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setembro 07, 2004
Live on TV: ''How to do an Abortion''
"Dr Rebecca Gomperts describes inducing abortion with easily available medicine live on Portuguese TV show."
"7 september 2004, 12:10h Dr. Rebecca Gomperts is explaining how to do an abortion with "Arthrotec", an easy to get medicine in many countries.
On Tuesday morning, Rebecca Gomperts was featured on the Portuguese talkshow SIC 10 horas, in a show titled: Face to Face Abortion Boat. This Portuguese talkshow reaches thousands of Portuguese women every day.
7 september 2004, 12:15h: Mr Pedro Mota Soares, secretary general of the right-wing government party CDS-PP discussing the pros and cons of home abortion with Arthrotec. Dr. Rebecca Gomperts and Ana Cristina Santos are staring in disbelief at the ill-informed politician.
On this show, Rebecca Gomperts explained how one can use Cytotec, which is also known as Artotec, a medicine used for stomach ulcers, as a pill which will induce abortion. She also announced the publication of a written description of how to use Artotec to induce abortion, tonight on the website.
7 september 2004: Dr. Rebecca Gomperts on TV showing a box of Arthrotec that she bought the same morning in a Lisboa pharmacy without a prescription. It's to use Arthrotec to safely induce an abortion."
Posto isto, quase que me apetece pedir Justiça e não falar mais neste assunto. A dr.a Rebecca, dizem que é doutora, eu não faço a menor ideia se ela é ou não doutora, e ainda que seja, desconheço a especialidade (conseguem ver a gravidade disto, ou nem por isso?), dizia, a assim chamada dr.a Rebecca vai, hoje à noite no site Women on Waves explicar à populaça como podem as mulheres usar Cytotec, também conhecido como Artotec, um medicamento usado para úlceras do estômago, como uma pílula para induzir o aborto.
Ela não diz, portanto, acrescento eu: se alguma mulher, já agora, se alguma menina, se der mal com a mezinha, que não sei se inclui voodoo, escusa de ligar à dr.a Rebecca. Ela vai dizer que a culpa é do Governo. Na altura de pouco deve valer.
E, aqui, não resisto a reiterar e, com a devida vénia transcrever, o que a AB diz num comentário a um post infra: "um dos argumentos para a despenalização sempre foi retirar o problema do dominio do clandestino para que exactamente as mulheres que decidissem interromper a sua gravidez o pudessem fazer com toda a segurança e acompanhamento. De resto as estatisticas provam que uma das coisas mais terriveis e traumatizantes é o auto-aborto.Que em Portugal era muito praticado sobretudo em zonas rurais."
Aqui há dias manifestei-me veementemente contra a entrada do BornDiep em Portugal. A coisa cheirava-me a esturro e não estava convencido da legalidade do acto. Não estava então e hoje estou ainda menos. Na altura até desconhecia por completo que o acto abortivo se iria concluir em território português, depois de as wow despejarem as mulheres. Com umas pílulas que teriam de se tomar algum tempo mais tarde que essas sim provocariam a hemorragia com a consequente expulsão do feto, como explicou em comentário a AB. Assim, o raciocíno então defendido pelo gibel quanto aos actos preparatórios, se então já não fazia sentido (para mim, sublinho), com este elemento ainda faz menos.
Não vou repetir o que então disse, apenas digo que o voltaria a dizer. Acrescento apenas que este coelho tirado da cartola pelas senhoras wow mostra bem o respeito que elas (não) têm pela vida humana. E não me refiro só ao feto, falo mesmo da mulher. O BornDiep, com a derrota judicial de ontem e com a publicitação da mezinha abortiva, deu um verdadeiro tiro no pé. E, doravante, tenho sérias dúvidas se alguém lhes voltará a dar crédito. Desde logo, quando se derem os primeiros acidentes com o tal medicamento das úlceras sempre quero ver o que vai dizer o dr. Louçã, a menina dos Verdes ou o espigadote da JS. A culpa será do Governo, quase aposto (é tão mais fácil, não é?). E, já agora, dos eleitores portugueses que votaram no último referendo, a quem, todos os dias, é passado um atestado de insanidade e estupidez.
