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agosto 31, 2004

Sobre a gnose cristã...

Antes de principiar, queria deixar aqui um agradecimento profundo ao meu amigo Rama Coomaraswamy, sem a ajuda do qual eu nunca teria tido acesso ao texto que abaixo transcrevo.

Queria deixar umas breves linhas sobre a questão da gnose cristã, ou seja, do facto do Cristianismo ser uma via de Conhecimento, sem que isso implique qualquer tipo de nuance herética (vulgo "gnosticismo"). Obviamente, tratar correctamente este tema complexo exigiria conhecimentos que não possuo e um espaço que não se adequa à natureza de um blogue.

René Guénon é o intérprete ocidental moderno mais competente em matérias de rigor doutrinal (qualquer que seja a doutrina tradicional) e de simbolismo tradicional. Contudo, René Guénon não era perfeito (nenhum homem o é), e a sua obra, nalguns aspectos, deixa transparecer esta imperfeição.
A sua maior falha, para aqueles que conhecem a sua obra, é relativa ao Cristianismo, mais concretamente ao Catolicismo. Segundo Guénon, o Catolicismo, pelo menos desde a Idade Média, deixou de oferecer vias autênticas de iniciação. Guénon afirma mesmo que a Metafísica total está practicamente ausente do pensamento católico, e se os escolásticos recuperaram alguma da Metafísica de Aristóteles no auge da intelectualidade medieva, Guénon não deixa de afirmar que a Metafísica exposta pelo próprio estagirita estava já eivada de limitações, sobretudo no que diz respeito ao facto de Aristóteles não considerar o Não-Ser (Guénon afirma isto num contexto doutrinal hindu, mais concretamente do ponto de vista shivaíta do "Advaita Vedanta", ou seja, "Vedanta da Não-Dualidade"), ficando-se então por uma Metafísica fundada apenas no Ser, que segundo Guénon, não diverge muito de uma simples ontologia. Segundo Guénon, esta limitação no que toca a temas metafísicos, que segundo ele é uma limitação da própria cultura ocidental, faz com que a Teologia católica fique fortemente limitada a um domínio ontológico, não alcançando a transcendência metafísica total (por exemplo, a presente no "Advaita Vedanta" hindu, ou no Taoismo).

Qual é então o problema em questão, para resumir?
É que os católicos, que ganham muito com a obra de Guénon (que lhes oferece segurança e rigor em matérias de doutrina e inigualáveis paralelos entre a doutrina católica e as restantes doutrinas tradicionais), ficam sempre aparentemente "a perder" no que toca a um seguimento das ideias de Guénon. Porque o próprio Guénon não confere ao Catolicismo um valor igual ao que confere, por exemplo, ao Islamismo, ao Taoismo, ou ao Hinduismo.

É então que são sábias as palavras de alguns dos comentadores de Guénon, entre os quais quero destacar o budista (nascido no Ocidente) Marco Pallis, que com este breve trecho, traz uma luz valiosa a esta questão delicada da gnose cristã e do legado guénoniano:

"Once one recognizes the integral character of Christianity, it becomes legitimate and useful to deliberate on the particular modalities of this tradition. It is clear, for example that Christian spirituality, while in no way excluding any intellectual quality, remains in general of a bhaktic nature. It is a “Way of Love” comparable under certain aspects to Vaishnava spirituality in Hinduism. - Its own perfect spirituality and originality, it is useless to stress, is in no way compromised by this comparison. But the end of Christian Gnosis corresponds in a general manner to what the Hindus designate as parabhakti, Transcendent Love, which as such rejoins the Way of Knowledge at the precise point where were it is no longer possible to distinguish one from the other. Having come to this point one can freely admit that the Christian religion cedes nothing to the other religions with regard to the number and the degree of eminence of her saints, those who like Master Eckhart or St. Denys the Aeropagite, which conform to the type of sage that one would call a pure jnanins, are comparatively few. And this is as one would expect in a section of humanity where the contemplative element is much less in evidence than the active element. However, the number attributed to each of these genres in no way affects the question of qualification and in every manner the sanctity a very high degree of intelligence is implied, even though the nature of realization of each person can be different on one or the other specific point." - Marco Pallis, "Supplementary Notes on Christian Initiation".

Os interessados poderão pedir-me este artigo por mail, que é extenso, mas que permite uma melhor percepção do tema tratado e dos fortes argumentos de Marco Pallis. A leitura deste artigo tão elucidatório permite, desde logo, erradicar os ataques perpetrados contra a obra guénoniana por católicos que afirmam que Guénon propagou a heresia gnóstica.

Distinguir "gnosticismo" de "gnose cristã" é uma tarefa fundamental na mente de qualquer católico simpatizante com a obra de René Guénon.

Assim, atiram-se facilmente para as urtigas as patetices ressaibiadas emitidas por alguns personagens anti-Guénon que, mesmo praticando um genuíno esforço em defesa da doutrina católica, pisam injustamente a obra de Guénon devido a uma fortíssima incompreensão, não só do alcance do legado guénoniano, como também (e o que é mais importante) das essenciais nuances relativas às imperfeições da obra de Guénon, e das ilacções que se devem tirar a este respeito.

Afixado por Bernardo Motta às 21:59 | Afixadelas (13)

Declaração Formal

Tenho de dizer isto. Desculpem mas morro se o não digo! É curtinho e podem já passar à frente. Amigos, o Afixe pode ter muitos defeitos, não direi o contrário, mas aqui NUNCA, NUNCA, NUNCA, NOS ABORRECEMOS!!!!!!!!! Já viram o que esta gente irrequieta fez em cinco meses? Zangas, saídas, entradas, reentradas, zangas para fóra, zangas internas, convites a outros blogs, grandes declarações de amizade, defesas de amigos, prendas a amigos que fazem anos ou se casam, outros amuos, reconciliações, tudo isto num ritmo constante e com cada um de nós em gozo de merecidas férias.
Onde já se viu esta energia? ( não estejam cá com ideias que é tudo expontâneo, natural, puro, o que cada um cultiva no quintal é segredo)

Afixado por Emiéle às 20:33 | Afixadelas (13)

Ó Emiéle! Cliente na mesa da 2.ª cave...

Vê lá se vais lá abaixo ao post das danças de salão, está lá uma cliente a falar de Quickstep e ainda não foi atendida.

Afixado por Gibel às 19:39 | Afixadelas (3)

Tremai! Tremai! Tenhai muito medo!


A propósito do barco das mulheres-em-ondas (isto traduzido até parece inofensivo - Satanás tem destas artes para perder as almas!) o Comandante Supremo das Forças Armadas, vulgo Presidente da República, pediu explicações ao Governo ...

Querem ver que depois ainda vamos ter de gramar com uma semana de consultas intensas à gente grada do informal Senado da República?! Irra!

Afixado por Gibel às 19:33 | Afixadelas (3)

O Sol já se escondeu...

Precisamente quando, feliz, eu desatei a cantar. (Só por feliz eu cantei).

Agora quero acabar,
que já me dói a garganta
mas vou ainda cantando,
temendo
dar por mim de novo triste
assim que esteja calado
(...Como se a minha Alegria
nascesse de eu ter cantado).

Sebastião da Gama

Afixado por Rogério C. Pereira às 18:00 | Afixadelas (3)

Poeta castrado, não!

Serei tudo o que disserem Por inveja ou negação: Cabeçudo dromedário Fogueira de exibição Teorema corolário Poema de mão em mão Lãzudo publicitário Malabarista cabrão. Serei tudo o que quiserem: Poeta castrado, não!

Os que entendem como eu
As linhas com que me escrevo
Reconhecem o que é meu
Em tudo quanto lhes devo:
Ternura como já disse
Sempre que faço um poema;
Saudade que se partisse
Me alagaria de pena;
E também uma alegria
Uma coragem serena
Em renegar a poesia
Quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
A força que tem um verso
Reconhecem o que é seu
Quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
-É tão vulgar que nos cansa-
Mas que dizer de uma bala
Num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
-a morte é branda e letal-
Mas que dizer da memória
De uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
O poema dia a dia?
-Um bisturi a crescer
Nas coxas de uma judia;
Um filho que vai nascer
Parido por asfixia?!
-Ah não me venham dizer
Que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
Por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
Falso médico ladrão
Prostituta proxeneta
Espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

Ary dos Santos

Afixado por Rogério C. Pereira às 17:56 | Afixadelas (7)

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Afixado por Gibel às 17:50


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Afixado por Gibel às 17:16 | Afixadelas (2)

Ter razão?

Seguindo um conselho do Cachucho do Blog Enresinados, fui ler um texto lá postado. E daí surgem várias reflexões. Evidentemente que quando uma pessoa tem uma opinião e a dá a conhecer, está certa da sua razão. Porque nos outros casos faz perguntas, pede conselhos. Dizia-me há 2 dias uma amiga que me conhece desde sempre, que o meu estilo é fazer 50.000 perguntas, pedir todas as opiniões possíveis, e...depois fazer o que tinha decidido desde o início. Todos rimos, porque ela tem uma certa razão. Mas este é o MEU estilo. Cada um de nós tem o seu. Eu gosto de ouvir o que os outros pensam, mas de facto raramente me fazem mudar.
O pior é que muitas vezes a razão “sente-se”. Há quem SINTA que tem razão por mais lógicos que sejam os argumentos contrários. É muito complicado. Trata-se do caso em que a pessoa se diz “vencida mas não convencida”. Quem nunca passou por isso? E é mesmo nesses casos que se torna mais difícil dar razão a quem está a argumentar connosco. Porque vai contra o nosso instinto. Uma coisa é a Razão, respeitável, lógica, fria, e outra o poder não “Ter razão” mas sentir como se a tivesse. É difícil.
Creio que o “deixar cair” o tema que nos irrita e onde “sentimos” que estamos a perder o pé, é uma estratégia. De calhar, tempos depois a coisa tem outra forma, ou deixou de ser tão grave. Pelo menos comigo, resulta.
Enfim, divagações sobre o TER, o SER e o SENTIR. Parece que estamos a entrar no campo da filosofia. Isto é cá um blog erudito, heim?

Afixado por Emiéle às 14:41 | Afixadelas (9)

Porque cada coisa deve apenas ter a importância que tem II

Como é óbvio, já esperava esta decisão do Gibel e estava só à espera que ele a tomasse para a seguir. Por motivos óbvios e que têm ramificações na fundação deste blogue, também eu me despeço, até à volta do Gibel.

Monty

Afixado por afixe às 12:12 | Afixadelas (12)

Porque cada coisa deve apenas ter a importância que tem

Vou dar uma volta ao bilhar grande. Não sou de decisões definitivas, quando as coisas têm pouca importância. Mas por agora não me apetece andar por aqui. Só não fiz este post ontem porque queria dormir sobre o assunto. Feita a dormida, não mudei de opinião. Despeço-me com amizade, como dizia o outro.

Afixado por Gibel às 12:00 | Afixadelas (6)

Que descanso !

Através do BdE fui dar a esta espantosa informação . Vivam as virtualidades do virtual !!!
Achei o máximo da comodidade. Não vou querer outra coisa. Já chega de jogos de computador sempre iguais e previsíveis. Estes também serão previsíveis, é claro, mas dá para variar.
Obrigada, Jorge Palinhos pela informação.

Afixado por Emiéle às 11:55

O novo ano lectivo

Leio no Blog Teacher, um post chamado Transumância que nos chama a uma realidade muito grave, que todos os anos se repete no nosso país. Existe de facto uma profissão de transumantes, os nossos professores. A história contada ali é apenas uma, mas sabemos que representa milhares de casos. Como é que ainda não se descobriu uma solução para a colocação de professores? Não apenas do ponto de vista desses professores e suas famílias, também para os estudantes. Depois de terem conhecido um professor um ano, recomeçarem no ano seguinte a mesma dança nupcial com um outro desconhecido, é claramente anti-pedagógico. Eu não sou professora, mas vivo em Portugal, e não posso, não consigo ficar indiferente. Não posso acreditar que não exista uma solução menos traumatizante do que esta. Para TODOS.


(imagem katia.cabaretvoltaire.com/)

Afixado por Emiéle às 03:36 | Afixadelas (2)

Mortos : 100.000

Por enquanto! Dizem-me que O prazo do ultimatum da ONU ao Sudão está a terminar. Hoje. Que na 5ª feira Kofi Annan vai fazer o ponto da situação. Ou seja, a tal situação está na mesma, parece que “o ponto” não mudou. O que eu entendo é que aqueles desgraçados morrem que nem tordos e o mundo a pensar... Pelo que se vai lendo o “ponto da situação” são umas operações de cosmética para limpar alguma porcaria. Ia escrever “branquear o caso” mas pareceu-me de mau gosto.
Enfim, como diziam os documentários, há séculos, “assim vai o mundo”.

Afixado por Emiéle às 03:06

Para pensar

Porquê? Porque será que O número de candidatos aos cursos das academias militares
voltou [....]a exceder largamente o número de vagas abertas

Que na Força Aérea para 47 vagas surgissem 711 candidaturas, para mim faz sentido. O curso de aviador, tem um certo fascínio, mais tarde talvez possam passar para a aviação comercial, e é uma boa entrada. E, vá lá, a Marinha também entendo. Candidaturas 543 para 79 vagas. Imagino que motivos idênticos. Agora para o exército, na sua expressão mais clássica, haver 1.191 candidatos? Para 99 vagas? O que levará a nossa juventude a procurar uma carreira militar, faz-me mesmo pensar. Bem sei que há falta de saídas profissionais, mas também não é caso para tanto!

