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fevereiro 26, 2005

Causas e efeitos ( ou o fio principal)

Penso muitas vezes que as complicações com que nos enredamos na nossa vida têm a ver com capacidade de organização e uma clara perspectiva de prioridades. Há pouco tempo, dei uma olhadela a um teste de um curso de aperfeiçoamento que um amigo meu anda a tirar. Era um exercício, engraçado e bem pensado: o formando devia imaginar uma situação (no caso a montagem de uma exposição) e montar o puzle das acções necessárias, com data e ordem. Por exemplo, só poderia mandar imprimir a lista dos convites, depois de ter assegurado a sala e garantida a cedência das peças, mas tinha de levar em conta o tempo que a gráfica ia demorar para eles não chegarem após a inauguração… E cada acção tinha, vários patamares – antes da montagem da exposição teria de se ir buscar as peças, necessária uma empresa de transporte, mas antes disso devia fazer-se o seguro das peças mais preciosas, etc. Eu considerei um exercício bem interessante e bom de transpor para a vida quotidiana. Porque muitas vezes o que é difícil é a ordem das tais prioridades!
Ontem dei um grande trambolhão. Acontece-me. Ando quase sempre muito depressa e os sapatos que calçava tinham umas solas muito grossas, portanto ás tantas os pés ficaram para trás enquanto o corpo avançava… e o meu joelho direito entrou violentamente em contacto com a terra-mãe. Quando me endireitei estava raladíssima, se não teria rasgado as calças. Sentia-me abananada, procurei o meu carro para ver se me sentava com algum conforto, que nesses momentos costumo desmaiar, respirei fundo e recuperei - aliviada que as calças estavam sujas mas sem nenhum rasgão. Era só no que pensava.
À noite, o joelho parecia uma couve roxa, inchado e com uma cor esquisitíssima. Entre gelos e pomadas, já nem pensava nas tais calças, o meu rico joelho é que era importante! O acidente não mudou, mas a minha escala de importâncias, essa, completamente!
Ao falar com amigos sobre a situação política presente, sinto que para cada um a sua área de interesses e trabalho é fulcral. E é. Para se viver com harmonia, tudo faz falta. Mas a pedra de toque vai ser decidir quais as tais acções prioritárias. Oxalá se tomem as melhores decisões.


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Afixado por Emiéle em 26 de fevereiro de 2005, às 16:45

Afixadelas

Creio que é das coisas mais importantes na (e para) a vida: estabelecer as prioridades certas. Anda muita gente perdida e infeliz só por não o conseguir fazer.

Afixado por catarina em 26 de fevereiro de 2005, às 17:03

Mas é difícil, Catarina. Esta história da minha queda é verdadeira, tal e qual como a contei! Só me ralei quando isto começou a doer a sério, e a porcaria do joelho a inchar. À distância, é óbvio que a minha saúde era mais séria do que o estrago numa peça de roupa, mas na altura estava tudo baralhado.
E faço votos para que os nossos próximos governantes vejam que não podem satisfazer toda a gente, e façam as opções certas.
Sabendo já que somos a terra do "velho, o rapaz e o burro".

Afixado por Emiéle em 26 de fevereiro de 2005, às 17:12

Também sempre fui assim. Podia ter sangue a escorrer pela perna abaixo, mas se não tivesse rasgado as calças até sorria com a minha sorte. Infelizmente, da última vez que caí, rasguei as calças - e eram novas - e também fiquei coxa durante três dias. Isto é verdade no sentido literal e também no metafórico. Da última vez que tive as minhas prioridades muito bem definidas lixei-me. A falta de coincidência entre as nossas prioridades e as prioridades dos outros é uma das dificuldades que fazem com que as minhas tenham dificuldade em encontrar definição.

Afixado por susana em 26 de fevereiro de 2005, às 17:26

Susana, alma gémea!
Aqui ( ou seja nos meus posts) é que devias assinar Mana. São tantas as vezes em que dizes coisas que eu repito aqui deste lado "também eu!" que nem imaginas...!
E faço minhas as tuas palavras: o que é tramado é quando as minhas não batem certo com as dos outros. É cá uma guerra!

Afixado por Emiéle em 26 de fevereiro de 2005, às 17:48

E o joelho, está melhor?

