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setembro 27, 2004

Declaração de Bolonha

Há agitação.
Por um lado os estudantes do ensino superior afirmam que a Declaração de Bolonha "vai excluir ainda mais portugueses". Por outro, um antigo ministro da Educação duvida que * três anos sejam suficientes para garantir formação profissional adequada . Outros, entendidos em educação, deitam água na fervura insistindo que isto não é uma lei, é uma declaração de intenções: «Não é uma alteração muito radical mas será necessário mudar o sistema de bases do ensino superior. Se tudo correr bem, julgo que dentro de dois anos o sistema comece a ser implantado
Bom, mas o certo é que com excepção de Medicina, Arquitectura, Direito ou Engenharia Civil, os cursos se passam a ter 3 anos, são bacharelatos. De acordo com Roberto Carneiro, « Em três anos é muito difícil dar uma graduação profissional que permita ao aluno exercer uma profissão, o que só acontecerá num segundo nível» e, como esse segundo grau, o estado já não vai financiar, prevêem-se virem aí algumas economias para o estado .
Contudo, se 26 países concordaram com este sistema, é porque deve haver garantias de que a preparação será adequada. Com a maior franqueza, eu já não percebo nada. E, como creio não ser a única, seria bom que alguém desse uma explicações bem clarinhas sobre este tema.
*[o link para o artigo da Capital mudou de sítio de manhã para agora; não o acho... Desculpem, mas juro que estva lá de manhã!]

Afixado por Emiéle em 27 de setembro de 2004, às 05:55

Afixadelas

Emiéle
penso que a questão é que já que se não pode aumentar fortemente as propinas, "privatiza-se". Teremos licenciaturas de 1º grau, e licenciaturas de 2º. Mesmo que considere que muitas das licenciaturas que existem são muito fraquinhas, a solução seria maior rigor no reconhecimento delas e dos curriculos. É mais uma medida descricionária

Afixado por GIN em 27 de setembro de 2004, às 07:27

Olá Gin! Tenho imenso gosto em ver-te por aqui.
Aqui para nós, também me parece que é isso. O que estava a sentir era o aspecto de licenciaturas com maiúscula e outras ( tipo bacharelato ) com minúscula. Se o ensino fosse de muita qualidade, os estudantes muito motivados, se calhar nem seria muito grave. O que me inquieta é que não me parece que isso aconteça. Pelo que sei da minha área, há desequilíbrios sérios entre o que se ensina nalgumas escolas e a mesma matéria dada por outras idênticas. Que profissionais estamos a "fabricar"?

Afixado por Emiéle em 27 de setembro de 2004, às 08:35

...
Pois é.

Mal é que nós queremos mais tempo para passearmos os livros, naquela abençoada vida de estudante.
"Ai! Que saudades!" desse gozo que me não coube!

Senhores, eu acho que, para se obter um curso com licenciatura, TRÊS ANOS SÃO MAIS DO QUE SUFICIENTES.

Basta que, cumulativamente com uma boa fase primária e secundária (QUE jÁ NÂO HÁ...) se cumpram horários com menos férias, festas e borga.
Se verificarmos bem, um cuso de cinco anos tem só 40 a 50% do tempo aproveitado com aulas e estudos.

Fala quem fez um curso superior já com idade para ter juízo e acompanhou a formação, até à licenciatura, de uma filha que tem, agora, a bonita idade de 25 aninhos.

Ademais, porque não fazem uma resenha histórica pelos nossos maiores?

Quantos anos tinha uma licenciatura no tempo de Fernandes Tomás?
E de Eça?
E de Antero?

E quanto valia um BACHAREL???
(equiparando, hoje seria um Doutoramento, estou seguro!)

Portanto, meus senhores, vamos lá a fazer as Licenciaturas em três anos.

É TEMPO PAIS DO QUE SUFICIENTE.

E os Pais que não tem muitas possibilidades agradecem.

E os nossos impostos também.

Afixado por Zé Lume em 27 de setembro de 2004, às 09:51

...

Já agora.
Se assim for -e apesar da minha "provecta" idade e do muito trabalho que tenho, prometo que ainda vou fazer mais uma "licenciaturazita" ou duas!

Prometo!

Afixado por Zé Lume em 27 de setembro de 2004, às 09:54

...

Já agora.
Se assim for -e apesar da minha "provecta" idade e do muito trabalho que tenho- prometo que ainda vou fazer mais uma "licenciaturazita" ou duas!

Prometo!

Afixado por Zé Lume em 27 de setembro de 2004, às 09:54

Zé lume.
Não sei se 3 anos são o suficiente. 4 para mim seria o ajustado.
Tenho um bacharelato e também uma licenciatura em informática de gestão.
Tive sempre horários de manhã à noite, por isso a teoria do 40 ou 50 % do tempo ocupado não me parece que esteja correcta.
Tinha horários das 8:30 às 17:00, quase todos os dias.