Afixado por Emiéle às 02:44 | Afixadelas (9)

“Sete Palmos de Terra”

Quando passou na TV, por motivos vários, não consegui ver senão 2 ou 3 episódios desta série. Os que vi fizeram-me ter pena de não a ter seguido como devia e agora mão amiga emprestou-me para as férias os cinco DVDs com 13 episódios. E a verdade é que os vi de enfiada, só ia parando para deixar “arrefecer” o leitor de DVD, que ao fim de algumas horas estava tão quente que receei que se estragasse... Foram quase sete horas. Uma maratona.
Só para confirmar que é uma magnífica série. Excelentemente interpretada, e com vários temas, qual deles o de maior interesse. Claro que o tema-base só podia ser a Morte, uma vez que é a história de uma família cujas várias gerações se dedicam à profissão de agentes funerários. Mas afinal trata-se é de Vida. Uma personagem no último episódio pergunta “Para que existe a morte?” e é-lhe respondido “Para a vida ter valor.” O que tem todo o sentido.
E se cada episódio começa com uma morte, ela torna-se familiar, até porque nestes funerais os corpos são embalsamados e isso é um trabalho onde tem de existir distância, para se manter a saúde mental. E na família centro da história, os problemas focados são da maior relevância e actualidade. A mãe de família, bem comportada, dona-de-casa exemplar, que já com mais de 50 anos teve um affair de que se culpabiliza profundamente. Mas com a morte do marido volta a viver e a sentir-se desejada e bem consigo. O filho mais novo, gay escondendo-se e vivendo o seu caso com muita vergonha. O irmão mais velho que só volta a casa porque o pai morre e tinha a dor de pensar ter sido uma decepção para ele... Rapaz de ligações leves, que se desinteressa pelas mulheres quando elas correspondem, só desejando o que não tem, até ter encontrado “a tal”. E esta “tal”, figura sensacional, filha de 2 psiquiatras ( muito maltratados, os pobres!) mulher cheia de força, que suporta o peso imenso de uma família de doidos. A irmã adolescente, jovem criada numa casa que é simultaneamente uma Agência Funerária, casa onde na cave, muito asséptica, se fazem os embalsamamentos. E todos os romances cruzados dos diversos namorados – os gays, o adolescente apanhado pela droga, os homens de meia-idade – é um painel interessantíssimo do nosso tempo.
Bom, se a TV voltar a passar, não percam a série. É mesmo excelente.

Afixado por Emiéle às 02:20 | Afixadelas (4)

agosto 30, 2004

Se bem me lembro do que aprendi na faculdade...


"A acção punível dolosa percorre diversos graus desde que surge a primeira ideia de cometer o crime até à sua culminação: um caminho mais ou menos longo (iter criminis) que vai desde a decisão de cometer o crime até ao seu esgotamento, passando pela sua preparação, começo de execução, conclusão da acção executiva e produção do resultado. A mera resolução de realizar um tipo-de-ilícito não é punível, uma vez que o direito penal visa proteger os bens ou valores fundamentais da comunidade social, interesses socialmente relevantes, e já não tutelar qualquer moral. O que se compreende, uma vez que os actos preparatórios não são, como se viu, descritos no tipo e que só se justifica a sua punição quando estão em jogo bens jurídicos que sejam suporte à natureza ou à própria compreensão de um Estado de Direito e, por outro, na dimensão interna, quando houver já um plano do crime e uma intenção definida. Abdicar, neste ponto, do momento interno seria eventualmente consentir que pela porta dos actos preparatórios se viessem a punir injusta e persecutoriamente todos aqueles que, por razões (in)confessadas, não partilhassem a mesma tábua de valores das instâncias que em determinado momento detivessem o poder político." [Juízes Leal-Henriques e Simas santos, anotação ao art.º 21.º do C. Penal]

Conferir ainda, no mesmo sentido:
- Prof. Giulio Battaglini, Teoria da Infracção Criminal;
- Prof. Faria Costa, Formas do Crime;
- Prof. Figueiredo Dias, Sumários de Direito Penal.

Meu querido amigo Monty,

conheces bem a minha posição filosófica em relação ao aborto. Não é isso que esteve em causa no meu post. Limitei-me a fazer a estrita interpretação e aplicação do direito. Tal como ele É e não como queremos que ele seja. Estás perdoado por me teres acusado de fazer uma interpretação intelectualmente desonesta e de ainda me teres acusado de, pelo facto de pela minha (e nossa) profissão saber dominar os conceitos, ter feito um uso subversivo e demagógico dos mesmos.

Ora pensa lá bem e vê lá se podes ler o direito de outra forma. Juridicamente, vê lá de desconstróis a minha argumentação e provas que estou errado. É que se há ramo do direito onde pela sua severa natureza e implicações não se podem fazer interpretações abusivas, arbitrárias ou intelectualmente desonestas, esse ramo do direito é o Direito Criminal. Mesmo quando a interpretação de um regra criminal gera duas soluções normativas possíveis, sabes bem que se tem de optar por aquela que é mais favorável ao presuntivo agente do crime.

abraço fraterno

PS - se quiseres partir para o duelo, sabes que prefiro a esgrima e como arma escolho o sabre.

Afixado por Gibel às 18:07 | Afixadelas (19)

Voltando ao assunto do aborto…

Não queria escrever sobre isto, neste ponto concordo com o Monty: o assunto já foi por demais debatido, até à náusea, mesmo, e quem tem uma opinião já não a muda. Ainda pensei em deixar só um comentário no post do Monty, mas depois achei que seria demasiado longo. No entanto, não resisto a escrever porque, sinceramente, acho que a discussão aqui no blog, como a maioria das discussões sobre o assunto, começou com o pé errado, ou com os pressupostos errados. As frases iniciais do post do Monty são traiçoeiras, e podem dar a entender algo que ele na realidade parece que não quis dizer - embora tenha estado quase lá… Por causa disso, não resisto a dizer qualquer coisa a propósito do post dele.
A verdadeira questão, em meu entender, não é, como a equaciona o Monty e ao que parece a maior parte das pessoas, se se é contra ou a favor do aborto: isso é uma opinião pessoal, totalmente irrelevante para o caso. O aborto é sempre algo de traumático, agressivo, doloroso: dizer que se é a favor do aborto, como se se declarasse uma preferência, é completamente estúpido. Eu não sou contra nem a favor, só espero nunca estar numa situação em que tenha de decidir ou não fazer um. Sinceramente não sei o que decidiria, e só a hipótese de ter de decidir me assusta. Suponho que todas as mulheres sentem o mesmo, e só consigo sentir uma profunda piedade por todos aqueles que afirmam que, se se despenalizasse o aborto, este se tornaria um método anti-concepcional – é preciso ter uma ideia muito má das mulheres, que digo eu, da humanidade em geral, e quem pensa assim só pode ter sofrido profundamente e precisar urgentemente de terapia para arrumar a cabeça, ou ser completamente idiota. Mas adiante…
Descartada a questão que não interessa, passamos à que realmente interessa, e que é saber se se é contra ou a favor (agora sim) a penalização, ou criminalização do aborto. Reparem que são duas questões completamente diferentes: uma coisa é perguntar se se devem (ou não) fazer abortos (e esta questão, como já disse, acho que nem deve ter resposta), outra coisa é perguntar se quem os faz deve (ou não) ser punido por ter cometido um crime. Nunca é demais realçar a diferença entre as duas coisas… Acho que as pessoas nunca a compreenderam. Arrisco mesmo mais: acho que o resultado do referendo sobre o aborto foi o que foi porque as pessoas não a fizeram. Porque, mais uma vez, a (des)informação que antecedeu o referendo alterou a percepção daquilo que estava em causa… E lá foram os portugueses alegremente dizer que eram contra o aborto, sem compreenderem que o que estavam realmente a dizer é que achavam que o Código Penal Português não devia ser alterado.
Identificada a questão, desde já vos digo que, apesar de ter pensado muito sobre o assunto, ainda tenho dúvidas… E se as tenho é precisamente porque sou jurista… Neste ponto, acho que quanto mais se pensa no assunto em termos jurídicos, maior a confusão. Porque aqui a minha parte “legalista” está em contradição com o meu senso comum, o que é sempre grave.

O meu senso comum diz-me que não faz sentido penalizar o aborto, mais, que a penalização do aborto só piora as coisas: por um lado, não evita que ele seja feito (aqui está um bom exemplo de que a penalização de um comportamento não tem efeito dissuasor), por outro, só consegue que quem o faz, além de arriscar a saúde e a vida, ainda esteja sujeito a ir para a prisão, sem que essa estadia tenha outros efeitos para além dos meramente punitivos, quando o nosso sistema de penas se baseia na ideia de reabilitação. Por outro lado ainda, cria um factor de profunda injustiça e desigualdade social: não só apenas são punidas as mulheres que não têm dinheiro para irem fazer o aborto a Espanha, ou a outro sítio qualquer, como dentro desse grupo só são punidas as que têm azar e são denunciadas por alguém que geralmente tem razões dúbias para fazer a denúncia.
O meu lado “legalista” lembra-me dos princípios: que um comportamento deve ser punido como crime quando atenta seriamente contra um valor fundamental. Que o respeito pela vida humana é o mais importante desses valores. Que o aborto atenta contra esse valor e que como tal deve ser considerado um crime. Que os casos em que o aborto é permitido já resultam da ponderação deste valor em relação a outros (neste caso o mesmo, mas relativamente a outra pessoa: está em causa a vida da mãe), e que não consigo imaginar outros casos em que, havendo uma ponderação de valores, não ganhe aquele que a penalização do aborto pretende proteger. Tão simples quanto isto… O meu lado legalista é radical.
Ainda tentei, durante algum tempo, enganar o meu lado “legalista”: andei durante algum tempo fascinada com a teoria, defendida por alguns cientistas, de que tudo estava na determinação daquilo que se considera vida humana. É a vida intra-uterina verdadeiramente vida humana? Se sim, desde quando? O que é que verdadeiramente caracteriza a vida humana, qual o factor distintivo? Se distinguimos o ser humano dos outros seres vivos pela posse de uma série de capacidades que os outros seres vivos não têm, será que só nos tornamos verdadeiramente humanos quando somos capazes de as exercer? Se sim quando é esse momento e como se pode determinar?
Cheguei rapidamente à conclusão que este tipo de teorias não passa de um monte de balelas, e ainda por cima com conotações perigosas… Acho que não preciso de vos mostrar onde podem levar… Seja como for, coloquei-as completamente de parte, bem arrumadinhas na minha gaveta mental intitulada “lixo”.
De qualquer forma, não fiquei, de modo algum, mais perto da solução do meu dilema… Ainda estou à espera do argumento definitivo que venha fazer o meu pensamento pender definitivamente para um dos lados. No fundo, no fundo, não quero deixar o meu lado legalista vencer: o direito deve servir a realidade, e quando não o faz geralmente criam-se injustiças terríveis… Por outro lado, não consigo deixar que o meu senso comum esmague princípios que para mim são fundamentais.
Até lá, porque acho fundamentalmente justo não punir nem culpar ninguém de um comportamento sobre o qual não tenho ideias formadas – ninguém tem culpa da confusão que vai na minha cabeça -, não culpo, julgo, nem puno ninguém – a não ser aqueles que defendem radicalmente um ponto de vista sem conseguirem apresentar argumentos coerentes para o defender e que ainda misturam umas pitadinhas de religião e moral no assunto, só para confundir ainda mais uma questão que já é confusa o suficiente…
Quanto ao caso do barco, não comento por não conhecer os pormenores – devo confessar que não tenho visto o telejornal nem lido os jornais, não tenho tido tempo para nada a não ser trabalhar e dormir. Talvez amanhã…

Afixado por M. Butterfly às 17:27 | Afixadelas (11)

Do aborto e outros assuntos

Eu sabia que este dia havia de chegar, o dia em que eu, por força das circunstâncias, teria de revelar, neste blogue, que sou contra o aborto e, neste caso concreto do Barco do Aborto, que sou contra a entrada do mesmo em águas portuguesas e que portanto concordo com a decisão do Governo - é um choque para mim ter de o dizer por estas palavras porque não esqueço por um segundo o tipo de pessoas com que estou a concordar.

Mas, antes de se perderem em imprecações contra este pobre escriba, leiam estas últimas linhas de um condenado. Quanto ao motivo que me faz ser contra o aborto, fora das condições previstas na lei portuguesa, é discussão por demais gasta e esvaziada. Perfilho alguns dos muitos motivos apontados por aquela direita retrógrada, gasta e demagógica, a que eu não pertenço. Acima de tudo, é uma questão de consciência, com o perdão do recurso ao mui gasto lugar comum. Da mesma forma, assino por baixo da maior parte dos argumentos de quem é favor do aborto. Compreendo-os e aceito-os. Mas não são bastante para me fazerem mudar de ideias.

