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dezembro 28, 2004

Brasileiros e optimismo

Numa rábula já muito antiga, quando os programas de humor do Jô Soares chegaram pela primeira vez a Portugal, o Jô, gordo, parecendo enorme, emparceirava com uma actriz velhinha, muito pequenina e com um ar muito frágil. Nessas rábulas, a actriz que representava a mãe do Jô, compunha uma figura de uma extraordinária ingenuidade e inocência. Dizia as coisas mais extraordinárias com a candura máxima e a rábula terminava com uma frase que se repetia à época “E saí eu de dentro dela!” dizia o Jô.
Muitas vezes quando olho para o Brasil, ocorre-me essa frase. É certo que o Brasil é uma caldeirada de raças e povos onde o povo português estará já bem diluído… Mas, enfim, mesmo que hoje seja o que sabemos, na origem “saiu de dentro de nós”. E, com as dificuldades que ao longo dos anos tem atravessado, consegue manter um optimismo e uma força de lutar que é um enorme contrastes com a maior parte da postura que se assume em Portugal.
Lemos que uma sondagem divulgada ontem revela que 71% dos brasileiros acreditam que o Brasil estará melhor em 2005 e 79% dos entrevistados confiam que sua situação vai melhorar no próximo ano
assim como já se tinha visto que, apesar de tudo, continuam a acreditar no seu presidente.
Estive há dias com uma amiga que tinha chegado de lá. Fora tratar de estabelecer uma parceria entre a Faculdade dela e umas experiências pedagógicas efectuadas lá muito ao norte do Brasil. Contou-me histórias concretas. É espantoso porque parece que falamos de outro planeta! Como eles SABEM que não podem contar com o apoio directo do governo, arregaçam as mangas e tratam de se organizar sozinhos. E resulta de que maneira! Não ficam à espera de ajuda, ajudam-se a si mesmo. Organizam-se. Inventam respostas.
Tal e qual como nós, não é?


Afixado por Emiéle em 28 de dezembro de 2004, às 09:54

Afixadelas

Tal e qual. Até acho que seria muito benéfico o estabelecimento de um acordo bilateral entre as duas nações, no sentido de instituir um intercâmbio permanente de pessoas. Eles mandavam-nos pessoas daquelas que a gente vê nos filmes e nas fotos da praia de Copacabana e a gente retorquia com a maltosa da Caparica.
Dada a similaridade entre os dois povos, ninguém dava pela diferença, né?
Eu sei que podia ter feito melhor, mas incomoda-me ver uma posta da Emiéle sem comentários e lá mais abaixo o assunto é gajas.
Deixei-me entusiasmar. Desculpa, Emiéle (ó pra mim a fazer beicinho, todo fofo...).

Afixado por sharkinho em 28 de dezembro de 2004, às 17:02

Pois é! Não fosse o Tuby ( como lhe chama carinhosamente o JP ) e ninguém ligava ao que eu digo. O que me vale são estes amigos atentos...
Mas falando a sério, e verdade é que os brasileiros se também têm defeitos, pelo menos tem um modo de ver as coisas "pela positiva", como ,que ajuda um bocado a combater o fado nacional...
Quanto às meninas de copacabana ou lá o que é, deve mesmo haver de tudo, imagino eu. Mas mesmo aí, vale mais uma assim-assim risonha do que uma giraça cheia de botox ou lá como se chama aquela treta.

Afixado por Emiéle em 28 de dezembro de 2004, às 17:14

Olha, mandaram-me agora "um pensamento" brasileiro que está mesmo de acordo com o que estamos a dizer:
"Se não puder ajudar, atrapalhe, afinal o importante é participar."
Então, não é mesmo deles?

Afixado por Emiéle em 28 de dezembro de 2004, às 18:54

E delas, também (eheheheh)...

Afixado por sharkinho em 28 de dezembro de 2004, às 21:17

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