« abril 2005 | Entrada | junho 2005 »
maio 31, 2005
Marionetes em Évora

Confesso que hoje estou sem inspiração. E cansada. A Émiéle deu as notícias do dia e porque, agora, tenho um ser multimembral e multiorgânico (garanto que sei que estes termos não devem existir, mas não sei como se deve chamar ao ser) no serviço, nem tive tempo de as ler. Abri uma excepção para o dia dos Vizinhos, porque a minha me apanha a roupa.
Confesso que vi o post sobre a masturbação do Sharky e lá me pronunciei, porque, sejamos sinceros, para o prazer a gente sempre arranja um bocadito de tempo e de disposição para pensar, apesar dos multi membros e órgãos estarem de volta de nós, a moerem-nos o juízo. Agora, chego a casa e vejo que tou feita: o contrato dizia um por dia. E até agora não saiu népia.
Tentei pensar no Sócrates que parece que está a falar, mas achei masoquismo a mais, para quem sobrevive a um dia de multis. Pensei em falar doutro prazer qualquer, mas achei que o prazer é para se digerir devagarinho. Se hoje era o dia da masturbação, que nos fiquemos por ela.
Então decidi vir aqui só para vos avisar, que, segundo o Público, num link que eu, agora, aqui faria, mas não tou p’ra isso, começa hoje a IX Bienal Internacional de Marionetas de Évora com a participação de 22 companhias europeias e americanas. Vão ser apresentados 83 espectáculos, a maioria deles, ao ar livre
Ao ler esta notícia, lembrei-me das férias na Nazaré, na infância e no princípio da adolescência, quando uma barraquinha com “Robertos” ia apresentar os seus números, na Praia. Eu comia Tamares, Bolas de Berlim e Bolos de Arroz, que as peixeiras com sete saias vendiam dentro de umas latas enormes com tabuleiros, apaixonava-me cada dia por um puto duma barraca diferente, que nunca sabia que eu estava apaixonada por ele, mas não fazia mal, porque depois vinham os “Robertos” e eu ria-me muito e esquecia o da 2º barraca. Na outra manhã, p’raí às 10h00, cheia de frio e de nevoeiro, que, para a Nazaré, a gente vai sempre com uma certa dose de masoquismo, ainda havia, pelo menos, mais umas 7 ou 8 barraquinhas, só naquela fila, por explorar.
Portanto, quem puder, não se esqueça de ir a Évora ver as marionetes e, se for caso disso, apaixonar-se.
Por mim, vou ficar durante um tempito a pensar se o que me levou a lembrar das férias da adolescência na Nazaré e dos “Robertos”, foi a notícia do Público, para a qual não me apetece fazer o link, ou o post do Sharky, ali mais em baixo.
Afixado por Isabel às 20:04 | Afixadelas (9)
O Último Segredo de Fátima, de Luís de Castro
Está de novo nas bancas (pelo menos, na Bertrand - link directo, na secção de livros religiosos - Deus é grande e tem sentido de humor), com a
graça de Deus e de uma nova distribuidora, o livro de um tal de "Luís" que não tem nada a ver com este, nem sei como é que vocês puderam pensar tal coisa, se nem os apelidos são iguais.
O Último Segredo de Fátima de Luís de Castro (não, caramba, que insistência, não é o Luis Rainha, porra, aliás, vê-se pela foto que vem no livro que o Luís de Castro é um gajo fosco e eu sei que o Luis Rainha, apesar de feio, é um fulano nítido, além do mais o primeiro Luís leva acento e o segundo não), da editora "Má Criação", revisto por um primor onomástico chamado Inapto da Silva, que também, assevero-vos, não é o Rainha.
Voltando ao livro, e tendo em conta que o autor não é este Luis, que Fátima nunca mais será a mesma, que mais posso eu dizer para vos fazer correr para a livraria mais próxima? De resto, quem pode resistir a este teaser?
"-Um dos rapazes procurou na Internet. - Fugaz, um pequeno cintilar de orgulho acendeu as pupilas do polícia. - Parece que é uma frase da Virgem Maria, quando apareceu aos pastorinhos pela primeira vez. Que quererá isso dizer? Será coisa de fanáticos religiosos? Alguma seita?"
"E se, sem motivo aparente, as aparições regressassem a Fátima? E se estas tivessem todos os sinais de provirem não de Deus, mas sim do seu adversário? Em 1917, tudo teve o seu início. Agora, é chegada a hora do fim."
Para mais um bocadinho de pecado, leiam aqui, em PDF, os primeiros 3 capítulos.
Segue em entrada estendida, a recensão da revista online Novos Livros (5º a contar de baixo).
Fátima em "thriller"
Uma nova editora, a "Má Criação", arrisca a primeira aposta na ficção nacional com uum romance que classifica de "thriller teológico". O autor, Luís de Castro, tem andado pelas lides da banda desenhada, cinema e televisão, e tinha apostado até agora na publicação de duas colecções de contos.
A aventura presente, retomando as aparições de 1917, trá-las para a actualidade, fá-las reaparecer numa dúvida sistemática sobre quem está por detrás do fenómeno - Deus ou uma outra entidade que simboliza o mal.
As evidências de que algo está errado multiplicam-se, com crimes em que o sangue escorre das paredes, fenómenos físicos inexplicáveis e metafísicos ainda menos, sugestões de ficção científica com seres talvez de outras paragens, envolvendo um padre lançado às feras de uma aldeia ali perto, seres diabólicos que por fim lá se materializam, um grupo estrangeiro que vem de França arrastando consigo o desejo de salvaguarda de antigas crenças.
O ritmo dado pelo autor é bom, teve o cuidado de buscar alguma documentação, sabe caracterizar as situações, descrever os ambientes, misturar tudo no sentido de criar o ambiente "thriller". E acaba por surpreender quando deixa a "próxima" vinda do Papa para a inauguração da nova Basílica da Santíssima Trindade, muito contestada e abominada por crentes e não crentes, na mão do menino a quem já entregou a lâmina que foi buscar à casa da seita (onde situou uma imolação às mãos da população entretanto manipulada pelas forças do demónio), que o converteu e convenceu de que o Sumo Pontífice já é uma encarnação do mal, o mesmo que tem pervertido e corroído a Fátima original. E a lâmina já está escondida no castiçal que o menino transportará, bem perto do Sumo Pontífice...
Talvez a imaginação de Luís de Castro caia mal, se exceda, em alguns círculos católicos, mas daqui não vem mal nenhum ao mundo, mesmo para os que acreditam nos milagres de há 90 anos. Afinal, a ideia é original, a história sabe a policial com um pó de ficção científica, e a religião não sai maltratada. Alguns leitores poderão ficar confusos, é certo, mas a cabeça não foi feita para pensar? Ainda bem, este estímulo, tanto mais que proliferam astrólogos, seitas e igrejas, e são muitos os que nelas acreditam. E, depois de tudo, onde está o bem e o mal, onde começa um e acaba o outro?
Afixado por Rogério C. Pereira às 12:29 | Afixadelas (10)
Dia do vizinho?!
É assim mesmo. Hoje é “Dia do Vizinho”.
Depois de se ter percorrido os membros todos da família de uma ponta à outra, alguém pensou que seria interessante sair-se de casa, e zás, vai-se à casa do vizinho.
Portanto, já sabem: um dia do ano, HOJE, vamos ver simpáticos com os vizinhos!
Claro que amanhã já passou, mas hoje vão ser só rosas e sorrisos.
Bom Dia, vizinho!