Afixado por Monty em 26 de fevereiro de 2005, às 17:59

Obrigada, Monty!
Agora está. A poder de gelo (brrr...) e pomadas para inflamações.
Burra, não sou? Devia ver por onde ando, e saber que o mundo não pára se eu não fizer alguma coisa a tempo!
[E esta mariquice do desmaio... Sempre assim fui!]

Afixado por Emiéle em 26 de fevereiro de 2005, às 18:04

Émièle e Susana, tou um cadito pior que vocês. Eu já não me lembro quando foi a última vez que tive as prioridades bem definidas...
Também já não me lembro muito bem quando foi a última vez que as ditas cujas coincidiram com as ditas cujas de quem quer que seja...

A minha única vantagem é que também já não me lembro da última vez qua caí ( sem ser no sentido metafórico, que nesse lembro-me muito bem - tenho uma queda p'ràs quedas metafóricas que ando sempre toda negrinha...).

Catarina, mas eu já não fico infeliz com isso. No dia que isso me acontecer, devo achar tão estranho que é bem capaz de me dar uma coisinha má...

Afixado por isabel em 26 de fevereiro de 2005, às 18:12

Mas eu sou estúpida! Nem desejei as melhoras do joelho!

Fiquei a pensar nisso das nossas prioridades coincidirem com as dos outros...cheguei à conclusão que as nossas, por vezes, são dependentes de alguns outros; esses estão englobados nelas. Mas de resto, penso que corto muito a direito.

Afixado por catarina em 26 de fevereiro de 2005, às 22:49

Cat - Obrigada, vai indo. (olhem que não foi para receber mimos que escrevi aquilo, foi mesmo para exemplificar!)
Isabel, Catarina e Susana: Se calhar estamos a entender por prioridades conceitos diferentes. Porque do que vou conhecendo da Isabel, ela também tem algumas prioridades bem claras ou não estaria comprometida na luta política e sindical. O que creio que acontece é que alguns de nós mantêm "a ordem das prioridades", e outros alteram-nos com facilidade. Por isso dei o exemplo da minha queda. As calças estragadas ou o joelho alteraram de posição...
Por outro lado, o coincidirem com as das outras pessoas é secundário. Claro que é importante no capítulo de amizadas, mas verdadeiramente importante é de nós para nós. E ver as coisas com algum relactivismo ajuda a controlar o stress.
(repara Isabel no que disseste ao Monty no post da Mia; é porque há mesmo coisas com importância diversa e algumas perdem a importância quando aparecem outras "prioritárias")

Afixado por Emiéle em 27 de fevereiro de 2005, às 09:45

Émièle, ontem estava a falar p'ra mim. Não para vocês. Meti-vos, à força, na coisa...

Mas sabes,lá que é muito complicado pô-las por ordem lá isso é...

Quero que o meu filho cresça feliz e quero fazer um mundo melhor para ele. O que vem primeiro?
È que ,às vezes, fazê-lo feliz num determinado dia era ficar em casa com ele...não desistir de criar um mundo melhor para ele, implica sair...

Quero ser boa profissional mas não abdico de diariamente entrar em conflito com aqueles que, na empresa, cometem injustiças, mentem, adiam, deturpam. Aqui eu sei o que vem primeiro...mas não posso arriscar no que vem em segundo, se não lá se vai a hipótese de continuar a persistir no primeiro...

Claro que fui fazendo opções e criando /alterando prioridades. Mas há alturas em que estamos um bocadinho cansados.

Como disseste sou sindicalista, tenho actividade política,sou mãe, sou pai, sou filha, sou profissional,sou amiga, até comento nos vossos posts...mas, de vez, em quando, há uma prioridadezeca, que acho que me ficou pelo caminho...e não tenho tempo para a procurar...nem sequer para pensar qual terá sido...

