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fevereiro 24, 2005
Cenas da vida real II
Há uns valentes anos, os acasos da vida (don't ask) quiseram que eu estivesse numa festa popular em Famalicão. Estou a falar de uma daquelas festanças rijas e rurais, com carrinhos de choque, bifanas e música pimba, nas quais um gajo tem sempre a impressão de estar a assitir a um filme de Fellini em câmara lenta. Confesso que estava bastante abroado (única forma de conseguir suportar aquilo), quando ouço um feirante aos berros num alto-falante a anunciar que iria começar O Sorteio, cujo Primeiro Prémio seria Um Carneiro Vivinho da Silva. O feirante tinha o animal ao seu lado e devo aqui dizer, em abono da verdade, que o carneiro, não obstante o facto insólito e pouco digno de ter os cornos cortados, parecia bastante ciente e orgulhoso de ser o centro das atenções. Passo a citar, com a fiabilidade possível, aquilo que o feirante disse, alto e bom som, perante uma boa centena de pessoas:
«Amigos e amigas, façam o fabor de se chegarem práqui que bai começar o sorteio para a entrega do carneiro. Bem, debo aqui dizer que este ano este vicho me deu um travalhom dos diavos. Nom sei se todos o saverom, é natural que nom, mas a berdade é que todos os anos faço mais de 20 kms de vicicleta para ir vuscar à Quinta do Sr. Alfredo um carneiro para as rifas da nossa festa. Pois vem, a semana passada binha eu muito descansadinho com o carneiro amarrado na parte de trás da vicicleta, quando o caralho do vicho se lembra de espetar os cornos nos raios da vicicleta e eu, claro, dei um balente trambolhom que me fodi todo. Quando me lebantei, todo ardido das cruzes, o raio do carneiro estava morto com a cabeça birada para trás. Lá tive eu de bir a pé com o vicho morto às costas e a vicleta à mom. Para além do prejuízo e dos arranhões nos vraços e nas pernas, tive de mandar ajeitar a vicicleta e ir nobamente vuscar outro carneiro, este que está aqui ao meu lado, e é por isso que ele tem os cornos cortados, não fosse o diavo tecê-las outra vez. Façam-me entom o favor de me dar o debido balor e, claro, de estimar o vichinho, pode ser?»
Afixado por João Pedro da Costa em 24 de fevereiro de 2005, às 12:55
Afixadelas
Magnífico!
É que até era justo que fosse inventado! Para chamar a freguesia, uma história dessas é de por toda a feira a rir!!!!
Já vi, pela resposta na rapidinha, que não ganhaste o animal o que é uma pena. Tou pr'áqui a imaginar o carneirinho, de companhia com os gatos, ( sem cornos, tadinho, nem se podia defender...)a pastar no teu quital.
Aquilo era leilão?
Afixado por Emiéle em 24 de fevereiro de 2005, às 13:52
Não, era mesmo um sorteio com rifas a 100 paus, salvo erro LOL.
Afixado por João Pedro da Costa em 24 de fevereiro de 2005, às 13:53
Ó que ódio! Lá me foi outra vez a porcaria do comentário para o limbo...
Vamos ver se entra se não vou à rapidinha:
Era para dizer que tinha passado por cima desse ponto das rifas que estava bem claro, mas o discurso do homem era tão espantoso que fiquei vidrada nele, sem ver mais nada.
Merecia bem que lhe compraasem as rifas todas!
Loool ( ao menos para pagar o arrajo da bibicleta )
Afixado por Emiéle em 24 de fevereiro de 2005, às 14:00
