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maio 30, 2004

Amizade é...

Na sexta-feira à noite, telefonou-me uma amiga. Eu não estava lá muito bem. E ela diz-me –“Quando li o teu post Rock in Rio, vi logo que estavas com a telha!” Ora quem se passeia por aqui, se leu esse textozinho, deve ter achado que eu estava a brincar, como estava realmente. Mas quando se conhece bem as pessoas, vê-se para além daquilo que está na montra. E é bom.
Atrás dessa emoção apeteceu-me reeditar uma coisa que deixei ficar no Cão de Guarda, mas para mim está muito actual. Quase nem lhe mexi:
"Ontem, passei mais de 7 horas a conversar com uma amiga que tem estado fisicamente longe. Tem havido telefonemas e emails, é claro, mas não é a presença, os olhos nos olhos. Os nossos planos iniciais metiam jantar-em-restaurante e um cinema. Foi tudo sendo mudado à medida que a conversa avançava porque o que nos sabia bem era o prazer de estar juntas. Encontro obrigatório e ritual no café da Fnac, com uma passagem inevitável pelos livros e músicas. Depois valeu tudo: um salto a umas compras domésticas urgentes, e “já agora” vamos deixar isto à tua casa, e “já agora” para que é que se vai sair se estamos aqui tão bem. E foi a magia da profunda amizade, esse entendimento sem palavras. Falou-se de política, dos filhos, da vida noutro país, do nosso passado, do alívio de ela ter terminado uma gigantesca tese de doutoramento, de amigos, desta coisa dos blogs (que lá no outro país não têm esta expressão) de sentimentos, de arte, das amigas e seus problemas, da nossa vida profissional, de mais política, rimos muito, emocionámo-nos ainda mais, dissemos das saudades que tínhamos tido. Amizade é tudo isto. O saber que “ o outro” é diferente de nós e que isso nos enriquece; respeitar e amar essa diferença; entendermo-nos com uma troca de olhares que as palavras são só a cristalização do pensamento e por vezes são inúteis; o fazer planos e mudá-los alegremente; rirmo-nos com características dos outros, muito diferentes das nossas, e que lhe dão mais colorido; o profundo prazer de estarmos juntas sem que isso seja uma obrigação.
Acho que quando nasci, a fada que se debruçou no meu berço me deu a maior prenda do mundo – “vais acreditar na amizade”. Realmente encontrei-a... Ela existe."

Afixado por Emiéle em 30 de maio de 2004, às 10:05

Afixadelas

Vamos por partes: a fada deu-te a capacidade de acreditar.Mas o resto foi self-made.Olha à volta menina,olha à volta...A.B.

Afixado por A.B. em 30 de maio de 2004, às 11:34

A**** Um beijinho! :)

Afixado por Emiéle em 30 de maio de 2004, às 12:43

Comovi-me ao ler este texto. Realmente a amizade é assim. E há umas tão fortes que atravessam tudo, o espaço ( como essa amiga e tu) e o tempo como sabemos também. Há uma cumplicidade sem palavras e profunda, quando se adivinha os pensamentos e emoções "do outro" que é parte de nós porque vivemos muita coisa juntas. Um grande abraço.

Afixado por Clara em 30 de maio de 2004, às 23:35

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