Quando um dia resolverem descer do pedestal em que se colocaram, que supostamente lhes dá uma aura de superioridade moral sobre todos os outros, talvez nesse dia, me consigam convencer da bondade dos seus argumentos.
NOTA: Como sabem os leitores mais assíduos, não me identifico minimamente com a dupla Portas/Santana. Continuo a entender que o facto de eles estarem no poder se consubstancia num verdadeiro golpe de Estado. No caso concreto, verifica-se apenas uma mui ingrata (porque abomino quase tudo o que representam) coincidência de opiniões. Mais, a posição que eu defendo neste post é minha e só minha e nada tem a ver com os demais membros do Afixe onde, de resto e pasme-se, não existe linha ou política editorial.
Afixado por Costa Pereira em 7 de setembro de 2004, às 17:39
Afixadelas
De facto, Monty, tudo isto me mete um nojo medonho. Desde o belo serviço televisivo da SIC - parabéns à SIC - que até tem uma tradutora para linguagem gestual (não vá uma abortadeira surda não ter acesso à mezinha), até ao belo serviço público de divulgação médica desta "doutora".
O problema, caro Monty, é que nenhum dos nossos políticos pró-aborto da praxe vai dar a cara pelas consequências graves dos actos destas senhoras.
Sabes o que me deixa perplexo? É a vontade de abortar a qualquer custo. É o ímpeto infanticida desta cangalhada toda. Esta senhora, ou melhor dito, esta gaja, está numa televisão de grande audiência a ensinar, a um público certamente mal-informado e psicologicamente frágil (que pode ser constituido por adolescentes grávidas solteiras, que deveriam era procurar o centro de apoio à maternidade mais próximo) um método, certamente perigoso e artesanal, de induzir a morte de um ser humano.
Por muitas voltas que se dê, a SIC colaborou, com este programa merdoso, na divulgação de um método caseiro de infanticídio.
Só Deus sabe com que sequelas para as que decidirem experimentar.
Afinal... "It's not so difficult"!
O que virá a seguir? Como construir bombas sujas com ingredientes caseiros?
Triste "mundo civilizado", este em que vivemos hoje em dia...
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 7 de setembro de 2004, às 18:55
Ah, e caros leitores destes comentários, faço minhas as palavras do Monty. Repugna-me a mediocridade intelectual dos políticos, tanto à esquerda como à direita, por isso, não me verão nunca de T-shirt do PP a gritar "Viva Portas!", ou a aplaudir o nosso PM playboy.
Sem dúvida que a minha condenação inabalável ao aborto tem raízes nas minhas convicções de católico, mas estando-se a discutir a legitimidade ou não de matar um ser humano, parece-me relativamente directo que, mesmo sem qualquer tipo de crença, o mais sensato dos seres humanos, que de facto reconheça o valor intrínseco da vida humana, esteja contra tão abominável acto.
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 7 de setembro de 2004, às 18:58
São duras as tuas palavras, Bernardo. Mas subscrevo-as todas e na íntegra.
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 18:59
Oops...
Meteu-se um comentário teu pelo meio. :)
Não queria subscrever tanto, he he.
Eu explico: a MINHA condenação ao aborto não tem raízes nas minhas convicções de católico.
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 19:03
Ó Amigo Bernardo, quem é que disse que as pessoas pró-aborto defendem este tipo de coisas?
Não apreciso esse fundamentalismo. Aproveitar uma cena menos correcta, para não dizer totalmente incorrecta, para criticar as pessoas que são a favor da despenalização do aborto parece-me de baixo nível.
Uma coisa é criticar o acto. Tudo bem , deve-se criticar. Outra coisa é associar esse acto a outras pessoas como se todas as outras pessoas fossem como essa tal Dr. Rebecca.