Afixado por Emiéle às 08:26 | Afixadelas (12)
Medida popular
Ou me engano muito, ou esta vai ser uma das medidas populares do governo:
Acabar com algumas regalias dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos
A velha frase do … “ou há moralidade…” não podia vir mais a propósito. Quando se pede à população em geral que corte em todas as despesas possíveis e imagináveis, é agradável pensar que alguns estatutos especialíssimos podem acabar.
Aliás sempre me fez confusão, como é que um gestor é mandado embora – decerto porque o seu trabalho não satisfaz – e é compensado com verbas que dariam para vários anos de salário dos que muitas vezes se viram sem emprego pelos seus erros. Se fosse numa história infantil, ele era o mau e devia ser castigado. Na vida real, não. Recebe uma choruda indemnização!
Afixado por Emiéle às 08:03 | Afixadelas (3)
Avaliações
Será que é agora que se vai re-estruturar a A.P.? Que isso é uma necessidade urgente, creio não haver dúvidas. Que há gente a mais em muitos locais e a menos noutros tantos, é consensual, creio eu. Mas, não sei porquê, o modo como a notícia é dada, soa a ameaçador. E para mim, quando se diz que da extinção de serviços não resultarão despedimentos está-se já a denegar, a ir à frente de uma pergunta que não está feita.
Mas OK, sem dúvida que a avaliação é fundamental e já devia estar feita há muito tempo. É claro que o Ministério das Finanças será também correctamente avaliado, espera-se.
Vamos ver como é a reforma que daí virá.
Afixado por Emiéle às 07:36 | Afixadelas (2)
O Irão vai a votos
Segue-se um outro país do “eixo do mal” a promover eleições. Temos que o Irão terá eleições presidenciais de sexta feira a quinze dias. Diz-se que Rafsanjani, conservador, é o candidato melhor colocado. O curioso é que, mesmo como líder conservador, ele propõe «melhorar a liberdade de expressão e aumentar a participação das mulheres na esfera pública» Interessante. Porque só se promete aquilo que se calcula que os eleitores desejam, portanto há um reconhecimento implícito de que o povo iraniano espera por esses dois sinais. Bem.
Parece que também quer «combater ao desemprego, a abertura do país ao investimento estrangeiro e a privatização de uma parte da economia concentrada no Estado» e aqui agradaria a outro sector possivelmente. A ver vamos.
Afixado por Emiéle às 07:12 | Afixadelas (2)
Que irritação !
Mais uma sondagenzinha engraçada.
Parece agora que lhes deu para estudar a irritação em 17 países da Europa e Portugal tem a duvidosa honra de se encontrar no topo dos países em que os seus habitantes mais se irritam.
Dizem que Em 20 questões, idênticas para os 17 países, foram os portugueses que demonstraram maior nível de irritação em 14 delas
Mas, será que se levou em conta se os motivos da zanga são mesmo reais? Ora vejam a lista:
* deitar papéis, latas ou beatas para o chão
* os dejectos de cão
* passar à frente numa fila
* cuspir ou escarrar em público
* falta de higiene pessoal
* automobilistas que conduzem «colados» ao condutor da frente
* embalagens difíceis de abrir
Parece que isto irrita toda a gente, mas mais um pouco cá entre nós. E não será porque estes comportamentos se encontram com mais frequência em Portugal do que nos outros sítios? Ou somos particularmente “irritáveis”?
Nota – Mas porque é que escolheram para o estudo os habitantes de Aveiro e Castelo Branco? Que é que terão de especial estas zonas do país?
Afixado por Emiéle às 06:54 | Afixadelas (5)
Muitas e muitas dúvidas
Já se passaram uns dias sobre o governo ter recebido a informação sobre o verdadeiro valor do défice, que pelos vistos não imaginava ser tão elevado. E outros dias sobre o senhor primeiro-ministro ter ido ao Parlamento explicar como iria enfrentar esse monstro. Anunciou uma lista de medidas, e o povo ficou a pensar entre uns feriados e uns futebois para ter tempo de digerir bem o que para aí se avizinha.
Há uma série de medidas que parecem bem orientadas, e de aplaudir. Outras mais discutíveis como a subida do IVA, imposto cego que apanha todos, assim como a Administração Pública que deveria ser reorganizada de modo a ser melhor aproveitada, acabando com despesas das altas chefias e levando os trabalhadores de onde estão a mais para onde fazem falta, mas não cortando a eito.
Contudo, o que me levanta dúvidas é que afinal estas medidas são como espremer o tal limão que já está tão espremido que não deita pingo. Pelo que dizem, com tudo isto o défice afinal vai diminuir uma fracção mínima. Mas isso, se calhar, porque o dinheiro não está aí, onde o querem ir buscar. O dinheiro está nos Bancos ou Companhias de Seguros que no final do ano declaram lucros fabulosos. Se se invertessem as coisas, se os lucros desse Capital Financeiro fossem tributado com os valores que exigem da arraia-miúda, e inversamente esta pagasse os 15 % ou perto disso que os Bancos pagam, talvez os resultados no final fossem diferentes.
Afixado por Emiéle às 06:31 | Afixadelas (4)
maio 30, 2005
O Plano B
É muito estranho.
Na vida comum, do dia a a dia, quando se faz uma pergunta é porque se imagina o que fazer com a resposta. Ou não se pergunta, de todo. Mesmo numa família, falando com uma criança, se lhe perguntamos: “queres vestir esta camisa?” admite-se que ela não o queira e então vestirá uma tee shirt, por exemplo. Ou então ordena-se “Veste esta camisa!” ponto final. Não há discussão, é uma ordem.
Mas afinal em alta política, a lógica é outra. É tudo muito diferente.
Em relação à aprovação da Constituição Europeia, apesar de haver duas possíveis respostas, antagónicas, não estava previsto que se pudesse dar uma delas. Perante o embaraço que os políticos demonstram a dizer que não existe “um plano B” fico profundamente espantada.
Como é? Não se perguntava sim ou sopas? E no caso da resposta ser sopas ( ainda por cima estando prevista por todas as sondagens ) a resposta é um silêncio embaraçado?
Mas então para que é que perguntaram?
Afixado por Emiéle às 22:51 | Afixadelas (7)
Não ou Sim
Considero que estou ainda muito mal informada. E estou a ser simpática comigo mesmo quando escrevo “ainda”, porque deixa pressupor que um dia ( ? ) estarei bem informada mas não sei se vou atingir esse ponto.
Não quero dizer que não tenha já ouvido muitas opiniões, lido muitos artigos, consultado vários textos, mas o que vou sabendo é que, muito socraticamente, (falo do outro, o original) cada vez mais sei que sei menos.
A Constituição Europeia é um documento enorme, muito técnico, e sempre que lhe deito o olho desanimo. Depois ponho-me a ouvir opiniões e também desanimo. Ainda bem que o nosso referendo não é amanhã.
Bom, agora vamos a França.
Continuo sem saber se os franceses fizeram bem. Mas uma coisa é certa e essa agrada-me: eles mostraram aos Senhores do Mundo de Bruxelas que não se pode decidir tudo e mais alguma coisa com total arrogância, uma certa sobranceria, falando para os povos que representam como sendo os detentores da verdade absoluta. Não aprecio nada o tom de paizinhos que sabem o que é melhor para os seus pequeninos. Uma coisa é uma família, outra uma democracia. Haver discussão, debate, troca de ideias só pode ser bom.
E o facto de no não se terem encontrado forças políticas muitos distintas, se calhar pode apenas querer dizer que aquela proposta tinha brechas de uma ponta à outra... Se calhar, eu não sei! Mas não me agrada o tipo de argumento de “não é bom mas foi o melhor que se arranjou”. Então, se não é bom, vamos procurar uma outra que o seja.
Contudo há uma questão que ficou a pairar: A Espanha fez um referendo. A Holanda vai fazer um referendo. Mas sabemos que muitos países já aprovaram o texto nos parlamentos, numa espécie de vitória na secretaria. Se a França tivesse feito o mesmo é sabido que o sim tinha ganho largamente. Portanto a questão evidente é, a que corresponde os sins que vieram directamente dos parlamentos ? Ou, é claro, um não vindo nas mesmas condições. Isto é uma dúvida que não se pode deixar de pôr.
Por enquanto, ainda estou muito pouco informada, mas só posso respeitar a decisão francesa. E esperar que, por cá, se analise correctamente o que está em jogo, traduzindo em palavras bem simples e não demagógicas aquele texto nada fácil.
Espero.
O que não quer dizer que acredite nisso...
Afixado por Emiéle às 14:21 | Afixadelas (8)
Jornalismo de cordel
Vamos agora ouvir, em entrevista gravada ontem à noite, o Zé Caramachão, ponta de lança do Sopetão Futebol Clube, que nos vai dizer que acredita na renovação do contrato, que é um prazer jogar no Sopetão, um clube onde toda a gente o trata bem e que ele e a família se sentem muito bem em Sopetopólis.
- Eu acredito na renovação do contrato, é um prazer jogar no Sopetão, um clube onde toda a gente me trata bem e eu e a minha família nos sentimos muito bem em Sopetopólis.
Foi Zé Caramachão, ponta de lança do Sopetão Futebol Clube, que nos disse que acredita na renovação do contrato, que é um prazer jogar no Sopetão, um clube onde toda a gente o trata bem e que ele e a família se sentem muito bem em Sopetopólis.
Afixado por Rogério C. Pereira às 13:53 | Afixadelas (2)
Só marcha atrás ou para trás é que é o caminho?
Curioso, realmente curioso, é o facto de "les grandes villes françaises, Paris en tête avec plus de 66% de «oui» mais également Lyon, Bordeaux, Strasbourg et Toulouse, ont plutôt voté en faveur du traité concocté par l'ancien président Valéry Giscard d'Estaing, le reste du pays s'est massivement prononcé contre le texte."
Um estranho caso de fractura geográfica, a reflectir por quem esteja preocupado, o que nem de longe é o meu caso.
Afixado por Rogério C. Pereira às 12:09 | Afixadelas (23)
Fim de Crónica - TU

