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abril 30, 2005

The chosen one

Mourinho magic guides Chelsea to long-awaited triumph. Like him or loathe him, Jose Mourinho just doesn't stop winning titles. After capturing the UEFA Cup, Champions League, back-to-back league titles and two Portuguese Cup with FC Porto, the coaching genius has won the English Premier League title at his first attempt with Chelsea.

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Afixado por Rogério C. Pereira às 23:47 | Afixadelas (6)

Uma tarde na Mouraria

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Uma tarde de fado, com Lisboa e o Tejo ao fundo. O som da viola e da guitarra portuguesa, nas mãos e na alma de dois miúdos de 16 anos. A voz forte, limpa, linda de uma jovem de 17 anos. O fado vadio das vozes roucas de fumo e de bagaço, mais velhas e muito vividas. O fado que já não é só tristeza, desânimo, ciúme, traição, mas que, ainda sendo tudo isto, é também alegria, juventude, desafio e muita garra. Uma desgarrada a sério, com vozes, viola e guitarra. Muita cerveja. Muitos amigos. Um café e um bagaço, só mesmo para acabar de aquecer o coração e ter força para descer uma colina de Lisboa e subir outra. Uma tarde perfeita.
Émièle, amanhã devo estar pronta para te ajudar na árdua tarefa de falar no Governo e no Isaltino.

Ah, é verdade já alguma vez vos disse qua adoro fado, o verdadeiro, o da Mouraria e de Alfama? Não disse, mas é verdade. Adoro, pá. Só não canto porque tenho medo de assustar quem por lá esteja e só não desato a chorar com aqueles dramas, com os abandonos, os amores não correspondidos, as promessas de não esquecer e de esquecer, os fins e os reconeços,o gemido da guitarra, porque uma gaja grande como eu, já não desata a chorar em público, assim, por dá cá aquela palha. Tenho uma reputação a manter...e esqueço-me sempre de comprar lenços de papel.

Afixado por Isabel às 19:18 | Afixadelas (12)

China

O Expresso trás hoje um artigo de Lester R. Brown*, que faz pensar.
Todos aceitamos pacificamente que a China é o maior país do mundo. Para além de ser grande territorialmente tem uma população colossal. Mas está lá muito longe e tem sido um país em vias de desenvolvimento. Tem sido, isso já passou.
A China está a acordar. Diz este comentador que « se o século passado foi o século americano, este parece ser o século chinês». E seguem-se números:
Quanto a cereais a China consome 382 milhões de toneladas contra 278 dos EU. No consumo de carne são 63 milhões de toneladas China, e 37 nos EU. No aço, a utilização na China é o dobro da dos EU e consome também alumínio e o cobre muito acima dos EU.
Quanto a petróleo a China ocupa “ainda” o segundo lugar, mas muito acima do Japão.
Quanto a consumo - temos os telemóveis (a China usa agora 269 milhões contra 159 milhões dos EU) os PC que duplicam de 2 em 2 anos, e electrodomésticos onde a China há muito tempo que passou à frente dos EU. Escapa a esta onda de consumo os carros, no país da bicicleta.
Com todo este equilíbrio, é natural que a economia balance. O artigo termina dizendo: «Actualmente é a China e o Japão que compram os títulos do tesouro dos EUA, que permitem que os Estados Unidos apresentem o maior défice fiscal da história […] Se a China decidir alguma vez desviar o seu capital excedentário para outro lado […]a economia dos Estados Unidos entrará em dificuldades

Afixado por Emiéle às 09:43 | Afixadelas (4)

Ilegal e prepotente

Nem mais! I-le-gal e pre-po-ten-te.
Quem é que foi assim classificado? Um líder partidário.
Quem é que proferiu estas acusações? Um candidato a uma importante autarquia.
Esse candidato de que partido é? Do mesmo deste líder.
Pensei que já tinha visto tudo, mas estou redondamente enganada!
Vem nas páginas de todos os jornais porque
foi conferência de imprensa.
Por mim não faço comentários, fica ao cuidado de cada um.


Afixado por Emiéle às 09:20 | Afixadelas (6)

Ainda estamos em Abril

Durante este mês deixei ficar aqui todos os dias uma imagem que recordava os dias que se viveram há 31 anos.
Hoje fica uma visão do mesmo momento vivido com a mesma alegria por duas idades.
E o futuro começa amanhã.

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Afixado por Emiéle às 08:44 | Afixadelas (3)

Não vejo, não falo, não ouço!

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Eu agora ando a tentar esta táctica.
Há duas semanas que não me apetece falar de política. Nem do Mundo. Nem das tristezas dos políticos e das políticas, nem das tristezas dos homens. Muito menos nas do Mundo. Não é que ande eufórica, ou sequer, particularmente feliz, não ando. A situação a nível profissional está cheia de pontos de interrogação, ando com uns ataques de militância, que achei que iam passar a seguir às legislativas e que, afinal, se mantêm, e que me tiram horas preciosas de descanso e de sono (estão a ver-me acordada ao Sábado, a estas horas?...), tenho um ou dois problemas pessoais que urgem de intervenção e, no entanto, só consigo escrever em tom de festa. É como se esta fosse a forma de afastar fantasmas, fazer tangentes às dúvidas e tirar a língua aos problemas. Não sei quanto tempo se manterá, não sei, sequer, se este post é indicador de que começam a surgir pequenos rombos na eficácia da droga, mas, para já, não me apetece falar a sério. Isto deve passar e, então, eu volto a fazer as minhas crónicas do Parlamento, a falar do flagelo dos acidentes de trabalho, a contar as desgraças da lei das autarquias e do circo da referendo da IVG, eternamente adiado, a expôr problemas domésticos, a discutir o Papa e a seca... ah, é verdade e a escrever sobre homens, outro tema igualmente deprimente, para já deixem-me cá aproveitar mais um ou dois dias de pedra, antes que acabe a dose e a coisa volte às tonalidades certas. Tonalidades certas que, nesta altura do campeonato, devarão andar nos beges tristonhos, nos castanhos deslavados, nos acinzentados desbotados e nos amarelos pardacentos.

A esta necessidade de construir mundos irreais onde nos passeamos mais ou menos paulatinamente, alheando-nos do que, eventualmente, nos poderá incomodar e entristecer, creio que se costuma ( ou, pelo menos, costumava nos meus tempos áureos ) chamar alienação. Deve ser isso: por uns dias tornei-me uma alienada. Mas uma alienada como deve ser. Realizada. E feliz com isso. O que apenas abona a meu favor. Já que cá está, que seja uma coisa de jeito. Não gostaria nada de me vir a envergonhar da qualidade do meu produto.

Afixado por Isabel às 08:04 | Afixadelas (2)

EU FALO EM ALHOS, TU RESPONDES EM BUGALHOS

Bernardo: obrigado pela atenção que dedicaste à minhas palavritas. Agora, cabe-me responder-te mui singelamente. A tua resposta começa mal, logo no título: "Ratzinger concorda com a pena capital?" Pergunta capciosa, congeminada para induzir o leitor em erro. O que eu antes escrevi foi apenas: "a vida é sagrada, a não ser quando falamos da pena de morte". E nada mais vero: o senhor Bento XVI, aka Joseph Ratzinger, relativizou a gravidade da pena de morte, quando a secundarizou face ao aborto, como se nos dois casos não estivessem em causa vidas humanas igualmente "sagradas" e intocáveis. Não. As suas palavras não deixam margem para dúvida: para ele, o aborto é coisa bem pior que a pena de morte. “Quando aplicada legalmente, pune-se alguém que é culpado de crimes que se provou serem muito graves e que também representa um perigo para a paz social (...). No caso do aborto, inflige-se a pena de morte a alguém que é absolutamente inocente. São duas coisas completamente diferentes”.
Deixa lá o João Paulo II ou o Alexandre VI dormirem o sono eterno, que apenas o actual Papa para aqui é chamado. Podes citar as encíclicas que quiseres, que em nada diminuis a pontaria do meu texto: Ratzinger tem a pena de morte como algo de aceitável e não sente necessidade de invocar as atenuantes que citas.
Em resumo:
1. Para a Igreja, a vida humana é inviolável, excepto em alguns casos.
2. A auto-defesa nunca incluirá, se acatarmos o dever da proporcionalidade, matar alguém que se encontra indefeso numa cela.
3. Para Ratzinger, o ponto anterior é irrelevante, assim como o número de inocentes que já foram injustamente executados em nações supostamente civilizadas. Essas minudências, para ele, resumem-se a um frio “quando aplicada legalmente”. Nunca o vi mencionar esse tocante “in extremis” com que é temperada a quase-recusa da pena de morte por parte da Igreja Católica.
4. Nunca escrevi que a Igreja “defende a pena capital” e é demagógico afirmar e insinuar o contrário.
5. As palavras de Ratzinger são as dele; não carecem de “contexto” e é arrogante querer dar-lhe um à força. Elas não estão “totalmente de acordo com o magistério da Igreja” pois não reconhecem esse teórico carácter de emergência social da pena de morte; ele limita-se a aceitá-la quando ministrada “legalmente”. Sem mais ressalvas.
6. Lembras-te de Hitler, nem sei bem a que propósito. Mas pegando no teu exemplo pergunto-te: se o teu conhecimento do nazismo viesse apenas do Mein Kampf, compreenderias o horror nacional-socialista? Não me pareece que documentos teóricos bastem para entender organização alguma. Se quiseres ler o programa do PCP, também poderás chegar à conclusão que se trata de uma organização amante da democracia, a todos os níveis; isso dos “contextos” teóricos dá um jeitão. E se eu te lembrar a dura e concreta praxis de séculos de execuções da Igreja, aplicadas a hereges e dissidentes? Ou também aqui houve lugar para o tal “melhoramento”? Terá a Igreja subitamente descoberto que as execuções que ministrava prejudicavam a saúde dos condenados?

João Garcez

7. No que toca a documentos da Igreja, repara no que diz o cardeal Schönborn, precisamente o director da comissão que produziu o Catecismo actual: a versão original continha ainda a expressão “o castigo é legítimo”, a propósito da pena de morte, coisa que “mantém a posição clássica da teologia moral católica”. Este cardeal faz ainda pergunta crucial: para quando uma “verdadeira exclusão moral da pena de morte”, por parte da ICAR? É que a iniquidade central do princípio por detrás da pena de morte ainda não foi frontalmente denunciada pela Igreja. E Ratzinger, ao relativizar este pecado, não veio ajudar nada.
8. Acusas-me, com notável sobranceria, de desconhecer o “magistério” da ICAR. Sendo assim, peço-te uma só coisa: lê estas declarações de um Arcebispo do Texas, onde ele nos relata como foi derrotado em votação um projecto de protesto dos bispos americanos contra a pena de morte e afirma: “I am thoroughly convinced that people who commit heinous crimes, such as brutal murder, and other crimes against society, should be made to pay with their most precious possession, their life. Only in this way can the punishment be made to fit crime.” Como vês, a voz da Igreja talvez não seja tão pura e una como a imaginas. E o panorama real da Igreja actuante em locais onde a pena de morte é uma realidade do dia-a-dia, não uma abstracção teórica, talvez não viva na torre de marfim dos catecismos e das encíclicas!
9. Como é lógico, sem um esforço terrível de relativismo não consigo começar sequer a imaginar como é que tirei uma “conclusão diametralmente oposta à verdadeira”. Ratzinger disse o que disse, da forma que disse. E foi só a isso que me referi.

João Garcez

Afixado por afixe às 02:14 | Afixadelas (10)

Fungágá da bicharada

ele
Xico
ela
Mia
eles
Xico e Mia


Aqui para nós, que eles não nos estão a ouvir, alguém vê algum tipo de problema nesta amizade? É que ambos me garantem que é sincera e sem qualquer tipo de interesse obscuro ou segunda intenção!

Afixado por Rogério C. Pereira às 00:47 | Afixadelas (7)

abril 29, 2005

Maurice Ravel (1875-1937)

Interrompo esta minha mania de falar sobre temas religiosos, porque já se está a tornar maçador, para falar sobre algo de (aparentemente) diferente: música.

