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setembro 30, 2004
Casas, rendas, e outras coisas mais
Agora que vem aí a tal lei das rendas, há muito quem pense que se a sua renda subir para um nível que seja igual à amortização de uma casa nova, então venha a casa nova. E daí, que tenha interesse o estudo feito pela DECO que parece concluir que a construção cá na terra não é lá grande espingarda. Dizem que «em 32 dos 34 apartamentos inspeccionados foram detectados defeitos graves no edifício, habitação, ou zona envolvente». A parte do isolamento e humidade parece ser um queixa muito frequente, pelo que oiço. Mas se ainda querem “zonas envolventes” também se está a exigir muito! Mas quais zonas envolventes? Elas existem, é claro, cada edifício é envolvido por o que lhe está à volta, mas em Lisboa é para esquecer. Viva a província.
Afixado por Emiéle em 30 de setembro de 2004, às 18:09
Afixadelas
Vou falar e escrever como inquilino que sou:
Recordo ainda dos meus tempos de miúdo a quantidade de senhorios que ofereciam as suas casas para que os meus pais lhas alugassem. As rendas, como não eram casas novas nem eram caras por aí. E muitas das novas eram de longe melhores que muitas que hoje se fazem para venda. Havia mercado de arrendamento e a oferta e a procura ajustavam os preços.
A seguir ao 25 de Abril, e temos que reconhecer isso, o oportunismo político foi incapaz de legislar para não afugentar eleitores e o resultado está à vista. Casas a cair de podres, indivíduos com reformas de 500/600 contos a pagarem 10 contos por mês, indivíduos que alugam um quarto por 40 contos e pagam 5 ao senhorio etc.etc.etc.
Não conheço suficientemente esta lei não vou ajuizar de cabeça quente. Só sei que algo tem de mudar e o caso da habitação é um deles. Não se admite que as cidades tripliquem a sua área com o mesmo número de habitantes. Quem é que paga as novas infra estruturas? E a manutenção das velhas? E o resto da parte velha das cidades ficam aos ratos? Mas se olhar os hobies da construção, dizem que é preciso fazer muito mais casas e que isso é que faz o crescimento económico. Eu digo è mentira, já temos uns milhares de casas a mais em relação ao numero de habitantes. Estamos a querer ser todos proprietários com a ilusão que comprar casa é para toda a vida. Só que muita gente da minha idade já mudou de casa (comprada) 3 ou 4 vezes e não vão ficar por aí.
Com a ilusão do futuro nem sequer o presente vivem.
Afixado por Sapador Florestal em 30 de setembro de 2004, às 19:05
Pois claro! Falam de espaços verdes, mas, onde devia haver espaços verdes só se veêm prédios. E, se vamos para os arredores de Lisboa, ainda pior!
Afixado por Johnny em 30 de setembro de 2004, às 19:06
Sapador, entendo o que sentes e já tenho feito vários posts sobre este tema que é muito sério. A verdade é que há falta de bom-senso. Nem 8 nem 80. Como recordas e bem, há 30 ou 40 anos havia casas para alugar e até com as chamadas rendas condicionadas ("um-conto-cento-e-dez" por 3 assoalhadas) que implicavam que os senhorios por sua vez tinham alguns benefícios... Depois as coisas estagnaram completamente. Porque 1.000$ parece pouco, mas há 40 anos era metade de um ordenado razoável. entendo que os senhorios deixem as casas ao abandono porque as rendas não chegam para fazer arranjos. Mas também pedirem 150 contos, como pedem, quando uma casa dessas fica vaga, é um exagero. No meu prédio tenho andares que ficaram vagos, o senhorio fez uma pintura interior e pediu 150 contos por 3 assoalhadas com ... quarenta anos! tem de se encontrar um ponto justo.
Afixado por Emiéle em 30 de setembro de 2004, às 19:38
