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março 31, 2005

Meu Deus, livra-nos dos néscios!

A anacrónica Associação República e Laicidade acaba de tentar obter, outra vez, mais alguma atençãozinha dos governantes.
Mas não se dá conta de que as suas queixas não têm qualquer sentido.

Associação pede ao Governo que acabe com crucifixos e missas em escolas públicas

Confrontada com "relatos frequentes" de pais e professores que denunciam a presença de crucifixos nas salas de aulas ou ainda a celebração de missas e outros rituais religiosos "realizados no espaço da escola, em horário escolar e envolvendo alunos", a associação cívica República e Laicidade decidiu pedir a intervenção do Ministério da Educação.

Devo confessar-vos que, tendo atravessado toda a escolaridade em escolas públicas e universidades públicas, e sendo católico daqueles que praticam, nunca na vida assisti a uma missa na escola, e devo fazer um grande esforço mental para me recordar de salas de aula que ainda tivessem crucifixos. Algumas ainda o tinham, mas cheio de pó, com um prego ferrugento agarrado a um naco de estuque quase a cair!

Quem querem eles enganar, estes patetas da Associação República e Laicidade (que nome pomposo)?
Será que recrutam, mais uma vez, os esclerosados professores anti-clericais (que ainda não repararam que Afonso Costa e Emile Combes já morreram), para que estes "denunciem" as "missas ilegais"?
Será que não sabem que uma missa não se celebra de qualquer maneira? Em qualquer sítio? Quantas escolas públicas têm capelas?

O que me espanta não é (mais) esta acção da Associação República e Laicidade, que já nos tem habituado a patéticas tentativas de autos-de-fé ateizantes, quando perseguiram um padre que apenas lera uma carta do Santo Padre numa Homilia. O que me espanta é a atenção dada pelo Público aos protestos, como se estes fossem relevantes...

Mas mesmo que as queixas tivessem qualquer ligação à realidade, não deixava de ser anedótica esta frase: "pais e professores que denunciam a presença de crucifixos nas salas de aulas ou ainda a celebração de missas e outros rituais religiosos", como se a prática de um culto religioso, seja ele qual for, se assemelhasse a uma reunião de neonazis armados, ou de uma neo-waffen-ss, ou ainda de rituais satânicos com imolação de animais e bebida de sangue por coagular...
Se bem que, neste caso, não duvidaria que veríamos os nossos amigos "republicanos e laicos" a defender o "direito de antena" dos satânicos na disciplina de Religião e Moral, mesmo que eles fossem contra a dita!

Afixado por Bernardo Motta em 31 de março de 2005, às 10:44

Afixadelas

Agora a sério: o que eu não consigo perceber, o que de facto não consigo encasquetar neste meu crâneo quase milenar é que com atoardas destas proferidas por associações atávicas do tipo "República e Laicidade" ainda se considere a legítima aspiração à monarquia em Portugal como sendo uma atitude reaccionária.
A sério que não entendo.

Afixado por Afonso Henriques em 31 de março de 2005, às 11:02

" estes patetas da Associação República e Laicidade (que nome pomposo)"

Ó Bernardo que linguagem mais agressiva, pá, chega mesmo a ser ofensiva, patetas é um termo que pode ser banalizado até por católicos ?

Afixado por Real em 31 de março de 2005, às 12:08

" estes patetas da Associação República e Laicidade (que nome pomposo)"

Ó Bernardo que linguagem mais agressiva, pá, chega mesmo a ser ofensiva, patetas é um termo que pode ser banalizado até por católicos ?
Estou quase em estado de choque, só me surpreende é que desta vez não tenhas pedido desculpa que tom

Afixado por Real em 31 de março de 2005, às 12:08

Real,

A sério. Eles são mesmo patetas.
Olha que fui porreiro, porque podia ter sido paternalista: podia tê-los chamado de patetinhas.
Tu já leste o relatório deles?
As queixas?
Lamento, mas a minha opinião é minha, e as opiniões, já o disse, são como as cuecas: cada um pode ter a sua.
Repito: a Associação República e Laicidade, apesar de ter um nome pomposo que lhe confere uma aura de importância e relevo, é composta por PATETAS!
Digo com conhecimento de causa: conheço a maioria deles, graças a Deus não pessoalmente, mas pelas patetices que escrevem (daí o epíteto de "patetas" que lhes conferi).

Afixado por Bernardo em 31 de março de 2005, às 12:17

Não sei o que motivou tal notícia, de qualquer forma, tens alguns países europeus onde encontras escolas católicas, muçulmanas, judaicas (estas protegidas a metralhadora, não estou a brincar).
Não apoio este tipo de situação. Entendo que a Religião deva entrar na Escola como disciplina que inclua todos os credos principais, nada mais. E concordo totalmente com uma "monarquia" que... não tenha nem poder político nem subsídios do estado... ;)

Afixado por bluegift - flyingbabe em 31 de março de 2005, às 12:37

Bluegift,

Vou tentar explicar-me melhor.
Eu sou contra a Laicidade por uma questão de princípio filosófico. Por isso, há inúmeras coisas na nossa Constituição com as quais eu não concordo. Também sou monárquico, e no entanto vivo sob um regime republicano.
Sou um cidadão ordeiro, e gosto de me reger pelas regras em vigor no meu país. Nesse sentido, discordo que se rezem missas dentro de uma escola pública, porque isso viola a Constituição (não sou jurista, mas pela leitura que fiz, parece-me que há violação).

