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maio 09, 2005
CROMOS DIFÍCEIS DA BLOGOSFERA (3)

Há uns dias, ficou solucionado um grande enigma da blogosfera, quando o MacGuffin, autor do "Contra a Corrente", revelou as razões do seu anonimato: ele, na realidade, chama-se Carlos do Carmo C. Carapinha e quer que "daqui em diante, os Pachecos Pereiras e os Danieis Oliveiras" passem a conceder-lhe "alguma credibilidade".
Mas nada disto é relevante. A bem da verdade, toda a gente sabe há muito quem é o senhor CCCC.
Comecemos pelos princípios estratégicos do seu modus operandi. Goebbels já desenvolvera o sistema há um ror de anos. Desde então, tem vindo a ser aplicado com infalível proveito. É assim: começamos por atacar e caricaturar o adversário até ao ponto em que parece perder qualquer similaridade com criaturas humanas. Depois, é mais fácil atacá-lo e mais difícil encontrar um cidadão comum que ainda lhe dedique uma réstea de empatia.
Assim, CCCC há muito tratou de reduzir "a esquerda" a um bando deplorável, capaz apenas das maiores malfeitorias. Para este senhor, somos declaradamente anti-semitas, simpatizamos com o "Sr. Bin Laden e a sua al Qaeda", dedicamo-nos furiosamente aos "slogans, aos estereótipos e ao preconceito", pois não conseguimos resistir a "rótulos, epítetos definitivos e umas suaves injurias (sic) à mistura" . Que querem? É tudo prova do nosso "constante resvalar para a demagogia e o populismo chic". Mas não se preocupem, leitores mais alarmados, que a nossa "desorientação e iniquidade" condena a nossa "fácies hipócrita " ao mais "pueril desnorteio".
Outro cultor pertinaz desta desconversa promovida a discurso é o manhoso João Pereira Coutinho. Aliás, o sr. CCCC é declarado admirador daquele plumitivo, já tendo trocado com ele tocantes declarações de apreço. Como quando declarou o seu embevecimento pelo que postulou ser o "melhor texto sobre o 11 de Setembro de 2004": um longo escarro sobre toda a gente que não pensa como os preclaros e libertários colunistas desta nova direita que nos tocou em sorte. Escreveu então o JPC: "rio com textos que se escrevem por aí. Textos de pesar. Assinados por vagabundos sem um pingo de vergonha na cara que, há três anos, com o segundo avião a enfiar-se pela torre adentro, abriam a primeira garrafa de uma tarde longa e festiva entre vagabundos de estirpe igual. Conheço casos." E o CCCC aplaudiu entusiasmado.
Duas almas que são farinha do mesmo saco de trigo cheio de voraz gorgulho, é bom de ver.
João Garcez
Mas o pior acontece quando o próprio blogger começa mesmo a acreditar nas caricaturas a traço grosso com que retrata o mundo. Ou quando decide tomar por parvos todos os incautos que aterram no seu blogue. Querem um exemplo de conjunção destas duas infelizes eventualidades? Leiam com atenção este post. O bom CCCC tem como certo que o aquecimento global é uma fábula da esquerdalhada. E parte do princípio que esta tem os EUA por culpados de todos os males do mundo. Vai daí, embarca em laboriosa pesquisa e descobre a prova que faltava para enterrar o pernicioso mito da influência humana no clima: um artigo de 1930 de uma tal "Revista Agronómica". Ali, são reproduzidas as palavras de um abade seiscentista sobre uma seca com proporções de praga bíblica que terá ocorrido na Península Ibérica, mil anos antes de Cristo! Mais: parece que em mil quinhentos e troca o passo houve uma seca especialmente atroz em Portugal. Cá está: se antes já éramos atacados pela estiagem, o aquecimento global que hoje nos aflige só pode ser uma léria!
Caricatura/conclusão inelutável? "Daqui se conclui que há séculos que o imperialismo americano vem fustigando o planeta terra e a camada do ozono"; "em 1545, era já notório o autismo por parte dos responsáveis norte-americanos".
Nem vale a pena questionar a precisão do relato do episódio quase pré-histórico. Importa é reter a mensagem da paródia: os malucos que nos alertam para o desatino do clima acham que todas as secas são causadas pelo ser humano, sobretudo pelos americanos.
Como o CCCC julga que os seus adversários da esquerda são uma cambada de ignaros primitivos, dá largas ao seu suposto sentido de humor e aniquila, com tais citações da "Revista Agronómica", as inquietações de inúmeros cientistas; mesmo, pasme-se, americanos... Como é que se poderá continuar a temer o aquecimento global, depois de conhecermos o decisivo testemunho do abade de Montearagon?
Ao menos, os fundamentalistas dos EUA que "sabem" que temos permissão divina para estragar o planeta à vontade (uma vez que o mundo até vai acabar não tarda nada...) sempre se apoiam em citações bíblicas. O "Contra a Corrente" fundamenta-se simplesmente no nada.
João Garcez
Afixado por afixe em 9 de maio de 2005, às 17:23
Afixadelas
Ah tratante! Agora tinhas de vir achincalhar um gajo de direita! Para mais o Carlos Carapinha que é um porreiro e que faz dos melhores retratos do EPCoelho quando escreve
"Em artigo da praxe, o Prof. Dr. Eduardo Prado Coelho volta a escancarar a céu aberto a sua paroquial altivez e a sua pueril arrogância, com direito, como é seu apanágio, a recadinhos cirúrgicos (ou, numa perspectiva mais benigna e complacente, o Prof. Dr. Eduardo Prado Coelho volta a doar às massas mais uma brilhante elucubração sobre a rasteira actividade do povaréu).
Sob o sugestivo título “Prova Oral”, o Prof. Dr. Eduardo Prado Coelho - um vulto da intelectualidade lusa pós-moderna e neo-marxista - resolveu discorrer sobre as aventuras e desventuras da ralé, em matéria de hábitos literários. Segundo o douto intelectual, tudo volta a confluir no sentido de validar a mãe de todas as teses, que é a sua desde tempos imemoráveis: o povo, quando não é estúpido, é ignorante; e quando não é ignorante, é estúpido.
O nosso Eduardo - passemos a este tratamento mais intimista e carinhoso, já que EPC é já património nacional, quiçá mesmo da humanidade – o nosso Eduardo, dizia, chegou à conclusão, por exemplo, de que o povo (essa abstracta massa uniforme) ora liga peva à música clássica (leia-se «erudita»), ora quando se predispõe a fazê-lo, escolhe sempre os piores motivos, momentos e sítios – um «festival» ou uma «festa» em locais muito povoados. E sempre sob registo epiléptico."
