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abril 29, 2005

Puruborá I

Pronto, respondendo ao desafio do Monty, cá estou eu a dar a minha contribuição ao M.S.U.L.
Mas desde já devo dizer que fico ofendida com a insinuação que sou uma calinas e não respondi ao desafio (esta é para o Monty) ou de que a minha missão era mais fácil porque tinha um casal inteiro para me ensinar, e não apenas um índio bebedolas (esta é para a Isabel)!
E nem penses que me adoças, Monty, com essa de que me salvaste dos boches! Poso não compreender o que os boches dizem, mas não me dão tanto trabalho como os tipos de Puroburá!
Até porque a culpa foi toda tua, quando quiseste que eu os observasse durante o coito e visse que tipos de expressões de anunciação orgásmica utilizam.
Só te esqueceste de me dizer que o tal casalinho de Puroborá tinha um problema mais grave do que o facto de falarem uma língua em vias de extinção. Os orgasmos por aqueles lados estavam extintos há muito tempo (se é que alguma vez existiram).
Depois de me tentar armar em Júlio Machado Vaz, com bastante dificuldade e sem resultados que se vissem, visto que ainda não dominava o Puroborá, decidi tentar uma outra táctica, inspirada naquele programa que dava na SIC há uns tempos atrás, que tinha aquela menina apresentadora que estava sempre cheia de soninho, mesmo a ir deitar-se e até apresentava o programa na caminha em camisa de dormir. Debalde! Depois de longos minutos a contorcer-me em trajes menores, a arrastar as vogais e a suspirar arrebatados “Hummms!” e “haaaaaas”, o casalinho continuava sem perceber a mensagem. Diria mesmo que estavam ainda mais confusos quanto aos meus objectivos científicos.
Depois tive uma ideia brilhante, que salvou a visita de estudo!
Saquei do laptop, liguei-me à internet (sim, existe internet em Puroborá, e segundo percebi depois, essa era uma das razões para o déficit orgásmico do casal) e fui directa ao blog do nosso colega Sharkinho! Depois de uma leitura atenta dos arquivos, vi que começavam a ficar entusiasmados, e quando chegaram à Posta 69, foi um delírio!!! Obrigada, Shark, por esta importante contribuição para a causa da ciência!
Não vou dar mais pormenores acerca da minha investigação, mas posso desde já dizer que os resultados foram excelentes!!
E passo a partilhar convosco.
Os puroborianos começam o coito com manifestações moderadas de índole sonoro muito parecidas com as das línguas não em vias de extinção. Mais ou menos na onda do “hummm” “haaa”, com diferentes graus de entoação e emoção.
Conforme cresce o entusiasmo, a coisa torna-se mais característica do Puroboriano, com vários “zstroflduuuuuu”, “embtionodbjdaaaaaaaaa”, “groflllliiiaannuyhb”, abundantes sons guturais do tipo “ouummmpf” “eãããããoonnnnn”, guinchos :“iiiiiiiiihiiiiiiiiiiihhhhhhhhh”, e mesmo algo que parece uma interjeição entre uma expressão de júbilo e um uivo: “uuaaaaauuuuuuuu”. Foi aqui que consegui retirar uma das mais interessantes conclusões do meu estudo, que o Puroborá se aproxima muito do Máku. Penso que este aspecto merecerá, certamente, estudos mais aprofundados.
Não posso deixar de referir que a certa altura estes sons foram interrompidos por vários sons abafados, como “mmmmfffff” e “uuummmmmpppf”. Mas tendo em conta a particular actividade a que o casal se dedicava na altura, estou em crer que não se tratava de verdadeiras manifestações da língua Puroboriana.
Para o fim, a coisa ficou verdadeiramente interessante, com uma variedade de sons certamente muito característicos do Puroborá mas que, se calhar por isso mesmo, infelizmente, não consigo repetir.
Mas o estudo não está acabado. Nas próximas semanas procurarei dedicar-me a reconstituições detalhadas da experiência observada, na tentativa de conseguir reproduzir os sons que agora me escapam, por certo por falta de prática nestes lidas do M.S.U.L.
Assim que tiver mais resultados, comunicá-los-ei à Direcção (a propósito, também posso pagar as despesas das experiências com o cartão de crédito da Isabel?)
Rastuloiieeeiin zimmnanieenttt thjuuullloi, em português, bom fim-de-semana a todos!


Afixado por M. Butterfly em 29 de abril de 2005, às 18:53

Afixadelas

Ó M. o que eu me ri! LOL :DD

Afixado por susana em 29 de abril de 2005, às 19:08

:) :) :) LOL LOL LOL

Agora vamos a coisas sérias:
Tás cheia de olheiras? Não tás, pois não? Então cala-te!

Passaste a noite a ver beber chás de ervas esquisitas e a suportar o respectivo odor? Não passaste, pois não, então cala-te!

Sabes a diferença entre bastar ver e esperar para ver e ter que.. não sabes pois não? Então cala-te!

Imaginas como teria sido se não tivesses podido recorrer ao 69 do Sharky, por não haver Internet. Não imaginas, pois não? Então cala-te!

Claro que podes, mulher. Então não podes!!??? Mais alguém precisa do meu cartão de crédito? Sharky, JP, Émièle, Bernardo, tão è espera de quê???


Afixado por isabel em 29 de abril de 2005, às 19:16

Excelente M.!!!!
Uma verdadeira cientista portuguesa! :))
Tens tudo, rapariga, iniciativa, desenrascanço, que essa de sacar da net lá no Amazonas foi um tiro daqueles. Mas concordo um bocado com a Isabel, a tua tarefa, apesar de te queixares, foi a mais fácil. Com essa colaboração toda ainda te queixas?!
E para quando um manual? Manual de Puruborá, é claro, gramática, dicionário, essas coisas. Kamasutra já por cá há.
Para editar essas tretas todas também é com o crédito da Isabel ou a malta do Afixe cotiza-se?

Afixado por Emiéle em 29 de abril de 2005, às 19:29

Qual cotiza-se (olha lá, a gente aqui não tá a meter aquela água do outro dia, daquela sra, lembras-te?), qual carapuça, Émiéle. È com o crédito da Isabel, tá bom de ver...

Afixado por isabel em 29 de abril de 2005, às 19:38

Bem, estou...
Estou muito satisfeito por poder contribuir para a importante causa da ciência e para a felicidade dos teus indígenas, M..
E parti o coco a rir, claro. Reages bem a desafios, pá!

Afixado por sharkinho em 29 de abril de 2005, às 19:40

Lololo Isabel! E não há duas sem três! (desculpem mas é mesmo prived joke) É o que dá estar a escrever um comentário sério lá para baixo que não entrava nem por nada, e ter vindo aqui brincar...
E olha lá ó sharkinho, tu não tinhas trabalho distribuído? Tenho uma vaga ideia de que tu e o João Pedro tinham uma missão a cumprir?
( cá eu não fiz nada mas sou como o Monty, óptima para dar ordens...)

Afixado por Emiéle em 29 de abril de 2005, às 20:34

Linda menina! O que tu fazes para salvar uma língua.

Afixado por Monty em 29 de abril de 2005, às 20:56

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