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janeiro 24, 2005
Das intolerâncias e outros assuntos
Ontem, fiz por aqui referência a um texto que eu andava a evitar escrever. Passou um dia e a tentativa não teve o desiderato pretendido. E assim, cá estou eu a escrevê-lo. A fazer um papel incómodo que preferia não ter de fazer – mas, sou como sou, e tenho andado irritado e nervoso por não dizer o que me vai na alma.
Três das pessoas que eu mais prezo na blogosfera, e que estiveram, cada um à sua maneira, directamente relacionados com a fundação do Afixe – o Luis Rainha, o Filipe Moura e o Boss, envolveram-se numa discussão que já é por demais conhecida, mas que esteve directamente relacionada com este texto do Luis.
Logo na altura, lá fui dizer que o texto não me tinha agradado muito (isto é um eufemismo), mas, confesso, não o achei tão merecedor do auto de fé para que posteriormente tentaram empurrar o respectivo autor.
Para além de um ou outro comentador mais ou menos mal atamancado, três pessoas houve que me chamaram especial atenção pelo tipo de discurso usado – e todos pela negativa. O Boss, o Filipe Moura e um teatral Francisco Frazão que parece que está num cabeçalho qualquer e ameaça sair (em relação a este, adianto já que tive problema semelhante aqui há dias quando um inchaço no dedo grande do pé direito desatou a falar comigo e a ameaçar que se ia embora – e sobre este personagem, não digo mais).
Quanto ao Filipe: "limitou-se" a escrever estoutro texto, onde dava a entender que nem ele, Filipe, penhorado de coração por uma defesa que o Luis lhe havia feito há uns meses, conseguia defender o que o Luis havia escrito, tão grave e imperdoável o seu pecado. Depois dizia ainda coisas de uma atroz sobranceria, como este inqualificável atestado de incapacidade: "se - sublinho o "se" - achares que tens algo a acrescentar ou a esclarecer, não tens nada de te envergonhar".
Por esta altura, o Filipe, e sem que ninguém lhe tenha dito para se deixar de vergonhas, já deve ter percebido que, com o seu texto, contribuiu para acirrar ainda mais os ânimos contra o Luis, inflando uma série de sentidos de palavras não ditas e ajudando a consolidar que uma mentira tantas vezes dita, a suposta homofobia e transfobia do Luis, se transformasse, nas cabecitas de alguns, numa verdade.
Claro que, se eu conheço as pessoas, e ao Filipe penso (pelo que me dá a ler, e apenas nesta vertente) conhecê-lo, sei que nada do que escreveu foi por mal. Não que o Filipe seja uma espécie de pateta alegre que não sabe o que diz, nada disso. É, isso sim, um tipo que tem a sensibilidade de um rinoceronte com dor de dentes numa loja de porcelana – e o texto dele só ajudou a isso (a partir ainda mais aquela merda toda). Se se queria demarcar, que o fizesse, mas bem escusava de elevar o texto do Luis à categoria de oitavo pecado mortal.
Mas lá está; o Filipe é o meu Kramer de estimação, e está-lhe na alma não trejeitear o olhar para o horrível penteado da senhora, tudo acompanhado da habitual e fulminate paródia. É o Filipe Moura. E eu já há quase um ano que gosto dele assim. Não ia mudar agora de opinião - tudo porque não lhe vislumbro maldade.
Quanto a ti, Boss, pessoa, repito, de capital importância para mim e para as origens deste blogue (basta irem aqui, ver o primeiro post do Afixe), lamento ter de dizer o que ora vou dizer - não sem antes referir, e isso é boa forma de medir o respeito que por ti tenho, que o Renas foi o único blogue onde aceitei escrever depois da formação do Afixe.
Voltando à vaca fria (espero que não te incomodes que te trate desta forma), da mesma maneira que, por me ajudares a ser menos intolerante, em devido tempo o exaltei e to agradeci, tenho também agora que te dizer que repudio veementemente a forma como entraste de botas cardadas pelo post do Luis adeentro e fizeste letra morta de tudo aquilo que me ensinaste a ser na área onde te movimentas (sem piadinhas, fáchavor), ou seja, a ser tolerante com a homossexualidade
(ainda sou do tempo em que a aprendizagem e a ignorância que lhe subjaz não eram vergonhas).
Abstraindo do post do Luis, e isso é mesmo possível, percebi que talvez só vejas a tolerância como uma estrada de sentido único, algo que só é válido em teu beneficio, se a puderes invocar para defender a tua dama (as tuas perspectivas gay da realidade).