Esse tipo de coisas faz-me lembrar a vergonhosa campanha que algumas alas contra a despenalização do aborto teve durante o referendo.
Não é propriamente a Dr.Rebecca que mete nojo como tu mesmo disseste, é assim o aproveitar da Dr.Rebecca para mandar abaixo outras pessoas com principios que são a favor do aborto.
E para concluir disse:"Esta senhora, ou melhor dito, esta gaja, está numa televisão de grande audiência a ensinar, a um público certamente mal-informado e psicologicamente frágil (que pode ser constituido por adolescentes grávidas solteiras, que deveriam era procurar o centro de apoio à maternidade mais próximo) um método, certamente perigoso e artesanal, de induzir a morte de um ser humano.
"
Esse mesmo público mal informado, psicologicamente frágil, é o mesmo que tem de gramar também com manipulações políticas, religiosas, futebolisticas, sociais ou o que seja.
Cumprimentos
Afixado por cachucho em 7 de setembro de 2004, às 19:07
Caro Cachucho,
Não me julgues assim tão depressa... Deixa-me acalmar a minha raiva em relação a esta gaja, e depois posso explicar a minha posição melhor...
OK...
Já posso começar...
"Ó Amigo Bernardo, quem é que disse que as pessoas pró-aborto defendem este tipo de coisas?"
Eu não disse isso. Apenas afirmei que não entendo que se seja pró-aborto, seja de que maneira for. Apesar de, obviamente, entender que há várias formas de se ser pró-aborto. Não quero, de forma nenhuma, aglutinar todas as posições pró-aborto. Mas repito que estou contra todas elas, apesar de reconhecer importantes nuances, que advêm da "qualidade" e da "coerência" de cada postura.
"... para criticar as pessoas que são a favor da despenalização do aborto parece-me de baixo nível."
Alto lá. Nada disse sobre "despenalização". Não comentei nada sobre essa questão. A minha posição em relação à despenalização é muito mais complexa. Eu reconheço no aborto um crime. E, como todos os crimes, é passível de atenuantes e de condicionantes. Ou seja, em relação à pena, há muito que se poderia dizer, e eu não sou jurista para o fazer.
Repito: não me pronunciei sobre a "despenalização". Pronunciei-me apenas contra o acto do aborto em si mesmo, que repito, é abominável.
"Outra coisa é associar esse acto a outras pessoas como se todas as outras pessoas fossem como essa tal Dr. Rebecca."
Não fiz isso, Cachucho. Desculpe se o fiz pensar o contrário.
"Esse tipo de coisas faz-me lembrar a vergonhosa campanha que algumas alas contra a despenalização do aborto teve durante o referendo."
Acredite que critico muita da mediocridade que abundou nessas campanhas. Não andei por lá, acredite...
"Não é propriamente a Dr.Rebecca que mete nojo como tu mesmo disseste, é assim o aproveitar da Dr.Rebecca para mandar abaixo outras pessoas com principios que são a favor do aborto."
Bem, evidentemente que se estou contra o aborto, é natural que eu queira que as posições pró-aborto não prevaleçam. Isso é natural. Como quem é pró-aborto preferia que os anti-aborto não existissem e se calassem.
O que eu disse foi: o que é que as pessoas pró-aborto, dada a performance desta tipa, vão agora dizer? Não irão assumir os perigos de posições libertinas face ao aborto?
"Esse mesmo público mal informado, psicologicamente frágil, é o mesmo que tem de gramar também com manipulações políticas, religiosas, futebolisticas, sociais ou o que seja."
Como é EVIDENTE, caro Cachucho, eu sou totalmente contra todo o tipo de manipulações, que são uma violação da vontade de cada um e da sua liberdade, que é inviolável.
Espero ter esclarecido melhor a minha posição. Se não o fiz, aqui regressarei de novo, para o fazer melhor.
