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julho 01, 2004
Do mistério de Rennes-le-Château a Dan Brown e ao "Código Da Vinci" (contribuição itálica)
(adaptado de http://bmotta.planetaclix.pt/introducao.html)
"O Mistério de Rennes-le-Château"...
Qual é a relevância deste tema? O que poderá ter de interessante para uma audiência portuguesa a vida misteriosa de um padre do século XIX que habitou numa pequeníssima aldeia perdida no sul de França?
Esta introdução permite levantar um pouco o véu sobre a natureza do nosso trabalho na Internet e sobre a sua utilidade. Para começar, decidimos colocá-lo na Internet, de forma livre e gratuita. Sabemos bem que desta forma nos expomos à pilhagem e ao uso abusivo. Não nos preocupa, porque o tema é tão complexo que qualquer plagiador seria rapidamente posto a descoberto. Adicionalmente, o facto de decidirmos publicar todo este material gratuitamente constitui evidência de que não ganhamos nada ao fazê-lo, e que não somos movidos pelo sensacionalismo ou pelo lucro fácil.
A primeira função deste trabalho é a de expor a verdade relativamente ao muito que se tem dito e escrito sobre Rennes-le-Château. Infelizmente, as últimas décadas têm assistido a um aproveitamento deste Mistério por parte de autores, editores e outros agentes mediáticos, que não deixam morrer as mentiras em torno de Rennes-le-Château. Assim, desde os anos 1960, tem vindo a crescer uma verdadeira mitologia, à qual os autores sérios chamam "Mitologia de Rennes-le-Château". "Mitologia" é até eufemismo, porque correcto seria usar a expressão "farsa" ou "impostura". Mas vamos a uma curta síntese, para que o leitor novato nestas andanças consiga depressa inteirar-se dos contornos desta farsa de triste memória...
Nos finais do século XIX, no sul de França, o pároco Saunière da aldeia de Rennes-le-Château atrai a si a fama, a inveja e a cobiça, em virtude das suas construções bizarras, das suas decorações de gosto duvidoso, e de uma vida de aparente opulência. Começam a crescer rumores de que o padre descobriu um tesouro. Mas que tesouro? Muitas foram as hipóteses sugeridas: o dos Templários, o da rainha Branca de Castela, o dos mártires cátaros... Saltando muitos detalhes, que poderão ser lidos com mais profundidade no nosso site na Internet, o padre não descobriu tesouro nenhum. Apenas desviou fundos que pertenciam à Igreja, e usou-os para benefício próprio. Por tal facto, foi julgado à luz do direito canónico, e foi-lhe retirada a dignidade sacerdotal. Morreu, portanto, sem paróquia e em sérias dificuldades económicas.
(Bernardo Sanchez da Motta)
Umas décadas mais tarde, no final da Segunda Guerra, um visitante chamado Noel Corbu, apaixonado pela aldeia, decidiu-se a comprar uma das propriedades que o padre tinha deixado, e transformou-a num hotel-restaurante. Mas os clientes eram poucos, naquela aldeia no topo de um monte, perdida na ruralidade do sul de França transpirenaico. O proprietário do restaurante decide-se então a transformar os boatos e lendas locais sobre o padre Saunière num intrigante "mistério", que ele com algum engenho transforma numa propaganda que permite enfim a rentabilização do seu negócio turístico! Em breve, o seu Hôtel de la Tour cresce em fama e em clientes. Assim nasce a mitologia de Rennes-le-Château... "Le curé aux millards!", ou seja, "O padre dos milhões!", era como Corbu gostava de apelidar o padre Saunière...
Esta trama histórica cruza-se, por infortúnio do destino, com a de um grupo de amigos parisienses, entusiastas do pseudo-esoterismo e do ocultismo, que tinham ouvido falar na história do "padre dos milhões" no final dos anos 50. Pierre Plantard, um provinciano com aspirações aristocráticas, era o seu líder, e Phillipe de Chérisey, marquês de título, era o seu fiel braço direito. Juntos, recolhendo depoimentos e fait-divers da boca dos aldeões locais, conseguem construir uma impostura de vão-de-escada, engraçada, mas que qualquer pessoa com rudimentos de História seria capaz de desmontar. Por razões que seria moroso mencionar, este grupo de amigos decide dar mais credibilidade à sua farsa, depositando documentos falsos na Biblioteca Nacional francesa, em Paris. Com o passar dos anos, a farsa cresce, em virtude do interesse de um jornalista ingénuo, Gérard de Sède, que "cai na rede" dos nossos vigaristas. Gérard de Sède escreve, e muito... Obras como "Les templiers sont parmi nous (1962)", "L'Or de Rennes (1967)", "Le trésor maudit de Rennes-le-Château (1968)", "La race fabuleuse (1968)", "Le vrai dossier de l'énigme de Rennes (1975)", e "Signé Rose+Croix (1977)". A mitologia cresce em popularidade, atingindo toda a França. Até aqui, ainda o mito possuia apenas escala nacional.
O assunto adquire mediatismo global com a entrada em cena dos anglo-saxónicos Lincoln, Baigent e Leigh. O trio tinha ouvido falar da história do padre de Rennes, e achou que era matéria de best-seller. Plantard, sempre atento, detectou de imediato a oportunidade única de uma propaganda à escala mundial para a sua charada. A intenção de Plantard tinha sempre sido a de publicitar as suas teorias: dizia ele que Saunière tinha descoberto, durante as obras de recuperação da igreja de Rennes, uns pergaminhos muito antigos que continham genealogias que davam conta da sobrevivência até à modernidade da primeira dinastia dos Merovíngios. Plantard queria, ele próprio, inscrever o seu nome nesta lista de sobreviventes, contando assim com esta lenda dos pergaminhos de Saunière para as suas lunáticas aspirações à Coroa de França. Como se tal fosse possível!
Mas o que parecia impossível aos ouvidos de qualquer francês racional, era fascinante para os mal preparados ouvidos de cultura anglo-saxónica. Aqui é decisivo o papel de Lincoln, Baigent e Leigh, que escrevem a obra The Holy Blood and the Holy Grail, que conhece aqui entre nós uma tradução brasileira intitulada "O Santo Graal e a Linhagem Sagrada". Recentemente, surgiu também uma tradução portuguesa, salvo erro com o mesmo título. O trio tinha ido beber todas as suas fantasias relativamente à dinastia dos Merovíngios, dos pergaminhos, da linhagem escondida, a Pierre Plantard, que contribuiu fortemente com o "combustível" que iria alimentar as novas teorias dos anglo-saxónicos. O que Plantard nunca previu foi que o trio tivesse tanta imaginação! Para Lincoln e amigos, o segredo do padre de Rennes era muito mais que um tesouro material ou a prova de linhagem real deste ou daquele pretendente à Coroa de França: o segredo era de natureza religiosa e punha em causa 2.000 anos de Igreja Católica e de cristianismo. O bombástico segredo era tão somente que Jesus tinha casado com Maria Madalena, e que esta tinha vindo para França após a morte de Jesus para proteger os "herdeiros"! Os descendentes deste par teriam posteriormente entroncado na dinastia merovíngia, dando origem a uma verdadeira "linhagem sagrada". Saunière teria, então, descoberto pergaminhos que provavam esta descendência. E seguindo a linha dinástica até ao presente encontraríamos, claro, o próprio senhor Plantard, auto-intitulado Plantard de Saint-Clair! A proteger esta frágil dinastia de reis escondidos estaria uma ordem secreta fantasiosa, chamada Prieuré de Sion.
Claro que existe um Prieuré de Sion! Trata-se da associação criada por Plantard e pelos seus amigos, à imagem e semelhança de um grupo de escuteiros! Ou seja, uma brincadeira de adolescentes com gostos fora do comum, é certo, mas nada mais que uma brincadeira! Apenas Plantard parecia querer levar a brincadeira mais longe, e foi o que tentou fazer com o apoio de Philipe de Chérisey. O trio anglo-saxónico tinha, então, levado até um ponto nunca antes imaginado os delírios e as ambições de Plantard. Mas a sorte estava lançada, e a história deturpada de Rennes iria encontrar uma fama bem maior que aquela para a qual tinha sido destinada...
Encontrámos esta história na fase final da nossa adolescência, período que como se sabe é atreito a entusiasmos e ímpetos pouco regrados. Foi deste modo que tomámos conhecimento do livro de Lincoln e amigos. A nossa adesão às suas teorias foi total, imediata e intensa. Durante anos procurámos, ponto por ponto, tudo que estivesse disponível sobre este assunto. Assim nasceu e cresceu este trabalho, que desde cedo (1996) conheceu morada internética, onde foi crescendo um trabalho apoiado em factos concretos e documentos. Até há bem pouco tempo, finais de 2002, tudo estava relativamente tranquilo... Claro que em Rennes-le-Château os maníacos e os entusiastas continuavam a chegar em vagas, quase sempre no Verão. Rennes aparecia agora envolta em novas teorias: era uma base de OVNIS! Jesus era um extraterrestre! Apareciam livros que pretendiam demonstrar que sob uma montanha da região se encontrava o túmulo de Jesus, se bem que não era fácil chegar a um consenso, visto que autores diferentes sugeriam montanhas diferentes! Mas a onda de furor foi afrouxando e a pior fase da loucura parecia ter passado. Eis quando entra em cena o americano Dan Brown, com o seu romance The Da Vinci Code, que se torna em 2003 num best-seller instantâneo.
A situação actual, e escrevemos em Janeiro de 2004, é já muito grave: Brown recuperou toda a mitologia de Rennes-le-Château, vestiu-a de romance policial, e já foram vendidos 4,3 milhões de cópias. Fracamente documentado, altamente carregado de preconceito anti-católico, o livro poderia ter sido ignorado. Mas era o que a América queria ler, depois dos recentes escândalos de pedofilia na Igreja Católica americana. Basta uma busca rápida na Internet para nos darmos conta da extensão do fenómeno Dan Brown. Revistas e comentadores insuspeitos dão o seu aval: dizem alguns que "a pesquisa [de Brown] é impecável". Recentemente, a Columbia Pictures adquiriu os direitos da obra, e está neste momento a ser criado um filme realizado por Ron Howard. Por isso, toda esta avalanche vai atingir a Portugal, mais cedo ou mais tarde: já chegou a tradução de The Da Vinci Code pelas mãos da Bertrand; mas depois virá o filme - êxito seguro de bilheteiras!
Por estas tristes razões, o nosso trabalho na Internet ganhou interesse renovado. Por isso, iremos usar todas as nossas forças para que este seja, pelo menos para os leitores de língua portuguesa, um local de Verdade. É apenas isso que nos move...
Bernardo Sanchez da Motta
Afixado por afiche em 1 de julho de 2004, às 17:10
Afixadelas
Bem, seja qual for a verdade, uma coisa tenho para dizer: sera sempre interessante! Esta historia de Rennes-le-Chateau é tao cheia de intriga, curvas e contracurvas e pedaços acidentados como a teoria espelhada no livro do Dan Brown!
A animacao continua, pelos vistos!
Afixado por M. em 1 de julho de 2004, às 17:50
Curioso, Bernardo, muito curioso.
Se o Dan Brown é 0 80 tu pareces ser o 8. Sem ofensa.
Tenho de reflectir melhor no que dizes. Quanto ao livro do Lincoln e dos outros dois, em Portugal chama-se O Sangue de Cristo e o Santo Graal.
Afixado por Rogério da Costa Pereira em 2 de julho de 2004, às 11:20
Sem ofensa Rogério!!
Obrigado pelo reparo em relação ao título. A tradução feita em Portugal (que terá no máximo 2 anos de existência) acrescenta pouco à tradução brasileira editada nos idos anos 90.
Este livro do "trio britânico", bem como o seu segundo delírio pseudo-histórico "The messianic legacy", já foram ambos refutados inúmeras vezes por autores franceses. Fora de França, já será mais difícil encontrar refutações. O meu site tem uma lista de links para páginas de confiança sobre Rennes. Sobre a questão do Prieuré de Sion, um manancial de valiosa e rigorosa informação pode ser encontrada no site de Paul Smith (que é um personagem bastante polémico e susceptível, mas que está MUITO bem informado e documentado):
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 2 de julho de 2004, às 20:32
Em relação ao livro, posso dizer-te que o comprei há cerca de um ano e que gostei da primeira parte e detestei a segunda quando eles começam a especular à tripa forra. Neste assunto como em todos, tenho que me documentar mais para poder dialogar contigo que tens muito mais bagagem que eu. Aliás, tenho mesmo que aprender contigo. Continua a mandar os teus textos, ok? O Afixe publica-os com o maior prazer, assim tu nos queiras dar a honra.
Um abraço,
Afixado por Rogério da Costa Pereira em 3 de julho de 2004, às 23:40
Acho, sobretudo, curioso, Rogério, que todos os comentadores "pró-Dan Brown" que visitam abundantemente as outras páginas sobre este tema aqui no Afixe, nunca tenham comentado este meu texto, e se recusem a encarar de frente os factos que eu aqui apresento...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 17 de julho de 2004, às 13:29
Olá Bernardo,
De facto acho que a história do Padre está romanceada, no entanto queria tocar num ponto que me parece fundamental, como já escrevi noutro post a minha curiosidade incide essencialmente sobre os Templários, mas não descuro outras pesquisas, o que apresentas são factos disso não há dúvida, que Plantard e os seus seguidores são uns patetas, também concordo, agora parece-me que queres obliterar qualquer tentativa de apoiar teorias que contrariem as da Igreja. de facto o Priorado é para rir, mas já ouviste falar dos Iluminatti? Ou também os vês como uns farsantes? Gostava de saber a tua opinião sobre esta Organização já milenar.
Afixado por Rodrigo em 22 de julho de 2004, às 10:05
O problema, Bernardo, é que as pessoas chegam aos outros textos via google. E este ainda está há pouco tempo. Dá-lhe tempo. Surelly it's a winner..
Afixado por Rogério da Costa Pereira em 22 de julho de 2004, às 15:25
"já ouviste falar dos Iluminatti?"
Sim, mas cuidado, porque há dois "tipos" de Illuminati...
1. Os "illuminati" do Canal Odisseia e do Discovery Channel (a evitar); pura teoria da conspiração sem bases reais; 99% do material sobre "illuminati" na Internet é lixo puro, e é daqui que são feitos os documentários, que são, claro, lixo em formato audiovisual;
2. Os verdadeiros "Illuminati da Baviera", ordem fundada por Adam Weishaupt no século XVIII (1776).
http://en.wikipedia.org/wiki/Adam_Weishaupt
Trata-se de um importante movimento esotérico. Mas falar sobre este movimento sem falar sobre trezentos outros movimentos, seria em vão... Espero em breve encontrar algum tempo para poder escrever sobre o esoterismo nos séculos XIX e XX; neste momento, é sobre este tema que me debruço: a lista de nomes de pessoas e movimentos é infindável, e eles entrecruzam-se como uma teia de aranha...
Ainda não estou apto para poder fazer afirmações categóricas sobre os "Illuminati", mas vejo-os como tantos outros grupos resultantes de uma degeneração da Maçonaria original ("herdeira" espiritual dos Templários), culpa do Iluminismo, que desvirtuou a verdadeira maçonaria operativa, surgindo uma multitude de maçonarias ditas "especulativas" que, vazias do seu conteúdo doutrinal original, deixaram de ser verdadeiras maçonarias. A degeneração culmina sempre na desordem das ideias...
A míriade de movimentos ditos "esotéricos" nos séculos XIX e XX resultam de uma incapacidade para conter, de forma organizada, as doutrinas "esotéricas" que, à falta de instituições e pessoas sérias para as proteger e ensinar, degeneraram em milhares de movimentos (muitas vezes em colisão aberta), cada qual com o seu esoterismo "à la carte".
Adoraria continuar a falar sobre este tema, mas seria demasiado extenso. Aconselho-te a evitar tudo o que fale sobre os "Illuminati" em documentários televisivos. Procura livros, de preferência da altura, e tenta obter informação em relação a grupos esotéricos-chave em toda esta história:
- Sociedade Teosófica (H. P. Blavatsky)
- Golden Dawn
- H.B. of Luxor (Hermetic Brotherhood of Luxor)
- o ocultismo (pseudo-martinista) de Papus (Gérard Encausse) e Stanislas de Guaita
- o cristianismo semi-esotérico do Hieron du Val d'Or
Estes movimentos são tudo menos recomendáveis. Muitos deles têm, contudo, inspiração nas ideias e na obra de Louis-Claude de Saint Martin, do famoso "Conde de Saint Germain", no nebuloso Martinez de Pasqually (Martins Pascoal), e outros, que lançaram no virar do século XVIII, início do século XIX, as raízes da degeneração ocultista dos finais do século XIX (se bem que estes últimos nomes mencionados não tenham bem a culpa dessa degeneração).
Há tantos e tantos outros nomes importantes:
- Alphonse Louis Constant (Eliphas Levi), escreveu sobre a magia e foi o "pai" do ocultismo francês, sem também ser culpado das deturpações efectuadas por Papus
- Fabre d'Olivet, um dos maiores peritos ocidentais em língua hebraica no século XIX
- Saint-Yves d´Alveydre, com os seus livros de viagens cheios de simbolismo ("Mission en Inde", por exemplo)
E há, claro, René Guénon, a maior autoridade ocidental moderna sobre simbolismo, doutrina e tradicionalismo, cuja obra é incontornável, rigorosa, e fundamental para destrinçar o certo do errado, no meio de toda esta confusão espiritual de movimentos e sociedades secretas.
