem - ausência de espermatozóides» (fls. 20).
2.º Capítulo - o tribunal não vai logo na canção do bandido:
O exame de fls. 88/91, já na fase judicial pelo mesmo IML, refere, no espermograma, a ausência de espermatozóides (azoospermia) e, quanto a nº de células redondas, menos de 1 milhão/ml. De seguida acrescenta - «Apesar dos resultados anómalos deste espermograma estarem aparentemente em desacordo com os da investigação da paternidade, anteriormente obtidos e enviados em relatório a esse Tribunal, informamos: 1 - Não são conhecidas nem a causa nem a data da deficiência observada no espermograma. 2 - Apesar da inexistência de espermatozóides maduros têm vindo a ser descritos casos, quer na bibliografia científica e até mesmo nos 'media', que demonstram ser possível haver fecundação através de células germinais imaturas precursoras dos espermatozóides, ou seja dos espermatídeos redondos sem cauda» (exame de 98.09.23 - fls. 81; relatório de 00.05.19).
3.º Capítulo - Quem nos garante que já eras azoospérmico no sagrado momento da concepção?
gibel
Na sentença, é referida a matéria de facto dada como provada, a ausência de presunção legal de paternidade e a prova biológica por meios laboratoriais, tendo o autor provado a exclusividade do trato sexual (fls. 101 e vº).
A Relação, na matéria que ora interessa, considerou que o réu não provou que a sua azoospermia precedia o período legal de concepção e deu realce ao grau de probabilidade a que chegou o exame de fls. 88/91.
4.º Capítulo - Um pouco de cultura geral
É do conhecimento geral que para haver «fecundação é indispensável que o homem produza espermatozóides em quantidade e qualidade adequadas ...». «Aquando de uma relação sexual são depositados cerca de 200 milhões de gâmetas masculinos na vagina. Porém, apenas quatro milhões atingem o colo uterino e destes só milhares alcançam a trompa, sendo um único capaz de fecundar». «A fecundação ocorre como resultado da penetração de um único espermatozóide na membrana pelúcida do ovócito» (Agostinho e Teresa Almeida Santos in 'Esterilidade, Infertilidade e Procriação medicamente assistida' in «Bioética», p. 267 e 268).
5.º Capítulo - Afinal talvez te safes!
A azoospermia do réu era conhecida, pelo menos, desde princípio de Março de 1994 e o menor nasceu na segunda metade de Outubro de 1993.
A menos que a disfunção genética masculina tenha resultado de uma causa traumática profunda (e nada foi alegado nesse sentido), o distúrbio ou é congénito ou é consequência de certas doenças sofridas (o réu alegou o 'tresorelho' a que, mais tarde, se seguiu o varicocelo, ambas elas com capacidade para desencadear, como sua consequência, a esterilidade masculina por azoospermia).
A esterilidade masculina não é in casu por deficiente produção de espermatozóides em número e qualidade, mas por ausência de espermatozóides.
Não se compreende assim como se não quesitou a causa alegada da azoospermia, de que o réu logo juntou documento comprovativo.
E agora? Será que o investigado se safa, ou tem de fugir para o Rio de Janeiro como mais um último exilado da democracia? Há ou não há justiça? Quid juris? Santinho!
6.º Capítulo - Vai o precipitado julgamento anulado!
Apresenta-se fundamental, pois, conhecer a história clínica do réu e a sua articulação com a azoospermia comprovada, conhecimento por que o tribunal deve diligenciar ainda que, para tanto, seja necessário recorrer aos seus poderes de instrução quer a título principal quer para complementar uma outra prova produzida.
A decisão de facto pode e deve ser ampliada em ordem a constituir base suficiente para a decisão de direito.
Termos em que se anula o acórdão e se ordena a remessa do processo à Relação para aí, se possível pelos mesmos Exº Juízes Desembargadores que intervieram no anterior julgamento, ser de novo julgada a causa.
Afixado por afixe às 18:19 | Afixadelas (2)
O direito à baixa

Todos testemunharam e leram o que o mérovée me disse! Negando-me o direito à baixa - prove ele se é fraudulenta ou não ! - este reaça ameaça-me com despedimento ilícito por redução anormal da produtividade, ao abrigo do novo Código do Trabalho do Bagão Félix. Pois mande-me Vosselência a nota de culpa, que eu de imediato remeterei ao advogado do "sindicato dos operários bloguistas" (o filiado na CGTP, não o da UGT, estes reaças!), para que tenha a devida resposta. A impunidade patronal não passará nos blogs!
gibel
Afixado por afixe às 17:48 | Afixadelas (4)
O Afixe ainda é aqui!
Não estranhem.
Por questões técnicas e para testar algo relacionado com a irrequieta coluna da direita, tivemos de mudar a aparência do blog para esta configuração mais morna.
Nada de definitivo, acho eu.
Já agora, gostam mais deste ou do anterior?
Como não sei fazer aquelas votações online que o Boss faz, coloquem mesmo a opinião na caixa de comentários.
Sim, Emélie e Gibel, vocês também.
;)
Mérovée
Afixado por afixe às 17:01 | Afixadelas (10)
O "Sr. Cão" e outras coisas
Tenho de pensar em como dizer o que quero, sem ser mal interpretada.
Vamos lá ver.
Não tenho nada, mas nada mesmo, contra os animais de companhia. Cães, gatos, passarinhos, tartarugas, peixes, hamsters, etc. Dão mais vida a uma casa, fazem companhia e, acima de tudo, cada um faz o que muito bem entende e ninguém tem nada com isso. Pronto, está feita a declaração de princípio.
E também é certo que, quem tem um animal, deve dar-lhe conforto. Alimentá-lo e tratá-lo bem. Mas, por vezes, as pessoas parece perderem o sentido das proporções. Diz o povo que "um homem é um homem e um gato é um gato". Tenho-me cruzado pelas ruas desta cidade com a carrinha de uma empresa chamada Sr. Cão" que, pelo que está escrito ( deviam pagar-me a publicidade!) é capaz de resolver os problemas de muita gente.
Eles tratam de tudo o que diz respeito aos animais de estimação e de um modo excelente, cinco estrelas. Um luxo.
Só que dei comigo a pensar: já vi este modelo em qualquer lado.
Dentro da minha área profissional, passo o tempo a encontrar pais, com filhos até muito desejados e muito acarinhados, mas que como não se organizam para os acompanhar convenientemente arranjam-lhes o melhor possível. São meninos que andam em excelentes colégios, fazem natação, ténis, andebol, judo, aprendem inglês, informática, xadrez, e ao fim de semana vão para os escuteiros, ou fazem hipismo. É um fartote. Não têm é pais.
Esses trabalham que se desunham para lhes pagar estas coisas todas.
Pois. Um cão é um cão e um menino é um menino. Mas não podemos delegar afectos pois não? Quando se escolhe ter uma relação afectiva, qualquer que ela seja, devemos mantê-la. Isso é que nos enriquece.
Emiéle
Afixado por afixe às 16:54 | Afixadelas (3)
Ouvido de passagem (II)
De um qualquer hospital deste nosso 1/25 de Europa, e como já começa a ser habitual, foi enviada carta à viúva a agendar consulta para o falecido marido.
Nada fora do comum.
As pessoas não são obrigadas a adivinhar, não é?
A novidade é que, desta vez, algum tempo depois, e através de nova carta, a dita consulta foi desmarcada pelos mesmos serviços.
Esta gente não pára.
Mérovée
Afixado por afixe às 16:26 | Afixadelas (1)
Ouvido de passagem (I)
Individuos em Angola detidos por suspeita de estarem na posse de órgãos humanos.
E o mais estranho é que os investigadores não encontraram quaisquer órgãos.
Apenas uns ossos.
É caso para dizer que a investigação foi demasiado lenta.
Mérovée
Afixado por afixe às 16:17
Alive and kicking
D10S

Mérovée
Afixado por afixe às 16:12 | Afixadelas (2)
Uncle Sam Strikes Again
Aqui ficam as fotos dos prisioneiros Iraquinos maltratados:



Este senhor sorridente é, alegadamente, um dos heróis envolvidos:

Mérovée
Afixado por afixe às 16:01 | Afixadelas (10)
Quem está sentado à direita de Cristo? (II)
“A cega ignorância é que nos engana.
Ó míseros mortais, abri os olhos! (Leonardo Da Vinci)”
No seguimento do meu post de ontem sobre a Última Ceia, a pintura que Leonardo Da Vinci executou na parede da Igreja de Santa Maria delle Grazie, perto de Milão, volto ao assunto para “esclarecer” o mistério da figura sentada à direita de Jesus.
Como muitos deram nota nos comentários, a figura à direita de Jesus é uma mulher.
Atente-se n
o delicado e imberbe rosto feminino, nos cabelos cor fogo, na quase insinuação de um seio, nas mãos delicadamente entrelaçadas.
Uma mulher, sem dúvida.
Porém, é suposto a ultima ceia representar treze homens – Jesus e seus doze discípulos.
Quem é, então, a mulher?
Porquê, então, a mulher?
Terá Da Vinci ensandecido?
Mais: porque raio, embora a tenhamos visto inúmeras vezes – imagem mais que difundida nos lares portugueses lado a lado com o não menos famoso azulejo do “Bem-vindo a esta casa, quem vier por bem” e, claro, a figura do menino que chora –, nunca tenhamos atentado no óbvio, na evidente dissensão entre “aquele apóstolo” e os demais?
No dizer de Dan Brown, in Código Da Vinci, a verdade é que “as nossas noções preconcebidas desta cena são tão poderosas que a mente bloqueia a incongruência e sobrepõe-se aos olhos – é um fenómeno conhecido por escotoma”.
Voltando ao fresco:
Veja-se a forma como Pedro, a, aceite como tal, pedra sobre a qual Jesus construiu a sua Igreja, se inclina ameaçadoramente para a mulher e passa a mão esticada pelo pescoço dela – tal qual uma faca.
E ainda do mesmo lado da cena, à direita de Jesus, podemos ver uma mão que empunha uma adaga.
E, se melhor nos concentramos, e bem contarmos as mãos e os seus respectivos donos, podemos verificar que a dita mão da adaga não pertence a ninguém.
Uma mão sem corpo.
Outros pormenores que desenvolverei a seu devido tempo mas, que bem sabida a historia, a de Jesus, a da Igreja, a da mulher da imagem, se explicam por si.
Quem é então a mulher?
Maria Madalena, claro.
A prostituta, como a Igreja convencionou chamá-la e retratá-la?
Precisamente a mesma prostituta que é a primeira pessoa, segundo a mesma Igreja, a ver Jesus depois da ressurreição? Este aparente absurdo escapou-lhes por certo (aos censores).
Não a prostituta, por certo.
Falo da companheira de Jesus, de sua mulher.
Já todos ouviram, por certo, falara dos Evangelhos Gnósticos.
Citando de novo Dan Brown, a vida de Jesus “foi registada por milhares de seguidores em todo o mundo”. Porém, na organização do Novo Testamento, promovida por Constantino, no Concílio de Niceia, em 325 d.C., “foram considerados mais de oitenta evangelhos (...), e, no entanto, apenas uns poucos acabaram por ser escolhidos...entre eles os de Mateus, Marcos, Lucas e João.”
Em tal Concilio, onde acabou por nascer o Credo Niceno, foram discutidas e votadas inúmeras facetas do Cristianismo que hoje conhecemos – a questão da administração dos sacramentos, a data da Páscoa e, tema maior, a questão da divinização de Jesus.
Na altura, a questão de deificação de Jesus era essencial para a sustentação e unificação do Império Romano, por razões politicas que na altura, mais do que hoje, se confundiam com as políticas.
Interessava criar um Deus, um Incontestado, alguém distante do homem e que deste se distinguisse pelo seu quotidiano, pela sua vida na Terra.
Foram, portanto, omitidas as características humanas de Jesus e, consequência desta omissão, banidos os Evangelhos que a elas aludiam – os mais antigos e contemporâneos de Jesus, por sinal.
Não é à toa que, com excepção do Evangelho de João, todos os outros falam a uma só voz – quase cópias integrais uns dos outros.
Na década de 50 do século passado, foram encontrados alguns dos ditos evangelhos banidos – os chamados manuscritos do Mar Morto.
Entre eles, um com especial relevância, o Evangelho de Filipe:
«E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la muitas vezes na boca. Os outros discípulos sentiam-se ofendidos por isto e expressavam a sua desaprovação. Perguntavam-lhe: “Porque é que a amas mais do que a todos nós?»
Outro, o Evangelho da própria Maria Madalena:
E Pedro perguntou: «É verdade que o Salvador falou com uma mulher sem nos dar conhecimento? Teremos agora de voltar-nos para ela e escutar o que diz? Preferiu-a a nós?»
E Levi respondeu: «Pedro, sempre foste um exaltado. Agora vejo-te a combater esta mulher como se ela fosse um adversário. Se o salvador a achou digna, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador conhece-a muito bem. Por isso a amou mais do que a nós»
Volto a sublinhar, estes, ao contrário dos quatro consagrados, são Evangelhos contemporâneos de Cristo.
E segundo estes Evangelhos, era Maria Madalena a escolhida, era Maria Madalena a trave mestra da Igreja que Jesus tinha construído.
A sua sucessora e principal seguidora e discípula.
Porque sua mulher e porque continente da linhagem real de Jesus – um filho já nascido ou por nascer.
Maria Madalena tinha ou continha o Sangue Real, Sangreal, San Greal.
O Santo Graal.
Maria Madalena seria, pois, o famoso vaso, o lendário cálice.
Descrevê-lo como um cálice, é, obviamente, uma alegoria, uma metáfora de algo muito mais importante.
O verdadeiro sentido escondido é a sua natureza de continente, recipiente, do sangue de Jesus – do filho de Jesus. Do filho de Maria Madalena e Jesus.
É este o significado dos estanhos mistérios da Última Ceia, de Da Vinci, pintados por aquele que foi, ele próprio, Grão-Mestre da Ordem (o Priorado do Sião) encarregue de proteger este segredo e evitar a sua descredibilização por uma Igreja que queria e continua a querer afastar o sagrado feminino e a deusa.
De resto, gnoses totalmente suprimidas da Igreja que Jesus não quis deixar.
E com o afastamento de tal mensagem, afastados ficaram, votados ao ostracismo por séculos e até hoje, também poder da fêmea e a sua capacidade de produzir vida.
De perpetuar o sangue, de manter as linhagens – até as sagradas.
Até a de Jesus Cristo.
Agora fica explicada este excerto do Código Da Vinci que postei esta semana, onde o autor refere:
“As mulheres, outrora celebradas como a metade essencial da iluminação espiritual, tinham sido banidas dos templos de todo o mundo. Não havia mulheres que fossem rabis ortodoxos, nem padres católicos, nem clérigos islâmicos. O outrora sagrado acto de Hieros Gamos – a natural união sexual entre homens e mulheres através da qual ambos se tornavam espiritualmente complexos – passara a ser apresentado como uma coisa vergonhosa. Homens santos que noutros tempos precisavam da união sexual com os respectivos equivalentes femininos para comungar com Deus temiam agora os seus impulsos sexuais normais, considerando-os obra do diabo com o seu cúmplice preferido: a mulher.
Nem sequer a associação feminina ao lado esquerdo tinha escapado à difamação da Igreja. Em França e Itália, as palavras para «esquerda» – gauche e sinistra – acabaram por adquirir conotações profundamente negativas, enquanto o lado direito era sinónimo de rectidão, habilidade, correcção. Ainda na actualidade, o pensamento radical era considerado ala esquerda, o mau humor era acordar para a esquerda, e tudo o que fosse mau era sinistro. Os dias da deusa tinham chegado ao fim. O pêndulo balouçara. A mãe-terra tornara-se um mundo homem, e os deuses da destruição e da guerra cobravam o seu tributo. Durante dois mil anos, o ego masculino correra à solta sem o freio do seu par feminino. O Priorado do Sião acreditava que fora esta obliteração do sagrado feminino que causara aquilo a que os índios Hopi da América chamavam «koyanisquatsi» – vida sem equilíbrio –, uma situação instável marcada por guerras inspiradas pela testosterona, uma pletora de sociedades misóginas e um crescente desrespeito pela Terra-Mãe.”
E fica, de igual modo explicado o comentário que então fiz e com que agora termino:
A chamada luta pela emancipação das mulheres – expressão que sempre considerei deveras redutora – é bem mais que isso. Trata-se, porventura, da emancipação do próprio mundo.
Mérovée
Afixado por afixe às 15:55 | Afixadelas (273)
Efeméride: 30/04/04
Adolph Hitler e Eva Braun suicidam-se (1945)