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 7 de setembro de 2004, às 19:18
Cachucho, a que palavras do Bernardo te referes, exactamente?
"O problema, caro Monty, é que nenhum dos nossos políticos pró-aborto da praxe vai dar a cara pelas consequências graves dos actos destas senhoras."
Serão estas? É que se forem, não tenhas duvidas que assim será. E isso não tem nada a ver com dizer que as "pessoas pró-aborto defendem este tipo de coisas".
Aqui ninguém quer convencer ninguém de nada, cachucho, o Bernardo tem as convicções dele, eu as minhas e tua as tuas. E como vês, concordamos os três que não é admissivel o que aconteceu hoje de manhã.
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 19:18
Caramba, Bernardo, que escreves rápido para caraças...
OK, agora, Cachucho, por favor, vê se fazes por entender o que diz o Bernardo, ok? Sem qualquer espécie de preconceito.
Que é dificil não tê-los nesta matéria. Também a mim me pareceu que o entendeste mal da 1ª vez.
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 19:21
E já agora, caro Cachucho, já que você parece ser uma pessoa pró-aborto moderada, o que é que está errado nesta minha frase?
"Por muitas voltas que se dê, a SIC colaborou, com este programa merdoso, na divulgação de um método caseiro de infanticídio."
OK, o "programa merdoso" é apenas o meu ponto de vista e a minha apreciação qualitativa. Mas, e o resto das palavras ("divulgação", "método caseiro", "infanticídio")? O que é que têm de mal? O aborto não é infanticídio?
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 7 de setembro de 2004, às 19:22
Devo reiterar,Monty que a minha posição sobre a despenalização da IVG é a favor a pedido da mulher o mais precocemente possivel e em ambiente seguro em termos de saúde.Não conheço como já disse este movimento e muito menos estes medicamentos.A palavra "safely" pode querer dizer muita coisa mas para já desconfio(não estamos a falar da pilula do dia seguinte)de qualquer técnica que não tenha acompanhamento de alguem muito bem preparado para o fazer.Quando surgiu o metodo por aspiração que talvez continue a ser o mais inocuo em termos de saúde fisica e psicológica houve problemas motivados pela ganancia do lucro.O metodo passou a ser usado por muitas parteiras.E um método ´que pressupõe fazer uma dilatação através de canulas flexiveis cada uma ligeiramente de diametro superior à anterior e a ultima é oca para através dela se poder produzir o vácuo.Este tempo de dilatação tem de ser lento e a própria aspiração tambem.Com uma sala cheia de gente e a 80 contos por intervenção a atitude deixou em muitos sitios de ser cuidadosa,de serem respeitados os tempos e em alguns casos surgiram problemas de descaimento do útero.Hoje irei ver o site da WOW e tentar perceber o que se passa.Mas numa coisa estou de acordo:foi um tiro no pé.Por muito radical que seja o movimento( a Holanda tem uma pratica feminista muito radical e não é um país católico)tem de adequar a linguagem e a pratica aos paises que visita.No caso da Polónia as mulheres que foram a bordo foram identificadas pelas autoridades polacas e sabe-se lá o que pode acontecer agora.Não acredito que todas sejam"resistentes"politicas para usar um chavão e não creio que a Polónia tenha uma actividade feminista arreigada até pelo regime politico que viveu e pelo que se lhe seguiu.Em Portugal tambem não havia(nem nunca houve) um movimento feminista de fundo mas houve uma serie de circunstancias que motivaram aglutinações de grupos em torno de questões tendo ,neste caso concreto da IVG,havido dois julgamentos -o da jornalista Maria Antonia Palla por causa de uma reportagem transmitida na RTP e de uma mulher alentejana-Maria da Conceição Massano que trouxeram o debate sobre esta questão.A partir daí nunca mais parou e até é curioso ver a evolução das opiniões dos partidos através do tempo.A.B.
