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setembro 29, 2004

GRRAUUGH!!

Venho anunciar-vos que, de acordo com as mais recentes avaliações, sou uma radical perigosa!

Sim, é verdade, tenham cuidado!! Ou melhor, tenham medo, tenham muito medo!!
Mas parece-me que é melhor explicar…
Ontem tive o jantar mais surreal que já tive em dias de minha vida. Acreditem, há muito tempo que não me divertia tanto! Puro nonsense!
Aceitei o pedido de salvamento de um colega, e acompanhei-o a um jantar de networking entre advogados administrativos de várias Agências (aqui o pessoal gosta muito deste tipo de coisas...). Bem, vi-me a partilhar a mesa (por acaso num restaurante bastante simpático, na zona de Saint-Gerry: o Fin de Siécle. Recomendável se quiseram provar pratos típicos da cozinha belga, que não mexilhões com batatas fritas, e estiverem acompanhados de pessoas que prefiram comida normal – há um pouco de tudo, o ambiente é descontraído, a música de fundo agradável, o serviço rápido. E fim de parênteses, que já vai longo…) com um grego e um francês, além do meu colega.
Para aí a meio do jantar, quando me debatia bravamente com o meu jambonneux avec moutard à l’ancienne (delicioso, se bem que um pouco pesado), o comensal grego decide tocar no assunto proibido: a mudança do meu caro Zé Manel para terras belgas. Dizia ele que agora com certeza que ia haver muitos mais portugueses na Comissão Europeia, e rematava com a apologia do facto. Nem sei muito bem porquê (deve ter sido da Orval antes do jantar, 10° em estômago vazio), dei por mim a responder-lhe que não achava que isso tivesse nada de bom, que achava que as pessoas deviam ser escolhidas em razão da sua competência, e não por causa de favoritismos relacionados com a nacionalidade.

Perante isto, o engraçado grego lança-se numa acesa defesa do nepotismo - não, não, que digo eu!! Palavras feias… Não é nada disso! Mas é que o trabalho dos políticos é tão difícil, coitadinhos, tomar decisões e impor a sua aplicação. Precisam de pessoas em quem confiem e que acreditem nas suas políticas, para as conseguirem implementar. Como, sabe-se lá porquê, existem por vezes algumas vozes dissidentes em altas posições da administração pública, é normalíssimo que essas pessoas sejam saneadas (oops, cá estou eu outra vez… é este estúpido teclado, hem…), convidadas a sair, portanto, para serem substituídas por pessoas que acreditem nas políticas dos políticos. Deixem-nos trabalhar, não é?
E também é perfeitamente normal que esses mesmos políticos tenham assessores da sua confiança, e secretárias amigáveis, e variados yes men… Afinal, não podem trabalhar sozinhos, não é verdade? E é perfeitamente normal que com os nossos impostos paguemos o salário desses inúteis (ai, ai, cá estou eu outra vez) amigos, uma vez que é uma linha orçamental diferente, estão a ver? É que não são posições permanentes, duram no máximo uns cinco anos…
Há que ser pragmático!!
Embora fascinada com a brilhante argumentação apresentada, não pude deixar de dar umas, enfim, achegas…
Resultado, em menos de meia hora, estava definido que sou uma radical perigosa (sim, ele disse isto). Aliás, ele até me achou piada, mas achava que eu era boa era na tropa (sic)!
Fiquei deliciada, como podem imaginar!
Mas o ponto alto da noite foi quando, depois de uma brilhante associação com profundas raízes freudianas, o grego se vira para mim, exsudando confiança e verve, e me pergunta, ou melhor, afirma: “you’re not married, right?
Fascinante! Depois de tanto ter pensado em gastar dinheiro num terapeuta que me explicasse o meu cruel destino com os homens, chega este mensageiro de clareza e brilhantismo e resolve as minhas questões existenciais!
Afinal, já sei qual é o meu problema: sou uma radical perigosa, um tipo conhece-me e fica logo a pensar que vai ser um empecilho no meu brilhante destino revolucionário, pensa que não vai ter estofo para aguentar a fase da guerrilha, e dá automática e diplomaticamente “de frosques”, como se diz em bom português!
Sinto-me muito mais aliviada! O futuro parece-me agora um livro aberto!
Já comecei a fazer planos para a primeira fase da grande revolução que vou iniciar. O primeiro passo já está dado, estou a deixar crescer o cabelo! Começo agora a pensar em meios de mitigar a minha aflitiva ausência de barba hirsuta, mas tenho a impressão que qualquer coisa se há-de arranjar!
O Afixe terá necessariamente de se encaixar no meu plano revolucionário, só ainda não sei muito bem como… Brevemente voltarei com novidades e um manifesto (pois é, o manifesto é essencial, tenho de pensar nisso urgentemente!).
Me aguardem!!!