Mas sobretudo, achincalhas um grande sportinguista! E quem desce a um tal ataque soez, fere não só o próprio, mas toda a Nação Lagarta, eu incluso!
Havemos de ajustar contas, mas só e apenas quando o raio de alcance da minha bengala puder atingir-te nas meninges! Anseio pelo jantar em que acabes a telefonar para o ramo de ortopedia da Médis em virtude de um traumatismo localizado! E não é a Marta que te vai atender!
Afixado por antónio b. em 9 de maio de 2005, às 18:02
Antes que cheguem por aí as críticas do costume, fica já a nota, indepententemente de eu concordar ou não com este post e o que é certo é que até lhe posso apontar uma ou outra falha, fica já a nota, dizia, que a verdade é que o JG tem todo o direito de fazer este tipo de textos sobre o que ele chama os Cromos da Blogosfera. De resto, se querem um blogue politica ou blogosferiscamente correcto e ainda por aqui andam é porque o Afixe anda descaracterizado, ou alguns já teriam mudado de poiso.
Quanto ao post: o CCCC é-me absolutamente indiferente, não o costumo ler. No entanto, a tua frase "ele, na realidade, chama-se Carlos do Carmo C. Carapinha e quer que "daqui em diante, os Pachecos Pereiras e os Danieis Oliveiras" passem a conceder-lhe "alguma credibilidade"." está completamente descontextualizada e indica em sentido inverso do pretendido. O que ele diz é algo bem distinto: "Para que conste e para que, daqui em diante, os Pachecos Pereiras e os Danieis Oliveiras passem a conceder-me alguma credibilidade (uma questão que me tiraria o sono caso não se verificasse, como, pelos vistos, foi o caso até à data)"
E pronto, é só isso!
Afixado por Monty em 9 de maio de 2005, às 18:26
Monty,
Julguei eu que citar a expressão "Pachecos Pereiras e os Danieis Oliveiras" bastaria para reconstruir a ironia presente no original. Talvez não; de qualquer forma, incluí o link para o post em apreço.
E esqueci-me de uma ressalva importante: o CCCC até costuma postar umas coisas interessantes sobre música e discos.
Na melhor nódoa cai o pano.
Afixado por JG em 9 de maio de 2005, às 18:43
Aqui, parece é que na melhor nódoa cai o pano.
Afixado por Emiéle em 9 de maio de 2005, às 19:09
Desculpem a piadinha fácil, mas não resisti.
Eu sou das que aprecia esta série.
E apoio o Monty quando diz: «se querem um blogue politica ou blogosferiscamente correcto» não venham ao Afixe. É que se assim fosse fugia eu já. Gosto dele tal como é, de várias cores, e vários paladares como o esquimó fresquinho.
E agora vou ler com mais atenção e seguir os links - fi-lo primeiro muito a correr.
Afixado por Emiéle em 9 de maio de 2005, às 19:14
Talvez bastasse, talvez tenhas razão, porém, neste tipo de post há que não dar abébias.
Afixado por monty em 9 de maio de 2005, às 19:14
Ó Emiéle, mas olha que foi isso que o JG disse!
Afixado por Monty em 9 de maio de 2005, às 19:50
Não sei se houve nódoa, nem se existe o pano. Mas que achei este post excelente, e por isso felicito o seu autor, não tenho a mínima dúvida. É que me irritam solenemente todos os saudosistas do passado para os quais os 48 anos de ditadura salazarista, não lhes foi suficiente para modificarem a sua opinião acerca daqueles que continuam e defender e a lutar pela preservação da liberdade.
Afixado por congeminações em 9 de maio de 2005, às 19:50
E mais uma vez lá vem o JG à procura do linque desejado! Porque afinal é isso, não é? A malta que não vos linca, que não vos adula, que não vos pisca o olho, que não vem cá comentar os excelentes posts vossos só merece ser achincalhada.
Muito bem, sim senhores.
Afixado por o chato em 9 de maio de 2005, às 19:52
Loool! :))
Monty, lembras-te de uma vez em que deixei aqui um texto que provava que quando se lê só se repara na primeira e última letra e o que está "dentro" da palavra não se "lê"??? Foi tal e qual o que me aconteceu. Li TÃO em diagonal, que VI o que supostamente devia lá estar, e não o que estava de facto. E daí o comentário. Mas fico muito lisonjeada porque só mostra que afinal penso como o JG...
(mas há dias em que estou mais cansada ainda, e hoje reconheço que não estou bem nos meus dias felizes; vou deixar os comentários para outra ocasião em que esteja mais fresca, antes de sair outra argolada)
Afixado por Emiéle em 9 de maio de 2005, às 20:09
Ó chato, dói-te o cotovelinho, é? Ou é o corninho? Ou és pura e simplesmente idiota?
Então não está visto que é isso mesmo? Malta que não nos linke, que não nos adule, que não nos pisque o olho, que não venha cá comentar os "excelentes posts nossos"...
Ora estás a ver como lá chegaste?
Pateta! O que é que esta maltosa terá na cabeça?
Afixado por Monty em 9 de maio de 2005, às 20:19
Eu gosto do Afixe. Não gosto é de te ver, Monty, a achincalhares as pessoas que criticam os posts. É só isso. Espero bem que não me chames 'medíocre' só por ter aqui deixado este comentário.
Afixado por catarina em 9 de maio de 2005, às 20:53
Há uns meses escrevi um post sobre os dez mandamentos de um blog de direita, em http://esdruxulos.blogspot.com/2004/12/os-dez-mandamentos-de-um-blog-de.html. O CCCC respondeu-me, cordialmente, em http://contra-a-corrente.blogspot.com/2004/12/uma-resposta-letra.html. Passe a publicidade ao meu post e à resposta do CCCC (limitou-se a contradizer-me, ao melhor estilo do sketch dos Monty Python em que um gajo é pago para discutir com outro), admiro-me como ele não culpou os blogs de esquerda (onde se inclui o meu) de fabricarem mitos como o aquecimento global, as violações dos direitos humanos em Guantanamo ou até o errorismo no Iraque. Realmente, essa do abade nem lembraria ao próprio Luís Delgado!
