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março 31, 2005

Julgamento em Setúbal

Começa hoje o julgamento de mais 3 mulheres.
O seu crime foi a prática de aborto.
Duas mulheres acusadas de o terem feito e a parteira.
Já estão castigadas neste momento. A investigação do caso, os interrogatórios, a devassa da sua vida íntima, o ir a tribunal com os focos da comunicação social sobre si, e a vergonha que isso implica, é um castigo. Que eu não lhes desejava.
E como as pessoas são apenas acusadas de um crime até o tribunal o confirmar, parto desde já do princípio de que estejam inocentes, e se nada se provar saiam em liberdade.
É o que esperamos. Que saiam em liberdade.
E que dentro de algum tempo, não haja distinção entre quem possa atravessar a fronteira e com isso ser inocente e quem tenha de permanecer em Portugal e assim se tornar culpado.

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 08:15

Afixadelas

Concordo
Cada mulher terá as suas razões para as decisões que toma e vive com elas, não deve ser punida por algo que acredito ninguém fazer de animo leve

Afixado por sofia em 31 de março de 2005, às 10:04

Olha Sofia, só desejo, não só que isto "acabe bem" mas também que os defensores da despenalização da IVG não caiam em fundamentalismos tontos que só lhes retira razão.
Como disseste, ninguém o faz de ânimo leve. É sempre um enorme sofrimento. E quando oiço, de um lado ou de outro, quase equiparar-se a um método anti-concepcional fico roxa de fúria.
«Ninguém o faz de ânimo leve» e partir-se dessa ideia é não entender mesmo nada do que se passa.

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 10:18

Mais uma chamada de atenção para a urgência da alteração da Lei.
Mais um murro no estomago da hipocrisia.
Acredito, mesmo, que o PS vai, desta vez, ser coerente e contribuir para a alteração da Lei.

Ninguém o faz de ânimo leve. A diferença é entre quem o não fazendo de ânimo leve o faz com ou sem condições, e isso depende apenas das condições económicas. Nada tem a ver com ética ou moral. Ou principios ou dogmas.
E como é chocante ver mulheres apresentadas e julgadas em tribunal...

Quanto aos fundamentalismos, também me chateiam. È, aliás, uma das coisa que, por vezes, me faz faltar a paciência para essas discussões...se já é complicado achar que se possam discutir opções, quando, a essas opções correspondem faltas de alternativa, aí parece-me mesmo inútil.
O folcrore de alguns fundamentalistas do pró Sim...nunca gostei de folcrore. Não me ocorre mais nada.

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 11:04

Olha Isabel, só chamei a atenção para esse folclore porque isso acaba sempre por ser um boomerang. É por vezes tão idiota que parecem "submarinos" dos outros que vêm para lhes dar argumentos. Já me tem ocorrido se não será mesmo isso, uma 5ª coluna a atacar por detrás...
E quando se apresenta uma desgraçada que está em sofrimento, como uma megera assassina, mulher essa que, muitas e muitas vezes, é mãe dedicadíssima de dois ou três filhos. Filhos a quem ama profundamente. Enfim...

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 11:22

Émièle, eu entendi. Mas a mim também me chateia e, muitas vezes, me coloco a mesma questão.
No fundo, acho que o que nós já não temos mesmo paciência, é para fundamentalismos...venham de onde e de quem vierem.

Afixado por isabel em 31 de março de 2005, às 12:46

É. Como dizíamos no outro dia, já parecemos o Dupont e Dupond, o que às tantas não é bem uma boa imagem por cómica que possa ser...
Mas também não suporto fundamentalismos. Aqui o nosso Afixe declarou-se "contra a intolerância" desde que nasceu, ( tá lá em cima, no banner) e creio bem que foi esse toque que me levou a aderir aqui ao blog.
E quanto mais sério é o problema mais grave se tornam os extremismos. Porque o certo é que com os argumentos extremos estamos a alimentar a argumentação do adversário.

Afixado por Emiéle em 31 de março de 2005, às 13:15

Eu espero sinceramente que saiam em liberdade, as mulheres que abortaram. Já me causa algum incómodo as pessoas que fazem dinheiro, às vezes bastante, à conta de quem a eles recorre por falta de alternativas. Sem recibos, sem condições, sem nada...

Afixado por Miguel S. em 31 de março de 2005, às 20:48

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