30 de Maio de 1990
“Vá, está na hora de ir para o Bloco Operatório. Como é que passou a noite? Vamos medir a tensão”
“ Passou calma. Dormimos bem…”
“ 12/8??? Porque é que não teve essa tensão sempre e escusávamos de a ter cá tido todo este tempo???? Não vai levar o caderno consigo, pois não?”
“Não, dê-me só um minuto. Deixe-me só escrever uma coisa, pode ser?”
“Um minuto…”
Vai ser a nossa última viagem, contigo dentro deste barrigão, meu amor. Vêm-nos buscar numa maca, vamos descer o elevador. Depois a mãe adormece (foi o que explicou a Sra. Enfermeira), quando acordar, tu estarás deitadinho a meu lado.
Deixa-me tocar só mais uma vez e sentir-te...creio que estás a dormir. Dorme bem, serinho, hoje, vai ser a tua vez de esperares que eu acorde.
Se acontecer alguma coisa...se acontecer alguma coisa...amo-te.
“Então é hoje ou amanhã???”
“Já está, não se zangue comigo”
30 de Maio de 2005
Houve dias e tempos complicados. Houve esperas e solidões que doeram. Houve medos e angústias que magoaram.
Houve muita alegria, muitas palavras, muitos sonhos, muitas descobertas. Muita ternura.
Há muita alegria, muitas palavras, muitos sonhos, muitas descobertas. Muita ternura.
“Vou-me embora, mãe. Já estou pronto, escusas de acordar. Não te esqueças do meu bolo.”
“Não há um beijinho?”
“Toma lá dois, mãe Zabel. Mas não te habitues mal, é só porque hoje faço anos...”
Afixado por Isabel às 11:28 | Afixadelas (23)
Estou apaixonada!!
Acabo de voltar de um fim-de-semana grande (aqui também foi feriado Quinta-feira) neste sítio:
Laveno, no Laggo Maggiore, norte de Itália. E é um caso grave de amor à primeira vista!
Sem palavras para vos dizer como aquilo é lindo, como o fim-de-semana foi espectacular, principalmente ontem, o passeio de barco pelo Lago, e o aperitivo em Cerro, num barzinho à beira da água.
Sem palavras...
Não sei se já vos aconteceu estarem num sítio qualquer e sentirem-se tão bem, tão bem, como se estivessem em casa? Eu costumo sentir isso sempre que vou a Itália (devo ter sido italiana noutra encarnação, ou então é influência subliminar do meu nome de família...), mas desta vez foi realmente o apogeu da coisa.
Só posso dizer a todos: vão lá, assim que puderem!
E se alguém está a pensar numa carreira nas instituições comunitárias, concorram já para o Centro de Ispra, que fica a 10 minutos do Lago. Não têm nenhuma desculpa!
Não façam como eu, que com a mania da "coerência" na carreira e da "especialização" vim parar a Colónia! Balelas! A vida é para ser vivida como eu a vivi este fim-de-semana, e mais nada!
Enfim...
De volta a Colónia, com 15° e chuva... mas um bronzeado fantástico, já é menos mal.
Afixado por M. Butterfly às 10:57 | Afixadelas (7)
De volta a casa
É verdade, estou de volta mas ainda sem os meus hábitos.
Quero eu dizer, acordei cedo para vir aqui escrever qualquer coisinha, esse hábito manteve-se, o pior foi o resto.
E por resto entende-se, a produção dos meus colegas nestes 4 dias…
Não resisti a ler tudo e o tudo é bastante.
Mais do que bastante! Fiquei para aqui quase mais de uma hora e meia a ler e a comentar, e agora fiquei sem tempo nem inspiração para escrever uma ou duas coisinhas e que entretanto me tinha lembrado.
Vai mesmo ter de ficar para mais tarde, que esta Emiéle não vem com pedalada para tanto – ou é a molenguice destas feriazinhas, quem sabe?
Mas a verdade é que agora tenho de voltar ao meu trabalho, logo, mais tarde, voltamos a encontrar-nos.
Até logo.
Afixado por Emiéle às 08:14 | Afixadelas (6)
maio 29, 2005
Querias dobradinha?
Toma! Mas vai à moda de Setúbal, pode ser?
Afixado por Rogério C. Pereira às 19:35 | Afixadelas (18)
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 14º dia