Afixado por esdruxulando em 9 de maio de 2005, às 21:00
Já vi que a palavra "achincalhar" está na ordem do dia. Não, Catarina, não vou fazer nada disso porque, ainda assim, o teu comentário é diferente do do Chato ou do post do Eufigénio. Esses sim, medíocres.
Ou achas que o JG faz estes posts a quem não nos linka, que não nos adula, não nos pisque o olho, que não venha cá comentar os "excelentes posts nossos"?
Não achas, pois não?
Quanto ao Eufigénio, não é por até o apreciar que deixo de qualificar de medíocre a atitude que teve, aliás, completamente a despropósito, como bem se viu, pois escolheu um post elogioso para o qualificar de, lá vem a tal palavra d moda, achincalhante. O que prova que nem o leu.
Não ler um post e falar sobre ele é um acto medíocre.
Afixado por Monty em 9 de maio de 2005, às 21:18
Bem, pelos vistos acharam excessiva a expressão que utilizei de, "excelente post", daí fazer parte dos que adulam os colaboradores deste espaço.
Sinceramente que isso não me incomoda. Venho aqui de
livre vontade, aprecio particularmente algumas abordagens, e naquelas tal, como o fiz no post de
JG, que me motivam, deixo o meu comentário.
Afixado por congeminações em 9 de maio de 2005, às 21:55
Monty, eu nem gosto nada destas coisas em público como sabes. E também não gosto nada que se peguem todos...depois acabam tudo por se chatear, enfim, não gosto. os posts do JG são o menos, as reacções é que são excessivas, a meu ver.
Agora tá a um zero e vou ver do resto do jogo.
Afixado por catarina em 9 de maio de 2005, às 22:24
Mas, vês, Catarina o erro está na paixão dos comentários! E o JG tem o "dom" desgraçado de fazer com que se leia o que ele não escreveu. é talvez por isso que me coloco tão frontalmente do seu lado.
Por mim, descontrolo-me quase, quando me acusm de dizer coisas que tinha tido a cautela em não dizer. Muitas vezes escrevo com todo o cuidado para as coisas ficarem claras, e de repente vira-se tudo do avesso!
Afixado por Emiéle em 10 de maio de 2005, às 08:24
JG analisar um blog e dar-lhe o epiteto real de cromo depende sempre da análise individual de cada pessoa. E como tu sabes essa análise por muito que tentes relaciona-se sempre com os teus gostos, tendências e quiça disposição diária.
Lendo os teus textos sobre os cromos concordo com o primeiro, parcialmente com o segundo (os elogios) mas discordo totalmente do terceiro.
E discordo do terceiro basicamente porque leio os teus textos, leio os do MacGuffin e são diametralmente opostos. Sois as diferentes faces da mesma moeda.Tu és de esquerda, ele de direita. Tu só vez a américa como mal do mundo a religião e o paulo portas. Ele vê o BE, o EPC e a esquerda em geral. Se ele é cromo...Tu és cromo.
Lendo estes três textos para ti cromos são aquelas pessoas de direita (a bomba para tanta futilidade tem que ser loira, ter 3 filhos e ser uma santanete :) ) com algum reconhecimento por parte da comunidade bloguistica e fora dela. Não digo que o reconhecimento seja justo ou não, isso não tem importância.
O que tem importância é que se fosses ladrão o teu modus - operandi estava quase descoberto... Ou talvez não e três cromos não dão grande média, são precisos muitos mais. Até porque médias sem variâncias são muito relativas.
Abraços :)
Afixado por transpose em 10 de maio de 2005, às 11:27
Transpose,
Por acaso, até acho que estás a leste da verdade: eu não sou, de forma alguma, a outra face da moeda, em oposição ao CCCC.
A diferença principal - e a que me leva a intitulá-lo "cromo", classificação que nada tem a ver com poliítica - é a sua imparável produção de generalizações insultuosas e apoucantes: frases que incluem a expressão "a esquerda é" pululam no seu blogue.
Eu, enquanto não ficar cheché, nunca me lembrarei de achar que a direita é coisa homogénea ou estúpida por igual. Outros bloggers de direita, como o Mexia, também não caem nessa armadilha de apanhar imbecis.
De resto, eu nunca vi os EUA - país que adoro -, nem a religião, tout court, "como mal do mundo".
Afixado por JG em 10 de maio de 2005, às 11:50
Sinceramente não faço a mínima quem seja o CCCC, tu, o que fazem ou deixam de fazer. Posso falar de mim, um gajo virado para a electronica e telecomunicacoes com pouco jeito para a escrita (não é que seja desculpa, mas é a realidade :) ) e tenho a noção que constantemente caio em vários clichés. Não gostaria, mas caio. Claro que se eu me chamasse Pedro Mexia, fosse escritor, tinha uma maior facilidade em falar das mais variadas questões aplicando os mais variados recursos estilisticos. É só para quem pode, não para quem quer...
Pode também o homem gostar de se manter fiel a um determinado estilo (estilo Paulo Coelho :) ) e achar que não deve mudar.
Melhor que eu sabes que os textos que linkaste do CC ou são respostas a textos de outros blogs ou respostas a diferenças ideológicas em que o único objectivo é discutir (e lançar polémica). Nestes casos a maioria das pessoas usa o Goebbels e as suas tacticas para dar um toque da sofisticação, humor e cinismo à coisa. Quando o objectivo é pormo-nos em bicos de pés, "falar alto", discutir ideologias e politicas, existem poucas maneiras de ser diferente e de ter abordagens diferentes.
Totalmente diferente é quando falas de histórias da tua vida, discos, histórias maradas, constatações diárias, pensamentos filosoficos,etc...
Abraços
Afixado por transpose em 10 de maio de 2005, às 16:14
Já acabaram?
Ora aqui vai o comentário do mafarrico.
Em primeiro lugar, a presunção. Acho piada quando certos bloggers ditam sentenças sumárias sobre outros bloggers ou blogues. Que raio de autoridade moral julga o João Garcez (JG) que tem? É especialista em «cromologia»? Se eu ou a Charlotte somos cromos, o JG é o quê: um especialista em botar sentenças ex-cathedra? Uma autoridade em matéria opinativa? Não será JG – e, no fundo, nós todos – um cromo? Não estará JG a demarcar-se quase que racistamente dos «outros», diabolizando a sua intervenção e colocando-se a si num pedestal asséptico - a coberto do engano, do erro, do exagero, da injustiça e da frase mais infeliz ou menos conseguida?
