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fevereiro 27, 2005
Cadáver esquisito - POST "BOLHA D´AR"
Já há uma porrada de tempo que ando para fazer isto e sempre me esqueço. Por certo toda a gente está familiarizada com o conceito do
cadáver esquisito tradicional. Vão-se escrevendo algumas linhas de prosa numa folha, revelando apenas a última ao parceiro que há-de continuar a história.
Aqui tem de ser diferente. Vamos fazer assim: eu deixo as primeiras linhas e o primeiro comentador continua a estorieta com mais meia-dúzia de linhas. Depois, o segundo, tendo em atenção tudo o que já foi escrito, avança, e assim por diante.
As afixadelas ficam reservadas para o cadáver e as rapidinhas para as observações ou dúvidas. Se isto der alguma coisa, depois publica-se o texto por inteiro, certo?
"Parei.
Olhei para os lados, sem certeza da opção a tomar.
A minha mente vazava em turbilhão – a pouca segurança que tinha ia-se esvaindo, ao ponto de já não saber o significado das cores ou dos símbolos.
Mas que raio?
Porque me havia aquilo de acontecer a mim?
Continuei quieto."
NOTA: Este post foi publicado pela primeira vez às 16 horas e 37 minutos do dia 23 de Fevereiro. Porém, tendo em consideração o enorme interesse manifestado pelos leitores e, bem assim, o facto de a história ainda estar longe do fim (apesar de a Isabel já ter, por duas vezes, tentado matar o nosso herói), tomámos a decisão de o promover a "Post bolha d'ar" - como o nosso João Pedro nos ensinou, ainda no tempo das saudosas Ruínas Circulares.
Publicado por Monty às fevereiro 27, 2005 02:22 PM
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» Eu MORRO A RIR com isto!!! de 100nada
A sério, está BESTIAL! Ide depressa ao Cadáver Esquisito no Afixe.... [Ler...]
Recenseado em fevereiro 27, 2005 11:21 PM
Afixadelas
Não sabendo para que lado me virar vou em frente. Sempre em frente até voltar ao mesmo sítio! Merda, não sei para onde virar.
Tenho de ir embora que esperar não é saber, já dizia o poeta. Demito-me! De quê? Não sei. Demito-me de existir. Não, não posso.
Publicado por: Luís Aguiar-Conraria em fevereiro 23, 2005 05:06 PM
Não posso. Não posso o quê? Onde estou? Estes sapatos não são os que calcei de manhã. São quadrados. Não têm atacadores. Estão-me largos. Descalço-os.
Publicado por: derFred em fevereiro 23, 2005 06:03 PM
Tou lixado, com este chão abrazador ! Quem me manda comprar sapatos nos chineses quando temos o melhor calçado do mundo?
Publicado por: fernando nogueira gonçalves em fevereiro 23, 2005 06:07 PM
E o azeite, já agora. E o vinho do Porto.
Publicado por: João Pedro da Costa em fevereiro 23, 2005 06:10 PM
Fiz mal! De onde, eu não sei, mas apareceu-me um cigano a correr e gamou-me as faluas, que acabara de comprar no bazar chinês.
Publicado por: Tubarão em fevereiro 23, 2005 06:11 PM
pensei - isto está a descambar. - dei meia volta a tentar perceber como é que os chineses conseguem contornar a crise económica, enquanto coçava ferozmente o tornozelo esquerdo onde tinha sido picado por uma melga (acho eu).
Publicado por: susana em fevereiro 23, 2005 06:38 PM
Tive sede, ou pelo menos parecia, mas apesar de perceber o sentido da palavra copo não conseguia recriar na mente a imagem desse objecto que sabia fazer-me falta em tais circunstâncias. Concentrei-me na torneira, mas não consegui fazer uma associação de ideias que me levasse a abri-la para sorver o líquido de cujo nome não me lembrava.
Cocei até sangrar. E entretanto a sede passou, ou transferiu-se para outro apetite, para outra necessidade que também não sabia como satisfazer...
Publicado por: sharkinho em fevereiro 23, 2005 07:06 PM
A um dado momento os riscos da porta, que se assemelhavam a caracteres chineses, começaram a ter um sentido. Eram letras da minha terra! Li: "Zona dos Moribundos".
Publicado por: Tubarão em fevereiro 23, 2005 07:24 PM
Acorda. Não faças de um sonho um pesadelo! Que pensavas tu? Que era a mulher fatal? A mulher fatal não é uma mulher de sonho, pesadelo, não sei... Mas quando acordares vai ser pior ainda. Estarás de volta ao beco sem saída em que a tua vida se tornou. Virar à esquerda ou à direita? Não sei, mas vai contra o carreiro, se te queres sentir bem contigo próprio.
Publicado por: Luís Aguiar-Conraria em fevereiro 23, 2005 07:39 PM
Cortei caminho pela floresta, e fui dar a uma clareira desconhecida. Ali, as árvores pareciam mais altas, o céu mais longínquo, o chão mais deslizante. Tão deslizante que comecei a senti-lo desaparecer por baixo dos meus pés. Tentei agarrar-me a um ramo que estava por perto, mas partiu-se. Quando dei por mim, caía. Caía como se subisse, sentia-me a pairar sobre o mundo. Parecia esquecer que existia.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 23, 2005 07:57 PM
Aqueles cogumelos que recebera da Holanda eram óptimos!
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:00 PM
Num lapso da inconsciência que o atormentava, apercebeu-se que não tinha saído do mesmo sítio. As cores e os símbolos continuavam imperceptíveis.
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 08:06 PM
[só um parêntesis: então a inconsciência tem lapsos? E não estamos a voltar ao início? Bem, continuando...o relato é na terceira pessoa do singular não é?]
Decidiu pôr os óculos.
[este trecho é patrocinado pela OPTICLINIC]
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:16 PM
Ocorreu-lhe então que estaria a morrer. O cérebro desligava as funções como numa sequência de interruptores com os quais se apagam as luzes nas diversas salas de uma mansão e ele podia assistir ao processo inexorável do fim, até à absoluta escuridão.
Tinha lido algo acerca do assunto e agora batia-lhe mais forte o coração. Mas isso soou-lhe paradoxal: devia bater mais devagar ou mesmo imobilizar-se por completo. Ficou ainda mais confuso.
Publicado por: sharkinho em fevereiro 23, 2005 08:18 PM
[vocês estão mesmo a dar no literário: isto é para ser uma daquelas cenas xamânicas em que a mente se desprende do corpo?]
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:26 PM
[faz a porra dos comentários ali ao lado, ó cromo!!!]
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 08:28 PM
[não devias estar a jantar?!]
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:30 PM
- Mas que Loucura é esta? - Gritou, e continuou. - Tudo isto por causa de uma conta da EDP? A mania dos aquecedores no máximo saiu-te cara. Para a próxima faço ligação directa à casa do vizinho.
E tomou 2 Valiuns...
Publicado por: Tubarão em fevereiro 23, 2005 08:32 PM
De repente, lembrou-se: e se fosse ter com a Maria Piaçaba?
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 08:32 PM
Mas agora? Raios partam, será que 'inda ia a tempo de vomitar a porra dos comprimidos?
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 08:40 PM
[em estereo simultâneo nas rapidinhas aqui ao lado]
"Parei assim mesmo parado.
Olhei para os lados e para cima e para baixo e em diagonal, sem certeza da opção ou opções a tomar e quem diz opções diz alternativas.
A minha mente vazava em turbilhão como quem vaza olhos – a pouca segurança, se segurança lhe pudesse chamar e que achava que tinha, ia-se esvaindo, ao ponto e vírgula de já não saber o significado das cores azul, vermelha e branca ou dos símbolos que elas coloriam.
Mas que raio, ou trovão ou lá isso!
Porque me havia aquilo de acontecer a mim, que nem tinha comido os cogumelos todos?
Continuei quieto, enquanto a Monica, que o Bill me havia apresentado no guincho, executava com arte um felatio em três ritmos em mi bemol sustenido..."
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:41 PM
Mas? A Monica? Então e a Maria Piaçaba? Que diria a Maria se entrasse no quarto naquele instante? Que explicação lhe poderia dar? Que desculpa? Querida, isto não é o que estás a pensar? Esta mulher está apenas a orar?
Melhor, dir-lhe-ia: "Querida, isto não é o que estás a pensar, eu não sou eu!"
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 08:46 PM
Mas quem entrou no quarto foi um gajo com voz dobrada à moda do Porto (ou seriam tripas?) do canal televendas!
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:49 PM
Só para lembrar: Swayzak, The Hacker e Munk actuam amanhã à noite nas (cum)plicidades do Lux! Vendeu-me dois bilhetes e saiu.
Publicado por: gibel em fevereiro 23, 2005 08:51 PM
Que iria fazer com os bilhetes? Quem iria convidar? A Maria? A Monica? Ou o Comandante Guélas, a Nuvem de Verdade e a promessa do Pleroma?
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 09:06 PM
E acordei. Juro: nunca mais como cogumelos vindos da Holanda!
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 23, 2005 09:14 PM
Já que estava acordado, era melhor começar a mexer-se. Afinal, as pernas começavam a ficar em dormência plerómica. Não podia ser!
