« As palavras (perspectiva ornitológica) | Entrada | Presente do Gibel e do Monty para a Sô dona Emiéle »

fevereiro 25, 2005

Polémica na maçonaria francesa

figaro_20050210.gif

Esta notícia é bastante interessante, por se tratar de um facto polémico que está justamente a afectar a obediência maçónica comummente designada como a mais liberal em França - O Grande Oriente de França - e todo o já longo debate em torno dos landmarks maçónicos. A palavra inglesa "landmark" significa literalmente marco de limite e figuradamente, na franco-maçonaria, significa ponto de referência: entende-se tradicionalmente que cada Grande Loja ou Oriente nacional tem o inerente poder e autoridade para modificar Regulamentos, Constituições, Regimentos Internos, em benefício da Fraternidade Maçónica, contanto que sejam mantidos invariáveis ou intocados os antigos landmarks... Por isso o segundo landmark é justamente aquele que estipula: "A Maçonaria refere-se aos " Antigos Deveres " e aos "Landmarks" da Fraternidade , especialmente quanto ao absoluto respeito das tradições específicas da Ordem, essenciais à regularidade da Jurisdição".

O Grande Oriente de França, no início do século passado, aboliu a obediência ao primeiro landmark maçónico, que estabelece "A Maçonaria é uma fraternidade iniciática que tem por fundamento tradicional a fé em Deus, Grande Arquitecto do Universo", e consequentemnte também a obediência a outros dois landmarks: "Os Maçons tomam as suas obrigações sobre um volume da Lei Sagrada, a fim de dar ao juramento prestado por eles, o caráter solene e sagrado indispensável à sua perenidade" e "nas Lojas estão sempre expostas as três grandes luzes da Ordem: um volume da Lei Sagrada, um esquadro, e um compasso" o que conduziu ao cisma e cortar de relações com a chamada "Maçonaria Regular" universal (esta designação é demasiado discutível, pelo que só a uso por comodidade de expressão) que gravita em torno da United Grand Lodge of England.

Mas apesar de abolir os landmarks acima, o GOF manteve o landmark da reserva de admissão à Fraternidade: "A Maçonaria é uma ordem, à qual não podem pertencer senão homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr em prática um ideal de paz" e "Os Maçons só devem admitir nas suas lojas homens maiores de idade, de ilibada reputação, gente de honra, leais e discretos, dignos em todos os níveis de serem bons irmãos" embora tenha sido abolido o conteúdo integral deste landmark que ainda esclarecia que tinham de ser homens "aptos a reconhecer os limites do domínio do homem e o infinito poder do Eterno".

Acresce que inclusivamente o Grande Oriente de França praticamente aboliu ou pelo menos passou a encarar com mais bonomia a estrita proibição de qualquer discussão política nas lojas maçónicas, como decorria do sexto landmark: "A Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa. Ela é ainda um centro permanente de união fraterna, onde reinam a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros".

Face ao desafio que constitui este acontecimento, depois das polémias rupturas do passado, aguardo com sincera curiosidade a saída airosa que o GOF apresentará para esta questão. Eu, pessoalmente, guardo a minha opinião.

Afixado por Gibel em 25 de fevereiro de 2005, às 17:53

Afixadelas

e o demolay

Afixado por mauricio em 21 de março de 2005, às 13:40

BlogRating online