Em segundo lugar, a má-fé. É óbvio, demasiado óbvio até, que as generalizações valem o que valem e são, sobretudo, figuras de retórica. É óbvio, estupidamente óbvio, que sempre que me referi, e refiro, à «esquerda», como um todo, estou a meter no mesmo saco muitas esquerdas e muitos esquerdistas. Nem sempre dá jeito escrever “uma certa esquerda” ou “certos esquerdistas” ou “fulano A, B e C, de esquerda” e por aí fora. Quem nunca pecou com generalizações, que atire a primeira pedra. Não terá nunca JG escrito “a direita isto" ou “os direitistas aquilo”? E por que razão não vejo JG a «bater», com esta violência, em certos bloggers de esquerda que usam e abusam das generalizações? Quem me conhece e lê atentamente e, sobretudo, de cabeça limpa, sabe que nunca reduzi "a esquerda a um bando deplorável, capaz apenas das maiores malfeitorias”(sic). Expliquei, aliás, isso mais do que uma vez (aqui, aqui, aqui ou aqui). O texto do João Garcez está, por isso, saturada de má-fé, de golpes baixos, de ataques ad hominem injustos, ao deturpar o sentido de muitos textos e retirar de contexto frases que não faz sentido lerem-se assim, desgarradas, isoladas. É, aliás, uma técnica conhecida em certos meios, digamos, «fascistas». Mas ele é que sabe.
Em terceiro lugar, o tiro no pé. O que salta à vista no ‘post’ de JG é que JG não se coíbe de ser arrogante, deselegante, estereotipador e preconceituoso. Precisamente, aquilo de que ele acusa os outros. Dito de outra forma, o texto de JG morreu de uma overdose de presunção e pesporrência, que suicidou o conteúdo do mesmo.
Em quarto lugar, a falta de sentido de humor. O meu amigo Ricardo (do Babugem) costuma dizer, com alguma razão e graça, que o sentido de humor é o grande critério separador das águas (entre a esquerda e a direita, entenda-se). Cada vez mais me convenço que ele tem razão. A malta da esquerda, ao contrário da da direita, tende a levar as discussões e os debates demasiado a peito, fazendo, por vezes, das tripas coração para passar ao lado da ironia, do humor e da provocação benigna e descomplexada. Repare-se como, na caixa de comentários do texto de JG, um tal de ’esdruxulando', a propósito do meu ‘post’ sobre a seca e o aquecimento global, subverte tudo: o tom, o conteúdo, o alcance e o estilo. Nesse ‘post’, tentei, em jeito de paródia, alertar para o facto de ser necessário alguma dose de cautela, especialmente entre leigos, quando nos debruçamos sobre estes fenómenos atmosféricos ou meteorológicos, na medida em que o grau de conhecimento do passado não nos permite afiançar, com toda a certeza e cientificamente, das causas, ocorrências e recorrências destes fenómenos. Não sou eu que o digo: os próprios cientistas alertam para esse facto. A comunidade cientifica encontra-se, aliás, dividida, e por alguma razão será. É óbvio que não quis pôr em causa o fenómeno actual do aquecimento global, nem sequer sonegar o facto dos EUA serem, actualmente, o país que mais polui o mundo (e muito menos fazer do desgraçado do abade o maior especialista de sempre da matéria). Mas, lá está: tinham que pegar no meu texto sob a pior das perspectivas, retirando-lhe a graça e a ironia.
Por último, as tiradas ofensivas. Eu admito que tenha, em muitas ocasiões, esticado a corda com certos epítetos e determinadas acusações. Ainda assim, tirando dois ou três casos (o EPC, o Daniel Oliveira – que nunca aliás, deixei de respeitar – o JMF – idem) nunca fulanizei, particularizei ou diabolizei as coisas ao ponto a que chegou JG. Uma coisa é «bater» na esquerda, exagerando por via das generalizações. Outra é «bater» numa pessoa. Posso ter sido impreciso e generalista, mas sempre o fui em relação a objectos, conceitos, ideologias ou ideias. Aquilo que JG faz é, se me é permitido o comentário, um ataque soez à minha pessoa (com referências a Goebbels pelo caminho). Sintomaticamente, JG evitou discutir ideias e argumentos. Das três, uma: ou não os tem, ou acha os meus demasiado «básicos» para começar, ou quis, deliberadamente, achincalhar o outo.
Seja como for, tenho que agradecer o ataque. Fiquei a conhecer melhor o ser humano João Garcez.
Afixado por MacGuffin em 10 de maio de 2005, às 16:46
Ora boa tarde, excelso mafarrico!
Vamos lá por partes, para não nos perdermos de forma irrevogável. Primeiro, a minha "cromologia": dá jeito, muito jeito, ao CCCC falar em nome próprio e da Charlotte (a "Bomba"), escamoteando o alvejado intermédio, o Tiago, gajo de direita cuja prosa eu aprecio bastante.
Se tivermos em apreço este facto, claro que a classificação de "cromo" não é "diabolizante"; aliás, conto prolongar a série com outros bloggers que muito aprecio, começando pelo próprio Monty...
Depois, vêm as generalizações. Não há como apagar meses e meses de arquivos; o CCCC é mesmo cultor do género. E não; nunca escrevi "a direita isto" ou "os direitistas aquilo". Faço meu o reparo do Rui Tavares: os "evidentemente" e os "óbvios ululantes", carecendo de concretização, não valem pevide. Mas isso não tem impedido o CCCC de os usar de forma impenitente. São opções. E a minha reacção não é um "ataque ad hominem injusto": continuo firmemente convicto de que retratei com propriedade o sentido mais comum dos seus textos.
Sigamos para a magna questão do humor. Que o CCCC queira ver na direita uma incidência mais significativa do mesmo, é-me indiferente: cada um põe à frente dos olhos as palas que quer. Da mesma forma, se alguns comentadores aqui chegaram com ideias e palavras demasiado sérias, tal responsabilidade recai apenas sobre os seus ombros.
No que me toca, não vejo onde me terei enganado: a paródia do CCCC sobre as secas é um subterfúgio para comunicar ideias estultas e falsas: a de que a existência no passado de secas graves desmente a eventualidade de um aquecimento global e a de que todos os climatologistas que comungam destas preocupações (personalizados no tal "cientista do BE", presumo) são uns alucinados antiamericanos.
Percebi perfeitamente a ironia; e até percebi que se encontrava ao serviço da mais pura e estéril erística.