Mérovée
Afixado por afixe às 11:27 | Afixadelas (1)
Problemas de memória...
Ou dele ou meus. Alguém anda esquecido. Segundo leio aqui
Nous avons toujours voulu que l'ONU joue un rôle vital ??????
Como? O que disse?
Porque, tanto quanto me lembro, o que os EUA quiseram foi que ELES representassem um papel vital e que a ONU os apoiasse! Parece-me uma ligeira distorção de papeis. Se avançaram com entradas de leão, para uma situação que o bom senso dizia que devia ser tratada com muita delicadeza e agora começam a entender o que as pessoas que os avisavam queriam dizer, não me parece nada simpática tirar a água do capote desta maneira.
Emiéle
Afixado por afixe às 08:33 | Afixadelas (10)
Hoje é o último dia do mês, não é o primeiro!
Curiosa esta notícia!
É evidente que não se põe em dúvida estudos feitos por pessoas que sabem muito mais do que eu. Contudo, a lista dos países investigados é no mínimo curiosa... Tudo depende da perspectiva, não é?
Pensando bem, acho que sou a pessoa mais rica e que ganha mais daquelas que trabalham no meu serviço, lá no meu andar. Shiu! Não digo quantas são, nem que trabalho exercem. mas lá que ganho mais é indiscutível!!! Afinal sou quase rica!
Emiéle
Afixado por afixe às 08:16 | Afixadelas (2)
Alguém explica como deve ser?!
Ouvi ontem, no telejornal, esta notícia ( ou a equivalente ) e não consegui entender nada!
O pior é que continuo a não entender. Os médicos recebem “créditos”? Por falarem por um determinado telemóvel? E os doentes que não tenham telemóvel devem pagar chamadas de fixo para telemóvel, que são mais caras, para ter acesso aos serviços a que têm direito?
Acharia bem que a Ordem se explicasse.
É que quando foi aquela história – que ainda não acabou – das prendas oferecidas pelas empresas farmacêuticas, a lama salpicou gente que não tinha nada a ver com o assunto. Estas coisas são sempre muito incómodas. Porque o povo anónimo acaba sempre a pensar, que “não há fumo sem fogo” e coisas do género, e é a classe que acaba por ser atingida.
Alô, alô,! Esperamos esclarecimentos como deve ser.
Emiéle
Afixado por afixe às 08:04 | Afixadelas (4)
Conselhos para o fim-de-semana
Aproxima-se um fim de semana e para quem tenha algum tempo volto a aconselhar ir ver este filme.
Já aqui quando escrevia neste outro blog, me tinha referido a ele e até tinha pensado em acrescentar mais qualquer coisinha a este respeito, que o filme merece. Talvez consiga fazê-lo este fim de semana. É ver se arrebito que tenho andado com excesso de trabalho e engripada. Só azares...
Emiéle
Afixado por afixe às 07:29 | Afixadelas (3)
abril 29, 2004
CONTO DE FADAS PARA AS MULHERES DO SÉCULO XXI...
"Era uma vez...
numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então uma rã saltou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, pode transformar-me de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar connosco e tu poderias preparar o meu jantar,
lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho de natas e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Nem morta! "

Emiéle
Afixado por afixe às 23:04 | Afixadelas (4)
Singulares muito particulares
Há um modo de falar que me provoca reacções estranhas que vão desde achar graça até uma irritação miudinha, sobretudo quando a conversa é toda nesse estilo de linguagem! Tem tudo a ver com a cultura, é claro. E é por isso, por depender da educação e cultura de cada um, que o meu espírito tolerante se inclina por vezes para achar graça - embora nem sempre.
Refiro-me ao modo de falar que considera “mais elegante” nomear objectos, cuja expressão correcta é plural, mas referidos pelo seu singular
Exemplos: ( e porque será que tem a ver sobretudo com peças de vestuário?)
“....vestia uma calça cinzenta.” Ou
“...uma cueca às riscas” ou
“...calçava sapatinho de salto”
(é de imaginar a pobre a saltitar numa perna só)
“...a meia era muito bonita” (uma delas, a outra era feia)
A força que tenho de fazer para manter uma expressão diplomaticamente indiferente ou até mesmo risonha!!!
Emiéle
Afixado por afixe às 22:46 | Afixadelas (4)
Os vândalos e os nossos carrinhos
O meu carro anda bem afinadinho e cuido convenientemente dele por dentro. Mas por fóra nem por isso. Quando ofereço boleia a alguém, acontece aproximarem-se com ar desconfiado – “É este?!?!”.
Tem uma ou duas mossazinhas que durante a noite alguém me fez o favor de me oferecer e, um dia não sei bem quando, serão arranjadas, mas cobre-o quase sempre uma razoável camada de pó. Quando chove, lá melhora de aspecto.
Mas este desleixo (reconheço que entra nos estereótipos da “personalidade feminina” e nesta caso é mesmo verdade) não é tão inocente como pode parecer à primeira vista...
Se repararem bem, são os carrinhos reluzentes que nem um espelho que atraem como imans aquelas interessantes criaturas que se deleitam a passar com um prego na mão e deixar ficar um risco de uma ponta à outra do carro. No meu, bem empoeirado, o que por vezes me acontece é encontrar escrito com o dedo “Lava-me, porco!”
Bem, quando isso se passa, envergonho-me um pouco e reconheço que chegou finalmente a hora de lhe dar um banho. Mas não existe “espanta-vândalo” mais eficiente do que uma boa camada de pó!
Emiéle
Afixado por afixe às 22:24 | Afixadelas (3)
É Duro!
Com a devida vénia para o Barnabé (pois é, pois é...o seu a seu dono quando tem que ser), para a Visão, e para o Eduardo Gageiro, aqui fica foto do nosso P.M. quando este era jovem figura de proa da esquerda que ora tanto critica.
Não digo que faça mal em criticá-la - isso é outro debate.
Acho é imensa piada a estas partidas que os 18 anos nos pregam.

Já agora, e a talhe de foice, se hoje ele tivesse aquela idade e aquela postura, de que blog seria redactor?
Mérovée
Afixado por afixe às 20:09 | Afixadelas (1)
Quem tem o dever de ficar com a Fátima Felgueiras?
Falo a sério.
Agora que sabe do que é acusada, Fátima Felgueiras ameaça voltar a Portugal.
Nem posso acreditar.
Logo agora, que isto começava a ficar mais respirável.
Não me entendam mal, não tenho nada de especial a apontar à senhora.
Não faço ideia se é culpada ou inocente.
Quando digo respirável, falo à letra.
O problema é que o ambiente ressente-se com as enormes quantidades de laca que ela coloca no cabelo.
Cria-se uma espécie de smog.
Como, de resto, se pode ver nesta foto, tirada logo pela manhã, depois de a Fátinha ter aberto as janelas da casa de banho.

