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agosto 29, 2004
Women On Waves
Já aqui foram postados 2 textos do Gibel, que creio darem espaço para bastante reflexão e estão abertos a comentários. E eu sei que não venho acrescentar nada de novo, mas também me custava não dizer nada neste momento.
Não se põe em dúvida que a vinda deste barco é publicidade. Assim como os navios da Greenpeace também não iam resolver os problemas que se põem a nível da ecologia este não vem resolver o problema do aborto clandestino. Ponto final. E exactamente por isso é que esta atitude histérica do governo é mais absurda. A Irlanda e Polónia tiveram mais bom-senso. Os nossos quatro ministros que estão a tratar do caso não podem fazer mais publicidade do que aquela que o Women on Waves desejava !
E depois o absurdo: A nossa legislação permite a interrupção da gravidez até às 12, 16, ou 24 semanas, conforme os motivos. Aqui, no barco, a pílula que fornecem é dada para casos até às 6 semanas e meia. Reparem que é metade do tempo mínimo que a nossa lei permite! O que justifica este barulho todo? A questão de princípio, é claro. E a hipocrisia que tudo isto cobre! Um aborto nunca se faz sem grande sofrimento. Não passa pela cabeça de ninguém (como às vezes tenho ouvido) que seja um método anticoncepcional. É-o feito em desespero de causa, porque alguma coisa falhou. Claro que há excepções, e tenho ouvido raparigas a dizerem coisas idiotas e com isso a prestarem um péssimo serviço à causa que julgam defender. Mas na sua esmagadora maioria, as muitas mães de família que tiveram de recorrer ao aborto, fizeram-no com grande sofrimento psicológico. Nem querem falar nisso, que é uma ferida viva. Haja respeito, haja tolerância, haja compreensão.
Afixado por Emiéle em 29 de agosto de 2004, às 09:31