Percebo agora, caro Boss, e lamento de coração dizer-to assim, tão friamente, que o narcisismo doentio é mesmo a marca registada de alguns homossexuais (não de todos, lembro-me, assim de repente, do Miguel Vale de Almeida e da Sara Cacao como óbvias excepções). Mas, nos últimos dias, tua, por certo, caro Boss - que atropelaste tudo e todos, e até os teus sagrados valores, descontextualizando palavras, dando ao disforme resultado um eco desusado e lendo textos no espelho.
Assim como, e isto li-o não sei bem onde (fica portanto a ressalva) esse tal narcisismo é também a marca registada dos ditadores e dos homofóbicos. Os resultados são, obviamente, diversos, mas os métodos são assaz semelhantes.
Que queimes os teus soutiens, está muito bem. Que o faças com empenho, dedicação, paixão e amor está ainda melhor. Mas não o podes fazer tão cego pela causa que não te apercebas que estás a atropelar-te a ti mesmo e aos valores que defendes. Nalgumas das diversas respostas que deste ao Luis foste intolerante. Negaste a tua própria natureza. Naquele momento, transformaste-te num gajo azedo e perigoso, a quem já não basta atingir o objectivo, mesmo que a todo o custo. A ténue diferença é que fazes questão que seja a todo o custo e, se não estiver a ser, há que fazer por isso - para que assim pareça.
E esta é a pedra de toque. Porra, se o Luis estava assim tão errado – e tive de ler e estudar bastante para perceber que sim, atenta a especificidade do tema, porque insististe em fazer-lhe a ele aquilo que, muito provavelmente, passaram a vida a fazer-te a ti? Aquilo que tanto atacas, aquilo que tanto te enoja. Porque raio foste intolerante? Ou achas que o Luis não seria homem suficiente para te dar razão? Não estás habituado a isso?
Até agora falei mais dos estados de alma. Aquilo que me fez dizer isto ainda não foi expressamente referido. Está aqui, aqui, aqui, aqui e aqui (particularmente nas caixas de comentários) - para quem goste de ver ódio a ser destilado.
Termino dizendo que, mais uma vez, aprendi algo contigo, caro Boss. Desta vez, porém, dispensava bem a lição.
Afixado por afixe em 24 de janeiro de 2005, às 17:47
Afixadelas
Chi, patrão...
Mas agora que conheço o Luís, sou forçado a pender mais pró lado dos que tentam colocar a questão num plano menos...sonoro.
Acho injusta a forma como têm zurzido no courato do rapaz, como se uma posta apagasse de repente tudo aquilo que se disse ou escreveu antes da dita.
Às vezes, a malta da blogosfera acelera o teclado em demasia.
Afixado por sharkinho em 24 de janeiro de 2005, às 18:24
Nao acham que já está na hora de acabar com esta história?
A mim parece-me que de cada vez que se diz alguma coisa só se consegue por mais lenha na fogueira, em vez de água na fervura. E parece-me que a coisa fica cada vez mais feia e atingiu proporcoes injustificadas...
Afixado por M. em 24 de janeiro de 2005, às 18:44
Já agora, para ilustração da malta, em que é que o patrão discorda -sem eufemismos - do texto em questão?
Afixado por O Fantasma Curioso em 24 de janeiro de 2005, às 18:45
Não acredito em fantasmas - a sério, depois digo-te que agora tenho de sair.
Afixado por Monty em 24 de janeiro de 2005, às 18:48
Olha Fantasma, eu achei-o confuso, pouco claro será melhor. Pareceu-me que o autor quis dizer muita coisa ao mesmo tempo. Tinha lido com atenção os 1ºs, e daí o não concordar com as inferências, porque os pressupostos vinham de trás. Quando o autor falava das «irritantes "doenças" que atacavam os escravos», ou que «os profissionais da psiquiatria já haviam decidido que os "estados de fuga histérica" tinham deixado de merecer a dignidade de doença» deixava aberta a porta para se aceitar que a noção de doença pode variar conforme a sociedade onde estamos inseridos. e isso parece que foi de imediato esquecido por quem se lançou na crítica. Mas por mim, também me parecia que o autor se podia ter explicado melhor.