Não há razão nenhuma em especial por detrás deste post: sucede que ouvi ontem na rádio um dos meus concertos preferidos, e isso fez-me lembrar uma necessidade que eu tenho há varios anos. Ouvir, pelo menos uma vez por mês, os dois Concertos para Piano e Orquestra de Maurice Ravel.

Ouço-os porque preciso deles. Sei que parece tolice, mas para mim é inevitável regressar sempre a eles. Não sei explicar o que é. Se não conhecem, só posso recomendar uma coisa: tratem de ouvi-los quanto antes.

Primeiro, vem o Concerto n.º 1.
Três andamentos. O primeiro e o último são acelerados, sempre a arrepiar caminho. São provas de virtuosismo. Um mundo alucinado de sons surpreendentemente coerentes, misturados num ritmo frenético. Magnífico, o uso de dois tacos de madeira num único momento, mesmo no final do terceiro andamento. É quase sempre motivo de riso, quando se vê ao vivo o percussionista a preparar os tacos... E, de repente, no momento exacto, no único momento em que aquilo faz mesmo falta, lá se ouve: "clac!".
Isto de escrever sobre música é uma treta. Não consigo passar nem um terço do entusiasmo.
Quem já ouviu estas peças, sabe do que estou a falar.
Mas o melhor é o segundo andamento. Um conselho: colocar o CD a tocar. Essencial o silêncio absoluto, sobretudo para ouvir o segundo andamento. Depois, beber todas as notas (não vale esquecer aquelas que se ouvem lá ao fundo), todas mesmo. Garanto que é algo de inesquecível.

Depois, temos o Concerto n.º 2, "para a mão esquerda".
Esta merece uma explicação...
O pianista austríaco Paul Wittgenstein, irmão de Ludwig, tinha perdido um braço na Primeira Grande Guerra.
E dirigira-se a Ravel para lhe pedir uma obra que se pudesse tocar APENAS com a mão esquerda.
Parece impossível, mas eu desafio quem nunca ouviu este Concerto a ouvi-lo com atenção e tentar visualizar a mão. É tudo tocado só com a mão esquerda! Sem avisar, não se dá por nada.
Este é um Concerto atípico a vários níveis: tem apenas um único andamento. Contudo, é notório o uso de crescendos, muito ao estilo do seu Bolero. Estes crescendos são em volume, evidentemente, mas também encontramos neste Concerto o uso intensivo do ostinato, a repetição persistente de um mesmo padrão rítmico.
A certa altura, é alucinante escutar tudo aquilo. Um carrossel de sons, cada vez mais cativante e magnético. Se vocês vissem as figuras dementes que eu faço no trânsito quando ouço a cassete no rádio do carro...
Mas isto só mesmo ouvindo!
Ah, o blogue é mesmo uma treta, no que toca a falar sobre música...

Afixado por Bernardo Motta às 20:08 | Afixadelas (2)

Puruborá I

Pronto, respondendo ao desafio do Monty, cá estou eu a dar a minha contribuição ao M.S.U.L.
Mas desde já devo dizer que fico ofendida com a insinuação que sou uma calinas e não respondi ao desafio (esta é para o Monty) ou de que a minha missão era mais fácil porque tinha um casal inteiro para me ensinar, e não apenas um índio bebedolas (esta é para a Isabel)!
E nem penses que me adoças, Monty, com essa de que me salvaste dos boches! Poso não compreender o que os boches dizem, mas não me dão tanto trabalho como os tipos de Puroburá!
Até porque a culpa foi toda tua, quando quiseste que eu os observasse durante o coito e visse que tipos de expressões de anunciação orgásmica utilizam.
Só te esqueceste de me dizer que o tal casalinho de Puroborá tinha um problema mais grave do que o facto de falarem uma língua em vias de extinção. Os orgasmos por aqueles lados estavam extintos há muito tempo (se é que alguma vez existiram).
Depois de me tentar armar em Júlio Machado Vaz, com bastante dificuldade e sem resultados que se vissem, visto que ainda não dominava o Puroborá, decidi tentar uma outra táctica, inspirada naquele programa que dava na SIC há uns tempos atrás, que tinha aquela menina apresentadora que estava sempre cheia de soninho, mesmo a ir deitar-se e até apresentava o programa na caminha em camisa de dormir. Debalde! Depois de longos minutos a contorcer-me em trajes menores, a arrastar as vogais e a suspirar arrebatados “Hummms!” e “haaaaaas”, o casalinho continuava sem perceber a mensagem. Diria mesmo que estavam ainda mais confusos quanto aos meus objectivos científicos.
Depois tive uma ideia brilhante, que salvou a visita de estudo!
Saquei do laptop, liguei-me à internet (sim, existe internet em Puroborá, e segundo percebi depois, essa era uma das razões para o déficit orgásmico do casal) e fui directa ao blog do nosso colega Sharkinho! Depois de uma leitura atenta dos arquivos, vi que começavam a ficar entusiasmados, e quando chegaram à Posta 69, foi um delírio!!! Obrigada, Shark, por esta importante contribuição para a causa da ciência!
Não vou dar mais pormenores acerca da minha investigação, mas posso desde já dizer que os resultados foram excelentes!!
E passo a partilhar convosco.
Os puroborianos começam o coito com manifestações moderadas de índole sonoro muito parecidas com as das línguas não em vias de extinção. Mais ou menos na onda do “hummm” “haaa”, com diferentes graus de entoação e emoção.
Conforme cresce o entusiasmo, a coisa torna-se mais característica do Puroboriano, com vários “zstroflduuuuuu”, “embtionodbjdaaaaaaaaa”, “groflllliiiaannuyhb”, abundantes sons guturais do tipo “ouummmpf” “eãããããoonnnnn”, guinchos :“iiiiiiiiihiiiiiiiiiiihhhhhhhhh”, e mesmo algo que parece uma interjeição entre uma expressão de júbilo e um uivo: “uuaaaaauuuuuuuu”. Foi aqui que consegui retirar uma das mais interessantes conclusões do meu estudo, que o Puroborá se aproxima muito do Máku. Penso que este aspecto merecerá, certamente, estudos mais aprofundados.
Não posso deixar de referir que a certa altura estes sons foram interrompidos por vários sons abafados, como “mmmmfffff” e “uuummmmmpppf”. Mas tendo em conta a particular actividade a que o casal se dedicava na altura, estou em crer que não se tratava de verdadeiras manifestações da língua Puroboriana.
Para o fim, a coisa ficou verdadeiramente interessante, com uma variedade de sons certamente muito característicos do Puroborá mas que, se calhar por isso mesmo, infelizmente, não consigo repetir.
Mas o estudo não está acabado. Nas próximas semanas procurarei dedicar-me a reconstituições detalhadas da experiência observada, na tentativa de conseguir reproduzir os sons que agora me escapam, por certo por falta de prática nestes lidas do M.S.U.L.
Assim que tiver mais resultados, comunicá-los-ei à Direcção (a propósito, também posso pagar as despesas das experiências com o cartão de crédito da Isabel?)
Rastuloiieeeiin zimmnanieenttt thjuuullloi, em português, bom fim-de-semana a todos!


Afixado por M. Butterfly às 18:53 | Afixadelas (7)

Ratzinger concorda com a pena capital?

O João Garcez, cuja escrita já disse muitas vezes que apreciava, fez recentemente um post sobre relativismo, no qual ele atacava a Igreja Católica desse mal. Entre muitas outras coisas, que eu comentei no devido lugar, surgiu uma afirmação do João que me pareceu especialmente importante, e que eu considero estar fundamentalmente errada.
É o que tentarei demonstrar.

Escreveu o João:

«E que dizer do relativismo de que Bento XI dá provas, ao aceitar a pena de morte, porque aplicada a um "culpado", enquanto recusa, em qualquer circunstância, o aborto, uma vez que este destrói "inocentes"?»

Eu disse que iria demonstrar, mas bastaria citar a Encíclica Evangelium Vitae, do Papa João Paulo II, datada de 25 de Março de 1995.

55. Não há de que se maravilhar! Matar o ser humano, no qual está presente a imagem de Deus, é pecado de particular gravidade. Só Deus é dono da vida! No entanto, frente aos múltiplos casos, frequentemente dramáticos, que a vida individual e social apresenta, a reflexão dos crentes procurou sempre alcançar um conhecimento mais completo e profundo daquilo que o mandamento de Deus proíbe e prescreve. Com efeito, há situações onde os valores propostos pela Lei de Deus parecem formar um verdadeiro paradoxo. É o caso, por exemplo, da legítima defesa, onde o direito de proteger a própria vida e o dever de não lesar a alheia se revelam, na prática, dificilmente conciliáveis. Sem dúvida que o valor intrínseco da vida e o dever de dedicar um amor a si mesmo não menor que aos outros, fundam um verdadeiro direito à própria defesa. O próprio preceito que manda amar os outros, enunciado no Antigo Testamento e confirmado por Jesus, supõe o amor a si mesmo como termo de comparação: « Amarás o teu próximo como a ti mesmo » (Mc 12, 31). Portanto, ninguém poderia renunciar ao direito de se defender por carência de amor à vida ou a si mesmo, mas apenas em virtude de um amor heróico que, na linha do espírito das bem-aventuranças evangélicas (cf. Mt 5, 38- 48), aprofunde o amor a si mesmo, transfigurando-o naquela oblação radical cujo exemplo mais sublime é o próprio Senhor Jesus.

Por outro lado, « a legítima defesa pode ser, não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outrem, do bem comum da família ou da sociedade ». Acontece, infelizmente, que a necessidade de colocar o agressor em condições de não molestar implique, às vezes, a sua eliminação. Nesta hipótese, o desfecho mortal há-de ser atribuído ao próprio agressor que a tal se expôs com a sua acção, inclusive no caso em que ele não fosse moralmente responsável por falta do uso da razão.

56. Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se regista, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem « como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta ». A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objectivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir.

Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo. Mas, hoje, graças à organização cada vez mais adequada da instituição penal, esses casos são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes.

Em todo o caso, permanece válido o princípio indicado pelo novo Catecismo da Igreja Católica: « na medida em que outros processos, que não a pena de morte e as operações militares, bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a paz pública, tais processos não sangrentos devem preferir-se, por serem proporcionados e mais conformes com o fim em vista e a dignidade humana ».

Como vemos, o ponto de vista da Igreja é sintetizável nalguns pontos bem claros:

1. A vida humana é inviolável.
2. Com base em 1., a auto-defesa ou a defesa de pessoas sob a nossa protecção é legítima, e mais que isso, é um dever moral
3. Com base em 1. e 2., poder-se-ia em casos muito extremos, considerar a eliminação física do indivíduo perigoso como forma de auto-defesa ou de defesa daqueles a nosso cuidado
4. Com os meios penais e judiciais ao nosso dispor hoje em dia, é perfeitamente possível, mesmo que tal acarrete encargos financeiros e logísticos, eliminar o perigo social que uma pessoa representa sem ter que a eliminar fisicamente.

Que fique bem claro que a Igreja Católica apenas aceita a pena capital quando não existir mais nenhuma forma de proteger a sociedade de um indivíduo perigoso. Todos sabemos que hoje em dia temos prisões. Tenho grande dificuldade em conceber uma situação em que não existisse forma de deter ou isolar um indivíduo perigoso sem ter que o matar. Mas, se calhar, essas situações existem. Só quando se torna num imperativo de auto-defesa ou de defesa dos outros, in extremis, sem qualquer outra alternativa, é que seria legítimo aplicar a alguém a pena capital. E seria, REPITO, no estrito critério da auto-defesa ou da defesa da vida de outrém.

A Igreja, obviamente, recomenda vivamente que se usem dos meios actuais para manter a segurança das pessoas sem que seja preciso a eliminação física de uma pessoa perigosa, recorrendo à pena capital.
Daqui a dizer que a Igreja defende a pena capital vai um grande salto.
Estas palavras explicam na totalidade o contexto no qual devem ser lidas as palavras de Ratzinger sobre esta matéria, que estão totalmente de acordo com o magistério da Igreja. O que não podia deixar de ser, visto que todos sabemos o papel fundamental de Ratzinger nesta área nas últimas décadas.