Em relação ao barco cuja entrada em águas portuguesas o governo proibiu: eu faria exactamente o mesmo. Face à ordem jurídica actual, aceitar a entrada daquele barco, seria um acto absolutamente despropositado e inaceitável tendo em conta a última votação em referendo. Não há que dourar a pílula, tudo o resto é pura demagogia. Não se trata da proibição da entrada de um barco holandês em território nacional. Trata-se, mais que isso, da proibição da entrada em território nacional de uma clínica de abortos a realizar em condições que a lei portuguesa não permite. Tão só e apenas isso. Obviamente, e pelo exposto, não podia concordar menos com o que aqui diz o Gibel. Defender que o que se iria realizar em território português "são meros actos preparatórios do crime de aborto" é, no mínimo, intelectualmente desonesto. E, no fundo, acaba por dar razão a quem impediu a entrada do barco. Peço desculpa, amigo, mas é a minha opinião.

E acreditem, mesmo que a minha posição quanto à questão do aborto fosse diferente, não diria diverso quanto à entrada do barco. Por uma questão de coerência.

Por último, quero deixar bem claro que não há posições oficiais neste blogue e que, como é óbvio, esta é, tão só, a minha opinião. Que, de resto, e segundo me parece, vai contra a corrente predominante (falo em termos puramente estatísticos) aqui do Afixe. Uns e outros, diremos o que nos vai na alma sobre a questão. E talvez seja precisamente isso o que faz deste blogue um caso quase único.

PS - Ainda em relação à questão dos actos preparatórios, devo acrescentar o seguinte, o facto de um acto preparatório de um crime não ser punível, fora dos casos especificados na lei, não equivale a dizer que o Estado português tem de, ou pode, ser cúmplice desses actos, ou equivale? Por isso falei em desonestidade. O gibel domina os conceitos e deu-lhes um uso subversivo e demagógico.

Monty

Afixado por afixe às 11:43 | Afixadelas (90)

O Mistério da Contra-mão nas nossas Auto-Estradas

Que se dêem choques em estradas normais, de 2 vias, é grave, é de lamentar mas compreende-se. Uma ultrapassagem, uma derrapagem, o carro descontrola-se e vai bater noutro que vem em sentido oposto. Mas em vias-rápidas, em auto-estradas, onde há sempre grandes separadores isso só acontece por se ter entrado na estrada já de modo errado. E como é que pode acontecer?
Mais um acidente este, aparentemente sem muita gravidade, mas PORQUÊ?
Já por várias vezes aqui tenho tocado no assunto, que continuo a achar sem explicação. Ou as AE por onde ando são diferentes, ou não entendo que seja possível qualquer confusão. Mesmo as saídas das zonas de serviço têm setas muito visíveis, ninguém se pode enganar quanto ao sentido do trânsito!
Já alguém me disse que por vezes é de propósito. O “viver nos limites”, uma espécie de “roleta russa” do século XXI. Mas nada disto explica o acidente de que fala esta notícia, onde o condutor alucinado foi avisado muitas vezes com buzinadelas, por quem reparava no que se estava a passar.
Como o homem ficou vivo talvez possa responder.

Afixado por Emiéle às 09:40 | Afixadelas (5)

Trabalho Infantil

É sabido que ao falar-se em Trabalho Infantil ocorre de imediato a mais vil exploração, crianças que por esse mundo ( e nos séculos passados) trabalham com enorme esforço para benefício dos seus patrões, que as tratam como adultos quanto a trabalho e como crianças quanto a pagamento.
Mas há um tipo de trabalho que é quase exclusivo dos países desenvolvidos, e esse é até desejado pelos “trabalhadores” – as crianças e adolescentes que fazem espectáculos. Aí é um trabalho “nobre”. É trabalho de luxo. Participar num anúncio que entra em milhares de casas, várias vezes ao dia, é a glória para uma alminha de 8 anos! Entrar numa série, numa telenovela, é passar a ser conhecido e reconhecido. Como resistir a essa tentação?
Contudo isso é trabalho e bem duro. Implica horários especiais, acordar muito cedo ou deitar muito tarde, implica faltar à escola, e sobretudo implica conviver quase só com adultos e assim não se integrar nos grupos da sua idade. É mau. Por mais dinheiro que se ganhe. Por mais “elegante” que o trabalho seja e mesmo que a criança o faça com prazer. Tem de ser maduramente repensado.

Afixado por Emiéle às 09:08 | Afixadelas (2)

Os Jogos acabaram, que venham os Jogos

Acabaram ontem.
«E agora, segundo a tradição, proclamo o encerramento dos Jogos da 28ª Olimpíada e convido a juventude do mundo a reunir-se dentro de quatro anos em Pequim para lá celebrar connosco os Jogos da 29ª Olimpíada» disse o presidente.
Correram muito bem. Lindos espectáculos de abertura e encerramento, e boas provas. Apesar dos medos, sem incidentes. De lamentar, e muito, o distúrbio que prejudicou a maratona, prova simbólica, violenta pelo enorme esforço mas sempre emocionante, onde Portugal ainda se classificou num lugar honroso. Sem a intervenção daquele louco o Brasil teria ganho a prova. (Não se pode criar uma medalha de prata-dourada para situações onde o atleta seja prejudicado?)
E agora Pekin.
Confesso que estou muito curiosa. É um povo com enorme capacidade, quer de organização quer de trabalho, e uma cultura tão distante da ocidental, que pode ser fascinante. E dentro de 4 anos podem estar mais abertos... Pode ser... Mas...

Afixado por Emiéle às 08:47

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Afixado por Gibel às 00:23 | Afixadelas (2)


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na botica

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vai um lencinho?

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agosto 29, 2004

E o Comentário do dia na blogosfera pertence a ...

...Santa Cita! Que no estaminé do Daniel Oliveira opinou e passamos a citar:

Quando a discussão chega a isto é premente dizer, como fazia o grande Chico Negrinha: Oh Ilda! Não asses mais carapaus fritos que me doem os calcanhares.

Afixado por Gibel às 23:41 | Afixadelas (3)

A Tate e a mulher da limpeza

obra de arte.jpg

Esta é a """""""""obra de arte"""""""""" (não há aspas que cheguem!) de Gustav Metzger classificada por algum intelectual onanista como expressão de uma certa arte autodestrutiva. Bendita mulher da limpeza. Como lembra o Waldorf dos Marretas, nada como uma alma simples para avaliar correctamente uma obra de arte como esta.

Afixado por Gibel às 23:02 | Afixadelas (2)

Falhou o Barco? Vá a Barcelona e diga que foi ao fórum 2004!

CLÍNICA TUTOR MÉDICA - C/ Berguedà, nº 19 - BARCELONA - SPAIN
Teléfono (00 34) 93 419 26 26

Técnicas usadas en Clínica Tutor Médica para la práctica de abortos:

- Hasta la 10ª semana, la interrupción del embarazo se realiza por aspiración, bien con anestesia local, sedación o general.
- Desde la 10ª a la 13ª semana el aborto también se realiza por aspiración, pero variando un poco la técnica. Se puede realizar con anestesia local, sedación o general.
- De la 13ª semana a la 15ª semana los métodos utilizados son los de aspiración con ligeras modificaciones en la técnica de aspiración simple con unas cánulas especiales o el de D&E, a criterio del ginecólogo, según la valoración previa. Se recomienda anestesia general o sedación.
- Desde la semana 15ª hasta la 18-19ª , depende de la valoración ginecológica que se realiza en cada caso (estado del cuello del útero, nº de hijos, edad, etc.). La técnica utilizada es la de Dilatación y Evacuación (D&E). Nuestra experiencia ha demostrado que es la menos lesiva y la más rápida para la mujer, siempre y cuando la realicen manos expertas. Siempre con anestesia general o sedación, salvo expresa contraindicación.
- A partir de las 19 semanas, la intervención se realiza en dos fases: En la primera se colocan elementos para producir una lenta dilatación del cuello uterino, se esperan unas horas y se practica una D&E : así se consigue evacuar el contenido uterino con más facilidad y asumiendo menos riesgos, cosa importante en las semanas más avanzadas de la gestación. Se realiza siempre con anestesia general o sedación intravenosa.

Afixado por Gibel às 22:41 | Afixadelas (1)

"A bagagem do viajante"

"O itinerário que resultou deste périplo foi tudo menos linear. Ao refazê-lo com um lápis sobre o mapa do mundo, dir-se-ia ter sido inspirado num cardiograma; poderíamos considerá-lo a odisseia de um Ulisses ébrio; ou a vingança de um geógrafo anarquista que recusa a tirania planetária dos meridianos e paralelos."

Gonçalo Cadilhe, in "À volta do Mundo por terra e mar" - Única.

Dezanove meses e trinta e oito países depois, Gonçalo Cadilhe regressou a Portugal. O relato, para já, ficou nas páginas da Única ao longo de 85 crónicas. Agora, que venha o livro.
Parabéns, Gonçalo!

Monty

Afixado por afixe às 16:41 | Afixadelas (1)

Um furinho no pneu...

Aqui há uns tempos, num post lá muito para trás, lamentando-me de um dia particularmente azarado quanto ao carro, terminava a dizer “O que mais me falta ainda? Talvez um furo...”
Ora pronto. Para que não me faltasse nada, os Deuses ouviram-me, e cá apanhei o furinho no pneu. Ontem, ao lusco-fusco, passei por cima de um buracão, e disseram-me “Se calhar fizeste um furo”. Ora, que ideia, achei eu. Voltei para casa, estacionei e hoje ponho-me em andamento. Ao andar um bocadinho sinto o carro esquisito. Fui ver, e lá estava, pneu em baixo! É coisinha simpática. Até porque a parte teórica, domino bem, mas a minha força física não é lá grande coisa. E aquelas porcas, apertadas à máquina, mesmo com a chave em cruz, e mesmo pondo o meu peso todo, aquilo mal mexe... Felizmente que isto é uma aldeia, eu sou conhecida, e apareceu socorro.
A primeira parte passou. Tenho agora 3 pneus normais e um enfezadinho, que parece tísico, com uma barra amarela, e não me inspira grande confiança. Mas enfim, agora são assim, já não é como era dantes que um carro tinha 5 pneus iguais. O pior é a segunda parte. Naturalmente que tenho de arranjar o furo, mas onde? Bombas de gasolina há muitas mas só fornecem a dita. Há uns mecânicos jeitosos, que “desenrascam” umas avarias, mas não tratam de pneus. E havia uma casa da especialidade... Pois, mas fechou o mês de Agosto!

PS- Olhem que aquele não é o meu carro!

Afixado por Emiéle às 13:42 | Afixadelas (2)

E ainda sobre limpeza

Há uns tempos colaborei na feitura de um livro e no respectivo lançamento. O livro vivia fundamentalmente da fotografia de um fotógrafo bastante conhecido. Para o lançamento a editora queria um pequeno filme sobre o tema e eu pedi ao dito fotógrafo diapositivos que pudesse aproveitar para em conjunto com imagem real poder elaborar o filminho. O fotógrafo, pessoa de não muito bom feitio, lá me emprestou um dossier com umas centenas de diapositivos para escolha, com recomendações de que eram únicos etc, etc,. Ciente do tesouro lá fui para o meu gabinete para escolher o mais rapidamente possível o que queria e devolver ao dono o resto. Para fazer altura e ter, na falta de caixa de luz, forma de mirar os diapositivos virei o caixote do lixo do avesso meti os pés em cima do dito, o dossier no colo e lá fui fazendo a escolha. Um tempo depois chamaram-me para uma reunião e eu coloquei, em cima do caixote voltado, o dossier pensando ser coisa rápida. Não foi. Durou horas e foi chata o que fez com que, à saída, eu estivesse já farta, cansada e morta por vir para casa e rapidamente enfiei o casaco fechei a porta do gabinete e marchei sem me lembrar que a senhora da limpeza podia achar, como fez, que um caixote de lixo ao contrário, com um dossier em cima, com uma capa tão resistente que até dava para a escola do filho não era propriamente a mesma coisa que um caixote do lixo na sua posição normal com coisas dentro. Reflexão tardia. Quando, na manhã seguinte, retirei dos caixotes do prédio diapositivos cheios de cascas de ovo, tive de explicar ao autor, cada vez com mais mau feitio, o que se tinha passado.
Nem lhes digo quanto é que paguei por isso. Mas que trabalhei naquele livro e no seu lançamento com um enorme prejuízo podem crer.
A.B.

Afixado por Emiéle às 12:05 | Afixadelas (1)

Ainda o lixo

Roubado ao Blog LUA


(Obrigada Lua)

Ele há lixos e "lixos", não é?

Afixado por Emiéle às 10:24 | Afixadelas (5)

Empregadas de limpeza

Numa segunda leitura pelos jornais, onde não encontrava nada de interessante, tropecei nesta história divertidíssima! «Funcionária da Tate Gallery deita obra de arte ao lixo »
Mas como é que a pobrezita ia adivinhar que um caixote de lixo, não era um caixote de lixo? Mais a sério, penso que as pessoas encarregues de manter a limpeza de certos locais deviam ou ser acompanhadas por quem entende do que ali está, ou terem outra formação.
Já em tempos aqui contei que a senhora que limpa o gabinete onde trabalho deitou para o lixo um poster por que eu tinha grande estimação, justificando que o evento de que lá se falava já tinha decorrido há uns anos e estava ultrapassado...