(e agora estou como o Monty, desculpem mas tenho de sair... Que raio de coisa. É mesmo verdade)
Afixado por Emiéle em 24 de janeiro de 2005, às 18:59
Ai, ai, antes de sair, voltei a ler e confusa fui eu. Queria dizer não concordar com as inferências das críticas/censuras porque os pressupostos daquilo que se dizia no post vinham de trás. Assim está melhor.
Até logo!
Afixado por Emiéle em 24 de janeiro de 2005, às 19:04
Ó Monty dizes que achas que o "Luís é homenzinho para se corrigir", mas apostas na teoria da vitimização do Luísinho, coitadinho, que de resto nunca se corrigiu. Imagina por um segundo que te chamava doente num post, dizia assim "o Monty é doente, como diz o DSM". Depois só quem lá fosse, veria que o Monty só é doente se andar deprimido por ser o Monty, mas isso não surge no post. Depois no mesmo post misturava-te com pessoas que se infectam propositadamente com HIV, e falava apenas das pessoas gays que o fazem, e no último parágrafo falava das pessoas que gostam de mutilar partes dos seus corpos. Nessa ordem, bug-chasers, o Monty doente e finalmente os cortadores de pernas próprias.
O Luís corrigiu-se na parte dos bug-chasers, mas negou sempre corrigir a mentira que é dizer "o travestismo é uma doença", tão verdade repito, como dizer "o Monty é doente".
Ao contrário do que escreves no post, felizmente que nunca sofri muito na própria pele o preconceito e insulto que emanam p ex do post do Luís, o que até poderia fazer com que me passasse mais facilmente ao lado. Mas não passa. O BdE é visto como muita gente uma referência da esquerda blogosférica, é à partida um sítio onde se espera encontrar opiniões informadas e progressistas, quando se chega lá e se encontra uma tentativa de legitimação científica de um velho preconceito ainda ntão incrustado na sociedade, não há como não me enraivecer.
O ódio que falas não o sinto, aliás como escrevi já algures, o Luís Raínha era a pessoa que me fazia ler o BdE, e foi até com surpresa que li num comentário do próprio, que há muito não simpatizava comigo. Lamento nunca o ter notado, e lamento a falta de frontalidade do Luís. Falta de frontalidade que culmina agora com o abandono do blog.
Eu não censurei ninguém, não bati em ninguém,nem sequer insultei ninguém - as críticas foram para o post. E confesso que me dá uma certa náusea ver a pessoa que começou tudo isto, que tentou, mais uma vez, legitimar um preconceito de séculos, não ter a tal frontalidade de aparecer e dizer que mantém o que diz ou que mudou de ideias. Não, retira-se e finge-se vítima do "politicamente correcto".
Pobre de mim se abandonasse o blog de cada vez que alguém discordasse de mim, ou de cada vez que fosse citado em blogs ou fóruns neo-nazis - o meu post sobre Hitler foi um sucesso por essas bandas.
Não tenho pachorra para vitimizações sem sentido, e tanto mais que se o próprio LR já não me curtia, mais um motivo para ser indiferente às minhas opiniões. Eu se te respondo aqui é porque tenho uma enorme simpatia por ti e pelo Afixe - apesar de neste caso não me rever minimamente nas críticas que fazes. Mas a discordância nunca foi impedimento para simpatias ou amizades comigo.
Um abraço.
Afixado por Boss em 24 de janeiro de 2005, às 19:23
Monty,
espero sinceramente saír daqui sem ofensas, obrigado!
tenho o Luís tb como grande blogger e amigo, e aquele texto vem na linha dele, que é tão somente, de levantar a discussão entre blogs para se chegar a conclusões válidas. O Luís naquele post, na minha opinião, NÃO quis ofender nunguém, mas tão somente fazer o que referi ateriormente.
quando se refere ao DMS-IV, e a possível integração daquilo que ele ironicamente chama de doença só pessoas ignorantes ou que não queiram pesquisar na net ou comprá-lo, saberão que o DMS-IV é inalterável! O que vai surgir é o DMS-V, e nunca a homossexualidade será considerada doença psiquiatrica!
haja bom senso!
como uma vez foste ao golfinhu2, tb venho aqui dar-te os meus cumprimentos!
Afixado por Golfinho em 24 de janeiro de 2005, às 20:39
Isto está bonito. Gosto de ver. Abraço a todos.
Afixado por gibel em 24 de janeiro de 2005, às 20:51
Boss,
Antes de tudo o mais, nunca escrevi que "há muito não simpatizava" contigo. Antes pelo contrário: já havíamos trocado comentários no teu e no meu blogue, sem qualquer espécie de acrimónia. E até te tinha na condição de "gajo bem porreiro", mesmo depois do episódio Castelo Branco...