Por fim, as "tiradas ofensivas". Sim: é verdade que o amigo CCCC em muitas ocasiões (a mais recente sendo a do EPC) esticou a corda ao ponto do insulto. Eu não o fiz, sobretudo porque nem o conheço. Conheço apenas posições públicas como o entusiasmo com aquele vómito que o JPC atirou para o mundo a propósito do 11 de Setembro de 2004. Ou as dezenas (literalmente) de chistes e graçolas que me ofendem gratuitamente enquanto pessoa de esquerda. Ou julgará o CCCC que as suas amadas generalizações operam no vazio, deixando incólumes os seus alvos?
Não acho que "uma coisa é «bater» na esquerda, exagerando por via das generalizações. Outra é «bater» numa pessoa". Não. A tal "esquerda" não é uma manada de elefantes ou uma fiada de postes numa avenida qualquer. Somos pessoas. E também nos ofendemos com as suas generalizações, imagine. Mesmo sem lá lermos o nosso nome.
Se o "JG evitou discutir ideias e argumentos", a razão é outra: o que faz de si um verdadeiro "cromo" é a aposta reiterada na caricatura, na diabolização do adversário; nas suas próprias palavras, "achincalhar o outro". E é precisamente este hábito que indigna "o ser humano João Garcez".
Afixado por JG em 10 de maio de 2005, às 17:40
Eu tenho que agradecer a defesa. Fiquei a conhecer ainda melhor o ser humano CCCC. E a verdade é que é com estes pretos e brancos das esquerdas e direitas que vocês fodem o raciocínio todo. E, nesse campo, CCCC, Daniel Oliveira, Rui Tavares, JPCoutinho são tudo farinha do mesmo saco.
Quanto à questão da cromologia, caro CCCC, a resposta está dada e, aliás, fosses tu minimamente atento e terias reparado que, na vida e na blogosfera, de cromo todos temos um pouco. Já tens idade e tempo de blogosfera para teres percebido isso. Não te esqueças de seguir a série talvez venhas a entender isso de forma definitiva. Particularmente quando o JG fizer o boneco de pessoas de quem gosta – e o gajo tem-me uma adoração que nem te digo nada, pá!
Quanto à questão da falta de sentido de humor. "O meu amigo Ricardo (do Babugem) costuma dizer, com alguma razão e graça, que o sentido de humor é o grande critério separador das águas (entre a esquerda e a direita, entenda-se)".
Olha à tua volta, diz-me do que te ris e dir-te-ei quem és. O vizinho do quarto esquerdo ri-se da mulher a dar traques. So what? Isso faz dele o quê em termos políticos? Ó meu, não tem a ponta dum corno a ver.
Guardei o teu segundo ponto para terceiro para te poder mostrar a cara ao espelho. Então um gajo que pensa da forma como pensas e que divide as graças do mundo entre esquerdas e direitas tem a lata de dizer que é "estupidamente óbvio, que sempre que me referi, e refiro, à «esquerda», como um todo, estou a meter no mesmo saco muitas esquerdas e muitos esquerdistas."? E então, em que é que isso consola a malta que colocas a chafurdar no mesmo charco de lama? A mim não me consolaria nada andar a nadar contigo, por exemplo.
No capítulo da impudicícia, o teu último ponto, constitui um bom exemplo de como a energia e o ar de sinceridade com que se escamoteiam, se enquadram e se falseiam factos, faz com que às vezes a mentira pareça verdade.
Dizes tu: "Por último, as tiradas ofensivas. Eu admito que tenha, em muitas ocasiões, esticado a corda com certos epítetos e determinadas acusações. Ainda assim, tirando dois ou três casos (o EPC, o Daniel Oliveira – que nunca aliás, deixei de respeitar – o JMF – idem) nunca fulanizei, particularizei ou diabolizei as coisas ao ponto a que chegou JG."
Auto contestas-te como é bom de ver - salvo a vez em que matei três pessoas, nunca matei ninguém - "tirando dois ou três casos nunca fulanizei, particularizei ou diabolizei as coisas ao ponto a que chegou JG."
"Uma coisa é «bater» na esquerda, exagerando por via das generalizações. Outra é «bater» numa pessoa. Posso ter sido impreciso e generalista, mas sempre o fui em relação a objectos, conceitos, ideologias ou ideias"
Acabaste de dizer que já o disseste de, pelo menos, três pessoas, que não objectos, conceitos, ideologias ou ideias.
"Aquilo que JG faz é, se me é permitido o comentário, um ataque soez à minha pessoa (com referências a Goebbels pelo caminho). Sintomaticamente, JG evitou discutir ideias e argumentos. Das três, uma: ou não os tem, ou acha os meus demasiado «básicos» para começar, ou quis, deliberadamente, achincalhar o outo."
Lérias, pá, lérias. O gajo descobriu-te a carapuça, provou o que disse, como é costume dele, e tu ficaste com as orelhas a arder. Soez é a tua negação!
Afixado por monty em 10 de maio de 2005, às 19:07
Monty, Meu Caro Amigo (toque cordial antes de te mandar chumbo)
tirando o tom gratuitamente ofensivo com que te diriges ao CCCC, espreme lá o que escreveste e troca lá por miúdos que se entendam a tua argumentação.
O quê? O Jonas queixou-se de generalizações fáceis sobre a esquerda? Totalmente de acordo! E tu também achas que sim ("E então, em que é que isso consola a malta que colocas a chafurdar no mesmo charco de lama?")
Mas antes disso tudo tu atiras com esta, tudo malta pró mesmo charco:
"E, nesse campo, CCCC, Daniel Oliveira, Rui Tavares, JPCoutinho são tudo farinha do mesmo saco."
Epá! Queres ver que tu às vezes também te cai a boca prá generalização? E será das fáceis ou das difíceis? Será um generalização complexa ou quasi-complexa? Ou será só simplista?
com estima
Afixado por antónio b. em 10 de maio de 2005, às 19:52
António:
Tirando o tom gratuitamente ofensivo com que a mim te diriges, acusando-me, implicitamente, do pior dos pecados: a mediocridade (designadamente quando referes: "espreme lá o que escreveste e troca lá por miúdos que se entendam a tua argumentação"), apenas tenho a dizer-te que é ténue a diferença entre analfabetismo e iliteracia, pelo que, não me vou dedicar a trocar por outras palavras o que em bom português escrevi. Volta lá e esforça-te mais um bocadinho, porque acredito que estás apenas com preguiça e que não sofres de nenhum daqueles males.
