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maio 21, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 6º dia

21 de Maio de 1990
Ontem não deu para escrever nada. Ficou uma folha em branco. Apesar de tudo, parece que a normalidade, aqui, é menos difícil de suportar. Pelo menos, é muito menos cansativa. Se o Sábado foi um desastre, o Domingo foi, mesmo, para esquecer.
Hoje fomos fazer uma ecografia. Está tudo bem contigo só que, definitivamente, não deste “a volta”. Meu amor, a mãe deve dizer-te que, apesar disso significar um buraco na barriga, te compreendo perfeitamente. Quem é que troca estar comodamente sentado no barriguinha da mãe por andar de pernas para o ar?
O Doutor disse que isso vai implicar uma cesariana (aquele tal buraquito que te falei, e que não me rala nada) e que possivelmente não vamos aguardar até ao dia 4 de Junho. Falou lá para Segunda ou Terça-Feira da Semana que vem. Meu amor, se for Segunda, nascemos no mesmo dia. Depois tu emprestas-me o teu bolo para pôr as minhas velas???
Talvez falte, apenas, 8 dias, para ver a cor dos teus olhos. Hoje, na ecografia, bem tentei, mas não resultou.
O Doutor disse, também, que amanhã vamos, de novo fazer o CTG, agora, ao som das Quatro Estações. Vais ver que vais gostar, e eu vou conseguir que a tensão se mantenha em níveis aceitáveis. Promessa de mãe.
Olha, serinho da mãe, vem aí a Sra. Enfermeira com a chávena do chá. Está na hora de ir à gaveta buscar o nosso “suplemento” diário de Bolachas Triunfo.
Hoje estou feliz. Esta tarde a tensão estava controlada. E tu estás farto de saltar. A sério, desde a ecografia que não paraste de me dar pontapés. Deves ter gostado de te ver na televisão. Eu adorei. Como vamos ser do mesmo signo, devemos ter gostos semelhantes!
Ao ataque, as Bolachas Trinufo esperam por nós!!!
Afixado por Isabel em 21 de maio de 2005, às 17:51
Afixadelas
A "normalidade" é o dia a dia da semana? O fim-de-semana será o anormal... faz sentido. E o reboliço das visitas e essa agitação toda, faz muita confusão.
O sentires que há uma data marcada, deve ser uma boa sensação. Pode fazer-se contagem decrescente, e pensar que a comida sem sal tem os dias contados.
Essa história das cambalhotas que eles dão também me faz uma certa confusão. No nosso mundo é estar de cabaça para baixo, mas lá dentro não é o nosso mundo, é outra dimensão diferente. É quase como nós imaginarmos que os australianos também andam de cabeça para baixo...
Isto é muita complicado!!!
Afixado por Emiéle em 21 de maio de 2005, às 19:15