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 09:22 PM
Pa ra a próxima ,prefiro comprar uma sandes de bacalhau na taberna da Estação do Fundão.
Publicado por: fernando nogueira gonçalves em fevereiro 23, 2005 09:26 PM
uma ideia, no entanto, não lhe saía da cabeça - mi bemol E sustenido?! caraças, aquela maria piaçaba era mesmo polivalente. ou seria a dicotomia da sua dupla personalidade?
Publicado por: susana em fevereiro 23, 2005 09:38 PM
Mas não! A confusão grassa! A do mi bemol sustenido havia sido a Monica!
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 09:40 PM
O problema dos cogumelos frescos é que estavam estragados. Bateram mal, tão mal que até julguei ouvir no céu qualquer coisa que soava a uma mistura de Enya com Van Halen. Quando caí em mim, percebi que o pleroma era, afinal, uma doença que a Maria Piaçaba me tinha pegado.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 23, 2005 09:58 PM
Foi então que me deu uma olímpica vontade de cagar.
Publicado por: João Pedro da Costa em fevereiro 23, 2005 10:04 PM
Também, quem me mandou comer cogumelos frescos vindos da Holanda? Mesmo com a rapidez das viagens de hoje, sou a prova de que não é muito diferente do que comer peixe fresco na aldeia do Astérix.
(E o mi bemol sustenido não me saía da cabeça... É que, caramba, se é bemol não é sustenido - mas aquele era!)
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 23, 2005 10:07 PM
Mas se estava a ouvir música, seria que estava completamente acordado? Essa dúvida, não bem cartesiana, começou a atormentá-lo. Como iria ter a certeza de estar agora acordado e não o inverso?
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 10:23 PM
Já nem sabia onde estava, logo ali é que me tinha de dar a vontade de defecar. Enquanto o fazia, pensava que a minha vida devia ser mesmo muito triste, para fazer rimas internas com a palavra defecar em textos que nem sequer existiam fora da minha cabeça marada. E a porcaria do pleroma ardia-me na alma e no esmegma.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 23, 2005 10:23 PM
"Certo", pensou então, "se estava a defecar ( que raio lhe tinha dado para ter começado a pensar em termos tão exóticos?) seria porque estava acordado" mas apesar de tudo este pensamento continuava a não lhe surgir com grande clareza.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 10:27 PM
"Defeco, logo existo." pensou. "Pelo menos estou vivo. Mas na merda..."
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 23, 2005 10:29 PM
A confusão mantinha-se ( os tais cogumelos não teriam nenhuma substância estranha...?) pois apesar de não ter agora dívida de que estava vivo e portanto existia, continuava hesitando sobre o seu estado : sonho ou vigília? Eis a questão.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 10:34 PM
Ó céus! Como seria tal possível? Pois se no seu espírito estava tão claro que se sentia com DÚVIDAS como surgiu do nada a palavra DÍVIDA como "acto falhado" freudiano?
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 10:39 PM
O meu estado mental era tão estranho que me ia apercebendo que dava errao ortograficos e gralhas nos meus pensamentos. Como é? Dívida ou dúvida? errao ou erros? E porquê, oh meu deus porquê?! Enquanto isto, reparei que um pedaço de matéria orgânica rejeitada que boiava nas couves tentava me dizer qualquer coisa. (Boiava nas couves, boiava nas couves?!)
Publicado por: Sérgio em fevereiro 23, 2005 10:39 PM
"Despacha-te que preciso da casa de banho, porra!Tou mesmo à rasca! Olha que faço mesmo aqui na sala..."Imaginou o encolher de pernas da Mónica.
Publicado por: isabel em fevereiro 23, 2005 10:42 PM
- Mas porque é que eu vim para este mundo - gritei em desespero quando ouvi o toque estridente do despertador.
A verdade tinha-se revelado: ia ter teste de matemática!
Publicado por: Tubarão em fevereiro 23, 2005 10:43 PM
"Pois é", pensou ele " o melhor é voltar a deitar-me a acabar o sonho que estava a ficar tão bom. Este estado que não é carne nem é peixe não me está a agradar".
Porque a verdade é que as gralhas mentais, é ainda um sintoma novo na psiquiatria. Será altura de começar a pensar em estudar o fenómeno.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 10:45 PM
e nessa DÍVIDA de que estava vivo, vida essa ingrata cuja culpa ele atribuía unicamente à tendência libidinosa da sua mãe e ao seu gosto absurdo por cogumelos estrangeiros que ele - ó infortúnio, ó martírio - tinha herdado, tendo herdado também os duvidosos genes do seu pai incerto, meteu as mãos nos bolsos sem encontrar um tostão (nem lhe ocorreu que já tinham há muito saído de circulação).
Publicado por: susana em fevereiro 23, 2005 10:46 PM
Foi então que o telefone tocou!
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 10:48 PM
Acordar, é verdade, mas algo ainda atazanava o meu espírito: será que as doenças venéreas se apanham nos urinóis?
Publicado por: Sérgio em fevereiro 23, 2005 10:49 PM
Urinol? Sentiu a mesma sensação de há pouco com a torneira.A palavra era-lhe familiar...veio-lhe uma vaga memória duma noite no Bairro Alto. Virou-se para o outro lado, ignorando o telefone...urinol...Bairro Alto...
Publicado por: isabel em fevereiro 23, 2005 11:13 PM
É isso! Era isso que lhe estava a escapar!
O Euromilhões! Onde raio havia posto o talão que encontrou naquele urinol do Arroz Doce?
Publicado por: Monty em fevereiro 23, 2005 11:20 PM
Tentou lembrar-se, mas parecia que tinha sinos a ressoar na cabeça.
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 23, 2005 11:50 PM
Começou a enumerar hipóteses: Guardar, guardou-o com certeza. Num bolso? No sapato para não o roubarem ?( estava no Bairro Alto)Dentro do livro que levava na mão?
Espera! Não o deu a guardar? Isso! Estava um bocado entornado e teve receio de o perder. Pediu a alguém para guardar. A quem?
Publicado por: Emiéle em fevereiro 23, 2005 11:50 PM
À Maria Piaçaba! Era com ela que estava o bilhete, se calhar premiado [é ele o tal que não reclamou ainda o prémio aposto - desculpem o aparte não vir nas rapidinhas]
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 12:39 AM
À Maria Piaçaba! Era com ela que estava o bilhete, se calhar premiado [é ele o tal que não reclamou ainda o prémio aposto - desculpem o aparte não vir nas rapidinhas]
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 12:41 AM
Prémio aposto???? O homem está mesmo mal. Precisa de um café forte, bem depressa.
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 12:44 AM
Maria Piaçaba tinha o bilhete premiado mas não o disse ao homem. Deixá-lo pensar que o perdera. Ela iria a Lisboa buscar o dinheiro, colocá-lo-ia debaixo do colchão e o homem dormiria com ela sem suspeitar que dormia sobre um tesouro.
Publicado por: vague em fevereiro 24, 2005 01:33 AM
Mal sabiam Maria Piaçaba - enquanto engendrava o seu plano maléfico para enganar o nosso herói - e o nosso herói - é verdade, o nosso herói tem um nome, isso é necessário a todos os heróis, mas por enquanto esse nome é uma incógnita, quem sabe será revelado mais tarde, na história, talvez seja importante que o leitor não o conheça neste momento, para mais tarde, quando for revelado, pensar: - Claro, só podia ser, faz todo o sentido! Porque nestas coisas é bom que o leitor tenha destes momentos, criam a empatia entre ele e a obra, lembram as velhas histórias policiais, ao estilo Agatha Christie, que, como se sabe, toda a gente aprecia, e é isso que se quer para este cadáver esquisito, que seja apreciado - enquanto se retorcia no delírio provocado pelos cogumelos, a meio caminho entre o sonho e a vigília, que é assim como o meio do caminho entre avida e a morte, só não se sabe muito bem se é a vigília que é a vida e o sonho a morte ou vice-versa, mal sabiam, dizia, que o destino, ou o acaso, para quem não acredita no primeiro, estava prestes a trocar-lhes as voltas, a pregar-lhes uma partida, tal como costuma fazer, para que ninguém possa ter muitas certezas, que a vida não é para esses e de gente que nunca se engana e raramente tem dúvidas estamos todos fartos.
Na verdade...
Publicado por: M. em fevereiro 24, 2005 10:08 AM
Mas a hipersensibilidade do princípe da ervilha poderia trair o segredo de Maria. O monte de notas, ainda que cuidadosamente espalhado ao longo do estrado da cama e debaixo de um volumoso molaflex, causaria desconforto ao seu parceiro de leito. E depois, se ele descobria a fortuna oculta, como reagiria?, cogitou Maria por entre a flatulência descontrolada que os nervos lhe provocavam.
Publicado por: sharkinho em fevereiro 24, 2005 10:09 AM
Não imaginando o que ia na cabeça da Maria Piaçaba, ele continuava a tentar encontrar a melhor maneira de reaver o bilhete.
Por momentos não se perdoou a mania que tem em pedir que lhe guardem as suas coisa. E se ela descobrisse que o bilhete era premiado? E se negasse que tinha o bilhete? Onde é que uma mulher como Maria Piaçaba guardaria o dinheiro?