Como vês, Rodrigo, isto está longe de ser simples. E eu não sou assim tão "protector cego" da Igreja, porque afirmo e sustento coisas que a Igreja rejeita e condena, por isso, a minha posição como católico não é assim tão simples nem tão segura. Há, contudo, um núcleo doutrinal coeso, que a Igreja ainda protege (até quando o conseguirá fazer não sei), e com o qual eu estou 100% de acordo.
Espero ter ajudado. Se tiveres alguma dúvida concreta sobre algum livro, algum autor, ou algum movimento, diz-me que talvez saiba ajudar-te.
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 22 de julho de 2004, às 20:07
Bernardo,
És um poço homem!! Vou aproveitar as tuas dicas de leitura para me informar melhor sobre os "Iluminatti", pelos vistos a informação que tenho não é a mais correcta. Tinha ideia que os "Iluminatti" tinham sido fundados após o Concílio de Niceia pelas vozes discordantes ao "sancionamento" do Novo Testamento. Remeto-me à minha ignorância.
Afixado por Rodrigo em 23 de julho de 2004, às 10:21
"Tinha ideia que os "Iluminatti" tinham sido fundados após o Concílio de Niceia pelas vozes discordantes ao "sancionamento" do Novo Testamento."
Não, pá, isso cheira-me a documentários ou sites sobre uma certa teoria da conspiração, sustida por um americano (não me lembro do nome dele agora). Já li umas coisas sobre isso, mas parece-me tudo fantasia. A sério, a referência que te dei sobre o Adam Weishaupt é de confiança. A Wikipedia costuma ter alguns erros nas suas definições, mas esta que te dei está certa. Foi ele o verdadeiro "pai" do movimento que veria a ser conhecido como os "Iluminados da Baviera". Este movimento serviu como inspiração para, 150 anos mais tarde, os doutrinadores do nazismo se "inspirarem" nos seus delírios pagano-germânicos.
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 23 de julho de 2004, às 12:56
Caro Bernardo,
O meu contacto nada tem de profissional. Apenas gostava, se possível, de alguns esclarecimentos. Confesso que não estou por dentro de todos os factos, por isso as questões que lhe vou colocar não estarão relacionadas tanto com o trabalho que tem desenvolvido, mas sim com dúvidas que precisam de ser sossegadas.
Comecemos:
1. No Código Da Vinci, a essência do livro não é anti-católica, apenas pressupõe que a figura à direita de Cristo não seria João, o discipulo amado, mas sim Maria de Madalena. Como certamente sabe, no mural da Ultima Ceia, algo estranho se passa. Vejamos o caso da mão sem corpo, e da já referida figura ser efectivamente feminina.
2. Existem alguns evangelhos apócrifos que de facto mencionam que Jesus Cristo beijava Maria na boca, se os mesmos manuscritos são para sere tomados em conta ou não não sei.
3. Como é do seu conhecimento, no tempo de Jesus Cristo, era tudo menos natural um homem não ter uma companheira.
4.Para conhecermos a Verdade devemos despojarmo-nos de preconceitos e de ideias pré concebidas, impostas praticamente desde que nascemos, por isso e esquecendo o Priorado de Sião, o facto histórico é que a Biblia tal como a conhecemos hoje foi escrita por homens, os livros que hoje estão ao nosso alcance, foram seleccionados pela cultura religiosa de modo a satisfazer os dogmas que tem de existir em qualquer religião, e até nisso não foi bem sucedida! Existem contradições berrantes entre aquilo que está escrito e aquilo que é efectivamente aceite e praticado no catolicismo.
5.Em nada diminuiria a divindade de Cristo se ele tivesse uma companheira. A existir essa companheira seria em tudo natural que fosse a ela e não a Pedro que fosse dada a direcção da então nova religião emergente.
6.A pureza da igreja primitiva perdeu-se. Foram adoptados simbolos pagãos de modo a sustentar a política de então.
7.Estou convicto que muito não sabemos nem nunca saberemos. Ser detentor da verdade é ter poder. Basicamente é isto que o livro diz, em nada ofende a igreja católica romana. Não consigo compreender porque razão se sentem tão incomodados com algo que dizem ser mentira, se não fossem as ideias preconcebidas e formadas sem qq fundamento racional, provavelmente teriamos descoberto bem mais cedo que a Terra era redonda, e que não era o centro do Universo.
8.Por tudo isto, não digo que não à teoria de que Jesus Cristo era efectivamente amante de alguém, não acredito que não o fosse. Se o era de Maria Madalena, não o sei. Tendo sido, provavelmente terá deixado descendência., por onde eles andam, não faço a minima ideia.
Afixado por Ricardo Calado em 30 de julho de 2004, às 17:48
Caro Ricardo Calado,
Vou tentar responder-lhe sucintamente. Compreenda que é um tema complexo, e que seria impossível responder-lhe de forma totalmente completa.
"1. No Código Da Vinci, a essência do livro não é anti-católica"
Discordo. Só se o Ricardo estiver a querer dizer que Dan Brown está a sugerir um novo tipo de "catolicismo", o que pode ser verdade. Obviamente, o "catolicismo da deusa" que Dan Brown propõe é uma farsa, e uma deturpação irreversível do catolicismo.
Na minha opinião, é fácil depreender a postura anti-católica de Dan Brown: a sua análise errónea e tendenciosa do Concílio de Niceia, a sua mania de que os evangelhos apócrifos são "melhores" do que os canónicos, a sua intenção clara em fazer as pessoas acreditarem que a Igreja é um covil de farsários e mentirosos, e pior que tudo, a sua intenção evidente em fazer crer o leitor que Jesus Cristo não é Deus, mas sim um "homem notável e brilhante". Essa estratégia é bem antiga. Tirar a divindade a Jesus Cristo é destruir o núcleo da doutrina. Isso, para mim, é claramente, um intento anti-católico.
"Como certamente sabe, no mural da Ultima Ceia, algo estranho se passa. Vejamos o caso da mão sem corpo, e da já referida figura ser efectivamente feminina."
Não me parece assim tão evidente que a figura seja feminina. Parece-me isso sim que é uma figura de homem efeminada. Algo que Leonardo (que era homossexual) poderia ter perfeitamente pintado, porque isso não seria novidade no conjunto do legado pictórico do mestre.
Adicionalmente, S. João era pintado quase sempre com traços efeminados. O busto e os braços musculados de S. João parecem-me masculinos o suficiente, apesar do cabelo comprido e da face delicada. Seja como for, tudo isto pertence ao domínio da crítica artística, e a hipótese de Maria Madalena é ridícula pelo simples facto de que, nesse caso, S. João não estaria na tela, o que é absurdo.
"Existem alguns evangelhos apócrifos que de facto mencionam que Jesus Cristo beijava Maria na boca, se os mesmos manuscritos são para sere tomados em conta ou não não sei."
Tem razão. O Evangelho de Filipe menciona esse facto. Contudo, esse envangelho é obra deuma comunidade gnóstica, e é uma obra bastante posterior aos evangelhos canónicos. Representa um estado avançado de metamorfose doutrinal. No mesmo evangelho, há frases colocadas na boca de Jesus que parecem perfeitamente disparatadas. Nunca vemos ninguém citar essas frases... Só as que convêm!!
Repare: nada tenho contra Jesus ter sido casado. Não há problemas teológicos com isso. Essa hipótese explorada por Dan Brown não é aquela que eu considero anti-católica. Na minha opinião, é mais provável um Jesus celibatário, mas não vou perder tempo a discutir opiniões, porque de facto ninguém nunca saberá a verdade sobre o estado marital de Jesus.
Os problemas com as hipóteses de Dan Brown começam com a afirmação de que Jesus não era Deus.
E, evidentemente, com a afirmação ridícula de que o Santo Graal era uma "linhagem sagrada". O Santo Graal é uma coisa totalmente diversa, e só uma profunda incompreensão do que é o Santo Graal, poderia permitir a Dan Brown dizer semelhante disparate.
"3. Como é do seu conhecimento, no tempo de Jesus Cristo, era tudo menos natural um homem não ter uma companheira. "
Sim, mas Jesus era tudo menos "natural". Era uma personagem fora de série.
Ricardo, acha que TODOS os homens judeus daquele tempo, TODOS sem excepção, eram casados? Isso faz sentido?
"4.Para conhecermos a Verdade devemos despojarmo-nos de preconceitos e de ideias pré concebidas, impostas praticamente desde que nascemos"
Tenho feito esse esforço nos últimos dez anos, acredite... Em tempos, perdi completamente a minha fé derivado a estas teorias. Depois, com o estudo, a minha fé regressou, obviamente bastante reforçada.
"por isso e esquecendo o Priorado de Sião"
Ainda bem, porque eu fico perplexo perante a credulidade geral das pessoas face a este "priorado", que é uma invenção recente de Pierre Plantard.
"o facto histórico é que a Biblia tal como a conhecemos hoje foi escrita por homens"
Escrita por homens, inspirados por Deus. É nisso que eu acredito.
"os livros que hoje estão ao nosso alcance, foram seleccionados pela cultura religiosa de modo a satisfazer os dogmas que tem de existir em qualquer religião"
Porquê?
Porque é que não foram seleccionados, simplesmente, por corresponderem melhor ao legado de Cristo?
"Existem contradições berrantes entre aquilo que está escrito e aquilo que é efectivamente aceite e praticado no catolicismo."
Em que medida? Onde?
"5.Em nada diminuiria a divindade de Cristo se ele tivesse uma companheira."
Correcto. Já concordei consigo neste aspecto.
"A existir essa companheira seria em tudo natural que fosse a ela e não a Pedro que fosse dada a direcção da então nova religião emergente."
Porquê?
E se Pedro fosse mais habilitado?
Melhor, e se fosse João o mais habilitado? Os evangelhos são claros ao afirmar que João era "o discípulo que Jesus amava".
Vejamos uma analogia (se calhar inadequada): o dono de uma grande organização não precisa de escolher a sua mulher para o suceder? Porquê?
Trata-se de uma questão de qualificação para um cargo.
"6.A pureza da igreja primitiva perdeu-se."
Mas porquê?
Não percebo porque é que as pessoas dizem isso...
A "igreja primitiva" é a dos apóstolos, que legaram a sua experiência com Cristo para a posteridade, através da Igreja Católica, que por isso, também se chama "apostólica".
"Foram adoptados simbolos pagãos de modo a sustentar a política de então."
Não é verdade.
A adopção de símbolos pagãos (parte de uma religião cessante) é natural, dado o facto de que os primeiros líderes cristãos deram-se conta, como sucede sempre, da importância dos locais e dos símbolos do paganismo.
As crenças dos romanos eram uma mistura de doutrinas que já haviam entrado há muito em decadência. O facto de se tratar de politeísmos é evidência de que os detentores dessas crenças já se tinham esquecido de que toda a multiplicidade de "divindades" tem que ter a sua origem num Deus uno.
Contudo, os templos dos romanos estariam, naturalmente, edificados em "lugares sagrados", e usariam símbolos e rituais que deveriam ter, de algum modo, por muito difuso que fosse, algum conteúdo da tradição antiga perdida.
A religião cristã, dando-se conta dos "ecos de sacralidade" de tais crenças, utilizou-as naturalmente. Isso sucedeu vezes sem conta ao longo da História da Humanidade.
Os muçulmanos transformaram a Hagia Sofia em Constantinopla (basílica cristã ortodoxa) em mesquita. Poderiam tê-la demolido. Mas não o fizeram... Compreender as razões do reaproveitamento dos lugares sagrados é já comprender a forma profunda como os detentores de uma doutrina verdadeira entendiam a utilidade e a validade de determinados lugares, rituais e símbolos.
"7.Estou convicto que muito não sabemos nem nunca saberemos."
Sim, é verdade.
"Não consigo compreender porque razão se sentem tão incomodados com algo que dizem ser mentira"
Ricardo, mais de metade das coisas que Dan Brown coloca no seu romance, e que Simon Cox coloca no seu livro, são falsas. E é fácil prová-las. Não é preciso muitos conhecimentos...
"se não fossem as ideias preconcebidas e formadas sem qq fundamento racional, provavelmente teriamos descoberto bem mais cedo que a Terra era redonda, e que não era o centro do Universo."
Há aí uma confusão grande entre a questão teológica e a questão cosmológica, que pertencem a planos diferentes. A Terra é, teologicamente, o centro do Universo. Explicá-lo aqui seria muito longo. Peço-lhe que compreenda o facto de eu não poder desenvolver aqui esta questão.
"8.Por tudo isto, não digo que não à teoria de que Jesus Cristo era efectivamente amante de alguém, não acredito que não o fosse. Se o era de Maria Madalena, não o sei. Tendo sido, provavelmente terá deixado descendência., por onde eles andam, não faço a minima ideia."
Sim, eu tenho, neste aspecto, a mesma percepção que o Ricardo.
Obrigado pela sua mensagem.
Espero que a minha resposta tenha sido útil.
Cumprimentos
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 5 de agosto de 2004, às 11:14
BOM DIA!!!!
GOSTEI MUITO DESTE ASSUNTO EM PAUTA ,ME AGRADOU BASTANTE!
SEU PARECER É MUITO CAUTELOSO E SÉRIO,PARABÉNS!!!!
IREI INDICAR O ENDEREÇO PARA AMIGOS QUE ESTUDAM E PROCURAM A VERDADE COMO EU!!
SEI QUE A VERDADE ESTÁ FRAGUIMENTADA ,POR ISTO NÃO PODEMOS PARAR COM OS ESTUDOS VOLTADOS A ESTE ASSUNTO E PROCURAR EM TODOS OS LUGARES POR ESTAS VERDADES??
SEMPRE COM O CRIVO DO BOM SENSO E DIRCENIMENTO CORRETO E JUSTO.SENTI ISTO EM VOCÊ!!
UM ABRAÇO,
KARLA MARINA
Afixado por Karla Marina em 5 de agosto de 2004, às 15:15
Obrigado pelas suas palavras, Karla!
Queria aproveitar a deixa para completar o que disse atrás.
Um dos trechos dos evangelhos gnósticos que é menos citado pelos nossos entusiastas do "sagrado feminino" é este trecho do Evangelho de Tomé, que contradiz directamente a teoria do "culto da deusa" presente nestes evangelhos:
"Disse-lhes Simão Pedro: que Maria se aparte de nós porque as mulheres não são dignas da Vida. Disse-lhes Jesus: Vede, eu mesmo a guiarei, para fazer dela macho, para que também ela seja um espírito vivo, semelhante a vós machos, pois cada mulher que se tornar macho irá para o reino dos céus." - Evangelho de Tomé, 51:18 (660) a 51:26 (668).
Fonte:
http://www.geocities.com/Athens/9068/log114.htm
(obter primeiro o ficheiro de fonte copta "coptic2.ttf" em http://www.earlychristianwritings.com/coptic2.zip, e colocar o ficheiro TTF em c:\windows\fonts)
Antes de saber o que pensar sobre os Evangelhos apócrifos, e antes de começar a disparatar sobre os "segredos que a Igreja escondeu", algumas pessoas deveriam começar por se interrogar porque é que a Igreja recusou considerar estes textos como parte integrante do cânone bíblico. As razões para esta recusa são a) razões teológicas e b) razões históricas. Por um lado, o lado teológico, estes textos estão prenhes de heresia gnóstica (não me é possível desenvolver aqui e agora o que é esta heresia e porque é que é uma heresia), por outro lado, pelo lado histórico, estes textos estão temporalmente distantes da vida de Jesus (foram todos compostos a partir do século II d.C, ao contrário dos evangelhos canónicos que pertencem ao século I d.C., sendo S. João o mais tardio e que por vezes é datado até no máximo aos primeiros anos do século II d.C.), e por isso, os factos da vida de Jesus que lá vêm relatados são duvidosos e menos credíveis que os que foram (por essa razão e por outras) incluídos no cânone do Novo Testamento.
O Evangelho de Tomé pertence ao grupo de textos achados no Egipto, em Nag Hammadi, em 1945. Apesar de escritos em cóptico, não se faça confusão! Estes textos não pertencem à Igreja Copta, uma Igreja desde há séculos em cisma com a Igreja Católica, mas que nada tem a ver com a heresia do gnosticismo. Os textos foram muito provavelente elaborados por seguidores de líderes gnósticos como Valentiniano, nascido em Alexandria por volta do ano 100 d.C. Deverão ter sido escritos em Alexandria ou em comunidades vizinhas.
Alexandria foi um importante centro de difusão de ideias gnósticas.
Por isso, a minha sugestão para todos os interessados seria:
1. Tentar aceder às fontes directas dos evangelhos apócrifos: há imensos sites na internet com o texto original em cóptico (caso dos textos de Nag Hammadi) e aramaico (caso dos textos de Qumran), e com as devidas transliterações e traduções para inglês.
2. Tentar aceder aos documentos conciliares da Igreja, onde esta heresia do gnosticismo foi combatida, para aprender quais foram as razões desta condenação da Igreja aos textos gnósticos, e a homens como Valentiniano.
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 5 de agosto de 2004, às 16:13
O que me diverte mais em relação a estes fóruns é constatar que, quando a conversa entra no detalhe histórico, os profissionais do insulto desaparecem...
Andam por aí uns senhores a insultar-me noutras páginas que tratam o mesmo tema.
Certamente que também passaram por esta, e leram o meu último comentário.
Contudo, nada dizem... Nada comentam... Nada têm a dizer sobre o que eu apresentei acima, e que é um fortíssimo argumento contra as "teses" do "sagrado feminino", que engrossam as mentes dos adeptos do "culto da Deusa".
Há silêncios que valem por mil palavras...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 6 de agosto de 2004, às 10:53
Bernardo,
Você se diz católico...
e escreveu isto: "Disse-lhes Simão Pedro: que Maria se aparte de nós porque as mulheres não são dignas da Vida. Disse-lhes Jesus: Vede, eu mesmo a guiarei, para fazer dela macho, para que também ela seja um espírito vivo, semelhante a vós machos, pois cada mulher que se tornar macho irá para o reino dos céus." - Evangelho de Tomé, 51:18 (660) a 51:26 (668).