Afixado por Emiéle às 10:10 | Afixadelas (4)

Women On Waves

Já aqui foram postados 2 textos do Gibel, que creio darem espaço para bastante reflexão e estão abertos a comentários. E eu sei que não venho acrescentar nada de novo, mas também me custava não dizer nada neste momento.
Não se põe em dúvida que a vinda deste barco é publicidade. Assim como os navios da Greenpeace também não iam resolver os problemas que se põem a nível da ecologia este não vem resolver o problema do aborto clandestino. Ponto final. E exactamente por isso é que esta atitude histérica do governo é mais absurda. A Irlanda e Polónia tiveram mais bom-senso. Os nossos quatro ministros que estão a tratar do caso não podem fazer mais publicidade do que aquela que o Women on Waves desejava !
E depois o absurdo: A nossa legislação permite a interrupção da gravidez até às 12, 16, ou 24 semanas, conforme os motivos. Aqui, no barco, a pílula que fornecem é dada para casos até às 6 semanas e meia. Reparem que é metade do tempo mínimo que a nossa lei permite! O que justifica este barulho todo? A questão de princípio, é claro. E a hipocrisia que tudo isto cobre! Um aborto nunca se faz sem grande sofrimento. Não passa pela cabeça de ninguém (como às vezes tenho ouvido) que seja um método anticoncepcional. É-o feito em desespero de causa, porque alguma coisa falhou. Claro que há excepções, e tenho ouvido raparigas a dizerem coisas idiotas e com isso a prestarem um péssimo serviço à causa que julgam defender. Mas na sua esmagadora maioria, as muitas mães de família que tiveram de recorrer ao aborto, fizeram-no com grande sofrimento psicológico. Nem querem falar nisso, que é uma ferida viva. Haja respeito, haja tolerância, haja compreensão.

Afixado por Emiéle às 09:31

Oh, the SHAME of it...!

Adoro esta imagem. Roubada, com a devida vénia, ao vitriolica webb's ite.

Monty

Afixado por afixe às 01:07 | Afixadelas (8)

agosto 28, 2004

Estreou há 154 anos

LohengrinKarlMomen.jpg

No teatro Gran-Ducal de Weimar, a belíssima Ópera "Lohengrin" de Wagner. Desde então, muitos têm dado o nó ao som da sua marcha nupcial.

* Lohengrin, pelo pintor Karl Momen

Afixado por Gibel às 22:18 | Afixadelas (1)

Para bom entendedor - II

Independentemente do que eu pense sobre a formulação jurídica da criminalização do aborto de acordo com a lei portuguesa - que me parece obsoleta - e de achar, por outro lado, que o projecto women on waves é uma mera manobra mediática, armadilha na qual o Governo está a caír que nem um patinho ao agir como age - com desonestidade legal vitimiza e dessa forma ainda confere mais mediatismo nos media estrangeiros a quem pretende justamente essa projecção - merece um comentário a seguinte posta de Rui A. no blasfémias:

A liberdade de circulação e permanência em território da União não desobriga os seus beneficiários de se furtarem ao cumprimento da lei nacional dos Estados comunitários onde se encontrem. No caso vertente, da criminalização de práticas abortivas..

Correcto, se sob a jurisdição portuguesa pudessem ocorrer as tais práticas soberanamente criminalizadas. Sucede que o que iria/ ou vai ocorrer em território Português são meros actos preparatórios do crime de aborto. Dispõe o art.º 21.º do Código Penal:

Os actos preparatórios não são puníveis, salvo disposição em contrário.

As únicas disposições em contrário são as preceituadas pelos artºs.:

- 271.º - no âmbito dos crimes de falsificação;
- 274.º - entre determinados crimes de perigo comum: incêndios, explosões, etc.;
- 300.º - organizações terroristas;
- 344.º - crimes eleitorais.

No caso dos denominados crimes contra a vida intra-uterina - artºs. 140.º e ss. do C. Penal - não é expressamente prevista a criminalização ou punibilidade dos respectivos actos preparatórios.

E é de actos preparatórios que estamos a falar. Subjectivamente, envolvem dois elementos: a ideia de cometer o crime e a deliberação. Objectivamente, o crime envolve a preparação (parcialmente em território Português) e a subsequente execução e consumação, em águas internacionais, portanto fora da jurisdição Portuguesa. Note-se que nem sequer estamos perante actos executórios - que já constituem um dos elementos de crime na forma tentada (art.º 22.º do C. Penal) - e, ainda que o fossem, nem tampouco a tentativa de aborto é criminalizada no art.º 140.º do C.P. - a tentativa só é punível, em qualquer crime, quando especialmente prevista - mas apenas o aborto consumado.

Afixado por Gibel às 18:45 | Afixadelas (3)

Para bom entendedor - I

Convenção das Nações Unidas Sobre o Direito do Mar - Montego Bay de 10/12/1982

Artigo 19.°

Significado de passagem inofensiva

1-A passagem é inofensiva desde que não seja prejudicial à paz, à boa ordem ou à segurança do Estado costeiro. A passagem deve efectuar-se de conformidade com a presente Convenção e demais normas de direito internacional.

2-A passagem de um navio estrangeiro será considerada prejudicial à paz, à boa ordem ou à segurança do Estado costeiro, se esse navio realizar, no mar territorial, alguma das seguintes actividades:

a) Qualquer ameaça ou uso da força contra a soberania, a integridade territorial ou a independência política do Estado costeiro ou qualquer outra acção em violação dos princípios de direito internacional enunciados na Carta das Nações Unidas;

b) Qualquer exercício ou manobra com armas de qualquer tipo;

c) Qualquer acto destinado a obter informações em prejuízo da defesa ou da segurança do Estado costeiro;

d) Qualquer acto de propaganda destinado a atentar contra a defesa ou a segurança do Estado costeiro;

e) O lançamento, pouso ou recebimento a bordo de qualquer aeronave;

f) O lançamento, pouso ou recebimento a bordo de qualquer dispositivo militar;

g) O embarque ou desembarque de qualquer produto, moeda ou pessoa com violação das leis e regulamentos aduaneiros, fiscais, de imigração ou sanitários do Estado costeiro;

h) Qualquer acto intencional e grave de poluição contrário à presente Convenção;

i) Qualquer actividade de pesca;

j) A realização de actividades de investigação ou de levantamentos hidrográficos;

k) Qualquer acto destinado a perturbar quaisquer sistemas de comunicação ou quaisquer outros serviços ou instalações do Estado costeiro;

l) Qualquer outra actividade que não esteja directamente relacionada com a passagem.

Afixado por Gibel às 18:02

E agora que as férias estão a acabar...

... é que me sinto bem em férias!
Eu explico. Este ano cometi um erro de palmatória: trouxe trabalho para férias! É coisa que nunca, mas nunca por nunca, se deve fazer! Mas era coisa pequenina, que me apareceu em cima da hora e a que não tive coragem de dizer que não. ESTÚPIDA!!!!
Quando digo que era coisa pequenina, é porque seriam poucas folhas. Mas isso implicava uma síntese incrível. Dizer em 5 linhas um conceito de 2 páginas, dá mesmo muito trabalho, só que depois não “brilha nada”. Tudo pronto são 8.000 caracteres mais coisa menos coisa. Mas o esforço de resumir foi muito maior do que escrever um texto 10 vezes maior! E portanto fui adiando, trabalhando às pinguinhas, mas como confesso agora aqui, com muito má consciência, porque sabia que tinha de acabar “aquela coisa”. Pois se tinha dito que sim! BURRA, mais uma vez!
Mas já está! Acabei ontem à noite!
E hoje sinto-me plenamente em férias! Só é pena acabarem na 3ª feira...

Afixado por Emiéle às 11:46 | Afixadelas (7)

Ainda a respeito da nova linguagem msn

Dá que pensar. É certo que sempre a juventude usou um calão próprio e específico. Parece-me muito bem. Por um lado faz parte dos “códigos secretos”, ainda com um cheirinho a infância, e por outro distancia da linguagem dos adultos. Respeito plenamente essa opção. Assim como respeito ( não haja mal entendidos) este actual código de mensagens cifradas. Só que não pode haver sol na eira e água no nabal... Ao escrever assim, é óbvio que não é para serem entendidos por quem não pertença ao clã. E, ao mostrar publicamente esse “código secreto”, arriscam-se à crítica.
Porque para os leigos, hereges não iniciados, esta escrita parece ser para poupar tempo e espaço. Engano. Escrever kuando dá o mesmo trabalho que “quando”, ou kualker, ou poix, ou fikar, ou felix, para além de frases como “pah n á nd nst mundo k descreva o k sintuh”. ( por acaso, aqui a pessoa distraiu-se e escreveu 2 palavras em português... )
Uma regra entendi – escreve-se K sempre que o som seja gutural, e X nas sibilantes. E ainda, as vogais são supérfluas. Quanto ao resto é um perfeito mistério. Se encontrar uma pitinha que me ajude, agradecia.

Afixado por Emiéle às 11:25 | Afixadelas (2)

Feiticeiro de Oz versão Marretas

Mesmo antes de saber como vai ser, já faz sorrir. É mesmo. Os Marretas decidiram pegar no famoso Feiticeiro e fazer uma longa metragem, creio que para os adultos com humor.
Imagine-se que vai incluir o Tarantino como actor, de braço dado com a Miss Piggy, e o Cocas.
Vamos esperar
este «“The Muppets' Wonderful Wizard of Oz”»
cheios de expectativa.
O que dará Para além do Arco Íris à Marreta? É esperar para ver.

Afixado por Emiéle às 09:09 | Afixadelas (2)

Portugal e os Jogos Olímpicos

Quando ontem li a opinião do Monty , como tinha pensado escrever sobre o mesmo, primeiro achei que devia desistir. Se já cá estava... E era o que eu pensava. Mas, afinal, porque não? Somos duas pessoas diferentes e, mesmo com a mesma opinião, porque não dizê-lo? Ora cá vai:
Os Jogos estão quase a acabar e sinto-me satisfeita. Confirmei ainda há pouco que realmente «Portugal já alcançou a melhor prestação olímpica de sempre» e se não é motivo de satisfação, então não sei qual seja.
É verdade que não tivemos daqueles resultados de encher o olho, como o vencer uma maratona ( que leva imenso tempo, Monty, dá para sofrer que eu sei lá...) mas, no fundo, o conjunto ser melhor é sinal de que em várias modalidades estamos a melhorar. Por mim quero dar os parabéns aos nossos atletas, e se alguns deles ficaram desiludidos é sinal de que ainda vão trabalhar mais e não se resignam com “vitórias morais”. É certo que o importante é competir, e também concordo que há uma máquina económica montada por detrás, mas quando pequenos países conseguem bons resultados é mesmo motivo de satisfação.
PARABÉNS!!!

Afixado por Emiéle às 08:15

agosto 27, 2004

Questions for pro-choice and for pro-life people

Interessante lecture do Prof. de Filosofia Michael Pajaluk, proferido na Columbia University, interpelando critica e sucessivamente os argumentos típicos dos dois grupos que se opõem em torno da questão do aborto.

(...) Opposition to abortion need not be based on religious views. The most fundamental reason why abortion is wrong is that it is contrary to the principle of the natural equality of all human beings. This principle is not religious; in fact, it lies at the foundation of our form of government.

This point may be made clearer if we make the following distinctions. A belief may be called religious for one of three reasons:

it is strongly or passionately held, e.g. we might say that someone believes "religiously" that smoking is bad for one's health;
it has religious content , e.g. it concerns God or the supernatural realm;
it is accepted on the basis of a religious authority , e.g. Christians believe that God is a Trinity of persons because the Bible and the Church teach this.
Clearly the pro-life view is "religious" in the first sense for many people. But this is obviously a metaphorical sense of the word "religious", and many political and moral views are "religious" in this sense. It would be absurd to object to a view simply because it was passionately held. (...)

Afixado por Gibel às 20:30

Villard de Honnecourt

Honnecourt.jpg

Para quem aprecia o estudo do gótico, a Universidade de Newcastle disponibiliza online este tesouro: a integral das estampas de Villard de Honnecourt.
Sobre o mesmo Mestre, a visitar este sítio da Biblioteca Nacional Francesa.

Afixado por Gibel às 20:08

Da Taschen, pois então

Teoria da Arquitectura, do Renascimento até ao séc. XX.

architecture_theory_taschen.jpg

Tradução portuguesa. Obra que reúne, organizadas por países, notáveis estampas das obras de arquitectura dos melhores mestres, de Villard de Honnecourt (embora eu não perceba bem o que este arquitecto gótico está lá a fazer numa recolha que se apresenta como partindo do renascimento) a Rem Koolhaas. Apenas 30,00 Euro.

Afixado por Gibel às 20:01

Novas ligações

Novas ligações

Pedi à nossa direcção de operações técnicas (paga a recibos verdes, mas bastante competente) que adicionasse dois novos links aqui à direita. Mais um Masson: o Almocreve das Petas, que visito diariamente. E o Vitriolica Webb's Ite.

Afixado por Gibel às 18:52

S o Cristiano foxe msm gay

Aqui há tempos e mesmo para ver no que dava, o Afixe fez um post intitulado Cristiano Ronaldo e Sexo. Isto, depois de o post similar do Enresinados estar a ser um sucesso no google junto das teens, o que fornece material para muita gargalhada.