Publicado por: isabel em fevereiro 24, 2005 10:55 AM
Mas adivinhar o se passaria pela cabeça da Maria, era exercício difícil para o"nosso heroi". Como já se viu que o seu pensamento está confuso, pelos cogumelos, o sono e sabe-se lá que mais ainda, não lhe ocorre o caminho fácil de mais de lhe perguntar directamente. Este espírito retorcido nunca tomaria um atalho tão directo.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 11:12 AM
Enquanto continau perdido en raciocínios retorcidos e enevoados, o telefone voltou a tocar insistentemente. Tentou ignorá-lo mais uma vez, ambrulhar-se nos seus pensamentos, sem voltar ao mundo real, que lhe recordava o teste de matemática a que tinha faltado, quando tudo o que lhe interessava era pensar onde estaria o bilhete. Mas desta vez não conseguiu, o rrrriiinnng do telefone feria-lhe os ouvidos, o cérebro, era quase uma dor física. Arrastou-se, meio cambaleante e atendeu: - Sim? - tartamudeou, com sérias dificuldades em controlar a língua.
Publicado por: M. em fevereiro 24, 2005 11:26 AM
Resolveu agir frontalmente. Enviou-lhe um SMS:
Tens o meu bilhete?
Ela respondeu:
Qual bilhete?
Ele:
O bilhete.
Ela:
Qual bilhete?
Isto deu-lhe uma pista: Gato fedorento!!!
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 11:27 AM
Era a Maria que lhe telefonava, porque aquela história do sms, tinha tanta letra trocada ( o homem estava confuso, lembram-se?) que a rapariga não estava a entender patavina.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 11:35 AM
- Então, já fizeste o que te pedi? - perguntou ela.
- O quê?! - respondi, confuso.
- Mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau mau. Não me digas que te esqueceste de fazer aquilo que te pedi.
Num aperto, comecei a vasculhar nos meus bolsos. Encontrei apenas um lenço usado, uma chiclete hollywood, que eu nem sabia que ainda existia, e um minúsculo papel com qualquer coisa escrita. Desdobrei com cuidado, e vi, finalmente vi.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 24, 2005 11:57 AM
finalmente vi o que tinha a fazer. tamanho vazio nos cornos levou-me a subir à torre da igreja matriz e gritar para o povo:
HOJE COMI PEIXE COZIDO E GOSTEI
Publicado por: JQ em fevereiro 24, 2005 01:24 PM
Ao gritar caiu-me a dentuça que começou a fazer um voo picado sobre a comitiva do Bloco que estava em campanha eleitoral.
Publicado por: João Pedro da Costa em fevereiro 24, 2005 01:52 PM
E logo havia de aterrar na penca do Daniel...
Publicado por: sharkinho em fevereiro 24, 2005 02:01 PM
De repente, tudo fazia sentido: Gato Fedorento, Monty Python, penca... EUREKA!
O Monty tinha afirmado que era o Júlio Isidro da blogosfera...
Agora tudo fazia sentido...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 02:20 PM
Obviamente que o sonho ( ? ) continuava, misturado com algumas cenas do "Regresso ao Passado" que tinha visto na véspera em DVD. Porque estava no alto da torre quando uma trovoada sem chuva soltou um raio que o apanhou em cheio.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 02:20 PM
Mas sempre que começava a pensar que tinha descoberto tudo, sentia a estranha presença, em sincronia, de Emiéle...
Estaria ela também envolvida?
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 03:48 PM
E de facto é bom reflectir nestas coincidências. Nova pista surge aqui... Será um caso de dupla personalidade? Para além do "Regresso ao Passado" eis que o "Psico" se perfila nas suas recordações.
Medo? Confusão? Humor? O que escolher...?
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 04:05 PM
Após alguns instantes de profunda reflexão, a escolha começou a parecer-lhe óbvia: tinha que contactar urgentemente José Maria Martins, o advogado do Bibi! Ele teria o antídoto para o mal que tanto o atentava! Vestiu a capa e dirigiu-se para a esquadra!
Publicado por: Monty em fevereiro 24, 2005 04:23 PM
Felizmente que no último momento, recuperou um pouco de lucidez, pois por associação com a ideia de "capa" e na sequência das recordações cinematográficas sentia-se também super-homem e por uns segundos surgiu-lhe a imagem de abrir a capa e planar do alto da torre até á esquadra. Mas não. Respirou fundo, e desceu as escadas.
Mas ao sair para a rua, teve um estranho encontro:
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 04:38 PM
O Dr. Serra Lopes, o arqui-inimigo do Dr. José Maria Martins, atravessava a estrada na sua direcção com a filha Inês pela mão.
Publicado por: Monty em fevereiro 24, 2005 04:52 PM
Serra Lopes ali? Aquela hora? E acompanhado de Inês... Uunnn..Várias hipóteses lhe cruzaram o espírito, de novo pouco tranquilo. Possivelmente teria de repensar de novo todos os seus planos. Tinha de entender o que se passava.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 04:59 PM
O telemóvel! Ia fingir que estava a receber uma chamada da Felícia Cabrita.
- Estou? Felícia?
Publicado por: Monty em fevereiro 24, 2005 05:05 PM
-Sou euzzz. Tenho um favorzzz a pedir-tezzz podias pedir ao Danielzzz Oliveira,que me devolvessezzz a dentadurazzz, para poder contactarzzz com urgência com o Dr.José Maria Martinszzz? Tászzz a ver é que aquilo no nariz do gajo nãozzz dá p'ra nada e a mim faz-me mesmo faltazzz...
Foi melhor assim, livrou-se do Serra Lopes e resolveu o problema da dentadura...
Publicado por: isabel em fevereiro 24, 2005 05:33 PM
De repente pensou:
"Terá isto a ver com o segredo do Bernardo?"
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 05:39 PM
"Ou com o segredo do Governo Sócrates?"
Publicado por: Monty em fevereiro 24, 2005 05:46 PM
Mas a Felícia, bisbilhoteira, ficou alerta:
Como? Dentadura? Nariz do Daniel Oliveira? Ó homem, tu não me digas que te bateste... Deste-lhe uma dentada!? E com tanta força que a dentadura ficou lá presa! E ele ainda tem nariz? Com certeza não têm. Por isso é que não lhe cheira a esturro. Tenho já aqui uma óptima história, nem precisas de dizer mais nada.
Fica descansado que não digo quem é a minha fonte, a não ser que me supliquem de joelhos no chão...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 05:48 PM
Bem...voltamos aos joelhos??!! Moooooonicaaa! Estão-te a chamar rapariga aqui ao call center!
Publicado por: gibel em fevereiro 24, 2005 06:02 PM
"Quem me chama?!" Surge Monica a correr vinda do lado esquerdo do palco e tropeça no ministro Fui Gomos à Silva que, erguendo o indicador, exclama solenemente:
"Esta história do bilhete perdido é mais um cabala involuntária"
Ao que Monica responde:
"Isso não sei how to do, mas se you explain to me I may aprender and develop my skills"
Publicado por: gibel em fevereiro 24, 2005 06:10 PM
"Paralítico" como no cinema, eis as personagens:
O nosso "heroi" ( o tal que não tem nome mas virá a ter) está na saída da torre da igreja de telemóvel na mão, fingindo falar à Felícia Cabrita. Claro que, dado a perfeição das escutas assim que se soube que ele fingia falar, o "escutador" fez a ligação e a chamada realizou-se mesmo, daí o diálogo.
Em frente, Serra Lopes, com a Inês pela mão.
José Maria Martins espera na esquadra.
Mónica corre para o local do crime.
Maria Piaçaba olha para um bilhete de totomilhões.
Plim! Pode continuar:
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 06:26 PM
- Não, não e não isto está um caos! - Gritou desesperado o grande realizador Manuel de Oliveira.- Eu disse-vos que ia fazer um filme grandioso sobre a História de Portugal Pós 25 de Abril, mas não quero contar tudo. Os senhores da Pedófilia não são para aqui chamados, senão fico sem os subsídios - e deu uma palmada ao puto que estava debaixo da mesa, para continuar.
De repente aparece o irmão do Milhas, o Janeca e ....
Publicado por: Grilo em fevereiro 24, 2005 06:28 PM
Claro que a dentadura, foi colocada num bolso e esquecida, pela sua vítima. Será mais tarde encontrada, quando em pleno Eixo do Mal, Daniel quiser tirar uma caneta, saltando então a dentaduar ( grande plano, apanhado por uma câmara maléfica)
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 06:30 PM
- Parem, parem, isto está um caos! - Gritou o grande realizador português Manoel de Oliveira. - Eu quero contar a história de Portugal Pós-25 de Abril, como um evento organizado e responsável. Isto está uma balda, parece o PREC! E do PREC eu quero mostrar uma revolução responsável. E não vou contar tudo. A Pedofilia fica de fora se não cortam-me os subsídios - e dito isto deu uma palmada na cabeça do puto que estava junto a ele debaixo da mesa, e que tinha parado com o grito.