Segundo escreveu, você acredita que esse é um trecho verdadeiro que contradiz o "culto à deusa".
Deixemos esta discussão para que esse trecho da bíblia seja invalidado...
Você crê fundamentalmente que a mulher não irá para o reino dos céus, simplesmente por nascer mulher?
Acredito que a sua resposta seja 'não'. Dessa forma, o evangelho de Tomé pode estar correto (Jesus era machista e toda a sua fé está baseada num indivíduo machista), ou incorreto (então o seu trecho que contradiz o "culto à deusa" é inválido).
Me responda, por favor,
estou curioso.
Afixado por Julio em 8 de agosto de 2004, às 00:27
Os "esclarecimetos" que se propõe Bernardo a Ricardo Calado, são originários de alguem, profundamente cátolico,apostólico,romano, cuja objectividade, por esse mesmo facto, me parece poder estar em causa. De resto a sistemática resposta a perguntas "questões" com novas interrogações, nada esclarece, apenas mantém no etéro a dúvida. Se partirmos do dogma de que Cristo era tudo menos natural, não chegaremos em termos cientificos a lugar nenhum. E o Opus Dei é também uma ficção, ou uma organização com fins embora opostos, semelhantes de sinal contrário aos do Priorad do Sião? Talvez a única verdade que venhamos a obter com tudo isto é que nunca A alcançaremos. Fica-nos apenas a consolação de livremente podermos pensar sobre o assunto e cada um tirar as suas conclusões. A Terra pode teologicamente ser o centro do Universo - pretensão e crença religiosas - mas, cientificamente parece não poder contestar-se que o não é. Á luz de uma qualquer "fé" é possível construir-se um edifício lógico e coerente o que nem sempre significa VERDADEIRO.
Afixado por José em 8 de agosto de 2004, às 16:19
Júlio...
Respire fundo...
Descontraia...
Agora, regresse lá ao meu texto, e leia-o devagar, deixando as palavras ecoar na sua cabeça. Medite sobre elas...
Já está?
Então explique-me como é que você diz uma coisa destas:
"Você crê fundamentalmente que a mulher não irá para o reino dos céus, simplesmente por nascer mulher?"
Você não percebeu nada!
O texto que apresentei é um evangelho gnóstico, prenhe da heresia gnóstica, e que não foi incluído na Bíblia PRECISAMENTE por causa disso. Este trecho, que contém a infame passagem relativa "à mulher que ao passar a homem entrará no reino dos céus". Essa passagem é infame, nada tem de feminista, e contudo há TANTA E TANTA gente a adorar a "descoberta" dos evangelhos gnósticos, como se estes fossem mais verdadeiros que os canónicos.
Percebeu agora?
Não estou a validar o trecho que apresentei!
Estou a dizer que esse trecho contradiz directamente o "culto da Deusa", seja lá o que isso for nas mentes das pessoas que o inventaram. Como é o caso de Elaine Pagels e Margaret Starbird, que são as detentoras da propriedade intelectual do "culto da Deusa".
Ou seja, sempre que os nossos adeptos da Deusa se lembrarem de citar os evangelhos gnósticos, não se esqueçam deste pequeno trecho que contradiz directamente todos os disparates do "sagrado feminino".
É evidente que o trecho que eu apresentei vai contra tudo aquilo que a Igreja defende. E por isso, o dito evangelho de Tomé não foi incluído no cânone.
Já sei que todos implicam comigo, porque o que eu escrevo chateia muita gente, mas ao menos LEIAM o que eu escrevo, para não acontecerem tristes mal-entendidos como este...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 9 de agosto de 2004, às 10:11
José,
"Os "esclarecimetos" que se propõe Bernardo a Ricardo Calado, são originários de alguem, profundamente cátolico,apostólico,romano, cuja objectividade, por esse mesmo facto, me parece poder estar em causa."
Essa, comigo, não pega...
E os senhores ateus, que pululam pela Internet nestes dias, que "objectividade" têm eles, ao serem totalmente alérgicos a tudo o que seja religioso?
Qual é a objectividade de um anti-católico?
Meu caro senhor, eu trabalho sobre factos, e não opiniões. Quando emito opiniões, tenho o cuidado de dizer que o são.
Por isso, a minha crença católica apostólica romana não é para aqui chamada, porque eu falo sobre factos reais. Uso conceitos históricos, filosóficos, literários factuais, e por isso não interessa para nada a minha crença.
Quando muito, a minha crença católica ajuda-me, porque falo sobre coisas que conheço, o que é algo raro de encontrar nestes dias, entre as pessoas que atacam a Igreja Católica.
"E o Opus Dei é também uma ficção, ou uma organização com fins embora opostos, semelhantes de sinal contrário aos do Priorad do Sião?"
Meu caro, eu não sou adepto do Opus Dei. Eu até chego a atacar fortemente o Opus Dei nos meus artigos no meu blogue. Estou farto de dizer isto...
O Priorado de Sião é uma farsa. É uma associação criada por Pierre Plantard e alguns amigos nos anos cinquenta. É incrível a credulidade de algumas pessoas, que passam a acreditar num "Priorado de Sião" milenar, só porque um romancista americano decidiu começar a sua novela com a palavra "FACTO"...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 9 de agosto de 2004, às 10:17
Júlio,
Estive a ler melhor a sua mensagem... E ainda há coisas espantosas que por lá encontro:
"(então o seu trecho que contradiz o "culto à deusa" é inválido)"
O que quer você dizer com isto? O trecho foi encontrado num papiro em Nag Hammadi, no Egipto, em 1945. Trata-se de um documento antiquíssimo.
O trecho que apresentei é apenas inválido do ponto de vista da doutrina católica, e por isso é que não faz parte do Novo Testamento.
Agora, a existência e antiguidade histórica do texto é evidente e é um facto verificável.
Não estou a perceber onde quer você chegar...
Revisionismo histórico? Meu caro, este trecho foi retirado de um documento que existe! Não o inventei!! Você seguiu o link que eu forneci?
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 9 de agosto de 2004, às 10:24
Eng. Sanchez da Motta. Alguma razão especial para, no seu trabalho (que aproveito para cumprimentar), nada dizer nem analisar em referência aos desenhos encontrados pelo padre Saunière na pedra tumular aquando das obras realizadas na Igreja de rennes-le-chateau?
É que ambos sabemos que o desenho da direita é uma representação muito bem conhecida...(cfr. fotografia no cap.2 do seu site)
Afixado por Pedro Tosca Nesdem em 18 de agosto de 2004, às 17:34
Caro Pedro,
Já sei agora, através do blogue Sadinos, a que imagens se refere:
http://bmotta.planetaclix.pt/img1/laje_cavaleiros1.jpg
e
http://bmotta.planetaclix.pt/img1/laje_cavaleiros2.jpg
Bem, sobre esta "Laje dos Cavaleiros" que Bérenger Saunière levantou do chão aquando das suas obras de recuperação da Igreja de Santa Maria Madalena, em Rennes-le-Château, é complicado dizer o que quer que seja.
A figura da esquerda parece-me a de um bárbaro (nórdico? viking?) sentado num cavalo, em posição de guerra. A figura da direita parece a conhecida figura do par de cavaleiros templários a partilhar a mesma montada.
Mas tudo isto são suposições. A laje é certamente muito antiga, talvez carolíngia. Desconheço a postura e a crítica dos historiadores face a ela. Devo investigar... Regresso a este tema mais tarde.
Um abraço, Pedro!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 19 de agosto de 2004, às 20:16
Devo partilhar convosco a resposta que dei ao Pedro Tosca Nesdem no blogue "Sadinos" (http://www.sadinos.weblog.com.pt/). As questões do Pedro estão entre aspas.
---------------
Caro Pedro,
A sua mensagem é de grande profundidade, o que me leva a perguntar-lhe qual é exactamente o grau de informação que possui sobre a questão de Rennes. Porque não é qualquer um que chega aqui e, de repente, "toca na ferida".
É bem complicado responder cabalmente à sua questão. Receio que não o consiga fazer.
Vou, pelo menos, tentar expor o que penso sobre o assunto.
"Toda a questão de rennes-le-chateau parece-me seguir os traços tradicionais de uma manobra de desinformação para protecção da verdadeira informação."
Bem, eu corrigiria a frase para, em vez de falar em "protecção da verdadeira informação", falar em "ocultação da verdadeira informação". Ou seja, acredito firmemente na solidez da tese "desinformativa", mas com objectivos destrutivos, ao invés de objectivos protectores.
O mistério de Rennes, sobretudo a versão propagandeada por Pierre Plantard e Phillipe de Chérisey, faz parte de um processo de desinformação que eu julgo ultrapassar a vontade dos seus criadores, sendo que os dois personagens tinham posturas muito diferentes, o que levou à sua zanga nos anos oitenta, que nunca mais se resolveu:
a) Pierre Plantard tinha interesse pessoal na criação da farsa do Prieuré, porque inseria o seu nome na pretensa "linhagem merovíngia" sobrevivente; Pierre Plantard foi, contudo, um desinformador inconsciente; a mistura da sua amargura de ex-católico revoltado com as suas aspirações monárquicas deram um resultado explosivo, mas penso que a desinformação resultante das suas acções não era algo de consciente; ou seja, Pierre Plantard não estava ciente, julgo eu, daquilo que estava a ocultar, para propagar a sua versão pessoal e interesseira do mistério; a profundidade "esotérica" de Plantard terminava no pseudo-esoterista Paul Lecour, e isso diz tudo.
b) Phillipe de Chérisey era tão brincalhão quanto culto; actor de profissão, com uma cultura vasta e profunda aliada a um sentido de humor impagável, ele envolveu-se na trama de Plantard possivelmente por um misto de: amizade pessoal de uma vida inteira por Pierre Plantard; interesse pelos temas envolvidos; divertimento imenso em construir charadas em torno de factos verdadeiros. A sua participação na desinformação
poderá ter sido ainda mais inconsciente, julgo eu, e até me parece que não tenha sido mal intencionada. Mas posso também estar totalmente errado, porque a inteligência do Marquês de Chérisey era bastante superior à do seu amigo Plantard, e quem sabe o que lhe passaria pela cabeça? Muita coisa poderá ficar clara, em 2005, quando Jean-Luc Chaumeil publicar o famoso documento "Pierre et Papier", onde Phillipe de Chérisey explica tudo sobre a farsa dos pergaminhos. Phillipe de Chérisey fez o escritor Jean-Luc Chaumeil prometer que só revelaria o texto "Pierre et Papier" vinte anos depois da sua morte. Ora, o marquês de Chérisey morreu em 1985, pelo que a publicação terá que ser em 2005! Vamos ver o que acontece, e o que conterá o dito documento...
"O que se tenta proteger, desinformando?"
Bom, tendo lido a obra de Guénon, e tendo lido também o livro "Le Royaume du Graal", de Jean Robin, eu cada vez mais tenho a sensação de que estamos perante a acção de forças anti-tradicionais, que usam pessoas que não têm consciência de estarem a ser usadas. Sem querer dar um ar de "teoria da conspiração", porque aquilo que chamo "forças antitradicionais" é uma expressão retirada de Guénon, em que o próprio tem o devido cuidado de sublinhar que tal expressão não implica uma tomada de consciência conspiratória, mas sim uma corrente de influências, eu sugeria que o Pedro tomasse contacto com a obra de Guénon.
É um conselho geral que dou a toda a gente: leiam Guénon. Torna tudo muito mais claro.
Mas mesmo assim, há coisas ainda por explicar...
"O que se tenta proteger, desinformando?"
Na minha opinião, ninguém tenta proteger nada. Plantard tinha uma má experiência de capelão católico na juventude. Ele tentou, sempre que pôde, vingar-se da Igreja através da criação de farsas e mitos anti-católicos. A poeira lançada ao ar com o mistério de Rennes provoca a confusão nos leitores e interessados, e provoca a debandada dos crentes católicos. Confusos, eles acabam por seguir um de dois caminhos:
a) o da crendice incontrolada nos "mitos" de Rennes
b) o do cepticismo teimoso, recusando tudo como se tudo fosse farsa
Qualquer um destes caminhos é um beco sem saída!
Eu oscilei entre os dois durante anos, e só consegui começar a sair com a ajuda da segurança doutrinal da obra de René Guénon.
Contudo, o assunto está longe de ser compreendido.
Uma das alusões mais misteriosas da obra do escritor francês Jean Robin (certamente o autor mais controverso destes temas), é a de que René Guénon teria trabalhado activamente ao longo da sua vida para conter as influências nefastas da contra-iniciação em Rennes, que se estariam a aproveitar de Rennes para os seus intentos anti-tradicionais. Como provar esta afirmação? Jean Robin não o prova, mas a intensidade e a profundidade da obra deste autor deixa-nos perplexos, porque ele parece saber EXACTAMENTE o que está a dizer... Contudo, lendo a obra de Guénon, até agora (ainda não a li toda), ainda não encontrei uma só referência a Rennes-le-Château. Esta é uma daquelas questões que me vai tomar seguramente mais dez anos para perceber...
"Daí que aconselho vivamente a determo-nos no que está por detrás das manobras e não nas manobras propriamente ditas...
Ou seja, porquê analisar o Codigo da vinci quando podemos discutir rennes-le-chateau?"
Sim, concordo plenamente consigo, Pedro, mas devemos ter em consideração que muita gente precisa que se faça a ponte entre os dois temas. Não imagina como pode ser frustrante, para um novato, ver tanta gente a falar sobre nomes, locais e obras que não conhecemos. A frustração poderá levar ao abandono do interesse do leitor. E é isso que eu quero evitar, porque vivi muitos anos a "apanhar bonés" porque não percebia nada das discussões entre quem sabia muito sobre o assunto.
Ainda hoje, ao ler, por exemplo, as entrevistas a Jean-Luc Chaumeil feitas por Johan Netchacovitch, fico bastante baralhado, porque por vezes não percebo mesmo de quem é que ele está a falar, ou sobre o que é que ele está a falar, mas no entanto sinto que ele sabe mesmo do assunto:
http://gazette.portail-rennes-le-chateau.com/intchaumeil
http://gazette.portail-rennes-le-chateau.com/intchaumeilplantard.htm
http://gazette.portail-rennes-le-chateau.com/intchaumeildouzet.htm
http://gazette.portail-rennes-le-chateau.com/pierrepapier
"sem dúvida de o padre Saunière se dedicava também ao tráfico de missas, mas de certeza que outros párocos tb punham anúncios e mandavam cartas para missas. O seu "sucesso" na angariação delas é que é curioso, no mínimo....
Porque é que os crentes tanto confiavam nas suas missas?"
Sim, Pedro, você toca num ponto sensível. Penso que a explicação mais "céptica" está numa mistura entre um golpe de sorte no seu esforço publicitário, e a abrangência e alcance da sua "rede de contactos". Sabe-se que o seu irmão Alfred Saunière tinha bons contactos, e angariava bons donativos. Saunière também usou a excelente oportunidade da ocasião histórica, que jogava também a seu favor, apesar de isto parecer contraditório. Falo da perseguição do Estado francês à Igreja, que potenciou as intenções dos doadores, no sentido em que os católicos devotos que ainda restavam (e eram muitos, como ainda hoje são na França "republicana e laica") faziam todos os esforços para apoiar a "Église accablée", que os republicanos anti-clericais perseguiam impiedosamente.
Até ver, estão por provar as afiliações de Saunière com organizações ocultistas ou maçónicas, se bem que isso é sugerido por toda a literatura pseudo-esotérica moderna.
Se essas afiliações pudessem ser estabelecidas, então ficaríamos ainda mais confusos, porque o ocultismo e a maçonaria no século XIX em França "jogavam" contra a Igreja Católica.
A meu ver, e até existirem provas em contrário, acredito na tese do Saunière católico devoto, monárquico pró-restauração, anti-republicano. Do Saunière que queria construir um lugar de peregrinação, à semelhança de Lourdes. Faltava-lhe uma vidente como Bernardette Soubirous, mas tinha todo o peso histórico e simbólico da Rhédae visigótica, todo o peso daquele oppidum cheio de história, cheio de guerras religiosas
e não religiosas, e cheio de lendas de tesouros escondidos. O sucesso de Sauniére na angariação das intenções de missas permanece difícil de
"engolir". Mas, como vimos, poderá ter razões perfeitamente normais, como as que apresentei.
"E há ainda as questões da geometria geográfica do sítio em si."
Acho que, devido a Henry Lincoln, dá-se demasiada importância a estas questões. Agora,
se os primeiros ocupantes de Rennes, no seu passado longínquo, escolheram aquele local para habitar, certamente que haverá nessa escolha uma série de factores relativos à "sacralidade" daquele espaço. Jean Robin é dos primeiros a afirmar peremptoriamente o carácter "sagrado" daquele espaço. Contudo, Jean Robin adverte que, em virtude dessa "sacralidade", Rennes fica fortemente exposta à influência anti-radicional, que tenta, como sempre, "inverter" todo e qualquer simbolismo tradicional, "pervertendo-o", e transformando-o na charada pseudo-esotérica que é hoje em dia.
"- porquê rennes-le-château?"
A resposta a esta questão está, julgo eu, na história daquele local. E essa história é complexa e longa demais para a tratarmos aqui com detalhe. Talvez no futuro, a arqueologia nos possa dar uma mão...
"- porque não Chartres? ou Sainte-Marie-les-bains?"
Mas esses locais já são usados! Até Dan Brown usa Chartres! A célebre tese da "catedral vulva"!!
