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janeiro 31, 2005
BLAGUE DE ESQUERDA
Naquele programa televisivo para as insónias que só vejo por causa dela, o barnabusto teve um desabafo que me desagradou.
Com evidente desdém, questionado acerca do plebiscito eleitoral no Iraque, vociferou:
- Aquilo é uma farsa!
Já deixei bem claro o nojo que a intervenção norte-americana me provoca. Porém, não encontro qualquer alternativa, qualquer pretexto plausível para uma saída das tropas que não a instauração de um regime democrático. Coisa que o barnabásico parece não entender da mesma forma, sem contudo aventar soluções realistas para lidar com a embrulhada em que o Bush se meteu.
Nem a democracia é solução prá esquerda trauliteira do contra.
Mas não é a vertente política que mais me incomoda na arrogante resposta do rapaz. É a questão humana.
Milhões de iraquianos acorreram às urnas, mesmo sob ameaça de morte (em alguns casos concretizada) por parte daqueles a quem menos interessa o bom funcionamento de uma democracia. Os fascistas, afinal, que agora se revelam por detrás dos fundamentalismos religiosos de fachada. Para lhes tirar a razão, o povo iraquiano venceu o medo e deu ao mundo uma lição de coragem que envergonha qualquer abstencionista de sofá.
Farsa, como eu a entendo, é fazer acreditar que se beneficia a esquerda com a projecção mediática de alguns dos seus mais evidentes palermas.
Publicado por sharkinho às janeiro 31, 2005 09:56 AM
Afixadelas
Sábias palavras. Nem duvides que havia imensa malta, dita tolerante e de esquerda, que estava a torcer para que os iraquiano não saíssem de casa.
Publicado por: Monty em janeiro 31, 2005 10:31 AM
Eu vi logo que ias gostar...
Mas não te faças desentendido com a questão da indumentária de um dos meninos iraquianos da foto.
O futuro está nas crianças, pá!
Publicado por: sharkinho em janeiro 31, 2005 11:02 AM
Pensas que me enganas, pá? Aquela gola preta, ai aquela gola preta...
Publicado por: Monty em janeiro 31, 2005 11:18 AM
Concordo com a abordagem. Acho que os EUA devem abandonar o Iraque, são eles os responsáveis efectivos pelo estado caótico em que se encontra o país. Sempre achei que o regime de Saddam cairia por ele mais ano menos ano. Obviamente a palavra deve ser dos iraquianos, é altamente exemplar a determinação desse povo em ir exercer o seu direito de voto quase sob guerra civil, revela de facto uma grande coragem.
Independentemente das manipulações existentes ou da parcialidade de alguns candidatos.
Penso que as Nações Unidas deveriam ter um papel fundamental em toda a situação a par de uma concertação com a liga árabe e o futuro governo iraquiano.
Acho também que quanto mais depressa os americanos sairem do Iraque mais rápido será o processo de pacificação.
Publicado por: bin_tex em janeiro 31, 2005 12:26 PM
CLAP!CLAP!CLAP!
Só posso aplaudir esta tua intervenção.
Os iraquianos mostraram uns tomates do tamanho do mundo. Lembraram-me os timorenses.
Depois, adorei o recorte de «abstencionista de sofá» e «projecção mediática de evidentes palermas». Decididamente, "ela" ilumina-te. :)
Publicado por: maria arvore em janeiro 31, 2005 04:05 PM
Ela? Referes-te a que ela, concretamente, ò Maria?
Publicado por: sharkinho em janeiro 31, 2005 04:19 PM
Ah! Essa 'ela'...
Mas olha que tu também já me inspiraste umas quantas.
Publicado por: sharkinho em janeiro 31, 2005 04:30 PM
Ela: a CFA.
Eu foi as azeitonas?... :)
Publicado por: maria arvore em janeiro 31, 2005 04:52 PM
É, desde que te conheci passei a dar mais atenção aos temas relacionados com a ingricultura...
Publicado por: sharkinho em janeiro 31, 2005 05:03 PM
E os resultados das eleições não serão uma farsa?
Publicado por: cachucho em janeiro 31, 2005 06:22 PM
Se forem os resultados que costumam dar as nossas, sim.
No entanto, o simples acto de votar assume no caso concreto um efeito de terapia colectiva e de inequívoca manifestação de uma vontade. Nesse sentido, não encontro farsa nenhuma Cachucho irmão.
Publicado por: sharkinho em janeiro 31, 2005 07:12 PM
Cachucho e Tuby como animais aquáticos têm de se entender... Eu, dei já a minha mão à palmatória. Nunca, mas nunca, imaginei que acontecesse. Nem me interessa se a participação foi a que o governo de lá diz que foi ou se foi metade. O que interessa é que foram mesmo votar! Quando me lembro de Timor, quando vejo o Iraque, e depois olho para o nosso país e muitas vezes não se vai votar porque está a chover, ou porque está bom para a praia, não me posso sentir mais envergonhada.
Não pensei, realmente. E fartei-me de ler coisas. E imprensa não comprometida. E de diversos países. Foi um espanto e uma lição.
Publicado por: Emiéle em janeiro 31, 2005 08:57 PM
Já tinha escrito o comentário acima quando comecei a minha volta ( que hoje foi mais tarde do que o costume ) e encontrei um post no BdE que vai na linha do que eu disse. Portanto, não dá para generalizar, que "a esquerda" não desejava este resultado. Digamos que a esquerda não esperava de todo este resultado, o que é diferente.
Muitas vezes, perante uma surpresa, a reacção não é imediata.
Publicado por: Emiéle em janeiro 31, 2005 09:40 PM
Eu não acredito que não tenha passado pela cabeça da esquerda que estas eleições se realizassem, sabendo da obstinação e poderio americanos. Começa-se a provar que algo parecido com a democracia se pode impôr à lei da bala, por muito que isso custe, incluindo a mim. (À defesa: eu sei que, por haver eleições, não quer dizer que exista democracia. Mas não é preciso chegar ao exagero panfletário do Daniel Oliveira no Barnabé, inventando números de habitantes do Iraque com vista à desvalorização da eleição. Tem de haver um limite na demonização dos americanos, bom senso).
Publicado por: Sérgio em janeiro 31, 2005 10:06 PM