Afixado por A.B. em 7 de setembro de 2004, às 19:23
AB, ainda bem que aqui estás, eu não quis descontextualizar as tuas palavras, ok? E sei perfeitamente o que pensas do assunto. Melhor: sei a tua orientação.
Agora tenho de sair, mais tarde comento o teu comentário, ok?
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 19:25
Sobre a ética do aborto e para uma discussão do que é «o valor intrínseco da vida», sugiro esta leitura: http://www.criticanarede.com/aborto.html
Afixado por Mário Cunha em 7 de setembro de 2004, às 19:28
Ora bem, agora também menos indignado vou responder ao Bernardo.
Comecei por responder da maneira que respondi porque tenho visto um aproveitar desse episódio infeliz (não falo aqui, falo um pouco por todo o lado) com essa tal Dr.Rebecca, para um atirar de argumentos igualmente infelizes para quem é contra a actual lei do aborto.
Antes de continuar a responder ao Bernardo, respondo ao Monty que disse:"Aqui ninguém quer convencer ninguém de nada, cachucho, o Bernardo tem as convicções dele, eu as minhas e tua as tuas. E como vês, concordamos os três que não é admissivel o que aconteceu hoje de manhã.
OK, agora, Cachucho, por favor, vê se fazes por entender o que diz o Bernardo, ok? Sem qualquer espécie de preconceito"
É claro que não disse que queriam convencer alguem, nem nunca impedi alguém de ter as suas convicções. Eu entendi o Bernardo à primeiro e jamais tenho alguma espécie de preconceito.
Voltando aos comentários do Bernardo comecam logo assim:"
O problema, caro Monty, é que nenhum dos nossos políticos pró-aborto da praxe vai dar a cara pelas consequências graves dos actos destas senhoras.
Sabes o que me deixa perplexo? É a vontade de abortar a qualquer custo."
PARA MIM, e atenção que digo para mim, começou logo pessimamente. Ao tentar associar os polítios pró-aborto (que não existem) a esta tal Dr.Rebecca. É obvio que eles não podem dar a cara pelas consequências que o programa da SIC irá ter junto dos telespectadores, porque senão teriam de dar a cara por tudo o que se passa na tv e possa influenciar quem o vê, ou seja Tudo!
E depois dispara para uma frase em que diz que existe uma vontade de abortar a todo o custo.
Caramba, vocês sabem tão bem como eu, que ninguém pratica abortos por prazer, pratica-lo em último caso, quando depois de ponderar dezenas de horas chegam a essa conclusão e, mesmo depois de se decidirem não ficam contentes com a decisão, ficam amarguradas e tristes.
Ninguém vem feliz depois de abortar e, muito menos com vontade de fazer outro aborto.
Pelo que me respondeste Bernardo disseste que a questão da disponibilização do aborto tinhas uma opinião muito mais complexa.
Então mas é o que se discute! Claro que toda a gente vê o aborto com um acto terrivel como já disse atrás. O que realmente se discute e mesmo o que o Barco Womens on Waves promove ao fazer estes actos de propaganda é fazer com que as pessoas falem das leis que promovem as mulheres que abortam a autenticas criminosas!
Disseste ainda:
""Por muitas voltas que se dê, a SIC colaborou, com este programa merdoso, na divulgação de um método caseiro de infanticídio."
Não há nada a conversar neste campo, o programa é verdadeiramente merdoso, sempre foi, não foi por acontecer isto, sempre foi merdoso. Isso nunca meti em causa! Eu so falei nele porque essa tal indignação deve ser alargada para tudo, desde guerras até às notícias da região. Mas como já esclareceste criticas isso em absoluto.
Eu apenas não queria deixar passar a ideia que só se deve ficar indignado com a SIC neste episódio.
No geral do teu comentário para MIM e, foi por isso que respondi da maneira que respondi foi que fiquei com a nitida sensação que estavas a meter tudo no mesmo barco (salvo seja), ou seja, políticos e pessoas que eram a favor da despenalização do aborto ou do aborto (apesar de achar que ninguém no mundo é a favor do aborto)
Se não foi isso que quiseste dar a entender então sou eu que tenho de pedir desculpas.
