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abril 30, 2005

Uma tarde na Mouraria

fado2.jpg

Uma tarde de fado, com Lisboa e o Tejo ao fundo. O som da viola e da guitarra portuguesa, nas mãos e na alma de dois miúdos de 16 anos. A voz forte, limpa, linda de uma jovem de 17 anos. O fado vadio das vozes roucas de fumo e de bagaço, mais velhas e muito vividas. O fado que já não é só tristeza, desânimo, ciúme, traição, mas que, ainda sendo tudo isto, é também alegria, juventude, desafio e muita garra. Uma desgarrada a sério, com vozes, viola e guitarra. Muita cerveja. Muitos amigos. Um café e um bagaço, só mesmo para acabar de aquecer o coração e ter força para descer uma colina de Lisboa e subir outra. Uma tarde perfeita.
Émièle, amanhã devo estar pronta para te ajudar na árdua tarefa de falar no Governo e no Isaltino.

Ah, é verdade já alguma vez vos disse qua adoro fado, o verdadeiro, o da Mouraria e de Alfama? Não disse, mas é verdade. Adoro, pá. Só não canto porque tenho medo de assustar quem por lá esteja e só não desato a chorar com aqueles dramas, com os abandonos, os amores não correspondidos, as promessas de não esquecer e de esquecer, os fins e os reconeços,o gemido da guitarra, porque uma gaja grande como eu, já não desata a chorar em público, assim, por dá cá aquela palha. Tenho uma reputação a manter...e esqueço-me sempre de comprar lenços de papel.

Afixado por Isabel em 30 de abril de 2005, às 19:18

Afixadelas

Portanto escuso de perguntar, já sei que "foi bonita a festa, pá" deves "estar contente" como diria o Chico Buarque. Acabei de chegar e vejo que aqui o Afixe tem estado muito pacífico e posto em sossego... A malta aproveitou o tempo magnífico que fez.
Ainda bem que foi bonito o fado na Mouraria.

Afixado por Emiéle em 30 de abril de 2005, às 20:24

Pois é, isto hoje tá tudo muito calmo por aqui. Presumo que estão todos a preparar o 1º de Maio...
Olha foi muito engraçado. Sobretudo porque, para além de me permitir ouvir fado ( e mesmo a sério, eu gosto muito daquilo...) foi mais uma contribuiçãozita para a perda de alguns habituais preconceitos.

Afixado por isabel em 30 de abril de 2005, às 21:11

Sou-te franca, Isabel, uma coisa é a canção de que também gosto mas como tal, como uma canção, outra o clima de "religiosidade" que é suposto reinar no recinto onde se canta e aí já não consigo aderir... Não o consigo levar a sério, que é que queres? Aquele ceremonial parece-me uma encenação.

Afixado por Emiéle em 30 de abril de 2005, às 22:31

Mas o teu post vem muito a propósito, que o silêncio que reina aqui no Afixe permitia cantar o fado...!

Afixado por Emiéle em 30 de abril de 2005, às 22:33

Mas é possivel não haver esse cerimonial de que falas. Daí o ter gostado muito. As janelas estavam abertas, havia luz, os miúdos que cantavam divertiam-se, havia sinais de ternura e de cumplicidade entre todos eles, os mais novos e os mais velhos...talvez esse cerimonial seja nas casas de fado para turistas (que detesto). Ali, num Grupo desportivo de bairro o ambiente era tão leve, tão bem disposto que tinhas todo o tempo para curtires os acordes da guitarra e as vozes.
Antes de começar, o míúdo da guitarra, apresentou-se dizendo "Gosto muito de rap, de rock e de fado. Gosto muito de vos ter cá, porque aqui somos todos de esquerda...".E esse cerimonial irritante e patético nunca apareceu.

Pois é, amiga, tu achas que emigraram todos???

Afixado por isabel em 30 de abril de 2005, às 22:56

A malta anda por aqui em silêncio ;)

Afixado por bin_tex em 30 de abril de 2005, às 23:33

(pois é bin, eu tenho andado por aí a ver blogs, mas muito caladinha, nem comento...)

Afixado por susana em 1 de maio de 2005, às 00:04

Susana e Bin, vocês querem que eu canta um fado para vos animar?

Afixado por isabel em 1 de maio de 2005, às 00:19

Sim, por favor, Isabel, eu quer que tu canta :)
Não estou desanimada, sabes, tive um dia agradável e cansativo (e como é bom o cansaço, ás vezes...); agora estou, quanto muito, um bocadinho melancólica.

Afixado por susana em 1 de maio de 2005, às 00:23

Sabes que eu também? Levantei-me às 7.30 e não parei até às 19.00...mas como dizes o cansaço, às vezes, é bom...e tira o sono e tudo.
Agora cantar, amiga...tá bem. Eu canto. Mas não pode ser um fado, fado porque pode ser pior a emenda...olha, tás a ver a minha cara, com aqueles longos cabelos pretos?...imagina-me com um xaile preto nos ombros (pode ser de calças de ganga, não pode?)e agora vá lá...Tás a ouvir? ...pera que o xaile tá a cair...cá vai outra vez...gostaste? Ou será, sobreviveste?

(vou confessar-te uma coisa, hoje, por uma razão qualquer que não me apetece, sequer, pensar,tenho andado a fugir dessa coisa...do bocadinho...é melhor não dizer o nome...talvez seja do tempo...).

Afixado por isabel em 1 de maio de 2005, às 00:37

Nã, nã, tem que ser com a écharpe vermelha.
O tempo esteve assim do tipo céu azul um bocado mesclado, não foi?

Afixado por susana em 1 de maio de 2005, às 00:46

vermelha não há...vê lá se te contentas com a preta que a minha com a minha voz até te esqueces da côr...Pois foi, Susana, parece que o mesclado é que me tentou tramar...

Afixado por isabel em 1 de maio de 2005, às 01:14

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