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fevereiro 23, 2005

Para os fãs de Radiohead: Doves & Elbow

doveselbow.jpg

Eu gostaria muito de acreditar que, entre os mais de 3000 leitores diários do Afixe, haja fãs dos Radiohead (pá, aqui está a vossa oportunidade, deixem aqui um pequeno comentário, sff). Apesar dos três últimos álbuns da banda não serem nada de se deitar fora, a verdade é que um gajo anda sedento de obras-primas como THE BENDS (1995) e OK COMPUTER (1997). Para agravar as coisas, andam por aí bandas muito irritantes (falo de Coldplay, Travis, Starsailor e quejandos), que, de uma maneira ou doutra, têm feito tudo para merecerem o epíteto de «herdeiros dos Radiohead» (às vezes a culpa nem é deles, mas da imprensa musical). Ora, quem conhece essas bandas, sabe que isso é uma palhaçada. No entanto, apesar dos Radiohead serem, de facto, únicos, gostaria de partilhar convosco, duas excelentes bandas que descobri e que tenho acompanhado nos últimos dois anos e que, de certa forma, têm colmatado a minha reidioéde-dependência.

Os Dove e os Elbow são oriundos de Manchester (Smiths, Stone Roses, Happy Mondays, Inspiral Carpets, Oasis) e ambas são bandas rock que escrevem Canções (com letra maiúscula e tudo) e que elegem as guitarras como instrumento de base no seu espectro musical, apesar de alongarem as fronteiras do género para outros campos, caso da electrónica, do gospel, do trip-pop, da bossa-nova (Doves) e do jazz (Elbow).

Os Dove (nascidos das cinzas dos Sub-Sub, um mui interessante projecto de música de dança) marcaram a sua estreia em 2000 com o álbum LOST SOULS, que é um absoluto clássico do início ao fim. É o disco mais sombrio do grupo, onde vem ao de cima de forma mais flagrante as influências do «sound-system» de Bristol: um dos discos de estreia mais deslumbrantes de sempre da música pop. Nos discos seguintes (THE LAST BROADCAST, de 2002, e SOME CITIES, editado recentemente), os Doves procedem a uma interessantíssima abertura do seu universo musical e investem na simplicidade («Words» e «There Goes The Fear» de 2002, fazem muito lembrar os Smiths) na elaboração dos seus temas. Estes dois discos são dois passos seguríssimos e estou certo que 2005 poderá muito bem ser o ano de consagração da banda, tudo graças a canções como «Black & White Town» e «Snowden». Um gajo no final do ano conversa.

Os Elbow surgem em 2001 com ASLEEP IN THE BACK, que, contrariamente à estreia dos Dove, é ainda um disco que promete mais do que aquilo que verdadeiramente oferece. Sobressaem no disco três absolutas pérolas: «Any Day Now», «Newborn» e, sobretudo, este autêntico hino que é «Powder Blue». Os tiques floydianos e progressivos detectáveis na abordagem musical do primeiro álbum da banda, desaparecem quase totalmente no segundo disco CAST OF THOUSANDS de 2003 e, apesar de lá haver no meio um incompreensível tema chamado «Not A Job» (perigosamente semelhante à cartilha dos Status Quo), não hesito a dizer que está aqui um dos meus discos favoritos de todos os tempos: façam o favor de ouvir canções como «Ribcage» (muito Spiritualized), «Fallen Angel», «Fugitive Motel» ou «Buttons & Zips» e depois digam lá se eles não partem a loicinha toda.

Tudo isto venha a propósito dos Radiohead e, enquanto esses senhores não lançam um novo disco, vão por mim e ouçam os Dove e os Elbow, que são, actualmente, a melhor metadona disponível no mercado.

Afixado por João Pedro da Costa em 23 de fevereiro de 2005, às 18:00

Afixadelas

O Comandante Guélas traz consigo uma Nuvem de Verdade, a promessa de todos atingirem o Pleroma.

Siga as Instruções.

www.riapa.pt.to

Afixado por Grilo em 23 de fevereiro de 2005, às 18:01

(Estes gajos matam-me - LOL. Serão fãs dos Radiohead?)

