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janeiro 30, 2005
Iraque
As notícias internacionais de hoje só podem ter um foco: o Iraque. Será difícil pensar noutra coisa. E eu só desejo chegar rapidamente à noite, não para contar os votos ( ? ) mas para ver como vai acabar esta birra de decidir fazer, a bem ou a mal, estas eleições.
Ontem no programa Eixo do Mal, o José Júdice, que até tem sido de um modo geral uma das pessoas de quem mais gostei as poucas vezes que vi o programa, teve uma tirada de humor que, de tão rebuscada, se tornou um boomerang. Quando os outros elementos, Clara e Daniel, criticaram estas eleições ele ironizou de um modo muito pouco claro, dizendo que as eleições são sempre boas, a extrema-esquerda é que não gosta da democracia e nunca se pode censurar a existência de um acto eleitoral.
É claro que ele estava a brincar, só pode ser, mas disse-o com muita convicção, podendo deixar dúvidas. Sem analisar quem gosta ou não de democracia, o que é importante é que, quando os outros intervenientes falaram, disseram “farsa”, e isso é que era o importante. Tratar o que hoje se está a passar como um “acto eleitoral” não tem o menor sentido. Ninguém ali criticava que se praticasse um acto eleitoral, pareceu-me, mas sim exactamente por respeito dar-se esse nome a uma coisa que o não é.
Sei que pode haver eleições em países não inteiramente livres. Será um entreabrir de uma porta para se conseguir abri-la de par em par. Aceito que em certos casos possam sair resultados, contestáveis mas ainda aceitáveis. Não é o caso do Iraque. Não pode ser o caso de um país em guerra civil, por exemplo. Terá de haver o mínimo dos mínimos de segurança, para aquilo a que se está a chamar eleições faça sentido.
Espero por o final deste dia para compreender alguma coisa.
Afixado por Emiéle em 30 de janeiro de 2005, às 09:14
Afixadelas
Não será tanto uma questão de segurança, será pelo menos tambem de liberdade.fj.
Afixado por FJ em 30 de janeiro de 2005, às 20:37
Pois a ideia é como conseguir a liberdade sem um mínimo de segurança. A esta hora dizem que as eleições foram muito participadas... Deve ter havido intervenção directa de Mahomé. Só pode!
Afixado por Emiéle em 31 de janeiro de 2005, às 00:25
Enganei-me.
Redondamente.
Mas é muito difícil de acreditar como foi possível, e a verdade é que muita, mas mesmo muita imprensa que ia lendo, da francesa à inglesa ou muita da americana, tinha as mesmíssimas dúvidas. Estive muito acompanhada, mas ainda bem que tanta gente se enganou.
Afixado por Emiéle em 31 de janeiro de 2005, às 19:33