Até eu, aqui na Covilhã, noto logo o degelo mais rápido no cimo da Serra.
Mas Ok, imagino que os brasileiros também já estivessem a notar as mudanças no clima e começado a reclamar.
Mas, caramba, ela nasceu lá.
Também é certo que chegou a Presidente cá.
Conseguiu casar-se cá.
É uma questão controversa.
Demasiada para os meus parcos conhecimentos de Direito Internacional.
Veremos que diz o Professor Marcelo...
Quem tem, afinal, o dever de ficar com a Fátima Felgueiras?
Mérovée
Afixado por afixe às 19:47 | Afixadelas (5)
Quem está sentado à direita de Cristo?
Peço que olhem com atenção para este pormenor da Ulltima Ceia, de Leonardo Da Vinci:

A imagem supra foca em pormenor parte dos que estão sentados à direita de Cristo, como podem confirmar aqui e aqui.
Agora, gostava de fazer um pequeno exercício que não vos tomará mais do que alguns segundos. Atentem na figura imediatamente à direita de Cristo (na imagem acima, precisamente a primeira a contar da direita) e respondam ao seguinte:
Quem representa aquela figura?
Para quem não souber, peço que façam uma tentativa de a descrever.
Para quem souber, ou pensar que sabe, peço que se esqueçam do que sabem e respondam objectivamente.
Será um apóstolo?
Amanhã dou mais detalhes!
Mérovée
P.S.- Emiéle, Gibel, Luis Rainha, Filipe Moura, Boss: a vossa opinião é obrigatória...
Afixado por afixe às 15:17 | Afixadelas (306)
Efeméride: 29/04/04
Morte de Alfred Hitchcock (1899-1980)

Mérovée
P.S. Com a devida vénia para A Verdade da Mentira, onde relembrei este facto.
Afixado por afixe às 12:18 | Afixadelas (6)
Os irredutíveis
Apesar de eu defender o princípio que ninguém deve ser julgado sem ser no sítio certo que é o tribunal, e ter aprendido que até se provar a culpa todos devemos ser considerados inocentes ( o oposto do que os nossos “media” praticam...) há contudo pormenores que chocam um pouco. Quero eu dizer que “deve ser considerado inocente” mas é de bom senso o acusado manter algum recato. Esta sondagem diz o óbvio. Se uma pessoa tem um cargo muito público, e a acusação diz respeito a algo que praticou não na sua vida privada mas pública, deveria esperar um pouco antes de continuar a carreira.
Mas o que surpreende é a posição dos apoiantes. Já no caso da câmara de Felgueiras e da sua presidente com o mesmo nome, também muitos felgueirenses se manifestaram fortemente do seu lado. Viu-se. Agora, em Gondomar o fenómeno repete-se.
Até parece que depois de se ter votado as pessoas consideram que é “perder a face” dar o braço a torcer e reconhecer que se enganaram. Olhem que acontece. Até os melhores caem nessa. O erro é, pelo contrário, não reconhecer que se errou!
Emiéle
Afixado por afixe às 08:23 | Afixadelas (4)
Bastante coerência (?)
Já se conhecia não estes números, é claro mas que muitos dos recursos de Apoio à Família tinham sido, e estavam ainda a ser extintos por falta de condições. É bom que o façam. É muito grave que pessoas com direito a serem bem atendidas , como toda a gente, mas sobretudo os mais sensíveis - crianças e idosos - não o sejam e as pessoas responsáveis por esse mau atendimento sejam recompensadas por o seu mau trabalho, ganhando dinheiro com a incompetência, que este é lucro do mais sujo que há.
O que se pergunta, é como, perante este quadro, este Ministério também vá decidindo cortar, ele próprio, de um modo assustador e preocupante para quem conhece a área, o seu investimento nestas estruturas, e tenha entregue ao sector privado, à sociedade civil como agora se diz, uma fatia substancial dos apoios que antes tinha em relação à Infância ou aos Idosos. Não dão lucro? Lá isso não. E seria suposto darem?
A política seguida por o sr. Ministro e o governo que representa, enquanto ele mantém aquele ar seráfico e o sorriso permanente, parece-me vir a ser o ponto por onde este governo vai ceder/cair. Porque há coisas que num ano se podem alterar mas, para fazer agulha noutro sentido neste campo, são precisos muitos anos.
Emiéle
Afixado por afixe às 07:23 | Afixadelas (2)
abril 28, 2004
Ora cá vem o "toque feminino"
Como no início da minha colaboração o Mérovée tinha falado num toque feminino, venho cumprir essas expectativas.
Ensaio "Das vantagens de ser mulher" ( os homens podem saltar o post)
É ponto aceite que ser-se mulher, hoje em dia, é ainda uma desvantagem social. Já todos o sabemos e estamos conversados. Na sociedade ocidental este “mal” tem melhorado bastante, mas há ainda muitos retoques a fazer. Creio que este ponto também é pacífico. Mas imagine-se que hoje venho pregar o discurso inverso. É que exactamente nesta sociedade também há aspectos onde ser mulher é uma vantagem. E vou contar de algo muito simples que acho ser a psicoterapia mais barata e simpática que existe: ir ao cabeleireiro.
É o meu maior luxo.
Vou sempre que posso a um magnífico cabeleireiro, casa que já existia nos anos 40, onde ia a minha avó, e continua igual. No coração de Lisboa (Rua Garrett) mantém a decoração arte nova com que foi concebida inicialmente, os azulejos com rosinhas, as cadeiras “de barbeiro” extremamente confortáveis, os lavatórios de loiça antiga.
E o ambiente ! Nunca ouvi ali criticar o trabalho de um colega ( do tipo “Oh, quem lhe fez esse corte?!” ou “Tem o cabelo estragado, onde é que tem ido?” como se ouve noutros locais), existe um clima de simpática boa disposição, respeitam os nossos desejos embora ofereçam soluções diferentes por vezes. As revistas são actualizadíssimas e de qualidade, ao sábado apanhamos o Expresso ou Público que alguém tinha comprado para si mas nos empresta. Como sabem que sou cafédependente, enquanto seco o cabelo aparece milagrosamente uma chaveninha de café no meu colo. Percebe-se o que quero dizer? É um ambiente muito feminino no seu melhor.
E se lhe chamo uma psicoterapia é porque de facto nos ajuda. Voltamos a ser crianças, há quem cuide de nós fisicamente. Sentimos festinhas na cabeça, vestem-nos uma bata como na escola, tomam cuidado para não nos sujarmos nem ficarmos molhadas como fazia a nossa mãe. Põem um banquinho debaixo dos nossos pés, ligam o aquecedor se está frio, abrem a janela se está calor. Uma pessoa sente-se envolvida em mimo e é muito bom. E ainda por cima ficamos com melhor aspecto o que também é excelente. Uma pontinha de depressão é atenuada, se ao olhar para o espelho, ele nos mostrar uma cara mais composta e agradável, não é?
Claro que também ajuda, dentro de uma impecável boa educação, “sentirmos” que ali falam a nossa língua do ponto de vista sócio-político. Encontro quase todas as minhas amigas naquela casa, o que nos dá vontade de rir quando, saindo dali em momentos diferentes, nos encontramos, sem o ter combinado, lá em cima na “Ler devagar”... Dizemos uma para a outra – Tinha de ser!
Emiéle
Afixado por afixe às 20:45 | Afixadelas (3)
Gordinhos, mas porquê?
Costumo visitar com frequência Os Marretas É rapaziada que dispara em todas as direcções, às vezes exagera e aí nem por isso concordo muito, mas outras vezes acerta mesmo em cheio. E esta foi uma delas!
Lá que as sociedades ocidentais estão a ficar bastante obesas seguindo o figurino norte-americano, e segundo os dietistas, é mesmo certo. A famosa “comida rápida” é fast a fazer-se e fast a depositar-se onde não é precisa. E é um carrocel interessante: gasta-se muito dinheiro a comer mal, engorda-se muito, e depois gasta-se outra vez ainda mais a fazer dietas estranhíssimas e em ginásios sofisticados. É a sociedade de consumo no seu melhor. Maravilha-me esta eficiência consumista!
E simultaneamente, não é preciso ir ao terceiro mundo para ver gente com fome. Mas o que até é mais perverso, é que hoje a alimentação menos cara é mesmo a tal, errada, que não usa os legumes, as fibras, a fruta. A malta adolescente vai à tal fast-food porque gosta, claro, mas também porque é onde um grupo pode comer mais barato.
Malhas que o consumo tece...
Emiéle
Afixado por afixe às 20:31
Comunicado do Sporting
Com este tipo de comunicados, suspeito que quem se vai lixar é o mexilhão.
Neste caso, o Rui Jorge.
Força, Rui...

Mérovée
Afixado por afixe às 17:57 | Afixadelas (2)
Efeméride: 28/04/04
Saddam Hussein - 28 de Abril de 1937

Mérovée
Afixado por afixe às 16:36
Ele sublinha: tudo!
"Sublinho: tudo!
Sublinho: tudo!
Sublinho: tudo!
Sublinho: tudo!"
Pedro S. Lopes, ontem.
Afixado por afixe às 16:05 | Afixadelas (2)
Para que te aguentes nas paradas
Para que o homem se aguente nas paradas, o mais tempo possível, aliás, aqui fica o contributo do afixe. Segue hoje por correio.

