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abril 12, 2005

O Afixe faz um ano...

E também faz um ano no fim deste mês que saí de Portugal, mais a minha malinha de cartão, para me juntar aos eurocratas (o nome é feio, eu sei, mas acreditem que descreve bastante bem as coisas por aqui).
O tempo é uma coisa relativa, toda a gente concorda. Umas vezes parece ter pesos amarrados aos pés, estende-se e espreguiça-se como um gato ao sol. Outras vezes, tal como Mercúrio, os mesmos pés parecem adornados de asas, e passa ainda mais rapidamente que um aguaceiro de Abril.
Foi assim este ano. Nem quero acreditar que já passou.
No fim deste ano que tenho a certeza será sempre um marco na minha vida, em que deixei tudo o que me era familiar para trás para começar uma nova vida é, apesar de tudo, fácil fazer um balanço.
Foi com certeza o ano mais difícil da minha vida. Não é fácil começar tudo do zero, mesmo quando se emigra já com um emprego em bolsa e sem problemas de dinheiro. Não menosprezando os problemas práticos (encontrar um sítio para viver, transformá-lo num lar, habituarmo-nos aos costumes e práticas de outro país, tudo isso é complicado, principalmente quando se está sozinha), é o lado humano que é sem dúvida mais difícil.
É durante a fase inicial da nossa vida que criamos a maior parte dos laços que nos vão acompanhar e apoiar durante toda a sua duração: a família, em primeiro lugar, claro, mas também (e, neste caso, talvez sobretudo) os amigos. Enquanto as temos e as vivemos, existem uma série de coisas às quais até nem damos muito valor, que tomamos por garantidas, e que só quando nos faltam conseguimos avaliar. Uma amizade verdadeira, até mesmo apenas uma convivência diária, contam-se entre essas coisas.
Quando, de uma assentada, nos encontramos separados de todas as nossas bases afectivas, o sentimento não é agradável. Sentimo-nos perdidos, desorientados. Foi assim que me senti a maior parte deste ano.
A restante, passei-a a tentar encontrar o equilíbrio entre os velhos e os novos afectos. Não é fácil também. Não podemos prender-nos ao passado, sob pena de não aproveitarmos o presente, mas também não o podemos esquecer ou negligenciar. Muitas vezes um leve sentimento de culpa me alertou para o facto de me estar a deixar cair num dos dois caminhos.
Apesar de todas as dificuldades, tenho de reconhecer que o balanço é claramente positivo. Aprendi muito, construí muito, cresci muito este ano. E com a ajuda de alguns factores de estabilidade, fui vivendo menos mal. Com altos e baixos, acabei por atingir aquilo que hoje penso ser uma fase de estabilidade. Já não choro no aeroporto quando volto para aqui. Já não me sinto perdida se não telefono para casa todos os dias. Já não sinto a solidão como um peso e uma sombra enorme no meu dia-a-dia. A velha questão de saber onde pertenço, o sentimento de me sentir estrangeira em toda a parte, se não foi resolvido, pelo menos perdeu importância, já não me envenena os dias.
Consegui construir aqui uma nova vida, criar novos laços, novas bases afectivas, e ao mesmo tempo penso que consegui não negligenciar demasiado as antigas – ainda lhes posso chamar actuais, de hoje.
Constante a tudo isto, um dos factores de estabilidade mais importantes para mim este ano foi o Afixe. Tem sido assim como um cordão umbilical, que me liga aos velhos afectos – eu, o Monty e o Gibel somos velhos conhecidos -, que me permitiu sentir a realidade do país durante todo este tempo, de uma forma que nenhum canal de televisão, revista ou jornal poderia equiparar, que me proporcionou a oportunidade de conhecer muitas pessoas, a maior parte delas interessantes, algumas mesmo fabulosas (e não posso aqui deixar de realçar a Émiéle, que me ajudou muito numa das minhas piores fases ao longo deste ano, de forma absolutamente desinteressada e simultaneamente empenhada que nunca poderei esquecer – obrigada, amiga!). O Afixe fez-me menos emigrante, fez de mim uma estrangeira em casa.
Tudo isto para tentar explicar por palavras o que o Afixe tem sido para mim este ano, uma casa, um cobertor, o melhor momento do meu dia, canja de galinha para a alma (não havia um livro com este nome?... Humm...).
Isso é algo que nada nem ninguém poderá mudar. E que eu espero sinceramente que não acabe.
Estamos todos de parabéns neste primeiro aniversário – Afixadores e comentadores.
Um grande obrigado a todos.

Afixado por M. Butterfly em 12 de abril de 2005, às 22:31

Afixadelas

Tás a ver M. que também te dá p'rás recordações? Isto é fatal! São os aniversários e é a passagem do ano. Ninguém escapa à atracção de rever o tempo, em momentos mais datados...
E foi muito bom. Ficámos a sentir contigo o que foi este ano, pelos vistos, inesquecível! Que isto de sair da nossa terra mesmo, mesmo sozinha é de mulher valente.
[ e olha lá, mas que ideia de falar de mim, rapariga! Aconteceu apenas ter estado no sítio certo no momento certo, ou seja quando escreveste e apagaste no minuto seguinte um post...]
Um abraço, M. Aproveita o avião que te foi oferecido sempre que te apetecer.

Afixado por Emiéle em 12 de abril de 2005, às 22:52

O que é que eu hei-se dizer, deu-me assim para partilhar. : )
Deve ter sido das duas horas no ginásio, nao há bocadinho de osso e centímetro de músculo que nao me doa - fica a cabeca a funcionar...
[Ah, e escusas de te desmerecer. Sem que eu o esperasse, percebeste mais e ajudaste mais do que todos aqueles de quem o pederia esperar.]
Um abraco para ti também, e vou aproveitar, de certeza - foi uma prenda magnífica!

Afixado por M. em 12 de abril de 2005, às 23:09

Cum caneco, M.. Quando lhe dás gás sai posta que ferve! Gosto deste tom intimista, o único que nos permite revelar algo de concreto acerca de nós. Gostei de te saber em forma na escrita. E no resto... (duas horas de ginásio, hum?) :)

Afixado por sharkinho em 12 de abril de 2005, às 23:47

Então....
P
A
R
A
B
É
N
S

Afixado por Gotinha em 12 de abril de 2005, às 23:48

Parabéns pelo vosso primeiro ano.
Abraço

Afixado por Enquanto se fuma um charro em 13 de abril de 2005, às 00:00

Um forte e fixe abraço à malta do Afixe!
Parabéns!

Afixado por Afonso Henriques em 13 de abril de 2005, às 00:22

Afonso Henriques!!! Com link e tudo!! Mas que delicada atenção (pareço a minha avó a falar)
Obrigada pelo Afixe!

Afixado por Emiéle em 13 de abril de 2005, às 00:29

Nós, leitores, é que agradecemos. Têm sempre uma enorme delicadeza as tuas palavras, M.

Afixado por susana em 13 de abril de 2005, às 00:33

Obrigada a todos, quer pelas palavras simpáticas, quer pelos parabéns.

Afixado por M. em 13 de abril de 2005, às 08:32

M, canja de galinha para a alma...é isso mesmo!

Alguma vez iamos deixar acabar a canja de galinha, mulher? Eu não poderia viver sem canja de galinha.

Afixado por isabel em 13 de abril de 2005, às 10:24

Isabel, espero que não acabe! Eu sou como tu, tb me custaria viver sem ela... ; )
E esta da canja pareceu-me uma imagem muito adequada, mas depois fiquei na dúvida se não tinha já lido isto em algum lado...

Afixado por M. em 13 de abril de 2005, às 13:18

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