Espero ter esclarecido alguns pontos, e não confundido tudo ainda mais!!
Um abraço!
PS: Espero que aqueles que não perceberam nada do que eu disse não desistam! Sigam as pistas! Estou aqui para ajudar no que for preciso...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 19 de agosto de 2004, às 20:22
Temos o prazer e a honra, a partir de hoje, de contar com o Bernardo Sanchez da Motta como nosso colega afixador, aqui no afixe. Assim, escusa o "mestre" de estar remetido aos comentários e podem os interessados, dia-a-dia, ir vendo as suas publicações no Afixe.
Bons posts, Bernardo.
Afixado por monty em 19 de agosto de 2004, às 20:27
Caro Senhor Bernardo, a carapuça serviu-me e reparei que afirmou que "Andam por aí uns senhores a insultar-me noutras páginas que tratam o mesmo tema.
Certamente que também passaram por esta, e leram o meu último comentário." Bem Senhor Bernardo, primeiro não insultei ninguém mas calculo que ter uma opinião contrária à sua seja considerado um insulto por si. Na verdade nunca tinha passado por esta pagina e ainda não tinha lido este seu comentário. Como deve calcular as pessoas de vez em quando têm mais que fazer do que seguir todos os seus passos para refutar as suas teorias pró-católicas. Mas já que insiste vou fazer-lhe a vontade:)
Começando por " a sua mania de que os evangelhos apócrifos são "melhores" do que os canónicos, a sua intenção clara em fazer as pessoas acreditarem que a Igreja é um covil de farsários e mentirosos, e pior que tudo, a sua intenção evidente em fazer crer o leitor que Jesus Cristo não é Deus, mas sim um "homem notável e brilhante"."
Bem duvido muito da veracidade de uns evangelhos canónicos que foram escolhidos colocando os quatro em cima de um altar e pedindo a Deus que "se houvesse qualquer mentira em qualquer um deles, que o fizesse cair ao chão". Outra das maneiras de escolher os tais canónicos foi afirmar que colocaram todos os evangelhos num dado sítio e os quatro vieram a voar até a um altar e ainda havia outra maneira interessante que eu infelizmente já não me recordo. Também duvido bastante de evangelhos canónicos escritos muito depois dos acontecimentos que relatam. Imagine-se a descrever a vida dos seus bisavós..tarefa complicada não?
Acerca da divindade de Cristo, se acredita realmente nisso tenho pena de si...é engraçado que nessas épocas áureas de que falam o velho e o novo testamento Deus falasse tanto com os humanos, e até enviasse bocados de si para salvar a humanidade. Bem Deus não deve gostar nada de nós hoje em dia já que deixou completamente de contactar connosco:( Jesus nunca proclamou a sua própria divindade e mesmo na cruz dirigiu-se a Deus como o Pai...logo é um pouco estranho que Deus falasse consigo próprio na segunda pessoa...
Continuando.
"Escrita por homens, inspirados por Deus. É nisso que eu acredito."
Também deve acreditar que o papa gregório magno compilou o antifonário porque ouviu as melodias que uma pomba ao seu ouvido lhe ditava. E já agora que Maria era virgem e Jesus nasceu por geração espontânea. E sei lá, que a terra não é redonda? A Bíblia foi escrita por homens inspirados por uma lenda, eram os historiadores da altura, com todos os erros que a sua época lhe proporcionava por falta de meios técnicos.
Continuando..
"Porque é que não foram seleccionados, simplesmente, por corresponderem melhor ao legado de Cristo?"
é muito simples, porque nessa altura havia uma parafernália incrível de cristianismos, e cada um esperneava para se conseguir manter à tona. Logo, os que fossem mais astutos conseguiriam o que mais ambicionavam: o poder. À custa disso eliminaram tudo aquilo que pudesse criar uma mente aberta aos seus seguidores: como por exemplo a ideia de reencarnação (se eles soubessem que podiam voltar a viver nunca se dariam ao trabalho de evitar "pecar" e nunca dariam indulgências para conseguir um lugar no céu e a salvação divina)presente nalguns evangelhos apócrifos.
"Existem contradições berrantes entre aquilo que está escrito e aquilo que é efectivamente aceite e praticado no catolicismo." "Como onde?"
"Ama ao teu próximo como eu te amei" Se calhar Jesus devia ter acrescentado "Ama o teu próximo e queima-o numa fogueira" ou talvez "Ama o teu próximo e tortura-o se tem ideias diferentes das tuas" Não preciso de referir a Santa Inquisição, as indulgências, e nos dias de hoje a pedofilia e a estupidez total de continuarem a defender que não se use preservativo porque o sexo deve ser apenas para a reprodução, entre outras. Já agora, Jesus era pobre e defendia a pobreza. Já foi à basílica do Vaticano?
"Porquê?
E se Pedro fosse mais habilitado?
Melhor, e se fosse João o mais habilitado? Os evangelhos são claros ao afirmar que João era "o discípulo que Jesus amava"."
é..jõao era o discípulo que Jesus amava mas ele concedeu a criação da sua igreja a Pedro...interessante...
"A religião cristã, dando-se conta dos "ecos de sacralidade" de tais crenças, utilizou-as naturalmente. Isso sucedeu vezes sem conta ao longo da História da Humanidade."
A Igreja católica aproveitou os mitos antigos porque começou a entender que não conseguia mudar a mente das pessoas assim tão facilmente. Apesar de católicas, as pessoas continuavam a celebrar as suas festas pagãs e a adorar os seus deuses. O que a Igreja católica fez foi adoptar esses mitos à sua doutrina, deturpando-os de modo a ganhar mais seguidores. Jesus nasceu no solstício de Inverno? Interessante... Jesus nasceu de uma virgem, como Mitra, e como Mitra morreu e ressuscitou ao terceiro dia? Interessantíssimo...
Sem mais de momento, até à próxima tempestade:)
Afixado por Anonymous em 22 de agosto de 2004, às 13:31
Caro Senhor Bernardo, a carapuça serviu-me e reparei que afirmou que "Andam por aí uns senhores a insultar-me noutras páginas que tratam o mesmo tema.
Certamente que também passaram por esta, e leram o meu último comentário." Bem Senhor Bernardo, primeiro não insultei ninguém mas calculo que ter uma opinião contrária à sua seja considerado um insulto por si. Na verdade nunca tinha passado por esta pagina e ainda não tinha lido este seu comentário. Como deve calcular as pessoas de vez em quando têm mais que fazer do que seguir todos os seus passos para refutar as suas teorias pró-católicas. Mas já que insiste vou fazer-lhe a vontade:)
Começando por " a sua mania de que os evangelhos apócrifos são "melhores" do que os canónicos, a sua intenção clara em fazer as pessoas acreditarem que a Igreja é um covil de farsários e mentirosos, e pior que tudo, a sua intenção evidente em fazer crer o leitor que Jesus Cristo não é Deus, mas sim um "homem notável e brilhante"."
Bem duvido muito da veracidade de uns evangelhos canónicos que foram escolhidos colocando os quatro em cima de um altar e pedindo a Deus que "se houvesse qualquer mentira em qualquer um deles, que o fizesse cair ao chão". Outra das maneiras de escolher os tais canónicos foi afirmar que colocaram todos os evangelhos num dado sítio e os quatro vieram a voar até a um altar e ainda havia outra maneira interessante que eu infelizmente já não me recordo. Também duvido bastante de evangelhos canónicos escritos muito depois dos acontecimentos que relatam. Imagine-se a descrever a vida dos seus bisavós..tarefa complicada não?
Acerca da divindade de Cristo, se acredita realmente nisso tenho pena de si...é engraçado que nessas épocas áureas de que falam o velho e o novo testamento Deus falasse tanto com os humanos, e até enviasse bocados de si para salvar a humanidade. Bem Deus não deve gostar nada de nós hoje em dia já que deixou completamente de contactar connosco:( Jesus nunca proclamou a sua própria divindade e mesmo na cruz dirigiu-se a Deus como o Pai...logo é um pouco estranho que Deus falasse consigo próprio na segunda pessoa...
Continuando.
"Escrita por homens, inspirados por Deus. É nisso que eu acredito."
Também deve acreditar que o papa gregório magno compilou o antifonário porque ouviu as melodias que uma pomba ao seu ouvido lhe ditava. E já agora que Maria era virgem e Jesus nasceu por geração espontânea. E sei lá, que a terra não é redonda? A Bíblia foi escrita por homens inspirados por uma lenda, eram os historiadores da altura, com todos os erros que a sua época lhe proporcionava por falta de meios técnicos.
Continuando..
"Porque é que não foram seleccionados, simplesmente, por corresponderem melhor ao legado de Cristo?"
é muito simples, porque nessa altura havia uma parafernália incrível de cristianismos, e cada um esperneava para se conseguir manter à tona. Logo, os que fossem mais astutos conseguiriam o que mais ambicionavam: o poder. À custa disso eliminaram tudo aquilo que pudesse criar uma mente aberta aos seus seguidores: como por exemplo a ideia de reencarnação (se eles soubessem que podiam voltar a viver nunca se dariam ao trabalho de evitar "pecar" e nunca dariam indulgências para conseguir um lugar no céu e a salvação divina)presente nalguns evangelhos apócrifos.
"Existem contradições berrantes entre aquilo que está escrito e aquilo que é efectivamente aceite e praticado no catolicismo." "Como onde?"
"Ama ao teu próximo como eu te amei" Se calhar Jesus devia ter acrescentado "Ama o teu próximo e queima-o numa fogueira" ou talvez "Ama o teu próximo e tortura-o se tem ideias diferentes das tuas" Não preciso de referir a Santa Inquisição, as indulgências, e nos dias de hoje a pedofilia e a estupidez total de continuarem a defender que não se use preservativo porque o sexo deve ser apenas para a reprodução, entre outras. Já agora, Jesus era pobre e defendia a pobreza. Já foi à basílica do Vaticano?
"Porquê?
E se Pedro fosse mais habilitado?
Melhor, e se fosse João o mais habilitado? Os evangelhos são claros ao afirmar que João era "o discípulo que Jesus amava"."
é..jõao era o discípulo que Jesus amava mas ele concedeu a criação da sua igreja a Pedro...interessante...
"A religião cristã, dando-se conta dos "ecos de sacralidade" de tais crenças, utilizou-as naturalmente. Isso sucedeu vezes sem conta ao longo da História da Humanidade."
A Igreja católica aproveitou os mitos antigos porque começou a entender que não conseguia mudar a mente das pessoas assim tão facilmente. Apesar de católicas, as pessoas continuavam a celebrar as suas festas pagãs e a adorar os seus deuses. O que a Igreja católica fez foi adoptar esses mitos à sua doutrina, deturpando-os de modo a ganhar mais seguidores. Jesus nasceu no solstício de Inverno? Interessante... Jesus nasceu de uma virgem, como Mitra, e como Mitra morreu e ressuscitou ao terceiro dia? Interessantíssimo...
Sem mais de momento, até à próxima tempestade:)
Afixado por Senhor das Tempestades em 22 de agosto de 2004, às 13:31
Peço desculpa por ter enviado duas vezes o mesmo post mas esqueci-me de colocar o nome e apesar de tudo acabei por me androginizar de novo:) O que a falta de uma letra significa...provavelmente o mesmo que um erro de tradução na bíblia que condenou Maria à virgindade perpétua:(
Afixado por Senhora das Tempestades em 22 de agosto de 2004, às 13:46
ó bernardo porque é que o que tu dizes sao factos? na net tudo pode ser aldrabado....alias, tudo pode ser aldrabado.... eu mesma com o paint e 5 min faço todo o tipo de documentos falsos (claro k nao os uso, é so um estranho hobbie)... aldrabices sao o pao nosso de cada dia, e quem me prova que és tu k tas certo?
Afixado por aeris em 25 de agosto de 2004, às 20:25
De tantos falam como se a verdade existisse.
Lembre-se que aos tolos a verdade, aos sãos, a dúvida.
Afixado por Yugadrin em 28 de agosto de 2004, às 04:53
Olá Bernardo
"Não me parece assim tão evidente que a figura seja feminina. Parece-me isso sim que é uma figura de homem efeminada. Algo que Leonardo (que era homossexual) poderia ter perfeitamente pintado, porque isso não seria novidade no conjunto do legado pictórico do mestre.
Adicionalmente, S. João era pintado quase sempre com traços efeminados. O busto e os braços musculados de S. João parecem-me masculinos o suficiente, apesar do cabelo comprido e da face delicada. Seja como for, tudo isto pertence ao domínio da crítica artística, e a hipótese de Maria Madalena é ridícula..."
Gostaria que me explicasse melhor a sua afirmação. Porque ñ seria possível mas antes "ridículo" estar Maria Madalena representada ao lado direito de Jesus na «Última Ceia»?
Não vou discutir o facto de serem casados ou ñ, gostaria de saber apenas porque razão ñ seria Madalena, se dá perfeitamente para ver que é uma mulher,uma figura claramente feminina, em comparação com os apóstolos.
E deixe-me que lhe diga que achei de muito mau gosto ter referido o facto de Da Vinci ser homossexual e de ser esse,talvez, o motivo de ter pintado um homem efeminado.
Era só esta a questão que gostaria que me esclarecesse.
Quanto ao resto das suas afirmações ñ me vou pronunciar porque ñ tenho conhecimentos adequados para isso.
Mas posso dizer que concordo num ponto. Acho que o livro «O Código Da Vinci» está muito bem escrito, é original, toca em assuntos muito delicados e interessantes, mas que me parecem um pouco exagerados e até chocantes. Contudo gostei muito de o ler. Este tipo de livros exercitam sempre a mente, mesmo que o conteúdo seja, talvez, falso.
Sem mais assunto. Desejo-lhe uma boa continuação de pesquisa para o seu site.
Estou a acompanhá-lo.
Marta
Afixado por Marta em 31 de agosto de 2004, às 02:57
Olá Marta,
"Porque ñ seria possível mas antes "ridículo" estar Maria Madalena representada ao lado direito de Jesus na «Última Ceia»?"
Já o disse várias vezes.
Se fosse Maria Madalena, ou de facto, se fosse qualquer outra personagem que não o apóstolo S. João, para onde iria ele, que por acaso até era "o discípulo que Jesus mais amava", e que portanto teria que estar, naturalmente, sentado à Sua direita?
Aguardo a sua opinião...
"Não vou discutir o facto de serem casados ou ñ, gostaria de saber apenas porque razão ñ seria Madalena, se dá perfeitamente para ver que é uma mulher,uma figura claramente feminina, em comparação com os apóstolos."
Repito, é perfeitamente recorrente encontrar na pintura desta época o apóstolo S. João pintado com traços efeminados. Não é um "exclusivo Leonardo Da Vinci". Qualquer comentador sério de arte, que não esteja interessado em fazer dinheiro à custa da "onda Brownesca", lhe poderá confirmar isto. As razões para o perfil efeminado de S. João são várias, sendo que as mais importantes prendem-se com o binómio Pedro - João, no qual S. Pedro é a "força exterior" e S. João a "força interior" da doutrina crística. A fragilidade "exterior" de João é compensada pela sua força "interior", sucedendo o oposto com S. Pedro. S. Pedro é um homem forte, mas contudo, é o mais fraco interiormente, ao negar Jesus três vezes. Já expliquei o meu ponto de vista no meu blogue, para o qual a remeto, para mais detalhes sobre a forma como encaro esta questão.
Repito também a observação que já fiz algures: experimente imaginar o próprio Jesus, mas sem barba... verá que também poderia parecer feminino... As pessoas esquecem-se que os ideais de beleza masculina, no Renascimento, aproximam-se dos ideais de beleza dos gregos clássicos.
"E deixe-me que lhe diga que achei de muito mau gosto ter referido o facto de Da Vinci ser homossexual e de ser esse,talvez, o motivo de ter pintado um homem efeminado."
Mau gosto?
Porquê?
Acaso é inaudito alguém ter sido homossexual?
Será isso crime ou segredo?
Será isso difamação (ainda mais ridículo)?
Marta, por favor, não me leve a mal, mas é um facto bem sabido que Leonardo era homossexual, uma postura certamente mantida na mais estrita discrição, mas para a qual existem numerosas pistas e indícios sérios e credíveis.
Visto que a pintura é indissociável da psique do pintor, gostaria de saber como sustenta você a posição de que a homossexualidade de Leonardo não poderia influenciar a sua pintura.
Repare: eu apenas conjecturei. A Marta está a contestar as minhas conjecturas. Eu estou a contestar as suas contestações. Até aqui, tudo bem. Agora, cuidado. Não cheguemos ao ponto de me acusarem de estar a proclamar "verdades", porque eu fui bem claro em afirmar que eram conjecturas minhas, com o devido valor individual que cada um lhes queira dar...
"Mas posso dizer que concordo num ponto. Acho que o livro «O Código Da Vinci» está muito bem escrito, é original, toca em assuntos muito delicados e interessantes, mas que me parecem um pouco exagerados e até chocantes. Contudo gostei muito de o ler. Este tipo de livros exercitam sempre a mente, mesmo que o conteúdo seja, talvez, falso."
Não sou tão entusiástico como a Marta no que toca a dar valor ao livro, mas tenho que concordar que, no final de contas, há algumas pessoas que ficam a ganhar, sobretudo aquelas que são mais persistentes e curiosas, pelo facto de serem confrontadas pela primeira vez com temas fundamentais da nossa cultura. Se elas quiserem ir até ao fim da questão, um livro como o de Dan Brown só poderá ser visto como uma boa oportunidade. Contudo, a esmagadora maioria das pessoas sairá submersa desta onda anti-católica, afundada numa maré de preconceito e desinformação, da qual, repito, é bem complicado sair... Pelo menos, sem esforço!