Da mesmíssima forma, o meu post não contém a frase "o travestismo é uma doença". Escrevi sim "O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM"; e disto não tenho nada que me arrepender pois trata-se de uma evidência facilmente verificável. E escrevi esta frase depois de um primeiro post onde alertei para o carácter transitório que as definições do DSM por vezes têm...
E, acima de tudo, nunca diria que alguém é doente mental. As pessoas estão doentes; não são doentes. Pode parecer pormenor de somenos, mas é o cerne do meu raciocínio: de acordo com os critérios do DSM, alguém pode estar doente por se sentir extremamente antagonizado pelo sexo que a biologia lhe atribui. Uma das curas será a cirurgia de reatribuição de sexo; passa o sofrimento e a dismorfia, acaba-se a doença e el@ está saudável.
Onde é que jaz a "transfobia" nesta forma de ver a coisa?
Aliás, é este o raciocínio que leva sistemas de segurança social a financiar o procedimento cirúrgico: é uma cura para um estado que, além de doloroso, até é potencialmente perigoso para o paciente.
Mas estás, naturalmente, no teu direito de pensares o que quiseres de mim ou dos meus posts.
Afixado por Luis Rainha em 24 de janeiro de 2005, às 21:01
Golfinho:
Como ainda ontem relembrava o JPP "Desculpando com frequência, darás lugar à injustiça.".
A ti não te desculpo, porque tenho memória, portanto este foi o último comentário que aqui deixaste, ok?
Afixado por Monty em 24 de janeiro de 2005, às 21:01
Boss:
Eis a tal faceta que não te conhecia. Eu não disse que o "Luís é homenzinho para se corrigir" e até colocas a cena entre aspas. Grave, muito grave! Eu disse coisa bem diversa, que foi: "Ou achas que o Luis não seria homem suficiente para te dar razão?".
É tão diferente, não é? Um mundo inteiro de diferença. Imagina agora que o Luis se limitava a ficar em linha com essa frase que tu me puseste na boca. Já viste que aborrecido?
Para te dar razão se achasse ele que a tinhas, claro, o que até nem parece ser o caso. E isso é que tu, não sei porquê, não engoles.
Quanto ao post do Luis, concordo e subscrevo na íntegra as palavras da Emiéle. Está tudo a modos que metido ao monte - na maior parte, para mim, tudo conceitos novos - os tais que tive de investigar para concluir que talvez fosse melhor tratar tão diversas matérias em posts distintos e bem compartimentados. Basicamente, uma questão de forma - porque o Luis, e tu sabe-lo bem, Boss, não é transfóbico. Não faz parte da essência dele, não bate essa bota com a perdigota de um ano a ler os textos do LR, entendes?
O que me assusta aqui é que tu pareces tender a descontextualizar o que as pessoas dizem. Ainda agora o fizeste comigo. Acresce que, afinal, o LR nunca disse que não gostava de ti, ao contrário do que dizes ter visto por aí. São muitas cenas chatas, certo?
Uma abraço para ti também.
Afixado por Monty em 24 de janeiro de 2005, às 21:29
Como disse lá em cima que ia voltar, venho cumprir essa promessa mas, por mim é mesmo a última coisa que digo sobre este assunto. Esta questão desgosta-me mesmo muito. Vai tocar num ponto a que sou muito sensível, que é criticar-se seja quem for por aquilo que se considera que ela disse ou pensa, mesmo que os factos provem que não é assim. Já tenho passado por cenas dessas, de me encontrar a justificar-me de coisas que nunca disse nem pensei! E mais uma vez encontro, com pena, uma frase como esta «a pessoa que começou tudo isto, que tentou, mais uma vez, legitimar um preconceito de séculos». Ah, é? E ainda lamenta o facto dessa pessoa «não ter a tal frontalidade de aparecer e dizer que mantém o que diz». Devemos estar a falar de coisas diferentes com certeza. Não vi em parte nenhuma, se te referes ao LR que ele tentasse legitimar um preconceito, assim como está fartinho de dizer que mantém o que disse. Mas o que disse não aquilo que querem que ele tenha dito. Um preconceito? «Preconceito e insulto que emanam p ex do post do Luís» ? É que, francamente, continuo a imaginar que estamos a falar de textos diferentes, com certeza. E mais: «Falta de frontalidade que culmina agora com o abandono do blog». Por que raio é que uma pessoa, quando é censurada publicamente por 2 parceiros de blog, um que inclusivamente ameaça abandonar esse blog na atitude mimada do “ou ele ou eu”, se diz que se retira, é falta de frontalidade ? Ou a minha memória não é boa ou já vi, exactamente no Renas, alguém se retirar um tempo por um diferendo interno.
