« Tempos Livres | Entrada | Declaração de Bolonha »
setembro 26, 2004
“A vida é um milagre”...?
Muitas vezes assim parece. Se calhar depende dos olhos quem a observa.
Vim agora mesmo do cinema e escrevo sob a impressão causada pelo filme de Kusturika. Excelente.
Para abrir o apetite dêem uma olhadela AQUI , (cliquem em "entrer" mas leva algum tempo a abrir ).
Nem sei o que focar primeiro. O entrelaçar de uma história de amor e guerra, narrado de uma forma inesperada de burlesco e humor quase tresloucado. Momentos de puro non-sense. Uma história que começa com uma burra suicida, insistindo em se postar na linha de comboio para morrer por desgosto de amor mas que, com esse gesto repetido várias vezes, acaba por salvar o protagonista do mesmo fim. Um país em guerra, brutal e violentíssima mas onde o povo vive, coexistindo com ela, como fazendo parte da sua vida ( que de facto é um milagre...). Aliás fica no ouvido a frase: “A morte? A morte não dói nada! O que nos dói é a vida” mas apesar disso a vida brota por todo o lado como uma avalanche impetuosa. Um “Romeu / Julieta” entre sérvio e croata, entre cristão e muçulmana, história quase impossível. E a música? Este filme não seria possível sem a sua música, invadindo tudo, sublinhando os aspectos mais inesperados, inundando o filme. É certo, a vida é um milagre, frase que alguém diz ao ver uns patinhos a sair do ovo debaixo de bombardeamento, assim como depois um bebé nasce nas mesmas condições. Guerra e vida, guerra e amor. Tudo ligado pelo mais inesperado comboio!
Afixado por Emiéle em 26 de setembro de 2004, às 21:35
Afixadelas
Magnífica, Emiéle, a tua descrição do filme. Filosofia pura e profunda.
Um abraço.
Afixado por falans em 26 de setembro de 2004, às 22:01
Também gostaste, Falans, não foi?
Obrigada :)
Afixado por Emiéle em 26 de setembro de 2004, às 22:43
Excelente. Com isto vou mesmo ver o filme. Já andava a pensar, mas com o teu post ( lindamente bem escrito, Emiéle, parabéns) fiquei com o apetite aguçado. E o trailler dá uma boa ideia também. Mas o que gostei mesmo foi do teu comentário.
Afixado por Ana em 27 de setembro de 2004, às 10:52
