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março 30, 2005

Dia 14 de Abril, no Porto

porto.jpg

Só estive uma vez no Porto. É muito longe e nos 2 dias que lá estive devo ter engordado, pelo menos, 1 kg por dia, a comer francezinhas.
Lembro-me de descer por umas ruas com imensas escadas que iam dar ao Rio, que não tinham um ar muito “recomendável” mas eram muito bonitas E com a sublime oportunidade de ouvir, ao vivo e a cores, as pessoas a falarem de janela para janela e a trocarem os vês pelos bês.
Recordo o Douro. As pontes. Umas ruínas que ficavam em frente ao Rio e que nunca descobri o que eram. E a arquitectura. Tinha estado na Bélgica no ano anterior e aquelas casas lembravam-me, sobretudo, Brouges e Gant. Numa rua muito pequenina ou num beco, já não sei,encontrei uma casa que era igualzinha às casas flamengas que enchem aquelas cidades belgas.
Diziam-me que o Porto era escuro, não achei escuro. Diziam-me que o Porto era feio. Não achei feio.
Havia obras por todo o lado, é verdade, mas nada que me tivesse dado vontade de regressar mais depressa. Estávamos, creio, em Novembro de 2000. A poucos meses do Porto, capital da Cultura.
Descobri uma loja da PT que tinha Net e, na altura, apesar de ainda não ter descoberto o Afixe, por causa daquelas razões que a razão desconhece tinha que lá fazer duas peregrinações diárias. O meu filho, diz-me, sempre, que para além das francesinhas o que melhor ficou a conhecer no Porto foi a Loja da PT. Coisas da vida, que não vêm nada ao caso.
Falar no Porto,hoje, para dizer que, finalmente, vai abrir a Casa da Música. E para dizer que no dia 14 de Abril vai lá estar o Lou Reed. E que, apesar de sempre que ouço o Lou Reed sozinho, sofrer do sindroma de abstinência de John Cale, de Nico, dos Velvet Underground e do Jamaica, não me importava nada de engordar mais 2 kg, e estar no Porto, no próximo dia 14.
Claro que tinha que voltar à loja da PT. Mas, desta vez,sobretudo, por causa do Afixe. O que é uma passo importante no meu percurso pessoal.

Afixado por Isabel em 30 de março de 2005, às 23:32

Afixadelas

Há um erro grave no teu raciocínio: comer francesinhas não engorda! Pode-se comer umas 5 francesinhas num dia e garanto que não se engorda. Muito pelo contrário, emagrece-se... ;-)

(espero que a confraria das francesinhas leia este comentário e me presenteie com uma).

E já agora, no Porto não se troca os "vês" pelos "bês", mas sim os "bês" pelos "bês" ;-)

Afixado por Jorge Morais em 31 de março de 2005, às 00:30

Desculpa Jorge, eu com aquelas francesinhas engordo. As que tu comes é lá contigo. Possivelmente não têm qualidade, é o que é...

Claro que trocam...os gajos dizem uma baca... e bou fazer xixi...e bou barrer a sala...
Pergunta ao João Pedro, que é do Porto...se eu não tiver razão dou-te uma francezinha das que engordam, quando voltar à Invicta.

Olha já que estás acordado a esta hora, por acaso reparaste que no mapinha do Monty,nos estavam a ler no Perú???? Um Inca a ler o Afixe!!! UAUUUUU!!!!

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 00:41

Subscrevo tudo o que disseste, Isabel, apenas não partilho essa paranóia pelas francesinhas (mas sei que sou uma excepção).

Agora um bocado de sociolinguística. O que se passa com a variante do Português falado no Porto é que, até meados do séc. XX, o fonema /v/ tão simplesmente não existia nessa variante: era tudo corrido a /b/s. Com o advento da rádio e da televisão, os portuenses tiveram acesso de forma massiva à variante socialmente distinta da capital e, surpresa das surpresas, começam a ouvir um som novo para eles: o /v/ (a única diferença entre um /v/ e um /b/ é que a primeira é fricativa e a segunda é oclusiva, isto é, o /b/ resulta de uma retenção do ar na boca que depois é libertado totalmente numa explosão, enquanto que no /v/ essa retenção é apenas parcial). Como é óbvio, motivados por razões de prestígio da norma da capital e da anátema crescente da sua variante, os portuenses introduziram o som /v/ de uma forma brutal e não sistemática. O resultado foi caótico e hipercorrectivo: começaram a trocar quase todos os /b/s por /v/s, inclusive nas palavras em que essa alteração não se justificava. As gerações posteriores como a minha, apesar de serem mais letradas e apreenderem a correspondência entre os grafemas «v» e «b» e os sons /v/ e /b/, chegam à escola primária já com esse «vício» apreendido por mimese. Infelizmente, hoje em dia, a variante portuense está em perda: o Português que chega aos falantes pelos media é tristemente uniforme e já não é fácil encontrar um puto a trocar os /b/s pelos /v/s (até porque é javardamente gozado). É uma pena: quando esse fenómeno de «regularização» estiver completo, a língua portuguesa ficará mais pobre.

(Isavel: depois bai às ruínas te queixar que não deixo comentários... ;)

Afixado por João Pedro da Costa em 31 de março de 2005, às 03:11

Prontos, Isabel!
Este "comentário" ( ? ) do JPC vale por uns 10. Agora deve imaginar que está dispensado de dizer coisas aqui durante uma semana.
Tá mal!!!
Assim açambarcas tu os comentários.
Ò p'ra mim, invejosa!