Mais uma vez, cabe-me advertir para o perigo, que deveria ser evidente, de afirmações descontextualizadas, e que muitas vezes podem ser passíveis de serem interpretadas em sentido totalmente oposto ao desejado por aqueles que as fizeram.
É deste modo que nascem equívocos destes, onde parece que a Igreja Católica apoiaria a pena capital.
O que mais me incomoda é constatar que, de entre aqueles que criticam a Igreja Católica nos tempos que correm, sejam cada vez menos aqueles que recorrem às fontes, e que, antes de comentar, tentam estudar o assunto para lhe dar o devido contexto.
Como poderia eu, por exemplo, comentar aqui uma frase retirada do Mein Kampf sem falar do contexto nazi a ele associado?
Do mesmo modo, e aqui te interpelo, João, como podes tu fazer comentários tão graves sobre palavras de Joseph Ratzinger, sem as confrontares com o magistério da Igreja? Com as encíclicas, com o catecismo, e com as fontes? Com a história da Igreja?
Se o fizesses, seria certo que conseguirias evitar tirar a conclusão diametralmente oposta à verdadeira.

Afixado por Bernardo Motta às 17:21 | Afixadelas (26)

Kuruaya II

Consegui entrar em contacto por video conferência, com um dos Kuruayos. Eis a mensagem que ele enviou:

Monty.jpg do céu.jpg
Monty do céu.
(a imagem do céu é maior porque é dada preponderância á adjectivação, relativamente ao nome)

água abaixo.jpg
Isto vai tudo por água abaixo

(abanou freneticamente a cabeça em negação) bolsa.jpg
sem a bolsa.

Tinha um recado para o Monty(é que eles são uns grandes visionários):

trevas.jpg
Depois de uma jornada difícil

sporting.jpg
o Sporting
aluz2.jpg
Vai chegar à luz na hora da verdade.

Afixado por Susana às 15:53 | Afixadelas (26)

O coletinho salvador

Como todos sabemos há, em Portugal, problemas de trânsito de difícil solução. O parque automóvel tem que se lhe diga, as estradas não estão lá em muito bom estado, e sobretudo os nossos condutores não primam pelo civismo nem pela obediências às regras que foram obrigados a conhecer.
Quem circula por aí, tem todos os dias histórias para contar de
situações inacreditáveis sobretudo pelo risco que se corre, muitas vezes verdadeiro risco de vida.
Agora, veio aí, um novo Código da Estrada. Com outras regras e rigoroso para quem as não cumpra, na esperança de conseguir disciplinar esta multidão de kamikases que por aí circulam. Mas o interessante, é que os nossos condutores se fixaram num pormenor como se cumprindo esse preceito não necessitassem de se ralar com absolutamente mais nada: a posse de um colete reflector. É remédio milagroso decerto.

Aparece por tudo o que é sítio, supermercados, lojas de chineses, vendedores de alcofa na rua, somos completamente inundados por os famosos coletes nas suas versões laranja ou amarelo. E depois de obedientemente o ter comprado, o nosso automobilista veste-o ao seu banco, para ficar bem à vista. Passou a ser mais um adorno do carro, equiparado ao penduricalho no espelho retrovisor ou ao boneco de peluche junto à janela de trás.
Vivam os coletes.
Daqui em diante acabaram os acidentes – pois se já todos temos um colete para andar na estrada!

Afixado por Emiéle às 14:36 | Afixadelas (8)

Barnabé, Barnabé, Barnabé, é-tão-bonito-ai-é...

O Barnabé (sem link porque não queremos que o Barnabé (sem link porque não queremos que o Barnabé (sem link porque não queremos que o Barnabé (já perceberam a ideia, né) pense que os estamos a querer ajudar neste momento de descida no ranking-menina-dos-olhos-do-Rui-Tavares) pense que os estamos a querer ajudar neste momento de descida no ranking-menina-dos-olhos-do-Rui-Tavares) pense que os estamos a querer ajudar neste momento de descida no ranking-menina-dos-olhos-do-Rui-Tavares) é, com toda a certeza dos blogues mais interessantes da blogosfera dos bairros onde os respectivos editores o editam.

Blogue mais animado e interessante só mesmo o Abrupto dos Ares Puros e dos Early Morning Blogs. A título de exemplo, e para que vejam que falo sério, note-se como cada vez mais os bloggers excelentíssimos, editores daquele que um dia já foi o segundo ou terceiro blogue português mais lido, se desdobram em interessantes e originais formas de pastar, perdão, postar, em trabalho de reconhecido mérito que não é qualquer miúdo de 1ª classe que consegue fazer:

bdo.jpg

Neste primeiro caso, atente-se na forma como o Daniel vai buscar a notícia ao Diário Digital, na forma como a linka, no título que lhe dá: "VICAIMA". Como quem diz "VICAIMA". Não é para qualquer um. E depois, o corpo do post: "Activistas da Greenpeace absolvidos." UAU! Não posso dizer mais nada que não seja: UAU, Daniel. Isto sim é novidade! Isto sim é blogosfera!

brt.jpg

Quanto ao Rui Tavares (deixa lá o Tavares, ele é tão boa pessoa - deixa o Tavares, deixa, deslarga-deslarga-deslarga!), note-se a destreza, ai-quem-me-dera-ai-quem-me-dera-ai-quem-me-dera, com que ele aconselha uma leitura. E qual o título que escolhe? "LEITURA". Mas não é uma leitura qualquer, trata-se, nada mais, nada menos do Columbia Journalism Review. Ah pois é, que aquela malta não brinca em serviço, eles até lêem o Columbia Journalism Review, tipo, epá, nem queiras saber, estive hoje a ler o Columbia Journalism Review e ´tou pasmado. Então não é que o estudo da Lancet, qual?, aquele que dava 100 mil mortos em resultado da invasão do Iraque, foi ignorado nos EUA. Tipo, ninguém lhe passou cartão! Da Lancet, meu, da Lancet! Nem em Columbia lhe passaram cartão.

Amigos Barnabentos, para quando um Ar Puro? Para quando um Early Morning Blog? Em suma, traçado o caminho necessário à consolidação como melhor-blog-revista-da-imprensa-diária, para quando o descanso merecido? De resto, convenhamos, da teta desta vaca, já mamaram tudo o que havia a mamar!

Afixado por Rogério C. Pereira às 12:25 | Afixadelas (21)

Truih U Namd

indio2.jpg


Frtyem ardsfu gu portmnd aom!
Potmlac bncvs aquetroi ...asdcz, vertdfs d acb moirbvx.O lbaxesd.
Vnxeras u tropksdr.Coca Cola itr ardvz u aplef?
Pntbz ardcs vnea Control rda nmacs?
Vmavyt eio almabs mnba iyr anvx d acb u Jack Daniels u truyi oi UAUU!!!

P'ra si também!

Afixado por Isabel às 10:20 | Afixadelas (15)

Reformas

Afinal quando começamos a fazer comparações com outras terras e outras gentes as coisas não são como nos fazem crer.
Apesar do conhecido aumento de esperança de vida, em Portugal ainda se goza menos tempo de reforma do que noutros países europeus. «Os portugueses apenas são ultrapassados nas reformas mais curtas pelos polacos, letões, estónios e irlandeses, enquanto as portuguesas só encontram pior comparação com as irlandesas».
Pelo estudo aqui referido, os homens portugueses nem chegam a gozar 15 anos de situação de reforma, tendo descontado quase quarenta para esse benefício.
Que o problema existe, devido à baixa de natalidade e até desemprego, é facto conhecido. Mas nestas coisas de comparações nunca ficamos favorecidos…

Afixado por Emiéle às 07:22 | Afixadelas (5)

Mas... "Direitos Humanos"?

Já tinha falado no assunto. A Comissão dos Direitos Humanos da ONU terá de ser revista sob pena de se tornar uma coisa caricata. Porque é evidente que há certos países que não a poderão integrar. Imagine-se que a partir do início do ano que vem A China, Zimbabué e Marrocos passam a integrar essa comissão.
Não, não estou a “brincar com coisas sérias”, isto é mesmo uma proposta.
Zimbabué?
China?
Vão decidir sobre Direitos Humanos…?

Afixado por Emiéle às 07:02 | Afixadelas (11)

Ainda a história de Giuliana Sgrena

A história foi sempre mal contada e cada vez se nota mais.
"O Pentágono não pode admitir a responsabilidade dos soldados americanos, porque isso poderia desmoralizar as tropas do Iraque."
Isto diz um antigo responsável da CIA.
A frase fala por si.
E a verdade é que Berlusconi, que inicialmente parecia querer aceitar a explicação americana agora, possivelmente pressionado pela opinião pública italiana, já exige algo de mais credível do que tem sido dito e até afirma "jamais daremos o nosso acordo a conclusões que não nos convençam" o que parece um passo notável.
Esta é uma história a ser seguida.

Afixado por Emiéle às 06:48 | Afixadelas (2)

Estamos em Abril

E para este menino o tanque disparava...flores.

menino.bmp

Afixado por Emiéle às 06:19 | Afixadelas (5)

abril 28, 2005

Kuruaya

Patrão, patrão, eu sei que é quase meia noite, mas o dia foi duro e ainda fui a uma pequena festa ao fim do dia. Só soube da missão Kuruaya há pouco tempo e lancei-me logo ao trabalho. Consegui encontrar um tradutor na net e quando expliquei o que pretendia, responderam-me em Kuruaya:

msul8.jpg

Isto significa "Ó Monte" (és tu)
Agora ainda vou ter que decifrar o resto.
Mas se calhar vou ter que me deslocar ao local e precisava de saber como é com as despesas de representação (a viagem já paguei com o número do cartão de crédito da Isabel).

Afixado por Susana às 23:48 | Afixadelas (5)

Do mal o menos

Num jogo em que o Peseiro quase conseguiu o que queria - e em face das opções que tomou, não acredito que quisesse ganhar (deixar o Moutinho e o Viana no banco é auto-explanatório), valeram o pulmão do Douala, os reflexos do Ricardo e o fantástico golo do Pinilla (ai se aquela última bola tem entrado). De resto, uma exibição paupérrima de uma equipa desinspirada contra um autocarro vermelho colocado à frente de uma baliza. Este o resumo possível de um jogo em que se safou o resultado. Obviamente, e pese embora o traiçoeiro resultado, não me passa pela cabeça não ganhar na Holanda a uma colectividade de bairro chamada AZ Alkmaar. Para tal, pede-se um bocadinho de empenho e mais dois ou três golos de Pinilla.

Afixado por Rogério C. Pereira às 22:06 | Afixadelas (6)

Mete o Moutinho, ó cromo!!!

moutinho1.jpg

Afixado por Rogério C. Pereira às 21:12 | Afixadelas (6)

M.S.U.L. - Movimento Salve Uma Língua

Segundo esta notícia, “cerca de 40% dos idiomas falados hoje no mundo desaparecerão entre os próximos 50 e 100 anos, alertou um painel de linguistas durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência”. Ora, como a notícia já tem mais de um ano, o mais certo é que, de então para cá, já tenham desaparecido pelo menos seis línguas e quatro dialectos. Temos que nos pôr no terreno!

O que eu proponho é simples. Tem aqui início o M.S.U.L. - Movimento Salve Uma Língua.

A Língua Máku, por exemplo, é apenas falada por um índio brasileiro de 70 anos. Isabel, fala com o senhor e, por favor, até ao final do ano não te quero ouvir falar ou escrever outra coisa que não seja Máku, ok?

A língua Kuruaya, é falada por apenas meia dúzia de índios brasileiros. Está mal encaminhada, como é óbvio. Emiéle, peço-te que te dediques mais um bocadinho e que amanhã já possamos contar com os teus primeiros posts em Kuruaya.