"Sem mais assunto. Desejo-lhe uma boa continuação de pesquisa para o seu site.
Estou a acompanhá-lo."
Muito obrigado.
Cumprimentos
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 31 de agosto de 2004, às 14:48
"Sem mais de momento, até à próxima tempestade:)"
Bem, cara Senhora, perdoe-me a falta de paciência, mas as suas palavras são verdadeiramente uma tempestade, mas num copo de água.
São um emaranhado de lugares-comuns, preconceitos típicos, tudo bem picadinho e batido numa mixórdia anti-católica apimentada com algum ódio anti-clerical e alguma amargura (possivelmente por alguma experiência espiritual frustrada).
Sinceramente, não consigo imaginar uma maior ignorância das questões mais essenciais do cristianismo. Comentar as suas palavras seria, certamente, tempo perdido.
O problema, minha cara, nem é a sua aparentemente invencível ignorância em relação ao cristianismo. Porque isso resolvia-se desde que você tivesse a honestidade para ver o cristianismo como ele é (não para o aceitar, porque isso é da competência de cada um). Como se vê, todo o tempo que eu perdesse a apontar-lhe os inúmeros erros das suas afirmações (chegam a ser mais os erros que as palavras), seria tempo perdido apenas por uma causa só...
... a sua má vontade.
Passe bem.
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 31 de agosto de 2004, às 18:22
Bernardo,
isto é tudo um problema de castas: é difícil, senão impossível, transmitir uma ideia espiritual superior a um espírito tamásico. E nem a reencarnação resolve o problema: vai-se sempre parar à mesma :)))
Afixado por gibel em 31 de agosto de 2004, às 18:55
Gibel,
Tens toda a razão.
A nossa "Senhora das Tempestades" tem até um nome a condizer com a situação de apetência caótica e niilista típica de um espírito tamásico. Não é que eu, "moi même", seja sátvico (como eu gostava, porque tudo seria mais fácil), mas pelo menos sinto-me, para já, a pairar no rajásico algo desengonçado...
Assim, como rajásico com apetites sátvicos, entende-se que eu seja quase incompatível para o diálogo com a nossa amiga tamásica...
Para quem não está a perceber patavina da conversa, eu e o Gibel estamos a falar das "gunas" hindus... Segundo as doutrinas hindus (ler urgentemente René Guénon), cada ser, consoante a "guna" mais forte em si, terá uma apetência para os estados superiores do ser (guna "satvas"), uma apetência para os estados inferiores do ser (guna "tamas"), ou uma apetência para a expansão do seu estado actual de ser (guna "rajas").
Obrigado pela tua visita a este cantinho, Gibel! Volta sempre, que a malta às vezes anda por aqui um bocado sozinha, a levar pancada a torto e a direito, e chovem tomates de todos os lados...
Dentro em breve, sairei do refúgio destes posts da Ultima Ceia, para me aventurar, de vez, num artigo digno do Afixe!
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 31 de agosto de 2004, às 21:10
Olá Bernardo,
"E deixe-me que lhe diga que achei de muito mau gosto ter referido o facto de Da Vinci ser homossexual e de ser esse,talvez, o motivo de ter pintado um homem efeminado." (Fui eu q escrevi isto)
"Mau gosto?
Porquê?
Acaso é inaudito alguém ter sido homossexual?
Será isso crime ou segredo?
Será isso difamação (ainda mais ridículo)?
Marta, por favor, não me leve a mal, mas é um facto bem sabido que Leonardo era homossexual, uma postura certamente mantida na mais estrita discrição, mas para a qual existem numerosas pistas e indícios sérios e credíveis.
Visto que a pintura é indissociável da psique do pintor, gostaria de saber como sustenta você a posição de que a homossexualidade de Leonardo não poderia influenciar a sua pintura." (Isto foi o Bernardo)
Em relação ao meu comentário, q deve ter sido mal interpretado, é claro q sabia da homossexualidade de Leonardo da Vinci, aliás, é do conhecimento comum. O q eu quis dizer, Bernardo, é q ñ acho q tenha sido esse o motivo pelo qual Da Vinci tenha pintado S.João com traços efeminados, aliás bastante efeminados.
Embora a minha cultura e conhecimento no tocante a arte seja humilde, bem sei q S.João foi retratado várias vezes de uma forma efeminada, mas ñ querendo estender-me a outras obras, o q posso dizer é q a figura q está do lado direito de Jesus, na «Última Ceia», é uma mulher. Repare nos longos cabelos, no rosto delicado, até no colo e busto da figura. O q quereria Da Vinci dizer com aquilo, realmente ñ sei, mas se quisesse retratar um homem delicado, ou S.João o "amado", ou mesmo ele próprio, como alguns sustentam, ñ teria exagerado tanto nos traços femininos. Poria, simplesmente, um homem delicado. Embora a sua homossexualidade pudesse influenciar a sua obra, porque ñ supôr q o pintor tenha pintado uma mulher, talvez Maria Madalena, q é o mais provável?
Já agora,Bernardo, (apesar de ter conhecimento de outro blogue com este tema, mas como escrevi primeiramente para aqui...) gostaria de saber a sua opinião, (e acredite q ñ é nenhum desafio lançado, apenas um pedido de opinião) sobre aquela mão perdida, q ñ pertence a nenhum corpo visível, q possui uma adaga.
Perdoe-me a minha conjectura e ñ contestação, mas ñ será, então, do 13º apóstolo em falta, uma vez q se poderá pôr em hipótese, ser, de facto, Maria Madalena, a personagem feminina?
Com isto , ñ quero, de modo nenhum, questionar o livro de Dan Brown e a teoria lá incluída, porque ñ é esse o meu intento, até porque acredito q é uma história fascinante, mas ñ deixa de ser um romance, e por isso deve ser visto como tal, e ñ como um atentado à doutrina católica, a ñ ser q mentes muito fracas fiquem demasiadamente embriagadas ou demasiadamente ameaçadas (como quiserem) com a teoria lá inscrita. O q ñ é o meu caso. Como já disse, gostei de o ler, é sempre salutar ler coisas q nos ponham em causa, q nos façam pensar, só isso, como o Bernardo já afirmou, é q pode reforçar a nossa fé e a nossa demanda da vida.
Afinal, gostaria somente de discutir aquele pormenor da obra de Da Vinci.
"Dentro em breve, sairei do refúgio destes posts da Ultima Ceia, para me aventurar, de vez, num artigo digno do Afixe!"
Penso q ñ deveria abandonar já o barco, Bernardo, é sempre saudável ler as várias e diferentes opiniões de todos.
Mais uma vez, estou a acompanhar o seu site, q acho muito interessante. Mas deixe-me q lhe diga, e ñ me leve a mal a ousadia, ñ seja tão radical nas suas conjecturas. Precisamos de ser flexíveis...
Um abraço e continuação de bom trabalho.
Marta
Afixado por Marta em 1 de setembro de 2004, às 04:01
Olá Bernardo,
"E deixe-me que lhe diga que achei de muito mau gosto ter referido o facto de Da Vinci ser homossexual e de ser esse,talvez, o motivo de ter pintado um homem efeminado." (Fui eu q escrevi isto)
"Mau gosto?
Porquê?
Acaso é inaudito alguém ter sido homossexual?
Será isso crime ou segredo?
Será isso difamação (ainda mais ridículo)?
Marta, por favor, não me leve a mal, mas é um facto bem sabido que Leonardo era homossexual, uma postura certamente mantida na mais estrita discrição, mas para a qual existem numerosas pistas e indícios sérios e credíveis.
Visto que a pintura é indissociável da psique do pintor, gostaria de saber como sustenta você a posição de que a homossexualidade de Leonardo não poderia influenciar a sua pintura." (Isto foi o Bernardo)
Em relação ao meu comentário, q deve ter sido mal interpretado, é claro q sabia da homossexualidade de Leonardo da Vinci, aliás, é do conhecimento comum. O q eu quis dizer, Bernardo, é q ñ acho q tenha sido esse o motivo pelo qual Da Vinci tenha pintado S.João com traços efeminados, aliás bastante efeminados.
Embora a minha cultura e conhecimento no tocante a arte seja humilde, bem sei q S.João foi retratado várias vezes de uma forma efeminada, mas ñ querendo estender-me a outras obras, o q posso dizer é q a figura q está do lado direito de Jesus, na «Última Ceia», é uma mulher. Repare nos longos cabelos, no rosto delicado, até no colo e busto da figura. O q quereria Da Vinci dizer com aquilo, realmente ñ sei, mas se quisesse retratar um homem delicado, ou S.João o "amado", ou mesmo ele próprio, como alguns sustentam, ñ teria exagerado tanto nos traços femininos. Poria, simplesmente, um homem delicado. Embora a sua homossexualidade pudesse influenciar a sua obra, porque ñ supôr q o pintor tenha pintado uma mulher, talvez Maria Madalena, q é o mais provável?
Já agora,Bernardo, (apesar de ter conhecimento de outro blogue com este tema, mas como escrevi primeiramente para aqui...) gostaria de saber a sua opinião, (e acredite q ñ é nenhum desafio lançado, apenas um pedido de opinião) sobre aquela mão perdida, q ñ pertence a nenhum corpo visível, q possui uma adaga.
Perdoe-me a minha conjectura e ñ contestação, mas ñ será, então, do 13º apóstolo em falta, uma vez q se poderá pôr em hipótese, ser, de facto, Maria Madalena, a personagem feminina?
Com isto , ñ quero, de modo nenhum, questionar o livro de Dan Brown e a teoria lá incluída, porque ñ é esse o meu intento, até porque acredito q é uma história fascinante, mas ñ deixa de ser um romance, e por isso deve ser visto como tal, e ñ como um atentado à doutrina católica, a ñ ser q mentes muito fracas fiquem demasiadamente embriagadas ou demasiadamente ameaçadas (como quiserem) com a teoria lá inscrita. O q ñ é o meu caso. Como já disse, gostei de o ler, é sempre salutar ler coisas q nos ponham em causa, q nos façam pensar, só isso, como o Bernardo já afirmou, é q pode reforçar a nossa fé e a nossa demanda da vida.
Afinal, gostaria somente de discutir aquele pormenor da obra de Da Vinci.
"Dentro em breve, sairei do refúgio destes posts da Ultima Ceia, para me aventurar, de vez, num artigo digno do Afixe!"
Penso q ñ deveria abandonar já o barco, Bernardo, é sempre saudável ler as várias e diferentes opiniões de todos.
Mais uma vez, estou a acompanhar o seu site, q acho muito interessante. Mas deixe-me q lhe diga, e ñ me leve a mal a ousadia, ñ seja tão radical nas suas conjecturas. Precisamos de ser flexíveis...
Um abraço e continuação de bom trabalho.
Marta
Afixado por Marta em 1 de setembro de 2004, às 04:02
Cara Marta,
"Em relação ao meu comentário, q deve ter sido mal interpretado, é claro q sabia da homossexualidade de Leonardo da Vinci, aliás, é do conhecimento comum. O q eu quis dizer, Bernardo, é q ñ acho q tenha sido esse o motivo pelo qual Da Vinci tenha pintado S.João com traços efeminados, aliás bastante efeminados."
Tudo bem. Repare que eu estava apenas a conjecturar, porque o que ia na mente de Leonardo quando pintou o quadro apenas ele o saberia.
"Embora a minha cultura e conhecimento no tocante a arte seja humilde"
Idem para mim.
"...bem sei q S.João foi retratado várias vezes de uma forma efeminada, mas ñ querendo estender-me a outras obras, o q posso dizer é q a figura q está do lado direito de Jesus, na «Última Ceia», é uma mulher. Repare nos longos cabelos, no rosto delicado, até no colo e busto da figura."
Não consigo concordar consigo. Homens com cabelos longos não são raridade, muito menos na pintura de Leonardo. O busto, a meu ver, parece-me sobretudo masculino, mas enfim isso é muito subjectivo. A face delicada, já dei as minhas razões.
Repare, Marta, a questão é só esta: a figura do quadro parece feminina ou efeminada. Mas e se fosse outro quadro? Alguém levantaria tanta polémica? Se as pessoas dissessem:
"Leonardo pintou S. João com traços de mulher"
Isso seria uma coisa!
E se se questionassem as razões para esse facto, tudo estaria nos limites da normalidade. Agora, porquê supor que Leonardo quis riscar S. João do quadro? Para onde iria S. João? E porquê sacrificá-lo logo a ele? Entende onde quero chegar?
E, porquê supor logo Maria Madalena?
Percebe onde quero chegar, Marta?
É que, SEM ESTAS PSEUDO-TESES de Jesus casado com Maria Madalena, ninguém veria ali uma mulher, muito menos Maria Madalena!
Estão todos a ser vítimas de uma sugestão colectiva, que eu repito, está a querer ser lançada com intuitos puramente anti-católicos.
"O q quereria Da Vinci dizer com aquilo, realmente ñ sei, mas se quisesse retratar um homem delicado, ou S.João o "amado", ou mesmo ele próprio, como alguns sustentam, ñ teria exagerado tanto nos traços femininos."
Mas o que é "exagerado tanto" senão algo de muito subjectivo?
"Poria, simplesmente, um homem delicado."
É o que eu acho que ele retratou.
"Embora a sua homossexualidade pudesse influenciar a sua obra, porque ñ supôr q o pintor tenha pintado uma mulher, talvez Maria Madalena, q é o mais provável?"
Mas, Marta, explique-me, porque é que é o mais provável? De onde vem a probabilidade de ser Maria Madalena?
"Já agora,Bernardo, (apesar de ter conhecimento de outro blogue com este tema, mas como escrevi primeiramente para aqui...) gostaria de saber a sua opinião, (e acredite q ñ é nenhum desafio lançado, apenas um pedido de opinião) sobre aquela mão perdida, q ñ pertence a nenhum corpo visível, q possui uma adaga."
A mão não está partida. Se tiver à mão um guia de arte que vá a esse detalhe, verá que a mão pertence a um dos apóstolos. Vendo com detalhe a imagem, percebe-se que a mão, apesar de curvada, está numa posição perfeitamente possível. Leonardo não pintaria mãos "cortadas". Isso iria contra tudo aquilo em que ele acreditava em termos de estética e arte.
O simples facto de tantas pessoas acharem que ele cometeria esse erro leva-me a sorrir!
E, cara Marta, não a surpreende que só agora, com as obras de Lynn Picknett e Clive Prince (os "inventores" destes "códigos Da Vinci") e de Dan Brown, os homens e as mulheres deste iluminado século XXI se teriam dado conta deste facto?
Durante séculos, pessoas passaram em frente ao mural. E ninguém teria protestado? Os próprios patronos da obra, que a pagaram?
Mais uma vez, a questão da mão cortada, a questão do suposto "gesto ameaçador a cortar o pescoço", a questão do forçadíssimo "M" ou "V", tudo isto são falsas questões que têm como objectivo induzir um sugestionamento colectivo. Que, impressionantemente, está a funcionar às mil maravilhas!
"Perdoe-me a minha conjectura e ñ contestação, mas ñ será, então, do 13º apóstolo em falta, uma vez q se poderá pôr em hipótese, ser, de facto, Maria Madalena, a personagem feminina?"
Qual 13º apóstolo?
Só há doze apóstolos! Jesus é que é a 13ª personagem!
Ou melhor, Jesus será a primeira, seguida dos doze apóstolos! :)
"a ñ ser q mentes muito fracas fiquem demasiadamente embriagadas ou demasiadamente ameaçadas (como quiserem) com a teoria lá inscrita."
Minha cara, a tese do "ameaçadas" é uma falsa questão. Então, e porque é que a Marta, e o resto das pessoas que por cá passam, nunca supõem que tudo isto possa ser um belo embuste perpetrado pelos propagadores desta teoria?
Ou seja, porque é que a hipótese de tudo isto ser falso e ser induzido nos leitores NUNCA é uma hipótese "de trabalho"? Porque é que NUNCA é considerada?
"Como já disse, gostei de o ler, é sempre salutar ler coisas q nos ponham em causa, q nos façam pensar, só isso, como o Bernardo já afirmou, é q pode reforçar a nossa fé e a nossa demanda da vida."
Tem toda a razão. Não posso concordar mais consigo neste aspecto.
"Penso q ñ deveria abandonar já o barco, Bernardo, é sempre saudável ler as várias e diferentes opiniões de todos."
Percebeu-me mal ;)
Não vou deixar de vir cá!
Só que, tendo sido convidado a publicar directamente no Afixe, convém-me também dedicar algum tempo a escrever textos próprios, porque tenho usado muito do meu tempo aqui no Afixe apenas nos comentários destes posts...
"Mais uma vez, estou a acompanhar o seu site, q acho muito interessante. Mas deixe-me q lhe diga, e ñ me leve a mal a ousadia, ñ seja tão radical nas suas conjecturas. Precisamos de ser flexíveis..."
Cara Marta, interprete a minha "radicalidade" como confiança e segurança naquilo que afirmo! É disso que se trata! Ando nisto há uns anos, e já tive que reescrever o meu site várias vezes, devido a erros. Com o tempo, tenho vindo a "amaciar" a minha escrita, e por isso, as frases supostamente "radicais" que por lá encontra serão, sobretudo, derivadas de uma segurança nas minhas conclusões, que começa, FINALMENTE, a aparecer ao final de tanto tempo a tentar destrinçar o mistério de Rennes e os contornos da farsa da "linhagem sagrada".
"Um abraço e continuação de bom trabalho."
Obrigado! Para si também, Marta!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 1 de setembro de 2004, às 10:04
Olá Bernardo,
Mais uma vez ñ resisti...
"Qual 13º apóstolo?
Só há doze apóstolos! Jesus é que é a 13ª personagem!