(só uma dica: atirar com o CCCC, Daniel Oliveira, Rui Tavares, JPCoutinho para o mesmo saco de farinha dificilmente poderá ser entendido como uma generalização fácil. Estão lá quatro nomes bem concretos em relação a uma atitude que os caracteriza: a forma como dividem todo o pensar em esquerdas e direitas, pretos e brancos, esquecendo que o mundo é feito de cinzentos - desculpa a dica, mas face à dificuldade que revelaste em compreender a minha argumentação, achei por bem dar-te uma pequena ajuda).
Afixado por Monty em 10 de maio de 2005, às 20:23
Caro JG,
Há uma passagem, no teu comentário, muito esclarecedora quanto à justeza dos teus métodos e à forma como te posicionas em relação aos «outros», sobretudo quando os outros, depois de serem atacados, vêm a tua casa comentar e explicar alguns pontos enlevados, quais parvos, de boa-vontade:
“a paródia do CCCC sobre as secas é um subterfúgio para comunicar ideias estultas e falsas: a de que a existência no passado de secas graves desmente a eventualidade de um aquecimento global e a de que todos os climatologistas que comungam destas preocupações (personalizados no tal "cientista do BE", presumo) são uns alucinados antiamericanos.”
Isto, depois de eu ter escrito:
“Nesse ‘post’, tentei, em jeito de paródia, alertar para o facto de ser necessário alguma dose de cautela, especialmente entre leigos, quando nos debruçamos sobre estes fenómenos atmosféricos ou meteorológicos, na medida em que o grau de conhecimento do passado não nos permite afiançar, com toda a certeza e cientificamente, das causas, ocorrências e recorrências destes fenómenos. Não sou eu que o digo: os próprios cientistas alertam para esse facto. A comunidade cientifica encontra-se, aliás, dividida, e por alguma razão será. É óbvio que não quis pôr em causa o fenómeno actual do aquecimento global, nem sequer sonegar o facto dos EUA serem, actualmente, o país que mais polui o mundo (e muito menos fazer do desgraçado do abade o maior especialista de sempre da matéria).”
Curioso, não é? Rejeitas, pura, simples e sumariamente, a minha explicação ou, se quiseres, a minha adenda. Estiveste-te nas tintas para o facto de: a) eu ter reconhecido o fenómeno do aquecimento global; b) ter aceite que os EUA, nesta matéria, não são propriamente inocentes; c) haver cientistas que põem em causa a teoria do doomsday, inclinando-se, ou atribuindo ponderação, a causas e razões exógenas (as tempestades solares, p.ex.) a par da acção do homem. É óbvio que sim: tu estiveste sempre interessado, desde o primeiro minuto, em debater ideias.
A má-fé e a presunção continua quando fazes um caso do facto de eu não ter mencionado o ‘post’ sobre o Tiago. Nem sequer colocas em hipótese – podia lá ser, homem! – que eu não tenha lido o dito «cromo». É verdade, saltei o dito ‘post’ por mera distracção (é mentira, claro, já sabes como eu sou).
Foste muito expedito a retirar frases do contexto original, mas nem sequer comentas ou fazes referência aos textos por mim ‘linkados’, onde eu tive o cuidado de explicar e ressalvar essa coisa das «generalizações» e onde, por exemplo, coloco a esquerda de igual para igual com a direita (no sentido de serem ambas cosmovisões legítimas sobre a vida e a organização do mundo). Era caso para recorrer a um tal de João Garcez e responder da seguinte forma: se alguns esquerdistas chegaram ao meu blogue com melindres exagerados e encanitamentos pueris, tal responsabilidade recai apenas sobre os seus ombros. O velho e popular “cada um enfia a carapuça que lhe serve”.
Também nunca disse, ou supus, que a esquerda é uma manada de elefantes ou uma fiada de postes numa avenida qualquer. A esquerda e a direita são conceitos, não são pessoas. Na realidade, a esquerda e a direita não existem, na medida em que a elas não pertencem grupos homogéneos ou representantes exclusivos.
Já expliquei, várias vezes, por que razão utilizo e se utilizam (não sou só eu a fazê-lo) generalizações. Daniel Oliveira, JMF, Jorge Palinhos, Filipe Moura, José Mário Silva, tanta gente na blogosfera se refere à “direita” (genericamente), para a criticar. Só mesmo uma mente distorcida e imbuída de má-fé poderia «ofender-se» com isso, ou levar à letra essas críticas género: “eles estão a dizer mal da direita, eu sou de direita, eles estão a dizer mal de mim!”. Isso é tão estúpido que nem dá, ou daria, para discutir ou mencionar. Só mesmo absolutistas empedernidos ou idiotas da objectividade levariam as coisas a esse ponto. E se não é estupidez ou má-fé, é criancice, imaturidade, falta de poder de encaixe. Quando alguém explica, várias vezes, o uso que faz das generalizações, fazendo ressalvar que não é para levar à letra na exacta medida em que (escrevi-o dezenas de vezes), há esquerdas e esquerdas – ou seja, há esquerdas e gente de esquerda com quem dá gozo discutir política, por muito diferentes que sejam as nossas opiniões – e a outra pessoa faz orelhas moucas relativamente a essa explicação e a essa (re)contextualização, insistindo em radicalizar o discurso e rejeitando qualquer espécie de conciliação – então aí, meu caro, já entramos no domínio da (já) referida má-fé. A partir daí sabe-se que se está a debater com alguém que, presunçosa e cegamente, pensa que já viu o filme todo: não passo de um escarro direitista, de linhagem maniqueísta, bushista e neo-liberal, para quem os esquerdistas deveriam ser erradicados da face da terra (se possível queimados). O facto da maioria dos meus amigos ser de esquerda (alguns, até, da esquerda mais esquerda, vê lá bem!), respeitarem a minha opinião (tal como eu a deles) e serem leitores assíduos e nada melindrados do Contra, só pode ter uma explicação: eu ando enganado e eles são uns frouxos e estúpidos. Ah, pois é: os amigos não contam. Amigo é amigo. O facto de, por diversas vezes, ter criticado a direita, também não serve. Nada serve, não é João?.
