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maio 16, 2005
Anjos
Para mim o sistema de DVD resulta especialmente bem quando nos mostra séries de TV. O formato é mesmo aquele, não há qualquer alteração e com o DVD uma pessoa pode fazer como mais gostar – ver mais episódios de uma só vez ou dividir um deles nos pedaços que entender. Um fim-de-semana lá para trás vi, de um fôlego, o “Sete palmos de Terra” e este domingo com prolongamento para a noite de segunda o "Angels in América”. A série é muito pesada, para se ver tudo de seguida. Fiquei muito cansada, mas uma vez começado também se torna difícil interromper.
E esta manhã, quando ia lendo nos jornais a reacção à manifestação contra a homofobia, tinha ainda muito nítido nos meus olhos as imagens que vira na véspera. Tão nítido, que não fui capaz de escrever nada nessa altura.
É certo que Portugal é Portugal e os Estados Unidos são os Estados Unidos. Passados diferentes, experiências diferentes, mentalidades diferentes. Ou não será assim ? Porque quer lá, quer cá, é errado generalizar. Há gente intolerante em todo o lado, a intolerância não é exclusivo de nada nem de ninguém. E se, naquela série, o problema central era ainda a dificuldade de se ser gay, reacções da sociedade e família, como assumir a diferença, a série é enriquecida por muitas “outras diferenças”: religiosas - como ser mórmon, como ser judeu – ou políticas – julgamento Rosenberg. E a verdade é que até os anjos são diferentes. Sobretudo aqueles anjos…
E é sobre esse respeito ou compreensão pela diferença que se tem vindo a abrir ao longo dos séculos, mas ainda está tão fechado em tantos lugares do mundo incluindo Portugal que tinha pensado escrever hoje. Mas a
Isabel adiantou-se e disse tudo em poucas palavras…
Afixado por Emiéle em 16 de maio de 2005, às 21:26
Afixadelas
Eu sou assim...às vezes escrevo discursos de morrer de tão compridos e grandões, outras vezes dá-me para resumir...também falar de intolerãncia, não tem muito que se lhe diga. Apenas que não se pode ser tolerante com ela, não é?
O "Sete Palmos de Terra" vi a série na televisão...mas em DVD,assim tudo de seguida, deve ser cá um murro no estomago...
Bem os "Angels in America", então...acho que não conseguia...
Afixado por isabel em 16 de maio de 2005, às 22:30
É esse o paradoxo: a necessidade de se ser intolerante contra a tolerância. Mas a verdade é que tem de haver limites. E sobretudo ensinar-se a quem não sabe. Eu acredito que o mundo tem avançado para melhor. Oscar Wilde viveu muito tempo nos calabouços por "crimes" que hoje não o são...
Tens toda a razão quanto às séries. É um disparate. Elas foram imaginadas para serem consumidas aos poucos. É como um bom vinho que devia ser bebido um copo por refeição, mas gosta-se e acabamos com a garrafa ( ou mesmo o garrafão, neste caso!)
Asneira.
Afixado por Emiéle em 16 de maio de 2005, às 23:12
Reli o que escrevi, e falta um bocado ( estou com uma forte dor de cabeça e nem vejo bem )
Bom, o que pretendia dizer não era (como é evidente) que fossemos intolerantes com a tolerância tout court, e sim com a tolerância para com os extremistas, para com a ignorância, para com a má fé, para com a própria intolerância.
Afixado por Emiéle em 16 de maio de 2005, às 23:17
A série era magnífica mas pesadíssima. O problema da sida, e aqueles amores complicados davam aqui um nó no estômago. Tem graça teres visto isso no dia da tal manif. Se calhar não foi por acaso.
Afixado por Zé em 17 de maio de 2005, às 09:57