Afixado por cachucho em 7 de setembro de 2004, às 19:54
Cachucho,
As minhas desculpas. Lendo o meu comentário como tu o leste, entendo perfeitamente de onde pode vir a confusão.
Vou então esclarecê-la...
Temos dois blocos distintos (que aparecem seguidos no meu comentário, e isso pode dar azo a que se julgue que são consequência um do outro):
"O problema, caro Monty, é que nenhum dos nossos políticos pró-aborto da praxe vai dar a cara pelas consequências graves dos actos destas senhoras."
Ao dizer isto, critico a classe política, pela sistemática desresponsabilização em relação a isto tudo. A que me refiro? Claro que a classe política não é a directa responsável pela "aula de aborto". Mas a classe política, e mais especificamente a ala radical esquerda, parece ignorar sistematicamente os perigos do "abrir portas", seja em relação a este patético barco, seja em relação a tudo.
Lembra-me outra reacção patética, como foi a do véu islâmico nas escolas francesas. Claro que Chirac não será o responsável directo por eventuais mortes de reféns. Os responsáveis serão os reféns! Agora, eu acho que se alguém morrer, Chirac será um responsável indirecto, devido à estupidez da sua decisão preconceituosa, que não passa de uma PROVOCAÇÃO.
Do mesmo modo, alguma classe política, não se dando conta da malícia de organizações como esta do WOW, aproveitam demagogicamente tudo o que alinha com a sua agenda, sem se darem conta das consequências, e sem sequer considerar como hipótese que programas como este poderiam acontecer.
De seguida, vem este bloco de texto, em que eu me refiro APENAS ao programa televisivo em questão:
"Sabes o que me deixa perplexo? É a vontade de abortar a qualquer custo."
Por isso, Cachucho, aqui fica o esclarecimento. Toda e qualquer associação entre o primeiro e o segundo bloco, se aconteceu, foi por falta de clareza do meu texto. Eu não considero que os pró-aborto queiram abortar a todo o custo.
Agora, esta gaja, parece-me claramente não ter qualquer problema moral ou ético com o aborto. Quem a vê, parece que ela está a receitar uma aspirina, ou a vacina contra uma doença.
Um abraço!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 7 de setembro de 2004, às 20:16
Ooopss... Burrada da grossa..
Já a devem ter percebido...
Onde se lê:
"Os responsáveis serão os reféns!"
Leia-se, obviamente,
"Os responsáveis serão os sequestradores"
Pobres reféns!
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 7 de setembro de 2004, às 20:17
Ok, tudo está bem. A falar (comentar) é que a gente se entende. Neste caso, parece que toda a gente concorda - independentemente de ser contra ou a favor da alteração da lei penal em vigor no que tange à IVG.
E é necessário que as pessoas entendam o que realmente move as wow. Quem as financia, já agora? O que hoje aconteceu na SIC talvez seja um inicio de resposta.
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 20:18
O que move as WOW pode ser tão só aquilo em que acreditam.Se há financiamentos ou não ficarias espantado Monty com os milagres que uma militancia acesa pode fazer.A.B.
Afixado por A.B. em 7 de setembro de 2004, às 20:37
Nada me espanta, AB. Já passei essa fase. Quanto às militâncias acesas e inflamadas: mesmo que com boas intenções, há que ter cuidado com a forma como podem ser usadas por terceiros...
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 21:36
Viver é uma questão de alto risco,ou não é?A.B.
Afixado por A.B. em 7 de setembro de 2004, às 22:01
Claro que sim, AB. E cada um arrisca o que quer.
O que se passa é que eu já há muito que deixei de acreditar no Pai Natal e logo logo que ouvi falar das senhoras torci o nariz. Falei logo dos esconsos apoios. Ora vai lá ver.
