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fevereiro 14, 2005

A Escola da Ponte

Já por aqui falei neste projecto (não consigo encontrar agora o post, nem me lembro como lhe chamei.) e apesar de na altura tencionar voltar ao assunto, acabei por o não fazer. Erro meu, porque este caso é interessantíssimo.
A ESCOLA DA PONTE é um caso ímpar de sucesso pedagógico.
Num país onde um dos maiores problemas é o do ensino, existir uma experiência destas e não estar devidamente divulgada só posso sentir como o maior dos desperdícios. Ou, na velha fórmula, “deitar pérolas a porcos”… Sei, por exemplo, que no Brasil já se inspiraram no modelo “Escola da Ponte” e conseguiram com isso situações de boa recuperação pedagógica. Mas em Portugal só é falada em dias como o de hoje quando a Escola e o Ministério assinam aquele que será o primeiro contrato de autonomia do país na área do ensino Este é um modelo que envolve pais e comunidade no projecto educativo de um modo muito dinâmico e com o maior sucesso.
O melhor é consultarem o link mas vou só deixar os pontos principais:
* Trata-se de uma escola pública, com professores do Ministério.
* Recebe alunos do 1º e 2º ciclos.
* O ensino é adaptado a cada aluno.
* Os alunos que saem desta escola, têm tido muito boas classificações quando se integram no “ensino normal”.
"Na nossa escola todos trabalham com todos. Assim, nem um aluno é aluno de um professor, nem um professor é professor de alguns alunos, é professor de todos os alunos"

ponte.bmp

Afixado por Emiéle em 14 de fevereiro de 2005, às 15:36

Afixadelas

Vale a pena passar pelo blog do grande responsável desse sucesso
http://abnoxio.blogs.sapo.pt
Parabéns pelo post! Nunca é de mais falar naquilo que este pais tem de bom!

Afixado por Lyra em 14 de fevereiro de 2005, às 16:30

Obrigada Lyra, por teres gostado e pelo conselho. Realmente não conhecia o blog e vou passar a visitá-lo.
Esta experiência pedagógica é notável. Eu tinha falado já há uns meses, mas as pessoas esquecem-se. E, sim, tens razão, é mais fácil e engraçado falar no que está mal, mas, bolas, quando há coias bem feitas era fundamental que viessem para a ribalta. Ainda por cima, como este caso que já serve de modelo para outros países!

Afixado por Emiéle em 14 de fevereiro de 2005, às 16:38

lembro-me de teres falado neste caso. Acho até que comentei. Só que para estas coisas funcionarem é preciso que os envolvidos "se dêem ao trabalho" e esse é geralmente o problema. depois, com vidas tão difíceis e grande mobilidade dos corpos docentes, torna-se ainda mais difícil uma boa articulação entre as diversas entidades.

Afixado por susana em 14 de fevereiro de 2005, às 17:21

Estava eu a escrever sobre isto, quando descobri este post...

Quem tiver interessado em discutir este assunto que apareça...

Eu, que passei por, uma escola parecida, fico ainda parvo comé que mais de vinte anos depois estes exemplos não se multiplicam mais ainda (felizmente existem algumas escolas da ponte, apesar de não tão estruturadas e mediatizadas)...

E o problema nem passa pelas vidas difíceis dos professores (como diz a susana), o principal problema é a inércia...

Afixado por mestre andré em 14 de fevereiro de 2005, às 18:34

Tenho acompanhado o blog do Ademar desde o inicio, sim, vale a pena ir até lá e ver a paixão que este Sr tem pelo que faz.
(ainda recentemente o Ademar escreveu sobre a "sua" escola http://abnoxio.blogs.sapo.pt/arquivo/484058.html ).
serve de modelo,é certo, no entanto até da parte do ministério o reconhecimento é quase por favor.

Afixado por Lyra em 14 de fevereiro de 2005, às 19:10

Achei, este caso muito inovador! E é de estranhar como é tão pouco conhecido.