Ou melhor, Jesus será a primeira, seguida dos doze apóstolos! :)"
Realmente ñ me exprimi bem, sim, Jesus era a 13ª personagem e os apóstolos eram obviamente 12. O q eu quis dizer é q a dita mão com a adaga seria a do 12º apóstolo em falta, supondo q é Maria Madalena a personagem feminina.
Falando de Maria Madalena. Ñ vou falar da teoria do hipotético casamento e da hipotética linhagem descendente, porque ñ há provas plausíveis. Apenas uma pergunta de retórica: porque será q é assim tão abominável supor q Jesus e Madalena tiveram uma relação? Isso nunca retiraria o conceito q temos de Jesus!! Muito pelo contrário. Deus enviou o seu filho à Terra e Jesus nasceu do ventre de uma mulher. Apesar de ter sido um homem santo e formidável teve uma vida mortal. Se fosse suposto Jesus ñ ter uma vida normalíssima como todos os homens, ñ desfazendo da sua santidade e da sua extraordinária missão na Terra, Deus nunca teria querido q jesus nascesse como todos os homens mortais. Teria enviado Jesus como um anjo ou como espírito.
Por isso perdoe-me, mas ñ vejo qual é o mal nisto, nem porque a Igreja se ressente tanto com isto.
E ñ foi só com o livro de Dan Brown q estas questões todas surgiram. É sabido de há muito q provavelmente Jesus teve uma relação com Maria Madalena. Embora ñ lhe possa dar referências de livros, pq ñ me considero assim tão erudita, posso afirmar-lhe q ñ é uma ideia ou teoria recente.
Em relação ao pormenor da mão. é claro q Da Vinci, sendo um mestre, ñ iria cometer um tal erro de estética, daí supor q a mão teria q pertencer a alguém. Talvez pertencesse a Judas, visto q foi o discípulo q traíu Jesus. E assim S.João seria outra das figuras. Porque, acredite Bernardo, aquela mão estéticamente ñ pode pertencer a nenhum dos corpos retratados na pintura. A mão está desproporcional. E como já disse atrás, Da Vinci ñ iria cometer um engano e um erro de estética como aquele...
"O simples facto de tantas pessoas acharem que ele cometeria esse erro leva-me a sorrir!
E, cara Marta, não a surpreende que só agora, com as obras de Lynn Picknett e Clive Prince (os "inventores" destes "códigos Da Vinci") e de Dan Brown, os homens e as mulheres deste iluminado século XXI se teriam dado conta deste facto?"
Aqui concordo consigo. Realmente esta discussão e polémica nunca teve tanta força e entusiasmo como agora. Mas tenho vagamente a ideia de q os misticismo e códigos na obra de Da VInci ñ são recentes. Mais uma vez ñ sou nem pretendo ser perita em arte, mas já tinha ouvido falar nisto. Nem sou uma defensora da teoria de Dan Brown, apenas ando a ver se me esclareço melhor, e admito q o livro tenha ajudado para o despertar de certas coisas. Mas, afinal, ñ é esse o objectivo da leitura?
Agora, acredito q ñ passa de um romance. Porque jamais se provará a veracidade ou a falsidade dos factos. Por isso, e aqui falo para todos, encarem o livro tal como ele é.
Porque é q na altura em que a obra foi feita ñ houve polémica? Se calhar até houve como aconteceu com a "Virgem dos Rochedos" em q Da Vinci teve q pintar outra obra para q fosse aceite. (Ñ retirei isto do livro de Dan Brown mas sim do q já tinha ouvido dizer). O q acontece é q na altura deve ter-se abafado e como é sabido ñ havia a liberdade de expressão e a ousadia q há agora, e qd havia eram logo designados de loucos e de heréticos. Até porque, provavelmente, sendo Da Vinci um mestre, devem ter pensado q o pintor ñ se atreveria a tal. Por isso o mestre ñ se coibia de pintar como bem queria.
Sem mais assunto continue a elucidar-nos com o seu trabalho, porque ñ há dúvida de q se tem dedicado mais do q qualquer um de nós.
Cumprimentos e continuação de um bom trabalho,
Marta
Afixado por Marta em 1 de setembro de 2004, às 15:52
Olá Marta,
"Mais uma vez ñ resisti..."
Sempre que quiser! :)
"Realmente ñ me exprimi bem, sim, Jesus era a 13ª personagem e os apóstolos eram obviamente 12. O q eu quis dizer é q a dita mão com a adaga seria a do 12º apóstolo em falta, supondo q é Maria Madalena a personagem feminina."
Sim, mas na minha opinião, por muito torta que a mão esteja, é possível pô-la naquela posição. Acredite, que eu já tentei! E dá. O pulso humano é muito flexivel. Não é preciso ser malabarista para produzir aquela posição de mão.
"Apenas uma pergunta de retórica: porque será q é assim tão abominável supor q Jesus e Madalena tiveram uma relação?"
Não é nada abominável. É até bem normal. E coerente. Porque não seria Jesus casado? Eu nunca disse que a tese era absurda. Disse só que não havia provas a favor. Provas contra, essas há, como por exemplo, o facto das escrituras sagradas e da tradição apostólica não o terem dito.
Em vez de isso ser um "silêncio conspirativo", como TANTA gente insiste, é apenas uma forte evidência de que ele foi celibatário.
Repito, não há provas concretas. Apenas evidências, e a meu ver, há mais evidências do lado da tese do Jesus celibatário.
Ah, e precisamente porque não haveria qualquer problema doutrinário em Jesus ter sido casado. Devido às duas naturezas de Jesus (homem e Deus), o Filho de Deus poderia muito bem ter estendido as suas funções humanas ao casamento. Se não o fez, lá teve as suas razões.
O que me perturba, Marta, é que as pessoas não se dêem conta de que, lá porque é plausível um Jesus casado, isso não prova (nem sequer abona grandemente) a tese.
A coerência de uma tese (a tese do Jesus casado é coerente, e não viola a doutrina) não chega para a suficiência da tese.
"Por isso perdoe-me, mas ñ vejo qual é o mal nisto, nem porque a Igreja se ressente tanto com isto."
Marta, não há mal nenhum em imaginar um Jesus casado. Mas repito: isso não implica que ele o tenha sido de facto. O que irrita a Igreja são os abusos à verdade histórica. Você não acha bem que a Igreja defenda aquilo que considera a verdade sobre a vida do seu fundador, até ao mais simples detalhe como este? A vida marital de Jesus (casado ou celibatário) será certamente um aspecto menor da vida de Jesus, mas a Igreja tem toda a legitimidade para querer defender o rigor histórico e factual da vida de Jesus.
E, cara Marta, se vir esta cena toda de trás, perceberá que a questão do Jesus casado insere-se num esquema bem mais vasto, que vai até à não divindade de Jesus, como um morteiro apontado ao coração da doutrina católica. Tudo isto insere-se numa enorme avalanche anti-católica. Nada mais natural do que a Igreja se defender, apontando os erros desta avalanche e dos seus propagadores.
"E ñ foi só com o livro de Dan Brown q estas questões todas surgiram."
Precisamente. A onda conta com muita gente. Dan Brown teve imensos percursores.
"É sabido de há muito q provavelmente Jesus teve uma relação com Maria Madalena."
Que entende por relação?
Maria Madalena fazia parte do núcleo de amigos íntimos de Jesus. Ela foi a primeira a constatar a ressurreição. Foi ela quem correu a contar a Boa Nova a Pedro. Ela é uma personagem chave. Daí a ter sido mulher do Salvador, vai um grande salto.
"Embora ñ lhe possa dar referências de livros, pq ñ me considero assim tão erudita, posso afirmar-lhe q ñ é uma ideia ou teoria recente."
Tem razão. Devido à propagação dos textos gnósticos, pode-se datar esta história ao século I ou ao século II d.C.
É, por isso, uma tese muito antiga. Mais uma vez, isso não abona para a sua veracidade. Adicionalmente, o facto da Igreja ter debatido os textos gnósticos, tendo-os refutado e tendo votado a sua invalidade em matéria de doutrina e em matéria de rigor factual, nada mais natural do que dar muito menos valor a estes textos, que foram assim "chumbados" pela autoridade da Igreja.
O que irrita muita gente é a questão da autoridade. Mas esta autoridade da Igreja Católica vem da tradição apostólica, instituida pelo próprio Jesus. O que me chateia é ver tanta gente a criticar as regras dos outros. É assim que a Igreja Católica se organiza e organiza a doutrina que recebeu do seu fundador. Que interessa isso a quem não gosta do cristianismo, a quem não quer saber do cristianismo? Quem têm essas pessoas a ver com o assunto? Com que autoridade contestam elas a autoridade da Igreja, dom do próprio Cristo?
Não estou a atacá-la, Marta, porque você parece-me sensata e as suas questões são perfeitamente legítimas. Estou só a desabafar consigo face à atitude preconceituosa e anti-católica dos defensores destas falsas teses, que, repito, pretendem minar as bases do próprio catolicismo.
Não há qualquer exagero nas minhas palavras.
"Em relação ao pormenor da mão. é claro q Da Vinci, sendo um mestre, ñ iria cometer um tal erro de estética, daí supor q a mão teria q pertencer a alguém."
Mas eu acho que pertence.
A Judas ou a S. Pedro, agora não me recordo, mas há uma interpretação correcta do quadro do ponto de vista dos historiadores de arte. Está bem estabelecido quem é quem nesse quadro. Vou tentar encontrar alguns links onde li isso.
"Porque, acredite Bernardo, aquela mão estéticamente ñ pode pertencer a nenhum dos corpos retratados na pintura."
Acho tudo isto um bocado subjectivo, mas já viu o quadro de perto? Eu acho possível, porque não há descontinuidades na mão. Eu vejo o pulso!
"Aqui concordo consigo. Realmente esta discussão e polémica nunca teve tanta força e entusiasmo como agora."
Há razões concretas para isso. Esta é a hora em que pessoas como Dan Brown, e TANTOS outros que lhe vão seguir os passos, vão ganhar esta guerra contra o catolicismo. Não tenha qualquer dúvida. A Igreja, como tudo, terá um fim. As vozes pequenas e isoladas como a minha não durarão para sempre. Mas, para mim, e de acordo com a minha noção de honestidade, falar a Verdade e procurar a Verdade, é um dever incontornável. Espero ter forças para não vacilar.
" Mas tenho vagamente a ideia de q os misticismo e códigos na obra de Da VInci ñ são recentes. "
Eu não conhecia tanta mistificação em torno dele como até agora. Mas também não sou nada que se pareça com um perito em Leonardo da Vinci.
"apenas ando a ver se me esclareço melhor, e admito q o livro tenha ajudado para o despertar de certas coisas. Mas, afinal, ñ é esse o objectivo da leitura?"
Sem dúvida! Ao fazê-lo, a Marta mostra que é uma excelente leitora, e que não se fica pela ligeireza do "livro de férias". Felicito-a por isso. Não há muitas pessoas que o façam. Seja como for, devido ao carácter polémico do tema, há mais gente a pesquisar sobre isto na Internet do que se fosse outro tema mais obscuro, mais académico, ou mais específico. É a abrangência do tema que atrai tanto as pessoas.
"Agora, acredito q ñ passa de um romance. Porque jamais se provará a veracidade ou a falsidade dos factos."
Mais ou menos. Há muita, muita coisa que Dan Brown coloca no romance que é falsa, e facilmente refutável.
"Porque é q na altura em que a obra foi feita ñ houve polémica? Se calhar até houve como aconteceu com a "Virgem dos Rochedos" em q Da Vinci teve q pintar outra obra para q fosse aceite."
Não sabia disso. Não lhe sei dizer se a Marta está certa ou errada. De onde tirou isso?
"(Ñ retirei isto do livro de Dan Brown mas sim do q já tinha ouvido dizer)."
Onde é que ouviu dizer?
"O q acontece é q na altura deve ter-se abafado e como é sabido ñ havia a liberdade de expressão e a ousadia q há agora, e qd havia eram logo designados de loucos e de heréticos."
As coisas não são bem assim, Marta. Como para tudo, tem que haver regras. Eu sou, obviamente, contra o massacre dos heréticos, mas, no campo das ideias e do rigor doutrinal, seria e será sempre normalíssimo que a Igreja combata os erros dos seus membros. Senão, em vez de Igreja Católica, à força de permitir erros doutrinários nos seus membros e representantes, a Igreja corre o risco de deixar de ser o que é.
"Até porque, provavelmente, sendo Da Vinci um mestre, devem ter pensado q o pintor ñ se atreveria a tal. Por isso o mestre ñ se coibia de pintar como bem queria."
Bem, talvez em certo sentido, Marta, mas Leonardo da Vinci é, sobretudo, um mestre incontestável nos dias de hoje. A fama vai crescendo lentamente ao longo dos anos.
"Sem mais assunto continue a elucidar-nos com o seu trabalho, porque ñ há dúvida de q se tem dedicado mais do q qualquer um de nós."
Sim, mas esteja à vontade para contestar o que eu digo. Obviamente, ninguém é infalível, e eu devo certamente dizer algumas burradas. Sobretudo sobre a questão do quadro da Última Ceia, estou longe de ser um especialista, ou sequer um conhecedor. O que afirmo são apenas conjecturas pessoais.
Além disso, a minha persistência nestas pesquisas não é sinal nenhum de que eu esteja certo. É bem sabido que os burros são teimosos. Ou seja, duvide sempre do que lê, e questione-se sempre sobre tudo. Mesmo se o que eu digo faz sentido, procure sempre ver o que é que a sua intuição lhe diz.
É certo que, andando nisto há uns anos, é normal que eu tenha reunido mais informação, e, se eu tiver raciocionado bem (o que pode não ter sucedido), é natural que os meus comentários tenham valor em si, mas peço-lhe que me encare, apenas, como alguém "com rodagem". Nada mais. Se eu fosse a si, olharia para mim com alguém que diz coisas "contra a corrente" e que escreve coisas que vale a pena tirar a limpo. Ficaria satisfeito só com isso.
Cumprimentos e continuação de boas pesquisas!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 1 de setembro de 2004, às 16:41
"Como se vê, todo o tempo que eu perdesse a apontar-lhe os inúmeros erros das suas afirmações (chegam a ser mais os erros que as palavras), seria tempo perdido apenas por uma causa só..."
Pensei que um espírito tão superiormente inteligente como o seu seria capaz de iluminar aqui a pobre coitada que ainda não saiu dos estados inferiores de consciência e não atingiu a sua iluminação (que é de refugiar-se no estado mais primitivo da consciência: que é a religião. Como muito bem disse Karl Marx: a religião é o ópio do povo.)Baseia-se no insulto para fugir ao confronto com argumentos que simplesmente não consegue rebater. É irónica a sua posição em relação ao mundo e totalmente contraditória. No entanto não perderei mais o meu tempo para ser insultada apenas por dar as minhas opiniões, deixe-se afundar nessa lama que chama iluminação, já que é de sua vontade.
"Para quem não está a perceber patavina da conversa, eu e o Gibel estamos a falar das "gunas" hindus... Segundo as doutrinas hindus (ler urgentemente René Guénon), cada ser, consoante a "guna" mais forte em si, terá uma apetência para os estados superiores do ser (guna "satvas"), uma apetência para os estados inferiores do ser (guna "tamas"), ou uma apetência para a expansão do seu estado actual de ser (guna "rajas")."
A sua presunção raia o fanatismo religioso que infelizmente tem vindo a causar apenas destruição e violência neste mundo de loucos.
Fique lá com as suas pseudo-teses, eu tenho mais que fazer do que perder o meu tempo com broncos que se acham mais iluminados que os outros. é um caso simples de ver o argueiro no olho do outro e não se ver a trave no seu próprio. E sim já todos sabemos que sabe muito da religião hindu e Rennes-le-chateau e do cristianismo. é pena é não saber de mais nada mesmo.
é com amargura que me retiro deste blogue, já que até mesmo os seus fundadores, e neste caso me refiro a esse tal de Gibel, me insultam.
Continue a impingir as suas teses a toda a gente e nunca se esqueça, que o maior sábio é aquele que sabe que nada sabe. Você não passa de um pseudo-sábio com a mania das alturas.
Atenciosamente,
Senhora das Tempestades
Afixado por Senhora das Tempestades em 1 de setembro de 2004, às 17:36
clap, clap, clap...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 1 de setembro de 2004, às 19:06
Caro Bernardo,
Tenho lido o seu site e gostaria de emitir também uma mera opinião subjectiva sobre o mesmo, como colocar-lhe algumas questões.
Embora seja católica convicta, estou sempre aberta ao CONHECIMENTO. E o conhecimento passa por confrontar todos os factos que nos são dados e distingui-los entre os que são provados verdadeiros e os que são provados falsos.
Parece-me que o Bernardo tira conclusões de meras teorias de outrém e as conclusões que tira não se baseiam sequer em factos que as refutem. Baseiam-se sim, em meras suposições pessoais.
Tal como critica que esta nova "teoria" Brownesca não tem qualquer fundamento em factos concretos e verosímeis, o próprio Bernardo, para a refutar também não nos fornece factos concretos, apenas meras opiniões... Por exemplo... tem alguma prova concreta que os "famosos" documentos secretos são mesmo falsos, ou é uma conjectura do Bernardo?
Como nos pode provar o Bernardo que de facto Jesus não se casou, afirmando que é aquilo que a maioria dos textos biblicos diz? Que eu saiba, os textos conhecidos não referem expressamente que Jesus vivia em castidade. Simplesmente não referem nada quanto à suposta vida pessoal de Jesus.
E como pode o Bernardo afirmar tão veemente que não há descendência? Acaso têm provas que o ultimo Rei merovíngio não deixou de facto descendência quando o pai de Carlos Magno o destronou? Isto no caso de realmente haver descendência e esta ser supostamente merovíngia...
