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março 27, 2005
Fim-de-semana

Ontem à tarde,troquei as bicicletas pela Vespa velhinha do avô, peguei no João Pedro, como pendura, e fomos respirar ar puro.
A planície continua verde, apesar de meses sem chover (talvez porque na noite de Sexta para Sábado, houve um dilúvio, lá na terra…). O verde é aqui e ali, apenas, interrompido pelo roxo e amarelo do mato.
Quando decidimos parar para lanchar, ficámos em silêncio durante uns minutos. Disse ao meu filho, como sabia bem ouvi-lo. Ao silêncio, que nos rodeava.
O João tentou convencer-me a subir uma montanha enorme (um cabeço de meia dúzia de metros, nas suas palavras) a pé, mas eu não tive coragem. Fiquei cá em baixo sentadinha, sossegadinha a ver as florzinhas amarelas e roxas (o urze, nas palavras técnicas do meu filho).
Quando algum tempo depois voltou, perguntou-me com um tom de voz entre o espantado e o horrorizado (se vocês me ouvissem cantar, iriam entender) porque é que eu não tinha parado de cantar enquanto ele subiu o cabeço.
Pensei e não lhe soube responder. Confessei-lhe que nem tinha dado por isso...
Na volta, já de capacete na cabeça, parece que percebi. O som do silêncio só quando partilhado é belo e nos enche a alma. Sozinha, oprime-me. E como quem canta seus males espanta...para mal dos ouvidos do meu filho que, nem no cima da montanha (“cabeço”) enorme (“de meia dúzia de metros”), se safou da minha melodiosa (“esganiçadíssima”) voz, decidi quebrá-lo e desatei a cantar a Índia, da Gal Costa.
Quero acreditar que só porque não conhecia a canção o meu filho nunca chegou a descobrir o que eu cantava (“que esganiços eram aqueles”).
Afixado por Isabel em 27 de março de 2005, às 17:05
Afixadelas
Compreendo, tb não sei pq Deus me dotou com uma voz celestial,só queria ser normal...
Afixado por Contrabandista X em 27 de março de 2005, às 17:33
a riqueza do bucólico.
Afixado por jorge em 27 de março de 2005, às 17:38
Da voz nada sei e do silêncio fico-me pelo segredo da alma. Mas um bom passeio de moto... ah, um bom passeio de moto... E essa ideia da velha 'vespa' do avô, é-me muito simpática. Sou louco por motos. Há 30 anos que ando nelas e sou tão radical que nem sequer carta de carro tenho: é mesmo moto, ponto final! E como gosto das motos velhas-relhas-a-caírem-de-pôdre!!! Cada viagem torna-se numa emocionante aventura, sem sabermos bem se chegamos ao destino. Agora ando com uma com quase 15 anos, mas que, apesar de apenas 125cc e 10 ou 12 asmáticos cavalos-vapor, ainda chega aos 110 km/H (bem, com o vento de costas, diga-se de passagem...) e que está à beira de partir a corrente. Que emoção, ontem fazer 200 km com aquilo a bater todas as latas, sem saber se chegava a Lisboa...
Afixado por João em 27 de março de 2005, às 17:43
João, eu tenho uma confissão a fazer...curto andar de mota. É verdade. Velhinha, pois claro.
Menos de 500cc, tem que ser. Agora essa de ser tão radical que nem carta de condução de carro tenho...já aqui confessei uma vez...não tenho carta de condução de carro porque nos dois exames que fiz nunca encontrei a marcha atrás e os parvos dos examinadores acharam que isso era mau...Eu acho que a vespa do meu pai não chega aos 110 km...pelo menos nas minhas mãos não passa dos 60...mas faz marcha atràs, que é para os gajos não se armarem em parvos...
Afixado por isabel em 27 de março de 2005, às 17:56
Bom, uma confissão também tenho a fazer: a única coisa de quatro rodas que conduzo é um mini-tractor, com que, aos fins-de-semana, vou para o campo fazer alguns trabalhos. E é porque não dá para lavrar com a mota... Mas não tenho carta! Nessa infernal máquina que dá uns inauditos 10 km/h, a marcha-atrás fez bem jeito, sobretudo quando tenho alguma azinheira à frente... Mas é tudo uma questão de estética, entenda-se!... O facto de ter dito que a SR dava os 110 à hora, não é nenhuma fanfarronada: simplesmente, esta tarde no IC17 o meu filho veio atrás no carro dele e medimos a velocidade a que aquilo ia. E vinha excitado com os resultados. Saíu-me assim. É que conta-quilómetros na SR é uma peça que há muito já é inexistente... Calculo a velocidade a olho, por estimativa e segundo os sinais controlados pela velocidade fecham ou não...
A Vespa, depende da cilindrada. Se for a de 50cc, antiga, deve dar os 50/60. Se for a 200 (a cilindradamais alta), deve rondar os 100 km/h. Tive várias scooters, mas nunca tive uma vespa. Tive uma Sanyung, de 50 cc, com a qual fui cinco ou seis vezes, de ida e volta, a Madrid. Eram 15 horas para cada lado...
A verdadeira questão é que, ser-se 'motard', não é uma questão de cilindrada ou de cavalagem, nem mesmo de velocidade, mas um estado de espírito.
Afixado por Joao em 27 de março de 2005, às 20:38
João, de quatro rodas já conduzi o carrinho do puto, aqui há uns anos...
Aquela é um bocadito idosa, mas tá toda gira, que o meu pai o ano passado disse-nos que já não andava com ela e eu e o João Pedro pintámo-la de preto, com uma estrelinha branca, assim tipo boina do Che...mas eu só me atrevo na vila e no campo...nunca seria capaz de me meter naquilo numa viagem num IC qualquer coisa...
Afixado por isabel em 27 de março de 2005, às 20:56
Um coisa que me encanta também sempre é a qualidade do silêncio do campo. Porque é evidente que também há muitos barulhinhos, só que nós conseguimos mesmo OUVI-LOS!! E em Lisboa, há um permanente ruído, que mesmo quando parece que está tudo silencioso, não está nada. Só damos conta disso quando comparamos com essa outra qualidade de silêncio como referes. A mim delicia-me (pelo menos para as férias...)e comprende-se como se consegue dormir muito mais profundamente!
Belo post, Isabel. Acompanhamos-te perfeitamente no passeio.
Afixado por Emiéle em 27 de março de 2005, às 21:12
È como tu dizes...para férias.
Tenho que confessar que acho que me viciei no ruído. Não seria capaz de viver no meio do campo.Isolada, rodeada de vaquinhas, passarinhos e cavalinhos. Por mais mus, pius e ...(como é que fazem os cavalos???) que me rodeassem.
Para passar férias, tudo bem. Mas sempre acompanhada e , de preferência, com um radiozeco careta p'ra dizer como vai o Mundo...
Tenho um amigo que há anos mora sozinho no campo, rodeado de bichinhos e de couves que sempre que me ouve dizer estas coisas me diz "Meu Deus, como é que podes ser tão hurbano-dependente???".
Também não há problema nenhum em ser dependente de qualquer coisita, né?
Afixado por isabel em 28 de março de 2005, às 12:36
Comigo o que se passa é que nasci aqui. O que quero dizer que "quando vou á terra" venho a Lisboa... tenho alguma culpa?
E ainda por cima nasci num bairro, e quando procurei casa, andei, andei, andei e pumba vim cair no mesmo bairro. Conheço isto desde que nasci...
(mas que raio! até parece que me estou a justificar?!? gosto da minha terra e então?!)
Afixado por Emiéle em 28 de março de 2005, às 16:31
