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maio 27, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 12 Dia

27 de Maio de 1990
Chegou ao fim o último Domingo, Joãozito.
Hoje, a família, os amigos, os colegas de Lisboa decidiram fazer uma romaria ao Hospital de Santarém. Por momentos, senti-me a mãe da Maria do Céu. E, queres saber? Soube bem!!
Só que estou de rastos e tu também deves estar que a mãe quase que nem te sente. Creio que hoje vamos estar a dormir na hora das bolachas.
Entretanto, logo de manhãzinha, antes de começar a confusão, estivemos na nossa janela. E vimos o Tejo. Creio que foi a força necessária para aguentar a hora da visita.
É bom estar rodeado de amigos, mas não há dúvida, meu amor, e isto é um bocadinho feio de dizer, mas não há dúvida, dizia eu, que os melhores momentos são os que passamos só os dois. Na nossa janela, por exemplo. Aguardando que os últimos dias passem e despedindo-nos destes meses em que nos tivemos, um ao outro, 24 horas em 24 horas.
Estou cansada e um bocadinho melancólica. Não dá para te explicar o que se passa na cabeça e no coração da mãe. Um dia, quando fores maior, e estivermos, os dois, a passear ao pé do Tejo, se descobrirmos, lá de longe, a janela onde te trazia a passear, a mãe tentará contar-te um pouquinho do que se sente nestes últimos dias, em que te tenho só para mim e em que tu só me tens a mim.
Até amanhã, bebé. Dorme bem.
Afixado por Isabel em 27 de maio de 2005, às 21:36
Afixadelas
O João deve dar-te muitos beijinhos e abraços depois de ler estes posts que escreves não?
Se a minha mãe me escrevesse isto, era o que fazia.
Bin
Afixado por bin da fauna em 27 de maio de 2005, às 22:24
Bin, sejam estas ou outras são sempre bonitas as histórias que as nossas mães nos contam. Nós, às vezes, é que não nos lembramos delas,
Afixado por isabel em 28 de maio de 2005, às 00:53
Ontem li ainda não estava em itálico, mas como fui a uma festa de aniversário, já nem comentei. Há poucas coisas tão boas como uma doce expectativa.
Afixado por susana em 28 de maio de 2005, às 14:54
Tenho andado esta manhã a saltatitar de texto para texto. Comecei por cima, o que é disparate porque é ao contrário da ordem cronológica...
Mas a verdade é que a cronologia não tem aqui lá muita importância, o que escreveste tem oportunidade em qualquer momento.
É muito engraçado a oscilação de humor que se sente quem está fragilizado num hospital. Porque é mesmo como transmites: quando vem muita gente é uma estafa, mas se não vem ninguém sentimo-nos um bocado sós... Complicado.
Claro que nesta história tão bonita, nunca estarias sozinha. Noutras situações é muito diferente. Mas esta contagem decrescente é linda, sabendo nós como acabou tão bem, e como tens agora um bébé com mais de 1,80 m!!!!
Afixado por Emiéle em 30 de maio de 2005, às 08:05