É claro que o teu ‘post’ sobre o Espada (figura que, devo dizer-te, acho demasiado fundamentalista na direita) é de uma elegância a toda a prova. Nem o apelidas de, por exemplo, “parolo caçador de autógrafos filosóficos”. No mesmo texto sobre o «parolo» do Espada, deixas no ar a ideia de que aceitarias, de bom grado, subscrevendo se fosse necessário, a aplicação da expressão “cultura de morte” aos que “por exemplo, apoiaram a invasão do Iraque e que menorizam, ainda hoje, as dezenas e dezenas de milhares de inocentes que as aventuras de Bush II já assassinaram.”(sic) Por mais de uma vez, injectas o nome de Hitler no sentido de equiparares toda e qualquer conversa sobre “relativismo” à cultura política-filosófica do Sr. Adolfo. Junta agora estas insinuações à crítica que fazes ao mafarrico JPP. Curioso, não é?
Mais curiosidades da tua lavra: apelidas as opiniões contrárias de «baboseiras»; referes-te a essas opiniões como «lapsos de acefalia»; e por aí fora.
Desculpem a maçada de aqui ter vindo conspurcar o espaço. Só tenho uma coisa a dizer-te, João: leva lá a taça. Topaste-me. Tens toda a razão.
Envergonhado, retiro-me.
Afixado por MacGuffin em 10 de maio de 2005, às 21:21
Sou de esquerda. Assumidamente de esquerda. Mas isso pouco interessa para o caso. Se há coisa que aqui ficou provada, é esta: há «esquerdistas» (detesto esta designação) que dão mau nome à esquerda. Julgam-se, vá-se lá saber porquê, seus representantes e seus defensores quando, na realidade, defenderiam bem melhor a sua dama se ocultassem a sua mendaz postura paternalista e arrogante. Ou seja, se ficassem calados. A atitude de JG e de Monty para com o Carlos «McGuffin» é vergonhosa. Chama-se a isto, perder a razão. Tomara que um dia JG chegue aos pés desse McGuffin, no que há cordialidade, polidez e educação diz respeito. Tudo isto teria sido evitado se JG tivesse um décimo do savoi-faire, da boa-fé, da tolerância e da maturidade demonstradas pelo McGuffin, que mais não fez do que gastar o seu latim com quem não está minimamente interessado em discutir e apenas achincalhar. Sim, o McGuffin é um bloguista criticável (sim, as suas generalizações, como as de tantos outros, são por vezes injustas). Mas nunca da forma por vós escolhida. Uma tristeza.
Afixado por Mariana em 10 de maio de 2005, às 22:36
Parabéns, Mariana, acabaste de ganhar um vale de compras na barraquinha de recordações da festa do Avante. Foste a 100ª pessoa a utilizar a palavra achincalhar no Afixe na última semana.
Afixado por Monty em 10 de maio de 2005, às 22:57
Carlos,
Vou de novo circunscrever-me a uma frugal enumeração dos pontos que quero colocar nos devidos locais.
1- Escrevi sempre sobre o teu post. Acrescentos, desculpas ou "adendas" a posteriori não foram para aqui chamadas. A paródia que postaste é o que é, analisei-a com precisão e ainda lá continua afixada para quem queira tirar dúvidas. No meu texto, o interesse em "em debater ideias" é em rigor igual à seriedade do teu post original.
2- Aceito sem rebuços que não tenhas reparado que um dos "cromos" que mencionei até escreve coisas do meu agrado (mesmo sendo de direita, mesmo sendo homem religioso). Admito que este teu lapso não implique a existência da tal "má-fé e a presunção" que tu agora lês nas minhas palavras.
3- Não me apetecia reproduzir todo o teu blog; citei frases reveladoras mas mantive links para o seu "contexto original". Mantenho que usas e abusas de generalizações; e estou longe de ter sido o primeiro a ter dado por isso.
4- Engraçado: descobres que "a esquerda e a direita são conceitos, não são pessoas". Deve ser por isso que passas a vida a postular coisas como "para Miguel Portas e para a generalidade da esquerda hard, o Sr. Bin Laden e a sua al Qaeda representam a voz dos excluídos, dos humilhados, dos «danados da fome»" ou "qualquer pessoa com os ouvidos e olhos apurados percebe que o anti-semitismo (o amador e o profissional) vem, hoje em dia, sobretudo da esquerda". Isto é discussão de conceitos no seu melhor, há que convir. E abundam tristes exemplos destes pelo teu blog afora.
5- Decretas que ninguém se pode ofender quando recebe um dos teus insultos genéricos. Quer isto dizer que se eu afirmar que todos os indivíduos de nome "Carapinha" são pedaços de asno convencidos, tu te quedarás impávido e sorridente? Claro que não; tomas a frase estúpida pelo que ela é: um insulto que também se dirige a ti e a pessoas que te são queridas.
Imagina que se passa o mesmo comigo, quando te vejo aplaudir entusiasmado insultos generalizantes e nojentos como: "’mereceram!’, diziam, com o típico brilho nos olhos que identifica, de imediato, o filho da puta nazi sem a humanidade natural que nos distingue dos bichos da selva. Primeiro mito a desfazer: para a esmagadora maioria, o 11 de Setembro foi o dia de apagar as velas. Um dia festivo. O dia mais feliz das vidas deles" , obras do teu amado mestre JPC...
Teria eu portanto de comer e calar, sob pena de me considerares, com suma elegância, "uma mente distorcida e imbuída de má-fé", carregadinha de estupidez e exclusiva de "absolutistas empedernidos ou idiotas da objectividade" (mas eu é que me comporto "presunçosa e cegamente"). Olha: tu poderás escolher viver num mundo onde a honradez e os insultos não significam grande coisa. Mas não me queiras arrastar para lá.
6- Por que diabos insistes no registo chocarreiro, de dedito acusador sempre em riste, se ele "não é para levar à letra"? Ou será que querias dizer "não é para levar a sério?".
7 - A menção dos teus amigos só me recorda aquele velho argumento do "racista, eu? mas se até tenho amigos pretos!" Irrelevante e escusado.
8- Deixa lá o Espada em paz que ele nada tem a ver com a nossa conversa: não me leste nesse post a elaborar sentenças do tipo que te é caro: "a direitas isto", "os direitistas aquilo". Mais: apenas citei o "Sr. Adolfo" uma vez nesse post e não para o equiparar a "toda e qualquer conversa sobre relativismo". O que escrevi foi apenas isto: "não se apoquentem em excesso, que os avisos catastrofistas de iminente naufrágio ético do nosso mundo já vêm de longe: 'Retirem à Humanidade actual os seus princípios religiosos e dogmáticos – ou, na prática, os seus princípios ético-morais – abolindo a educação religiosa sem a trocar por um equivalente, e o resultado será um grande choque nas fundações da sua existência.' O autor desta profecia foi um outro famoso defensor da Civilização Ocidental: Adolf Hitler." Mais uma das tuas generalizações que aterra ao lado do alvo.