Susaninha: grande parte da linguagem Kuruaya recorre aos daguerreótipos usados pelos índios, que assim comunicam entre si. Se quiserem dizer, por exemplo, Mercedes SLK, os índios não dizem Mercedes SLK, não senhora! Apontam para um burro com o indicador direito e abanam a cabeça em sinal de negação enquanto mostram uma foto antiga de um Mercedes SLK. Tás a ver, né? Ajuda a Emiéle no que ela necessitar e conto com a tua primeira foto Kuruaya ainda hoje, ok?

Já a língua Xypaia, também com origem no Brasil, é falada por apenas duas senhoras idosas. Sharkinho e João Pedro façam o obséquio de interromper essas mariquices a que se dedicam, zarpem imediatamente para o Pará e tentem engravidar as senhoras por forma a que o dialecto se preserve.

Da preservação da língua Arikapu, falada por apenas seis homens ficam encarregues o Bernardo e o Gibel a quem já marquei uma entrevista com o xamã. Não vale a pena tentarem engravidar ninguém. Aliás, insisto que não o façam. Aprendam a língua, fundem uma sociedade secreta e preservem-me essa porra. Ficam já nomeados o Grão Mestre e Vice-Grão Mestre da Arikapu.

M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., M., achas que não ia arranjar forma de te sacar aos boches? Amiga, vai já para Puruborá e fala com o casalinho que ainda comunica em Puruborá. É muito importante que os observes durante o coito e vejas a que tipos de expressões de anunciação orgásmica recorrem. Quero-te aqui a gemer em Puruborá “first thing in the morning”.

Os restantes, por favor, não se sintam postos de parte, continuo à procura de línguas para vocês salvarem. O M.S.U.L. não parará! MêSULe! MêSULe! MêSULe! MêSULe!

Afixado por Rogério C. Pereira às 17:10 | Afixadelas (21)

Violação

Tinha recebido há uns tempos a imagem através de um FW mas apenas a imagem e sem explicação. Resultado, não entendi nada e não liguei importância.
Hoje reenviaram-me as duas imagens com a mensagem que elucida: Trata-se de um anúncio premiado com o Leão de Prata no Festival de Cannes 2003, e Prata no CLIO Awards 2004, o que significa alguma coisa.
É um anúncio interactivo. Ao folhear uma revista o leitor encontra uma página onde parte das folhas está colada só deixando ver duas pernas e um lençol. Para se conseguir ver bem é necessário forçar as páginas para as abrir. Quando se puxa, a cola vai cedendo e a página abre com a mensagem:
"If you have to force, it's rape"
(Se precisa de fazer força, é violação).
Parece-me excelente, e muito clara como mensagem.
Fica aqui, para se pensar

force.jpg

Afixado por Emiéle às 15:43 | Afixadelas (3)

Em busca do caneco

uefa cup
Sporting2.jpg

Afixado por Rogério C. Pereira às 15:23 | Afixadelas (13)

História de faz de conta...

E se de repente achasse que estava demasiado gordo e lhe aconselhassem a colocação de uma banda gástrica? Tudo feito num hospital do interior! Uma cena inovadora, com direito a assistência, a televisão e, pasme-se, com bisturi de raio laser! Tipo guerra das estrelas. Imagine-se que tem um bisturi de raios laser na mão e quer apontar para ali. Ou para acolá! Não dá, não é? Que aquela merda fura! Fura o pulmão! Mas porque raio o abrem até esse ponto se a cena é para o estômago? Fura o esófago! Fura o que se puser à frente. Afinal, é só um raio laser, não pensa. Para isso está lá o cirurgião. Bem, ainda numa de imaginação, porque cenas destas é impossível acontecerem, imagine-se agora que a cena corre mesmo mal e a pessoa vai de urgência para Lisboa, não antes, claro, de ser vítima de mais uma ou duas operações de remedeio. Em Lisboa, onde fica cerca de dois meses é submetida a todo o género de operações e nunca recupera os sentidos. Coma induzido, ao que parece. Um dia, e não se esqueçam que isto é mera ficção ou "só visto" - que contado ninguém acredita, aparece um médico com um papel na mão a pedir autorização para uma traqueotomia. Que estranho seria, não? Já a retalharam toda sem passarem cartão a ninguém, e agora, para uma cena aparentemente simples, querem uma autorização da família? Que “está consciente de se tratar de uma operação de risco”? Uma traqueotomia? Um buraco na garganta para colocar tubos? Algo de muito estranho se passaria. A traqueotomia teria sido anteontem e a morte teria ocorrido ontem. E aqui estaria eu a ter que dar os meus pêsames à família. E a prometer-lhes que algum porco haveria de inchar!

Afixado por Rogério C. Pereira às 11:54 | Afixadelas (11)

TEORIA DO RELATIVISMO GERAL

Os nossos liberais descobriram as belezas filosóficas dos dogmas católicos. Vai daí, desataram a entoar, dia após dia, infindáveis hosanas à aparente rigidez mental de Bento XVI, opondo as "verdades eternas", de que este será porta-voz, às malfeitorias desbragadas de uns tais "relativistas". Este perigoso bando inclui, se bem percebi a coisa, toda a gente que ouse, por exemplo, duvidar que as sociedades monoteístas são mais tolerantes que as outras (claro está que os malandros que andam por aí armados em terroristas são todos hindus ou xintoístas...).
Tão embevecidos estão eles com este novo mantra que nem reparam na sua estridente dissonância: haverá entidade mais relativista que a Igreja Católica? As mulheres não servem para padres; mas são santas criaturas. A pedofilia é um crime abjecto, mas não convém denunciá-la. Cristo morreu por todos nós (Rom. 8:32), mas, afinal, só através da "nossa" Igreja se pode chegar à Salvação. As criancinhas merecem toda a protecção, mas até é bem possível que Deus as condene ao Limbo, se morrerem antes de baptizadas. A vida é sagrada, a não ser quando falamos da pena de morte ou de guerras "justas". E por aí adiante, ad nauseam.
Haverá organização – com a possível excepção desta – mais absolutamente convencida da sua própria razão e do erro dos "outros"? Não convém esquecer que o absolutismo também pode ser visto como o doppelganger ignaro e provinciano do relativismo: só o meu ponto de vista tem valor, todos os restantes são erros. Mas, para os nossos supostos liberais, é tudo ao contrário: quem se atreve a duvidar de tão calcificadas certezas é que incorre em grave erro.

João Garcez

Os Blasfemos vão ainda mais longe, quando decretam, à laia de apoio óbvio às teses de Raztinger, que "a verdade é por definição eterna. Se não é eterna não é verdade". Além da longa espera a que tal princípio condena quem quiser testar uma premissa, eles esquecem, por exemplo, que nem sempre a Igreja condenou o aborto nos termos em que o faz hoje. Não temos de recuar até aos dias bíblicos; não precisamos de recordar que S. Agostinho, na sua enorme sageza, declarou que uma alma não pode viver num corpo ainda não formado; basta-nos ver que só no fim do século XIX é que a Igreja Católica deixou de reconhecer a distinção entre fetus animatus e fetus inanimatus, tendo a lei canónica assimilado esta mudança apenas em 1917. Vê-se assim que até a fonte oficial das tais "verdades eternas" tem andado um bocado ao sabor dos ventos, em tão crucial matéria...
E que dizer do relativismo de que Bento XI dá provas, ao aceitar a pena de morte, porque aplicada a um "culpado", enquanto recusa, em qualquer circunstância, o aborto, uma vez que este destrói "inocentes"?
Poderiam explicar ao santo homem que mesmo os EUA, com todas as suas garantias legais, já executaram dezenas de inocentes. Poderiam tentar dizer-lhe que, tal como um feto anencefálico não é um ser humano (e ninguém levaria semelhante gravidez ao termo natural), também um feto só o pode ser quando o seu sistema nervoso central começa a funcionar (podem ler uma análise simplificada deste processo aqui e outra mais técnica aqui).
Mas não ia adiantar. Quem se sabe na posse das tais "verdades eternas" não sente qualquer necessidade de ponderar outros argumentos. É assim que o relativismo se metamorfoseia em absolutismo. Com o "ámen" de muita gente que supostamente defende a liberdade humana.

João Garcez

Afixado por afixe às 11:45 | Afixadelas (36)

Cavalos II

puro sangue.jpg

Segundo um post da Émièle, o Lidl está a vender artigos de equitação. Antes que passe dos artigos à venda de cavalos (creio que de equitadores é capaz de não ser fácil) e já que os preços dos sumos, do arroz e dos guardanapos prometem uma boa compra, aqui vão algumas notas sobre cavalos.

O cavalo é filho do cavalo e da égua.Se fôr filho dum cavalo e duma burra já não se chama cavalo e não é para aqui chamado. Há cavalos de muitas raças ou marcas.
São animais muito bonitos e úteis. Dantes puxavam as carruagens e as carroças e ajudavam nas lides do campo. Agora servem para montar (ser montados) e para fazer corridas e apostas na Inglaterra. Também servem para ir à Feira da Golegã.
Os filhos pequeninos dos cavalos e das éguas chamam-se poldros ou poldrinhos, se forem, mesmo, muito bébézinhos.
Os cavalos mais valiosos são os puros sangue, que são cavalos cujos pais decidiram não ir (ou não os deixaram ir) molhar o bico em seara alheia.
Há os puros sangue árabes, lusitanos, andaluzes, ingleses, etc. Distinguem-se uns dos outros pela cores, pelo porte, pelo tamanho e pelas aptidões – uns são melhores para o ensino, outros para as corridas, outros, ainda, para a GNR.
Mas são todos muito giros e muito nossos amigos.
Para além destes cavalos, há o cavalo marinho, o Cavalo, signo chinês e os cavalos dos motores dos automóveis. Também há “Os cavalos também se abatem” e a expressão: “És um autêntico cavalo”, que pode ser um elogio ou altamente depreciativa conforme onde e por quem é dita.
Há uns primos dos cavalos que se chamam burros, que são também muito engraçados e estão em vias de extinção (os de quatro patas).
Os cavalos têm atributos físicos unanimememnte reconhecidos e apreciados, que habitualmente exibem sem parcimónia sempre que se aproxima a esposa, a namorada, a amante, a prima, uma amiga ou qualquer outro exemplar do sexo oposto.
Devido a este e outros atributos há cavalos que são vendidos por autênticas fortunas, o que aguça a minha expectativa de que o Lidl opte por investir em equídeos.

Afixado por Isabel às 10:52 | Afixadelas (18)

Efeméride

A Guerra do Vietnam acabou, faz hoje 30 anos.
É só para recordar…
Pouco antes tinha havido a Guerra da Coreia.
Quantas mais depois disso?

Afixado por Emiéle às 07:48 | Afixadelas (4)

O Ensino e os horários

Quer o DN quer o JN lhe dão honras de primeira página. E a medida parece de facto impor-se embora já se preveja um cortejo de dificuldades.
A ideia é simplesmente aumentar o tempo em que um aluno está na escola de modo a melhorar a sua aprendizagem. São dois pressupostos, à partida quase incontestáveis: as crianças estão pouco tempo na escola, visto que as aulas num horário simples acabam pelas 3 da tarde, e estudos insuspeitos referem que há mau aproveitamento.
Cruzando estes dois pontos, o governo pensa que se justifica existir um acompanhamento generalizado nas escolas do ensino básico.
Acredito que a medida vai levantar polémica. E sobretudo por as condições serem tão diferentes nas diversas escolas distribuídas por este país. Sabe-se que há escolas mais para o interior com pouquíssimos alunos e onde naturalmente que existe o horário único ( esse que termina às 3 da tarde ) e outras, sobretudo nas zonas periféricas das grandes cidades, onde o horário é duplo ou triplo para aproveitar instalações e aí não se consegue ver onde é que se vai processar a “continuação do ensino”. Com a agravante de ser nesse tipo de escola que os resultados são piores e os jovens mais desmotivados.
A verdade é que a Educação está ainda demasiado centralizada. Agora que se começa de novo a falar em regionalização, seria bom ver como se poderá descentralizar alguns serviços e delegar poderes nalgumas Direcções Regionais. Porque há assimetrias tão grandes no Ensino que cada caso terá de ser estudado integrado no seu enquadramento.
É natural que surjam críticas dizendo que “isso já se faz”, que há muitas escolas com acompanhamento, que os ATL são exactamente nessa linha. Eu não sei se é assim. Pelo que entendo não é um acompanhamento do tipo “confirmar-que-os-meninos-fazem-os-trabalhos-de-casa” que se pretende; é mesmo uma ajuda real é uma verdadeira explicação e um apoio, e isso faz-se muito pouco.
Mas se queremos que a nossa terra saia do 27º lugar entre 41 países, segundo o "Programme for International Student Assessmental" alguma coisa tem de ser feita e depressa!