Mas pronto. Esta conversa não nos leva a lado nenhum. Os argumentos são sempre os mesmos e não estou interessada em nenhum braço de ferro. Há mais coisas no céu e na terra que me interessam nesta vida. Por mim, não vou dizer nem mais uma palavra!
Afixado por Emiéle em 24 de janeiro de 2005, às 23:09
Monty por favor.. é um comentário ao teu post, percebe-se bem a que parte me referia, reproduzi como interpretei - e quem lê os comentários é porque leu o post.
Não, Luís Raínha nunca disseste que não me curtias, tens razão. E se calhar também nunca escreveste um post chamado serei homofóbico?
Émiéle, também te dou a razão, venço-me pelo cansaço. Aliás vê-se bem que o post do Luís em nada incentiva e legitima a transfobia pelos comentários de apoio que teve, e que aliás, dos quais nunca se distanciou, ou contrário dos comentários críticos.. coisas..
Afixado por Boss em 24 de janeiro de 2005, às 23:55
Bolas, senhores.
Até dá para compreender que alimentar diariamente um blog com posts não deve ser coisa fácil.
Imagino que, ao fim de algum tempo, se começa a viver em função do que se vai postar, sempre atentos a um bom pretexto, um assunto interessante, por aí fora, quase como tubarões em busca de cardumes de sardinhas.
Tb é admissível que, nos momentos em que as sardinhas escasseiam, seja natural dar umas mordidelas nos tubarões vizinhos.
Os outros peixinhos por perto – os leitores – até podem ficar animados com essas tricas no início (suponho que as visitas aos blogs envolvidos até devem aumentar nessas alturas) mas tenho quase a certeza que, a prazo, é bem provável que se cansem se os bloggers gastarem a maior parte da sua criatividade em jogos de espelhos, ou em guerrinhas entre si.
Isto para não falar no possível cansaço dos próprios bloggers. Afinal, ao fim de algum tempo, já quase ninguém está a discutir o assunto inicial mas antes a disparar mísseis ao ego dos vizinhos, a desfazer cumplicidades que poderiam vir a ser utéis no futuro, etc.
No fundo, talvez fosse conveniente cada um descobrir se quer escrever para si (baaaah, não acredito...), para os outros bloggers ou para quem quer que seja (estando do lado de cá, preferia que escolhessem esta última).
Não dá p/reparar que podem estar a cair naquela atitude que se costuma condenar nos «fazedores de opinião» dos jornais e televisões - passar demasiado tempo a mandar recados e alfinetadas aos seus pares – e que, no fundo do túnel, com a ânsia de ter a última palavra, existe o risco de acabar a falar sózinho?
É difícil saber quando parar?
Ou então: porra, para que serve o e-mail?!!! (ok, a «casa» é vossa e cada um escolhe a decoração que bem entender) .
Desculpem-me p.f. este banho de pacifismo barato, esta moral de saldos. Desconfio até que alguns do envolvidos devem estar a pensar «quem é que este car... pensa que é ?!!!».
Dos inúmeros que vos visitam (em nº seguramente maior do que os bloggers que tb o fazem), apenas mais um leitor indevidamente não-identificado que tem a sorte – e quer continuar a tê-la – de ter o «bde» e o «renaseveados», que visito nem há 2 meses, e o «afixe», onde entrei há apenas 3-4 dias, adicionados aos meus favoritos.
Moços, agora p.f. não me batam (já repararam que as moças se fartaram de apelar ao vosso bom-senso e vocês não lhes deram cavaco, nem santana, nem...?)
Afixado por JQ em 25 de janeiro de 2005, às 00:46
JQ - Até tens razão. Para quem cai aqui pela primeira vez isto tudo parece conversa que se resolvia por email. E pela minha parte prometo que já o tinha pensado fazer daqui para a frente. Foi só por isto ter sido uma questão pública, nos blogs em questão. E aqui é tudo muito emocional, entendes? E envolvia pessoas de quem gostamos (virtualmente, que em pessoa não conheço ninguém) e respeitamos.