29 de Maio de 1990
O médico avisou, ontem de manhã, que só haveria vaga na sala de operações para amanhã, às 11.00 horas.
São 20.45h. Já jantámos e, agora, não vamos poder comer mais nada. Hoje, meu amor, não vai haver chá nem bolachinhas. As próximas que comeres, estarás comigo. Depois, comerás as tuas bolachinhas, sozinho, sem ajuda, apenas com a tua vontade.
Não tenho medo, meu amor. Não tenhas, tu também. Não vais encontrar um Mundo muito bonito, vais encontrar um amor muito grande. Não vais encontrar uma vida muito fácil, vais encontrar muito carinho. Não vais encontrar tudo que gostaria de ter para te dar, vais-me encontrar sempre, com tudo o que tenho para te dar.
Não são fáceis estas últimas horas. É, ao mesmo tempo, uma despedida de nós e os momentos de te preparar as boas-vindas. A avó trouxe o primeiro babygro para te vestir. Pedi-lhe que trouxesse um verde. Da cor do campo que víamos da nossa janela. Amanhã a esta hora vais estar, aqui, juntinho a mim, com um fatinho verde vestido. E preparado para continuarmos a viver.
Vou ter tantas saudades de sentir as tuas cambalhotas dentro de mim, como prazer em te descobrir. Vou sentir tanto a falta dos teus pontapés como vontade de te amar. Mas, tenho a certeza, amanhã e nos dias que se seguem, não vamos ter tempo para ter saudades de nada nem sentir falta do que quer que seja. Amanhã, serinho, a esta hora, vamos ter uma vida para viver.
A enfermeira acabou de trazer o comprimido para dormirmos. Vamos tentar fazer-lhe a vontade.
Até já, João Pedro.
Afixado por Isabel às 16:05 | Afixadelas (13)
Vitriolica
Todos os dias vou espreitar o que tem feito a nossa aphixadora Madge. Como toda a gente sabe, a Madge é a ilustradora mais talentosa da blogosfera e é uma resourcefull girl (como é inglesa, até pode ficar assim). Bom, ontem chego ao ite e encontro uma explicação, em dois posts, do modo como a autora procede à execução e transformação das suas imagens. Fabuloso. Não só a descoberta do processo (ainda estou na dúvida: será que faz tudo manualmente e consegue convencer-nos de que não é assim? Deixá-lo, o mistério da produção artística é sempre um argumento a favor), mas também o modo como é apresentado. Para mim é tão claro como um truque de magia. Vão lá e lá ver. Vá, vão...
Afixado por Susana às 14:13 | Afixadelas (14)
Receita da semana
Quando, ontem, procurava um pãozinho para a Isabel, apareceu-me esta beterraba. Daí até à sopa de beterraba fria foi o tempo de uma associação. É deliciosa, no sabor como na côr.
Descacam-se e cortam-se em pedaços duas batatas médias, duas cebolas, duas cenouras, um tomate, dois dentes de alho e quatro beterrabas. Coze-se a mistura com água, temperada com sal. No fim junta-se azeite e passa-se com a varinha mágica. Depois de arrefecer coloca-se a sopa no frigorífico.
Mistura-se um iogurte com meio pacote de natas.
A sopa serve-se gelada, com o molho de iogurte e cebolinho picado.
Afixado por Susana às 13:28 | Afixadelas (7)
As nossas escolhas