Afixado por Emiéle às 07:08 | Afixadelas (9)

Estamos em Abril

Com mãos se construia o futuro

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Afixado por Emiéle às 06:19 | Afixadelas (2)

abril 27, 2005

"Os meus discos" de Abril

santarem2.jpg

Para terminar esta série e, porque o mês de Abril, está a chegar ao fim, guardei o último agradecimento para o amigo que me deu a conhecer, ainda de mala às costas e de batinha aos quadradinhos, todos aqueles a quem, aqui, disse Obrigado.

Na livraria que tinha em Santarém, ouvi os primeiros discos do Adriano e do Zeca, li o primeiro livro do Alves Redol e do Garcia Marquez e, a seguir ao 25 de Abril, devorei os “Clássicos”.

Uma livraria única naquele tempo, numa cidadezinha como Santarém. Com espaço para nos sentarmos, tempo para ouvirmos música e lermos e disponibilidade para nos levar à descoberta.
Ali dentro continuávamos adolescentes (ou, ainda, nem isso) mas descobríamos o prazer de acreditar em mundos novos.
Na Livraria Apolo, para além do que li e ouvi, das amizades que criei, tive o primeiro namorado. Nunca me esquecerei que foi ao som da música do Zeca que, para além de sonhar, me apaixonei. Com aquela paixão única. A primeira. Até por isso, nunca o esquecerei, amigo. Esteja onde estiver agora, obrigado pelo tempo, pala amizade, por o que me (nos) ensinou, pela palavra certa no momento de desalento, de euforia, de paixão, de medo, de dúvida (era e é assim a adolescência, não era?).Obrigado, sobretudo, pelo exemplo.

Afixado por Isabel às 22:02 | Afixadelas (6)

Cavalos

Ele há coisas que nos fazem pensar.
Hoje passei pelo Lidl.
Costumo ir lá com frequência. Acho que não precisa de apresentações - trata-se de uma cadeia de supermercados de origem alemã ao que julgo, com produtos bastante baratos. A qualidade é boa sobretudo nos queijos, alguns enlatados, iogurtes, mas porque é barato não tem lá muita variedade e muito pouca apresentação. Vale muito a pena lá ir, mas não é uma loja lá muito requintada.
É fácil imaginar que o seu público alvo seja uma fatia da classe média/baixa.
Ora o que me fez pasmar é que os artigos, promoção da semana, eram destinados à equitação! Exactamente. Calças de montar, pingalins, arreios, esporas, chapéus, eu nem sei reconstituir tudo. Só me parecia ter caído dentro de um romance surrealista.
Sabendo o preço de um cavalo, a equitação não é exactamente o desporto favorito de uma família de residência suburbana que se abastece regularmente no Lidl…
Qual era a ideia? Também não era decerto para campinos que aquele estendal ali estava. O absurdo de ver na zona de Xabregas, entre o esparguete e as latas de feijão, aquele mostruário de requintados produtos para equitação deixou-me de queixo caído.
Será que isto se vai inserir numa campanha de melhoria de trânsito? Se os passes sociais vão aumentar sugere-se que passemos a andar a cavalo, que a ração é mais barata que a gasolina e com o estrume podemos adubar um canteiro de batatas?
É um mistério.
Desculpem a ignorância, mas isto passou-se noutros Lidls, ou foi só aqui no meu?

Afixado por Emiéle às 17:07 | Afixadelas (26)

Puta de branca!

Não me sai nada de jeito (clarividência súbita ou incapacidade momentânea?). Já tentei escrever sobre o Afixe e a blogosfera, sobre a comunicação social e a justiça, sobre a Mia e sobre o Xico. Não sai nada apresentável. Raios partam, que é coisa grave e dura. Pura e simplesmente não consigo relacionar-me com este meu amor consolidado. Acabou a paixão? Se um post fosse uma queca, mutatis mutandis, seria como se não estivesse a conseguir atingir o orgasmo. Longe vai o tempo em que eram três e quatro por dia (posts), agora, e pelas minhas contas, fora as mortes santas, em um mês só por uma vez lá cheguei (aos posts). Será que tenho que mudar de blogue, será que tenho que começar a escrever posts a pensar nas Ruínas Circulares? Será que tenho de arranjar uma amante (blogue) para dar valor ao que tenho em casa (blogue)?

Afixado por Rogério C. Pereira às 16:59 | Afixadelas (53)

O MENTIROSO COMPULSIVO

Paulo Portas, na fracassada cerimónia de passagem de testemunho a Telmo Correia, confessou que a fuga de Durão Barroso para Bruxelas equivaleu a uma sentença de morte para o governo de direita. Nem mais: "o contrato de confiança entre o povo e a maioria caducou nesse dia".
"Hoje podemos dizê-lo", revelou candidamente o paulinho das feiras. De forma implícita, fica claro que "antes" ele não poderia dizer nada de parecido. Na altura dos acontecimentos, mesmo estando já ciente da verdade que hoje admite, andou aos pulos face às câmaras de TV, dedinho acusador sempre em riste, guinchando acusações gravíssimas a Jorge Sampaio: que não havia razões de monta para antecipar eleições, que tal só se compreenderia por aquiescência a pressões da banca.
Sim; foi mesmo isto que ele então afirmou: "dissolver um Parlamento requer fundamentos expressos, objectivados e compreensíveis". Achava ele que a dissolução parlamentar aconteceu "no preciso momento em que o país ganhava estabilidade", tendo claramente decorrido da "pressão de uma parte do sector financeiro dirigida e destinada a conseguir que permaneça um sistema fiscal injusto".
"Hoje podemos dizê-lo". Antes, a mentira era necessária, mesmo que tal passasse por atirar lama ao Presidente. Depois, queixem-se da fraca conta em que os eleitores têm políticos deste calibre. Não que ele se importe com semelhantes minudências. Paulo Portas, com o mesmo sentimento de impunidade absoluta que já o levou a persistir nos passeios de Jaguar em pleno escândalo Moderna/Amostra, vai voltar. Quando a penosa travessia pelo deserto do seu partido estiver com fim à vista, quando a saudade do poder e dos concursos públicos fechados à pressa apertar, ele estará aí de novo. Podem apostar.

João Garcez

Afixado por afixe às 12:55 | Afixadelas (7)

O peso da fama

monitor.jpg

- Boa noite, minha Senhora.
- Boa noite.
- A sra é deputada, não é?
- Deputada, eu?...não.
- Deixe-me cá vê-la bem - aproximou-se - Ah, se a menina - (que sorte...) - não é deputada é conhecida, já a vi na televisão muitas vezes (cum caraças, até ele...já não basta chegar à empresa e ter toda a gente a dizer que enquanto os “dirigentes” falam e todos ouvem eu não largo o copo da cerveja...e convencê-los que era água no copo da cerveja...) - Então é actriz...
- Actriz, eu?
- A menina não me engane, eu conheço-a e é uma pessoa famosa...Deixe-me dar-lhe um beijo que eu nunca dei um beijo a uma pessoa da televisão.
(Diálogo ontem à noite, entre esta vossa aphixadora e o arrumador da zona, algures em S.Bento).

Só pode ser...confundiu o écran.
O que faz um blog!!!???

Afixado por Isabel às 10:22 | Afixadelas (19)

Et c'est parti!!!

O Airbus A380 acaba de descolar no seu primeiro voo de ensaio! Acabo de o ver na televisão, em directo de Toulouse!
É lindo! É enorme! Voa!

É o maior avião comercial jamais feito, com capacidade máxima para 800 (oitocentos!!!!) passageiros. A configuração normal vai ser de cerca de 500, no entanto.
Vai obrigar os aeroportos a procederem a algumas alterações: é tão grande que as zonas de táxi vão te de ser alargadas (no entanto, as pistas não vão ter de ser aumentadas, porque descola no mesmo espaço que um avião comercial médio. É extraordinário!), tão pesado que as pistas vão ter de ser reforçadas para prevenir a erosão, e como tem dois andares, é preicso construir mangueiras com dois níveis.
A Singapure Airlines é o primeiro cliente, e a primeira rota vai ser Singapura - Londres. E a companhia vai usá-lo com uma configuração de luxo, com zona de bar, lounge, quartos com camas full-size, tudo o que possam imaginar. Vi imagens de projecçõs do interior - é espectacular!
A partir de meados de 2006 já o vamos ver passar!

Afixado por M. Butterfly às 10:10 | Afixadelas (6)

E você, como se sente hoje?

Bolas que o título da notícia dá-nos um murro forte!
«Um em cada três portugueses sofre de distúrbios mentais»
Já viram?
É o raio das estatística!
Para além do modo como se fala em sofrer de distúrbio mental sem esclarecer de que é que se fala. Porque lido assim sem mais, já viram que numa família de 3 pessoas uma não anda bem… Ou pai ou a mãe ou o filho…?
Ai, ai, ai, ai, ai….
Mas se olharmos com calma, a principal incidência é nos distúrbios de ansiedade. Lá bom não é, mas também não é assim tão grave.
E tenhamos ânimo que Portugal só ocupa o 12º lugar numa lista de 28 países. Estamos quase a meio, o que quer dizer que há muito, mas muito pior do que nós!

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Afixado por Emiéle às 07:55 | Afixadelas (12)

Líbano e Síria

Os prazos foram cumpridos. Era até ao fim do mês que as forças militares sírias deviam deixar o Líbano.
Está feito.
E entretanto o director-geral da Segurança libanesa, o general Sayyed, que diziam responsável pela morte do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, demitiu-se.
Serão sinais de pacificação naquela zona?
Pelo menos parecem bons sinais.

Afixado por Emiéle às 07:27 | Afixadelas (2)

A Venezuela e o Petróleo

Parece que o presidente da Venezuela decidiu acabar com o acordo militar com os Estados Unidos. Queixou-se de que estes estariam «à frente de uma campanha contra si». Isso parece indiscutível, porque é referido por muita imprensa norte-americana o apoio claro a forças e instituições inimigas deste presidente. E ‘quem meus inimigos protege contra mim está’ parece-me. Ora, a hostilidade de que os EU se queixam da parte de Chavez é afinal o afastamento de instrutores americanos das bases na Venezuela. Temos de concordar que não é coisa assim tão grave…
Imagina-se o contrário? Instrutores, seja de que nacionalidade for, em bases militares norte-americanas?
O problema da Venezuela mais complicado é afinal o seu petróleo.
O dia em que se descobrir uma energia alternativa facilmente comercializavel é muito natural que várias guerras já declaradas ou em embrião, deixem de ter razão de ser.
Isto sem eu deixar de pensar que Chavez é um demagogo. Mas qual a alterernativa?

Afixado por Emiéle às 07:02 | Afixadelas (4)

Estamos em Abril

A cara mais famosa e límpida do 25 de Abril

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Afixado por Emiéle às 06:19 | Afixadelas (4)

abril 26, 2005

As diferenças

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Um estudo divulgado pelo Instituto da Inteligência, hoje divulgado, conclui:

Os rapazes são melhores a Matemática, a Filosofia e a ver gráficos e mapas.
Acho que esta história, dos mapas, já é antiga que eu lembro-me de quando era novinha e tinha a mania que era leninista (só durou 2 meses, mas aconteceu) ter apanhado uma desilusão enorme com o Camarada Lenine, por ter visto uma reportagem na televisão em que ele dizia que os homens e as mulheres eram iguais, excepto na leitutra de horários dos combóios. Creio que foi o passo decisivo para sair do MRPP e terminou, aí, uma carreira promissora que me poderia ter levado a Primeiro Ministro de Portugal e, quiçá, a Presidente da Comissão Europeia..

