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janeiro 29, 2005
Até ao lavar dos cestos
É interessante observar os últimos dias deste, sempre surpreendente, governo. Porque alguns traços que se notaram desde o início, têm permanecido durante todo o mandato.
Agora foi Freitas de Amaral que ficou na berlinda
Freitas não concordou com um plano muito questionado pelos trabalhadores de CGD. E, nessa linha, elaborou um parecer contra a transferência do fundo de pensões do banco para a Caixa Geral de Aposentações.
O diálogo é este:
Freitas:- "Eu não dei um parecer contra a Caixa, mas sim a favor dos seus trabalhadores e, portanto, a favor da própria Caixa"
Bagão Felix:-"É difícil de entender que o presidente da assembleia geral da CGD faça um parecer que vai contra a decisão do Estado que representa naquele órgão, sem sequer ouvir o accionista"
Freitas:-"Sou um jurisconsulto independente e, para dar os meus pareceres, não falo com ninguém antes, como a pedir licença, e muito menos ao Governo".
Bagão Félix: -"Trata-se de uma posição ética e deontologicamente inaceitável".
(Claro que os timmings para estas reacções são o que são, mas...)
Freitas: -"Lamento e estranho que o senhor ministro das Finanças só tenha reagido contra mim, não quando o meu parecer foi tornado público [terça-feira, dia 25 de Janeiro], mas apenas hoje [sexta-feira, dia 28 de Janeiro], logo que foi conhecido o meu apoio público ao PS nas próximas eleições"
Interessante, não?
Afixado por Emiéle em 29 de janeiro de 2005, às 09:08
Afixadelas
Apreciei o artigo de Freitas do Amaral a propósito das alternativas que se colocam aos portugueses na disputa eleitoral do próximo dia 20 de Fevereiro.
Admito que a situação criada com a transferência do fundo de pensões da CGD esteve longe de ser clara. Até porque se no imediato resolveu contabilísticamente o problema do défice, veio agravar os problemas com que a prazo vai ser confrontada a Caixa Geral de Aposentações.
Independentemente da justeza das observações de Freitas do Amaral sobre o processo de transferência do fundo de pensões, e dos contornos exactos da função de Presidente da Assembleia Geral sou levado a concordar com o ministro Bagão Felix. Freitas do Amaral ao desempenhar uma função remunerada pela Caixa Geral de Depósitos estava do meu ponto de vista moralmente obrigado a abstraír-se de intervir públicamente num assunto que envolvia a sua entidade empregadora.
Afixado por Carlos em 31 de janeiro de 2005, às 07:21
No essêncial até tens razão Carlos; ele contudo fez uma pirueta que terá a sua defesa quando disse: « não dei um parecer contra a Caixa, mas sim a favor dos seus trabalhadores e, portanto, a favor da própria Caixa». É discutível, mas apesar de tudo, tem alguma razão.
Afixado por Emiéle em 31 de janeiro de 2005, às 08:14