Acaso o Bernardo duvida que a Igreja tenha escolhido e retocado os textos do novo testamento?
Parece-me Bernardo, que parte de uma ideia pré-concebida demais... Como o seu estudo é meramente amador, é de se tolerar que peque pelo objectivismo...
Repare, o fundamental de tudo é como diz a amiga Marta, que o facto de Deus ter enviado à terra o seu filho, é porque o quis enviar como humano, para este viver como um homem. O facto de ter casado ou de ter tido um hipotético amor, não lhe retiraria necessáriamente qualquer carácter de divindade...Parece-me que o Bernardo refuta à partida uma teoria, como qualquer outra, de forma demasiado dura e inflexivel.
A verdade de Cristo não tem que ser necessáriamente a verdade da Igreja.
Maria
Afixado por maria em 1 de setembro de 2004, às 22:26
Cara Maria,
Obrigado pela sua mensagem. Vou procurar responder às suas questões. Como imagina, é sem dúvida mais sucinto, ou seja, ocupa menos espaço, colocar estas questões do que respondê-las.
"Embora seja católica convicta, estou sempre aberta ao CONHECIMENTO. E o conhecimento passa por confrontar todos os factos que nos são dados e distingui-los entre os que são provados verdadeiros e os que são provados falsos."
Faz bem.
Também eu.
"Parece-me que o Bernardo tira conclusões de meras teorias de outrém e as conclusões que tira não se baseiam sequer em factos que as refutem. "
Não é verdade. Uso muito trabalho de outrem, é um facto, mas esse "outrem" tem provas concretas.
"Baseiam-se sim, em meras suposições pessoais."
Não.
"Tal como critica que esta nova "teoria" Brownesca não tem qualquer fundamento em factos concretos e verosímeis, o próprio Bernardo, para a refutar também não nos fornece factos concretos, apenas meras opiniões..."
Até neste blogue, onde tenho escrito imensos comentários, tenho conseguido apresentar provas concretas. Veja-se o caso do meu estudo dos falsos pergaminhos de Rennes, que estão na base de grande parte desta mistificação. Como deve supor, provar o que quer que seja num blogue é difícil. Remeto-a para a minha página.
"Por exemplo... tem alguma prova concreta que os "famosos" documentos secretos são mesmo falsos, ou é uma conjectura do Bernardo?"
Sim.
Peço-lhe que tome em consideração que o meu site sobre Rennes não é um site "definitivo", ou seja, eu possuo inúmera documentação que ainda não está publicada no meu site, seja por falta de tempo, seja sobretudo por questões delicadas de copyright.
Doravante, para todo este assunto, recomendo-lhe VIVAMENTE que compre:
JARNAC, Pierre. "Les archives du trésor de Rennes-le-Château", 2 vols..
Editions Belisane, Nice. 1988.
DESCADEILLAS, René. "Mythologie du Trésor de Rennes - Histoire Véritable de l'Abbé Saunière Curé de Rennes-le-Château".
Editions Collot, Nice. Junho de 1991 (reedição).
Nestes livros estão todos os documentos suficientes para provar o que digo, e o que tantas pessoas (sobretudo em França) vêm afirmando há décadas.
Veja também o site de Paul Smith, onde alguns destes documentos estão passados a scanner:
Da leitura de tudo isto, concluirá que os "Dossiers Secrets", de Henri Lobineau são uma farsa a dois níveis:
1. São falsos porque não são assinados pelos seus verdadeiros autores; Lobineau não teve nada a ver com esta mistificação. René Descadeillas dá uma biografia correcta e rigorosa do padre Lobineau, e como verá, se ler, ele não pode ter sido o autor destes "dossiers"; ao longo dos documentos do Priorado, fica patente que usaram frequentemente nomes de pessoas já mortas, que nunca poderia ter tido nada a ver com isto; um dos casos mais divertidos de usurpação de identidades é o de Leo Schidlof, um rapaz de 20 anos que morreu na Suiça num acidente de automóvel, e que nunca poderia ter sido o autor dos documentos que lhe atribui o Priorado.
2. São também falsos, pelo seu conteúdo, que repito, são uma miscelânea de árvores genealógicas forjadas (qualquer genealogista sério lhes dá valor zero), de biografias truncadas ou deturpadas, de poemas feitos para induzir um efeito desinformativo, de colagens de outras obras anteriores (Paul Lecour foi bastante plagiado nestes "dossiers", veja as provas no meu site), e enriquecido com a presença de falsos pergaminhos (escritos pelo punho de Phillipe de Chérisey, amigo íntimo de Plantard, e autor confesso da charada) e de desenhos "pedras tumulares" totalmente fantasiosos (veja as provas no meu site).
"Como nos pode provar o Bernardo que de facto Jesus não se casou, afirmando que é aquilo que a maioria dos textos biblicos diz?"
Claro que não posso provar, Maria.
Por favor, não misture os temas. Quando falo em provas e evidências concretas, refiro-me ao embuste das "linhagens sagradas" e do falso Priorado de Sião. Há inúmeros tópicos refutáveis em toda esta história: atrás dei-lhe alguns exemplos, mas certamente que o estado marital de Jesus não é um deles. Repito-lhe o que afirmei atrás: quando emito opiniões acerca do estado marital de Jesus, elas valem o que valem. São a minha opinião.
"Que eu saiba, os textos conhecidos não referem expressamente que Jesus vivia em castidade. "
Também não referem que ele vivia em estado marital.
"Simplesmente não referem nada quanto à suposta vida pessoal de Jesus."
Bom, eu não generalizava. Eles dizem MUITO sobre a vida pessoal de Jesus. Sobre a vida sexual, de facto, nada dizem.
"E como pode o Bernardo afirmar tão veemente que não há descendência?"
Minha cara, por favor, volte a ler o que escrevi. Eu não afirmei que não havia descendência. Não tenho provas disso. Afirmei que a tese da descendência conforme propagandeada pelo Priorado, e pelos aproveitadores Dan Brown e outros, é uma tese totalmente falseada: não há descendência merovíngia, os merovíngios não descendem de judeus (morrem logo aí as pretensões de quem quer atribuir sangue "davídico" aos merovíngios), e o facto de Plantard ter escrito o seu nome nessa linhagem é sinal evidente, para quem ainda vê, que o Priorado é um dos mais bem conseguidos embustes da história moderna, e que é da sua inteira autoria.
Repito: eu afirmo a falsidade das teses da "linhagem sagrada" conforme propagandeadas por: Pierre Plantard, Louis Vazart, Henry Lincoln, Michael Baigent, Richard Leigh, Dan Brown, Simon Cox, entre tantos outros.
É também possível refutar, mesmo academicamente, o trabalho da feminista Margaret Starbird, que acredita poder provar que Jesus casou com Maria Madalena, fazendo a senhora Starbird uma leitura muito original, e muito pessoal e inédita, dos textos sagrados, que ela mutila e deturpa a seu bel-prazer.
Remeto-a para a minha página, "O Embuste", onde eu comento as teorias do "hieros gamos" e do "sagrado feminino" desta senhora. Essa página, mais uma vez, está ainda em construção. Documentos serão adicionados para solidificar as minhas afirmações. Peço-lhe alguma paciência para este facto, mas a minha actividade profissional não é, infelizmente, a de escrever sobre estes temas. Faço-o como hobby.
"Acaso têm provas que o ultimo Rei merovíngio não deixou de facto descendência quando o pai de Carlos Magno o destronou?"
Minha cara, as descendências não desaparecem sem deixar rasto. Mais uma vez, remeto-a para o livro do historiador René Descadeillas, onde ele escreve, muito melhor do que eu seria capaz, um capítulo inteiro dedicado à descendência do rei Dagobert II. O seu pretenso filho "Sigisbert IV" é totalmente inventado por Plantard, bem como a sua pretensa mulher "Gisèlle de Razès", de quem nunca ninguém tinha ouvido falar, e cujo nome não aparece em livro algum de genealogia, e só surge com Pierre Plantard, e o seu Prieuré de Sion.
"Acaso o Bernardo duvida que a Igreja tenha escolhido e retocado os textos do novo testamento?"
Escolhido, sim. As razões já as dei acima. A Igreja teve, necessariamente, que escolher os textos adequados à sustentação de uma doutrina católica, e fê-lo na conformidade com os ensinamentos de Jesus. Sobre os "retocados", que se saiba, apenas um dos evangelhos sofreu uma adição posterior, salvo erro em S. Marcos, sendo que o último capítulo deste evangelho é posterior. Devo verificar este facto, porque não tenho a certeza.
Há muita gente interessada em que se propagandeie esta mentira infame de que a Igreja pode "deturpar" a mensagem divinamente revelada.
O próprio sustentáculo da doutrina católica é o "revelatum", a base de Revelação que consistiu a vinda ao Mundo de Jesus Cristo, o Filho de Deus. A doutrina que ele nos deixou por via oral, e pelas suas obras, gestos e ensinamentos, é uma doutrina sagrada, de origem divina, que a Igreja está incumbida há 2.000 anos de preservar. Como imagina, não se deturpam estas coisas impunemente. Estou em crer que, apesar de todas as falhas humanas de uma Igreja feita por seres imperfeitos, a Igreja não foi, sobretudo nestes primeiros séculos, inconsciente ao ponto de dar um "tiro no pé", pervertendo a mensagem revelada pelo seu fundador.
"Parece-me Bernardo, que parte de uma ideia pré-concebida demais..."
Faz-me um bocado confusão, cara Maria, que uma católica "convicta" fale com tantas dúvidas em relação à sacralidade e integridade do "revelatum".
"Como o seu estudo é meramente amador, é de se tolerar que peque pelo objectivismo..."
Sim.
"Repare, o fundamental de tudo é como diz a amiga Marta, que o facto de Deus ter enviado à terra o seu filho, é porque o quis enviar como humano, para este viver como um homem. O facto de ter casado ou de ter tido um hipotético amor, não lhe retiraria necessáriamente qualquer carácter de divindade..."
Repito, DE NOVO (está a tornar-se cansativo porque já disse isto neste blogue em muitos sitios e de variadissimas formas), que concordo plenamente com a Marta neste aspecto. Um Jesus casado nada tem de anormal ou de irregular, mesmo em matéria de doutrina. Se ele tivesse sido casado, NADA impediria a tradição apostólica de relevar este facto. NADA impediria os evangelistas de mencionar o facto. NADA levaria a Igreja a rasurar qualquer tipo de menções a esse respeito. O Jesus casado não traz problemas à doutrina! Quando é que as pessoas vão perceber isto?
"Parece-me que o Bernardo refuta à partida uma teoria, como qualquer outra, de forma demasiado dura e inflexivel."
Não refuto. Não o posso fazer.
Apenas não concordo que se assuma um estado de casado para Jesus, quando não há qualquer evidência nesse sentido. Entende? Não estou a contestar algo de doutrinalmente inválido! Não é disso que se trata. Trata-se de, como disse à Marta, procurar a verdade histórica.
E se Jesus foi solteiro (não o posso provar, mas acredito ser a tese mais provável), doa a quem doer, não há como dar a volta a esse facto sem perverter a verdade histórica.
"A verdade de Cristo não tem que ser necessáriamente a verdade da Igreja."
Aí é que se engana. Quando a verdade da Igreja deixar de ser a verdade de Cristo, a Igreja termina, "ipso facto". Eu acredito que a Igreja, como tudo, está sujeita à erosão antitradicional dos tempos em que vivemos, e, mais cedo ou mais tarde, a Igreja Católica verá o seu fim, que eu acredito que irá suceder devido, precisamente, à perversão do legado de Cristo.
Há, contudo, uma ressalva. A Maria falou em "verdade" com minúscula, e eu discordei de si, porque a Igreja tem que partilhar da mesma verdade de Cristo. Contudo, se a Maria estiver a falar de "Verdade" com maiúscula, aí tem razão. Ou seja, a Verdade, na sua infinitude, é um predicado divino, e pertence a Jesus como Deus. O homem, ser finito, apenas pode partilhar desta verdade. Não pode possuí-la devido à infinitude da Verdade e à finitude do ser humano.
Mas penso que a Maria não estaria a querer entrar na questão teológica da Verdade, porque isso levar-nos-ia muito longe.
Espero ter-me explicado bem.
Cumprimentos
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 2 de setembro de 2004, às 11:13
Para os mais distraídos que não costumem sair daqui até à página principal do Afixe, repito o post que lá coloquei agora mesmo:
«O Priorado de Sião no "Nouvel Observateur"
Vale a pena ler este artigo do Nouvel Observateur:
http://www.nouvelobs.com/articles/p2079/a248944.html
Está lá tudo muito bem resumido. História, mas da verdadeira. A realidade e não a fantasia. Por favor, passem aos vossos amigos que porventura tenham ficado perdidos algures no meio das páginas do "Código Da Vinci", de Dan Brown... É urgente passar a palavra, porque estamos sem dúvidas perante uma epidemia intelectual!
Ainda bem que vão saindo aqui e ali uns artigos bem documentados, provenientes de publicações acima de suspeita, porque senão muita gente continuaria por aí a pensar que só os malucos como eu é que tentam atacar o "brilhante" Dan Brown...»
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 13 de setembro de 2004, às 19:51
Caro José:
Como assinou todos os seus posts sem qualquer meio de contacto possível, gostaria de pedir-lhe que me contactasse para o meu email, basta clicar no meu nome a vermelho no fundo do meu post. Gostaria de discutir consigo algumas ideias que divulgou aqui pois creio que poderia aprender algo consigo.
Atenciosamente,
Senhora das Tempestades
Afixado por Senhora das Tempestades em 14 de setembro de 2004, às 13:42
Boa tarde....
Bem confesso que ainda estou um pouco "atordoada" com esta página é que só esta semana tive oportunidade de ver, ler e meditar (antes demais queria dar os parabéns ao Bernardo Motta, inicialmente pela forma como se expressa e espero que de futuro continue a sentir o mesmo pois estou embrenhada em descobrir “algo do conhecimento e da verdade” não sei bem o quê pq apesar de não ser totalmente leiga sobre o tema, tenho consciência que estou aquém)... Mas ao longo do tempo há uma dúvida que me tem assistido que neste contexto nem sei bem onde se encaixa (se é que se encaixa), mas se me puderem elucidar de alguma forma agradeço… é o facto da Igreja Católica dizer que “Santa Maria é Mãe de Deus…….” Deus tem “Mãe”? Jesus Cristo não é Deus com certeza… bem há aqui qq coisa… dentro da mesma religião que não está em sintonia…
Cumprimentos e me perdoem a ignorância,
MSA
Afixado por Mónica S. A. em 14 de setembro de 2004, às 19:16
Olá Mónica,
Bem-vinda! Antes de mais, obrigado pelos parabéns!
Vou responder à tua dúvida, mas com uma advertência: a minha resposta vem da doutrina católica. Sou católico, e vou responder-te nessa categoria.
"Bem confesso que ainda estou um pouco "atordoada" com esta página é que só esta semana tive oportunidade de ver, ler e meditar"
Quem não fica? A página já tem quilómetros de comentários!!
"é o facto da Igreja Católica dizer que “Santa Maria é Mãe de Deus…….” Deus tem “Mãe”? Jesus Cristo não é Deus com certeza… bem há aqui qq coisa… dentro da mesma religião que não está em sintonia…"
Bom, dentro da doutrina católica, Jesus é Deus. Durante séculos a Igreja debateu acerca da natureza de Jesus, e chegou-se à conclusão (que hoje em dia faz parte da doutrina) de que Jesus tem duas naturezas: a humana e a divina. Assim, Jesus é homem e é Deus. "Deus de Deus", diz o Credo, ou seja, Jesus não é uma sub-parte de Deus Pai, nem é outro Deus diferente. É Deus do mesmo Deus.
Maria é, de facto, a mãe humana de Jesus Cristo, porque O concebeu. Poderíamos entrar por complicadas questões metafísicas sobre Maria, para as quais não estou preparado, que aprofundariam ainda mais este conceito de maternidade. Mas numa primeira abordagem, Maria é a mãe humana de Jesus, e por isso, sendo Jesus Deus para a doutrina católica, Maria é a Mãe de Deus (em grego "teotokos").
Penso que a tua confusão possa também ter origem no conceito da trindade católica, que é das coisas mais complicadas de compreender.
Deus é a união de três "pessoas" (entendendo "pessoa" num sentido transcendente, e não humano) numa só entidade. Cada "pessoa" expressa um carácter diferente. O Pai expressa a imutabilidade do Princípio, a Eternidade e Infinitude de Deus. O Filho expressa o acto da Criação, é expressão do criador que é de Deus ("por Ele todas as coisas foram feitas"). O Espírito Santo expressa a presença constante de Deus na Criação, presença essa que é fundamental na mediação entre a Criação e o Criador.
Isto é mais ou menos assim, dito por um amador. Um teólogo certamente que se expressaria de forma mais correcta. Mas espero ter passado a ideia, Mónica.
Resumindo, em Jesus Cristo há duas naturezas, a humana e a divina. No passado, foram rejeitadas várias heresias que divergiam disto: algumas opunham-se à existência da natureza divina (o arianismo, do bispo Arius), outras à existência da natureza humana (o monofisismo, que vem de "monos" + "physis", ou seja "uma natureza").
Espero ter ajudado!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 15 de setembro de 2004, às 11:56
Boa tarde Bernardo,
Antes demais agradeço a resposta rápida e plausível que envias-te mais uma vez foi uma surpresa bastante agradável sabendo de antemão que é uma pergunta complexa….
Quanto à explicação dada por um teólogo, fiquei decepcionada pq já fiz esta pergunta a um em que a resposta foi qq coisa como um sorriso, um suspiro e “bem é complicado… hum…. Hummm…. Depois falamos sobre isso….”