As mulheres são melhores a ver no escuro, têm mais habilidades verbais e maior capacidade de concentração.
Aqui é a prática que me ensina a concordar com o estudo.
Nunca vi um homem a fazer tricot nem ponto cruz; deduzo que habilidade verbal é começar os discursos ou as simples intervençõezitas de 2 minutos, recorrendo a uma frase apuradíssima como “Então é assim...” e todas as nódoas negras que tenho nos joelhos e mais as dores de cotovelo esporádicas, por andar sempre a bater nos móveis e nas cadeiras são feitas em plena luz do dia ou da EDP.

Claro que me chateia aquela dos menos 10% de tamanho. Mas também temos um reportório emocional mais amplo. Que, presumo, seja uma coisa boa.

Para além de todos os outros dados, o Estudo acentua que os homens são mais faladores que as mulheres. O que deita por terra muita teoria e me agrada especialmente, porque, até hoje, ainda nunca consegui convencer nenhum disso.

Afixado por Isabel às 15:38 | Afixadelas (19)

O LIBERALISMO OLHA PARA O 25 DE ABRIL

Incomoda-me encontrar num blogue que até costumo ler com admiração (pela inteligência que por lá habitualmente se espraia) uma baboseira deste calibre. Incomoda-me ainda mais descobrir que uma tal alucinação encontra dezenas de ecos entusiasmados em comentadores que não hesitam em declarar o seu apoio arroubado ao disparate. Pensava eu que a direita liberal do Blasfémias sabia pensar; descubro agora que tem lapsos de acefalia, por sinal aplaudidos com "bravos!" pelos adeptos mais apoucados.
A coisa em apreço é uma lista das malfeitorias cuja responsabilidade podemos atirar para cima das costas largas de um tal "o 25 de Abril". Vão ler, que é uma boa cura para quem lobriga perspicácia nas teses mais liberais que andam a vogar pela nossa blogosfera. A Revolução dos cravos é ali analisada não como um momento de ruptura com um regime anterior mas sim como um regime em si, por sinal nascido ex-nihilo: de nenhum passado negro parece ter emergido e a nada de bom parece ter dado futuro. Ora vamos lá por partes analisar o manifesto revisionista do Blasfemo Rui A.:

João Garcez

"O liberalismo assenta na livre empresa", e o 25 de Abril é culpado de uma vaga de nacionalizações. Imagina-se que os liberais vivessem muito mais felizes na economia rigorosamente vigiada pré-25 de Abril; com monopólios acautelados, planificação implacável, etc. Por outro lado, não deixa de ser curioso que um dos seus governos preferidos em toda a História, o de Pinochet – inspirado e dirigido pelos Chicago Boys - tivesse tratado de nacionalizar, a partir de 83, inúmeros bancos e indústrias, tendo aliás sempre mantido no bolso estatal o lucrativo monopólio do cobre chileno...
"O liberalismo defende a propriedade privada, o 25 de Abril quis acabar com ela." É de um simplismo pré-escolar que dispensa críticas delongadas. Nacionalizar meios de produção estratégicos poderá ter sido algo disparatado; mas nunca foi sinal de uma vontade de liquidar, tout court, o direito à propriedade. Quando escreveu isto, Rui A. devia ter em mente a Coreia do Norte.
"O liberalismo assenta no respeito da propriedade agrária", o 25 de Abril ousou encetar uma reforma agrária. Esta variação do ponto anterior deve aqui ter sido metida apenas para engordar o rol, mas não deixa de ser tocante o respeito que o autor parece dedicar ao mercado cerealífero do Estado Novo, esse modelo de liberalismo.
"O liberalismo é pelo Estado de Direito, o 25 de Abril prendeu sem culpa formada." Pensava eu que mesmo hoje em dia muitas pessoas são detidas sem culpa formada, até antes de entregues a tribunais; mas deve ser só impressão minha. Aliás, por certo que a situação anterior era um paraíso de justiça e lisura de processos.
"O liberalismo é pluralista, o 25 de Abril proibíu (sic) partidos." Alguém se recorda de um partido proibido no dia ou na semana da Revolução? Que, por exemplo, o PDC tenha sido ilegalizado, o que demonstra? Não seria mais correcto escrever que o 25 de Abril aumentou de forma exponencial o pluralismo que por aqui se vivia? Ou será que o autor encontrava mais diversidade ideológica no panorama partidário do Estado Novo e mais pluralismo na ANP?
"O liberalismo é pela liberdade de expressão incondicionada" e o 25 de Abril controlou órgãos de comunicação e até quis (ó blasfémia!) "roubar" a Rádio Renascença. Pois. Está-se mesmo a ver que a situação anterior era bastante "liberal"... Não passará pela cabeça deste senhor que, pese embora todos os excessos, a liberdade de expressão surgiu em Portugal precisamente nesse dia tão sinistro, depois de 48 anos de silêncio?
"O liberalismo defende a escolha democrática dos titulares dos órgãos de soberania, o 25 de Abril tentou «adiar» as eleições constituintes." O 25 de Abril tentou adiar as eleições? Mas que eleições teríamos tido sem a Revolução? Mais um daqueles exercícios bastante democráticos que por cá eram de quando em vez levados à cena com guião pré-determinado, é claro. Coisa "liberal", portanto.
"O liberalismo exige que o Estado seja responsável e o 25 de Abril debandou irresponsavelmente das antigas colónias". Rui A. tenta aqui, de uma penada, esclarecer o que a História ainda não tornou inteligível: debandámos, ou fomos corridos? Cada colónia não terá sido um caso específico? Enfim, para os simplismos liberais, tudo é óbvio e redutível a um soundbite de efeito certo...
"O liberalismo fundamenta-se na legitimidade do poder democrático das instituições, o 25 de Abril impôs-nos o MFA e o Conselho da Revolução." Abrenúncio! O MFA foi "imposto" pelo 25 de Abril, ou impôs a Revolução a um regime de nula legitimidade democrática? E países onde vigore a monarquia estão condenados ao desprezo destes liberais de pacotilha?
"O liberalismo é contra a polícia política, o 25 de Abril criou o COPCON." Ninguém nega que esta estrutura militar foi culpada de actos aberrantes. Agora reduzir os efeitos da Revolução neste campo ao COPCON é esquecer, de propósito, a PIDE, as torturas, os campos, etc. E é insultar a nossa inteligência.

A tese global é clara: o 25 de Abril foi "uma revolução que instituíu (sic) um regime não democrático", não uma revolução que acabou com uma ditadura absoluta que há 48 anos esmagava qualquer veleidade democrática no nosso país. Que os meses subsequentes tenham sido de grande turbulência é, para este blasfemo, o que importa reter do 25 de Abril, não o facto de as liberdades económicas, culturais, políticas, de expressão e até de mercado terem todas renascido nesse dia tão malquisto.
A ilação óbvia? "Não nos parece que a liberdade comemore hoje trinta e um anos de idade. Ela fará trinta anos no próximo dia 25 de Novembro". Estranho: como seria possível o 25 de Novembro sem a Revolução dos cravos? E as tais eleições que o 25 de Abril teria procurado "adiar" não tiveram lugar ainda antes do 25 de Novembro? Mas disto não dá testemunho o atarantado autor... Para ele, foi graças a "Mário Soares, Emídio Guerreiro, Magalhães Mota, Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Jaime Neves, Ramalho Eanes, entre muitos outros, que a democracia se impôs em Portugal". Relegado para o triste limbo dos "muitos outros" fica precisamente Melo Antunes, o verdadeiro mentor do 25 de Novembro. Esta chocante falta de gratidão não é, porém, fruto da ignorância histórica confrangedora que atravessa todo o post; é utilitária. Reconhecer o papel de Melo Antunes significaria deixar entrar complexidade na análise, ao dar um papel no bendito 25 de Novembro a um dos autores do abominado 25 de Abril. E complexidade não é coisa que agrade a quem escreve asneiras destas.

João Garcez

PS: Eduardo Lourenço escreveu "poucas vezes se terá visto um movimento militar triunfante, tão desamparado, tão complexado, diante da sua própria audácia, ou simplesmente tão democrático". Quem quiser descobrir algumas pistas sobre estes dias de brasa, sobre este período complexo da nossa História recente, tem muito para onde se virar. Não vale é fazer de conta que o 25 de Abril foi uma realidade homogénea e fácil de descrever em meia dúzia de penadas. Nem vale fazer de conta que o PPD e o CDS foram mesmo a vanguarda na luta contra os desvios extremistas da época. Esse papel coube sim ao PS.

Afixado por afixe às 13:32 | Afixadelas (11)

AVENIDA DA LIBERDADE III

Ontem, fui consumir um prego pré-desfile a uma cervejaria da Avenida pouco dada a feriados comemorativos. De súbito, talvez levada pelo espírito solidário do dia, a velhinha da mesa ao lado desatou a alimentar a pombaria da zona com pedaços de croissant. Em segundos, o ar encheu-se de penas soltas, bicos vorazes, passarada esfaimada sem consideração pela serenidade das refeições alheias.
A páginas tantas, dois dos bicharocos pegaram-se num combate terrível: ele era bicadas, golpes de asa, sei lá. Tudo por um bocado de comida.
Comentário da velhinha: "Párem lá com isso. Vocês não sabem que são símbolos da Paz?"

João Garcez

Afixado por afixe às 10:49 | Afixadelas (7)

No Afeganistão

No Afeganistão, uma mulher governador.
Já temos visto como estas coisas acontecem.
No meio do maior radicalismo aparecem as excepções. Dêem uma olhadela ao que pode existir em pleno Afeganistão quando o governador é uma mulher…

Afixado por Emiéle às 07:49 | Afixadelas (4)

Que se passa em Timor?

Dizer que a Igreja rompe com Governo de Díli soa um pouco estranho. A exigência de uns bispos para que se mude um governo parece no mínimo exagerado. Que não gostem de algumas atitudes ou decisões é completamente legítimo. Que as critiquem, estão no seu pleno direito, e parece-nos até justíssimo. Agora, mandarem um governo eleito demitir-se? Afinal vivia-se numa teocracia sem se dar conta?
Não entendo nada.
Em causa estaria ao decisão de tornar facultativo o ensino da religião. Mas se realmente 96% da população é católica, como parece ser o caso, que mal tem que os 4 % que o não são não sejam obrigados a estudar uma religião que não é a sua? Os restantes 96% continuariam sempre a optar por esse estudo…
Ou é a igreja que decide formar governo?
Qualquer coisa anda muito mal explicada.