Afixado por M. Butterfly em 29 de setembro de 2004, às 15:31

Afixadelas

casa-te e especializa-te em engomr lençóis. é a solução. ;)

Afixado por ana margarida em 29 de setembro de 2004, às 15:48

Ai,M,como eu te percebo.Q.B. de situações dessas tive eu nessa santa terra!!!!Mas não te preocupes que o homem é grego e a cultura clássica sempre foi em matéria de sexualidade de uma versatilidade imensa...Daí bem podes tirar lições sobre que Europa temos pela frente.Mas só por graça sempre te direi que me calhou um tipo numa discussão dessas que á falta de melhor argumentação declarou que as mulheres inteligentes deviam usar á volta da testa o mesmo que usavam á volta da barriga ou seja ...cintas!Lá lhe tentei explicar que a lingerie já tinha evoluido muito, até mesmo ao nivel da inexistencia,mas o homem coitado estava de boa fé.Calcula que ele achava que os homens fugiam das mulheres inteligentes e como medida de precaução a tal cintinha...Faz lembrar aquelas comédias onde ela sí porta fora e volta atrás para dizer:Olha e os orgasmos foram todos fingidos...AB:

Afixado por A.B. em 29 de setembro de 2004, às 15:49

Ai,M,como eu te percebo.Q.B. de situações dessas tive eu nessa santa terra!!!!Mas não te preocupes que o homem é grego e a cultura clássica sempre foi em matéria de sexualidade de uma versatilidade imensa...Daí bem podes tirar lições sobre que Europa temos pela frente.Mas só por graça sempre te direi que me calhou um tipo numa discussão dessas que á falta de melhor argumentação declarou que as mulheres inteligentes deviam usar á volta da testa o mesmo que usavam á volta da barriga ou seja ...cintas!Lá lhe tentei explicar que a lingerie já tinha evoluido muito, até mesmo ao nivel da inexistencia,mas o homem coitado estava de boa fé.Calcula que ele achava que os homens fugiam das mulheres inteligentes e como medida de precaução a tal cintinha...Faz lembrar aquelas comédias onde ela sí porta fora e volta atrás para dizer:Olha e os orgasmos foram todos fingidos...AB:

Afixado por A.B. em 29 de setembro de 2004, às 15:49

casa-te e especializa-te em engomar lençóis. é a solução. ;)

Afixado por ana margarida em 29 de setembro de 2004, às 15:50

Ai, AB, mas esse teu tipo ainda era pior que o meu!!! Caramba! Num caso desses não sei se me conseguia ficar pela ironia e não lhe partia o copo de cerveja na tola! Isso é mesmo falta de educacão!!

Afixado por M. em 29 de setembro de 2004, às 15:59

O pior é que eu acho que era fé mesmo.Agora quando esta gente lida por exemplo com quotas comunitárias por exemplo...tás a ver o panorama.AB

Afixado por A.B. em 29 de setembro de 2004, às 16:23

O pior é que eu acho que era fé mesmo.Agora quando esta gente lida por exemplo com quotas comunitárias ...tás a ver o panorama.AB

Afixado por A.B. em 29 de setembro de 2004, às 16:24

M. minha querida, cheguei agora e li o teu post e até fiquei vaidosa pelo nosso blog, por te ter a participar. Muito, muito bom!!! O tema muito importante ( pelo menos para mim...) e muitíssimo bem escrito. Já cá volto, para fazer um comentário de jeito. Agora tenho de fugir daqui, tenho outras coisas a fazer, mas não queria deixar de me manifestar. Magnífico post!