Afixado por isabel em 27 de fevereiro de 2005, às 13:14

Isabel, "de facto", "é assim" - (para juntar 2 dos nossos bordões de linguagem):
Quando dei o exemplo ali em cima, foi mesmo para dizer do meu sentimento de que há coisas que andam quase a par. Sem a tal sala não se podia fazer a exposição, mas sem os objectos também não. Por exemplo, como dizes, eu posso tornar-me uma leoa em relação ao meu filho, e por isso mesmo é normal lutar para que o mundo onde ele vai viver seja digno. Tem a ver com os teus ou os meus valores. Porque também acontece, e serão outros valores, uma mãe que também adora o filho, considerar que prioritário é deixar-lhe uma herança, dinheiro no banco, "segurança" económica. E aí, vai trabalhar muito nesse sentido. Em qualquer destes casos, está claro quais as prioridades.
Mas acontece um certo "saltitar": hoje quero comprar uma casa, mas daqui a pouco prefiro mudar de emprego, depois importante é arranjar um namorado, mas ...
E se calhar é tudo importante. Se calhar com um emprego melhor pode pagar a casa. Se calhar com um bom namorado tem a segurança afectiva para disputar um emprego melhor. Etc. Ou é tudo uma grande confusão, e quem sou eu para dizer que não passei por isso?

Afixado por Emiéle em 27 de fevereiro de 2005, às 15:00

Suponho que identificar as prioridades assim tipo elenco ou ranking não é assim tão difícil, difícil é determinar quais as decisões que melhor servem essas mesmas prioridades, de acordo com a ordem que lhes cabe. mas no caso do joelho não se colocou a questão, é como quando se parte uma caixa de ovos: primeiro é uma chatice ter ficado com o chão e o frigorífico nojentos e difíceis de limpar; depois vem o momento em que verificamos que ficámos sem a refeição de último recurso. (é verdade, a este propósito tenho uma história óptima que já cá venho contar.)

Afixado por susana em 27 de fevereiro de 2005, às 16:49

Por exemplo, agora vou fazer 3 (!!!!!) tostas mistas ao ao JP que tá a gritar com fome e não "pode" interromper os trabalhos de casa, ou ligo p'ró Caldas a dizer que já que não há mais ninguém, eu estou disponível???
Claro que também posso levar o telefone p'ra cozinha e enquanto meto o fiambre...

Afixado por isabel em 27 de fevereiro de 2005, às 17:06

Partir, partir, o que odeio, ODEIO mesmo, é a garrafa do azeite!!!!
É prejuízo, que aquilo é caro, e é uma droga para limpar que é só gordura. Fico possessa!

Afixado por Emiéle em 27 de fevereiro de 2005, às 17:06

Olha Isabel, entrámos ao mesmo tempo. Ando a especializar-me neste truque. Já lá no cadáver é o mesmo...

Afixado por Emiéle em 27 de fevereiro de 2005, às 17:09

Por ordem, está a fome do teu João. Que lá no Caldas, ainda devem encontrar mais uns nomezitos para recusarem a honra. E assim ficas com mais campo de manobra...

Afixado por Emiéle em 27 de fevereiro de 2005, às 17:13

Aliás, duas histórias. Uma, com uma colega minha, que para salvar o assado que lhe escorregou do forno num jantar com convivas lá em casa, deixou que a gordura a ferver lhe escorresse para as pernas provocando-lhe uma grave queimadura (horrível ranking de prioridades). a outra é a de que me lembrei há bocado: em casa da minha avó, estávamos à mesa e ouvimos a empregada a vir da cozinha. de repente um estrondo, um grito e duas travessas a passar em frente da porta, seguidas pela velhota, em vôo aparatoso. enquanto corríamos para a anastácia, que sangrava do pulso sem se conseguir levantar, a minha avó ralhou do seu lugar "pronto, anastácia, não te digo pra trazeres uma travessa de cada vez?, agora lá ficámos nós sem jantar..."

Afixado por susana em 27 de fevereiro de 2005, às 23:49

E já que estamos numa de histórias antigas quando as avós tinham criadas, aqui vai uma que se contava na minha família:
Jantar de cerimónia. Vinha da cozinha um grande perú para o dono da casa trinchar. Eis senão quando a "portadora do perú" tropeça e o dito vai ao chão... A dona da casa imperturbável: "Maria, leve esse perú para a cozinha e traga o outro!"
Ãnn?? Isso é que era improvisação e salvar a face!

Afixado por Emiéle em 28 de fevereiro de 2005, às 08:54

Aprendia-se a ser senhora - e do seu nariz, também. :)

Afixado por susana em 28 de fevereiro de 2005, às 21:56

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