Hoje, lembrado pelo Boss, fui lá ver como é que a coisa andava. Nada de especial. Nada que se compare ao material fornecido ao Renas.

No entanto ainda deu para recolher isto:

"Bein..digamos k s o Cristiano Ronaldo foxe gay..tds os cirurgioes do país e arredores iriam ter mt trabalho pk..kem n gostaria d ser homem? axo k a partir dexe dia os gays paxariam a ser PLENAMENT aceitados n noxa sociedade (XD)! ms vá, n iremos mangar com o rapax pk k ele eh bom eh! XD (isto realment e d partir a rir..)
p.s S o Cristiano foxe msm gay..k iriamos dixer nos do C.Ramos..agravando a SMS FOFOCA (mts wools)! va va..xtava a gozar!
Afixado por: smym em agosto 10, 2004 07:58 PM"

"Bein...ca xtou eu outra x! respondendo ao comentario da Anna..e axim..e claro k aki nngm ta a dixer k o Cristiano é gay..tamos apenas n brinka..nao e preciso vir com tanta violencia! e..tipo..aki nngm ta com dor d cotovelo pk cada um e cm e...! agr..o k s paxa e k axamos engraçado o facto dakela foto ter sido apanhada msm em "flagrante"! e aclruh k sabemos k estas coisas acontecem n futebol...e em td o sitio! knts vexes ja n pusemos a mao onde n deviamos sem kerer?? isto era apenas uma brikna..n era preciso teres fikado axim! eu tb admiro mt o Cristiano ronaldo e nao fikei nexe xtado! por amor d Deus...tenham paciencia!tb n sei s reparaste k a maior parte destes comentarios foram feitos por raparigas..entaum pk raxao iriamos tar com dor d cotovelo por ele ser winduh e adorado plo sexo feminino?? s tas a dixer k esta cena dele ser gay e uma grande treta (pk e ..tamos so n brinka) ataum tas a mandar nos indirectas a dixer k somos lesbicas! ou seja..axo k deverias redescrever o teu comment! sem mais nd p dixer...(XD)..despexo me pk vou pa beach pk ta mt calor..Inteh! * * * smym (alguem k ontem nao pode ver o jogo ds olimpicos - fikei tiste - ms k soube k o Cristiano ia sendo xpulso pk s enfexou...)
Afixado por: smym em agosto 13, 2004 12:05 PM"

O primeiro é delirante, vejam bem a lógica da miúda: Se o Cristiano fosse gay, quem não gostaria de ser homem? Pois é, eu sei, isto dá que pensar.
Do segundo não percebi grande coisa. Só sei que acho impossível que esta moça algum dia venha a saber pensar em português. "e..tipo..aki nngm ta com dor d cotovelo pk cada um e cm e...! agr..o k s paxa e k axamos engraçado o facto dakela foto ter sido apanhada msm em "flagrante".

Que é isto, porra? E para que é que elas usam tanto o xis?

Seja como for, o Afixe adianta que está em negociações com a smym para que esta venha a integrar a nossa equipa de afixadores.

Monty

Afixado por afixe às 18:21 | Afixadelas (9)

Bem-haja aos olímpicos

Ando de dia para dia para falar disto, mas sempre me esqueço.
A Francis Obikwelu, um nigeriano de nascença, que honrou Portugal no estrangeiro, um grande bem-haja!
E o facto de ser atleta do Sporting, só lhe aumenta o valor, aos meus olhos (é um facto).

Ontem, dei por mim a vibrar violentamente com a corrida dos 200 metros. Em boa verdade, não esperava que ele conseguisse chegar às medalhas. O cansaço já era muito. Irritei-me imenso com a falta de respeito daquele público que não parava de assobiar, e que, provavelmente, acabou também por condicionar os resultados da corrida.
Em relação aos 100 metros e aos 200 metros, é um pouco estranho, eu, habituado que estou a vibrar com desportos que até têm intervalo, dar por mim a sentir-me ganhador e perdedor em apenas 10 ou 20 segundos. É sempre bastante estranho. Ontem, inclusive, antes da corrida, dei comigo a pensar: "Desta vez é de 200 metros, vamos ter 20 segundos de espectáculo. Yeah!!!"
Parabéns, portanto ao Francisco Coelho (Francis Obikwelu), extensíveis ao Sérgio Paulinho, ao Rui Silva, à moça do triatlo, ao tipo da canoagem e, de uma forma geral, a todos os que, não ganhando, não vieram cá para fora dizer que é sempre bom perder.

Monty

Afixado por afixe às 16:54 | Afixadelas (6)

O que são os EUA?

Li há pouco no “jornal de papel” e vim agora procurar aqui o link porque fiquei a pensar no assunto. Diz o Gabinete do Censo dos EUA que o ano passado havia 35,8 milhões de americanos abaixo do nível de pobreza . Senti um calafrio. São muitos milhões! Quase quatro vezes a população portuguesa. E isto choca porque apesar de tudo a imagem que temos da América, Hollywood ou não, é muito distinta desta. Sabe-se que há gente a viver mal, mas até eu ( que me considero crítica ) sempre imaginei que fosse uma minoria muito pequena.
E segundo esta notícia «Foi o terceiro ano consecutivo em que este número subiu - ou seja, desde que Bush chegou à Casa Branca, todos os anos há mais americanos pobres ».
Espero que se tirem conclusões.
Os EUA não são o que se vê no cinema ou nas séries de TV. Há muito mais mundo para além desses cenários, só que está oculto, varre-se o lixo para debaixo do tapete.

Afixado por Emiéle às 15:10 | Afixadelas (12)

Justiça à Portuguesa III

Na caixa de comentários deste post, o leitor A.C. coloca a seguinte questão: "(...) é q a tese da cabala tb me parece demasiado construida. Tudo para descredibilizar o PS? Esquecem q há mais quem tenha telhados de vidro?"
A tese da cabala contra o PS parece demasiado ficcionada, sim. A questão da cabala coloca-se, potencialmente, contra toda a classe política que vem andando a comer, em conjunto, da mesma manjedoura, desde o 25 de Abril.
Se bem se atentar, esta espécie de ditadura democrática em que vivemos nos últimos anos está organizada por forma a que, entrando um fulano no poder, nunca mais de lá sai. Do governo para a oposição, há sempre formas de continuar a mamar na teta do Estado. Há sempre um job para os boys, independentemente da cor política.
Alguém lhes está a fazer a cama.
É essa a cabala que existe.

Monty

Afixado por afixe às 12:36 | Afixadelas (19)

E que tal este?

Muitas felicidades aos dois!

Afixado por M. Butterfly às 11:36 | Afixadelas (6)

Para o Zé Mário e Margarida

ou este?

Um abraço para os dois

Afixado por Emiéle às 11:12 | Afixadelas (4)

O casamento do ano

Parabéns e votos de felicidade à Margarida e ao José Mário.

Edvard Munch
The Kiss, 1897

Monty

Afixado por afixe às 11:01 | Afixadelas (6)

Protecção dos menores?

A notícia chama-lhe protecção de menores, mas creio que a protecção é mesmo dos maiores, dos pais. Ou seja, se os pais cujos filhos possam utilizar o seu cartão de crédito para comprar bens ou serviços na Internet, sem o seu conhecimento ficam a saber que a legislação europeia confere direitos para anular o contrato e obter a devolução do dinheiro, isto defende-os a eles!
Mas que raio de família onde um puto pode ter acesso ao cartão de crédito dos papás ??? Olha a brincadeira?! Não é apenas consumir coisas que façam mal, é o princípio do consumo que está errado. Um cartão de crédito? Nas mãos de um adolescente... Tá bem, tá!

Afixado por Emiéle às 10:51 | Afixadelas (8)

Água

Apesar de já aqui ter falado uma vez, parece-me que não é demais voltar a falar no assunto. É que
«Mil milhões de pessoas em todo o mundo continuam a viver sem água potável »

Para nós que abrimos torneiras de água quente e fria, que nos queixamos quando a água da torneira tem mau sabor, que tantas vezes a desperdiçamos, é um choque eléctrico...
Saber que «40% da população mundial, não tem acesso a condições de higiene básicas » pode deixar-nos pelo menos com um aperto na consciência.
E quando sei que a nível privado até há muito quem tenha cuidado em poupar energia, mas se vê constantemente canos rotos a desperdiçar água ás golfadas, inundando ruas inteiras durante horas, ou serviços camarários esquecerem-se de desligarem a iluminação pública que fica muitas vezes ligadas 24 horas, aí sentimos mesmo a injustiça!

Afixado por Emiéle às 10:42 | Afixadelas (2)

O Poder do Cinema

É mesmo muito grande a força do cinema. E quanto menos desenvolvida é a terra, mais poder ele tem. Portanto acho uma decisão importantíssima esta que tomaram os estúdios indianos, de focarem o problema da SIDA .
É um tema com tantos tabus, tanto mal-entendido e de tal forma grave, que talvez através do cinema se chegue a algum lado. Isto do ponto de vista de mudança de mentalidades, é claro, porque as decisões políticas não vão lá com fitas.
Na Índia produz-se cerca de 800 filmes, vistos por 15 milhões de espectadores, segundo esta notícia. E « a Índia, depois da África do Sul, é o país mais afectado pelo flagelo do HIV». Pode ser que um filme seja o início de uma bola de neve que altere as ideias-feitas.

Afixado por Emiéle às 10:39 | Afixadelas (2)

"FITAS"

Ora cá está uma notícia interessante:
Uma equipa para elaborar uma estratégia de promoção de Portugal como destino de rodagens de filmes .
Aqui está uma bela ideia!
Com a tendência que temos para inventar novelas por tudo e por nada, acredito que Portugal seja um paraíso para se filmar seja o que fôr... É mesmo o país todo a colaborar! Isto tudo já é uma grande fita!
Mas, brincadeira à parte, até nem me parece uma má ideia. Seria um modo de atrair turismo, e à primeira vista um bom turismo. A verdade é que temos paisagens sensacionais e até me parece que figurantes baratinhos.
E o nosso cinema, que já passou por períodos infelizes, ultimamente não tem envergonhado ninguém. Sim, senhor. É uma boa medida.

Afixado por Emiéle às 09:55 | Afixadelas (5)

Beber em serviço

A notícia já antiga, do controlo pela CML do consumo excessivo de álcool pelos seus funcionários, desde o início que me fez confusão. Para quem está de fóra, dá uma triste imagem do ambiente naquela autarquia... Na primeira vez que li, pensei para mim que se tratasse de motoristas, e era uma medida sensata, embora me parecesse que deviam ser mais discretos. Depois fui lendo e ouvindo a série de notícias e entendi que era a generalidade. Uau! Que forróbodó!
Agora o Sindicato (STML) está a contestar o modo como está a ser feito o controlo de alcoolemia . E, lendo com atenção a notícia, queixam-se de que os sorteios não são de forma aleatória ou seja: «os sorteios estão a ser feitos por departamento e os trabalhadores com profissões consideradas de risco, como condutores, operadores de máquinas e os que andam na via pública tem maiores probabilidades de serem sorteados». Valha-me Deus, mas não é natural?
Que um burocrata venha sentar-se à secretária com os copos e se engane no que tem a fazer é grave, mas alguém que trabalha com máquinas mais grave é. O que me confunde, é que imaginar-me num organismo onde existissem tais suspeitas, eu não apenas não fugia ao teste do balão como EXIGIA que mo fizessem todos os dias! Queria mesmo ficar limpa de tal suspeita. Mas aqui parece que é o contrário...
Esta história tem contornos de surrealismo!

Afixado por Emiéle às 09:20 | Afixadelas (2)

agosto 26, 2004

Um DVD pirata

Não gosto de filmes dobrados. Bem sei que a dobragem terá algumas vantagens (sobretudo económicas para os actores que dobram) e em certos países como a Espanha é muito natural. Eu não gosto. Mesmo até quando não conheço a língua, tem outro “sabor”. E parece-me sempre esquisito uma figura conhecida abrir a boca e sair a voz de outro...Quando em Macau vi o Allan Delon a falar fluentemente chinês ia-me dando uma coisinha má.
Ontem passei por uma experiência curiosa. Comprei um DVD, daqueles piratas, muito baratos, tipo vendido na rua, tirado de uma alcofa. Como era para ver em férias, arrisquei. E a imagem era boa, nada a dizer. Só que as legendas eram em brasileiro!!! Mesmo em brasileiro. Claro que se podia e devia nem olhar para baixo, mas ainda por cima era irresistível ver que palavra é que o tradutor tinha arranjado. Olhem, só digo que foi espectáculo duplo, o filme em si e a risota que implicou!

Afixado por Emiéle às 18:59 | Afixadelas (7)

Há tempos

Hoje não consigo tirar esta música da cabeça.
Estou exausta… Queria escrever qualquer coisa, preciso de escrever, tenho tanto para dizer, mas as palavras simplesmente não saem…
Assim deixo-vos a letra… Parece que assim já partilhei alguma coisa com alguém, e a ideia conforta-me….
É de Legião Urbana, e chama-se Há tempos.

“Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
Agora da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho Não me lembro não me lembro
Tua tristeza é tão exacta
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.
Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira.
E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
Há tempos são os jovens que adoecem
Há tempos o encanto está ausente E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e protecção.
Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
E ela disse:
- Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa.”