- Daqui ninguém sai - ordenou o irmão do Milhas, o Janeca.- Quem é que me gamou as pastilhas? Agora estou à rasca do cóxis.
Publicado por: Grilo em fevereiro 24, 2005 06:36 PM
Em pleno "eixo do mal" a dentadura salta para o decote de Clara Ferreira Alves! Esta pergunta a Daniel Oliveira: isso é um problema de falta de aderência ou are you happy to see me?
Em face destas malévolas e assaz libidinosas sugestões, o estúdio é invadido por Sharkinho que arde em ciúme, qual Otelo cego de ciúmes por sua ... [como é que se chamava a miúda do Otelo do Shakespeare? Bolas!] que exclama:
Publicado por: gibel em fevereiro 24, 2005 06:38 PM
[na versão Sex Appeal chamava-se Julie Sargeant ;-)]
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 06:44 PM
[Desdémona, ou estou a fazer uma das minhas habituais confusões?]
O tubarão invade a sala do estúdio e dirige-se à sua idolatrada CFA. Eis senão quando...
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 06:49 PM
[Dez-de-Mona! É isso mesmo!]
Publicado por: gibel em fevereiro 24, 2005 06:51 PM
"Dez-de-Mona", o arqui-inimigo de Serra Lopes, e por isso, arqui-amigo de José Maria Martins entra pela sala adentro e...
Publicado por: Monty em fevereiro 24, 2005 06:54 PM
Uma vez que o lencinho da Desdémona se transformara em algo tão sensual como a bela e branquinha dentadura mandada fazer pelo molde do Paulinho, a nossa Clara, aí começou a balançar entre o olhar verde de ciúme cá do Tubarão, e o Daniel. Levantou-se e disse, como o principe da Cinderela- "Quero saber a quem pertencem esses dentes".
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 06:57 PM
Sim, Dez-de-mona, 86-60-86 nas outras medidas, era assim o nome "misterioso" que Kane dissera no seu último suspiro: "Dez-de-mona"...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 06:57 PM
Não, nãããão!
"Dez-de-Mona" não era mais uma gaja portuguesa, "Dez-de-Mona" era, agora, depois da mudança de sexo, um perigoso pistoleiro de origem indochina. E ia confrontar Daniel. Ele havi de lhe explicar onde estava Inês!
Publicado por: Monty em fevereiro 24, 2005 07:03 PM
Mas se a dentadura ( tal como o sapatinho da outra, a do príncipe ) servir, neste caso na boca do "heroi" a Clara casa com ele e adopta a Inês.
Isto SE...
Contudo:
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 07:06 PM
Dito isto, um dos argumentistas saiu furioso, até porque tinha uma festa em curso, e disse:
- Só volto amanhã de manhã, caso isto ainda não tenha acabado!
E dito isto, foi-se, sem ficar a saber que destino seria dado a Inês...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 07:06 PM
[Emiéle, outra vez???]
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 24, 2005 07:10 PM
[Ai tadinho do Sharkinho que vai ter de experimentar a dentadura pra ficar com a Clara!]
Publicado por: gibel em fevereiro 24, 2005 07:19 PM
Por amor faz-se tudo. As irmãs más ( e era por ambição e não amor!) não enfiaram as patorras no sapatinho de cristal? Se o Tubarão ficar com duas fiadas de dentes só faz juz ao seu nome!
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 07:29 PM
Juz ao seu nome...jaz o seu nome...qual nome?
Publicado por: isabel em fevereiro 24, 2005 08:21 PM
Tenho dezasseis mãos. Ou trinta e duas... um excesso de mãos de qualquer forma.
86-60-86. Dizem os entendidos queo rácio das duas últimas medidas se deve situarà volta do 0.66. Ora 60 a dividir por oitenta dá 0.7... uma anca um pouco larga portanto. Há que perder peso, mais ginástica, menos comida, mais dieta.
Publicado por: Luís Aguiar-Conraria em fevereiro 24, 2005 08:25 PM
Entretanto, onde estava Inês?
E ele lembrou-se, então dos velhos versos: "Estavas tu, linda Inês, posta em sossego..."
Das duas uma: ou Inês estava para as bandas do Camões, ou tinha voltado à Quinta das Lágrimas onde o seu sangue continuava, miraculosamente, a vermelhar na fonte.
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 09:33 PM
Comida, pensou ele. Há quanto tempo não lhe entrava nada p'lo bucho? Eram quase 10 da noite e afinal, não tinha recuperado a dentadura, nem o bilhete do euromilhões, nem falado com o advogado do Bibi.Nem comido nada. Quando pensou em comida, voltou a lembra-se da Dez-de-Mona, que a esta hora já deveria ter sido trespassada pela dentuça dupla do tubarão...
Pensava no enorme peixe, quando, pelas costas, sentiu umas mãos suaves a pousarem~lhe nos ombros...
Publicado por: isabel em fevereiro 24, 2005 09:35 PM
Mais dieta. Pensou Daniel Oliveira, enquanto recolhia apressadamente a dentadura do rosáceo colo de alabastro de Clara.
Daniel então parou.
Viu-se a olhar para os lados, sem certeza da opção a tomar.
A sua mente vazava em turbilhão – a pouca segurança que tinha ia-se esvaindo com as bocas que lhe mandava o José Júdice, ao ponto de já não saber o significado das cores ou dos símbolos da porra do cenário ("quem pintou esta bela porcaria prá SIC e uma barbicha azul ao Pedro Mexia também meteu o garfo aos cogumelos do Dez-de-Mona!" pensou para os seus botões, pelo menos para aqueles que estavam apertados - pois entretanto, Clara! O que é que estás a fazer debaixo da mesa? Caíu-te a bic?).
Mas que raio?
Porque me havia aquilo de acontecer a mim?
Continuei quieto, dentro do possível...
Publicado por: gibel em fevereiro 24, 2005 09:37 PM
Tentei pôr-me no corpo oprimido de uma mulher vítima de bocas sexistas que em nada quebram a lógica cristalizada da linguagem, antes a prolongam. No coração batia-me aquele apelo: fazes-me falta!
Publicado por: inês pedrosa em fevereiro 24, 2005 09:50 PM
Ocorreu-me então aquele episódio passado em 63 na redacção do Jornal "A República É Já Ali" em que estava na cave, onde habitualmente reunia uma tertúlia em torno da última fase de Sartre, a conversar com o Zebedeu que era um marialva consabidamente fascista - sabíamos que bufava prá pide, mas dava gozo passar-lhe informações falsas tipo "amanhã vai haver na Leitaria Fonseca à Rua dos Douradores distribuição de pães de leite recheados com boletins-miniatura do "Avante" pela malta do PC" que o gajo engolia logo) e com o Arménio Criolina, que já na altura desconfiávamos que atracava fora do Cais da Rocha, porque quando íamos à Casa de Tias da Rua da Prata dar o curso de alfabetização em Proust - volumes I e II do "Em Busca..." - às meninas da Tia Goretti, o gajo insistia em ficar sentado na sala e em não participar...mas dizia eu...
Publicado por: baptista-bastos em fevereiro 24, 2005 10:12 PM
Inês, afinal estavas aqui...desde o meio da tarde que te procurávamos rapariga...
Ele entendera finalmente...
Publicado por: isabel em fevereiro 24, 2005 10:14 PM
Falta... falta...? p'ra já a falta, aquela hora, era mesmo primeiro que tudo qualquer coisinha p'ra trincar. Se os dentes também faziam falta, com a fome que por ali já havia, rapidamente pôs de lado os ditos apelos de "corpo oprimido de mulher" e decidiu-se entrar na primeira pastelatia que encontrasse aberta. Marchava o que lá houvesse e não fosse excessivamente rijo de roer. Embora que se faz tarde. E avançou, mas...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 10:17 PM
Mas, na sua cabeça algo soava mal. Tia? Pastel da tia? O R rolado que não tinha sido pensado, fê-lo recuar aos tempos onde vivia no oriente e à dificuldade que tinham os orientais em pronunciarem o fatal R rolado. Porque se teria lembrado disso neste momento?
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 10:21 PM
Porque na sua mente outra imagem se tinha perfilado.
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 10:34 PM
É certo. Enquanto o seu estômago reclamava o alimento soltando mesmo uns ruídos um pouco embaraçosos, no seu espírito o que surgia era realmente uma bela refeição mas saboreada num ambiente exótico de que já tantas saudades tinha.
Aos anos... pensava ele. Naquela bela ilha onde se tinha filmado algumasa das cenas emocionantes de James Bond.
Quem lhe diria nessa altura que vinha cair como um anjinho numa verdadeira cena de espionagem bem mais séria do que as do 007!
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 10:39 PM
A preocupação nunca o abandonava. POrque a verdade é que só ele e *****(nem para si se atrevia a dizer o nome )é que sabiam a senha que se escondia naquele bilhete do Euromilhões, recuperado e de nove perdido...
Porém..
Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 10:44 PM
(Cena essa em que a sua dentadura, caída sobre a penca de Daniel Oliveira e depois depositada nas doces mãos de Clara Ferreira Alves, ia desempenhar um papel jamais sonhado).