Mérovée
P.S.- Obrigado à Alice Brito por ter referido este assunto. Seria uma pena passar ao lado.
Afixado por afixe às 16:01 | Afixadelas (1)
Anti-Peace Anthem
gibel
Afixado por afixe às 15:02 | Afixadelas (3)
Um falo com 300 metros...
"Os simbologistas faziam com frequência notar que a França – um país afamado pelo seu machismo, costumes dissolutos e líderes diminutos e inseguros como Napoleão e Pepino, o Breve – não poderiam ter escolhido como emblema mais nacional nada mais apropriado do que um falo com trezentos metros de altura.”
Dan Brown, in O Código da Vinci
Afixado por Mérovée
Afixado por afixe às 12:47
Guerras da testosterona, da esquerda e da direita.
O excerto d’O Código Da Vinci, que, com a devida vénia ao autor – Dan Brown –, vou postar de seguida, pega de frente, e sem temores simplórios ou pacóvios, o touro do machismo e os malefícios que dele advieram e continuam a advir para todos nós. As palavras que escolhi levam-nos a pensar, entre outras coisas, que a chamada luta pela emancipação das mulheres – expressão que sempre considerei deveras redutora – é bem mais que isso. Trata-se, porventura, da emancipação do próprio mundo.
A talhe de foice, de forma curiosa, mas nem por isso menos objectiva, alude à velha, e por alguns visceralmente adorada (não é indirecta para ninguém), dicotomia esquerda-direita, colocando na ultrapassagem desta malfadada, e vazia de sentido, bifurcação – ainda que não de forma expressa –, alguma parte da redenção por que se clama.
Para quem me perguntou: “se não és de esquerda, que direita é essa?”, aqui fica parte da resposta! Com todas as letras, e para que conste, estou há muito desafeiçoado dessas concepções redutoras, lateralizantes e, pasme-se – mas é essa a minha opinião –, fascizantes.
Não posso terminar sem aconselhar vivamente a leitura do livro em causa aos iniciados ou curiosos destas andanças, sem qualquer dose de pretensiosismo, porque se há alguém que dá os primeiros passos nestas temáticas, esse alguém sou eu. O Romance em causa não é nenhum primor de escrita, “lambe demasiado as botas”, aliás, a um qualquer produtor de Hollywood mais ousado – uma qualquer espécie de Mel Gibson ao espelho.
Mas, que mais não seja, por tiradas do género das que infra e noutro post reproduzirei, vale bem a pena a sua leitura.
Mérovée
“As mulheres, outrora celebradas como a metade essencial da iluminação espiritual, tinham sido banidas dos templos de todo o mundo. Não havia mulheres que fossem rabis ortodoxos, nem padres católicos, nem clérigos islâmicos. O outrora sagrado acto de Hieros Gamos – a natural união sexual entre homens e mulheres através da qual ambos se tornavam espiritualmente complexos – passara a ser apresentado como uma coisa vergonhosa. Homens santos que noutros tempos precisavam da união sexual com os respectivos equivalentes femininos para comungar com Deus temiam agora os seus impulsos sexuais normais, considerando-os obra do diabo com o seu cúmplice preferido: a mulher.
Nem sequer a associação feminina ao lado esquerdo tinha escapado à difamação da Igreja. Em França e Itália, as palavras para «esquerda» – gauche e sinistra – acabaram por adquirir conotações profundamente negativas, enquanto o lado direito era sinónimo de rectidão, habilidade, correcção. Ainda na actualidade, o pensamento radical era considerado ala esquerda, o mau humor era acordar para a esquerda, e tudo o que fosse mau era sinistro. Os dias da deusa tinham chegado ao fim. O pêndulo balouçara. A mãe-terra tornara-se um mundo homem, e os deuses da destruição e da guerra cobravam o seu tributo. Durante dois mil anos, o ego masculino correra à solta sem o freio do seu par feminino. O Priorado do Sião acreditava que fora esta obliteração do sagrado feminino que causara aquilo a que os índios Hopi da América chamavam «koyanisquatsi» – vida sem equilíbrio –, uma situação instável marcada por guerras inspiradas pela testosterona, uma pletora de sociedades misóginas e um crescente desrespeito pela Terra-Mãe.”
Dan Brown, in O Código da Vinci
Afixado por afixe às 12:43 | Afixadelas (8)
Recebido e divulgado aqui
Quem se sentir ofendido, salte logo para outro post, combinado?
AS CRIANÇAS FICAM BARALHADAS... E OS ADULTOS?
Filho: Pai, o que é a Páscoa?
Pai: É uma festa religiosa.
Filho: Igual ao Natal?
Pai: É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus e na
Páscoa comemora-se a sua ressurreição.
Filho: Ressurreição? O que é isso?
Pai: É voltar a viver depois de ter morrido. Jesus foi crucificado, morreu
e três dias depois ressuscitou e subiu aos céus para junto do pai - o pai
do céu.
Filho: Então... Jesus era coelho?
Pai: Coelho??? Não, foi um Homem, um grande profeta... um coelho, porquê um coelho???
Filho: Oh pai, então mas o pai do céu não é Deus?
Pai: Pois, Jesus e Deus são a mesma coisa.
Filho: E o Espírito Santo, também é Deus?
Pai: É. É a Trindade: o Pai, o Filho e o Espirito Santo.
Filho: E Fátima?
Pai: Fátima? O que tem Fátima?
Filho: Então, o Espírito Santo não fica na Trindade? Já lá fui com a mãe...
Pai: Não! O Espírito Santo não é um banco... Sim, na Trindade há uma agência do Espirito Santo, mas o Espirito Santo de Deus... oh meu Deus... não tem nada a ver...
Filho: Já percebi! Mas então, se Jesus não é um coelho, quem é o Coelho da Páscoa???
Pai: Sei lá... boa pergunta! É uma espécie de Pai Natal que em vez de trazer prendinhas traz ovinhos.
Filho: Os coelhos põem ovos???
Pai: NÃO! Não põem ovos, os coelhos são mamíferos...
Filho: Então devia ser a Galinha da Páscoa...
Pai: Pois... se calhar tens razão...
Filho: Oh pai... então... Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não foi?
Pai: Foi.
Filho: E em que dia é que morreu?
Pai: Morreu na Sexta-feira Santa.
Filho: Mas em que dia e em que mês?
Pai: Bem... não sei bem... morreu numa Sexta-feira... Santa... e ressuscitou ao fim de 3 dias... no Sábado... de Aleluia!
Filho: Então... morre a uma Sexta e ressuscita num Sábado... onde é que ficam os 3 dias? Sábado é no dia seguinte...
Pai: Pois...
Filho: Ou seja, deve ter morrido numa Quarta-feira
Pai: Não, morreu numa Sexta-feira e por isso temos a Sexta-feira Santa Espera... também há a Quarta-feira de cinzas... bem, até eu já estou todo
baralhado... Não queres ir ver televisão?
Filho: Sim, já vou, só mais uma coisa: porque é que na Páscoa amarram um
monte de bonecos de pano e depois lhes deitam fogo na rua?
Pai: Porque é a tradição de no Sábado de Aleluia castigar Judas que foi apóstolo que traiu Jesus.
Filho: Judas traiu Jesus num Sábado?
Pai: Não! Então se Jesus morreu numa Sexta-feira... foi traído antes disso!
Filho: Então não percebo... porque é que não castigam Judas no dia certo?
Pai: mmmh... pois... vai lá ver televisão, vais? Estão a dar os bonecos que tu gostas...
Filho: Oh pai, só mais uma coisa...
Pai: Diz.
Filho: Jesus era Jesus quê?
Pai: Cristo. Jesus Cristo.
Filho: Só?
Pai: Sim, porquê?
Filho: Estava aqui a pensar... se calhar também tinha Coelho no apelido...
Assim já se percebia o coelho da Páscoa, não achas?
( recebido por email)
Emiéle
Afixado por afixe às 08:22 | Afixadelas (1)
Pedagogia, Educação e outras coisas que tais
Ouve-se dizer a toda a hora, em relação a uma mudança de atitudes e valores entre gerações, que a culpa foi do 25 de Abril. ( ou seja dantes as coisas não só eram diferentes como eram melhores...)
Isto dava pano para mangas, e como deste pano eu tenho uma peça inteira ainda cá vou voltar ao assunto muitas vezes, mas hoje gostava de focar só um ponto. O facto de ser "a culpa" de quem.
Acabei agora mesmo de ler um livro, chamado "L'enfant, chef de famille", cujo título já é sugestivo, que analisa este fenómeno criticado aqui em cima, das profundas alterações nas relações inter-generacionais - familiares Só que o estudo foi feito em França. Lá não houve nenhum 25 de Abril. Claro, houve Maio de 68, e em diversos países tem havido "crises de crescimento" mas cada um tem a sua. E se confirmamos que um pouco por todo o lado, na civilização ocidental, os valores estão a mudar, talvez seja de se analisar outros aspectos que não, exclusivamente, mudanças políticas.
Por exemplo o facto incontroverso de, felizmente, a mortalidade infantil ter caído a pique no último século. E o facto, talvez consequente, de terem diminuído o número de nascimentos, aumentando até os filhos únicos. As crianças tornaram-se um bem tão precioso ( e são-no!) que por boa vontade e desejo de fazer bem, se perderam de vista normas educativas importantes.
Ou seja, quando hoje não se usa a noção de Chefe de Família, não será a criança a agarrar essa coroa que implica responsabilidades que não são dele.... Porque criança é criança, nunca pode nem deve, ter excesso de Poder. Sob pena de vir depois a ser um adulto muito infeliz.
Emiéle
Afixado por afixe às 07:02 | Afixadelas (5)
Mundos Paralelos
É coisa que sempre me fascina, conseguir meter o nariz em actividades ou profissões muito diferentes da minha. Por mim, não gosto muito de rotinas. A minha actividade normal é já bastante variada, mas tenho-me espraiado, quando posso, trabalhando também em áreas afins. Contudo, são mesmo afins, portanto já sei mais ou menos o que vou encontrar.
Mas há algum tempo desafiaram-me para participar numa coisa completa e totalmente diferente daquilo que eu conheço e por onde costumo andar - fazer um guião para um filmezinho de animação. Ontem estive lá no estúdio e ainda estou fascinada! É um mundo mesmo novo para mim e surpreendente. Porque para além da parte criativa, "artística" que essa já eu estava à espera, há outra parte a que posso chamar "científica" e que foi mesmo novidade. Refiro-me a estudos de química, resistência de materiais, desgastes, coisas desse tipo. Foi interessantíssimo, um mundo enorme e desconhecido.
E saí a pensar:
É curioso como se tem a tendência para valorizar e engrandecer aquilo que se conhece melhor, e exactamente como conhecemos damos mais valor a algum trabalho. É que afinal, somos mesmo umbigistas, achamos que o grande trabalho é o que está ligado ao nosso. O resto deve "aparecer feito", assim por magia, Deus quer, o homem sonha, a obra nasce, ou coisa do género. Pois não é! Quando se vê uma obra, afinal mesmo que pareça fácil, pequena, levezinha, ela é apenas a parte visível de um imenso iceberg. O "nosso mundo" é apenas um, e é fascinante como tal como o "Príncipezinho" darmos também uma volta pelo mundo dos outros. Ele há cada surpresa!
Emiéle
Afixado por afixe às 06:45 | Afixadelas (1)
abril 27, 2004
Son of a Bush strikes again...
Fallujah bombardeada pela coligação
- Isto não é genocídio, pois não?
- Claro que não. Seria, se fosse ao contrário, se fossem os maus a bombardear os bons.
- E assim?
- Assim é a luta pela libertação do povo iraquiano, pela instauração da democracia...
- Com bombas?
- Ai o raio do puto, vai lá p'rá cozinha ajudar a tua mãe...
Mérovée
Afixado por afixe às 20:02 | Afixadelas (1)
Barnabices...
Mais uma ao melhor estilo de Daniel Oliveira, o pragmático vazador de postas de pescada.
Parabéns, Padre Barnabé, por mais esse belo sermão.
Nada me irrita mais do que os comentários vazios da esquerda que come caviar em torres de marfim.
Mérovée
P.S.- Para evitar chatices, aviso já que onde se lê Daniel Oliveira não se deve ler José Mário Silva.
Para evitar coisas como esta.
Na altura, a pedido de várias famílias e pelo muito respeito que lhe tenho, o ZM ficou sem a resposta devida.
Não voltaria a acontecer!
É que eu também não gostei mesmo nada daquele post...
Afixado por afixe às 19:30 | Afixadelas (1)
OS ÚLTIMOS JUDEUS SECRETOS
Da Obra Os Últimos Judeus Secretos, de David Augusto Canelo:
"Documentalmente, a origem da comunidade judaica de Belmonte remonta ao século XIII.
A poucos anos do ano 2000, em Belmonte, uns 150 indivíduos laboriosos constituem uma comunidade de judeus secretos.
Vivem e habitam o mesmo espaço físico da povoação ao lado da comunidade católica mas demarcam-se desta através de uma conduta sócio-religiosa que os leva a manterem-se um tanto à parte dentro do quadro social belmontense. Para isto muito contribui ainda uma visível discriminação de que são alvo e que é notada claramente a nível de uma mentalidade há muito cimentada pelo aparelho ideológico da Igreja e que toma o judeu como sinónimo de "maligno".
De certo modo marginalizados e continuando terrivelmente marcados pelo passado sentem-se inferiores dentro da sua própria consciência e um mal-estar perpétuo parece assisti-los.
O que mais impressiona é a vivência psicológicadesta comunidade criptojudaica, muito fechada e receosa, como se vivêssemos ainda nos séculos XVI, XVII e XVIII, num clima de medo e terror, como se o Tribunal do Santo Ofício ainda perdurasse. O culto, sempre celebrado na maior intimidade é ocultado aos estranhos e as portas e janelas das casas são fechadas quando está a ser praticado, para que os olhares profanos nada vejam. Conservam práticas, usos e costumes muito característicos que, para bem do quadro etnográfico português, teimam em manter-se.
Embora o seu ritual criptojudaico ou "marrânico" seja uma mistura de judaísmo e catolicismo, eles crêem-se verdadeiros judeus e estão sempre mais perto de Moisés do que de Cristo. Ao adorarem Cristo e o catolicismo, de vez em quando, procuram "tapar a boca ao povo e ao mundo". Mas o que é certo é que alguns preceitos teológicos cristãos estão já de uma certa maneira tão misturados com os preceitos teológicos de origem talmúdica que uma religião suis generis, surgida por força das circunstâncias históricas em Portugal, é praticada por esta comunidade e mantém-se viva nesta povoação serrana do interior de Portugal.
Ainda em 1985! Cerca de 490 anos depois da conversão forçada ordenada por D. Manuel, cerca de 210 anos depois da abolição da distinção entre cristãos-novos e velhos no tempo de Pombal e cerca de 164 anos depois da extinção definitiva da Inquisição pelas Constituintes de 1821!
Em Belmonte estão os últimos marranos da história peninsular ibérica!
Afixado por Mérovée
Afixado por afixe às 19:15 | Afixadelas (3)
Recortes de imprensa
Encontrado no Melgabyte:
Mérovée
Afixado por afixe às 19:04 | Afixadelas (1)
Saudades...
De repente, senti imensas saudades deste fulano:

Cosmo Kramer, the assman!
Algumas citações:
"With boxers I'm flipping and flopping!"
"My boys" need a house!"
"I feel like a naked innocent boy roaming the countryside."
"When there is no work and the people get restless who do you think they come to? EL PRESIDENTE!"
"Jerry my rods and cones are all screwed up! That's it I've gotta move in with you Jerry!"
(saying to Jerry) "God knows I don't ask you for much!"
"I saw a Pigman! Pigman!"
Mérovée
Afixado por afixe às 16:12
Resposta pública ao Sr. James Osagie
Pois é, o Afixe anda a receber uns e-mails deveras estranhos.
Desde já adianto a resposta pública a este, infra transcrito:
Sr. Osagie, obrigado por se ter lembrado de nós, pobres e necessitados afixadores, mas não, obrigado...
Infelizmente, imagino que ainda haja quem vá nisto.
Enfim...
Mérovée
"Dear Sir,
I am writing this proposal hoping that you would be of assistance in this
business of mutual benefit. My name is James Osagie an auditor at one of
the Banks in lagos-Nigeria.
During our last audit exercise,some amount of money totalling $18.5Million
was discovered and traced to be owned by one late Engineer Manfred Becker,
a foreigner who died in a crash. The source of this fund was further
traced to be a contract payment made to him but has remained unclaimed
till now.Since his death, nobody has shown up to claim this fund and this
attracted our curiosity.
I therefore made a research and found out that he did not leave any next
of kin in his confidential document with the Ministry that he executed the
contract for and also with our Bank. A panel setup by the Federal
Government on recovery of funds expects that this fund should be
unquestionably claimed by any of his available foreign next of kin or
alternatively the fund should be donated for arms and ammunition at a
military war college here in Nigeria. Fervent valuable efforts were made
by the Panel to get in touch with any of the family or relatives but all
have proved to no avail."
"It is because of the perceived possibility of not going to be able to
locate any next of kin ( he had no wife and children) that the panel under
the influence of our chairman, Rtd Major General Thomas Danababa , that
arrangement is being made for the fund to be declared UNCLAIMABLED and
then be donated to the Trust Fund for arms and ammunition which will
further enhance the perpetration of war in Africa and the third world in
general. To forestall this move, my colleagues and I have taken it upon
ourselves to source for a foreign partner who could assist in claimimg
this fund for further transfer abroad.
I have been given the sole mandate to source for a partner as soon as
possible to that effect.All documents and proof to enable you get this
fund have been carefully worked out and I am assuring you a 100% risk free
involvement. Your share would be 30% of the total amount if you agree to
assist while 10% would be set aside to offset all expenses in course of
the transfer and the rest would be for us for investment purposes in your
country. If this proposal is OK by you, and you do wish to take the
advantage of the trust we hope to bestow on you and your company, then
kindly reach me immediately via my confidential email account furnishing
me with your most confidential telephone and fax numbers and exclusive
email so that I can forward to you the relevant details of the
transaction.
I expect your urgent response.
Regards,
Mr. James Osagie"
Afixado por afixe às 15:22 | Afixadelas (2)
Efeméride: 27/04/04
Estudantes de Pequim ocupam a Praça de Tiananmen - 27 de Abril de 1989