Afixado por João Pedro da Costa em 23 de fevereiro de 2005, às 18:07

Obrigado pela recomendação, João. É um grande fã dos Radiohead (em especial dos dois álbuns que destacaste, pois claro) que te agradece.
Se precisares de conselhos sobre Caetano/Chico/Gil/Bethânia, é só pedires-me. Cazuza também. Este último então, injustamente desconhecido, recomendo-to vivamente.

Afixado por Filipe Moura em 23 de fevereiro de 2005, às 18:09

concordo contigo em relação ao the bends e ao ok computer, o resto está uns bons furitos abaixo...
essas bandecas de que falas ... no comments...
não há nada pior do que roubar um par de sapatos e querer enfiar lá o pézinho a achar que o andar fica logo outro! (esta saiu um bocado esquisita!)

para além da questão dos rótulos/marketing de que vive a indústria, eu diria que a mediocridade pretensiosa é do pior que há...

esses Doves e Elbow não conheço, mas com referências "comparativas" e esse nível de colmatação, epá!, vou já espreitar os gajos!

depois deixo feedback.
abraço

Afixado por jorge em 23 de fevereiro de 2005, às 18:12

Estou contigo na radiohead-dependência. Eu até gosto do último álbum e tudo, vê lá [é mesmo vício, já não controlo].
Vou já investigar os elbow, que os Doves são maningue nice.

Afixado por Gigante monstro horrendo AdamastoR em 23 de fevereiro de 2005, às 18:12

Filipe e Jorge: que bom saber que não estou sozinho (bem, eu já sabia do Pedro Lomba...). Filipe: sou grande fã desse quarteto, mas não conheço o Cazuza - recomenda aí um álbum, sff. (Já agora conheces os dois discos do Moreno Veloso?)

Afixado por João Pedro da Costa em 23 de fevereiro de 2005, às 18:15

eu sou! eu sou!, especialmente do the bends! obra imaculada do rock 'n roll

Afixado por móveis correia, arquitectos, s.a. em 23 de fevereiro de 2005, às 18:20

Móveis correia, arquitectos, s.a - tens o melhor nick da blogosfera.

Ó JP, e Legião Urbana, conheces?

Afixado por Monty em 23 de fevereiro de 2005, às 18:31

Conheço, sim (e graças ao Barnabé): são fantásticos.

Afixado por João Pedro da Costa em 23 de fevereiro de 2005, às 18:40

Peço desculpa, mas acho que tanto o Kid A como Amnesiac são obras-primas, apesar de nenhum dos dois ultrapassar o The Bends. Os Radiohead tornaram-se geniais depois de romperem com a pop, neurótica mas pop, dos três primeiros álbuns. Conseguiram fazer dois álbuns que descrevem bem o mundo actual, todas as suas obssesões e defeitos: O último também é muito bom, mas algo desiquilibrado. E parece que este ano vai sair um novo. Quanto aos Doves e aos Elbow, acho os primeiros mais interessantes que os segundos, apesar da filiação mais directa dos segundos no som Radiohead. Os Doves são dignos descendentes da melhor britpop de guitarras, aquela que se fazia no princípio dos anos 90, dos Spiritualized, que mencionas, aos My Bloody Valentine, por exemplo. Mas como substitutos dos Radiohead, prefiro os Muse, apesar do som pesado que eles têm. Mas o The Bends também tem aquelas guitarras. Ah, e de certeza que no meio dos 3000 leitores do Afixe encontras mais fãs dos Radiohead. Saudações de um dependente.

Afixado por Sérgio em 23 de fevereiro de 2005, às 19:47

'Apesar dos três últimos álbuns da banda não serem nada de se deitar fora' ??!!!??

nisto só posso concordar com o Sérgio...
bolas..será por eu ter 24 anos que os acho fantasticos??

Afixado por pato em 23 de fevereiro de 2005, às 20:36

Sérgio: é óbvio que cada tem as suas preferências na discografia dos Radiohead (cujo ponto alto, para mim, é de longe OK COMPUTER). Eu adoro os Muse, apesar de eles muitas vezes roçarem o pastiche (a primeira vez que ouvi «Absolution» estava convencido que era Radiohead).

