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maio 20, 2005
Acidentes de trabalho
É um campo particularmente sensível, este dos acidentes de trabalho. Não se pode aceitar passivamente, como uma fatalidade, que o ano passado tivesse havido quase 200 trabalhadores mortos em acidentes de trabalho, e este ano >já se esteja com um número de 46 acidentes mortais É verdade que muitas vezes os próprios trabalhadores não se protegem como deve ser, com uma estranha noção de que é «mais viril» não se ralar com essas coisas… Mas compete às empresas patronais impor essas exigências e sobretudo praticá-las elas mesmo. Se as multas foram a doer é natural que as coisas se modifiquem. Mas para isso deve haver uma boa inspecção. E isso será uma "inspecção mais inteligente", orientada para as áreas mais problemáticas, onde ocorrem mais acidentes, segundo diz o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social.
Mesmo quando os acidentes não são mortais são sempre situações profundamente dramáticas. Ainda ontem falei com uma senhora cujo marido sofreu um acidente que foi de trabalho mas, simultaneamente, de viação. Aquela família vive horas muito amargas também do ponto de vista económico. Por um lado a indemnização do seguro tem sido protelada há anos, andando em pingue-pongue do ramo de Trabalho para o de Viação e vice-versa. E depois, quando o período de baixa acabou, como foi normal a vítima passou à reforma. Essa foi decretada em Setembro mas nove meses depois ainda esperam que comece a ser paga. Apesar de a mulher trabalhar, pode imaginar-se a situação daquela família…
Afixado por Emiéle em 20 de maio de 2005, às 07:30
Afixadelas
É uma história sinistra a que contas, mas o pior é que não é um caso isolado.
Tenho ouvido coisas do tipo.
E, o chocante, é que muitas vezes resolve-se com ameaças do tipo "vou à televisão contar tudo!"
Afinal as empresas têm mais medo da TV do que da justiça!
Afixado por Gui em 20 de maio de 2005, às 09:51
Focando mais uma parte do que dizes: olha que é muito irritante quando são os próprios trabalhadores que se recusam a usar protecções. E acontece mais do que se julga. Tens razão, há uns que acham que é uma mariquice essas tretas das luvas ou óculos ou as protecções recomendadas!!! Às vezes só quando a empresa entra a matar ( salvo seja) é que a coisa se compõe.
Ignorância e falta de inteligência.
Afixado por Zé em 20 de maio de 2005, às 10:05
Ainda cá voltei para dizer que só ver a foto já faz medo...
Até é muito bonira a preto e branco e tudo, mas... ai, ai, ai.
Quem ali não subia era eu!
Afixado por Gui em 20 de maio de 2005, às 10:45
Mas é um problema mesmo muito grave. Não se admite que se ponham homens a tabalhar em risco de vida. Não há nada, nem urgência de obra, nem lucro, nem ignorância, que possa fazer perdoar a perca de uma vida.
Afixado por Emiéle em 20 de maio de 2005, às 15:49
Emiéle, apetece-me botar faladura sobre isto (não, desta vez não é por discordar:-)
como referiste, na legislação que cobre os acidentes de trabalho (salvo erro, lei 100/97, de 13.9) está bem expresso que as entidades empregadoras são responsáveis pela observância das normas de segurança (alguém tinha que ser... nunca pior).
claro que, em empresas de grande dimensão, é impossível assegurar, na prática e a toda a hora, se os trabalhadores cumprem essas regras ou não.
daí que o espírito «aquela viga a tremer nunca vai cair em cima das minhas trombas» do mânfio latino continue a imperar.
aumentar o valor das multas obrigaria naturalmente a apertar o controlo e a prevenção e diminuiria o nº de sinistros laborais.
contudo, não seria suficiente. a aculturação europeia desde 1987, com desvantagens noutras áreas e que seria positiva nesta, vai demorar umas gerações a ser assimilada e, no entretanto, a mentalidade «casa roubada, trancas à porta» vai persistindo.
outro aspecto: quando a tv era estatal, lembro-me que as chamadas campanhas de sensibilização passavam a qualquer hora. hoje, apenas no fora de horas. creio que, quem pode, tb poderia atacar por aqui.
finalmente, a quantidade insuficiente de inspecções. enquanto se mantiver esta moda de emagrecer o nº de funcionários públicos às cegas, vai continuar a ser possível fugir descaradamente às normas de segurança no trabalho, aos impostos, à qualidade de qualquer produto e serviço, ambiente, etc.
(se fosse mais publicitado o nº de inspectores existentes em todas estas áreas, a reacção seria provavelmente de susto)
longe de mim defender um estado policial (credo!) mas seria do mais elementar bom senso aumentar significativamente os quadros das Inspecções-Gerais.
concluindo: é evidente que, implementando tudo isto, mesmo assim «accidents will happen» mas talvez isto fosse menos uma selva, no pior sentido do termo.
Afixado por JQ em 20 de maio de 2005, às 19:26
Magnífico, JQ !
( aqui p'ra nós quando foi essa discordância...? é que nem me estou a lembrar, mas até é pena porque acho que as discordâncias são muito benéficas; bem, são-no "muitas vezes" quero eu dizer)
E o teu comentário merecia passar a post, tipo itálico. É que dizes coisas muito certas e importantes. Eu farto-me de dizer o mesmo por outras palavras. Nós até temos boas leis ( no campo que eu conheço ) mas não se consegue fazê-las cumprir porque não há vigilância. E essa parte da inspecção, aquilo que eu sei, na minha área, só reforça o que dizes. Sai caro fazer a inspecção mas sai muito mais caro não a fazer. Até por criar maus hábitos, o estilo nacional de "não-há-de-ser-nada". Ou "logo-se-vê". Ou...
Afixado por Emiéle em 20 de maio de 2005, às 19:56
realmente, quando referi «discordâncias» devia estar a falar com os meus botões (ultimamente tenho optado por comentar quase só quando discordo e daí, maior frequência de visitas a blogs declaradamente de direita)
boa ideia para um post talvez fosse, não aquele comentário (pouco fluído), mas conseguir alguma estatística credível sobre os quadros das várias Inspecções-Gerais e, a partir daí, fazer alguma extrapolação para os danos que as políticas neo-liberais estão a provocar no chamado tecido social (raio de expressão:), nos direitos adquiridos e por adquirir, enfim, na qualidade de vida das pessoas.
se os tais nºs estivessem acessíveis na net, e não te tomassem muito tempo, creio que serias a pessoa ideal para glosar o assunto.
enfim, isto nem sequer é um desafio. mais uma sugestão muito vaga para um dia em que a oportunidade se te proporcione.
se pensei agora nisso, porque não faço eu tal coisa? pode parecer que estou a sacudir a água do meu capote e estou mesmo :-) por razões que não vêm ao caso, tento evitar versar assuntos vizinhos da área em que trabalho
Afixado por JQ em 20 de maio de 2005, às 21:52
:)
Tá bem, tá bem... e eu que tenho pouco que fazer! Por acaso tenho pena de não estar cá em Portugal uma grande amiga que nestas coisas de sociologia do trabalho tem, não apenas conhecimentos, como grande facilidade em recolher dados e tirar conclusões. Eu não tenho esses dotes, mas até talvez lhe mande um mail a pedir conselho...Porque, concordo que o tema tem muito interesse. De como o desleixo em controlar o que devia mesmo ser controlado, conduz a uma perca real de qualidade de vida perante a distracção geral.
Afixado por Emiéle em 20 de maio de 2005, às 22:47
