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maio 10, 2005
A FRUTA E O VERÃO
Na refeição, cresci a associar a fruta aos epílogos. Surgia à sobremesa, quando a fome estava saciada; já não era um alimento, era uma obrigação com vitaminas.
Da minha infância em Angola, lembro-me de pouca variedade: bananas e ananás (as de que eu gostava), papaia, mamão e manga (que a minha mãe insistia em fazer passar por pêssego, para que nós a comêssemos, suscitando a reclamação “estes pêssegos são uma grande porcaria!”).
Nas férias em Portugal, contactava com uma enorme variedade de frutos e suas aplicações. Para além da fruta que pendia madura das árvores da quinta da minha avó, faziam-se as mais variadas compotas, geleias, aguardentes e licores. Todos os dias vinha á mesa uma compoteira com um doce, geralmente com pedaços, ficando a fruta da génese bem identificada. Da minha vida na quinta, onde morei depois de regressar de Angola, ficou-me o hábito de comer fruta fora das refeições.
Subíamos às árvores e saboreávamos pêssegos, cerejas, tangerinas e nêsperas. Ríamos à gargalhada ao sermos perseguidos depois de apanhados em flagrante roubo de morangos ou framboesas, que comíamos escondidos depois da corrida. Fazíamos caretas com as ginjas deixadas a secar em cima do telhado, que no seu vermelho profundo se tornavam irresistíveis e nos faziam esquecer o sabor que já conhecíamos.
Lembro-me particularmente das uvas: nos longos passeios de bicicleta ou a pé pelos carreiros que quadriculavam os vinhedos, parávamos frequentemente para as provar. Apreciávamos a côr, o tamanho, a pele. Algumas deixavam-se apertar como um tremoço e trincar a polpa já despida, outras tinham a casca áspera e espessa, ficando um travo amargo sobre a língua. Reparávamos nos perfumes, apesar da pouca consciência de como estes afectavam os nossos apetites. No meio das vinhas, no calor de uma tarde de Verão, cheira a uvas e vinho, a mosto e a álcool. Devia ser isso o que me faz relembrar esses passeios como uma doce embriaguez.
Afixado por Susana em 10 de maio de 2005, às 15:12
Afixadelas
É das melhores recordações que guardo da infância: andar livremente pelos pomares e vinhas no Verão. Era o dia inteiro a comer a sobremesa.
Afixado por derFred em 10 de maio de 2005, às 15:49
Para mim as uvas comem-se ao sol. Também as levo para a praia - deve ser por isso.
Afixado por susana em 10 de maio de 2005, às 16:09
Ih! É tão bom uvas na praia!
Afixado por derFred em 10 de maio de 2005, às 16:18
Tem piada que também corresponde ao meu imaginário de infância, o ir às vinhas e apanhar cachos de uvas cheios de pó mas que se comiam à guloseima. Isto lá para o Alentejo com um calor tramado.
É curioso este teu post, consigo relacioná-lo com o comentário que deixaste no Ruínas ao post da Clara. Parece mesmo uma sequência...
Afixado por Emiéle em 10 de maio de 2005, às 20:28
Não, foi na sequência da tua nespereira. Quando comentei a Clara, já estava era a pensar no meu post.
Afixado por susana em 10 de maio de 2005, às 21:47
Eu fiquei embriegado só de ler. Na minha infância (para além das cerejeiras) havia sobretudo os diospiros, que acreditava ser a única fonte de comida dos gatos vadios que me vinham lamber as mãos.
Afixado por João Pedro da Costa em 10 de maio de 2005, às 21:54
Ai tu tb tens sangue africano Susaninha??
Afixado por bin_tex em 11 de maio de 2005, às 14:40
Não, bin, fui para lá viver com dois anos.
Afixado por susana em 11 de maio de 2005, às 15:36
Banana podre não tem fortuna, fruta-ta fruta-ta
Afixado por João Ribeiro em 13 de maio de 2005, às 15:10
manga, morango, bananas etc... boa fruta é o k s ker
Afixado por rita em 23 de maio de 2005, às 23:49