Mérovée
Afixado por afixe às 14:39
Assim escreve uma jornalista
O Grão de Areia publicou este texto magnífico, na minha opinião, da Diana. Para mim ela é das melhores jornalistas portuguesas. Convido-vos a apreciá-lo. Este também é o meu 24 de Abril.
Emiéle
Afixado por afixe às 10:09 | Afixadelas (1)
Que farei eu com este curso?
Será que é isto que dá força a barbaridades como a referida aqui por Mérovée ?
O problema do desemprego e do sub-emprego choca-nos todos os dias. Se por um lado é, felizmente, mediatizado o encerramento de grandes empresas ou fábricas onde operários, muitas vezes com idades onde será difícil re-aprenderem outro ofício, se vêm sem recursos e com a vida parada, por outro não se fala com o mesmo impacto de outra realidade, grave e importante também, que é a luta por o 1º emprego.
Ouve-se falar no “Direito ao Trabalho”. Parecia adquirido. Aliás ainda existem pessoas que ao verem um pedinte usam a frase “Vai mas é trabalhar!” e ficam muito satisfeitos consigo próprios. Não vou negar que existam “preguiçosos”, pessoas que, como se diz, gostariam de “viver dos rendimentos”. Qual de nós, em período de maior tensão laboral, não suspirou por essa situação? Mas dizêmo-lo, obviamente, como uma brincadeira. As pessoas que não trabalham, na esmagadora maioria dos casos, é por não terem essa escolha. E está agora a tornar-se muito grave os recém-licenciados –sobretudo por alguns cursos – que se vêm a braços com a opção de recorrerem a trabalhos não apenas muito temporários como ridiculamente abaixo das suas competências: vendedores em lojas, por exemplo.
Mas isto é tema grave e que merece mais reflexão. Ainda cá vamos voltar.
Emiéle
Afixado por afixe às 08:03 | Afixadelas (5)
abril 26, 2004
"Ministério da Doença"
Num blog que visito com frequência e considero extremamente bem informado em questões de saúde encontrei esta notícia
É mais um caso para juntar às dezenas de casos que quem estiver atento encontra todas as semanas na nossa imprensa.
Claro que se pode negar as queixas ou dizer que as situações estão muito empoladas e, na realidade, nada disto é assim tão grave. São pontos de vista... Tenho de dizer que não é o meu. Porque em pouco tempo, os problemas da nossa saúde como eu já aqui tinha dito, parece saltarem por todos os lados. Não, não é má vontade. Ainda há muito pouco tempo foi o caso, muito mal explicado, do famoso “adenovírus” que como é natural assustou muitos pais. É que não caso para se falar com ligeireza: morreram mesmo crianças. A morte de um filho é um desgosto infinito. E não venham dizer que “é natural” ou “normal”. Nem uma ponte cai por causas naturais, nem uma criança que morre é uma situação para se ficar tranquilo, mesmo que fosse apenas um caso - que não foi. Desculpem, mas a saúde em Portugal está mesmo cada vez mais doente.
Emiéle
Afixado por afixe às 22:37 | Afixadelas (6)
Perguntas sem resposta
Uma vez que o Mérovée com muita lucidez põe em dúvida esta informação recebida aqui, eu como boa parceira de blog, reforço e confesso que também acho que o Dr Pedro Lopes não é homem para essas ostentações, pois qualquer carrito lhe serve. Ele até nem é pessoa para ligar muito a carros esconde-os debaixo do chão em túneis e coisas dessas. Deve ser por isso que pensou fazer aquele túnel tão giro, a sair logo ali no Marquês, que tem pouco trânsito e assim fica mais animadinho. É que parecia mal, uma praça tão central onde quase não passavam carros.
O pior é que parece, que há umas almas danadas, que embirram com ele e querem um estudo de impacto ambiental
Onde é que já se viu? E se, por azar, vieram dizer que aquilo é mesmo prejudicial? Vão aproveitar o buraco que já lá está para quê? Aceitam-se sugestões.
Emiéle
Afixado por afixe às 21:48
Olivença é nossa?
O afixe recebeu estes e-mails:
1º
Também para Olivença, 25 de Abril!
Em 25 de Abril de 1974, há trinta anos, Portugal pôs fim a um regime autocrático e orientou-se para a democratização, a descolonização e o desenvolvimento.
O Estado português, participa plenamente na Comunidade Internacional, desenvolvendo relações solidárias com todos os povos e, nomeadamente, com os demais Estados da CPLP.
Transmitida a administração de Macau para a China e alcançada a independência de Timor-Lorosae, está encerrado um ciclo histórico: Portugal não coloniza nem tutela quaisquer territórios ou povos.
Agora, serena e firmemente, levemos por diante o resgate cultural e político de Olivença!
Denunciando os duzentos anos de domínio colonial espanhol, refaçamos e aprofundemos a ligação com Olivença e com os oliventinos!
Reencontremos Olivença!
25-04-2004
Colectivo pró-Olivença
pro.olivenca@sapo.pt
2º
Nota Informativa 04-2004
Passam, hoje, 193 anos sobre a data em que Olivença, pela última vez, viu ondear nas suas muralhas – soberana – a Bandeira Portuguesa.
Naquele 15 de Abril de 1811, decorria a Guerra Peninsular, tropas portuguesas do exército luso-britãnico levam de vencida as forças napoleónicas que anteriormente tinham desalojado da Praça o ocupante espanhol e, guarnecendo-a com soldados da 9.ª Brigada, restauram a soberania de Portugal.
Todavia, no mesmo dia, Beresford, comandante das forças anglo-lusas, cumprindo ordens de Wellesley (Duque de Wellington), apesar dos protestos das tropas portuguesas e perante o desespero dos oliventinos, determina a entrega da Praça às autoridades espanholas.
Aos oliventinos, continuando a ser portugueses na reserva dos seus corações e no recato dos lares, restou-lhes aguardar por Justiça.
Aos demais portugueses resta-lhes, sempre, exigir Justiça!
Lx., 15 de Abril de 2004.
A Direcção.
Isto é para aquela malta que acha que o Portugal de hoje não tem causas.
Era só o que nos faltava...
Mérovée
Afixado por afixe às 19:51 | Afixadelas (3)
No tal Portugal de Abril...
Gostava de alertar, quem por aqui passe, para o que se pode ler aqui, aqui,aqui e aqui:
Em suma, como poderão verificar nos locais acima linkados, publicadas no blogue Diário de um Jornalista e alegadamente:
"Subiu para três o número de jornalistas despedidos por causa deste blog. Uma nossa colega foi hoje, uma vez mais por causa do conteúdo deste espaço, dispensada do "O Primeiro de Janeiro". Não vou estar a repetir posts anteriores. O post "A quatro dias do 25 de Abril..." já diz tudo sobre esta situação. Mas importava, neste momento, actualizar (infelizmente) os números."
Fica para análise posterior, que hoje não tenho tempo para mais!
Para já, apenas o relato de 4 posts publicados num blogue.
Só isso...
Mérovée
Afixado por afixe às 19:24 | Afixadelas (1)
Um e-mail aldrabão!
Recebi um e-mail com o conteúdo que passo a reproduzir:
Retoma chega à CML..
A crise existe apenas para alguns...
A "retoma" chegou à Câmara Municipal de Lisboa!
Entre Março de 2003 e Março de 2004, o Município Lisboeta adquiriu 11 viaturas topo da gama no valor de 600.000 euros. Nove da marca Peugeot a
quase 50.000 euros cada, um Lância Thesis de igual valor e um Audi A8
4.2 V8 Quattro de 115.000 euros. Acresce registar que o Audizito consome
19,6 litros de gasolina em circuito urbano!
Segundo Santana Lopes foi um bom negócio, visto que, e segundo ele, o seu
antecessor gastou mais dinheiro. Os carros substituídos estavam velhos,
tinham três anos!
Porquê este despesismo, estando o país na situação económica em que
está?
Carros topo da gama com três anos, são carros velhos? João Soares deixou
um Volvo S80. Será que este carro com três anos não está em condições de
circulação?
Porquê a necessidade de um Presidente de Câmara circular num Audi A8 4.2
V8 Quattro? Ainda por cima num país que está de tanga!
O Lancia Thesis foi para a vereadora do PSD Teresa Maury e os Peugeot
para
os outros colegas de partido. O vereador do PS, Vasco Franco continua
com o seu Laguna de 99 e o seu colega do PCP, António Abreu também continua com o seu Laguna de 98! Giro não é?
Sabem qual é o slogan da Audi para promover este carro?
"Os sonhos não têm preço"
Digo já que não acredito no contéudo do e-mail.
De resto, o Presidente Lopes não é nada dado a estas coisas.
É, por certo, o raio da cabala! Raisparta...
Mérovée
Afixado por afixe às 19:06 | Afixadelas (1)
Ao engano...