Quem vem, regularmente, ao Afixe, já deve ter reparado nas inúmeras semelhanças entre mim e o Bernardo. Pensamos da mesma maneira, somos da mesma geração (aquela boca, do outro dia, foi ele a armar-se em esperto…), estamos muito próximos em termos políticos e somos unha com carne em termos filosóficos.
Com tantas semelhanças, eu diria, mesmo, com esta total identidade de pontos de vista, formas de estar na vida e opções da própria (vida, não da da…), decidi propor um desafio ao Bernardo que ele aceitou, apesar do seu pouco tempo livre, por causa do lançamento de livros, Feiras de Livros e afins, que aliás, coincide, também aí, totalmente com o que é o meu dia a dia. Encontrámo-nos num conhecido restaurante de Lisboa (estivemos mais ou menos oito dias para decidir qual e acabámos por escolher o que nos aconselhou o arrumador de carros da zona, que era onde havia mais lugares vagos, explicou), ele pediu peixe e eu carne, ele pediu vinho branco e eu tinto, o que apenas, e mais uma vez provou, como este empreendimento a quatro mãos, que bem vistas as coisas serão apenas duas mãos e o seu reflexo no espelho, tem tudo para dar certo.
A partir duma data futura mas muito breve (Bernardo, que tal 3ª Feira?) cada um de nós vos vai apresentar em simultâneo, com a regularidade que a completa semelhança de vidas e de ocupações irá tornar possível, o seu disco, o seu filme, o seu livro...a gente, ainda está a discutir outros gostos comuns para partilhar convosco, mas, para já, ficar-nos-emos por aqui. À mesma hora, sem conhecer a escolha um do outro. Com a esperança, entre o gole de branco e de tinto do Restaurante, que tinha lugares, amplamente discutida que, algum dia, consigamos não fazer a mesma escolha, não tornando, assim, a coisa muito monótona para os leitores do Afixe e restantes aphixadores, que poderão, até, em última instância, chegar à conclusão que, com dois Bernardos e duas Isabeis no Afixe, é gente a mais e se pode muito bem, reduzir despesas e mandar um de nós, que afinal, somos o mesmo, o que significará dois de nós, para o Fundo de Desemprego.
Bernardo, vá lá, tenta um bocadinho...lá no baú das nossas semelhanças, somos bem capazes de encontrar uma diferençazita, que evite tão triste sina.
Aos nossos visitantes e leitores, assim como à Gerência desta casa, pedimos um pouco de paciência. Se, ao fim de quatro ou cinco, a coisa se mantiver, comecem, então, a pensar em medidas mais drásticas.
Afixado por Isabel às 12:46 | Afixadelas (5)
Ligações perigosas

Leio a entrevista do Cadilhe, no Expresso, nos termos da qual "Cavaco é o pai do ‘monstro’", arrazoado em que Cavaco é acusado de ser "o principal responsável pelo Novo Sistema Retributivo da Função Pública, que conduziu ao enorme aumento da massa salarial dos funcionários no início dos anos 90 e que representa hoje 15% do PIB, sendo a terceira administração pública mais cara da União Europeia.", e não posso deixar de me questionar, quem é que tirou o leitinho a este, que até foi, ao tempo, "o mais emblemático ministro das Finanças de Cavaco Silva"?
Este tipo de entrevista explosiva, a propósito, a pedido, a cerca de 8 meses das eleições presidenciais, em tudo comparável às insanas afirmações do Isaltino ao acusar Marques Mendes, depois de ter andado os mesmos 30 anos a mamar da mesma vasilha, quer significar o quê, exactamente? Quem foi que se fodeu e não gostou? O que raio aconteceu? Qual o familiar que foi preterido no tacho que se impunha?
Por outras palavras, que raio de legitimidade tem esta gente, que andou a "comer e calar", nas suas próprias palavras, para vir agora tentar desmamar meninos?
Ou muito me engano ou toda esta malta, e quero com isto abarcar todos os partidos, está a perder o prazo de validade. Isso não é novidade, é certo. A novidade é que o Zé Povinho começa a ganhar uma certa clarividência que talvez os surpreenda. Conversas de café e tal... Talvez me engane, mas está para acabar a era da chupeta na boca do Zé. Consequências? Nada de relevante, por certo, mas que há algo diferente no ar isso há.
Afixado por Rogério C. Pereira às 01:14 | Afixadelas (18)
maio 28, 2005
Vinte e oitos de Maio