Continua a visitar-nos, sim? Esta história acabou.
Afixado por Emiéle em 25 de janeiro de 2005, às 08:46
Boss,
É uma faceta tua que descubro nestes dias. Tens mesmo uma certa tendência para deformar o que os outros dizem de "dar um jeito" à verdade para ver se ela te passa a ser mais conveniente.
Claro que eu reagi mal às tuas cíticas, quanto a mim exageradas e com uma violência despropositada. No que toca ao Castelo Branco, qual é a novidade, se até nesta caixa o mencionei, e que tem isso a ver contigo?
Afixado por Luis Rainha em 25 de janeiro de 2005, às 11:31
Não é comigo Luís, que não sou transgénero, mas já na altura disse que o teu problema era a transfobia, é só. Quanto à minha "distorção" sugiro apenas que vejas os comentários do João André e Émielé, nesse mesmo link, interpretaram-no exactamente como eu.
Mas concordo inteiramente com o JQ, já não há pachorra para este assunto, não tarda estaremos a discutir vírgulas.. e o problema não foi esse. Antes de me retirar de vez do assunto aproveito para deixar um exemplo positivo de transsexualidade, que conseguiu escapara à rejeição familiar/prostituição etc a Filipa Gonçalves, top-model e filha do Néné (sim, o ex-jogador do Benfica).
Afixado por Boss em 25 de janeiro de 2005, às 12:24
Fotos da Filipa aqui.
E já agora quem quiser conhecer a blogosfera trans, que tb existe, pode começar pelo blog da Lara.
Afixado por Boss em 25 de janeiro de 2005, às 12:30
Fotos da Filipa aqui.
E já agora quem quiser conhecer a blogosfera trans, que tb existe, pode começar pelo blog da Lara.
Afixado por Boss em 25 de janeiro de 2005, às 12:37
JQ:
Percebo-te, mas não concordo contigo. Tens razão na generalidade, não neste caso, não neste post. "mandar recados e alfinetadas aos pares" não foi a minha intenção. Mas só não o foi circunstancialemnte porque, como disse, quer ao LR, quer ao Boss, quer ao FM, devo esse respeito e cuidado. E também por isso não podia deixar de dizer o que disse.
Boss:
Olha que não são exactamente vírgulas, mas tudo bem. Uma outra coisa, desta vez positiva: ao deixares os exemplos da Filipa e da Lara, já estás a ser mais igual a ti próprio, como esperava que fosses desde início.
Afixado por Monty em 25 de janeiro de 2005, às 12:45
Posso ser transfóbico, mas deixem-me dizer-vos que a Filipa tem um ar bem... hum; fica para outra ocasião.
Afixado por Luis Rainha em 25 de janeiro de 2005, às 14:53
Como é que se chama a um transfóbico que gosta do produto final? Luis Rainha, pois claro. Pois eu também sou um Luis Rainha, salvo seja a barriguita!
Afixado por Monty em 25 de janeiro de 2005, às 17:22
Monty, gostei do texto. No que me diz respeito, saliento o "penhorado de coração" - que palavras bonitas e que exprimiam tão bem como me sentia!
Na verdade, se não estivesse tão "penhorado de coração" talvez tivesse sido mais frio, mais racional. Mas isto é fácil de dizer a posteriori, e se calhar enquanto não escrevesse algo como escrevi não poderia ser frio e racional. É sempre a mesma porra, não é?
Algo "frio e racional" seria ter escrito "meu amigo Luís, pensa no que escreveste; se o mantiveres tal e qual, é a tua opinião, não a minha." Escreve-se numa linha, em vez de um texto tão grande. O que me levou a recordar episódios passados e enterrados foi justamente o sentir-me "penhorado de coração", como inevitavelmente me sentiria a fazer isso, especialmente com o Luís!
Queria só explicar o "inqualificável atestado de incapacidade". Quando digo que o Luís não tem de se envergonhar SE notar que não era aquilo que queria escrever, queria somente evitar que ele cometesse o mesmo erro que eu cometi no "caso judaico". E o SE em maiúsculas - e repetido - queria justamente dizer que eu NÃO O ESTAVA A OBRIGAR A NADA. Se ele mantivesse tudo o que disse, era a opinião dele - daí a frase final. Admito que isto poderia ter sido escrito de uma forma menos tortuosa, não fosse (se calhar) a "penhora de coração" e o avançado da hora.
Afixado por Filipe Moura em 25 de janeiro de 2005, às 18:09