Como sou um fulano abastado e não tenho mais nada para fazer, hoje dei por mim a tentar descobrir como é que as pessoas chegam ao afixe.
E descobri!
A maior parte das pessoas vêm por intermédio de links, em grande, GRANDE maioria o do BdE (o nosso sentido agradecimento).
Outras chegam cá por intermédio de motores de busca.
E destas, umas já ouviram falar do blogue mas não lhe conhecem o endereço, e então vão ao google ou ao sapo e digitam afixe ou blog afixe.
Outras, pura e simplesmente, vêm ao engano!
Não resisto a colocar-vos a par das Keywords que estas, as ditas pessoas enganadas, usaram para chegar ao Afixe.
Assim:
scutvias - 4 pessoas;
scutvias A23 - 1 pessoa;
sou gay covilhã - 1 pessoa;
queijinhos frescos letras - 1 pessoa;
inventor fernando gonçalves - 1 pessoa;
FAMEL-ZUNDAP - 1 pessoa;
olivenza blog - 1 pessoa;
Quer isto dizer que "apanhámos" cinco visitas que eram destinadas à scutvias (esta é por certo devida às minhas constantes referências à A23), uma visita de um qualquer individuo que é ou quer ser gay na covilhã, um visitante que procurava, pois então, as letras dos queijinhos frescos, outro que concerteza queria saber novas sobre o inventor fernando gonçalves (suspeito que, o próprio), outra de alguém que queria saber novas (?) da eterna e sempre na moda Famel-Zundap e uma ainda de alguém que queria ir ao blogue Olivença - blogue Olivença: ficámos com um cliente vosso! As nossas desculpas.
E isto tudo porque aqui ou ali, neste ou naquele post, usámos as expressões em causa.
Coisas da internet e do afixe.
Mérovée
Afixado por afixe às 18:35 | Afixadelas (1)
Tudo em pequenino
O português é uma bela língua. Um pouco fechada, com muitos sss e erres rolados, mas gosto dela, quando bem escrita e bem falada. E tem uma característica que, usada com moderação, até lhe dá graça: os sufixos em inho para transmitir a ideia de pequeno.
Simplesmente temos tendência para o exagero. Quando se diminui "não-substantivos" já se está no limite (cedinho, adeuzinho, branquinho) mas ainda fica bem e é bom português. Dá um toque de ternura à expressão. Mas quando esses diminutivos vêm todos em cadeia? "Fique descansadinha, que a contazinha já está prontinha.!" E acabei de ouvir outra frase hilariante: " Vamos medir a tensãozinha! Agora está melhorinho." Nem sequer foi melhorzinho. Ná, devem ter achado que era mais suave tirar o z, e ficou melhorinho!!!
É caso para dizer "Tadinho!"
Emiéle
Afixado por afixe às 13:59 | Afixadelas (2)
Recado aos meus amigos silenciosos
Já se sabe que quando se passa por um blog nem sempre se deixa lá a nossa "marca". Por algum motivo, nas estatísticas, o número de visitas é infinitamente superior ao dos comentários. Isso é normal. Eu, que sou bem faladora, passo por muitos blogs sem comentar nada.
Mas também se sabe que moraliza um bocado ter a confirmação de que não andamos a falar sozinhos, autistas já há muitos. E vem isto a propósito, do que já me palpitava mas este fim-de-semana tive mesmo a confirmação, que vários amigos meus até me visitam (quer aqui quer no meu antigo poiso) mas entram mudos e saem calados. Ora, se falamos de amigos, já é outra conversa. Nesse caso quero mesmo um sinal. Olhem que levo a mal! Quando o Afixe for muito famoso, vá lá... Mas está a dar os primeiros passos, precisa de mimos. O A****** . (sim, tu!) teve a lata de me dizer que fica bloqueado perante a "folha em branco" dos comentários. Mas isto é para concorrer ao Nobel, ou quê? Olhem que a "maioria silenciosa" foi em 74 e teve triste fim.
Emiéle
Afixado por afixe às 13:34 | Afixadelas (6)
Anúncios antigos (III)
"Não, não!
O coelhinho vai com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo"
Dito dum fôlego por uma miúda que hoje está ligada ao mundo da publicidade, este anunciava o Natal.
Aparecia em fins de Novembro e foi usado repetidamente por mais de uma década.
Mérovée
Afixado por afixe às 11:33 | Afixadelas (4)
Anúncios antigos (II)
"Frio?
Eu não tenho frio, uso uma thermotebe e o meu pai também."
Este arrepiou-me todo.
Aquela imagem, aquela cena do puto a levantar a camisola...
E por baixo: uma thermotebe...
O que eu queria ter tido uma.
É que, isto é frio, aqui nas berças.
Mérovée
Afixado por afixe às 11:27 | Afixadelas (3)
Anúncios antigos (I)
"É cá dos nossos,
É cá dos nossos,
Aldeia Velha para os nossos copos."
Ontem quase que chorei a ouvir isto na reportagem da SIC.
Mérovée
Afixado por afixe às 11:17 | Afixadelas (1)
Cadáveres esquisitos
Alguém tem feito “cadáveres esquisitos”?
Aquela forma de escrita a duas ou mais mãos, em que cada pessoas escreve três ou quatro linhas de texto, dobrando depois a folha de forma a deixar à vista apenas uma das linhas, a partir da qual o escrevinhador seguinte tenta ou não apanhar o raciocínio e dar-lhe complemento.
Anteontem fizemos um no computador.
Em fez de se dobrar a folha, colocavam-se as frases anteriores a branco.
Foi curioso...embora os fogos de Abril nos tivessem colocado demasiados em sintonia (vide entrada estendida).
Mérovée
"Hoje de manhã acordei com uma dor nas costas por causa do belo do trambolhão que dei aqui há uns dias. Tinha aulas às 8 da manhã. Tomei uns comprimidos extra, para além do xanax, e de outros que tais, que nos levam a um estado de letargia capaz de tornar amorfo o irascível e levar qualquer um ao imobilismo social da intervenção cívica que a todos a democracia convida, pois então, porque a liberdade termina onde começa a liberdade do outro, como sói dizer-se. E neste pressuposto pouco mais há a fazer, que não seja lutar. Lutar todos os dias, por nós e por quem de nós há-de vir. A luta, é pois, uma questão de sobrevivência social de um país em que a esperança se renova a cada criança que nasce, a cada velho que morre – cumprindo-se assim o eterno devir. A conspiração das almas. Das que vão e das que vêm. O eterno recomeço. O ciclo completo da vida. É neste contexto que importa repensar um modo de viver cada vez mais virado para um imediatismo insustentável e capaz de nos levar a um “beco sem saída”. Urge (re)pensar, para incentivar hábitos novos. Inventar novas formas de encarar o mundo. Novas maneiras de fazer face ao intrínseco e eterno desejo que os homens têm de se destruir, de se auto aniquilar. Até ao tempo em que a serpente não mais tentará enlear Adão nas tramas da sensualidade, nas teias do desconhecido. O futuro será sempre uma incógnita, deliciosa incógnita esta, capaz de nos manter vivos de memórias e, particularmente esperanças. Sobretudo face à fé nos homens e nos deuses que os homens inventam. Que inventam para sobreviver, para encarar a eterna passagem a que supra se aludiu, o tal eterno devir. O que, inevitavelmente, nos há-de conduzir à concórdia e ao entendimento entre culturas e interesse em prol de um interesse superior chamado futuro da espécie. É pois o inegável instinto de sobrevivência humano a última esperança deste planeta a que resolvemos chamar de Terra. Um a propósito – porque carga d’agua se apelidou de Terra um planeta que é constituído, em larga maioria, por mares e oceanos? Ironia humana, por certo. Mera determinação do habitat dos homens. Tivessem levado a melhor os idos da velha Atlântida e por certo este terceiro calhau a contar do sol teria um nome mais aquoso, mais líquido. E assim acontece, assim se faz um cadáver esquisito no ano da graça de 2004, ao dia da liberdade deste mês de Abril. Em Portugal..."
Cadáver esquisito por mérovée e tesla.
Afixado por afixe às 11:12 | Afixadelas (1)
Efeméride: 26/04/04
Ludwig Wittgenstein - 26 de Abril de 1889

Mérovée
Afixado por afixe às 11:01
Então, até p'ró ano !
Muito bem, parabéns FCP.
Um abraço aos meus amigos portistas (também os tenho, o que é que julgam?!) e votos de que tenham um bom ganhar.
"Há muitos anos que não tinham um 25 de Abril destes..."
Este campeonato acabou muito cedo. É certo que "nós" ajudámos um bocado.
Será bom que para o ano haja mais luta senão perde um bocado a graça.
Bem, encontramo-nos na próxima época, o.k.?
E...PARABÉNS!
Emiéle
Afixado por afixe às 07:59 | Afixadelas (3)
Outra conversa em "Computadorês"
Não sei se conheciam esta, recebida há tempo:
"Caro Suporte Técnico:
O ano passado fiz um upgrade do NAMORADO 5.0 para o MARIDO 1.0 e
notei uma redução significativa da performance, principalmente nas aplicações FLORES e JÓIAS, que operavam sem falhas em NAMORADO 5.0. Além disso, o MARIDO 1.0 desinstalou outros programas importantes como ROMANCE 9.5 e ATENÇÃO AO QUE EU DIGO 6.5 e instalou aplicações indesejáveis, como SUPERLIGA 5.0.
Também não tenho conseguido correr os programas CONVERSAÇÃO 8.0 e LIMPAR A CASA 2.5. O sistema fica bloqueado. Tentei correr o RECLAMAR 5.3
para corrigir esses bugs e não consegui nada.
Que hei-de fazer???
Ass.: Desesperada.
--------------------------------------
Cara desesperada:
Primeiro, tenha em atenção que o NAMORADO 5.0 é um programa de
entretenimento, enquanto MARIDO 1.0 é um sistema operativo.
Comece por fazer o download de LÁGRIMAS 6.2 e depois digite o comando
C:\ EU PENSEI QUE ME AMAVAS, para instalar o CULPA 3.0. Essa
operação actualiza automaticamente as aplicações FLORES 3.5 e JÓIAS 2.0.
No entanto, lembre-se que o uso excessivo desses programas no Marido
1.0 pode activar outros programas indesejáveis, como SILÊNCIO TOTAL 6.1 e
FUTEBOL COM OS AMIGOS 7.0, que invariavelmente instala o CERVEJA 6.1.
Este último é terrível, pois cria arquivos tipo WAV da versão
RESSONAR ALTO 2.5.
De qualquer forma, NUNCA instale SOGRA 1.0 ou reinstale qualquer versão de NAMORADO. Estas aplicações são incompatíveis e irão bloquear o funcionamento do sistema operativo MARIDO 1.0.
Em resumo, MARIDO 1.0 é um óptimo sistema operativo, mas tem
limitações de memória e demora a correr certas aplicações. Para o perfeito
funcionamento do sistema, sugerimos que a senhora adquira alguns programas adicionais. Recomendamos JANTAR ROMÂNTICO 3.0 e LINGERIE 6.9!!!
Tenha muito cuidado!. Algumas clientes instalam o FILHO 1.0 para
tentar dar estabilidade ao sistema e muitas vezes isso causa um efeito
contrário, acarretando uma necessidade de verificação total do sistema
para garantir a existência de espaço no disco rígido e, sobretudo,
assegurar a existência de um adequado ficheiro de paginação em
MONEY 3.0!
Boa Sorte,
Atenciosamente,
Suporte Técnico"
Émiéle
Afixado por afixe às 07:12
abril 25, 2004
Evolução nos Cumprimentos
Bem, isto já parece uma lenga-lenga de modo que vai ser a última vez que evoco esta longa evolução. Mas acho que tem alguma piada pensarmos que as coisas têm mesmo mudado, e como observou o Mérovée num comentário ali abaixo, terá piada daqui a 20 anos dizermos o mesmo: Ena pai, o que isto mudou!
Os costumes e educação parece ser das coisas onde mais se repara na nessa evolução
Olhem só a distância que vai, do cumprimento que era uma ligeira vénia ou um baixar de cabeça, (com chapelada se era cavalheiro), para o britânico aperto de mão, e para os dois beijinhos com que hoje se cumprimenta! Nos anos 50 ficariam estarrecidos se uma mulher fosse apresentada a um homem e trocassem 2 beijinhos. E qualquer demonstração pública de afecto era olhada de lado. Lembro-me de me contarem o choque que uma jovem teve (aí em 1948) por, numa estação, ter visto um casal a despedir-se com um beijo na boca.
As fórmulas de cortesia também têm mudado radicalmente. A distância que um jovem e um mais idoso mantinham entre si, dissolveu-se. Nas famílias continua a haver conflito de gerações, é claro, mas em moldes completamente diversos. É muito nítido quando se assiste a filmes antigos e comparamos com as mesmas cenas na actualidade. Mudou mesmo. E foi mudando lentamente exactamente porque o tempo foi passando. E cá chegamos ao ponto onde comecei: tudo isto evoluiu com mais rapidez porque existiu uma Revolução em Abril de 74 que permitiu uma abertura para o exterior até ali muito condicionada.
Emiéle
Afixado por afixe às 21:02 | Afixadelas (4)
Convite
Vão ao BdE receber a prenda que o Filipe nos deixou. Ao tempo que não ouvia esta canção. Acho que cheguei a ter o disco mas deu-lhe um tranglomango qualquer.
Obrigada, Filipe!
Estamos todos em Festa!
Emiéle
Afixado por afixe às 14:01 | Afixadelas (3)
Evolução nas Festas Colectivas
Anos 40, 50, 60 – As festas eram vividas numa perspectiva muito mais familiar. No Natal a festa era em família como o é agora, mas as prendas eram apenas para as crianças da casa e numa quantidade limitada. Uma criança tinha uma prenda dos pais, uma dos avós, outra dos padrinhos e pronto. Hoje esta é uma festa de grande consumo!
O próprio Carnaval também podia ser caseiro. Existam os chamados “assaltos” que, como o nome indica, consistia em aparecer um grupo de pessoas sem serem convidados e passarem a noite a dançar e comendo as comidas e bebidas que de um modo geral levavam consigo. Era muito vulgar os cinemas fazerem matinés para as crianças, com muitos intervalos, para se atirar saquinhos, serpentinas, papelinhos. Acho que também havia “corsos” mas não como cópia do Brasil.
E mesmo a Passagem de Ano era vivida numa perspectiva muito mais familiar. É certo que havia quem fizesse um Reveillon num restaurante, mas a classe média, anos 40 ou 50, fazia-o em casa. E havia um horrível costume de, pela meia-noite, para além de se ir para a janela bater com tampas de panelas, se atirar o lixo que houvesse em casa para a rua. Tinha um ar simbólico, é evidente, mas era um triste espectáculo! Gradualmente a gente mais jovem começou a desprender-se da família e a festejar com amigos.
Por outro lado eram desconhecidos Dias de S. Valentim, ou das Bruxas, ou este tipo de importação anglo-saxónica. Havia o Dia da Mãe, mas creio que nem mesmo havia Dia do Pai.
Ao longo dos anos foi-se evoluindo – o Carnaval desapareceu. Foi gradual, mas o que se passa hoje é outra “coisa”. O Fim-do-Ano voltou a passar-se em casas particulares. Lisboa fica deserta que e a moda é sair para fóra, ir para a província. O Natal é hoje a grande festa do consumismo, por ventura a maior.
Emiéle
Afixado por afixe às 13:40
Hoje é Festa

Estamos em FESTA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Emiéle
Afixado por afixe às 08:54
Efeméride: 25/04/04
25 de Abril de 1974

