« Uma questão de prioridades | Entrada | Dia Glorioso »

maio 24, 2005

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 9º dia

gravida 4.jpg

24 de Maio de 1990

Não temos novidades,serinho. Veio cá a avó Inês e trouxe-te um fato pequenininho que fez para ti.
Comemos peixe cozido ao almoço, o que é raro acontecer, tirando 97% das refeições.
O peixe cozido não tinha sal, o que é raro acontecer, tirando 99.9% das refeições.
Fomos fazer um novo CTG e a mãe acha que tu já acompanhas a música, com os teus pezitos na minha barriga. A tensão manteve-se alta, mas estável.
E foi um dia calmo. Pedi para ir um bocadinho para a janela da sala de espera, enquanto não havia visitas. Dá para ver o Tejo e a planície. Do outro lado vê-se a terra da mãe e dos avós.
Ontem, um amigo trouxe um livro e hoje, à janela, estive a lê-lo, alto, para ti. Possivelmente não percebeste. Mas a mim soube bem. Fala de buscas. Da busca da razão da vida. De uma razão para a vida. Hoje não precisaria de o ler para a encontrar, meu amor, mas já aconteceu...outros tempos, muito antes de teres começado a brincar e a chuchar no dedo, dentro de mim.
Talvez fosse a leitura do livro e o Tejo que permitiram que não custasse muito a pergunta que, a mãe sabia, um dia viria.
“Nunca tem visita às sete, pois não, Isabel?”
Não, nunca temos visita às sete, vingamo-nos com a das duas...e com a nossa janela cheia de azul e de verde, pensei, baixinho, para ti.
“Não está cá o pai do João Pedro”, respondi. Não menti. Não está cá o pai, meu amor.

Afixado por Isabel em 24 de maio de 2005, às 22:08

Afixadelas

Gosto tanto de ler estes teus textos, Isabel! Identifico-me tanto com os sentimentos que neles expressas. Obrigada.
Às vezes chamo à minha filha a minha Estrela Polar.

Afixado por Zu em 24 de maio de 2005, às 23:29

Mas estava uma grande mãe, uma boa mãe, uma mãe que amava por dois.
Que bom deixares partilhar contigo estes momentos.
Que generosidade a tua Isabel.

Afixado por Emiéle em 24 de maio de 2005, às 23:30

È um regalo á alma ler os teus textos. No outro dia em conversa com outro Troll comentava-mos que só esperamos pelo teu 1º Livro de histórias infantis. Na tua pena seria certamente um best Seller. A sério. Até lá vamos "apenas" ler os tuas maravilhosas postas e fazermos delas as "nossas" histórias para contar á noite aos nossos ninos.
Obrigado

Afixado por Daniel Arruda em 24 de maio de 2005, às 23:44

Que bonito, Zu. Estrela Polar. Eles são mesmo isso para nós, não são?

Émiéle, que bom ter-te sempre por perto, quando os partlho...

Daniel,duvido dessa do livro infantil...não sou muito boa na ficção...mas que bom ( e por motivos, para nós muito óbvios) ler essas tuas palavras aqui.


Afixado por isabel em 25 de maio de 2005, às 00:05

São, sim, Isabel. Quando tudo parece ruir à nossa volta, eles dão sentido à nossa vida e apontam o rumo a tomar. Trazem o melhor que temos cá dentro à superfície. E com um abraço ou um beijo de um filho, nunca estamos verdadeiramente sós, nem totalmente infelizes.

Afixado por Zu em 25 de maio de 2005, às 01:21

Isabel tenho acompanhado estas crónicas atentamente, são autênticas dádivas de amor!

Beijo

Afixado por bin.tex em 25 de maio de 2005, às 01:37

tada a sorte de que precisares, tu e ele!
e tudo a correr bem!

Afixado por jorge em 25 de maio de 2005, às 02:03

Boa noite.

Afixado por susana em 25 de maio de 2005, às 02:04

Bom Dia!
:)

Afixado por Emiéle em 25 de maio de 2005, às 07:52

Isabel,
Porque haveria de ser ficção?!?!?! Porque não um livro de histórias reais que levasse os pais a pensar e que os obrigasse a fazer histórias e a pensar sobre as suas próprias. Seria um conceito diferente. Em vez da lenga-lenga tradicional, histórias infantis de vida real, de todos nós.

Não te estou a tentar convencer, mas podias pensar nisso.

Afixado por Daniel Arruda em 25 de maio de 2005, às 18:28

BlogRating online