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abril 28, 2004
Ora cá vem o "toque feminino"
Como no início da minha colaboração o Mérovée tinha falado num toque feminino, venho cumprir essas expectativas.
Ensaio "Das vantagens de ser mulher" ( os homens podem saltar o post)
É ponto aceite que ser-se mulher, hoje em dia, é ainda uma desvantagem social. Já todos o sabemos e estamos conversados. Na sociedade ocidental este “mal” tem melhorado bastante, mas há ainda muitos retoques a fazer. Creio que este ponto também é pacífico. Mas imagine-se que hoje venho pregar o discurso inverso. É que exactamente nesta sociedade também há aspectos onde ser mulher é uma vantagem. E vou contar de algo muito simples que acho ser a psicoterapia mais barata e simpática que existe: ir ao cabeleireiro.
É o meu maior luxo.
Vou sempre que posso a um magnífico cabeleireiro, casa que já existia nos anos 40, onde ia a minha avó, e continua igual. No coração de Lisboa (Rua Garrett) mantém a decoração arte nova com que foi concebida inicialmente, os azulejos com rosinhas, as cadeiras “de barbeiro” extremamente confortáveis, os lavatórios de loiça antiga.
E o ambiente ! Nunca ouvi ali criticar o trabalho de um colega ( do tipo “Oh, quem lhe fez esse corte?!” ou “Tem o cabelo estragado, onde é que tem ido?” como se ouve noutros locais), existe um clima de simpática boa disposição, respeitam os nossos desejos embora ofereçam soluções diferentes por vezes. As revistas são actualizadíssimas e de qualidade, ao sábado apanhamos o Expresso ou Público que alguém tinha comprado para si mas nos empresta. Como sabem que sou cafédependente, enquanto seco o cabelo aparece milagrosamente uma chaveninha de café no meu colo. Percebe-se o que quero dizer? É um ambiente muito feminino no seu melhor.
E se lhe chamo uma psicoterapia é porque de facto nos ajuda. Voltamos a ser crianças, há quem cuide de nós fisicamente. Sentimos festinhas na cabeça, vestem-nos uma bata como na escola, tomam cuidado para não nos sujarmos nem ficarmos molhadas como fazia a nossa mãe. Põem um banquinho debaixo dos nossos pés, ligam o aquecedor se está frio, abrem a janela se está calor. Uma pessoa sente-se envolvida em mimo e é muito bom. E ainda por cima ficamos com melhor aspecto o que também é excelente. Uma pontinha de depressão é atenuada, se ao olhar para o espelho, ele nos mostrar uma cara mais composta e agradável, não é?
Claro que também ajuda, dentro de uma impecável boa educação, “sentirmos” que ali falam a nossa língua do ponto de vista sócio-político. Encontro quase todas as minhas amigas naquela casa, o que nos dá vontade de rir quando, saindo dali em momentos diferentes, nos encontramos, sem o ter combinado, lá em cima na “Ler devagar”... Dizemos uma para a outra – Tinha de ser!
Emiéle
Afixado por em 28 de abril de 2004, às 20:45
Afixadelas
Conheço bem esse cabeleireiro...É excelente quando se podem fazer coincidir os itinerarios internos e externos...Emeele tem razão com um pequeno senão:por acaso a esse cabeleireiro tambem vão alguns dos encartados machos da nossa praça...ou não será por acaso?
Afixado por A.B. em 28 de abril de 2004, às 21:49
Para além da "Ler devagar" também temos encontro não-marcado no "1º de Maio", não é? É o costume.
Afixado por Emiéle em 28 de abril de 2004, às 22:29
A propósito deste ensaio e da questão da condição feminina, continuo a aguardar vossos prezados comentários este post
Afixado por Mérovée em 29 de abril de 2004, às 18:11