Mérovée
Afixado por afixe às 01:00
abril 24, 2004
Olhó centésimo post...
Reparo agora que o Afixe atingiu o 104º post.
Este aqui foi o centésimo.
Comecámos no dia 12 deste mês, o que perfaz 13 dias de produção.
Ora, 104, com este 105, a dividir por 13, fora os que ainda forem publicados hoje, dá, assim a modos que, uma média de...bem...é só fazer as contas...
Agora a sério:
Uma média a rondar os 8 posts por dia.
Fui agora mesmo às estatísticas do weblog e, com muito espanto, verifico que somos o quinto (?!) mais participado e o quinto (?!) mais activo!
Da semana, claro...
Será erro?
Quanto ao top dos mais visitados: estamos em 53º lugar e tivemos ontem 227 visitas.
Nada mal, hein?
Parabéns ao Afixe.
Hoje a blogosfera, amanhã, ou depois de amanhã, o poder!
Mérovée
Afixado por afixe às 19:23 | Afixadelas (2)
- Papá, como e que eu nasci?
"- Muito bem, tínhamos de ter esta conversa um dia !!!... O papá e a mamã encontraram-se num "chat" chamado "sado-conversas", para pessoas de Setúbal. O papá marcou um encontro com a mamã e acabamos na casa de banho de um cybercafé. Depois, a mamã fez uns "downloads" do "memory stick" do papá, e quando eu estava pronto para o "upload" descobrimos que não havia "firewall".Como era tarde demais para fazer "cancel", fiz o "upload" na mesma e nove meses depois o estupor do vírus apareceu.
- Ah?"
Mérovée
Reparei agora que o Boss também tem isto publicado no Renas e Veados. Deve andar por aí a circular...
Afixado por afixe às 16:32 | Afixadelas (1)
NSA? Oops...
Andava à procura de uma imagem de Cuba para o meu post anterior e dei com isto: National Security Ageny - Missing Template
Mérovée
Afixado por afixe às 16:28 | Afixadelas (1)
Efeméride: 24/04/04
Espanha declara guerra aos E.U.A. e rejeita o ultimato para se retirar de Cuba - 24 de Abril de 1898

Mérovée
Afixado por afixe às 16:22
EVOLUÇÃO nos Hábitos e Distracções
As distracções eram de dois tipos:
Fóra de casa – Teatro, muita revista, onde as piadas eram muitíssimas vezes de dupla leitura, de modo a se poder insinuar “coisas” que a censura não poderia provar serem intencionais. Cinema, com salas muito grandes, diversos andares e diversos preços. O modelo das salas dos cinemas era copiado do dos teatros.
Nos anos 50 abriram o S. Jorge, Monumental, Império. Os filmes eram muito censurados, cortados impiedosamente e por vezes quase perdiam o sentido. Claro que alguns nem cá entravam! Também se ia ao futebol ( um dos famosos 3 Fs) e algumas pessoas iam a “boites” mas nunca gente muito jovem. Nem pensar em ter autorização! Hoje a maior distracção é o cinema, e numa curiosa inversão são os jovens que saem para as discotecas enquanto os pais ficam em casa. Também viajamos todos muitíssimo mais, os transportes são muito mais rápidos e fáceis. Por outro lado hoje pratica-se mais desporto, é incentivado o que dantes não acontecia.
Em casa – Faziam-se visitas. Muito mais do que na actualidade. O convívio era pessoal, directo, o telefone era mais para dar recados, ou quando era impossível uma deslocação. Havia a rádio, os gira-discos e lia-se - nas classes mais cultas mas o analfabetismo era enorme. Aliás as diferenças sociais eram muito marcadas e o Estado Novo queria “cada um no seu lugar”. A evolução dos tempos tem diminuído o tempo em que se está em casa. Quando se está em casa comunica-se imenso com os “outros”- internet e telemóvel. Mas a grande rainha das distracções é a TV, que se vê a qualquer hora, sozinho ou acompanhado.
( e ainda vamos ver mais evoluções...)
Emiéle
Afixado por afixe às 16:06 | Afixadelas (2)
O CIRCO DA JUSTIÇA NO PORTUGAL DE ABRIL (II)
Complementarmente, e na continuação deste meu post de ontem, volto a este tema, não para me desdizer – mantenho tudo o que deixei escrito, mas para fazer uma adenda, mero apêndice, adivinhável, aliás, determinado pelos acontecimentos que se sucederam.
Como eu previa, como, aliás, muitos previram, ninguém ficou detido preventivamente no, alegoricamente chamado, caso do “apito dourado”.
Tudo correu, pois, dentro do previsto.
Previsto por todos, com excepção, está à vista, da Policia Judiciaria e do Ministério Público.
Confirmou-se o circo, é certo, assim como se corroborou a desnecessidade dos palhaços, dos leões e da malabarista.
Porém, algo de novo aconteceu, algo de categórico, algo de muito positivo e quase inovador.
Uma oficial de justiça, a mando da juíza, claro, e após o interrogatório do major, veio à porta explicar aos media, e por extensão à populaça, o que se havia passado dentro das, enclaustradas por feitio e defeito, portas da “Casa Grande”, deixando fora de tom, tornando desnecessária e, mais que tudo, incriminável qualquer especulação jornalística, do género e ao melhor estilo das do processo casa pia.
E assim, disse o solene correio da justiça:
Fulano está indiciado pela prática deste crimes.
Notem bem: estes e não outros!
A fulano foi aplicada esta medida de coacção.
Notem bem: esta e não outra!
Como quem diz, mais, como quem avisa: tudo o mais que for dito é puro logro e dar-nos-á legitimidade, ao Estado de Direito, pois então, para pedir contas aos que ousarem cair em tentação.
Uma atitude a reter que, estou certo, muito foi beber, por negação, claro, à fraca atitude do, de má memória, para mim, claro, juiz teixeira.
Uma atitude a fixar, que, desconfio, tem a mãozinha do Conselho Superior de Magistratura (C.S.M.), que, diga-se, parece ter aprendido mais com os erros do passado do que a Procuradoria-geral da República, que, essa sim, continua igual a si própria.
A devida vénia, pois, à juíza de instrução do “apito dourado”.
A devida vénia, igualmente, ao Conselho Superior de Magistratura (C.S.M.).
É certo que a estridência do apito e a forma arrogante como foi soprado, há-de continuar a ressoar, colocando de lado, e de forma quase definitiva e irreversível, a vera “urban legend” das capacidades da “nossa” PJ – lembrando, curiosamente, a, igualmente fanfarrona, forma como alguns árbitros, de modo áspero e inadequado, se dirigem a alguns jogadores para lhes “exibirem” o respectivo, ainda que merecido seja, cartão vermelho.
Porém, ontem, alguém deu uma lição, uma verdadeira escarmenta, ao país judicial e ao país da comunicação social – diferente da do Professor Marcelo na RTP 1, mas no mesmo tom de quem ensina meninos da primária ou do ciclo.
Uma autêntica bofetada de luva branca que veio relembrar que a justiça é feita por homens e mulheres para homens e mulheres, e não por seres auto e hetero deificados para pobres mortais.
Pela lição de civismo, à juíza e ao C.S.M., a minha humilde, porém sincera, reverência.
Assim, e com esta laia procedimental, podem-se, enfim, e agora com legitimidade, pedir contas à comunicação social.
Uma atitude a reter, a implementar e a desenvolver neste e em todos os casos mediáticos.
Algo de menos mau, enfim, no Portugal de Abril, mas que não faz esquecer a parafernália idiota, pateta e néscia que envolveu o mero interrogatório destes dezasseis homens.
Porque, estou certo, o mesmo se teria atingido e concretizado, sem prejuízo para o inquérito, com meras notificações de comparência com data e hora marcada.
E ter-se-iam evitado muitas chagas, daquelas que não cicatrizam.
Precisamente o que me dói, precisamente o que me provoca uma profunda estrangulação cerebral.
Mérovée
PS - Afinal houve uma prisão preventiva, porém, mutatis mutandis, mantenho tudo o que disse.
Afixado por afixe às 16:03
EVOLUÇÃO no Vestuário
Anos quarenta. Uma senhora não podia sair de casa sem chapéu e luvas. Digamos que equivalia a hoje alguém sair descalço! Poder pode-se, mas...
Fazia parte absoluta do modo de vestir. Com a guerra de 39/45 chegaram muitas refugiadas que não tinham dinheiro para chapéus e traziam boinas ou lenços. Como era “do estrangeiro” houve muito quem achasse chic, e também começou a ver-se a esse tipo de “cobertura da cabeça”.
Lentamente isso desapareceu e os cabelos andavam ao vento, sobretudo de verão. Mas se virem as imagens da “crise académica de 1962” vêem muitas raparigas ainda de lenço na cabeça.
Como não havia “pronto a vestir”, os vestidos eram feitos por modistas ou costureiras. Eram todos diferentes.
Dos anos 60 em diante surgiu o “uniforme” dos jeans. Hoje, novos, velhos, de qualquer idade, tudo veste jeans. Claro que passou a haver a distinção da “marca”. Mas até aí há imitações. O vestuário tornou-se muito mais uniformizado. Nota-se muitíssimo menos , por aí, as diferenças sociais ( claro que se nota ainda) é já mais uma questão de gosto pessoal. Por outro lado a moda já não é inflexível. Nos anos 50 de um ano para o outro se a saia subia ou descia para junto do joelho ou meio da perna, todas as mulheres subiam ou desciam as saias! Hoje cada um faz o que entende. Até já custa imaginar que assim não seja...
(continua no próximo post)
Emiéle
Afixado por afixe às 14:12
É Festa!
Não sei explicar porquê, mas hoje e amanhã não me está a apetecer falar aqui das questões que habitualmente me aparecem como sugestivas de um post. A verdade é que o 25 de Abril deste ano está a ser diferente. Por alguma coisa concordei um bocado com a Marta Lança Em vários anos as comemorações pareciam coisa de um saudosismo triste. Até mesmo quando foi “os 25 anos”, que sempre era um quarto de século, não me deixaram grandes recordações... Mas este ano, imprensa, TV, rádio e sobretudo nós, por aqui na net, temos feito a Festa.
Isto para dizer que só me apetece falar do inevitável.
De modo que, se não me levam a mal, venho lembrar a evolução enorme que houve, é claro que sobretudo porque se fez uma revolução mas também, não nos esqueçamos porque o tempo foi passando. E o tempo é um grande motor para as coisas andarem.
Não vamos armar em parvos: é claro que mesmo durante a “longa noite fascista” de 1926 a 1974, as coisas mudaram muitíssimo. O fascismo não paralisou o tempo. Pode ter-nos isolado um pouco do resto do mundo, mas nunca o podia fazer completamente! E vou passar a relembrar tanta coisa que mudou, da moda, aos costumes, à comunicação.
Segue outro post dentro de momentos
Emiéle
Afixado por afixe às 13:00
abril 23, 2004
Voltas que o mundo dá
Queria acrescentar duas palavras ao que disse o Mérovée já aqui abaixo. Entendo e admiro a sua indignação. Nunca imaginaria, ao ler há ainda pouco tempo, os seus primeiros comentários de desafio no BdE, que hoje ia ler este seu post.
Provavelmente, para ser mais isenta falta-me ter passado pelos E.U. Nunca lá fui. Portanto o que vejo é de longe e é mais com a razão do que com o sentimento. Mas tenho tendência para separar os povos dos seus dirigentes. Claro, quem põe os dirigentes no poder é o povo que os elege. Hitler foi eleito. Mas também sabemos que acontecem erros, e nem sempre os actos dos governos estão de acordo com os desejos de todos ou sequer da maioria.
Onde quero chegar é que a Administração americana não é a América. Onde concordo inteiramente com Mérovée é que, na generalidade, podem ser arrogantes e egocêntricos. Estão no centro do mundo. Mas esse sentimento não é só americano, é mais comum do que se imagina. Eu vivi uns anos na Ásia. E acontece que um dia ao passar em frente de um mapa-mundo tive a noção de “alguma coisa errada”. Voltei atrás, olhei melhor, mas estava tudo lá. Bom, segui em frente mas com aquela sensação estranha.
Uns tempos depois voltei ao mesmo sítio e a mesma estranheza. Comecei a olhar em pormenor e reparei que estava habituada a ver o mundo desenhado com a Europa e África no meio, as Américas à esquerda, e a Ásia e Oceania à direita. É assim, não é?
Pois não senhor. Naquele mapa, a Ásia estava ao centro, a América à direita e a África e Europa à esquerda. Acontece que mais tarde numa escola americana vi o terceiro modelo: América ao centro, Ásia à esquerda e África à direita.
Acho que já viram o meu ponto de vista, não é? Tudo é relativo e cada povo tem tendência a ser “o centro do mundo”. Aqui, a grande chatice é o enorme poder que os E.U. têm. Isso sim, desequilibra a balança. Arrogante ou não, o excesso de poder pode corromper. O seu ponto de vista passa a ser o único. Mas sei que há muitos americanos que vêem claro; lemos livros e jornais com análises muito lúcidas, realizam-se filmes, escrevem-se romances que retratam uma realidade muito crítica. A sua irresponsável política externa, a sua soberba em relação às N.U. tem de abrandar. Eu, pelo menos, quero acreditar nisso.
Emiéle
Afixado por afixe às 22:41 | Afixadelas (1)
Um desabafo
A propósito do assunto deste post do Luís Rainha, começaram-me novamente a vir aqueles suores frios que fazem com que eu me transforme em outra pessoa, pois, como bem disse o José Mário Silva, eu tenho duas faces.
Vou agora mostrar a variante trauliteira.
Passámos a vida a vergar a espinha à vontade do Capitão América, à vontade dos sobrinhos do Sam.
Temos agora um primeiro-ministro que lhes faz de mordomo no Snack-Bar das Lajes.
Sempre os odiei, a palavra é esta e é pensada, e de forma visceral, já que está na moda. Esse país-rapaz. Esse país ainda imberbe e mal-formado. Esse país mal talhado, talhado à pressa, fruto de um erro de cálculo, duma miscigenação que, por certo, deu errado. Sempre lhes desprezei a arrogância e a sobranceria que colocam em tudo o que fazem, mesmo nas coisas mais simples como esta espécie de análise curricular, por exemplo.
Sempre me repugnou tudo o que vem de lá, e repugna-me a minha própria pessoa, por apreciar tanta dessa coisa made in USA, esse sítio onde o céu e o inferno parecem ser porta-com-porta.
Com 12 anos fui a Nova Iorque e diverti-me os 30 dias a cumprimentar as pessoas, dizendo: -olá americano filho da puta, olá idiota de merda.
Foi um encher de barriga. Mas de nada valeu, a não ser algum gozo pessoal.
Não fiz mais nada (isto está-se a parecer conversa fundamentalista e pró-violência – nada disso, refiro-me a “fazer” no sentido pacífico da palavra).
Nenhuns dos seus actos, nem os bons, nem os maus, me surpreendem.
Se eu vir uma vaca a voar sei que foram eles, e não me espanto.
Vindo deles nada me espanta e quase tudo me incomoda.
O pior é que não tenho, sequer, a menor ideia, a mais singela pista, do que pode o resto do mundo fazer.
Seria como se Cuba resolvesse fazer um embargo aos E.U.A. (deste não fumas tu mais, cabrão).
Tudo me parce improfícuo.
Vazio de resultado.
Não vejo formas de acção.
E isso irrita-me.
Eles querem, podem e mandam.
E tudo indica que assim vá continuar a ser…
Enfim, era só isto, um desabafo.
Agora tenho de ir que tenho ali uns senhores de chapéus, fatos e gravatas negras a bater-me à porta.
Mérovée
Afixado por afixe às 19:59 | Afixadelas (1)
UMA DESOMENAGEM