Chegou a casa depois de um dia de trabalho e de duas horas de viagem. As janelas abertas e a casa sem luz, não auguravam nada de bom. Meteu, a medo, a chave na fechadura. Entrou devagarinho. Na escuridão, que invadia toda a casa, não o encontrou. Ao lado da cama, caído, tinha dado mais um passo no caminho que escolhera. Acabou o dia sozinha, na sala de espera, fria, do hospital. Voltou. No outro dia, ela voltaria, a medo, a meter a chave na fechadura.
Faltavam dois dias, para nasceres, meu amor. Apenas faltavam dois dias para te ter comigo. Nada nos iria separar. O pesadelo ficara, definitivamente, escondido naquele recanto da memória, onde só se pode ir, quando se está cheio de força e de vontade de viver. Agora até podia lá ir, tinha a certeza que voltaria intacta. Sentir o bater do teu coração, era a certeza de ter sobrevivido. Sentir os teus pontapés era a certeza que tinha feito a escolha certa.
Faltavam dois dias para te ter comigo. Valia a pena ter sobrevivido. E escolhido. Nunca mais estaria sozinha, nem teria medo do que iria encontrar atrás da porta.
Esperou até ser noite por uma chamada. Todos os amigos o tinham feito. Todos os anos anteriores a tinha feita. Ainda sentia falta da sua presença, da sua voz, do que tinham vivido em comum. Dos caminhos que tinham percorrido, dos projectos em que se tinham lançado. A chamada nunca veio. Soube que não voltaria a encontrar o som da sua voz do outro lado da linha. Não conseguia evitar, ainda, a falta que a sua voz lhe fazia.
O telefone tocou à meia-noite e um. E depois, de novo, às seis da manhã. Ouvi a tua voz. Recebi um ramo de rosas do João Pedro. Entretanto, ao longo do dia, vezes sem conta, fiquei sem palavras e com um nó na garganta. Estou feliz. Obrigado. Pelo 28 de Maio, que hoje, todos me deram a viver.
Afixado por Isabel às 21:00 | Afixadelas (6)
Surpresa raiana
- Onde é que vamos?
- A Idanha-a-Nova?
- Ver o quê?
- Olha, sei lá, vamos passear, acelerar nas lombas da nacional, como tu gostas.
Foi com este diálogo que encetámos a viagem de carro, depois de termos enchido 8 garrafões com a maravilhosa água de Alpedrinha.
Lá chegados, e depois de duas belas sandes de chourição (eu é que comi as duas, ela ficou-se por um gelado), fomos até ao Centro Cultural Raiano, pensava eu, para rever pela enésima vez a exposição de alfaias agrícolas antigas.
Pensava eu, porque, surpresa das surpresas, deparámo-nos com a inauguração de uma exposição de Paulo Rego – obras da colecção particular de Bartolomeu dos Santos, constituída por quadros que são "o fruto de uma longa e duradoura amizade que teve início em 1961".
E assim pudémos desfrutar, quase em exclusivo, dos cerca de 20 maravilhosos quadros, e respectivas dedicatórias, que, ao longo de mais de quatro dezenas de anos, Paula Rego ofereceu a Bartolomeu Santos e à mulher.
Coisa fantástica, até por revelar um lado da pintora que eu desconhecia em absoluto. Vale a pena ir a Idanha-a-Nova.
Afixado por Rogério C. Pereira às 20:09 | Afixadelas (4)
DIÁLOGO
Mãe, não percebo porque é que tu podes contrariar-me, quando eu não te posso contrariar agora.
Faz parte do ser pai.
Deves compreender que quando há autoridade e a necessidade de se tomar decisões, é natural que estas por vezes agradem a uns e outras desagradem aos mesmos. Uma contrariedade não é razão para te pores a bater com as portas e a ser mal educado.
Olha, mãe, se é uma questão de títulos, Mãe / Filho, devo dizer-te que nós nos formámos no mesmo dia.
Afixado por Susana às 18:23 | Afixadelas (8)
Parabéns, Isabel
Comecei por procurar uma écharpe vermelha, porque ela me disse há algum tempo que não tinha nenhuma e eu assim não saberia como reconhecê-la pelo desenho da Madge.
Entretanto já lhe conheço a voz e a cara, para além do feitio e do coração gigante. A voz foi o mais importante. É uma diferença significativa ler a Isabel quando podemos "ouvi-la" numa voz limpa e suave. Com aquela mistura de franqueza e doçura que por vezes podem parecer resultado de cozinha de fusão, numa dicotomia agridoce (ou não me fugisse o pé prá cozinha...).
Acabei por me decidir por um pão. Sabia que tinha por aí uns pãezinhos, que apesar de terem uns vinte anos ainda estão livres de bolor, macios e quentes. Achei que um pão era a coisa para oferecer à Isabel no dia de aniversário: faz-me lembrar o que conheço da vida dela, o apego à essência, à simplicidade, à saciedade mesmo com pouco. E à partilha do muito que tem.
Afixado por Susana às 16:25 | Afixadelas (3)
Parabéns, miúda!
Hoje, a minha amiga Isabel, e posso usar esta palavra com propriedade, pois ela chama-se mesmo assim, faz anos, ia dizer primaveras, mas ela não é mulher de andar às estações, é mulher para abraçar o ano todo com a mesma genica, faça chuva ou faça sol.
Ando desde ontem a pensar que raio lhe hei-de dar - logo a ela, que tem um bolo para me entregar há cerca de três semanas.
Resolvi dar-te o tal rio, nada mais nada menos. O problema é que a escritura de compra e venda já remonta a 1392 (isto de ser um judeu errante tem destas coisas), no tempo em que a coisa tinha este aspecto, e, além do mais, parece que, de então para cá, alguém o usucapiu. Mas o que interessa é que é teu, se alguém perguntar, diz que fui eu que to dei. Espero que sirva no pézinho. Vem com o senhor do chapéu dos três bicos. Espero que sirva no pézinho.
Para acabar, resta-me dizer-te o óbvio, que este passe de magia ganhou um novo significado no dia em que entraste cá para casa. Porque foi por causa do Afixe que te conheci, já valeu a pena ter inventado a porra do blogue.
If you know what I mean...
PS - OK, OK, toma lá o Vouga, se achas que é compatível com o outro, quem sou eu te para desdizer - tu é que és a especialista em rios...
Afixado por Rogério C. Pereira às 13:38 | Afixadelas (4)
À minha mais recente amiga
A amizade é um dos sentimentos que mais dificilmente se explica pela razão. Gostamos mais de umas pessoas do que outras “porque sim”. Claro que se consegue descobrir razões para esses afectos mas, no fundo, soam a oco. Técnicas e incompletas. Continuo a achar que o “porque sim” é que é.
Esta amizade nasceu aqui. Trocamos as primeiras palavras no Afixe mas, neste momento, ultrapassa muito o Afixe. Quero acreditar que daqui a 10 anos, já sem Afixe nessa altura, seremos ainda mais amigas do que agora.
E gostava de lhe dedicar hoje muitas músicas, das que ela gosta, o pior é que ainda me atrapalho a procurar os endereços. Mas sei que ela vai entender isso. Uma das coisas boas da amizade é não se precisar de explicar nada.
[Imagina que ouves o Sérgio Godinho “Com um brilhozinho nos olhos” cantando "porque hoje fiz um amigo" e também acho que "coisa mais linda no mundo não há". ]
Estou a falar de uma amiga que faz hoje anos.
Eu gosto dos dias de anos. São marcos. Dá para olhar para trás e para a frente, avaliarmos o que se ganhou, o que se sentiu, o que se viveu. E, deixem-me dizer que quanto mais se viveu, mais ricos somos. Essa riqueza nunca se perde.
Conheço uma senhora a quem às vezes dizem “Ah! Não lhe dava esses anos!” e ela responde muito prontamente “Dê, dê, que eu não quero perder nenhum. Fazem-me muita falta!” E ai de nós, quando os anos não fazem falta... É sinal de vazio, de que não se viveu com intensidade e paixão.
Esta minha amiga recente vive com intensidade e paixão. E tem uma vida muito linda e muito cheia. Não sei que lhe possa oferecer para além deste abraço muito apertado.
Ficam umas papoilas.
São bem vermelhas, são delicadas, são do campo. Não são flores de jarra, nem têm perfume, se calhar de propósito para lhe imaginarmos um ao nosso gosto.
São tuas, Isabel.
Parabéns!