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 24, 2005 10:45 PM
O certo é que a Maria Piaçaba não ouvia a conversa da Clara e do Daniel da Inês e do pai Lopes, absorta q estava no bilhete premiado do toto-milhões que jazia debaixo do colchão. Maçaba, como era conhecida na freguesia não tinha televisão nem luz eléctrica e blogs só lia ao fim de semana reinava desolada no seu trono milionário e só. Manel (como é q se chamava o homem?) não sabia de nada nem podia saber do dinheiro ganho; forreta como só ele, se se apanhasse com as mãos na massa, certo seria que a Maria nunca mais lhe punha as mãos em cima.
Publicado por: vague em fevereiro 24, 2005 11:22 PM
Um fervor assassino pulsava no interior de Maçaba! Eu podia ler naqueles olhos raiados que nada de bom crescia dentro dela, espicaçada que estava pela cobiça que o bilhete do Euromilhões provocava. Um momento antes dela se precipitar para cima de mim, lembrei-me da madalena que costumava trincar ao serão em casa dos meus pais. Ah, como era doce sentir o cheiro quente do bolo, enquanto em redor as conversas dançavam de assunto para assunto, monótonas.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 25, 2005 01:31 AM
"Então o senhor vota ou não vota? já viu a fila que se formou para esta sala?"
O quê? fila? voto? e o que é que eu estou a fazer numa sala de aula com uma camisa laranja? ou será rosa?
Sacana do Monty... trocou-me as aspirinas com os ácidos bacanos que eu trouxe de AmesterdãO !
"então?! não lhe bastou a campanha eleitoral para se decidir?"
Ai o caraças... e o que é que eu faço agora? bom concentra-te... concentra-te...
Laranja é PSL... Rosa é LSP... então...
Publicado por: bluegift em fevereiro 25, 2005 08:41 AM
E a candente questão do momento. Sim, a grande questão! De que é feito o bolo? Como apareceu aqui? Porque é que tem um buraco no meio em vez de uma cruz? Em quem é que vota o bolo? Posso votar na bola? Mas quem é que trouxe a bola? Não era um bolo? Bolas! Tantos bolos!... ou são bolas? E o senhor quem é? O presidente da mesa? Mas que mesa? Do bolo? Do bolo que não tem cruz mas que tem buraco. Ou da bola? A bola tem mesa? Bolos! Bolos não! Bolas! Mas não era uma madalena? As madalenas têm buracos em vez de cruzes? E são rosas? Senhor. Olha a D. Isabel! Como está a prima? A Maria Piaçaba? O quê? Não me diga!!!! O totomilhões! Fantástico! Por isso comprou o bolo!...
Publicado por: Santa Cita
em fevereiro 25, 2005 10:10 AM
Então Pedro Santana Lopes, qual anjo alado, desceu numa nuvem e disse: estás a ver o que dá a defesa das drogas leves que apregoa o Francisco Louçã?
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 25, 2005 10:32 AM
Depois, veio Paulo Portas, com uma auréola à volta da cabeça a dizer:
- Que a irmã Lúcia te perdoe...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 25, 2005 10:34 AM
Depois veio o Sócrates, com o seu Dolce&Gabana:
- Não te preocupes bacano, eu sou muito liberal...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 25, 2005 10:36 AM
A seguir vem o Francisco Louçã:
- Você não devia fumar isso, você nunca plantou cannabis...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 25, 2005 10:38 AM
A seguir vem o Francisco Louçã:
- Você não devia fumar isso, você nunca plantou cannabis...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 25, 2005 10:38 AM
Finalmente viu um homem com uma foice e um martelo. Começou a fugir, desesperadamente.
Jerónimo de Sousa, atónito:
- E eu pensei que já ninguém tinha medo dos comunistas...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 25, 2005 10:41 AM
Em fuga desesperada, afocinha num turbante marroquino impestado de cheiro a erva... é Freitas do Amaral que o agarra pelos ombros...
"Iôooooo meu, 'tás'tás numa boa? 'tás mesmo com cara de quem viu alma ressuscitada. Toma lá um LSP... qu'isso passa."
Publicado por: bluegift em fevereiro 25, 2005 11:36 AM
Entretanto o homem da encruzilhada inicial, o nosso heroi, estonteava-se ainda com a falta de guita para mandar vir mais hawaianos... Apesar disso, algo lhe assombrava ainda mais a mente... Porque é que não páro de sair de mim? Procurava a resposta às constantes mudanças de pessoa que lhe eram impostas por narradores... Seguiu o seu caminho... Depois de mais uma breve patrulha pelas ruas da hiperconsciencia lembrou-se que tinha de passar na regueifa o belo do papel higienico... Afinal tinha estado a vomitar pelo orificio anal e não tinha cumprido obrigações higienicas... Ou não o tinham feito cumpri-las... Mas pensou: "E agora? é memo com a manga do casaco de caxemira ou será que a gravilha funciona???"
Publicado por: Dot em fevereiro 25, 2005 12:24 PM
Perturbado pelo facto de tanto existir na 3ª como na 1ª pessoa, e ligeirmente incomodado pelo cheiro que subia do traseiro, despachou a limpeza e puxou as calças para cima. Então, reparou que um homem vagamente parecido com ele o olhava do extremo oposto da divisão. Caminhou em direcção ao homem. Segundos depois, um cutelo ferrugento abatia-se sobre o seu pescoço.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 25, 2005 01:02 PM
Carvalhas? Mas tu...? Eu pensava que ... (fica sem voz) ...
Publicado por: Monty em fevereiro 25, 2005 03:45 PM
Ao sentir o corte do cutelo no seu pescoço ainda teve tempo de penar.
"Pronto, isto acaba aqui..."
Publicado por: isabel em fevereiro 25, 2005 03:50 PM
De repente, e enquanto uma luz emanava do ralo da banheira, ouviu uma voz dizer:
Publicado por: Monty em fevereiro 25, 2005 04:33 PM
Eu sou o senhor das trevas e tu tens a canalização toda entupida! Mas não é isso que aqui me traz...
Publicado por: sharkinho em fevereiro 25, 2005 04:52 PM
Eu vim aqui para te dizer que: "Eu tenho dois amores, ta-na-nan, que em nada são iguais, ta-na-nan, mas não tenho a certeza, ta-na-nan, de qual eu gosto mais, áis, áis, áis, áis...!"
Publicado por: Monty em fevereiro 25, 2005 04:56 PM
Começou então a pensar nos anagramas e na linguagem cifrada. Virou-se para os seus pensamentos de espião desde os tempos da guerra fria, e disse foi a CIA!
Publicado por: bin_tex em fevereiro 25, 2005 05:00 PM
Ou não!
Afinal um homem tem sempre de de olhar o verso e o reverso.
Tinha então duas, hipóteses: ou foi a CIA, ou não foi a CIA.
E se não foi a CIA, como lhe começava a cheirar, havia etão que avançar para a liderança do PSD!
Publicado por: Monty em fevereiro 25, 2005 05:05 PM
"Abacho a reachão! Morte aos capitaliztaze e latifundiárioze! o pobo benceráze! O pobo bence_rá___ze___ze_______zeee..."
(a voz apagava-se me eco...)
Bem me parecia que aquela alma ressuscitada me ía dar azar...
Mas que névoa... que leveza... para onde foram todos? que estrelas lindas... para onde estou eu a voar? oh! há ali gente... mas, mas eu conheço aquele ali, de gravata laranja e óculos de aviador! puft! que cheiro a chamusco! Eh! não fuja, não fuja...
" 'bora daqui Su, a toda a brasa! já despachámos mais um que ía votar no Pedrinho Santanaz... Yhaaaaa!!!!!!"
Publicado por: bluegift em fevereiro 25, 2005 05:11 PM
Esta dos latifundiários faz-me ocorrer agora aquela história que acho que ainda não contei em que estava eu no "Diário de Lisboa", onde não trabalhava, apenas de passagem para levar uma sande de linguiça à Clotilde Vulva-Leve, que não tinha ido almoçar e que era uma interessante jornalista e personagem do bas-fond sofisticado lisboeta. Toda a gente do círculo literário anti-fascista da Vá-Vá sabia que ela era ninfomaníaca, mas era uma ninfomaníaca exótica e que entusiasmava o espírito de quem a escutava no coito a vir-se em francês - os seus "Mais-oui, Mais-oui, Mais-ooouuuuuiiiiiiiiii" são de antologia! - enquanto recitava poesia erótica de Shelling, o que até achávamos estranho porque este poeta inglês certamente rabeta nunca escrevera poesia erótica, mas ela era uma mulher assaz criativa...
Publicado por: baptista-bastos em fevereiro 25, 2005 05:24 PM
sim ela a Ferreira Leite..denotava em seu rosto um pingo de insatisfação em cada segundo que observava os movimentos pélvicos do Luis Filipe..
Publicado por: bin_tex em fevereiro 25, 2005 05:30 PM
A noite que passou com a ninfomaníaca exótica..Ah, aquela noite!
Publicado por: Lyra em fevereiro 25, 2005 05:38 PM
"Brigit Bardot... Big Brother... BiBi..."
Mas porque é que estes nomes não me saem da cabeça? e porque é que eles se foram embora ?
