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fevereiro 25, 2005
O Medo da Violência
Já fiz por aqui uma referência a um livro que li recentemente e pensei logo em partilhar convosco tantas as ideias que sugeria. Aliás, é interessantíssimo, como é possível ser best-seller em Portugal (ao mesmo nível de “O Código Da Vinci”, “A Porta no Chão”, “A Regra de Quatro”, “O Toque de Midas”, romances com história) uma colecção de ensaios. Creio que o segredo é o estilo adoptado, o escritor parece escrever mais crónicas de jornal do que pensamentos de filósofo. Creio bem que vou voltar, de vez em quando, a citar pontos deste livro de José Gil. Mas hoje, o que gostava de chamar a atenção era para o que é isso do medo e porque é que nós temos “brandos costumes”.
Após analisar o papel dos anos de salazarismo e do facto dos indivíduos abdicarem da violência pois só o Estado tinha o direito de a exercer diz «a violência em parte transformada em medo, o medo da violência em parte metabolizado em brandura, doçura, amenidade. O que não implica civismo, mas uma inversão da violência e da agressividade primeiras […] sem que isso signifique necessariamente a interiorização de uma lei». […] «O medo exsudado pelo salazarismo é um exemplo típico do nevoeiro ou sombra branca»» «Medo de agir, de tomar decisões diferentes da norma vigente, medo de amar, de criar, de viver. Medo de arriscar. A prudência é a lei do bom senso português.»
Desculpem-me. Não devo citar todo o livro, mas não encontro palavras melhores do as do autor. Deixo hoje só estas duas frases para se ir pensando no fim-de-semana. Se calhar pensar, que hoje não é proibido, é um bom modo de afastar medos.

Afixado por Emiéle em 25 de fevereiro de 2005, às 19:30
Afixadelas
Pois esse vai sair hoje da FNAC cá para casa. Espero gostar tanto como a maioria das pessoas a quem já ouvi falar do livro.
Afixado por Rabiga em 26 de fevereiro de 2005, às 09:53
Eu li o livro numa noite. Eu acho que o sucesso do livro tem a ver com o facto de nos retratar e de nós nos sentirmos retratados. Além disso, é muito mais acessível que as outras obras do José Gil.
Afixado por nuno em 26 de fevereiro de 2005, às 09:56
Pois é Nuno. Eu que sou a Pepe Rápida a ler (oiço montes de piadinhas...) li-o de primeira vez de um fôlego, mas depois voltei atrás para sublinhar o que achei mais importante. Por isso é que ainda aqui tenho falado pouco.
Faz-nos pensar o que é um "bom exercício"!
Mas é notável, não é, um livro deste tipo ter sucesso entre a nossa gente...?
:)
(note-se que também gosto muito de romances! nada contra! até policiais...)
Afixado por Emiéle em 26 de fevereiro de 2005, às 10:04