Afixado por Johnny em 14 de fevereiro de 2005, às 19:11

Nunca é demais, de facto Emiéle, falar deste assunto. Queria também deixar aqui outro link a ver o do EDUCARE, onde o Prof. José Pacheco, o paladino da Escola da Ponte, escreve umas crónicas intituladas, aprendiz de utopias. Volto a frisar, visitem a escola, basta ligar e marcar dia. Sextas-feiras há a Assembleia Geral, com alunos, professores e pais: bom para quem não vê democracias a funcionar como lhe é dado. A leitura do livro "A Escola com que sempre sonhei sem saber que podia existir", de Ruben Alves, da ASA, é um bom começo.
Mestre André não se admire, que ainda o anterior ministro da educação o David Justino mais uma comandita perigosa tentaram encerrar a Escola da Ponte! Acredite há muita gente interessada em manter a merda de ensino que o país tem...dá muito menos trabalho ser-se ditador do que educador.

Afixado por João Ribeiro em 14 de fevereiro de 2005, às 19:37

Pois, Mestre André, há modelos desta linha há mesmo muito tempo, e para já o mais antigo em Portugal é capaz de ser o do Movimento da Escola Moderna (MEM) que tem professores formados neste modelo não-clássico, com auto-avaliações, com várias idades e conhecimentos misturados, com assembleias semanais de escola ou de sala. Aqui, na Ponte, o que gosto muito é da implicação da comunidade e da família. Aliás creio eu, que quando chamam PONTE é a essa relação que se referem - criança - comunidade - família -escola.
Pensando bem, o modelo mais tradicional é o que tem provado pior...
E o problema dos professores a saltitarem todos os anos de escola, é claro que é péssimo para todos: para eles, como é evidente e para os alunos que nunca se chegam a habituar a um professor. Talvez se descentralizassem e desburocratizassem a coisa melhorasse um bocado.

Afixado por Emiéle em 14 de fevereiro de 2005, às 19:45

Pois na escola que eu andei (Alto Rodes em Faro) e que refiro no meu blog era composta por professores do MEM (acho que ainda é).

E eu soube quando a escola da Ponte esteve a fechar...soube, e arrepiei-me!

Afixado por mestre andré em 14 de fevereiro de 2005, às 19:59

O que eu acho ser possível de se fazer é determinar uma quota, para já, na qual se integrem, pelo menos, uma escola de cada ciclo seguindo o método moderno ( o João de Deus é o método natural?! pergunto; ou é o percursor ou é já o método moderno?!-ganda confusão...) por cada três ou quatro das outras, as (a)normais. Subir o escalão até às Universidades. Eternos bastiões da anacrónica pedagogia de Liceu: Sim, senhor professor! Por um lado querem-se aparte da Educação por causa da investigação e inovação, por outro só dão mais do mesmo a quem lá chega do Secundário. Auditórios onde alunos nada dizem, cadeiras e mesas aparafusadas ao chão; só falta a corrente com cadeado.
Para os tais estabelecimentos designados confluiriam prioritariamente os professores com experiência nesses métodos e os que quisessem aderir de novo. Estou convicto de que já haverá gente suficiente para se fazer fermentar o método por todo o país. Depois de iniciado o processo surgiriam pressões várias para o sustentar e aumentar. O Estado, já que o método permite ensinar mais alunos por professor, e porque é inclusivo dos outsiders (entenda-se aqueles alunos a quem actualmente o sistema agradece o abandono) evita considerar os ensinos especiais a mais e as formações para aqui e para ali. A qualidade e competência dos que adquiriram saberes segundo este método estão demonstrados nos resultados das avaliações do décimo segundo ano. São um sinal inequivoco de que a competitividade dos portugueses tem uma origem: os métodos de ensino e a aprendizagem. O grupo dos pais seria outro que surgiria a apoiar pois saberiam assim que os filhos teriam gosto em estudar, em aprender, em frequentar a escola. Em saber pensar por si próprios, respeitando o próximo, quando tiverem de enfrentar a vida adulta. A maturidade democrática de Portugal passa por isto; antes de mais. Estarão os Governos e Sindicatos dispostos a tanto? Lançar o fermento de uma nova Sociedade?

Afixado por João Ribeiro em 15 de fevereiro de 2005, às 00:25

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