Afixado por Emiéle às 06:36 | Afixadelas (6)

Continuamos em Abril

Quando os artistas se manifestam:
A gravurade Bartolomeu Cid, que também ficou muito conhecida pelos conhecedores.

bartolomeu_cid.gif

Afixado por Emiéle às 02:32 | Afixadelas (7)

abril 25, 2005

Rossio, 25 de Abril 2005:

flor cansada, mas ainda fecunda e persistente.


cravo.2.jpg


Afixado por Susana às 23:59 | Afixadelas (6)

AVENIDA DA LIBERDADE II

Mais uma vez, comecei o dia jurando que não ia à manifestação. E mais uma vez acabei o dia garantindo a mim mesmo que para o ano não ponho lá os pés.
Então, foi assim: antecedendo a cabeça da manif, como se impõe, galopavam os "seguranças". A mim, tocou-me dar de caras com um troglodita de bigode estilo piaçaba e cartão ao peito, que berrava “vamos: tudo para o passeio, já!”, enquanto ia desenhando urgentes movimentos de braço com que empurrava os mais lentos. Quando me mantive imóvel à sua frente e lhe disse “olhe que isto são pessoas, não é gado”, mirou-me furibundo, incrédulo por alguém desafiar a sua tão óbvia autoridade de Camarada-de-Cartão-ao-Peito. Se fosse um polícia, teria sacado logo do cacete. A excelente e dúctil matéria-prima de que se faziam os torcionários da PIDE, não duvido.
Atrás dos debilóides gesticulantes da organização, vinha o inefável e crucial “Quadrado”. Para quem nunca viu um dos programas do David Attenborough sobre movimentações de massas organizadas pelo PCP, eu explico: é um polígono móvel, delimitado por um pano, onde apenas entram as Personalidades Importantes. Dentro de cada organização que participa em marchas assim, há lutas intestinas de morte para decidir na véspera quem são os eleitos que terão lugar nesta espécie de “Sala VIP” da manif.
À frente do majestoso Quadrado seguia a Comissão Política do PC em peso, temperada por alguns militares, figuras do PS e o inevitável casal Bárbara-Carrilho, sorrindo para o mundo como estrelas de Hollywood em digressão pela parvónia: entediados mas deslumbrantes malgré tout.
Avenida abaixo, lá se estendeu a procissão do costume. Macambúzios jotinhas, sindicatos mal dispostos, altifalantes barulhentos às resmas, coloridas organizações gay, divertidos okupas do ATTAC e tribos similares, festivos imigrantes. Enfim: tudo normal. Só que tudo em menor escala e mais triste que no ano passado.
Por fim, desaguou o desfile no Rossio. Era chegada a parte política da função. Começou o falatório com uma senhora que berrou em nome da “Comissão Organizadora do 25 de Abril de 2005”, talvez os responsáveis por o calendário não ter passado directamente do dia 24 para o 26. Ela desfiou um rosário de apresentações: ilustre a ilustre, foram enumeradas todas as personalidades que tinham descido a Avenida no nirvana ambulante do Quadrado. Gente de uma tal “Intervenção Democrática”, das “Organizações de Juventude”, de “Movimentos Unitários” de Mulheres, Reformados, Deficientes, Jogadores de Chinquilho e o diabo a sete. Curioso foi que apenas o representante do Bloco de Esquerda não teve direito a ouvir o seu nome citado pela esganiçada de serviço ao altifalante…
Estava dado o tiro de partida para a maratona de discursos. A abrir, uma criatura que gastou à vontade meia hora a debitar lugares-comuns sobre os males do mundo: a globalização, o governo de Durão Barroso, o desrespeito pelos “direitos dos trabalhadores”, uma sinistra “pendente inclinada” da qual urge arrancar Portugal, etc. Enfim: um deprimente bestiário das piores figuras de estilo do agit prop em versão grunha.
Nesta altura, já só os fiéis prestavam atenção aos urradores. O povo deambulava em busca de ginjinhas, Big Macs e lugarzitos sentados. Eu, por sorte e denodo revolucionário, acabei por alcançar estas três magnas conquistas de Abril. Mas, mesmo assim, para o ano não me apanham noutra. Garanto-vos. A sério.

João Garcez

Afixado por afixe às 23:56 | Afixadelas (4)

Avenida da Liberdade

carrilho.jpg

O que se mantém?
A disponibilidade de muitos que lá vão. Alguns rostos que se tornaram conhecidos ao longo dos anos, sem que nunca nos tenhamos falado. A memória. A festa que, ainda, teima em se querer fazer. Alguns, poucos é verdade, jovens que teimam em não a deixar morrer.

O que vi de novo?
Muitos imigrantes. Sobretudo jovens que quiseram, com a homenagem ao nosso 25 de Abril, relembrar os dias em que, nos seus países, o sonho saiu à rua. Ou sonhar com o dia, em que, nos seus países, o sonho saia à rua.

O que se agrava, ano após ano?
O aproveitamento partidário. A procura insana e obscena com que se escolhem os lugares que saem nas televisões. Este ano o PS e o PCP decidiram brigar pelos lugares da frente, para lá colocarem os seus candidatos à Câmara de Lisboa.

O que me faz lá voltar?
Os rostos que me habituei a ver. O cheiro que não quero perder. A memória. Os amigos (cada vez menos, eu sei) que lá vou reencontrando.

O que me faz achar que estou no lugar certo?
O facto de nenhuma das pessoas que comigo percorrem estes momentos de caminho terem lutado para aparecer na televisão. Nem brigado pelos lugares da frente no desfile. Mesmo, também, tendo eleições à porta.

O que me faz escrever este post, apesar da promessa feita a mim própria que não o faria?
Só terem passado 31 anos. Querer reencontrar a festa.

Afixado por Isabel às 22:09 | Afixadelas (8)

Até amanhã

Hoje não vai ser dia para estar sentada em frente de um monitor.
O dia de hoje é para ser vivido lá fora, na rua.
E é o que eu vou fazer!
Portanto, por mais estima que tenha aqui pelo nosso Afixe ( e ontem ouvi coisas tão simpáticas, de pessoas que passam por aqui sem deixar rasto mas afinal também nos lêem…) a verdade é que “o programa segue dentro de momentos” que é como quem diz…
amanhã!

Afixado por Emiéle às 11:15 | Afixadelas (6)

Encontro de bloggers

Grande encontro!
Já li as impressões da Catarina , e do Zé Mário, estou à espera do nosso
Charquinho
que não é homem para ficar calado, e possivelmente
do Ruinoso
apesar de esse, ser mesmo imprevisível.
Quanto à Mar ou à Blogotinha parece-me que já começaram a contar mas ainda prometem muito mais!
Enfim, leitura à vista que hoje não vou ter tempo…
Mas é engraçado a blogosfera vista por dentro.

Afixado por Emiéle às 10:58 | Afixadelas (4)

Só para recordar…

Todos sabemos que nos dias de hoje quando há eleições quase se tem de pedir aos eleitores para irem votar, por favor, é interessante lembrar que há 30 anos os portugueses foram votar com uma participação de 91,7 %.
Imagina-se hoje o que são valores de 8 % de abstenção?
Mudam-se os tempos.
Mudam-se os eleitores.
Mas ninguém diga que aquela assembleia não foi representativa.

Afixado por Emiéle às 10:42 | Afixadelas (2)

O mundo

Cêdo constatei que o que mais me interessa na vida são as pessoas.
Posiciono-me essencialmente como observadora e cruzo-me diariamente com dezenas de indivíduos que em mim suscitam sempre alguma curiosidade.
E conheço-os geralmente um pouco mais do que seria de esperar em cada circunstância. Porque gosto de conhecer pessoas. Gosto desse processo.

Extraio desta experiência alguns amigos. Dispersos. Penso em alguns dos meus amigos;

Um é de longa data. Convivemos regularmente durante alguns anos e a seguir a geografia separou-nos. Desde então ficamos anos sem nos vermos, comunicamos esporadicamente, mas quando isso acontece percebemos como a nossa amizade é intemporal. Um dia, depois de estarmos uns dois anos sem notícias, telefonou-me. "Estou aqui à espera que o meu carro fique pronto e resolvi telefonar-te." Assim, entre dois países, conversámos e rimos, como se nos tivessemos visto na véspera.

Outro, celebra este ano os seus oitenta anos. Amizade curiosa, nascida de empatias várias e de um amor genuíno. Já me disse que deve ser difícil para mim uma amizade assim com um velho e eu anuí, com um nó na garganta, a pensar que o mais difícil é a noção de como esta amizade está condicionada pelo tempo de cada idade, a priori.

Uma das minhas amigas é muito próxima, nas preocupações, profissão e preferências; mas não tem filhos.
Outras duas partilham comigo a experiência da maternidade, vivências comuns, como férias em conjunto, mas os nossos interesses, em geral, não coincidem.

Todas as pessoas têm alguma característica que me espicaça e com a qual eu posso aprender.
Em todas as relações, para mim, o mais estimulante é conhecer o outro em profundidade, adivinhando-o intuitivamente, observando o pensamento e comportamentos, as nuances da fisionomia, as discrepâncias entre as palavras e os gestos.

Vejo os meus filhos como entes autónomos e autênticos, no sentido em que a individualidade se expressa com maior vigor do que a hereditariedade ou as minhas projecções.
Vou conhecendo os meus pais a par e passo, aumentando a revelação na medida em que a progressão da idade vai obrigando a deixar o testemunho.
Às minhas irmãs, conheço-as em constante transformação, como elas também me verão, com afinidades e amores profundos e mantendo algumas reservas, na diferenciação de vidas autónomas.
Olho os meus amigos como pessoas que conheço (sempre) mal, mas que vale a pena (sempre) conhecer melhor. Mas, ao mesmo tempo, é como se os conhecesse desde sempre.

A noite passada dormiu cá em casa um amigo do meu filho.
Quando procurava uma escova de dentes extra e finalmente a descobri, disse-me "sabe, Susana? Acho que a língua deveria ter uma cena que se passasse pelos dentes e removesse automaticamente a placa bacteriana".

As pessoas são mesmo giras.

Afixado por Susana às 01:29 | Afixadelas (3)

"Os meus discos" de Abril

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José Afonso

Tive o privilégio de lá ter estado. Nunca irei esquecer esta imagem. Não me lembro do Zeca a quem a voz já faltava, como se ouve no CD, então, gravado. Lembro-me da força. Do brilho de utopia e de esperança no olhar. Posteriormente, ao ver o filme do Concerto pela 1ª vez, creio que algumas lágrimas teimosas teimaram em cair. No Coliseu, não. Não havia lágrimas que chegassem para tanta emoção. Para quem lá esteve não foi uma despedida. Foi um reencontro. Como é hoje, cada vez que o ouvimos.

Obrigado,Zeca! Até já!

Afixado por Isabel às 00:50 | Afixadelas (3)

Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas....

Numa manhã cinzenta, enquanto, a caminho do colégio, o som das canções do Zeca, do Sérgio, do Adriano nos acordavam do pesadelo, enchendo-nos de sonhos e de alegria, ouviamos pela primeira vez esta música. Ouvi-la-iamos centenas de vezes ao longo dos tempos que se seguiram. Sabe-me bem recordá-la, aqui.


25 a.jpg

Afixado por Isabel às 00:40 | Afixadelas (13)

E TU,

onde é que estavas no 25 de Abril?

Afixado por Susana às 00:31 | Afixadelas (8)

Vôos

aviao.jpg

papoila3.jpg

junto ao céu e rente á terra.

Afixado por Susana às 00:16 | Afixadelas (3)

É ABRIL

FOI ASSIM:

dia 25.jpg

Afixado por Emiéle às 00:14 | Afixadelas (3)

Tem um bom dia, amiga!

Rosas1.jpg

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro.Ámen.

Natália Correia, Sonetos Românticos, 1990

Afixado por Isabel às 00:02 | Afixadelas (15)

abril 24, 2005

Sem título...

...sem texto!

liberdade2.jpg

Afixado por Isabel às 22:48 | Afixadelas (2)

Não fui eu

lua a.JPG

Estão a ver a data? E a hora? É a prova que não estive no Congresso a consolar o meu Nuninho, que, agora, coitadinho já não quer brincar mais com este mauzão que veio de Estrasburgo.Claro que ele vai querer brincar outra vez, que o Nuninho é danado p'rá brincadeira, mas agora tá chateado.Pronto.
A prova, também, que não tive nada a ver com o empate do Sporting.
À hora em que ocorriam acontecimentes tão marcantes para o futuro de País (a propósito de País, alguém me sabe dizer onde posso encontrar o Gov...desculpem lá, o cartaz oficial do 25 de Abril de 2005, para oferecer à Émièle, para a colecção dela?), eu estava a tirar fotografias à Lua. Não tive culpa nenhuma.Juro, sem figas.