Afixado por M. Butterfly às 18:27 | Afixadelas (6)

teste estou só a testar

teste
estou só a testar o wbloggar v3.03. Se tudo correr bem este post vai saír publicado.

Afixado por Gibel às 18:26 | Afixadelas (8)

Justiça à Portuguesa II

Ainda a propósito disto, faltou dizer o seguinte:
Quem queria desacreditar o processo Casa Pia, conseguiu-o.
Seja qual for o resultado do recurso do despacho de pronúncia e do julgamento que, com mais ou menos arguidos, se lhe há-de seguir, a verdade é que não há absolutamente ninguém neste país que possa fazer fé absoluta na "verdade" que há-de vir a ser sentenciada. Há-de ser sempre uma coisa cinzenta, descaracterizada por erros processuais, de investigação e, mais que tudo, comportamentais. Uns negligentes, outros verdadeiramente dolosos e intencionais. De todos, repito, todos, os agentes judiciais. Mas em particular, há que ser frontal, do bicho papão em que se transformou o Ministério Público.

Sem-vergonhice maior seria, doravante, ficar tudo na mesma. Não é só a questão do segredo de justiça que tem de mudar - até acho que essa é questão lateral e despicienda.
Acima de tudo, toda a gente o vê, toda a gente o sabe, toda a gente que tem olhos na cara, claro, aceita que o Ministério Público tem de mudar.
Digo mais, o actual estatuto de impunidade do M.P. tem de mudar.

E, obviamente, o actual Procurador-geral da República tem de sair. Só num país onde se comem novelas de manhã à noite é possível estar a acontecer o que está a acontecer. As pessoas estão verdadeiramente fora de realidade. Num mundo para lá da tela onde o dia acaba com o desligar da televisão.
Até ao dia seguinte.

Claro que não é só o M.P. que tem culpa. O polvo jornalístico, alimentado sabe-se lá por quem, também não está de mãos limpas. Mas isto já é demasiado óbvio para merecer qualquer comentário.

Se eu não quiser que a minha casa seja assaltada, não entrego as chaves ao ladrão.
No caso concreto, não só o MP entregou as chaves ao tal ladrão, como se colocou à janela, qual carochinha, a perguntar quem o queria assaltar. E fez-lhe o lanchezinho e calçou-lhe as chinelinhas. Veja-se o caso deste recurso ora alarvemente propagandeado. Como é possível que apareça assim num blogue? A pergunta parece quase infantil, eu sei. E essa é que é a pedra de toque, já estamos tão habituados a viver no meio da merda e a chafurdar nela que já a confundimos com o ar que respiramos.

Soluções?
Não se diga que tem de se esperar pelo fim do processo. Os actos, para credibilizar alguma coisa, se é que isso ainda é possível, têm de ser levados a cabo agora. Para já, mudando o Procurador-geral da República e encarregar o novo Procurador, que tem de ser um verdadeiro incorruptível, acima de toda e qualquer suspeita, da investigação directa do caso e posterior acompanhamento processual. Impensável? Vai contra o tal estatuto. Pois, é sempre o mesmo.
Ainda para mais concatenando as impossibilidades criadas pelo homem - a que eu acho sempre piada, como se as leis dos homens tivessem sido entregues conjuntamente com os Dez mandamentos. Concatenando, dizia eu, essas impossibilidades com os verdadeiros interesses que, no Governo e na Oposição, pululam à volta desta caso, tudo se assemelha, com efeito, a um trabalho de Hércules.

Não se admite que já haja vozes no ar a dizer que agora já é tarde. Preparando toda a gente para uma mão-cheia de nada. Atenção: eu não quero com isto dizer que todos são culpados ou que todos são inocentes. Com tudo o que li, formei, é certo, uma convicção. Mas de uma consistência demasiado gasosa para que eu possa vir a terreiro bradar o que quer que seja.

Medo, tenham todos muito medo, é o mais que se me afigura dizer. Qualquer um, a qualquer hora. Não se esqueçam: qualquer um e a qualquer hora! E repito, não quero mesmo dizer que o presente processo se trata de uma cabala.

Quero, isso sim, dizer, e com todas as letras, que estão reunidas todas as condições para, de futuro, criar cabalas. Controlar governantes e políticos, pobres e ricos, quem de alguma forma interesse controlar.

Dizendo apenas: lembras-te do que lhes aconteceu?

Porra para isto!

Monty

Afixado por afixe às 17:51 | Afixadelas (14)

Outra vez as Creches

Já viram que este é um tema recorrente aqui nos meus posts. Desculpem mas considero um dos aspectos onde a política social é mais fraca e nada se faz para a melhorar muito pelo contrário. Desta vez um estudo, publicado pela Proteste, vem ao encontro das minhas ideias e preocupações.
A DECO visitou 389 berçários por todo o país e também se mostra muito crítica. Eu tenho falado na área da Grande Lisboa, mas confirma-se que o panorama se estende a quase todo o país.
O que se pode concluir é que as creches que funcionam como IPSS, supostamente sem lucro e por isso mesmo subsidiadas pelo estado, não têm vagas. Por seu lado o estado tem fechado, ou passado para as mãos dos privados (essas IPSS) muitos dos Jardins de Infância. As creches que ainda pertencem à Segurança Social tem instruções para receber os mais desfavorecidos dos mais desfavorecidos, pelo que estão prestes a tornar-se guettos de pobrezinhos.
E os preços, mesmo nessas que dizem não terem lucro, pelo que a Proteste verificou, por todo o país, rondam os 2.000 € por ano, o que dá quase 200 por mês. Uma família com muito poucos recursos, se tiver dois filhos, e tiver a sorte de encontrar uma dessas, terá de pagar quase 80 contos fóra todos os extras...
É esta a nossa política social de apoio à família. Pois é. Mas podem entrar, se for a família toda, num museu com um preço reduzido. Foi uma medida de longo alcance, vamos passar a ver famílias enormes à fazer bicha á porta dos museus. Viva o Dr. Bagão!
.

Afixado por Emiéle às 14:24

Porquê?

Já ontem aqui tinha falado no caso, a respeito de um estudo da Deco. A agora o tema mantém-se, porque nos dizem que Na capital, a Carris perdeu 22% dos utentes, ou seja 72 milhões de pessoas. ou seja
«Os autocarros de Lisboa e Porto perderam nos últimos cinco anos perto de 100 milhões de passageiros, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).» A pergunta que se impõe é mesmo porquê? Uma vez que o custo de vida está como se sabe, as pessoas enlouqueceram e deitam dinheiro á rua, andando de transporte próprio? Ou os outros estão tão maus que do mal o menos? Ou andam a pé ? O que pode explicar estes números? Por mim, estou muito perplexa.

Afixado por Emiéle às 14:21 | Afixadelas (6)

Mundo real

Só mais uma, quanto ao mundo em que vivemos, e os dias que passei no interior. Lá em Castelo Branco ainda se teve tempo de ir à piscina. É uma piscina mesmo muito boa, grande em extensão apesar de pouco funda, com uma pontezinha catita, e relva á volta. Podemos levar os nossos guarda-sóis e a entrada custa 3 €.
Hoje fomos à piscina da Praia das Maçãs. Já lá não ia há uns tempos, mas o mar destes sítios tem dias onde nem se pode molhar o pé, de vez em quando faz-se uma extravagância. A entrada, de semana, é 7€. E como é toda em cimento, implica também alugar cadeira e guarda-sol. Assim, um cálculo de cabeça, uma família de 4 pessoas gastaria uns 35 € por uma manhã... Muito bem.

Afixado por Emiéle às 14:19 | Afixadelas (11)

A Amnistia e o Perú

A zona do mundo situada na América Latina é infelizmente conhecida pelos seus excessos no campo social. Não sou socióloga e não sei quais as causas, assim como tenho noção que nem todos os países são iguais e se podem medir pela mesma medida. Mas que há muitas semelhanças no que trata a desorganização e extremismos, de um modo geral, é patente. Agora no Perú a Amnistia insta o Governo a adoptar plano nacional de direitos humanos segundo se lê.
A verdade é que segundo um relatório da «Comissão de Verdade e Reconciliação» existem 24.000 pessoas desaparecidas. Temos de voltara a ler, que 24.000 é um número impressionante! E «na sua maioria, eram indígenas ou agricultores, que viviam em situações de pobreza e extrema pobreza» o que torna o caso ainda mais grave, porque nestes casos as famílias nem sabem o que fazer nem como fazer. Ora se o relatório foi elaborado há um ano, de que está aquele governo à espera? Sobretudo se como lá diz, muitas medidas não implicam financiamentos. É uma questão de humanidade.

Afixado por Emiéle às 14:18

O que se passa com os portugueses na Irlanda ?

As notícias são pouco claras e por isso mesmo um pouco alarmantes. Dá ideia, existir uma hostilidade contra a comunidade portuguesa [.....] na Irlanda do Norte,
Parece terem atirado com uma garrafa de gasolina a arder contra um grupo de emigrantes portugueses. A pergunta é : porquê? Se já é o 3º incidente em pouco tempo alguma coisa se passa. «Nas duas semanas anteriores, duas famílias portuguesas tinham sido obrigadas a mudar de casa, depois das portas e janelas daquelas em que moravam terem sido vandalizadas, na localidade de Portadown, a cerca de 20 quilómetros de Dungannon
A verdade é que a qualidade de vida na Irlanda parece atrair os trabalhadores portugueses e pelo que entendo não apenas a nível de salário mas pelas as facilidades concedidas pelo sistema de segurança social irlandês.
Pois é. É aqui que o sapato nos aperta em Portugal...
Mas continuo sem entender a hostilidade dos irlandeses, que tanto quanto sei os nossos imigrantes são gente pacífica.

Afixado por Emiéle às 14:16 | Afixadelas (2)

Mais links e justiça à portuguesa

Juntámos hoje mais dois links à nossa lista de blogues, o aqui já referenciado Reporter X, de Jorge Van Krieken, que, não sendo propriamente um blogue, merece o competente lugar de destaque, e o curioso (???) Do Portugal Profundo, de António Balbina Caldeira.

Deste último, aconselho vivamente a leitura dos posts de 24 e 25 de Agosto. Extremamente reveladores. Pelo que se diz e pelo que não se diz.

O que se diz:
"Que quem está a apreciar o recurso de não-pronúncia do socialista Paulo Pedroso no processo da Casa Pia é o desembargador Mário Manuel Varges Gomes, casado com a vice-presidente socialista da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Maria Gomes, que é também presidente da Comissão Política Concelhia do PS/Portimão e apoiante de José Sócrates." Varges Gomes, segundo Balbina Caldeira, é também "membro-fundador e presidente do conselho fiscal da FPS - Fundação para a Prevenção e Segurança, desde a sua constituição em 1999 até à sua extinção em 2001, criada pelo secretário de Estado, e depois Ministro da Administração Interna, Armando Vara. Esta Fundação PS foi objecto, em Junho de 2001 de um relatório de auditoria do Tribunal de Contas, de um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República em Janeiro de 2001 e, ainda, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia da República (na qual foi ouvida a Inspecção-Geral da Administração Interna em Maio de 2001)."

E depois há o que não se diz, o que fica entrelinhado.

Ainda mais delirante é o post de 19 de Agosto que publica na íntegra o recurso do MP sobre a não-pronúncia de Paulo Pedroso, Herman e Alves. O Afixe reproduz em anexo apenas as conclusões do recurso. Quem quiser mais que vá à origem.
Por mais anos que ande nisto, a minha alma não deixará de se espantar com este tipo de situações.

Sem mais comentários, aqui segue.
Para quem queira ler!

Monty

"Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Recurso do MP sobre a não-pronúncia de Paulo Pedroso, Herman e Alves
Por ser do interesse nacional e da democracia, com o objectivo de suster o gravíssimo golpe palaciano em curso sobre a independência do poder judicial orquestrado pela rede pedófila de controlo do Estado, assumo a publicação integral do recurso do Ministério Público (da autoria dos procuradores Cristina Faleiro, Paula Soares e João Guerra) sobre o despacho (da juíza de instrução Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva) de não-pronúncia de Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves no chamado processo de pedofilia da Casa Pia.

O nome das testemunhas/vítimas, que consta do recurso, é aqui omitido por motivo da sua protecção. Devido às restrições de formatação do Blogger não foi possível manter o sublinhado de certas passagens.

Peço aos portugueses que amam o País, a liberdade e a democracia, que reproduzam e divulguem rapidamente este documento, nos blogues e através de mail.


"Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa
NUIPC 1718/02.TDLSB
3º Juízo
Exmª Senhora
Drª. Juiz de Direito
Do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa


O Ministério Público, não se conformando com a decisão instrutória de fls. 20738 a
21014:
- na parte em que não pronunciou os arguidos Paulo José Fernandes Pedroso e
Herman José Krippall;
- na parte em que, como consequência da não pronúncia do arguido Paulo
Pedroso, não pronunciou os arguidos Carlos Silvino da Silva, Hugo Manuel
dos Santos Marçal, Maria Gerturdes da Conceição Pragana Nunes e
Manuel José Abrantes pela prática dos crimes que lhes eram imputados, os
três primeiros com refª. aos capítulos 6.7.2.2 e 6.7.2.3 e o último com refª. ao
aos capítulos 6.7.1 e 6.7.2.2 do despacho de acusação;
- na parte em que não pronunciou o arguido Francisco José Soares Alves, pela
prática dos crimes de lenocínio que lhe eram imputados no despacho de
acusação;
- na parte relativa às medidas de coacção aplicadas aos arguidos que foram
pronunciados e ao arguido Paulo Pedroso, cuja pronúncia se requer,
vem dela interpor recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa.
O recurso subirá imediatamente, em separado e com efeito meramente devolutivo,
nos termos do disposto nos artºs 310 nº 1 “a contrariu sensu”, 406 n.º 2 , 407 n.º 2 e 427 do
CPP.
Por estar em tempo e ter legitimidade, requer-se que o recurso seja admitido,
seguindo a respectiva motivação – artºs 399, 401 n.º 1 a) e 411 do CPP.
Os Magistrados do Ministério Público
(Cristina Faleiro)
(Paula Soares)
(João Guerra)