O que se passou é que o curso até era bem estruturado, mas creio que não são 3 anos suficientes para ensinar tudo o que se pretendia.
Agora se querem mudar para 3 anos, têm de refazer o curso, retirar disciplinas e colocar outras talvez. Dúvido é que se consiga fazer alguma coisa de jeito.

Afixado por cachucho em 27 de setembro de 2004, às 13:27

É o sistema mais usado "lá fora", nalguns cursos. Mas, UK e HK já metem secundário com 13 anos.
fj

Afixado por FJ em 27 de setembro de 2004, às 14:20

Estou de acordo, em parte, consigo, Cachucho. Na verdade, há cursos que são, sem dúvida, mais exigentes. Sáo a excepção que pode confirmar a regra. No seu caso, por exemplo, julgo que a exigência será maior, porque na área das ciências.
No meu caso, e porque sou da área do Direito (e bacharel e Contabilidade) entendo mais do que suficientes os três anos.
Então, se expurgarem a "palha", será o tempo suficiente.
Agora, quando me referia à percentagem do tempo lectivo, não me refiro ao tempo diário. Acho piada aos "semestres" que, bem contados, terão para aí três meses. Com todas as interrupções, desde as recepções ao Caloiro, passando pelas latadas, queimas, férias e greves por tudo e por nada...
...E a grande parte dos cursos que se fazem sem ir às aulas???

Mamtenho, ainda, o que acima refiro.
É necessário ENSINAR/APRENDER desde a primeira classe.
É mais de meio caminho andado para que os cursos se façam bem e mais depressa.

Lembro de que, grande parte da minha base cultural e de conhecimentos, se funda no saber absorvido desde a instrução primária e, depois, continuou com um excelente curso comercial (nocturno...)

Como vê...

Afixado por Zé Lume em 27 de setembro de 2004, às 14:21

Comparar os bacharelatos oitocentistas com as licenciaturas de hoje!?! Só mesmo nos blogues... Haja paciência.

Afixado por Anonymous em 27 de setembro de 2004, às 16:11

Tem razão, senhor (a) ...???...
Tem muita razão!

"Erro meu, má fortuna..."

De facto, esses tais oitocentistas ficariam, decerto, muito ofendidos.

Haja paciência!

Afixado por Zé Lume em 27 de setembro de 2004, às 18:10

Caro comentador [....]
O amigo Zé Lume, mais ironicamente, tirou-me a resposta que ia dar. Porque creio que o que pretende é dizer que as licenciaturas de hoje são mais sérias do que o eram há um século. Bom, não conheço ninguém dessa época, mas conheço licenciados de há 40 anos. O curso terminava com a defesa de uma tese, que era tão boa ou melhor que muitas de mestrados que tenho visto. O trabalho de uma tese de licenciatura obrigava a um tempo incalculável em bibliotecas ( não havia a net e esse conforto e rapidez) investigação prolongada e profunda de muitos temas, e escrita de trabalhos de grande qualidade. Nessa altura os 3 anos de Faculdade concediam exactamente o grau de Bacharel. Os 5 com defesa de tese, o grau de licenciatura. Como vê, não é ideia de blogs... É o que nos diz a história e a sociologia.

Afixado por Emiéle em 27 de setembro de 2004, às 18:32

Concordo que a formação deve ser dada e bem desde a primeira classe.
Sempre defendi isso. Não me revejo nesta educação que tem docentes fracos, alunos desmotivados por terem condições medíocres, e terem de pagar quase para respirar em estabelecimentos de ensino públicos!

Afixado por cachucho em 27 de setembro de 2004, às 19:02

Acabei de ler uma entrada num blog que pode esclarecer um pouco este assunto. Será melhor irem ver do que eu transcrever, mas a ideia é que o problema está nos termos utilizados e não no conteúdo. Caso mais de semântica.

Afixado por Emiéle em 29 de setembro de 2004, às 07:33

Excelente ajuda.
O link funciona mesmo e esse blog é um achado. Vou ver se começo a passar por lá que tem muita informação. Assim já se entende a reformulação dos cursos. E deixa de haver ofensas.

Afixado por Ana em 29 de setembro de 2004, às 11:28


Certo. Então "Por cá, optou-se por manter o nome de Licenciatura e Mestrado para o primeiro e segundo graus de Bolonha" e até aqui tudo certo. Mas de qualquer modo o que se vai passar é que o tal 2º grau vai passar a ter de ser pago na ímtegra, ou não? É que é isso que inquieta a malta, o pagamento já não falo das propinas que até concordo com elas, mas a totalidade do ensino do 3º ano em diante.

Afixado por King em 29 de setembro de 2004, às 11:33

Ops! Gralha, é claro! Íntegra. ( no teclado as duas teclas estão mesmo encostadinhas.. é o que dá!)

Afixado por King em 29 de setembro de 2004, às 11:34

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