Gostei da tua opinião… tbm sou católica, mas ou é mesmo por falta de estudo ou continuo ainda com a mesma dúvida (apesar de ter entendido na integra o que disseste) é que então na altura de Sua crucificação ele diz “Deus Pai pq me abandonaste…” se ele é Deus tbm está a falar para ele mesmo? Não se entende a si??
Sei que não tens que responder a isto e até é mesmo injusto eu estar a questionar-te sobre isto…. Mas de facto por voltas de dê não entendo… apesar de toda a minha vida ter sido uma curiosa sobre este tipo de temas acho que só agora estou a “evoluir” na tentativa de saber os porquês…. Quem sabe daqui a uns meses e espero que sim…. Eu me sinta mais segura e clarificada sobre tudo isto…
Obrigada pela delicadeza e pela ajuda, é sempre um prazer falar sobre este tipo de temas com alguém tão interessado e conhecedor….
Uma curiosidade particular, Bernardo quando sentiste “apetência” para estes estudos? O que te impulsionou à descoberta destas incógnitas?...
Cumprimentos,
Mónica S. A.
Afixado por Mónica Azevedo em 15 de setembro de 2004, às 14:40
Olá de novo Mónica,
"Antes demais agradeço a resposta rápida e plausível que envias-te mais uma vez foi uma surpresa bastante agradável sabendo de antemão que é uma pergunta complexa…."
Mas a minha resposta não é uma resposta completa ou competente. É uma resposta de amador. Cuidado...
"Quanto à explicação dada por um teólogo, fiquei decepcionada pq já fiz esta pergunta a um em que a resposta foi qq coisa como um sorriso, um suspiro e “bem é complicado… hum…. Hummm…. Depois falamos sobre isso….”"
Pois... Esse é um dos maiores males da Igreja Católica actual: a falta de informação e a falta de disponibilidade para a dar a quem a pede.
" na altura de Sua crucificação ele diz “Deus Pai pq me abandonaste…” se ele é Deus tbm está a falar para ele mesmo? Não se entende a si??"
Questão complexa! Mas vou-te dar uma direcção de resposta. A resposta terás que procurar tu, porque a compreensão destas coisas pode ser ajudada por teoria, mas só vem da meditação pessoal.
A questão que colocas tem a ver com o conceito de "realização descendente", do qual falou René Guénon. O processo de realização descendente corresponde à incarnação de Deus, quando Deus toma a forma humana. Devido à sua dupla natureza ("E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós"), Cristo sofre os defeitos e a dureza da condição humana. O Deus que "desce" até à carne humana tem que padecer por essa carne humana. Cristo sofre na cruz, tem dor, e sobretudo, tem a tentação de desistir. O Deus que é tentado em Getsemani (o evangelho dá uma descrição dessa tentação que tem origem no Diabo - poderemos falar sobre o Diabo noutra altura!) é o Deus que é homem e que sofre das fraquezas humanas, neste caso o medo e a vontade de desistir.
O Jesus que pede ao Pai que o liberte do Seu destino, corresponde à natureza humana de Jesus, que teme o seu destino, como qualquer homem.
A relação de paternidade entre o Verbo e Deus-Pai apenas se torna notória entre nós com a "descida" de Deus à forma humana. Além disso, e para lá de qualquer consideração humana, Jesus é o Verbo, Palavra proferida pelo Pai aquando da Criação.
Repara, Mónica. Se calhar estou a ser confuso, mas vou tentar ser mais claro. Porque é que Jesus é chamado de Verbo? Por uma semelhança de analogia entre a "palavra pensada" e a "palavra pronunciada". A teologia usa palavras que vêm da nossa natureza humana, como "pensamento" e "palavra" e "intelecto", para ajudar a explicar estes conceitos que transcendem largamente o humano.
Já te tinha dito há pouco que Jesus Cristo era o Verbo, através do qual tinha ocorrido a Criação. O que quer isto dizer, de facto?
O "Cristo nascido do Pai antes de todos os séculos", é a "Palavra pensada", ainda no Intelecto divino, antes do Mundo existir (os "séculos" vêm do latim "saeculum", que quer dizer "mundo").
"Antes de todos os séculos", Deus ainda não Criou o Mundo (cuidado porque a palavra "ainda" faz-nos pensar em tempo, mas "antes" da Criação, não há tempo - o tempo e o espaço surgem e existem simultaneamente com a Criação), por isso, "antes" da Criação, o Verbo é apenas "pensado". Ainda não foi "proferido".
Com a Criação, o Deus-Pai "pronuncia" o Filho-Verbo, ou seja, passa a "palavra pensada" (conjunto de ideias e arquétipos no Intelecto divino, que lá existiam em potência) a "palavra pronunciada" (o que existia "em potência" passa a existir "em acto").
Por outras palavras, é quando Deus-Pai "fala" o Verbo, que, através deste Verbo, surgem "todas as coisas visíveis e invisíveis", como se diz no Credo.
O Credo é uma súmula de conceitos de uma profundidade metafísica impressionante. Meditar nas palavras do Credo, uma a uma, é um exercício altamente produtivo e essencial.
Para terminar, há uma relação essencial de dependência do Filho face ao Pai, da mesma forma analógica que há uma dependência da palavra pronunciada face ao intelecto da pessoa que a tinha pensado antes de a pronunciar. Daí que Jesus se refira à primeira pessoa como "Pai".
Quando tu pensas "maçã", ainda antes de dizeres "maçã", a ideia de maçã já existe em ti, certo?
Essa ideia só passa de "potência" (a ideia da maçã) a "acto" (o som da palavra "maçã" proferida por ti) quando tu a pronuncias.
É mais ou menos o que sucede na Criação. Toda a Criação existia apenas em intelecto, antes de Deus-Pai a "concretizar", proferindo-a através do Verbo ("verbum", em latim, quer só dizer "palavra").
"Quem sabe daqui a uns meses e espero que sim…. Eu me sinta mais segura e clarificada sobre tudo isto…"
É só uma questão de leres mais sobre estes temas, e discutires com outras pessoas. E, depois, meditares bastante, e ficares com a tua ideia. Ideia essa que deves procurar manter "actualizada", ou seja, deves tentar sempre verificar se a ideia que fizeste é ou não correcta, confrontando-a com outras ideias que consideres mais ou menos sérias.
"Obrigada pela delicadeza e pela ajuda, é sempre um prazer falar sobre este tipo de temas com alguém tão interessado e conhecedor…"
Não sou assim tão conhecedor, o que se percebe pela pouca clareza das minhas palavras, e pela confusão da minha linguagem. Se precisares, posso procurar esclarecer algum detalhe com mais minúcia.
"Uma curiosidade particular, Bernardo quando sentiste “apetência” para estes estudos?"
Talvez a partir dos 20 anos, quando me veio parar às mãos um livro sobre os Templários. Mas antes disso, eu acho que já acusava um interesse, porque desde a adolescência que eu gostava de mitologia.
"O que te impulsionou à descoberta destas incógnitas?..."
Uma curiosidade imensa. Mas ainda estou tão longe de ter esta curiosidade satisfeita...
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 15 de setembro de 2004, às 16:24
Cara Mónica:
Com a licença do Bernardo apresento-lhe a versão dos factos por alguém que perdeu a fé por volta dos 12 anos, quando começou a detectar demasiadas incongruências e demasiadas verdades absolutas no seio da igreja que seguia: a católica.
Foi na mesma altura que conheci a filosofia, o que penso que me terá dado mais abertura ao meu pensamento até aí católico e dogmático. Dizer que perdi a fé será talvez demasiado radical.. eu acredito nos ensinamentos de Cristo, posso considerar-me uma cristã mas não católica.
No entanto, quando me dizem que Cristo é/era Deus, assim como quando me dizem que Maria era virgem fisicamente e continuou a sê-lo, e etc, eu torço o nariz veementemente. Não é por não acreditar no sobrenatural...é por verificar que essas questões apenas surgiram no meio de quezílias dentro da própria igreja, e talvez não correspondam à verdade, mas sim à verdade do mais forte na época. No concílio em que a divindade de Cristo foi votada, se não estou em erro e se estou peço perdão, os bispos sofreram chantagens psicológicas terríveis por irem contra a vontade do papa vigente na altura, se não votassem a favor.
Sugiro-lhe que leia a outra versão dos factos, imparcialmente e com espírito crítico, em dois livros:
Mentiras Fundamentais da Igreja Católica, de Pepe Rodriguez, editora Terramar
As Quatro Mulheres de Deus: a puta, a bruxa, a santa e a imbecil, de Guy Bechtel
Estas são as minhas leituras aconselhadas para conhecer digamos que "os podres" da igreja católica. Espero que o Bernardo não me critique por isto mas sim sugira leituras da outra versão dos meus factos, para que possa decidir realmente o que é verdadeiro para si.
Atenciosamente,
Senhora das Tempestades
Afixado por Senhora das Tempestades em 15 de setembro de 2004, às 19:17
Olá Mónica, e olá outra vez Senhora das Tempestades,
Mónica: de facto é importante ouvires o "outro lado" da questão. Não tenho absolutamente nada contra o confronto das minhas ideias com as da "Senhora", que são diametralmente opostas às minhas.
Senhora:
"No concílio em que a divindade de Cristo foi votada, se não estou em erro e se estou peço perdão, os bispos sofreram chantagens psicológicas terríveis por irem contra a vontade do papa vigente na altura, se não votassem a favor."
Gostaria de corrigir com a maneira como eu vejo esa questão do concílio de Niceia (325 d.C.): este concílio, que como todos os concílios consiste numa reunião ecuménica de todos os bispos da Igreja, incidiu na resolução do problema da heresia do arianismo, iniciada pelo bispo Arius. Numa altura em que se debatia a natureza ("physis") ou as naturezas de Cristo, Arius sustentava que Cristo era apenas homem, e não Deus. O concílio não era controlado pelo Papa, uma vez que nesta altura (325 d.C.), a igreja não estava tão centralizada como está hoje. O bispo de Roma estava longe de ter o relevo que tem hoje. O concílio de Niceia foi verdadeiramente ecumenico, e teve em consideração todos os pontos de vista. Foi por votação que se condenou o arianismo, e não que se votou "a divindade de Jesus".
Esse é um dos maiores erros históricos do romance de Dan Brown: Niceia votou a condenação ao arianismo, ou seja, Niceia reafirmou a dupla natureza de Jesus, humana e divina. Torna-se evidente que desde os primórdios do cristianismo que Jesus era visto como Deus. O próprio Jesus recorreu frequentemente às profecias do Antigo Testamento para mostrar que se referiam a ele. Jesus é o "Emmanuel" do profeta, que em hebraico quer dizer "Deus connosco". Jesus usava a palavra "Meu Pai", de forma muito clara quando se referia a Deus. Quando S. Tomé presencia Jesus ressuscitado e, duvidando, lhe coloca a mão nas feridas, ele exclama "Meu Senhor e Meu Deus". Tão cedo como em torno do ano 100 d.C., S. João Evangelista escreve o evangelho de seu nome, que começa por "No princípio era o Verbo, etc...". O Evangelho de S. João, bem como o Apocalipse (ligeiramente posterior) têm inúmeros exemplos que atestam que Jesus era visto como Deus.
Por isso, em Niceia no ano 325 d.C. não há nenhuma "votação da divindade de Jesus", mas sim uma "votação contra a heresia do Arianismo", que consequentemente é um reforço doutrinário à dualidade humana e divina de Jesus.
Outros erros típicos atribuídos a Niceia:
1. Achar-se que o imperador Constantino "decidiu" as votações ou as decisões; Constantino era o anfitrião, e não tinha competências doutrinárias
2. Achar-se que Constantino, ou quem quer que seja, escolheu nesse concílio os textos do cânone Bíblico;
3. Achar-se que Constantino, ou quem quer que seja, queimou os evangelhos não escolhidos
E outros disparates semelhantes.
Como sempre, nada como ler os textos do Concílio, que chegaram até aos nossos dias intactos:
http://www.piar.hu/councils/~index.htm
Supor que o bispo de Roma tivesse qualquer capacidade de "chantagear" os restantes bispos é não ter ideia da importância que tinham os bispos de cidades como Constantinopla, Jerusalem, Antioquia, Alexandria, entre outras... O concílio foi longo e profundamente debatido. A votação foi justa e não há qualquer evidência de chantagem. Gostaria de saber se as pessoas que veiculam tais teses possuem qualquer tipo de prova...
Adicionalmente, a história da Igreja aporta inúmeros exemplos de concílios que foram abortados porque um largo número de bispos não conseguiu o consenso necessário.
Relembro que a Igreja cristã ortodoxa ainda está em cisma com a Igreja de Roma por causa da questão do "filioque" no Credo... Se se fazem cismas por detalhes teológicos como este (que é mesmo um detalhe menor), acho surpreendente que, perante uma questão tão fulcral como a divindade de Jesus, o Concílio de Niceia não se tivesse partido em dois, e não tivesse originado imediatamente um cisma irreversível. Os bispos levavam estas coisas muito a sério. Mesmo os bispos hereges dificilmente renegavam as suas ideias, de tal forma as viviam intensamente.
Supor que, na mentalidade do bispo profundamente devoto do século IV d.C., este cedesse a hipotéticas chantagens do bispo de Roma, face ao pecado gravíssimo de cometer um erro de doutrina, manchando o legado de Cristo e ofendendo a Sua Divina Pessoa, é no mínimo risível. Os bispos em Niceia não estavam como estão hoje os deputados na Assembleia da República!
Para terminar, cara Senhora das Tempestades, nada tenho contra as suas intervenções discordantes das minhas, desde que isto seja recíproco.
Cumprimentos às duas!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 15 de setembro de 2004, às 19:50
Enjoyed reading your posts.
Afixado por financial assistance em 27 de setembro de 2004, às 22:05
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce!...
Afixado por Dan Brown em 18 de outubro de 2004, às 03:34
Vinha a passar e eis que deparo com este sítio. Como sou curioso, não resisti a uma leitura e eis que deparo com manifestações de opinião que, não maior parte das vezes os «opinistas» consideram como verdades absolutas aquilo que aqui vão debitando.
Por isso, devo aqui esclarecer que o evangelho de João, apesar de ser atribuído a João, não tem prova credível que o tenha sido, antes pelo contrário. Este evangelho (para mim, o melhor e, provavelmente o único que relata "in loco" a vida de Jesus, por um seu discípulo ou seja o discípulo que Jesus amava) despido de todos os dogmas que ensombram os outros (basta ver que não fala em milagres mas antes em sinais e não se refere numa única linha à infância e ao nascimento sobrenatural do Mestre), foi seguido e estudado pelos Gnósticos (verifiquei que o termo "gnóstico" não é muito querido neste sítio. Não entendo porquê. Não será a gnose símbolo de conhecimento?). Se analisarmos bem, a construção literária do evangelho mostra que o seu autor não podia ser um mero e iletrado pescador (No princípio era o Verbo... é um dos trechos mais belos de toda a Bíblia) mas alguém, judeu, sem dúvida, com muito conhecimento e e altamente místico. E mais: alguém que deve ter esperado por Jesus (Se eu quero que ele fique, que te importa a ti? Segue-me tu). Tão místico que nos informa que 3 vezes o Mestre perguntou a Pedro "Pedro tu amas-me?" e Pedro três vezes responde. "Senhor, tu sabes que gosto de ti". Ora, todos sabemos que gostar é diferente de amar. Pedro construiu a Igreja. Mas a igreja amará Jesus? Quem tiver ouvidos que oiça. Mas o misticismo não termina aqui. Outras tantas passagens falam-nos de Jesus extraordinariamente mistico. "Eu sou a porta", "Eu sou a Luz", "Eu sou a água viva", ensinamentos tão ao gosto dos gnósticos. Sim! Quem tiver ouvidos que oiça. "Eu dei-vos a palavra do pai mas vós não entendestes nada". Eu tenho-me esforçado por ganhar ouvidos. E vós?
Afixado por JotaEsse em 30 de outubro de 2004, às 00:02
Caro Bernardo, fico meio espantado com a idéia de um Deus que se divide e que manda uma parte sua para sofrer em nome de uma humanidade. Pior ainda, numa Igreja que intitula uma mulher (Maria) de mãe de Deus. Deus é inascido, imorredouro, infinito e Supremo. Creio que as Leis de Deus já se bastam e são imutáveis. O resto é conseqüência destas Leis. Quanto a Jesus, creio-o o espírito mais iluminado de todos por quanto aqui passaram e que nos deu a clara visão de que também podemos e devem os evolver ao ponto de alcançar o Céu dentro de nós. Me responda, por favor a estas colocações. Sou médico no Brasil, professor universitário e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Goiás. Abraços fraternos do Leonardo Mendes Cardoso
Afixado por Leonardo em 28 de dezembro de 2004, às 15:49
Caro Bernardo, fico meio espantado com a idéia de um Deus que se divide e que manda uma parte sua para sofrer em nome de uma humanidade. Pior ainda, numa Igreja que intitula uma mulher (Maria) de mãe de Deus.Como pode Deus ter tido uma mãe? Deus é inascido, imorredouro, infinito e Supremo. Creio que as Leis de Deus já se bastam e são imutáveis. O resto é conseqüência destas Leis. Quanto a Jesus, creio-o o espírito mais iluminado de todos por quanto aqui passaram e que nos deu a clara visão de que também podemos e devemos evolver ao ponto de alcançar o Céu dentro de nós. Me responda, por favor a estas colocações. Sou médico no Brasil, professor universitário e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Goiás. Abraços fraternos do Leonardo Mendes Cardoso
Afixado por Leonardo em 28 de dezembro de 2004, às 15:52
