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janeiro 27, 2005

ADEUS Ò VAI-TEMBORA

Adios_Amigo.jpg

Milhares de benfiquistas, bandeira em punho, cachecol do clube e lenço branco afiado na algibeira, puderam assistir a mais uma jornada gloriosa do SLB. Para espanto da magnífica moldura humana, as duas equipas em campo jogaram bem. Ninguém estava à espera.
Aquilo foi história que se fez, introduzida (por escrito) nos anais dos eufóricos sportinguistas que puderam testemunhar mais um épico do crescendo lampião.
Serei breve, para não ter que postar a coisa em fascículos.
Livre contra o Sporting. Chamam o Simão para marcar. E ele. À rasca, logo a fazer contas:
Ora deixa cá ver como é que eu faço a coisa de forma a não ser eu a marcar, mas que a bola fique num ângulo onde nenhum daqueles cepos consiga falhar o golo. Estou a vinte e oito metros do poste, bato na bola a 43º, raiz quadrada de...”
É matemático. Bola no poste, guarda redes aos papéis, e marcou o que estava mais à mão. Podia ter marcado com a parte de trás das canelas, era mesmo só empurrá-la.
Delírio na Luz. Bruá.

Livre contra o Benfica. O Hugo Viana corre para a bola e os jogadores na barreira era cada um para seu lado, pernas para que vos quero, fujam que vem lá uma bolinha. Foi só chutar a direito, uma biqueirada sem jeito nenhum.
A luz em silêncio.

Faltava o João Pereira dar a baldazinha do costume.
- Toma lá a bola, pá, que os nossos presidentes agora são amigos e a gente formamos uma espécie de coligação...Mais passarinho do que o Louçã, o palerma do puto.
-Ah é, uma couligáção ô cára? Atão fáije dji conta que eu sou o Portáisse.
Parecia que saltitavam de nenúfar em nenúfar. Bola para ti, bola para mim, Liedson à Nuno Gomes (fora de jogo) a marcar.
A Luz em choque. Lenços brancos a assomar, nos narizes pinguços pelo briol amplificado por tamanha desilusão.

A seguir ficou reposta a verdade no marcador. O Petit alçou da catapulta e o Tiago até parecia um guarda redes dos matraquilhos. Ainda ele estava a girar diante da baliza, ca força da bolada, já a carola do Giovanni a enfiava onde ela mais falta fazia.
A Luz de pé. Lenços discretamente devolvidos ao bolso. A velha raposa quase sorriu.

Amarelo práqui, amarelo práli, tinha que tombar o vermelho mesmo quando o Hugo Viana ia a passar pelo polícia. O João Pereira artolas a fazer fita no chão (à Liedson) e carta tirada ao desmancha-prazeres da biqueirada. Adeus ò vai-tembora...
Parecia que a coisa levava bom rumo.
Mas afinal, a malta a jogar na boa e vem-me aquele Apito, Agapito ou lá comé, por ali fora, rabeta a este, ratada naquele, só paro em Vilar Formoso. O Quim até ficou com risco ao meio.
A Luz de mãos na cabeça. Onde é que já vimos este filme? Tudo a assoar a penca.

Mas depois veio aquele lapso monumental do Simãozinho. Falharam-lhe as contas e acertou mesmo em cheio na própria baliza. O jogo empatado outra vez. Prolongamento pra nada e vamos lá ao tira-teimas. Marcas tu, marco eu, marcas tu, marco eu.
E ficavam naquilo pela madrugada fora, o Quim a mandar umas bocas (pela surra, pró árbitro não ouvir) e os lagartos a perguntarem-lhe pra que lado ele a queria.
Mas chegou a vez de um tal de Miguel Garcia, cheio de pena do pessoal que até batiam as castanholas com o frio.
Vou lançar o esférico para fora do alcance do meu adversário e pode ser que ninguém repare que eu quero é pirar-me prá cabina que até tem aquecimento central”.
A Luz na maior loucura, a águia a abrir as asinhas, o Pezadas com umas trombas que até parecia o Santana no dia em que o outro sportinguista o demitiu. Ou no dia em que o PP apresentou o seu ‘governo’. Ou no dia em que...
Mas esta é uma história com final feliz.

Publicado por sharkinho às janeiro 27, 2005 09:42 AM

Afixadelas

Bela crónica.
Quanto ao jogo: há muito tempo, mesmo, que não via uma coisa assim entre clubes portugueses.

Uma pena o Sporting ter ficado pelo caminho. E a verdade é só uma: com o Ricardo tinhamos passado. Enfim, já lá vai. Parabéns.

Publicado por: Monty em janeiro 27, 2005 10:51 AM

Excelente, Tuby!
Mas a verdade é que cá por casa, no final do jogo só via p'ráqui gente a falar sozinha... Prontos, alguém tinha de passar, não é?
E esta foi a derrota mais parecida com vitória ( já que empate era impossível) que se podia desejar!

Publicado por: Emiéle em janeiro 27, 2005 11:09 AM

Claro que o post não podia deixar de estar sublime no relato (pois que quem sabe não desaprende)!!!
Agora o que eu não esperava é que (e em matéria de futebol isso é quase indigno) o meu admirado Tubarão, que sempre vi arrolar os dentes nas alturas mais dificeis, aqui se vergasse ao peso de uma assistência, e desse uma para cá, outra para lá, assim, politicamente, perdão futebolisticamente tão correctinho, uma galhofa para os lampiões, outra ali para os lagartos, a ponto de nem eu saber com que cores ele se pinta.
Andas a ficar amolecido oh Sharkinho? :)

Publicado por: Eufigénio em janeiro 27, 2005 11:26 AM

Ò Eufigénio, desde a bronca no Blogue de Esquerda é só paninhos quentes nestes conglomerados da blogosfera. Mas é claro que:
SLB, SLB, GLORIOSO SLB!!!!!!

Publicado por: sharkinho em janeiro 27, 2005 11:51 AM

SLB ??? SLB ??? .... mas .... Oh Sharkinho, então tu não sabes que nestas coisas o que fica bem é a neutralidade do observador? Tinhas estado tão bem no post e vais-te abaixo aqui :( Análises tendenciosas é o que isto é afinal!!!

Publicado por: Eufigénio em janeiro 27, 2005 12:56 PM

Se o Benfica jogasse sempre assim não estava sem ganhar nada há doze anos e muito menos em 5º lugar. Mas o melhor jogo do benfica ficou marcado por 19 remates do Sporting e 18 cantos, e o domínio completo do jogo mesmo a jogar com 9 e o Pedro Barbosa, depois da expulsão teatral do Huguinho Viana.
E se não estivesse lá o guarda-redes que é suplente do Nélson que é suplente do Ricardo... acho que o moçambicano Paíto não precisava de fingir que era o Obikwelu, porque nem prolongamento tinha havido.
Como diria o Gabriel Alves "foi um jogo a roçar a perfeição estática, com as meias diagonais cumpridas a rigor".
Bem hajas.

Publicado por: m. h. AdamastoR em janeiro 27, 2005 03:46 PM

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