VI - CONCLUSÕES:
A – Relativamente ao arguido Paulo Pedroso
1 – Ao concluir, em função das razões que invocou, pela existência de sérias e
fundadas dúvidas “sobre a qualidade e a validade da identificação do arguido Paulo
Pedroso” que considerou inculcar “a forte convicção de que os ofendidos se enganaram
quanto à mesma”, a Mmª. Juiz incorreu em contradições insanáveis, não procedeu a uma
correcta avaliação da prova, olvidou elementos de prova sem qualquer razão justificativa e
perdeu-se em afirmações sem qualquer suporte factual nos autos;
2 – O arguido Paulo Pedroso foi, pela primeira vez, referido nos autos em 06 de
Janeiro de 2003, cerca de um mês depois do seu início, numa altura em que, à excepção dos
arguidos Jorge Ritto e Carlos Cruz, não havia qualquer outra referência pública que ligasse
os outros arguidos – e o arguido Paulo Pedroso em particular – a práticas pedófilas;
3 – Tal referência foi feita pela Testemunha A, que o identificou
nominalmente e com referência ao seu percurso político, num depoimento no âmbito do
qual descreveu a proximidade que, ele próprio, tinha relativamente ao arguido Carlos
Silvino e referenciou vários indivíduos a quem este arguido levava menores, alunos da CPL,
entre os quais – além de Paulo Pedroso – se contavam Carlos Cruz, Ferreira Dinis, Manuel
Abrantes, Jorge Ritto e Hugo Marçal;
4 - A segunda testemunha que mencionou o arguido Paulo Pedroso foi a Testemunha C,
nos depoimentos prestados em 20.01.2003 e 13.02.2003, que o identificou como
sendo um “indivíduo de óculos, mais novo que o anterior (Jorge Ritto)”, tendo-o
reconhecido por fotografia, quando ainda nenhuma referência pública tinha sido feita ao
nome do arguido Paulo Pedroso como podendo estar envolvido nos abusos sexuais de que
foram vítimas os alunos da CPL e quando a testemunha havia já abandonado, há muito, a
CPL, pelo menos desde 21.08.2000, tendo deixado de existir, a partir desta data qualquer
contacto entre a mesma e os seus colegas, nomeadamente a Testemunha A;
5 - A Testemunha D, logo no primeiro depoimento, prestado em 16.01.2003,
em que descreveu os abusos sexuais de que foi vítima, as circunstâncias em que ocorreram e
identificou dos seus autores, mencionou o arguido Paulo Pedroso, como um dos indivíduos
que abusou de si sexualmente, referenciando-o como sendo “um indivíduo de óculos”, de
que disse não saber o nome mas que reconheceu, sem qualquer reserva, na fotografia que lhe
foi exibida;
6 - Nesse mesmo depoimento, tendo-lhe sido perguntado se sabia qual a profissão
do indivíduo que, através da fotografia, identificou, a Testemunha D respondeu “é
político, acho eu...”, sendo que também nesta data não havia qualquer referência pública ao
nome de Paulo Pedroso e que, desde 2001, a testemunha frequentava a Escola da Paiã, tendo
a partir daí deixado de ter contacto com a Testemunha A e a Testemunha C,
este último logo em 2000;
7 – Após o decretamento da prisão preventiva do arguido Paulo Pedroso, a
Testemunha D reforçou, espontaneamente, não ter qualquer dúvida relativamente à
identidade de tal arguido;
8 - A testemunha Testemunha E, logo no primeiro depoimento em que relatou
os abusos sexuais de que foi vítima, perpetrados na casa de Elvas, prestado em 28.04.2003 -
numa altura em que não existia ainda nenhuma referência pública ao envolvimento do
arguido Paulo Pedroso em abusos sexuais de crianças – mencionou tal arguido, tendo-o
identificado inequivocamente através da fotografia nº. 8 constante do apenso AJ, e descrito
pormenorizadamente os abusos sexuais de que foi vítima perpetrados por este arguido;
9 – Na fase de Instrução, a Testemunha D e Testemunha E,
nos depoimentos que prestaram perante a Mmª. Juiz, reafirmaram terem sido vítimas de
abusos sexuais perpetrados pelo arguido Paulo Pedroso, que continuaram a identificar
inequivocamente;
10 – O arguido foi ainda mencionado pela Testemunha B que, no
depoimento prestado em 18.06.2003, relatou pormenorizadamente os abusos sexuais de que
foi vítima numa casa sita nas traseiras da Embaixada da Turquia, em Lisboa, designada por
“Casa dos Erres”, onde se encontravam vários homens, cujas identidades mencionou, entre
os quais dois militantes do Partido Socialista, o arguido Carlos Cruz e o arguido Paulo
Pedroso, do qual apenas soube que era político aquando da sua detenção;
11 – Perante os depoimentos existentes nos autos não é possível afirmar-se, como faz
a Mmª. Juiz, que “os reconhecedores nada sabiam do arguido Paulo Pedroso: nem o seu
nome nem a profissão (apenas um deles achava que era “político”). Nenhum deles
mencionou características faciais de relevo (indivíduo de óculos, mais novo que o arguido
Jorge Ritto) nem outros elementos distintivos perceptíveis no contexto (como por exemplo a
marca do carro);
12 – É inquestionável que duas testemunhas – a Testemunha A e a Testemunha B
– mencionaram o arguido Paulo Pedroso pelo nome, sabendo as mesmas
precisamente de quem se tratava;
13 - Por tal ser uma verdade irrefutável, a Mmª. Juiz chega à conclusão que acabou
de se transcrever, abalando, na parte em causa, a credibilidade de tais depoimentos ao referir
que “a identificação nominal do arguido Paulo Pedroso com a respectiva colagem
sistemática a um (no caso de Testemunha A) ou dois (no caso de Testemunha B)
militantes do partido socialista é flagrantemente inverosímil quanto mais não seja por
ausência absoluta de outro sustentáculo da ligação – também destes – a abusos sexuais de
crianças”;
14 - De acordo com a tese da Mmª. Juiz, porque não se logrou obter outros
elementos de ligação dos outros dois militantes do Partido Socialista à prática de abusos
sexuais de crianças, forçosamente se tem de concluir pela inverosimilhança das imputações
que se reportam, quer àqueles, quer ao arguido Paulo Pedroso, fazendo “tábua rasa” de todos
os outros depoimentos existentes nos autos que confirmam o envolvimento deste arguido na
prática de crimes de abusos sexuais de crianças;
15 - Considerar determinada imputação inverosímil, nomeadamente em função da
projecção pública do visado, cargos políticos, aparente respeitabilidade e honorabilidade,
estatuto social ou profissão, implica um pré-juízo que carece de qualquer justificação,
principalmente em crimes da natureza daqueles que estiveram em investigação nestes autos
– contra a autodeterminação sexual de crianças – alvo da máxima reprovabilidade ética e
moral, sendo os seus autores, quer tenham projecção pública ou não, geralmente pessoas
aparentemente normais, relativamente às quais não se levantam as mais leves suspeitas do
seu envolvimento neste tipos de ilícitos;
16 - Como se veio a comprovar nos autos, a referenciação de pessoas que, à partida,
poderiam estar acima de qualquer suspeita em nada descredibilizou as testemunhas, tendo
sido obtidos fortes indícios da prática de crimes de abusos sexuais e de lenocínios
perpetrados por tais pessoas – um apresentador de televisão, um advogado, o ex-provedor
adjunto da CPL, uma ama de crianças, um médico e um ex-embaixador;
17 – Se, relativamente ao arguido Paulo Pedroso, a Testemunha A o referenciou
como sendo um dos indivíduos que frequentavam a casa de Elvas, já quanto ao outro
militante do Partido Socialista não fez tal referenciação, fazendo por isso sentido que,
relativamente ao primeiro, e já não quanto ao segundo, tivessem sido, efectivamente,
recolhidos outros depoimentos de testemunhas que eram levadas pelo arguido Carlos
Silvino à casa de Elvas, que o indicaram como autor de abusos sexuais de crianças,
reconhecendo o próprio arguido Carlos Silvino que, na casa de Elvas, se encontrava o
arguido Paulo Pedroso;
18 - Face à referenciação efectuada pela Testemunha A do arguido Paulo Pedroso
– nos termos precisos em que o fez – com indicação do seu nome e cargos públicos
exercidos, conclui-se, em função das regras da experiência, que tal conhecimento só podia
advir do facto de, efectivamente, tal arguido estar envolvido na prática de crimes de abusos
sexuais de crianças, não sendo de questionar que tivesse sido o arguido Carlos Silvino
quem deu conhecimento à testemunha, conforme a mesma referiu, da identidade e
importância do arguido em causa, enquanto detentor de cargos públicos;
19 - A Testemunha A, ao longo dos vários depoimentos prestados foi
concretizando e precisando os múltiplos factos de que tinha conhecimento, em função da
especial relação de proximidade que tinha com o arguido Carlos Silvino, compondo dessa
forma um “puzzle” abrangente da multiplicidade de factos de que foi vítimas e/ou que
presenciou, perpetrados por vários agentes, em vários locais, circunstâncias e datas distintas
ou ainda de que tinha conhecimento devido à sua especial ligação ao arguido Carlos Silvino;
20 – A Mmª. Juiz apesar de ter considerado que “perante a sua razão de ciência
(profissionais de consabida e relevante experiência com crianças e adolescentes), é
manifesto que não pode deixar de assumir relevância a abonação que dos relatos de
inúmeros ofendidos foi feita por parte de Maria Catalina Pestana e Pedro Strecht Ribeiro”,
ignora por completo tais depoimentos, esquecendo que, quer o Dr. Pedro Strecht quer a Drª.
Catalina Pestana, consideram absolutamente credível a Testemunha A, nomeadamente a
referenciação que o mesmo fez do arguido Paulo Pedroso;
21 – Analisando também em particular os depoimentos da testemunha B,
conclui-se que a Mmª. Juiz não os podia igualmente ter olvidado, até porque
considerou tal testemunha credível relativamente às afirmações proferidas atinentes ao
arguido Jorge Ritto;
22 – A Testemunha B prestou depoimentos absolutamente credíveis,
coerentes e consistentes, no âmbito dos quais descreveu circunstanciadamente os abusos
sexuais de que foi vítima perpetrados, nomeadamente, pelo arguido Paulo Pedroso,
inexistindo nos autos qualquer elemento que permita duvidar da versão dos factos que
apresentou, não sendo possível afirmar, como se faz na decisão recorrida, que a
identificação nominal do arguido Paulo Pedroso feita por esta testemunha “é flagrantemente
inverosímil”, uma vez que a Mmª Juiz de Instrução não adiantou uma única razão, suspeita
ou elemento em que tenha baseado tal conclusão, a não ser o facto deste ter identificado
nominalmente o arguido Paulo Pedroso “com a respectiva colagem sistemática a (...)
militantes do Partido Socialista e ex-Ministros”;
23 – A Testemunha B foi submetido a exame médico-legal de natureza sexual, no
âmbito do qual relatou ao perito os abusos sexuais de que foi vítima e a identidade dos
indivíduos que os perpetraram, tendo o perito médico concluído pela existência de sinais
compatíveis com os abusos sexuais que descreveu, e afirmado que “o relato fornecido pelo
próprio se revelava, pela sua consistência, coerência, congruência e ressonância afectiva,
compatível com as alegadas práticas sexuais” e que “no decurso da longa entrevista
realizada, a Testemunha B nunca procurou, a despeito dos sinais de sofrimento psicológico
despertado pela evocação de experiências manifestamente penosas, furtar-se a responder
ou a iludir qualquer das questões que lhe foram colocadas, tal como não deu mostras de,
através dele, procurar obter, por qualquer forma, benefícios secundários” ;
24 – O depoimento da Testemunha B assume particular importância
quando confrontado com o depoimento da Testemunha A, pois ambos são de
gerações diferentes da CPL e quando o primeiro saiu dessa instituição, o segundo ainda nem
sequer era aluno da mesma, vivendo no Porto, sem que alguma vez ambos se tivessem
encontrado;
25 – A Testemunha B e Testemunha A coincidem no nome do
arguido Paulo Pedroso a quem identificam nominalmente, dizendo a Testemunha A que o
mesmo era político e tinha substituído Ferro Rodrigues quando este mudou de Ministério –
“um dos antigos ministros do Partido Socialista de nome Paulo Pedroso. Sabe que ele
substitui Ferro Rodrigues”- tendo o reconhecimento por fotografia do arguido Paulo
Pedroso, através da fotografia nº. 8 constante do apenso AJ ocorrido posteriormente a essa
identificação nominal;
26 - A “descredibilização parcial” dos depoimentos da testemunha A
e Testemunha B é absolutamente inaceitável e injustificada, tendo sido efectuada
sem qualquer critério que se possa considerar sustentado na lógica ou regras da experiência;
27 – Os depoimentos da Testemunha A e Testemunha B – cuja
credibilidade é insusceptível de ser abalada – são corroborados pelos restantes depoimentos
das testemunhas que, de forma inequívoca também identificaram o arguido Paulo Pedroso,
apesar de não terem referido o seu nome, tendo duas delas sido vítimas de abusos sexuais
perpetrados por tal arguido;
28 – A Testemunha D, para além de ter identificado
inequivocamente o arguido Paulo Pedroso através de fotografia, fez referência ao facto assaz
relevante de conhecer a actividade a que se dedicava o arguido – “é político acho eu...” – o
que só aumenta a sua credibilidade;
29 - Ao contrário do entendimento expresso na decisão recorrida, é inquestionável
que a menção à actividade desenvolvida pelo arguido Paulo Pedroso é muito mais relevante
que qualquer possível menção a uma marca de carro, que até se desconhece se poderia ter
sido feita, quando se apurou, conforme referiu a sua ex-mulher, que o arguido Paulo Pedroso
não gostava de conduzir, desconhecendo-se de que forma ele se deslocava a Elvas,
nomeadamente, se conduzia veículo próprio ou se ia no veículo de alguém;
30 - Como resulta das regras da experiência, uma pessoa que use óculos é logo
descrita mediante menção, “à cabeça”, dessa particularidade, tendo, por isso, todas as
testemunhas que não sabiam o nome do arguido (Testemunha D, Testemunha E
e Testemunha C), feito referência ao mesmo com alusão a tal facto;
31 - A exigência da descrição exaustiva de todas as características físicas do arguido
apenas faria sentido no caso de um reconhecimento efectuado nos moldes definidos pelo
artº. 147º. do CPP, a que não se procedeu nos autos;
32 - Contudo, a identificação efectuada obedeceu igualmente às normas processuais
penais, conforme, aliás, considerou a Mmª. Juiz sob o ponto 2 da decisão instrutória no qual,
ao pronunciar-se sobre a invocada invalidade dos reconhecimentos fotográficos, concluiu
pela sua validade e referiu expressamente consubstanciarem um meio de prova
frequentemente utilizado em inúmeras investigações;
33 - As objecções colocadas à qualidade da fotografia nº. 8 do apenso AJ não são
susceptíveis de por em causa a identificação efectuada, por essa via, pelas testemunhas que
incriminam o arguido Paulo Pedroso;
34 - De facto, é inquestionável que em tal fotografia são patentes as feições do
arguido, que está por isso perfeitamente identificável, não tendo as testemunhas tido dúvidas
em apontá-lo, de entre muitos outros indivíduos retratados nas fotografias constantes do
apenso em causa, como sendo o autor dos factos de que foram vítimas;
35 - Não se pode afastar, como faz a Mmª. Juiz, a relevância da identificação
posterior do arguido - também por via da fotografia nº. 81 - que considera que a essa
fotografia “não pode ser atribuído qualquer valor para este efeito porque nessa data já o
arguido se encontrava preso preventivamente há quase dois meses e a sua imagem havia
aparecido incontáveis vezes na imprensa e em todos os canais de televisão”;
36 - Seguindo este raciocínio da Mmª. Juiz, sempre a identificação de figuras
públicas em quaisquer processos seria absolutamente inviável;
37 – É certo que as testemunhas, nomeadamente a Testemunha D e a
Testemunha E, ao identificarem o arguido Paulo Pedroso não obstante estarem a “apontar a
fotografia de um indivíduo completamente estranho que viram pouquíssimas vezes, em
situações extremamente penosas”, identificaram-no sem vacilarem e sem qualquer reserva,
inexistindo nos autos um elemento sequer que permita pôr em causa as identificações
efectuadas;
38 - Depois da prisão preventiva do arguido nenhuma das testemunhas mencionadas
veio referir ter-se enganado, tendo todas elas reafirmado as imputações efectuadas
relativamente ao arguido Paulo Pedroso;
39 - O arguido Paulo Pedroso foi identificado não só pelos menores que foram suas
vítimas, mas também por outras testemunhas que sabiam quem o mesmo era e o
referenciaram pelo nome e os cargos públicos exercidos, não sendo por isso admissível
questionar a memória dos primeiros;
40 - A Mmª. Juiz não refere qualquer facto susceptível de justificar que tivesse posto
em causa a memória dos ofendidos e que a levasse a concluir que os mesmos certamente se
enganaram, não bastando, como é evidente, para se afirmar ou aventar a existência de
possíveis distorções da memória a referência às circunstâncias em que ocorrem crimes desta
natureza;
41 - As testemunhas/ofendidos não viram o arguido Paulo Pedroso apenas uma vez –
viram-no várias vezes e os contactos estabelecidos não foram de tal modo fugazes que não
lhes permitisse fixar a fisionomia do agressor, pois os menores eram levados para uma casa
– a casa de Elvas – onde os aguardavam os adultos que com os menores estabeleciam um
contacto mínimo;
42 - Nada nos autos permite a formulação da mais leve suspeita de que a memória
dos ofendidos pudesse ter sido “ajudada, parcialmente reestruturada ou completamente
alterada por inputs posteriores ao acontecimento.”, sendo toda a tramitação processual e o
conteúdo da prova obtida, a demonstração de que os testemunhos foram produzidos com a
máxima espontaneidade, sem a ocorrência de qualquer espécie de sugestão exterior;
43 – É precisamente quanto à identificação pelos ofendidos Testemunha D e
Testemunha E do arguido Paulo Pedroso – que, para aqueles era completamente
desconhecido, fora do contexto dos abusos sexuais – que a Mmª. Juíz põe em causa a
memória das testemunhas/vítimas, sem que para tal avente qualquer facto objectivo, quando
anteriormente concluíra que as dificuldades inerentes à apreciação da prova neste tipo de
crimes apenas seria susceptível de fazer perigar uma decisão judicial (obviamente de
pronúncia), nos casos em que tal circunstancialismo fosse significativamente negativo no
sentido de excluir a hipótese de os testemunhos serem verdadeiros;
44 – A testemunha Pedro Strecht acompanhou a Testemunha D com
regularidade, conhece o seu percurso pessoal e a sua história familiar, pelo que as
considerações que teceu acerca deste e à credibilidade do seu depoimento, têm um valor
probatório inquestionável, tanto mais que se trata de um pedopsiquiatra cujo percurso
profissional e competência técnica é unanimemente reconhecido, inclusivamente pela Mmª.
Juiz, que o classifica como sendo um profissional “de consabida e relevante experiência
com crianças e adolescentes”;
45 - Os depoimentos de todas as testemunhas – ofendidos e não ofendidos –
credibilizam-se reciprocamente, escapando a todas as regras da lógica que se ponha em
causa a memória das testemunhas que o identificaram inequivocamente por fotografia,
quando, em acréscimo, existem outras testemunhas – maxime a Testemunha A – que
sabia perfeitamente quem era o arguido, tendo-o identificado cabalmente e confirmado que
o mesmo era um dos adultos que se deslocava à casa de Elvas;
46 – O arguido Carlos Silvino foi começando a falar aos poucos, tendo relatado os
factos que, no essencial, confirmaram as versões dos ofendidos e mencionado o nome do
arguido Paulo Pedroso, perante a Mmª Juiz de Instrução, com a mesma convicção com que
referiu os nomes dos outros arguidos, não se vislumbrando, por isso, porque motivo a Mmª.
Juiz desvalorizou as suas declarações na parte em que incriminou o co-arguido Paulo
Pedroso;
47 - Apesar dos factores de coacção interna e externa, o arguido Carlos Silvino foi
capaz de, perante a Mmª Juiz de Instrução, de viva voz, relatar que Paulo Pedroso era um
dos adultos que tinha visto na Casa de Elvas e na “Casa dos Erres” e, quando acareado, com
este arguido, manteve integralmente a sua versão;
48 - Ao arguido Carlos Silvino assiste o direito de estruturar a sua defesa da forma
que entender por mais conveniente, inexistindo qualquer norma ou regra de experiência em
função da qual se possa concluir não serem de valorizar as declarações prestadas por um
arguido em fases mais adiantadas do processo, quando não o fez, nomeadamente, em fase de
inquérito;
49 – Nada pode justificar as declarações prestadas pelo arguido Carlos Silvino –
nomeadamente na parte em que incrimina o arguido Paulo Pedroso – a não ser o facto de as
mesmas corresponderem à verdade;
50 - Da análise conjugada dos depoimentos de Carlos Silvino, Testemunha A e
Testemunha B resulta que todos apontam nominalmente o arguido Paulo Pedroso, sem
qualquer margem para dúvida, não tendo a Mmª Juiz de Instrução feito uma análise correcta
e concertada de toda a prova produzida, nem tendo adiantado qualquer critério objectivo ou
mesmo perceptível e lógico para “fazer tábua rasa” de tais testemunhos;
51 - O comportamento do arguido Paulo Pedroso revelado nas conversações
telefónicas que efectuou, cujo conteúdo integra os apensos AZ-T e BC-T, acabou por dar
credibilidade a toda a prova produzida que o incriminava, estranhando-se que a decisão
recorrida tenha omitido qualquer referência a tal, sendo certo que para justificar tal omissão
se impunha, pelo menos, uma análise crítica das mesmas;
52 – O aparelho dentário que o arguido Paulo Pedroso usou, entre Outubro de 1999 e
meados de Julho de 2000, consistia numa prótese fixada no maxilar superior através de
ganchos composta por um fio de metal fino que atravessava a dentadura superior,
encontrando-se presa aos dentes por dispositivos de metal nos molares e pré-molares e de
silicone ou borracha transparente nos dentes frontais (incisivos e caninos);
53 - Tal prótese tinha umas “almofadas” assentes sobre cada dente frontal, feitas de
material transparente, por forma a ocultar a sua visibilidade, ao contrário do que é comum
neste tipo de aparelhos em que, em regra, as referidas “almofadas” são feitas de material
metálico prateado;
54 – Mediante visionamente das cassetes juntas aos autos na fase de inquérito com
todas as intervenções televisionadas do arguido Paulo Pedroso entre 1999 e 2000 , verificase
que em nenhuma dessas intervenções– nalgumas das quais aparece a falar – se vislumbra
o referido aparelho, não sendo por isso verdade que tal aparelho fosse visível e pudesse ser
apontado como uma característica física particular do arguido pelas testemunhas que o
identificaram;
55 - Porque o aparelho não era visível quando o arguido falava normalmente, a
defesa arranjou imagens paradas – frames – do arguido quando ria abertamente, para tentar
demonstrar a visibilidade do referido aparelho;
56 - Tais frames - as fotografias constantes de fls. 19656 a 19662 - foram retirados
de uma entrevista dada pelo arguido a um programa da RTP, em 12.3.2000, no qual o
arguido surge a rir abertamente, o que não seria a sua postura habitual aquando da realização
dos abusos sexuais que se mostram indiciados;
57 – Em suma, basta a visualização do conteúdo da cassete com a filmagem da
entrevista referida - junta pelo arguido em 07.05.2004, donde foram pelo arguido retiradas
as referidas frames - para se dissiparem as dúvidas relativamente à visibilidade, ou não, do
aparelho dentário, pois pura e simplesmente tal aparelho não é visível quando o arguido fala
normalmente, uma vez que não mostra os dentes do maxilar superior, que ficam
integralmente cobertos pelo lábio superior;
58 - Por conseguinte, é a todos os títulos incompreensível que se considere que os
menores deveriam ter identificado o arguido Paulo Pedroso fazendo referência ao aparelho
dentário, que era praticamente imperceptível, e absolutamente invisível quando o arguido
falava normalmente;
59 – Se a Mmª. Juiz tinha dúvidas relativamente ao que as testemunhas recordavam
das características físicas do arguido Paulo Pedroso deveria tê-las dissipado, verificando-se,
em função da leitura das inquirições dos ofendidos, que nenhuma pergunta lhes foi feita
sobre tal questão;
60 - O arguido foi sujeito a exame médico de clínica médico-legal tendo-se apurado
que o mesmo padecia de “moderada ginecomastia (aumento do volume mamário), mais
evidente à direita”;
61 - O arguido tem um elevado perímetro abdominal e um considerável tecido
adiposo, que não aparenta ter quando vestido, conforme se afere pela análise das fotografias
tiradas ao arguido, aquando da realização do exame de clínica médico-legal, constantes de
fls. 12541 a 12544 dos autos;
62 - Da análise do relatório médico constante de fls. 12537, das fotografias acima
referidas e também da que consta como doc. nº 45 do Apenso EH, verifica-se que a
ginecomastia é bilateral, embora mais desenvolvida na mama direita, podendo ser, para um
leigo, percepcionável apenas como caracterizando um indivíduo gordo, sendo que a sua
própria família nunca deu qualquer relevância a esse facto;
63 - Não seria de esperar que os menores reparassem na referida ginecomastia
“moderada e bilateral” num indivíduo com tal perímetro abd