Afixado por Isabel às 18:16 | Afixadelas (8)

PRÓTESES

Numa noite em que se deixou adormecer no sofá da sala, ele acorda para ouvir apenas a respiração breve da sua mãe, esgueirando-se por portas e corredores, chegando aos seus ouvidos como um débil testemunho de que tudo está bem. Ainda. Bem.
Três ou quatro da manhã. Hora de atender às vulgares mas prementes exigências do corpo. Ele evita fazer chiar a porta. Empurra com cuidado o interruptor, como que para propiciar uma chegada mais lenta e mitigada da luz.
Mal abre a porta da minúscula casa-de-banho, ele sabe que, ao longo de anos futuros, vai sonhar muitas vezes com aquela imagem. Não que tenha deparado de chofre com um qualquer adereço de pesadelos. Nada disso; afinal, que pode ter de terrível a visão de algo tão banal quanto uma peruca?
Mas o objecto, só em aparência inerte, brilha a seus olhos como o contorno de uma presença invisível, indício demasiado óbvio de um corpo ausente e infeliz. Ele adivinha-se a olhar para o negativo de um rosto, de uma anatomia: desprovidas daquela moldura bem penteada, como sobrevivem as feições da sua mãe? A partir de hoje, ser-lhe-á ainda possível fingir ignorar os danos dos químicos, das radiações, da doença cujo nome ele não deve nunca pronunciar?
A peruca é agora a única parte daquela fisiomia tão familiar que teima em contrariar todas as evidências médicas, mantendo-se sedosa e bela. E está ali, miseravelmente exposta em toda a sua triste elegância, pendurada de uma lata de laca, a aflorar nódoas no armário de fórmica. Dói-lhe não conseguir evitar este pensamento. E recusa-se a encarar o seguinte: no dia em que se despedir da sua mãe para sempre, deixará que a maldita cabeleira a acompanhe, para se manter incorrupta muito depois de tudo o mais ter sido tragado pelos elementos?
Ele desliga a luz e foge. Assustado, assombrado pelo fantasma de alguém que ainda vive. Ainda.

João Garcez

Afixado por afixe às 17:35 | Afixadelas (3)

Liberdade

Porque hoje me apetece, deixo aqui ficar um poema que me marcou na adolescência:

Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupître et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom

Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom

Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom.

(Paul Éluard
1895 -1952)

Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom.

Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom

Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom

Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom

Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom

Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom

Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom

Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunies
J'écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux
Du miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom

Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom

Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom

Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom

Sur l'absence sans désirs
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom

Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenirs
J'écris ton nom

Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer

Liberté

Afixado por Emiéle às 17:01 | Afixadelas (5)

Sossego!

São duas imagens que muito raramente coincidem: Lisboa e sossego. Pois muito bem, em vésperas de um importante feriado, os lisboetas devem ter decidido dar a si mesmos um presente e deixaram a cidade numa calma invulgar.
Vim escrever isto depois de ter confirmado que desde há cerca de uma hora na minha rua só ouvi passar um carro!!!
E, quando saí de manhã, não se via ninguém na rua, o supermercado não tinha fila, ouvia-se um cão a ladrar muito ao longe. ( neste exacto momento estou a ouvir passar outro carro)
Pois é. Gostamos muito da nossa cidade, mas na primeira oportunidade pomo-nos a andar. Isto só visto!
Bom, sorte para quem resistiu à fuga e se ficou por esta pacatez.
Shiiu…

Afixado por Emiéle às 13:18 | Afixadelas (11)

Desilusão

Não entendo.
As notícias que tenho são apenas as que vou lendo e ouvindo. Admito já que esteja muito mal informada e que com melhores esclarecimentos venha a entender estas tomadas de posição.
Mas, de momento, o que me salta aos olhos é que uma autarquia que foi perdida há 4 anos por uma margem muito pequena e teria agora uma ocasião de ouro para reconquistar uma boa posição está a atirar ao ar essa possibilidade.
Acredito que nesta Câmara, nas próximas autárquicas, a soma dos votos dos 3 partidos de esquerda mais votados conseguissem um resultado tranquilizador.
E não se imagine que, mesmo com essa unidade, a luta não viesse a ser muito grande. É sabido existir nestes casos um certo movimento de inércia que dura pelo menos 2 mandatos. Quem conquista uma Câmara quase sempre duplica o tempo de poder. E, com Santana de fora, para muita gente a imagem de Carmona Rodrigues é conciliadora e simpática. Nunca seriam “favas contadas” neste caso. Mas isto, no cenário de uma coligação PS+PC+Bloco. Agora, com cada um a puxar dos seus galões e entrando em guerras partidárias, começo a augurar outros 4 anos de “mais do mesmo”. Até me custa acreditar.
Espero não ter razão.

Afixado por Emiéle às 09:43 | Afixadelas (2)

Estamos em Abril

A mais famosa fotografia.
O mais famoso cartaz do 25 de Abril.
O cartaz que ultrapassou fronteiras.

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Afixado por Emiéle às 08:03 | Afixadelas (2)

abril 23, 2005

Dia Mundial do Livro

Hoje é o dia do Livro. E temos uma boa noticia para comemorar, segundo parece.
A APEL lançou um inquérito que nos informa que afinal os portugueses estão a ler cada vez mais
E esta ?
«A maioria dos portugueses (29%) lê em média entre três a cinco livros por ano, mas apenas 6,1% afirma ler anualmente mais de 20 obras.» Aqui a minha matemática começa a balançar porque 29 por cento não me parece uma maioria, mas enfim espera-se pelo relatório completo que se deve poder ler no início da Feira do Livro de Lisboa em 25 de Maio.
BOM DIA DO LIVRO!!

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Afixado por Emiéle às 14:40 | Afixadelas (7)

Ensopado de borrego

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Hoje não vou cá estar Só volto amanhã ao fim da tarde tenho que ir comer ensopado de borrego beber um tinto da Alorna e comer arroz doce possivelmente e como já vem sendo hábito volto com dois quilos a mais e com um ou dois chouriços e uma farinheira para o cozido às vezes também trago limões mas desta vez acho que não vou trazer a última vez que trouxe limões dei meia dúzia aos vizinhos de cima não voltei a ver a vizinha ontem encontrei-a Olá vizinha nunca mais a vi desde os limões Pois não eu e o Zeca separámo-nos no dia a seguir Por causa dos limões? Não por causa da coleguinha do escritório mas péra lá os limões Olhe vizinha tenho muita pena mas tenho que ir ao Pingo Doce não fiquei totalmente convencida que os limões do quintal não tenham efeitos secundários tá bem que a outra vizinha tem 78 anos e vive sozinha mas não vá o Diabo tecê-las tá decidido que não volto a trazer limões da terra.
Portanto até amanhã agora ainda vou cortar o cabelo que tenho que ir penteada ao desfile na Segunda-feira que eu acho que temos que andar penteados no 25 de Abril mas já não sei se tenho tempo de aqui voltar ainda vou tentar para ver se o teclado dá p’la diferença vou ter muitas saudades vossas e possivelmente vou andar os dois dias com o indicador direito levantado tratem bem do Afixe e prontes adeus até ao meu regresso lembrei-me agora alguém quer limões? desculpem estar com pressa

Afixado por Isabel às 09:07 | Afixadelas (7)

Congresso do CDS

E cá temos mais um Congresso fresquinho!
Este tem alguns aspectos invulgares:
Parece que com o afastamento de Portas o partido entrou em colapso. E a liderança devia ter lepra ou qualquer coisa igualmente nefasta. A verdade é que só os mais corajosos se aproximam do poder. E pronto
Vem aí Telmo Correia. Lá terá de ser.
Mas dizem que sem espaço para crescer. Teve o seu momento de glória, mas tudo indica que se seguem anos bastante mais apagados. Vamos ver as voltas que estes carrosséis partidários dão...

Afixado por Emiéle às 09:00

Ainda a limitação de mandatos

A lei vai gerar muita e muita discussão. E como para a sua aprovação vai ser necessário os votos de 2 / 3 de deputados, prevê-se que uma luta interessante. E, contudo, esta é uma das lei que seria muito bem acolhida por uma grande parte dos eleitores. É certo que as pessoas que têm votado há 20 anos no mesmo candidato podiam não gostar, mas já iam apreciar que “os outros”, no caso de autarquias governadas por adversários, fossem abrangidos! Por outro lado, pelo que se começa a ver este princípio tende a alastrar como mancha de óleo – ontem falava-se de cargos desportivos, e já alguém falou em deputados…
Claro que tudo isto depende da lei ser ou não retroactiva. Se começar a contar apenas a partir da sua promulgação, os efeitos são “simbólicos” e mais nada.
Neste momento diz-se que «67 presidentes de câmara já no lugar há mais de três mandatos»
Parece que a lei dirá que "os limites fixados nos artigos anteriores [autarcas, primeiro-ministro e líderes regionais] não prejudicam os mandatos em curso à data da entrada em vigor da presente lei, nem impedem aos actuais titulares o exercício de funções por mais um mandato consecutivo", ou seja permite ainda uma candidatura, mas apenas uma.

Afixado por Emiéle às 08:53

A montanha e o rato seixo

Acontece.
Até acho que acontece com muita frequência, nesta espécie de “ditadura dos media”. Para se encontrar uma boa notícia vai empolar-se uma que não se conhece bem mas pode, pode ter um conteúdo sensacionalista. Quando se chega mesmo ao miolo da questão, pffff, era quase uma bola de sabão.
E cá está um caso típico. Alguma agitação perante a hipótese de 50 anos após o 25 de Abril se vir a saber quais as pessoas que integraram o “exército de sombras” dos informadores da PIDE. Ora afinal o famoso dossier « de finais da década de 60 (ou princípios de 70), com 180 páginas dactilografadas, apresenta listas de personalidades conhecidas ligadas ao Estado Novo (da política à Universidade), comandos nacionais, regionais e distritais da Legião, casas paroquiais, jornais e outras instituições locais »
Nada do que se esperava. Trata-se afinal de «apenas uma lista de correio».
Um rato? Um seixo, talvez.

Afixado por Emiéle às 08:43 | Afixadelas (2)

Estamos em Abril

Outro desenho de criança.
Veja-se o menino Jesus no coração de cima!

meninos 4.bmp

Afixado por Emiéle às 08:36

MEDO DE EXISTIR?

Sou um dos poucos portugueses que ainda não leram o inesperado best-seller "Portugal, Hoje: o Medo de Existir". Confesso que já me apanhei a folhear a coisa num ou dois escaparates. Ainda mais envergonhado, admito que aquilo me pareceu um mero ramalhete de conversas de café sobre a nossa suposta má sina, embrulhado numa prosa manca e pretensiosa. Mas isso é por certo miopia da minha vista, incapaz de admirar o brilho das ideias de um homem eleito pelo "Nouvel Observateur" como um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo.
Adiante. Mesmo permanecendo teimoso neste lapso, já consegui beber as sábias palavras do professor, em directo na TSF, por duas ocasiões. Primeiro, numa longa entrevista, ele apresentou alguns vectores do seu pensamento: uma mescla de intuições e conceitos oriundos de vários campos do saber - da sociologia à psicanálise – que até me pareceu interessante.
O pior foi quando ele descreveu um constructo de sua lavra, o "Impensado Vertical" (corrijam-me se apanhei mal a patusca terminologia). Este seria uma espécie de contaminação pela ausência. Sacando de um exemplo: uma família pode suprimir com sucesso todas as referências a um bisavô viciado no jogo; mas, por mais fundo que seja o silêncio assim construído, permanece activo e venenoso o contorno do vício. Vício esse que acabará, provavelmente, por contaminar um descendente, fazendo dele um jogador compulsivo, mesmo que este ignore de todo o insalubre antepassado. Isto ofendeu-me enquanto admirador do irmão Occam: não seria mais simples inferir que muitas inclinações podem ter alicerces hereditários?

João Garcez

Adiante. Há poucos dias, o senhor professor tomou o microfone para dizer de sua justiça sobre as famosas listas de informadores da PIDE que deram agora à costa. Ora segundo José Gil, a depressão colectiva em que nos vê mergulhado radica, em grande parte, no facto de nunca termos lidado de modo definitivo com o fantasma do salazarismo: não houve julgamentos, nem castigo, nem um enterro eficaz daquele passado vergonhoso. Vai daí, andamos todos como o tal bisneto sempre a caminho do casino: tristonhos sem saber porquê, trambolhando em recidivas neuroses, repetentes de vícios mil.
Não querendo