No dia mundial do livro eu quero fazer uma desomenagem. A alguém que tinha aqui três anos. Que depois cresceu e mais valia ter estado quieto, ou ter ido para a Marinha, como anunciava a fotografia. Ou ter ido brincar aos alquimistas para um lugar remoto. Hoje vende muito de uma coisa à qual alguns distraídos chamam livros ou obras literárias que diariamente me agridem nas mãos de gente que parece não saber "ler" mais nada. Isto não é um escritor, é um vendedor a metro. Deus lhe perdoe que eu não consigo.
gibel
Afixado por afixe às 18:42 | Afixadelas (5)
Mais livros

Talvez venha a propósito, já que estamos numa onda de “pensar livros”, imaginar porque será que, segundo as editoras, se vende pouco em Portugal. E também pensar no livro-objecto, coisa bonita, com capa elegante, linda apresentação, papel de boa qualidade, e formato que fica bem numa estante; e no livro de bolso, feioso, onde o que conta é apenas e só o conteúdo.
Já que me deu para começar esta conversa, devo dar a minha opinião. Gosto dos dois! ( eu não disse que era ambidextra?) O livro de bolso é fundamental. Digamos que é o alicerce da cultura. Porque aí o que conta é só e apenas o “invisível”, as palavras que passam dele para dentro de nós, numa operação mágica e bela. No pequeno livro de bolso, cabe tudo. E tal como o seu nome indica, pode acompanhar-nos para todo o lado – num transporte, na praia, no café, enquanto fazemos tempo para um encontro.
O livro-objecto, bem encadernado, bibelot, pode ser uma jóia. Dá prazer físico. Digamos que completa o prazer puramente intelectual da leitura. Quando é pensado por gente com sensibilidade, vai ao encontro do que se espera, adivinha o que o autor desejou. É difícil separarmo-nos dele.
E vende-se pouco porquê? Possivelmente não é considerado uma prioridade. É certo que há que comer, dormir, pagar a casa, etc. Mas um casal que vá ao cinema gasta o preço de um livro, não será? E, atenção, eu adoro cinema, acho muito bem que se vá, só que apesar de ser ao mesmo preço as pessoas fazem opções. Portanto é mesmo uma questão de mentalidades e isso é que seria um triunfo conseguir mudar.
Emiéle
Afixado por afixe às 18:00 | Afixadelas (5)
O belo do trambolhão
Ontem, escorreguei e caí!
Não estava ninguém a ver...
Como qualquer ser humano que escorrega e não se aguenta, caí!
Se calha a haver água no chão,
Se calham os sapatos a ter má aderência,
Lá vai a malta cumprimentar o chão ao estilo João Paulo II nos seus melhores tempos.
Caí mas não me magoei.
Não me magoei com a primeira queda.
Porque depois caí de novo.
E tudo por causa da pressa em me levantar não fosse alguém ver-me – o sôtor – ali esparramado no chão.
E assim, caí de novo.
E dessa vez magoei-me, estou com umas dores nas costas que nem posso.
Aprendi a lição.
Para a próxima que cair, deixo-me estar, olho à volta e, com muito cuidado, levanto-me.
Porque raio as pessoas têm tanta vergonha de ser apanhadas a cair?
Se calhar porque o maior motivo de risota nacional, aquilo que une todos os tipos de humor, é o belo do trambolhão.
Ri-se o pobre e ri-se o rico.
Ri-se o culto e o inculto.
Ri-se quem se ri dos "Malucos do Riso" e ri-se quem se ri com "Monthy Python"!
Enfim, riem-se todos.
Mérovée
Afixado por afixe às 17:13 | Afixadelas (7)
Questões de auto-estima
Através de uma amiga, recebi por email - e portanto não tenho hipótese de fazer um link, não conheço bem a origem - um texto que, apesar de ser muito extenso, vou afixar mais abaixo, para quem quiser dar uma olhadela. Não concordo com tudo o que lá vem, como é fácil de calcular. Há mesmo alguns erros que não me senti no direito de corrigir. Mas parece-me interessante como visão de um não-português que se interessa pelo que se passa cá na terra e, (imagine-se!) até gosta de nós. Porque o texto é claramente afectuoso, e bem intencionado
PORTUGAL: PESSIMISMO E PEDOFILIA
São dois os principais problemas de Portugal: os pessimistas
profissionais, que passam a vida a contaminar o resto da população, e uma
governação inadequada, ineficiente, ineficaz e fora de contacto com a
realidade no país. Que Portugal e os portugueses têm inegáveis qualidades,
não hajam dúvidas. Não é por nada que Portugal é um país independente e a
Catalunha, a Bretanha, a Escócia e a Bavária o não são. Não é por nada que o
português é a sétima língua mais falada no mundo, à frente do alemão, do
francês e do italiano. No entanto, estas qualidades precisam de ser
cultivadas por quem foi eleito para liderar e dirigir o país. O que acontece
é que nem agora, nem por muito tempo, Portugal tem tido líderes dignos do
seu povo, capazes de liderar a nação, realizar os projectos que foram
escolhidos para realizar. O resultado é uma onda de pessimismo, no meio dum
mar de desemprego, desinteresse e desorientação que serve de combustível
para a economia emocional não funcionar, aquela economia que é tão
importante quanto a economia das quotas de oferta e procura. A consequência
é uma retracção não só da economia mas também do psique da sociedade, com
uma introversão patológica a manifestar-se no escrutínio colectivo do umbigo
nacional, ou um pouco mais abaixo. A não-história da pedofilia, já uma
psicose nacional, é um belíssimo exemplo de até onde pode chegar uma
sociedade quando nem é orientada nem estimulada a pensar em horizontes mais
saudáveis. Há mais de um ano, que a imprensa portuguesa regurgita a história do
abuso sexual de meninos do orfanato/escola Casa Pia, apontando nomes
sonantes da vida pública que nem têm lugar aqui, visto que até ser provado
ao contrário, uma pessoa numa sociedade civilizada, é considerado inocente.
Na busca de quem foi ou quem não foi, deu origem ao levantamento na praça
pública duma lista substancial de nomes do mundo artístico, desportivo, e
político, aos mais altos níveis. Não é a causa do pessimismo em Portugal,
mas espelho dele. A noção que "nós não prestamos, somos os coitadinhos da
Europa e a alta sociedade é podre" se ouvia nos finais dos anos 70,
desapareceu e com a não governação do primeiro ministro José Barroso,
voltou. Está tangível, quanto mais para um estrangeiro que ama e estuda este
país há 25 anos. Outra manifestação deste pessimismo é a negatividade ao
nível das conversas nos cafés (inaudíveis nos claustros de cristal onde
pairam os governantes do país) acerca dum evento que a priori é a melhor
hipótese que Portugal alguma vez tem tido para se projectar na comunidade
internacional - o Euro 2004. O Euro 2004 é o ponto desportivo mais alto na
história quase milenar de Portugal. É um dos três mais vistos eventos
televisivos no mundo e é uma excelente oportunidade de enterrar de vez a
falácia que Portugal é uma província espanhola. Mas o que é que acontece?
Enquanto o resto da Europa se prepara com entusiasmo para o Campeonato da
Europa em Futebol, se ouve em Portugal por todo o lado que os estádios não
estão preparados, ou que não são seguros, ou que os aeroportos não estão
adequados ou que vai haver problemas com hooliganismo ou com terrorismo.
Disparate! Ou pior, uma vergonha, por quem perpetua este tipo de lixo que se
chame notícias por aí. Para começar, os estádios estão tão prontos que já se
joga futebol neles. Segundo, as normas de segurança têm de obedecer a
rigorosíssimas normas de controlo estipuladas pela inflexível UEFA.
Terceiro, os aeroportos têm dos sistemas mais avançadas de controlo de
tráfico aéreo, total e completamente integrados nos da União Europeia e
mais, os adeptos não vão todos chegar no mesmo dia, nem todos de avião.
Quarto, quando os bilhetes foram vendidos na Internet, foi consultada a base
de dados preferida pelas forças policiais dos países presentes no Euro 2004.
Quinto, Portugal é alguma vez um alvo para ataques terroristas, desde
quando? Só se fossem as FP-25 de Abril. Porém, onde estão as autoridades a
explicarem a verdade, a estimular a população, a instilar o optimismo, não
só para o Euro 2004 mas para galvanizar a economia, a liderar o país?
Exactamente onde estiveram, estes ou outros, quando os interesses dos
portugueses estavam a ser vendidos por um preço barato, o que levou
gradualmente à situação actual em que uma família portuguesa gasta
substancialmente mais do seu ordenado em necessidades básicas do que no
resto da Europa. Não se admite que num supermercado espanhol, se encontram
exactamente os mesmos produtos bem mais baratos do que em Portugal, não se
admite que no Reino Unido o cesto básico de alimentos custa bastante menos,
quando se ganha cinco, seis ou sete vezes mais. Há duas semanas, vi três
restaurantes no centro de Londres com a cartaz "Comam o que quiserem por
£5.45 - 9 Euros", ou um pouco menos. Os portugueses gastam uma fatia tão
grande do seu ordenado em mantimentos fundamentais que não há capital
disponível para os serviços, restringindo a economia a um modelo básico e
muito primário. Se bem que Portugal seja um país pequeno, também é a Bélgica, a
Dinamarca, os Países Baixos, o Luxemburgo, a Suíça, a Irlanda. Estes países
têm um