Afixado por Monty em 7 de setembro de 2004, às 22:57
Ok Bernardo. Estou esclarecido.
Apenas um comentário:"Lembra-me outra reacção patética, como foi a do véu islâmico nas escolas francesas. Claro que Chirac não será o responsável directo por eventuais mortes de reféns. Os responsáveis serão os reféns! Agora, eu acho que se alguém morrer, Chirac será um responsável indirecto, devido à estupidez da sua decisão preconceituosa, que não passa de uma PROVOCAÇÃO."
Apesar de ser totalmente contra essa nova lei em França, compreendo de certa forma porque foi tomada, apesar de não concordar minimante com ela volto a dizer.
De facto não é agradavel ver apenas os olhos de uma aluna, de facto também eu sou contra a religião nas escolas, a escola é um local laico e é assim que deve permanecer.
No entanto aquelas pessoas têm tradições, tem outras religiões e costumes, muitas delas usam o véu por gosto, ou seja, não são obrigadas, no fundo a lei faz com que essas pessoas percam o direito da sua liberdade religiosa na escola.
Mas a escola quanto a mim não é um local de religião. Nem católica nem de outra qualquer.
Mas sou contra essa lei porque valorizo muito mais as liberdades individuais.
Agora uma coisa que não concordo é que Chirac seja o responsável pela morte dos reféns franceses. Chirac tomou uma decisão dificil. Quem os raptou tomou a decisão de sempre, matar pessoas para reclamar religião.
E eu jamais concordarei com este tipo de ratpos ou afins. Quanto mais quando se trata de pessoas que certamente se estão a marimbar se as mulheres usam véu ou não em França.
Cumprimentos
Afixado por cachucho em 8 de setembro de 2004, às 01:21
Concordo plenamente e quero ainda sublinhar...
A comunicação social tem promovido e de que maneira essa gentalha... e mais.
Hoje em dia fica muito bem ser-se de uma tal esquerda radical. Está na moda. Na falta de ideais, os mais novos (que conseguem tirar-se pela pinta, por norma são anti-praxe, anti-sistema ou anti-missas de 7º dia ou anti-qualquer coisa), querem entrar numa onda que se começa a pegar, qualquer dia estaremos de volta os saudosos anos 60 (finais).
Hoje só é intelectual quem critica Bush (é certo que o homem é burro mas...) e se manifesta às vezes nem sabe bem contra ou favor de quê.
Neste caso do barco é a mesma coisa.
Afixado por Dom Quixote em 8 de setembro de 2004, às 13:50
Julgo-me uma pessoa com fortes ideias e por norma sou anti-praxe, anti-sistema ou anti-qualquer coisa que me pareça incorrecta.
Disseste que :"
Hoje só é intelectual quem critica Bush (é certo que o homem é burro mas...) e se manifesta às vezes nem sabe bem contra ou favor de quê.
Neste caso do barco é a mesma coisa."
Eu creio que hoje em dia quem não critica Bush só pode sofrer de alguma anomalia cerebral. Porque dificil é encontrar alguém que elogie Bush com argumentos fortes.
Afixado por cachucho em 8 de setembro de 2004, às 15:27
Não sei se foi um erro de ocasião mas ter ideias não me parece que seja o mesmo que ter ideais.
O que não falta é por aí gente com ideias. Umas boas outras más. Outras radicais outras que promovem de facto a democracia.
Não tenho nada contra quem é anti-praxe. Só tenho contra quem não respeita os outros e quem promove boicotes à livre decisão.
No caso das propinas é a mesma coisa. Há sempre uma facção que prefere medidas que apelidam de luta, quando apenas procuram o protagonismo.
Quanto a Bush prefiro não comentar.
Afixado por Dom Quixote em 8 de setembro de 2004, às 15:53
Obviamente que queria dizer ideais, escrever ideias foi apenas um lapso.
"Não tenho nada contra quem é anti-praxe. Só tenho contra quem não respeita os outros e quem promove boicotes à livre decisão."
