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abril 28, 2005
História de faz de conta...
E se de repente achasse que estava demasiado gordo e lhe aconselhassem a colocação de uma banda gástrica? Tudo feito num hospital do interior! Uma cena inovadora, com direito a assistência, a televisão e, pasme-se, com bisturi de raio laser! Tipo guerra das estrelas. Imagine-se que tem um bisturi de raios laser na mão e quer apontar para ali. Ou para acolá! Não dá, não é? Que aquela merda fura! Fura o pulmão! Mas porque raio o abrem até esse ponto se a cena é para o estômago? Fura o esófago! Fura o que se puser à frente. Afinal, é só um raio laser, não pensa. Para isso está lá o cirurgião. Bem, ainda numa de imaginação, porque cenas destas é impossível acontecerem, imagine-se agora que a cena corre mesmo mal e a pessoa vai de urgência para Lisboa, não antes, claro, de ser vítima de mais uma ou duas operações de remedeio. Em Lisboa, onde fica cerca de dois meses é submetida a todo o género de operações e nunca recupera os sentidos. Coma induzido, ao que parece. Um dia, e não se esqueçam que isto é mera ficção ou "só visto" - que contado ninguém acredita, aparece um médico com um papel na mão a pedir autorização para uma traqueotomia. Que estranho seria, não? Já a retalharam toda sem passarem cartão a ninguém, e agora, para uma cena aparentemente simples, querem uma autorização da família? Que “está consciente de se tratar de uma operação de risco”? Uma traqueotomia? Um buraco na garganta para colocar tubos? Algo de muito estranho se passaria. A traqueotomia teria sido anteontem e a morte teria ocorrido ontem. E aqui estaria eu a ter que dar os meus pêsames à família. E a prometer-lhes que algum porco haveria de inchar!
Afixado por afixe em 28 de abril de 2005, às 11:54
Afixadelas
Essa merda parece saída de um sketch do Gato Fedorento. Só que não tem qualquer espécie de graça. Ele há com cada idiota de bata nos nossos hospitais!
Afixado por JG em 28 de abril de 2005, às 12:20
Escandaloso. Nem dá para acreditar...
Afixado por M. em 28 de abril de 2005, às 13:29
Que horror, Monty. Que horror. Nem sei o que te dizer.
Mas como é possível?!
Mas como foi possível?!
Afixado por Emiéle em 28 de abril de 2005, às 14:05
Também a mim me faltam as palavras. E a certeza de que alguém há-de pagar não me traz qualquer tipo de conforto. Apenas me distrai um bocado, com receio que o ódio me consuma! Raisparta, que não fui feito para viver!
Afixado por Monty em 28 de abril de 2005, às 14:15
Que pesadelo!!!
É inacreditável, mas tudo é possível no sistema de saúde em Portugal e não se apontem baterias aos médicos, a culpa é do sistema!
Livra! Eu é que não quero ir para o hospital...
Afixado por Malmequer em 28 de abril de 2005, às 14:16
A não ser que misture o comentário do JG, da M e o da Émiéle, não sei o que se pode dizer.
Afixado por isabel em 28 de abril de 2005, às 14:16
Não Monty, o "alguém há-de pagar" não evita que se tenha vivido este pesadelo, mas talvez evite outros pesadelos de incompetência contagiante.
Desculpa, Malmequer, mas se o sistema está mau, neste caso as baterias apontadas terão de ser a quem matou uma pessoa. Chama-se a isso MATAR. Se fosse com uma pistola era o mesmo.
( desculpem, estou demasiado indignada para ter "distância" e poder falar friamente)
Afixado por Emiéle em 28 de abril de 2005, às 14:28
Pois, tens toda a razão. E por falar em relativismos, perante isto, tudo se parece encaixar em tal conceito!
Afixado por Monty em 28 de abril de 2005, às 14:42
Não conheço os detalhes em questão. Mas acreditem que existem muitos casos de negligência que o único responsável não é o médico, mas se calhar o sistema que o faz trabalhar horas em condições de terceiro mundo, e que desafiam a atenção do médico mais diligente.
É verdade também, que existem médicos que nos tratam como se fossemos ratos de laboratório e nem percebem que a criatura que está à frente tem alma...
É um assunto deveras interessante...
Afixado por malmequer em 28 de abril de 2005, às 18:49
Tens razão, Malmequer, há casos desses possivelmente passados em urgências depois de não sei quantas horas de trabalho. Não é com certeza a colocação de uma banda gástrica, que não é coisa de se fazer numa urgência de hospital!!!! E estar cerca de dois meses num hospital central a ser assistida sem se conseguir fazer nada??? É o sistema? Durante dois meses os médicos estavam sempre a cair de cansaço?
Este é um caso que cruza a negligência com a incompetência, e não há desculpa possível. Acho até que a classe médica devia insistir em mostrar onde está a incompetência para se salvaguardar. Não há aqui corporativismo que valha!
(desculpa-me mas este caso, cá por coisas, indigna-me especialmente)
Afixado por Emiéle em 28 de abril de 2005, às 19:42
É mesmo uma coisa horrível. E que vai acontecendo, uma vez seria já demasiado, mas tantas ouvimos que "demasiado" é ainda uma palavra pouco superlativa.
Muitas das histórias que ouço aconteceram por carga de trabalho excessiva sobre as equipas médicas.
Já que se fala nisso, hão de explicar-me porque é que para a maioria dos funcionários do Estado não são permitidas acumulações profissionais e existe uma lei de incompatibilidades para quem está a tempo inteiro numa instituição; para a classe médica, que todos sabemos que podem entrar de manhã no Hospital e a seguir continuar o exercício da profissão até altas horas da noite, com bancos pelo meio, não há qualquer restrição, a não ser que peçam exclusividade.
Afixado por susana em 28 de abril de 2005, às 22:09