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 08:02

Ainda cá volto, Isabel (hoje estou com uma preguiça que só me dá para comentar o que os outros escrevem e não me apetece escrever nada...)
É que comecei a brincar, mas não disse o principal, é que o teu post está excelente!
:) Sabes que me sinto orgulhosa de ser tua parceira de blog?

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 09:20

João Pedro, logo de manhã... o que se aprende contigo... Agora, a sério: há aquelas coisas com as quais nos habituamos a brincar e para as quais nunca nos damos ao trabalho de procurar a explicação.Obrigado.

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 09:25

Émiéle, o prazer e o orgulho que me dá ser tua parceira de blog...

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 11:36

Isabel,
O JPC confirmou o que eu disse, troca-se os "bês" pelos "bês", porque o "vê" não existe. Ainda é assim em alguns locais, não despareceu completamente.
Espero é que no Porto não se comece a dizer "treuze" em vez de "treze", ou "óvélha" em vez de "ovêlha", como em Lisboa ;-)

Quanto às francesinhas, eu estava mesmo a falar do prato, antes que comecem a ter segundas interpretações... E não engorda, garanto... Mas se quiserem comer uma francesinha a sério (agora a sério, eu só como por volta de 1 por mês) vão ao Bufete Fase, na Rua de Santa Catarina. É um espectáculo...

Afixado por Jorge Morais em 31 de março de 2005, às 11:44

"Subscrevo tudo o que disseste, Isabel"
João Pedro, tu sabes o que é o Jamaica?

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 11:49

Pronto Jorge, tens razão...mas já era uma da madrugada...o que é que queres???
Desculpa mas, devido à hora adiantada, achei que estavas a falar noutras...
Olha lá essa do treuze, são as tias, não são as pessoas normais...
E já agora os meninos não me podiam ter avisado que eu tava a trocar o s p'lo z...a falta que faz um dicionário neste blog...

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 12:02

Essa do dicionário...
Zabel a quem o dizes..!!!!
As vergonhas por que tenho passado.
Sou estupidamente acelerada, e às vezes sai cada uma.

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 12:41

Treuze dizem as tias, quase todos os locutores da televisão (serão eles todos "tias"?) e pelo menos 2 militantes do Bloco de Esquerda que conheço pessoalmente.
Mas vá lá, só contestaste o "treuze" e não a "óvélha" ;-)

Afixado por Jorge Morais em 31 de março de 2005, às 15:10

Essa do óvélha sou eu que não entendo...Achas que em Lisboa se diz assim???
O meu ouvido o que me diz é que se pronuncia ( mal, é certo )"ôveilha". Como sabes a malta de Lisboa é gozada por trocar os E mudos por ei.
A verdade é que por aqui há gente de muitos lafdos e os sotaques confundem-se.
E claro está que o caricato é sempre o sotaque tipo Cascais, à tia.

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 15:44

Confesso que me escapou essa da Jamaica... O que é, carago?

Afixado por João Pedro da Costa em 31 de março de 2005, às 16:20

Não é a Jamaica, João Pedro. É o Jamaica.Nunca ouviste falar? Viver em Lisboa, já ter uns anitos e ter tido, sempre, uma certa pancada, dá-nos alguns conhecimentos...
Um dia faço um post sobre o meu Jamaica. Mas antes gostaria de tentar descobrir no que se tornou (confesso que há alguns anos que lá não vou e que a última vez que lá estive, ia naquele estado em que não dá para nos lembrarmos de muita coisa, no day after...). Se tiver companhia para o Jamaica este fim-de-semana ( e companhia para o Jamaica não pode ser uma companhia qualquer) p'ra semana faço.
Era o único local em Lisboa onde se conseguia dançar ao som do The End, o que, como deves calcular,exigia sempre algumas ajudas externas...

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 18:03

Eu dancei ao som do "The End" no Jamaica, no tempo em que havia uma arvorezita lingrinhas plantada no meio da pista. Ainda lá está?

Afixado por Monty em 31 de março de 2005, às 18:57

Aida lá estava, sim. Da última vez que lá fui...mas como disse já foi há muito tempo...
Dançar ao som dos Doors, dos Velvet Underground (p'ra não falar do Bob Marley, claro, que isso era o deus lá de casa...). Não é que me deram uma saudades imensas daquela coisa maluca num dos locais mais mal afamados e mal frequentados de Lisboa...

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 19:48

Pode ser mal afamado e mal frequentado, mas que tinha (já não vou lá há pelo menos 2 anos, não faço ideia como está agora) música excelente ninguém pode negar. E, apesar de tudo, nunca vi confusões lá... As pessoas estavam sempre a "curtir a sua onda", sem problemas... Ou então tive muita sorte sempre que lá fui.
Também tenho saudades do Jamaica... e do Tóquio, já agora... Uma voltinha pelos dois era obrigatória!

Afixado por M. em 1 de abril de 2005, às 15:13

M, mal afamado e mal frequentado dizem que é o local...e nunca me incomodou nada...nunca lá vi confusões,também, sempre lá curti muito, não havia música como aquela...e dizes bem ,começar na Jamaica e acabar no Tóquio ou vice versa...vamos combinar numa tua visita a Lx...só as duas? Sem gajos, depois dum jantar numa tasca que eu te apresento????
Também não sei como está agora...mas isso interessa? Se a música for a mesma???

Afixado por isabel em 1 de abril de 2005, às 18:32

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