Que eu saiba quem não respeita os outros são as pessoas que praticam as praxes.
Quem promove boicotes à livre decisão? Isso tem alguma coisa a ver com praxes? ou está noutro contexto?
"No caso das propinas é a mesma coisa. Há sempre uma facção que prefere medidas que apelidam de luta, quando apenas procuram o protagonismo."
Eu sou igualmente contra o valor das propinas! Não procuro qualquer protagonismo com isso, apenas sou contra e como disseste é uma livre decisão.
Sou contra a chulice implementada na educação em Portugal, na incompetencia generalizada, no facto de se ter de pagar por tudo e por nada numa universidade pública. No facto de se ter de pagar mais 600 euros numa universidade sem condiçõe, no facto de ter de pagar 90 euros por um miserável papel a dizer que tenho o meu curso concluido.
Por isto e por muito mais não me parece justo afirmar que quem é contra as propinas fa-lo apenas por protagonismo. Mesmo sendo apenas uma facção como dizes. E principalmente procurar e remexer sempre alguns pequenos exemplos de individuos que certamente andam na universidade para passear livros e associa-los à esquerda, mesmo sendo uma tal esquerda radical.
Não me parece que esses individuos pertencam a alguma cor política. São apenas grunhos, nada mais!
Afixado por cachucho em 8 de setembro de 2004, às 17:20
Tu podes não procurar mas há de certeza quem procure.
Ou também concordas com aquelas medidas de desobediência civil? Se isso não é procurar protagonismo...
E quanto à esquerda radical não vamos chegar a um consenso. Respeito as opiniões mas o nosso país não ganha nada com o bloco de esquerda.
E como a determinada altura escrevi no meu blog, estes partidos têm tendência para crescer em alturas de crise em que as pessoas, descontentes com os grandes partidos, buscam a salvação nestes projectos liderados pelos enfants urbanos que tentam projectar uma ideia de esquerda intelectual com a participação de várias pessoas do munda da arte e da cultura.
O problema disto, é que a verdadeira esquerda não se renova e deixa-se ultrapassar por estes rapazolas que ainda por cima assumem um estado de graça na comunicação social do nosso país.
Mas mudando um pouco de assunto...
Outra coisa que li num post acima e que me deixa um bocado incomodado é o facto de as pessoas poderem assinar comentários com qualquer nome.
Eu ultimamente não tenho tido comentários no meu blog mas já tive alguns problemas com isso.
Afixado por Dom Quixote em 9 de setembro de 2004, às 10:59
"De facto não é agradavel ver apenas os olhos de uma aluna"
Ó cachucho, desculpa lá, mas quando é que viste uma muçulmana de véu pela última vez?
É que não se discutiram as "burqas", mas sim um véu que cobre o cabelo. As mulheres muçulmanas têm todo o direito de se sentirem desconfortáveis com o cabelo à mostra.
O provinciano e anti-islâmico Chirac, na convicção de que debaixo do véu está um detonador, é que acho que tinha o direito de proibir um gesto de vestuário milenar, quando a França sempre se gabou tanto das suas "libertés". Chirac é um pateta, e mais patetas são as pessoas que apoiam essa lei, que é um puro absurdo. Qual é o próximo passo? Alguém planeia proibir T-shirts do Che? Outro bom exemplo, e que tal aqueles amiguinhos (todos nós vimos pelo menos um nos tempos do liceu) que vestem T-shirts com cruzes invertidas, a brincar aos satanistas? isso também pertence à esfera do religioso (mais concretamente a uma postura assumidamente anti-religiosa). Alguém se lembraria de proibir essas T-shirts?
O que mais me choca, é que a falta de bom senso tenha chegado a lei em França. Os resultados estão à vista. Chirac demonstra ser tão desmiolado como os raptores fanáticos.
Afixado por Bernardo Sanchez da Motta em 12 de setembro de 2004, às 22:52
