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agosto 31, 2004
Poeta castrado, não!
Os que entendem como eu
As linhas com que me escrevo
Reconhecem o que é meu
Em tudo quanto lhes devo:
Ternura como já disse
Sempre que faço um poema;
Saudade que se partisse
Me alagaria de pena;
E também uma alegria
Uma coragem serena
Em renegar a poesia
Quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
A força que tem um verso
Reconhecem o que é seu
Quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
-É tão vulgar que nos cansa-
Mas que dizer de uma bala
Num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
-a morte é branda e letal-
Mas que dizer da memória
De uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
O poema dia a dia?
-Um bisturi a crescer
Nas coxas de uma judia;
Um filho que vai nascer
Parido por asfixia?!
-Ah não me venham dizer
Que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
Por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
Falso médico ladrão
Prostituta proxeneta
Espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!
Ary dos Santos
Afixado por afixe em 31 de agosto de 2004, às 17:56
Afixadelas
tinhas logo de ir buscar um poeta gay! não te chegava um herberto hélder?
Afixado por gibel em 31 de agosto de 2004, às 18:01
ou o José Fanha!!
Afixado por gibel em 31 de agosto de 2004, às 18:13
Ele apenas não se quer deixar castrar, para não ficar com a voz fininha como tu.
Afixado por Monty em 31 de agosto de 2004, às 18:13
é claro que isto agora do que é fininho e do seu contrário, respondido brejeiramente à letra, levar-nos-ía para um discurso malucos-do-risesco...e eu não vou subir até aí
Afixado por gibel em 31 de agosto de 2004, às 18:20
O José Fanha não tem a voz fininha, não. Cão danado, palhaço, camarada...
Afixado por Monty em 31 de agosto de 2004, às 18:21
Acho bom, ainda não estou recomposto da última.
Afixado por Monty em 31 de agosto de 2004, às 20:40
Lá por causa disso o Zé CArlos Ary tambem não tinha.Bem pelo contrário.O Zé Fanha foi seriamente advertido pela Sociedade Luso-Hispano-Palopica de Otorrinolaringologia pelos danos causados nos timpanos dos desfavorecidos que iam à Feira de Loures ouvir o ultimo dos tonitruantes autordeclamador.A partir daí rendeu-se aos encantos das pequenas colectaneas mailo o J.J.Letria.A.B.
Afixado por A.B. em 31 de agosto de 2004, às 22:15