Afixado por João Pedro da Costa em 23 de fevereiro de 2005, às 22:01

O primeiro álbum dos Muse está realmente muito colado aos Radiohead, mas depois eles partiram para outros caminhos. Agora não sei muito bem como defini-los. Nem eu, nem a maior parte dos críticos. Não percebi como é que no Super Bock Super Rock eles actuaram no dia do metal, e não no dia da música mais alternativa (antes dos Pixies, por exemplo). De qualquer modo, são mesmo muito bons.
P.S.: O O.K. Computer é também uma obra-prima, claro, mas eu sou um bocado suspeito para falar disso.

Afixado por Sérgio em 23 de fevereiro de 2005, às 22:30

JP, obrigada pelas recomendações... Vou já investigar...
Quanto ao Cazuza, um dos meus preferidos também, recomendo vivamente, para começar, o álbum "O tempo não pára", um álbum ao vivo, com uma mistura de algumas das canções dele que foram hits. Especialmente os fabulosos "Só as mães são felizes", "Exagerado" e a versão do "Vida, louca vida" (acho que é assim que se chama, às vezes confundo-me e penso sempre que os nomes das músicas são o refrão, o que nem sempre é verdade...) do Lobão. Se não conseguires arranjar (às vezes em Portugal é difícil arranjar música brasileira que não seja samba ou forró) diz qualquer coisa. Ah, e também há outro CD que não é mau para começar... O da colecção Minha História também tem músicas boas.
Digo isto porque os álbuns mesmo nunca os vi à venda em Portugal (os a solo, que os com os Barão Vermelho ainda se arranjam).
Boa escuta.

Afixado por M. em 24 de fevereiro de 2005, às 09:12

Excelentes bandas que já foram aqui referidas, mas é claro que os Radiohead estão à frente, com a medalha de ouro.
Gostei de saber que há cá mais apreciadores de Cazuza.
João, já devias saber que existe material desse senhor cá por casa...

Afixado por racf em 24 de fevereiro de 2005, às 10:34

João, a M. deu-te uns bons conselhos, mas é difícil de facto encontrar álbuns do Cazuza em Portugal. Colectâneas, há a Millenium, que foi por onde comecei, mas há uma cor de laranja em CD duplo - deve ser essa a "Minha História" de que a M. fala - que é boa. Se queres ouvir trechos vê o site dele. Vou ver Doves e Elbow.

Monty, já várias pessoas me recomendaram Legião Urbana, mas não conheço ainda.

Afixado por Filipe Moura em 24 de fevereiro de 2005, às 12:15

Não acredito, Filipe, isso é quase um sacrilégio, caramba!! Não conheces Legião Urbana?
Então uma pessoa farta de pespegar com as letras dos tipos aqui e tu nunca tiveste curiosidade?
Tss, tsss!!
Legião Urbana é difícil de encontrar também em Portugal. Aí por Paris, nem se fala (ainda estás em Paris?). Mas se aí na Casa de Portugal houver algum brasileiro (no meu tempo andavam por lá alguns), pergunta-lhes, que de certeza conhecem e podem iniciar-te.
Se conseguires comprar, começa também por uma colectânea, que és capaz de encontrar na FNAC. Chama-se "Mais do Mesmo" e tem muitas das minhas canções preferidas.

Afixado por M. em 24 de fevereiro de 2005, às 13:27

Obrigado pelo conselho, M. Vou procurar esse CD.
Tenho um amigo brasileiro desde o tempo em que estava nos EUA, mas normalmente quem lhe arranja a música sou eu...

Afixado por Filipe Moura em 25 de fevereiro de 2005, às 08:06

para mim o trabalho mais importante dos radiohead é sem dúvida o AMNESIAC clássico album de 2001
uma ode a engrenagem uma tentativa filosofica melancolicamente urbana de atravessar a jaula a caustrofobia cotidiana a repetição passiva de nós
as letras com bases metaforicas por vezes surrealista até dadaista constroi uma alegoria de sentimentos esquizofrenicamentes íntimos
poéticos com bases no conceitualismo de dechamp
no existencialismo de sartre AMNESIAC é indescritivel,desequilibrado,louco,contraditorio,
minimalista,tragico e dramatico,me perdoem esse ultimo comentario mas tambem é, genil...

Afixado por LENOLIMA em 8 de março de 2005, às 12:00

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