"Brigit Bardot... Big Brother... BiBi... Bomboca... BlogueBasa..."
Será que estou a ser atacado por uma BimBalite?
Bou Basar sim...
Publicado por: bluegift em fevereiro 25, 2005 05:39 PM
E montado na sua vassoura com gripe das rãs, voou janela fora em direcção àquela que havia de ser a sua doce e saborosa vingança! Muéééééé!
Publicado por: Monty em fevereiro 25, 2005 05:42 PM
A doce vingança era uma madalena trincada e arrependida, pensava Manel para si, desejoso de ferrar de novo os dentes no bolo ou seria bola.
Que se lixe! Anda a Maria Piaçaba sempre virada para o mesmo lado da cama, não sai daquela posição, um homem não é de ferro.
Maria Piaçaba chorava desconsolada sem saber o que fazer. Se mudasse de posição na cama, Manel podia descobrir os maços de notas escondidos debaixo do colchão e num instante desbaratava o dinheiro do toto milhões; Se se mantivesse firme no seu posto, queda e muda, Manel teria vontade de saltar a vedação.
Que hei-de fazer, quem me acode nesta aflição?
Publicado por: vague em fevereiro 25, 2005 06:52 PM
já que se a morte surgir leve é por desaparecer tudo que se afirma.
uma decisão na ausência, um grito vazio último a trazer o silêncio pleno, o corpo ido.
Publicado por: jorge em fevereiro 25, 2005 07:26 PM
Enquanto arrancava ferozmente a cueca de gola alta da gaveta, Piaçaba pensou: "E se eu chamasse o bacano do gajo do talho pa fazer a folha a este palhaço?? Assim a primavera germinaria e a minha virilha não se ressentiria... Alem disso era gajinha para ficar com a nota toda..."
O talhante, um ex-trolha dotado como se de um moçambicano se tratasse, tinha o perfil indicado para o trabalho e Piaçaba não hesitou em contacta-lo, como boa gestora de recursos humanos que é com provas dadas na extinta Junta Autonoma de Estradas...
Publicado por: Dot em fevereiro 25, 2005 07:41 PM
De repente, o Weblog foi abaixo. E a vida do nosso herói ficou suspensa por um fio...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 26, 2005 10:06 AM
No dia seguinte, o Weblog voltou a dar sinais de vida. Mesmo a tempo de salvar o nosso herói de uma morte macabra: estava quase a morrer de riso ao ver o blog do Santana Lopes.
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 26, 2005 10:11 AM
O nosso herói não morreu da funesta morte política, mas continuava sob a terrível ameaça do cutelo enferrujado do talhante contratado por Maria Piaçaba, mulher que falara, não poucas vezes, com o Diabo. Uma sombra gigantesca o ameaçava. Foi então que viu, projectada na parede, a silhueta de uma foice e de um martelo, sorrindo para ele com desdém.
Publicado por: Sérgio em fevereiro 26, 2005 10:37 AM
De facto na manhã seguinte, quando o fio da weblog retomou o seu fôlogo, podendo a vida do nosso heroi ser salva dessa triste morte informática, deu-lhe para reflectir. Mas francamente, porque receava ele as atitudes da Maria Piaçaba? Até ao momento, tudo o que de mau imaginara não passava da sua mente retorcida. Não chegara a falar com ela! Se tinham sido tão amigos e tão íntimos que é das qualidades que estiveram na base dessa confiança? Não senhor. Ele tinha de repensar o seu modo de encarar a vida.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 26, 2005 11:14 AM
Enquanto repensava, surgiu-lhe um sorriso matreiro no canto esquerdo da bocarra desdentada...
Podia não conseguir reaver o bilhete em posse da Maria Piaçaba, mas tinha conseguido vingar-se do Daniel Oliveira que não lhe tinha devolvido a dentuça, antes a tinha atirado para o doce regaço da Deusa do tubarão....O Barnabé, não funciona...
Publicado por: isabel em fevereiro 26, 2005 01:49 PM
E a vingança ia ser terrível! O sorriso, mais do que matreiro já era maquiavélico. Foi então...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 26, 2005 02:01 PM
Foi então que ele viu a Luz. Sim, a Luz, aquela antiga amante que deixara por causa da Maria Piaçaba, e que fora verdadeiramente a mulher da sua vida.
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 26, 2005 04:19 PM
O sorriso transformou-se. Radioso agora. Sim ela era digna do seu nome. Tudo iria levar uma grande volta para melhor!
Publicado por: Emiéle em fevereiro 26, 2005 04:57 PM
Só que, para se aproximar da Luz, precisava do busca-pólos. Porra pá, mas onde é que eu deixei o busca-pólos?
Ficou aterrorizado. A Luz não podia fugir...
Publicado por: isabel em fevereiro 26, 2005 06:24 PM
Lembrou-se repentinamente do dito cinematografico... Get away from the light, ouviu no vazio que tinha na sua mente... De seguida recordou-se do motivo porque deixou a Luz em favor de Piaçaba... Conseguia defecar às escuras mas nunca conseguiu tratar daquelas mais consistentes que teimavam em permanecer na sua retrete Madalena... Não havia fluxo de água, por mais poderoso que fosse o autoclismo, que por si só levasse o remanescente lá para o esgoto infernal...
Publicado por: Dot em fevereiro 26, 2005 07:44 PM
De repente a maria apareceu. Ele disse: ó maçaba, que maçada!, queria fazer uma massada de atum e não encontro o buscapólos com que costumo abrir as latas.
Publicado por: susana em fevereiro 26, 2005 07:45 PM
[Puxem de novo o post para cima, já não o consigo encontrar e por aqui não acedo às rapidinhas. E apetece-me uma rapidinha, ora bolas]
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 26, 2005 08:05 PM
E à falta do buscapólos a Maria abriu a lata com o vibrador da avó. À noite é que foi o problema. O Mário veio com a ponta e queria a Maria só para ele. Mas a Maria não estava para aí voltada, o atum tinha-lhe dado a volta à barriga.
- Se não queres a bem vai a mal - e agarrou no vibrador.
O cheiro a atum invadiu de imediato o quarto.
- Esteve cá o Pinto de Sousa!
Publicado por: Tubarão em fevereiro 26, 2005 10:28 PM
Lembrou-se então da máxima de Woody Allen no filme "Nem guerra nem paz":
"Todos os homens são homossexuais ou bissexuais. Existem ainda aqueles que não têm qualquer interesse por sexo e que normalmente se formam em Direito."
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 27, 2005 09:40 AM
Mas o certo á que este heroi está rodeado por mulheres : A Maria, a Clara que tinha ficado com os seus dentes, a Luz, luz da sua vida mas cujo contacto era difícil pelo medo dos choques ( e o famoso busca polos tinha desaparecido) pelo que a recordação de Woody Allen não podia vir mais a propósito. Woody sempre esteve rodeado de mulheres, por mais que suspeitasse do sexo. talvez dessa banda lhe viesse inspiração para a decisão a tomar na sua vida.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 09:54 AM
Mas claro, o José Maria Martins, advogado do Bibi e do Saddam...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 27, 2005 10:09 AM
Só então olhou para o chão e viu o que o tinha salvo do cutelo ferrugento: meia dúzia de coelhos suicidas.
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 27, 2005 10:23 AM
Suicidas e generosos, que se tinham interposto entre ele e o mortífero cutelo. Vivam os bons dos coelhinhos, e que se reproduzam como eles sabem fazer!!!
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 10:50 AM
A verdade é que José Maria Martins, se calhar com sentimentos também suicidas, teima em não querer entrar nesta história que lhe daria a celebridade! Ao ouvir mencionar o seu nome, escapa-se de fininho...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 10:54 AM
Sim, José Maria Martins evitava a glória.
Lembrava-se que a Glória tinha feito comentários pouco abonatórios à sua performance sexual individual.
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 27, 2005 11:26 AM
O que não tinha impedido que tivesse ido esperar para a esquadra quando foi convocado aqui pelo nosso heroi. A verdade é que cliente é cliente, o Bibi é garantido, o Hussein foi tanga mas enquanto acreditou foi uma alegria, e se aparecesse agora mais alguém arranjava-se um espacinho para o atender. Trabalho é trabalho, e é melhor não pensar na Glória que é uma linguareira. (mas estava-lhe com algum pó, isso é certo!)
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 11:40 AM
Sim, ele tinha ficado com um pó da Glória da última "rave party" a que tinham ido os dois. E era do bom...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 27, 2005 12:39 PM
Mais agradável que os cogumelos holandeses que lhe tinham causado tanta perturbação e tido aquele triste resultado intestinal! Recuperar os tempos vividos com a Luz ( que bem podia desmentir a parva da Glória)e ainda uns fumozinhos para animar a malta, era um programa que valeria a pena.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 03:11 PM
Só que, o homem põe e Deus dispõe, e eis senão quando...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 03:17 PM
...mesmo ali, parado , à sua frente, viu José Sócrates. Tinham sido companheiros de carteira, na escola. Ele tinha que se lembrar...encontrar o novo primeiro-ministro, agora, ali, mesmo à mão de semear, era a resolução de todos os seus problemas (mesmo os intestinais). Decidido, avançou...