Afixado por Emiéle em 29 de setembro de 2004, às 17:07

Pareces uma mistura de M. com Gibel.
Gosto bastante. E já que o pateta do teu amigo ainda não fez o manifesto ficas tu encarregue! Quanto à barba: esquece!

Quanto ao resto, isso de seres uma radical perigosa. Bullshit! És mansinha, assevero!

Afixado por Monty em 29 de setembro de 2004, às 17:21

M. cá estou para dizer com mais tempo como gostei do que escreveste. O senhor grego que podia ser de qualquer país, embora lá muito para o norte sejam mais raros, começou logo bem. Que essa de “os amigos serem para as ocasiões” é conversa conhecida. E olha que já tenho ouvido muito boa gente defender essa tese: afinal é necessário confiança, e só se pode tê-la em quem é nosso amigo, etc. O que me consola é que os senhores importantes deixam rapidamente de ter amigos quando não são assim tão importantes já. Há muitos amigos volantes. Mas adiante. O interessante é como tudo se completa, o corolário dessa opinião na frase machista descabelada. Está tudo certo! Aliás, certamente que com ele não casavas... O que ficou ligeiramente confuso para mim, era se eras assim tão terrível por te teres oposto às SUAS opiniões (sendo suposto que uma mulher, como deve ser, seja feita para ouvir e vá lá... concordar) ou se lhe tinhas dado qualquer outro motivo. Porque essa coisa do nepotismo gosta-se quando é a nosso favor, mas gritamos logo quando são os outros. Assim a modos como o que se passa com os árbitros, nunca nos favorecem. Foi a energia com que replicaste, ou ele nem aceitava ser contraditado? Mas, enfim, é para se ver o caminho que ainda há para andar. E, mais uma vez, gostei muito do modo como contaste a história.

Afixado por Emiéle em 29 de setembro de 2004, às 21:53

Olha, Emiéle, nem eu percebi muito bem se o que fez o senhor achar que eu sou uma versão feminina e moderno do Che Guevara foi o que eu disse ou a forma como o disse...
Tu não me conheces pessoalmente, mas parece (já mo disseram algumas vezes)que às vezes adopto um tom um bocadinho (coisa de nada...) agressivo quando ouco demasiada estupidez junta. E depois, a ironia, nem toda a gente compreende, estás a ver?
Acho que foram as duas coisas. Agora o que me assusta ainda mais é que este grego é advogado, encarregue de assuntos administrativos numa Agência europeia... nomeadamente do recrutamento... Só de pensar nas coisas que ele já deve ter feito até me arrepio...
Quanto à outra questão, a ligacão entre o meu estado civil e o facto de ter opiniões, sabes que já não é a primeira vez que me dizem o mesmo ou qualquer coisa parecida. Parece que há muita gente, de ambos os sexos, é preciso frisá-lo, que pensa que os homens se assustam com mulheres... opinativas, digamos assim. Aliás, o meu pai está farto de me dizer que vou ficar solteira (há que salientar que para ele isto é uma vantagem...). Para a minha avó, aliás, já atingi oficialmente o estatuto de tia solteirona da família.
Eu, por mim, acho que ele há de tudo. Como pessoalmente gosto de uma boa discussão e de pessoas que tenham algo a dizer (nada mais insuportável do que alguém que concorda sempre com tudo) acho que deve haver mais gente assim...
De qualquer maneira, sinceramente, o facto não me preocupa...
Enfim... de qualquer maneira obrigada pelos elogios

Afixado por M. em 30 de setembro de 2004, às 09:56

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