Contudo, o relatório desta "Associação" está montado com migalhas, com farrapos de supostas "provas". Está imbuído de um entusiasmo prosélito, onde a pressa para chegar à conclusão é mais forte do que a razão.

Já leste o relatório?
Eu li-o.
Há para lá algumas fotos que poderiam fazer pensar em inconstitucionalidade, porque dão a ideia da celebração de uma missa na sala de aula. Mas a maioria das fotos são fogo de vista, porque não têm a ver com a queixa que eles levantam, a saber:

1. De que vale mostrar fotos de missas EM IGREJAS, ou seja, fora da Escola, na qual participem alunos ou professores? Foram coagidos?

2. De que vale mostrar teatros ou outras representações com temáticas religiosas? Isso vale como uma missa? Será isso anti-constitucional?

3. De que vale mostrar inúmeras fotos de escolas com crucifixos pendurados? Se querem, eu sou o primeiro a dizer: tirem os crucifixos!! Pois se já ninguém lhes liga, mais vale que não estejam lá! Agora, qualquer pessoa de bom senso sabe que os crucifixos ficam por lá, abandonados, e que são raros aqueles professores e/ou alunos que deles tiram algum proveito religioso.

Tudo isto é uma palhaçada.
Querem imitar o pateta do Chirac?
Pois isso era de esperar, neste Portugal que deixou de ser terra de gente com espinha dorsal, para passarmos a um subúrbio francês, onde imitamos as patetices anti-clericais dos franceses.

Por último, mesmo que tais actos sejam inconstitucionais, não deixa de ser curioso notar que no Norte, sobretudo no Norte, as populações permanecem religiosas: vão à missa, fazem teatros religiosos pelo Natal e pela Páscoa, e a adesão ao catolicismo é entusiasta e jovial. E a esses cantos do nosso verde jardim não chega a "catequese" anti-clerical. E é isso que lixa os nervos aos nossos amiguitos papa-padres: é que não existem pequenos Afonsos Costa no Minho e em Trás-os-Montes! Lá, a moda custa a pegar, raios! ;)

Afixado por Bernardo em 31 de março de 2005, às 14:20

Percebo o teu ponto de vista. Trata-se provavelmente de algum exagero de apreciação. Além disso, há que justificar a existência de organismos desse género. Já viste o que era chegarem ao fim do ano e... nickles! nem uma queixita para mostra?
As tradições ligadas ao culto da religião são um bem a preservar, fazem parte da identidade deste povo, mas o mesmo não direi da hipocrisia religiosa ou laica. Os fundamentalismos expressos em exageros deste género, são, esses sim, o verdadeiro inimigo a combater. Não é fácil "viver em paz com a diferença", sobretudo quando se torna necessário justificar a existência de certas hon(o)rosas fundações do nosso burgo :P
Quanto a imitar os franceses, melhor seria se os imitássemos nas medidas de política económica...

Afixado por bluegift em 31 de março de 2005, às 15:43

"Quanto a imitar os franceses, melhor seria se os imitássemos nas medidas de política económica..."

Ora aí está! ;)

Afixado por Bernardo em 31 de março de 2005, às 16:14

"Lamento, mas a minha opinião é minha, e as opiniões, já o disse, são como as cuecas: cada um pode ter a sua."

Também lamento que esta seja a única afirmação com a qual concordo de tudo que em cima vociferou...


Ao contrário de si, sou absolutamente contra a presença de qualquer símbolo religioso na escola pública, herança pesada que arrastamos por estarmos ainda inscritos numa cultura marcadamente judaico-cristã. Concordo com Bluegift quando diz "... a Religião deva entrar na Escola como disciplina que inclua todos os credos principais, nada mais." Assim, crucifixos, Nossas Senhoras e fotografias dos três pastorinhos são adereços que não podem fazer parte da decoração de espaços que visam a educação de todos. E eles estão lá, acredite! A escola primária dos meus filhos é um bom exemplo disso.

Afixado por CotaMarada em 31 de março de 2005, às 23:17

CotaMarada,
Não concordo mas também não me choca. E prefiro que eles tenham uma qualquer iniciação à religião do que nada. O que me choca é obrigar as pessoas à prática da religião, tal como acontece p.e. em numerosas comunidades islâmicas e judaicas mesmo na Europa. As mulheres muçulmanas são agredidas ou marginalizadas quando não portam o véu, e o mesmo se passa com os homens que não participam nas rezas e celebrações. A igreja católica dos nossos tempos já perdeu o poder tirânico que tinha, podem os anti-cristo dormir mais descansados ;)

Afixado por bluegift em 1 de abril de 2005, às 08:02

"Ao contrário de si, sou absolutamente contra a presença de qualquer símbolo religioso na escola pública"

Porque é que as pessoas NÃO LÊEM o que está escrito? Será mais forte a vontade de discordar, do que a racionalidade de LER o que foi escrito?

Afixado por Bernardo em 1 de abril de 2005, às 09:59

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