Publicado por: isabel em fevereiro 27, 2005 04:45 PM
... recebo uma chamada do Expresso para ser comentador residente na Única. Resolvo recusar, é claro; mas aceito um convite do Luís Delgado para fazer bungee-jumping na ponte sob o Tejo. Mas as cordas estavam carcomidas...
Publicado por: Pedro Garcia em fevereiro 27, 2005 04:48 PM
É claro que isto depois de ter zarpado, a fugir do Sr. Sócras.
Publicado por: Pedro Garcia em fevereiro 27, 2005 04:52 PM
Mais uma vez o nosso heroi faz a escolha errada. Tal como os coelhos, a sua vocação é bastante suicida. Quando tinha à mão de semear uma razoável solução, numa pirueta deita tudo a perder. Se calhar...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 27, 2005 04:55 PM
Se calhar devia mesmo fazer como os coelhos. O suicídio, intentado de formas bizarras, que atraíssem no final a atenção de todos os que o tinham desprezado em vida. Desde a Luz ao José Maria Martins.
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 27, 2005 05:20 PM
Com a corda carcomida, Luís Delgado é disparado, num salto de impulso forte, para a zona de Sintra. Mas com menos sorte, o nosso herói cai em cima de um barco que ia ocasionalmente a passar no rio Tejo. Bate com a cabeça violentamente no convés. E é ai então que aparece Abramovich agarrado a Maria Piaçaba, trocando carícias que lhe fariam ficar louco de ciúmes... se estivesse porventura consciente.
Publicado por: Pedro garcia em fevereiro 27, 2005 05:33 PM
"Também acho" pensou ele. "Sou um cobarde, nem tive coragem p'ra tentar um lugar de assessorito em qualquer coisa...Só me resta fazer como os coelhos do JPC...".
Mas p'ra se suicidar também era preciso imaginação. Tinha que ser uma coisa em grande...com televisão e jornais. Até podia ser que lá estivesse a CFA a fazer a reportagem e ao menos, fosse um morto com dentes...
Publicado por: isabel em fevereiro 27, 2005 05:36 PM
E começou a planear um suicídio em grande. Foi ler os livros dos Suicide Bunnies para se inspirar. Foi ao falecido "Ruínas" em busca de resposta, nos desenhos do JP e na famosa exposição em torno dos coelhinhos. Foi assim que uma ideia começou a formar-se na sua cabeça... e que rica ideia aquela era! (pensava ele, esfregando as mãos de contente).
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 28, 2005 12:18 AM
Foi então que pensou:
Eu sou um homem, não um coelho. Tenho que agir como um homem com M grande. Por isso vou agir como um homem e não como um coelho. Para começar, vou deixar de comer cenouras.
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 28, 2005 12:48 AM
'As cenouras fazem bem à pele e dão-me este tom sexy ao cabelo', pensava Jorge Sampaio enquanto pensava no seu amigo Coelho.
Publicado por: vague em fevereiro 28, 2005 01:47 AM
"Ah, pois é, eu também posso agir como o Coelho que não tem orelhas compridas nem rabinho em forma de pompom" (fez-se luz na cabeça do nosso herói; luz, não Luz - essa era outro problemas, e ainda ninguém tinha encontrado o busca-pólos).
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 28, 2005 02:25 AM
É que lá por isso ele já tinha ferveroso benfiquista. Nessa altura ia à Luz cheio de alegria. Outros tempos, é claro... Agora, Trapatonni ou lá o que é, a luz anda um bocado apagadita, talvez umas pilhas Duracell com o famoso coelhinho.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 28, 2005 08:39 AM
E ouviu uma voz, voz ressoante de 6 milhões de portugueses, vibrar na sua cabeça : "Benfica a pilhas?!?! Oh hereje, oh infame, oh maldito!!". Assustou-se um pouco. Ouvir vozes e tão alto era mau sinal.
Publicado por: Emiéle em fevereiro 28, 2005 08:43 AM
Pensou que entre ser coelho e ser benfiquista, talvez fosse melhor ser coelho, pelo menos tinha uma vida sexual mais activa.
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 28, 2005 10:43 AM
Com a mesma força com que aparecera, o eco dos seis milhões definhou. Pressentiu nesse instante a necessidade do telefonema:
- Mourinho pá, precisamos de ti...
Publicado por: Bruno Parente em fevereiro 28, 2005 10:49 AM
Com a mesma força com que aparecera, o eco dos seis milhões definhou. Pressentiu nesse instante a necessidade do telefonema:
- Mourinho pá precisamos de ti...
Publicado por: Bruno Parente em fevereiro 28, 2005 10:49 AM
O problema do homem estava a agravar-se de tal forma que já pensava em duplicado...
Ainda tentou encontrar qualquer alteraçãozita nos dois pensamentos,um -, umas ..., nada...acabava de dar à luz dois pensamentos clones...
Publicado por: isabel em fevereiro 28, 2005 11:01 AM
Deve ser por causa dos coelhos. Para além da tal vida sexual activa ( e rápida) cada coelha tem umas ninhadas que nunca mais acabam. No meio de tanto gémeo-coelhinho, uns dois mesmo iguais é coisita pouca; eles e os pensamentos apelando ao Mourinho, já se vê...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 28, 2005 11:10 AM
E Coelho pensava: por quem sois? E Sócrates respondia: por quem boys?
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 11:23 AM
E Coelho perguntava: seremos snobes? E Sócrates respondia: queremos jobs?
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 11:25 AM
Mas um coelho também poderia acabar estufado numa panela...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 28, 2005 11:26 AM
Mas entre um coelho estufado numa panela e um job arranjado por um Coelho...
Publicado por: isabel em fevereiro 28, 2005 11:37 AM
...que venha o filósofo grego e escolha.
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 11:39 AM
Ah, se o Mourinho quisesse ser ministro...
Teríamos certamente um governo campeão europeu.
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 11:51 AM
Por falar em campeão...Ele tinha mesmo que arranjar maneira de se deitar com a Maria Piaçaba...lembrou-se outra vez do boletim premiado da Casa Campeão...se não arranjava um job...tinha que levar a gaja p'rá cama...
Publicado por: isabel em fevereiro 28, 2005 12:12 PM
Oh, inclemência! E agora, o que fazer? Como preencher o espaço (a cama) e o tempo (escasso), condicionado pelas limitações de uma imposição?
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 12:36 PM
O nosso herói, perante tanto dilema, considera de novo a hipótese do suicídio em grande. E se o anunciasse em directo para o noticiário da TVI?
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 28, 2005 02:03 PM
Porto 1 - Benfica 3
Celebremos este resultado de ficção antes que a realidade o desminta.
Publicado por: Luís Aguiar-Conraria em fevereiro 28, 2005 03:38 PM
Perante a ideia de um suicídio em directo e relatado pela Manuela Moura Guedes teve um visionário momento de deslumbre:
- Suicídio? Eu vou é candidatar-me à liderança do PP...
Publicado por: Bruno Parente em fevereiro 28, 2005 04:16 PM
Na verdade era quase o mesmo, o suicídio ou a liderança do PP. Um único objectivo, um único propósito, um único slogan: do partido do taxi para o partido da motorizada.Somos menos mas vamos mais depressa.
Publicado por: Bastet em fevereiro 28, 2005 05:18 PM
"Mas, por outro lado... Se os jornais dizem que o Sócrates é espanhol, tendo ele ganho as eleições, o que irão noticiar da minha vitória no PP e de me ter esborrachado na motorizada?" o nosso homem continua indeciso, sem saber bem o que fazer. Vai pedir ajuda a...
Publicado por: 1poucomais em fevereiro 28, 2005 05:27 PM
Mas para isso teria que ler o último livro do Papa, e isso era pouco menos que suicídio. Pensamentos circulares, em ruínas, que retomavam ciclicamente a imagem da irmã Lúcia a segredar-lhe o 3º segredo de Fátima. Era isso! A resposta estava no boletim premiado. E quando o recuperasse já podia saber o seu verdadeiro nome.
Publicado por: curioso em fevereiro 28, 2005 05:44 PM
É teria mesmo que pedir ajuda...
Publicado por: curioso em fevereiro 28, 2005 05:47 PM
É teria mesmo que pedir ajuda...
Publicado por: curioso em fevereiro 28, 2005 05:49 PM
É. Tinha mesmo de pedir ajuda...
Publicado por: curioso em fevereiro 28, 2005 05:51 PM
Decidiu não pensar quarta vez no assunto, até porque se tinha esquecido de aumentar o capital da apólice do seguro de vida.
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 05:57 PM
Embora lhe pesassem na consciência mais de duzentas(!) excelentes razões para avançar com a decisão mais dramática...
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 06:05 PM
É. Tinha mesmo de pedir ajuda...
Publicado por: curioso em fevereiro 28, 2005 06:07 PM
SOCORRO. O seu cérebro tinha entrado em modo de repetição.
Publicado por: curioso em fevereiro 28, 2005 06:14 PM
...decidiu ir pedir ajuda ao Totta...quem é amigo, quem é?
