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abril 12, 2005

O dossiê

Surgiu recentemente a nova de que o Grande Oriente Lusitano teria em sua posse um belo dossiê de nomes de ex-operacionais da PIDE. Fascinante peça documental, é certo, não obstante o facto de alguns dos nomes que lá constam, segundo o grão-mestre do GOL, ainda estarem vivos. O que torna a divulgação destes nomes numa potencial "bomba social".
Gostei da sensatez do grão-mestre, ao evidenciar a necessidade de proteger, pelo menos durante mais algumas décadas, esta lista do conhecimento geral.
Também devo dizer que a sugestão do historiador Fernando Rosas, que surgiu rampante a defender o depósito do dito dossiê na Torre do Tombo, seria uma decisão mais lógica do que recorrer aos cofres de uma instituição bancária, como sugeria o grão-mestre do GOL.
Contudo, devo confessar que, de tantos historiadores, ver logo o doutor Rosas a querer "proteger" este dossiê deu-me um arrepio na espinha.
Não que eu tenha ex-operacionais da PIDE na família, ou que eu tenha sido um deles (bolas, nasci em 1976, sou um puto), é só porque me pareceu ver um esgar de apetite no semblante do doutor Rosas.
Sendo um dos historiadores mais politicamente comprometidos, parece-me que lhe fica mal bater-se, de forma tão suspeitamente interessada, pelo acesso dos historiadores a este dossiê...

Afixado por Bernardo Motta em 12 de abril de 2005, às 19:40

Afixadelas

já estava com saudades detes teus posts, rapaz!

Afixado por Monty em 12 de abril de 2005, às 20:36

O Dr. Rosas, também conhecido pelo historiador da cachimbada, nutre afectos e enlevos assaz inexplicáveis.
Ao ter tido, também,a ideia peregrina de permitir o acesso público à correspondência privada abusivamente apreendida pela polícia política da II República, não tem em linha de conta que com essa iniciativa perpetua um atentado inadmissível à liberdade e privacidade de tantos cidadãos.
Tudo em nome da memória futura, bem entendido.

Afixado por Afonso Henriques em 12 de abril de 2005, às 20:44

Parece que existem fragmentos de uma consciência neo-nazista no teu post. Porque, do mesmo modo, ainda hoje procuram-se criminosos nazistas. Será uma chicotada sim, para o colectivo, saber que certos prevaridores; titulares dos "usos e bons costumes", estão por lá.
Seria interessante para um dos "oprimidos" pelo antigo regime, que não conheceste, opinar sobre o teu post.
Gostei do "AFIXE" - Parabéns.

25 Maio/13 Junho 2005
O ANO DO GOLFINHO - A 75ª edição da Feira do Livro de Lisboa, - que terá lugar no habitual espaço do Parque Eduardo VII -, será palco para o Lançamento da obra intitulada "Na Cidade Secreta dos Golfinhos"; cuja acção se desenrola no Arquipélago dos Açores

Afixado por FEIRA LIVRO em 12 de abril de 2005, às 22:28

Bernardo,o branqueamento da nossa História colectiva e da história individual de cada um de nós não é bom conselheiro. Não se era operacional da Pide por qualquer acaso. Era-se por opção.E, por opção,em nome duma causa e dum regime foram cometidos crimes.Que nunca foram punidos. Nem há lógica que o sejam, agora. Ninguém, creio, espera reabrir qualquer processo judicial, contra ninguém.
Fernado Rosas, é historiador. Para além de historiador é politicamente comprometido. Como vivemos em Democracia ser-se, politicamente comprometido, não é crime.
Tu concordas com Fernando Rosas sobre o local indicado para guardar o dossié.
Só que, vês um "esgar de apetite no semblante do Dr. Rosas".
Bernardo, a História não deixa de ser a História pelos esgares que imaginamos nos semblantes de quem quer que seja.Quando nessa História houve crimes, eles não o deixam de o ser (pelo menos do ponto de vista moral, que é o que aqui está em causa) por serem guardados em qualquer caixa de banco.
A Pide existiu mesmo. A vingança não tem cabimento e por isso esse esgar que vês, não passa de isso mesmo, que tu vês. Mas a memória não nos pemite esquecer. Fernado Rosas como historiador tem o direito de saber. E como cidadão também. Apesar de "politicamente empenhado". Eu também.

Hoje o Chefe da Pide que prendeu o meu pai, e que me fez passar fome, da Pide que torturou o meu pai, da Pide que mo tirou, quando eu quase ainda nem por ele sabia chamar, passeia-se calmamente pelas ruas da vila. Nunca foi julgado nem condenado. Não quero que o seja. Mas agrada-me que, ao passar por ele,não me digne retribuir-lhe os "Bons dias". Porque eu não esqueci. E ele nunca me pediu desculpa. Por me ter levado o meu pai. Nem ao meu pai, por o tirado de mim.

Afixado por isabel em 12 de abril de 2005, às 23:07

Ainda bem que escreves pouco...

Afixado por é_mais_forte_que_eu em 12 de abril de 2005, às 23:52

pouco salivar, pouco salivar, aconselha-se. Porque alguns nomes que constam do livro são bastante desagradáveis: algumas personalidades respeitáveis de esquerda poderiam ter a vida estragada. De pé e à ordem. toc-toc-toc

Afixado por mestre eleito dos nove em 13 de abril de 2005, às 00:05

O sítio certo para um documento desta importância é o Arquivo Nacional por excelência, a Torre do Tombo, onde outra documentação confidencial e que só pode ser consultada passado um determinado tempo se encontra conservada, e vai sendo disponibilizada à medida que passam os anos de "defeso" (chamemos-lhe assim, não me recordo do termo correcto). Por isso os processos da Pide estão à consulta nessa mesma Torre do Tombo, por exemplo.
Qualquer historiador "saliva" diante de uma nova fonte para o seu estudo; temos o seu quê de bisbilhoteiros profissionais, admito-o sem problemas. Não me espanta, pois, o interesse que dizes ter demonstrado Fernando Rosas; qualquer outro historiador o tem, independentemente das suas opções ideológicas.