9- Obrigado pela taça. Fica a sinalizar a falta de fair-play de alguém que aprecia espalhar fel sobre os adversários mas que gostaria de manter sempre o sobretudo limpinho...
Mariana,
"Cordialidade, polidez e educação", "savoir-faire", "boa-fé", "tolerância" e "maturidade" é o que embevecida vês em alguém que não tem pejo em recorrer a finas expressões como "absolutistas empedernidos", "idiotas da objectividade", "estupidez ou má-fé", "criancice, imaturidade"?
Lindos padrões, os teus...
Afixado por JG em 11 de maio de 2005, às 14:08
Já agora o que é um cromo dificil? Cromo dificil de arranjar, tornando-se valioso ou raro? Cromo com pouca cola que se torna de dificil colagem na caderneta?
Afixado por transpose em 11 de maio de 2005, às 17:19
Desculpa, queres que eu vá a um dicionário electrónico e depois te disponibilize a definição para o mail num documento de pdf? :))))))
Abraços
Afixado por transpose em 11 de maio de 2005, às 18:30
Isso, isso, continue João. Está a ir muito bem.
Os meus critérios ainda me permitem ver que há uma diferença entre dizer “todos os indivíduos chamados «Garcez» são pedaços de asno convencidos” e dizer “há gente de esquerda que é anti-semita” ou “há gente à esquerda que não se compadeceu com o 11 de Setembro”. Os meus critérios ainda me permitem ver que há uma diferença entre dizer “fulano A é estúpido” ou dizer “a lógica optada por fulano A é uma lógica estúpida”. É que todos nós podemos dizer ou fazer coisas estúpidas, o que não é o mesmo que dizer que somos estúpidos, tout court. Quem não percebe isso, não percebe nada. O seu problema, João Garcez, é que, no meio de coisas acertadas, você faz questão de perder a razão quando recorre à má-fé (e aqui o McGufin tem toda a razão) para distorcer e omitir e retirar do contexto. O seu problema é que, para si, não há graus, níveis ou patamares. Tudo por si é nivelado (exagerado) de uma forma que eu diria um pouco doentia de tão quezilenta e agressiva. Quase arruaceira. Você é uma pilha de nervoseira a que se juntou uma total deslealdade orgânica para com um seu colega que não é, nem de longe nem de perto, como você o pinta.
Mas continue. Porrada no pulha. Vá lá, todos a bater no homem.
Afixado por Mariana em 11 de maio de 2005, às 20:52
Mariana.
Experimente antes "caramba: qualquer pessoa com os ouvidos e olhos apurados percebe que o anti-semitismo (o amador e o profissional) vem, hoje em dia, sobretudo da esquerda", frase da lavra do seu McGuffin, e "’mereceram!’, diziam, com o típico brilho nos olhos que identifica, de imediato, o filho da puta nazi sem a humanidade natural que nos distingue dos bichos da selva. Primeiro mito a desfazer: para a esmagadora maioria, o 11 de Setembro foi o dia de apagar as velas. Um dia festivo. O dia mais feliz das vidas deles", prosa de JPC que ele aplaudiu entusiasmado. As coisas já não parecem tão claras, não é?
Mas eu é que sou "quezilento"...
Afixado por JG em 12 de maio de 2005, às 00:22
João,
Já lhe perguntou se ele concordou com TUDO o que JPC escreveu? Já lhe perguntou se ele achou exageradas algumas frases, ou alguns termos, apesar de ter concordado, na altura, com a mensagem geral de JPC? Já lhe perguntou por que gostou ele tanto assim desse texto? Se houve, na altura, um contexto específico? É que você parte logo do princípio de que ele assinaria tudo, ipsis verbi, só porque ele disse que era o melhor texto sobre o 11 de Setembro. Além disso eles são amigos. É como lhe disse: você não tem a mínima das calmas porque você presume logo tudo, acha logo que as intenções são as piores, os preconceitos estão ao rubro. Nem sequer se predispõe a dialogar (por exemplo, perguntando). Para si, tudo está claro. Para si, dali só pode vir porcaria. Basta comparar a forma como o Carlos ‘McGuffin’ (que eu não conheço e com quem nunca falei) já admitiu que por vezes exagera, outras vezes erra e que nem sempre acerta no tom, e a forma como você continua implacável, senhor das suas sentenças, agarrado aos seus preconceitos, para perceber aquilo que digo. “Ah! mas ele disse que o anti-semitismo vem sobretudo da esquerda!”. E depois? É a opinião dele (que ele tenta sempre fundamentar minimamente). Para quê tanto melindre? Como lhe disse, sou de esquerda e não acredito que assim seja (não concordo com ele), mas compreendo que ele o diga, dado o facto de ser da esquerda que surgem as vozes mais exageradamente criticas em relação a Israel e ao suposto lóbi maquiavélico dos judeus (e não me venha dizer que não é assim!). E , como ele já disse, isso não significa que ele ache que você ou a generalidade dos bloguistas de esquerda são anti-semitas. É esse benefício da dúvida que você não lhe quer dar. Sumariamente, você já o julgou. A sua intransigência, o seu assanhamento e a sua cegueira pela objectividade de um vocábulo dito aqui, e outro acolá, nem sequer lhe permitem ver a figura de intolerante e surdo que você adoptou. É o mesmo tipo de intolerância que eu vejo em certos tipos de uma certa direita (nem vale a pena lançar nomes «acidentalmente»). Você nem discutir – no sentido mais nobre - sabe ou quer. Eu não estou para aqui a defender o CCCC, até porque discordo de muita coisa e já por vezes me irritei com certas afirmações (embora às vezes acabe a pensar que, se calhar, o tipo tinha razão em certos pontos). Mesmo discordando dele, não posso deixar de dizer que, sendo eu de esquerda (ou também vai pôr isso em causa?), gosto muito do Contra a Corrente e acho que é um bom exemplo de correcção e nível dentro dos blogs de direita. Quem nos dera a nós que, no campo dos blogs políticos situados à direita, todos fossem assim. Mas, tudo bem, fique lá com a sua. Estamos só a conversar e eu não o quero convencer de nada. A sua opinião está mais do que formada.
Afixado por Mariana em 12 de maio de 2005, às 14:25