Publicado por: isabel em fevereiro 28, 2005 06:59 PM
E a Dez-de-Mona? E o Dez-de-Copas? E os dez euros que a Emiéle lhe devia de coima por o ter obrigado a fazer várias coisas em paralelo? Como é que tudo isto se interligava?
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 28, 2005 07:36 PM
Alguém falou na Emiéle?
Publicado por: Emiéle em fevereiro 28, 2005 07:41 PM
Mas estas ideias suicidas não teriam muito mais espaço para medrar. O nosso herói acabara de ganhar o Totobola. Mas perdeu o boletim premiado; e acaba por descobrir que Maria José Nogueira Pinto tem o boletim milionário na sua posse e prepara-se para incinerar na lareira a solução dos problemas do nosso herói. O que fazer? O que fazer?
Publicado por: Pedro Garcia em fevereiro 28, 2005 07:49 PM
Não usarás o Seu (dela) nome em vão! - gritou ele com voz de tubarão.
Publicado por: sharkinho em fevereiro 28, 2005 07:49 PM
Não se sabe muito bem como o mundo começou a andar ao contrário... não apenas o pensamento « É teria mesmo que pedir ajuda...» se repete qual disco rachado, vezes sem conta, como a contagem dos comentários sobre o estranho fenómeno que aqui narramos, [ comentários que decorrem numa outra zona do Universo denominado "rapidinhas" ]começaram a decrescer. Os números dentro em pouco chegam ao algarismo 1!
Fenómeno nunca visto...
Publicado por: Emiéle em fevereiro 28, 2005 07:51 PM
Nunca visto? na, até calculo como vai acabar!
Publicado por: fernando nogueira gonçalves em fevereiro 28, 2005 08:56 PM
Pera lá, pensou ele.
Atão se quem tem o boletim é a Maria José Nogueira Pinto, então é com a Maria josé Nogueira Pinto e não com a Maria Piaçaba que eu tenho que ir...
Como a casa Émièle fica na esquina do Parque de estacionamento que os gajos da Câmara resolveram fazer, antes de ir a casa da Zézinha, passo por lá a pedir a coima...continuo a pensar...
E lá vai ele direitinho à casa da Émièle...
Publicado por: isabel em fevereiro 28, 2005 09:52 PM
A casa da Emiéle era um antigo palácio neo-romântico agora votado ao abandono e abrigo permanente de um grupo de Okupas liderado pela revolucionária e bem disposta Emiéle.
- Entra, sê bem-vindo. Convidava-o a partilhar o espaço enquanto lhe oferecia uma lata de spray.
Publicado por: Bruno Parente em fevereiro 28, 2005 10:16 PM
E lá foi ele cantarolando:
Emiéle, Emiéle, tu est la plus belle.
Dez-de-Mona, Dez-de-Mona, ..., que é que rima com Dez-de-Mona? Ah, já sei. Dez-de-Mona, Dez-de-Mona, minha catedral de Barcelona...
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 28, 2005 10:23 PM
Nisto, vindos da casa de banho, aparece um dos coelhos suicídas do João Pedro da Costa de mão dada com o Xau Silvestre, esse gato rabeta que passa a vida atrás do Piu-Piu...
Publicado por: Monty em fevereiro 28, 2005 10:25 PM
Então, de repente, fez-se luz, não Luz mulher, nem Luz estádio, nem Lux revista.
Emiéle não era francesa, Emiéle é a forma lida de "M e L". Ou seja, a resolução do mistério estava no quadro de Mona Lisa. Elementar, meu caro Watson.
Publicado por: Jorge Morais em fevereiro 28, 2005 10:35 PM
Mona Lisa. Mona. Dez-de-Mona! A Mona Lisa é a Dez-de-Mona e o Da Vinci ... O Da Vinci ... já foi ao Brasil, Praia e Bissau, Angola e Moçambique.
Mas isto não tem mesmo nada a ver...
Publicado por: Monty em fevereiro 28, 2005 10:41 PM
inebriado com mais uma vitória do seporteim (Spor-ting! sport-ting!), sentia a mona pesada, já não podia com a carola, uma enxaqueca brutal e começou a lembrar-se, numa doce fantasia, da carol, uma moreninha de cabelo frisado que tinha conhecido a bordo de um cargueiro, nos seus tempos de embarcadiço. Nunca tinha percebido o que fazia ali a carol, mas lembrava-se das noites lentas em que ambos tinham acentuado o balanço das ondas no mar alto. mas era agora o momento de passar à acção.
Publicado por: susana em fevereiro 28, 2005 11:27 PM
De repente ouviu gritos. Estalos. E mais estalos. Começou a aperceber-se lentamente da dor. Era ele que estava a levar os estalos. Todo nu, sentado no chão de uma casa-de-banho que não reconhecia. A cabeça parecia prestes a rebentar. As imagens turvas diante de si. Empurraram-no para baixo, panela com água a ferver entre as pernas cheia de folhas de eucalipto e um cobertor grosso por cima. "Inpira lenta e profundamente" disse-lhe uma voz meiga enquanto lhe empurrava as costas. Uns minutos mais tarde tiraram-lhe o cobertor de cima e carregaram-no para o chuveiro. Água fria. E o calor era insuportável. Muita água fria. Sentia-se febril. Os membros pendiam. A toalha embebida na água a ferver com folhas de eucalipto percorria-lhe o corpo todo. Com mais força nos cotovelos, joelhos, tornozelos, pescoço, ombros... ahhhhhhhh sabia-lhe bem aquela pressão. "Vira-te" murmuraram-lhe ao ouvido obedecendo de imediato. A pressão exercida na coluna provocou um misto de alívio e dor. Afinal, onde estaria? E quem era aquela mulher?
Publicado por: Miguel S. em fevereiro 28, 2005 11:37 PM
...entretanto os coelhos suicidas do JP, o xau silvestre, o gato rabeta,o Piu Piu, o advogado do BIbi, de quem não se lembrava o nome, a Inês, a Maria Piaçaba,a Maria José, rodeavam a carol, numa fotogafia, colocada bem no centro da sala da Èmièle. Por cima do quadro, uma enorme bandeira vermelha tinha desenhado um P, um C, um P, um (, um m, um l, um ) e ao cantinho cinco cintilantes estrelinhas amarelas...Foi aqui se se lembrou que, antes de tudo isto começar, tinha deixado o Jerónimo na Associação a dançar uma valsa com a Dez-de-Mona...
Claro que a susana tinha dito que era tempo de passar à acção...o problema é que ele não conhecia Susana nenhuma e não tava mesmo p'raí virado...
Publicado por: isabel em fevereiro 28, 2005 11:42 PM
Aquele tratamento de choque por uma mulher desconhecida, apesar de o ter deixado mais lúcido - ou pelo menos não tão nublado - foi um pouco o sinal de stop! Estava rodeado por um excesso de mulheres!!! Uma é bom, duas vá lá, mas ainda há pouco, quando veio a si na tal sala da Emiéle no palácio decadente cheio de okupas, recapitularam-lhe as mulhres da sua história mais próxima. Ó céus! Inês, Maria, Clara, Luz, Glória, Maria José, Dez-da-Mona, Carol, e claro sem falar na referência à irmã Lúcia e à Mona Lisa... Chega de mulherio. É certo que nem todas eram citadas no mesmo contexto, mas na história da sua vida havia excesso de mulheres.
Impunha-se um retiro.
Pensou em voar até ao Tibete e recolher-se a um mosteiro.
Paz.. Divina paz...
Publicado por: Emiéle em março 1, 2005 12:05 AM
Paz... ocorreu-lhe um poema do octávo paz que costumava saber de cor. mas não adiantava: agora só o nome do tipo, nem o título do poema lhe acorria á mente. por associação, pensou no octávio pato e apeteceu-lhe voltar a provar o delicioso arroz de pato que a sua mãe lhe fazia, há tantos anos. a mãe juntava-lhe sumo de laranja e por isso ficava menos enjoativo. laranja? não! não! não! vinham-lhe à memória as coquetes santanetes e ele não queria sequer pensar em mulheres. verdade, verdadinha ele nem sabia se teria ponderado bem as suas opções: a realidade é que quando amara a carol em alto mar, a falta de recursos não permitia que a rapariga fizesse a depilação e ele sentia um estranho e estimulante frisson ao passar a mão pelas suas pernas hirsutas. ah... passar a mão pelo pêlo, isso era o que lhe apetecia mesmo - se calhar vou arranjar um gato, pensou.
Publicado por: susana em março 1, 2005 12:25 AM
De repente lembrou-se do lenço que Carol lhe tinha feito depois de três dias a depilar-se. Lembrou-se do modo meigo como ela fiara a sua própria lã... Da ternura com ela rasgava o silencio com os gritos provocados pela cera a ser arrebatada... Recordou-se também que Carol tinha bordado uma frase, nesse lenço, com os seus pelos do nariz para que ficasse rijo... A frase... Foi subitamente ao bolso... Olhou o lenço amarelado e esverdeado... Tentou abri-lo completamente e o som ecoou pela sala de Emiele... O som de velcro provocado pelo pegajoso lenço... Vislumbrou a frase... e reflectiu...
Publicado por: Dot em março 1, 2005 02:16 AM