Afixado por 1poucomais em 13 de abril de 2005, às 02:09

Ninguém que tenha censurado, perseguido, deportado,torturado e/ou assassinado e que por nenhum destes crimes tenha sido julgado e condenado, e,portanto, por nenhum deles tenha cumprido pena, se pode ter tornado uma pessoa respeitável. Aqui, por maeis que tente, e contrariando a minha forma habitual de estar na vida, não consigo ser condescendente.

Afixado por isabel em 13 de abril de 2005, às 08:38

Fui totalmente mal entendido.
Não esperava outra coisa num tema tão polémico que eu aflorei de maneira tão fugaz.
É simples: não defendo quaisquer culpados.
Percebo pouco de direito penal. Se ainda existisse jurisdição penal sobre algum desses crimes, não contariam com toda a certeza com o meu apoio no encobrimento de criminosos.
É evidente que o dossiê é um documento histórico de um valor incalculável.
O meu amor à Verdade faz-me compreender, aliás partilho desse sentimento, a vontade do verdadeiro historiador em se abeirar do dossiê.
Contudo, e aqui permita-se a minha pessoalíssima opinião, não considero o doutor Rosas um bom historiador.
E a razão é simples: o historiador deve ser imparcial. Deve procurar a Verdade acima de tudo. Sou da opinião que, nalguns historiadores, a militância política (livre prática que não deveria invalidar um bom trabalho histórico) tolda-lhes a imparcialidade. E quem perde é quem os lê. Apenas isso.

Afixado por Bernardo em 13 de abril de 2005, às 08:49

Assino por baixo do que disse a Isabel. Não se pode branquear a história. A vingança é destrutiva e não faz sentido, mas não podemos esquecer. Nunca.
felizmente não tive, como ela, uma trágica experiência familiar. Nasci depois do 25 de Abril. Os meus pais e a minha família mais próxima nunca foram incomodados. Mas mesmo assim não esqueço todas as histórias que ouvi, tudo o que me contaram, tudo o que li.
Em relação ao Fernando Rosas, a figura não me é especialmente simpática ( enão tem nada a ver com as preferências políticas, é que não gosto nada de o ouvir falar...), mas concordo absolutamente com a Isabel. Ser politicamente comprometido não só não é crime, como não nos deve, não nos pode, impedir de tomar partido num caso destes. Todos nós, portugueses, devemos tomar partido, independentemente das opções políticas.

Já agora, Bernardo, andava para te dizer... Tendo em conta que o conclave vai começar dia 18, e que tenho a certeza que a maior parte das pessoas não tem muito bem a ideia do que se vai passar, não achas boa ideia escreveres um post a explicar? Assim em estilo documentário? Serviço público Afixe?

Afixado por M. em 13 de abril de 2005, às 08:50

Para mais, se querem o meu veredicto final, eu concordaria com a ida do dossiê para a Torre do Tombo.
Tento ser optimista, e acho que ainda temos muito bons historiadores que olhariam imparcialmente para tal documentação.
Mesmo que, inevitavelmente, alguns predadores políticos se alimentassem dessa documentação.
Mas também, afinal, quem lê os escritos do doutor Rosas não dá, já à partida, um certo desconto?
Eu dou.

Afixado por Bernardo em 13 de abril de 2005, às 08:53

Falta ainda uma "boca": os historiadores não são juízes nem carrascos. Se há matéria penal nesse dossiê, ele deveria ir primeiro para o poder judicial, antes de terminar nas mãos dos historiadores.
Isto explica em grande parte a minha preocupação por uma abertura prematura ao público, que seria irresponsável.

Afixado por Bernardo em 13 de abril de 2005, às 08:55

dá-me o dossieeeeeeerrr
imagináriooo,
quero o dosieeeeerrr,
ilusóriooo,
social,
surrealizaaaarr
por aíí-í

esta música é dedicada a todos os anti-fascistas como eu que não andaram a bufar prá pide...ao contrário de outros...

Afixado por doutor rosas em 13 de abril de 2005, às 08:59

Bernardo,por alguma razões ( entre as quais o facto de conhecer melhor o Fernando Rosas "comprometido" que historiador) não me vou pronunciar sobre a tua apreciação.

Concordo contigo: os historiadores não são juízes nem carrascos. O que em nada contraria a minha opinião de que "oa carrascos" deveriam ter sido julgados por Juízes.

E concordo totalmente com a Azul - os documentos históricos são para ser guardados na Torre do Tombo.

"doutor rosas" um anti-fascista, não usa nomes alheios para, livremente, dar a sua opinião sobre qualquer assunto.
O seu anti-fascismo deve ser ligeiramente diferente do meu...

Afixado por isabel em 13 de abril de 2005, às 09:48

esses maçons, marionetas anónimas de uma sociedade secreta inventada pela burguesia comercial e latifundiária deveriam era ser enforcados nas amarras que cortam a raíz ao pensamento da classe operária!

Afixado por doutor rosas em 13 de abril de 2005, às 11:25

Bernardo, eu posso usar o teu post para mandar o "doutor rosas" ir dar uma volta ao bilhar grande (que isto é um blog bem comportado e não se podem usar termos mais fortes e ,quiçá, mais apropriados?).
Obrigado, Bernardo. Se algum dia, precisares de usar um post meu, dispõe.

Afixado por isabel em 13 de abril de 2005, às 11:32

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