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outubro 31, 2004
Massouda Jalal
Tenho muita desconfiança quanto ao que considero “ideias feitas” e portanto achava-me isenta de semelhante defeito. Asneira, já se vê. Como toda a gente, também eu embarco no que considero factos estabelecidos que, afinal, a realidade desmente. Vem isto a propósito do Afeganistão e da situação das mulheres.
Acabo de ler um artigo sobre Massouda Jalal. Como sabem,
houve eleições para a presidência do Afeganistão e Massouda
foi uma candidata, competindo com oito homens.
O primeiro abalo foi ter conscencializado bem, que no país dos talibãs, pode acontecer um facto que no nosso, tão europeu e com tantas igualdades de oportunidades, só sucedeu uma vez: uma candidata à presidência, mulher. Reparem que só passaram 3 anos após a queda de um regime que afirmava que as mulheres só tinham 2 lugares “a casa do marido e o cemitério”. E mesmo hoje, as mulheres lá votam, votam, mas num universo de 8 a 10 milhões de eleitores só um terço são mulheres. Os seus votos não representam o universo feminino e, como aliás se viu, mesmo recenseadas a maioria nem votou.
Mas note-se a importância de Massouda Jalal, 41 anos, médica pediatra, casada e com 3 filhos, ter conseguido candidatar-se à presidência. Isto vem provar não só o seu arrojo mas que tem atrás de si um suporte técnico que o permitiu. Neste “ex-país-de-talibãs”, apesar do que eu imaginava, mesmo antes destas eleições existia uma ministra, da Saúde ( vejam só quantas ministras temos nós...).
Pois é, mesmo em regimes onde se pode esperar o pior sobre os direitos da mulher ( quais direitos?) há quem lute e consiga fazer-se ouvir. Claro que não foi significativo em termos eleitorais, mas foi imenso como passo em frente.
Afixado por Emiéle em 31 de outubro de 2004, às 09:54
Afixadelas
Tens razão: esta situação comparada com o que acontecia há tão pouco tempo, parece vivida noutro planeta.
Mas, não sei porquê, tenho sempre a estranha sensação que em países como o Afeganistão estas vitórias das mulheres no caminho da igualdade são sempre "provisórias".
Temo sempre que de repente haja mais um volte face Taliban, ou desse género, sempre encorajado por um fundamentalismo religioso qualquer, e se regresse novamente à repressão da mulher em particular e, claro, com isso à opressão da população de um modo geral.
Espero que não...
L.R.
(http://rprecision.blogspot.com)
Afixado por Luis Rodrigues em 31 de outubro de 2004, às 13:07
E tens razão para alguma desconfiança. A verdade é que tendo sido sempre mau, antes dos talibãs não era TÃO MAU ! Portanto pode-se imaginar que isto seja um carroussel e ainda se derrape outra vez. Façamos figas para que não...
Afixado por Emiéle em 31 de outubro de 2004, às 14:42
Esperemos não ficar só pela notícia, é triste constatar que há factos como este que serão sempre motivo de júbilo...
Afixado por Anjo élico em 31 de outubro de 2004, às 18:12
Boa escolha. :)))
Afixado por Inês em 31 de outubro de 2004, às 18:30
E sem quotas.AB
Afixado por A.B. em 31 de outubro de 2004, às 21:23
"Recenciadas", Emiéle? "Recenciadas"?
Por favor...
Afixado por curioso em 31 de outubro de 2004, às 21:23
Obrigada, curioso.
Afixado por Emiéle em 31 de outubro de 2004, às 22:24
