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fevereiro 25, 2005
Enganos
É uma arte.
É uma ciência.
É uma técnica.
Tem-se ido aperfeiçoando até atingir níveis incalculáveis. Falo da publicidade. É a técnica que devia ajudar a vender, esclarecendo quais as qualidades e vantagens de um produto, mas que cada vez mais se torna num exercício para obrigar a comprar. E é nessa diferença que se coloca a ética.
O Parlamento Europeu definiu uma lista de actividades dirigidas ao consumidor que passam a ser interditas. Mas sabemos que o mundo da publicidade tem um enorme poder. Enorme. Quando pode eleger e demitir governos, como sabemos, quando se manipulam verbas que deixam qualquer trabalhador que viva do seu salário imaginando que ouviu mal, não sei se aceitaram pacificamente que lhes ditem leis sob o seu trabalho.
Repare-se o que dizem
+ «São práticas comerciais enganosas as que possam induzir o consumidor médio a realizar uma compra que de outro modo não faria, ou atribuam qualidade a um produto que carece dela»
+ «Proíbe-se o apelo directo às crianças, protegendo-as de exortações directas à aquisição»
+ «É igualmente proibido, nos saldos, fixar um preço de referência artificialmente alto»
+ E também «a publicidade a um produto 'oferta' ou 'gratuito', quando é necessário fazer um pagamento para o obter (como a compra de outro)»
Claro que até se pode dizer que algumas ou muitas destas regras já existem. De acordo. Mas, se até já existem e declaradamente não são cumpridas, vamos acreditar que as novas o sejam?
E o curioso, é que enquanto o povo de uma forma geral, mostra uma grande desconfiança em relação ao que diz a classe política, e ouvimos “isso diz ele…” num tom profundamente céptico, aceita, sem o menor reparo, a sugestão de se endividar alegremente para satisfazer um desejo que lhe foi apresentado como uma necessidade. É uma arte, isso é.
Afixado por Emiéle em 25 de fevereiro de 2005, às 06:58
Afixadelas
Bom dia :)
Hoje a publicidade e o marketing são uma arte, nem sempre no sentido do belo, porque vai vender o produto. As necessidades criam-se, são-nos
induzidas sobretudo se formos ouvindo sistematicamemte anunciar as supostas qualidades de um produto.
Às tantas damos por nós a sentir a tremenda necessidade daquilo também.
Lembro-me do q hoje sinto como uma necessidade, o tlm - fiz toda a minha vida sem ele e nunca me fez falta. Qdo precisava ia a um café ou tinha um cartão pré-comprado e resolvia a coisa. Não sentia a necessidade de estar sempre contactável. Hoje tb não temos de estar sempre contactáveis mas sentimos q podemos estar a perder alguma coisa se não estivermos sp 'on-line' com o q deixamos para trás.
Resisti ao tlm durante uns 2 anos, querendo afastar-me da limitação que toda a liberdade de o ter nos dá :)
Não me esqueço de um anúncio fabuloso que me ficou no ouvido desde q o li.
'Não fume, nem que seja Marlboro'
Queres melhor elegância, persuasão, delicada perversidade que isto?
:)
Afixado por vague em 25 de fevereiro de 2005, às 08:02
Mas para além disso há normas que parece serem fáceis de cumprir, mas seria necessário uma fiscalização que não existe.
Por exemplo, nas montras, os preços têm de ser visíveis. Quem olha para uma montra tem o direito de saber o preço do que vê. Mas quantas e quantas vezes eu tenho reparado que se está a montar a montra e a virar cuidadosamente ao contrário a etiqueta com o preço?? A ideia é que se obriga a pessoa a entrar para saber quanto custa e depois já há acanhamento de sair sem comprar.
E a verdade é que muitas vezes isso pega!
Comigo tem o efeito contrário. Quando vejo a etiqueta ao contrário é que nem entro!!!
Mas, sobretudo com as crianças e produtos que lhes são dirigidos, é uma vergonha o que se passa. Aí, devia haver mesmo uma grande vigilância!
Afixado por Emiéle em 25 de fevereiro de 2005, às 08:25
Ai as leis são tão bonitas! E a aplicação? olhem só para as máquinas do tabaco: uma foto sugestiva e uma legenda " sabor de gerações" isto não é publicidade? isto não é proibido?
Afixado por fernando nogueira gonçalves em 26 de fevereiro de 2005, às 09:57