Afixado por Emiéle às 00:05 | Afixadelas (30)
A outra cereja do Fundão
Acabei agora de jantar no melhor restaurante português, quiçá da Beira Interior. Chama-se "A Cereja" (não confundir com "O Cerejal, por favor), é o Restaurante do recém inaugurado "Hotel Príncipe da Beira" e fica no Fundão, mesmo à beira da A23, de quem vem dos túneis da Gardunha e vai no sentido da Covilhã (E.N. 18, Km 63,5, Sítio da Maria Negra, Donas, telef: 275779924). Eu nasci para estas coisas, para comer e beber bem e pagar apenas € 56,90 por duas pessoas (esta refeição, em Lisboa, custaria, por certo, 3 vezes mais).
O conceito é de cozinha de fusão (a beira interior e o resto do mundo) e o chéf é madeirense e merecia uma estátua, tal o arriscado (diria mesmo, no fio da navalha), porém, bem sucedido, jogo de sabores que nos proporcionou. A expressão "quem não arrisca, não petisca" é, neste caso, para ser levada à letra!
Agora calo-me e passo a palavra aos sabores escolhidos:
Couverts:
- Azeitonas em azeite (isso mesmo!), tiborna, pão e bolo do caco;
Entrada oferecida pelo chéf:
- Misto de batata doce frita, paio, alquequenje amarelo e tomate em vinagre e salteado;
Entradas escolhidas:
- Peixinhos da Horta, com manga, ananás, cerejas, batata doce frita e vinagre de framboesa;
- Maranhos à beirão, com manga, ananás, cereja e batata doce frita (ninguém diria que estes sabores batem tão bem. Mas bateram, ó se bateram!)
Vinho
- Piornos Reserva 2002 (adega da Covilhã)
Pratos principais
- Medalhão de vitela au sauté, em leito de cogumelos e beringela, acompanhado de batata assada com tiras de cenoura frita e enfeitado com funcho;
- Lombinhos de porcos com puré, acompanhado de batata doce frita, brócolos, tiras de cenoura frita e molho de cereja;
Para finalizar:
Profiteroles, café e Whisky
Grande jantar, num magnífico restaurante. Se vierem ao Fundão, não falhem, pela vossa saúde - até digo mais, vale a pena vir ao Fundão só para ter o prazer de jantar (ou almoçar) n' A Cereja.
PS - Para a semana vai estrear uma ementa à base de flores comestíveis, mais uma vez em perfeita sintonia com os sabores da Beira ('tou mesmo a ver os grunhos aqui da terra a comerem girassóis e rosas). Quem não vai falhar sei eu quem é!
Afixado por Rogério C. Pereira às 00:05 | Afixadelas (19)
maio 27, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 12 Dia

27 de Maio de 1990
Chegou ao fim o último Domingo, Joãozito.
Hoje, a família, os amigos, os colegas de Lisboa decidiram fazer uma romaria ao Hospital de Santarém. Por momentos, senti-me a mãe da Maria do Céu. E, queres saber? Soube bem!!
Só que estou de rastos e tu também deves estar que a mãe quase que nem te sente. Creio que hoje vamos estar a dormir na hora das bolachas.
Entretanto, logo de manhãzinha, antes de começar a confusão, estivemos na nossa janela. E vimos o Tejo. Creio que foi a força necessária para aguentar a hora da visita.
É bom estar rodeado de amigos, mas não há dúvida, meu amor, e isto é um bocadinho feio de dizer, mas não há dúvida, dizia eu, que os melhores momentos são os que passamos só os dois. Na nossa janela, por exemplo. Aguardando que os últimos dias passem e despedindo-nos destes meses em que nos tivemos, um ao outro, 24 horas em 24 horas.
Estou cansada e um bocadinho melancólica. Não dá para te explicar o que se passa na cabeça e no coração da mãe. Um dia, quando fores maior, e estivermos, os dois, a passear ao pé do Tejo, se descobrirmos, lá de longe, a janela onde te trazia a passear, a mãe tentará contar-te um pouquinho do que se sente nestes últimos dias, em que te tenho só para mim e em que tu só me tens a mim.
Até amanhã, bebé. Dorme bem.
Afixado por Isabel às 21:36 | Afixadelas (4)
Arte das cavernas - 'The Peckham Rock'

Esta peça esteve exposta, durante vários dias, no British Museum, entre várias amostras de arte das cavernas. O engraçado é que nenhum responsável do museu deu por nada e só quando o autor da brincadeira, Banksy, um grafitteur, abriu um concurso na internet para encontrar alguém que se tivesse feito fotografar ao lado da peça, é que a malta do museu deu pela intrusão do "Homo Supermarketus", providenciando pela pronta retirada das suas paredes daquela que é, de longe, a sua surpreendente mais peça de arte das cavernas.
Mas não por muito tempo, diz Banksy, a verdade é que "the museum administrators have agreed to loan the piece (which has become known as 'The Peckham Rock') to the exhibition 'A few of our favourite fiends' which opens tomorrow at The Outside Institute. It will be on the wall there until June 19th - When it will return to the British Museums permanent collection.".
Afixado por Rogério C. Pereira às 19:51 | Afixadelas (2)
A minha janela
Por qualquer razão desconhecida e extremamente injusta para quem aproveitou o fim-de-semana para fazer uma ponte, hoje, amanheceu assim:

Por qualquer razão, quase esquecida, eu olho pela janela do escritório e teimo em ver o Céu, assim:

Obrigada, janela, pelo milagre.
Afixado por Isabel às 09:16 | Afixadelas (20)
maio 26, 2005
Afixado por Rogério C. Pereira às 23:43 | Afixadelas (26)
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 11º dia

Hoje não vamos ter tempo de escrever muito, meu amor. Quando ia a começar a fazer estas notas diárias entrou-me, pelo quarto adentro, uma enfermeira, para me levar a uma enfermaria, a fazer umas coisas técnicas que não te vou explicar, porque para além de não ires perceber, não tiveram piada nenhuma. Nem percebi porque se hão-de fazer estas partes técnicas quando são horas de ir dormir, mas também não perguntei. Queria era fugir dali, e vir para aqui para o nosso cantinho.
Agora, que chegámos, já aí vem o chá e as duas bolachas e, a seguir é hora de recolher. Como nos quartéis...não sabes o que é um quartel? A mãe depois explica, mas não te preocupes que não é nada de muito importante nem com muita piada.
Hoje, o dia voltou a ser cansativo com imensas visitas e imenso barulho. A ciganita que nasceu ontem chama-se Maria do Céu e é muito bonita.
Apesar das partes técnicas chatas e de hoje nos terem dado uma sopa de cebola sem sal, não nos podemos esquecer que este é o último fim-de-semana que aqui vamos passar. Perante isto, ataquemos o armazém das bolachas e, a seguir, vamos fazer ó-ó.
Afixado por Isabel às 23:20 | Afixadelas (5)
As respostas ao Bin

No passado dia 23, o Bin do Grande Fauna, lançou um desafio a alguns amigos, entre os quais, com um derretimento total da minha parte, diga-se de passagem, me incluiu.
Justificou a inclusão com um “Porque sim” que me deixou, e não estou a brincar, emocionada e agradecida. Raramente encontro razões para se gostar das pessoas e, mais raramente ainda, quando se troca o plural pelo singular.
Bin, também gosto de ti, porque sim, e aqui vai, com atraso, mas com boa vontade, a resposta às perguntas:
Tamanho total dos arquivos de música no meu computador?
Não faço ideia como é que se mete música num computador. Isto, cá em casa, é assim: O João Pedro é o administrador do dito. Eu sou a convidada. Deduzo pelas horas em que o João Pedro está com os phones nos ouvidos que deve ser um arquivo enorme... mas eu só sou a convidada, não me meto nisso. Os meus arquivos de musica tão todos em CDs, daqueles a sério, com capa e tudo.
Último disco que me comprei:
Não me recordo, mesmo. Ultimamente tenho tentado arranjar uma pequenina “discoteca” particular de música celta. Foi um de música celta, seguramente. Não sei qual.
Canção que estou a escutar agora:
Eh pá esta é forte...porque se eu disser a verdade vai para aí tudo começar a chamar-me lamechas e, assim, umas coisas parecidas...digo? Ok, cá vai. Estou a escutar a Luz Casal a cantar “Piensa en mi”. Tou aqui que nem posso. Já ouvi aquilo hoje p’raí umas dez vezes, enquanto lavo a parede estipulada para o dia 26 de Maio. Eu juro que isto, mais dia, menos dia, passa...
5 canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim:
Bem aqui vou fazer como o Monty. Não dá para canções, escolho grupos ou cantores ou música. (Bin, achas que estraga o impacto da coisa?)
Zeca Afonso
Leonard Cohen
Doors
Fausto
Música Celta, ao pequeno almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar e com o leitinho da hora de ir para a cama.
E como não quero ser menos do que o meu predecessor, aqui lanço o testemunho a outros cinco bloggers:
Eu como não me importo de ser menos que o Bin, e além disso, isto não tem a seguir uma frase em que diz que se eu enviar, me acontece uma coisa muito boa daqui a duas horas e se não enviar, acaba a minha vida sexual, vou-vos poupar.
Afixado por Isabel às 18:48 | Afixadelas (1)
Vão apanhar Sol, SFF

Hoje levantei-me a pensar: vou fazer uma boa acção, no Afixe. A Émièle está de férias e eu vou tentar substituí-la naquele serviço público que ela faz todas as manhãs, bem cedinho. Ler os jornais e deixar-vos as notícias fresquinhas. Poupar-vos trabalho. Ser vossa amiga.
Abri os jornais on line e vejo falar nos impostos que vão aumentar, nos impostos que vão aumentar, nos impostos que vão aumentar...e zás, catrapuz, passou...foi-se a boa intenção, passou o momento de altruísmo... amigos gosto muito de vocês, mas nem pensem!!!!
Émièle, lamento não te conseguir substituir à altura, mas não tomei o calmante ontem à noite e tá Sol, e quero ir almoçar fora e quem quiser que leia os jornais, mas se querem mesmo um conselho de amiga, não leiam.Peguem nos putos, nos amores, nos animaizinhos, nas bicicletas, nas pernas e ala que se faz tarde. Vão curtir o dia. Os impostos que se...que se...que se...
Ciao!!!! Até logo!!!
PS: Também vi uma notícia interessante sobre o relatório anual da Amnistia Internacional sobre as prisões portuguesas. Não acreditem em mim, não. Abram o jornal e depois digam que não têm sorte. E que eu não vos avisei.
Afixado por Isabel às 12:05 | Afixadelas (4)
Adeus, até ao meu regresso
Confesso.
Eu pertenço aquele número alargado de portugueses que, nas contas que fez à vida, pensou que meter sexta-feira que vem de férias era um bom investimento. Esse dia misturado no mês de Agosto não fazia vista nenhuma, mas aqui, entre um feriado e um sábado fazia mesmo um vistão. Além de que vir trabalhar um diazinho desgarrado, não ia render nada…
Claro que teve o inconveniente de a segunda, terça e quarta terem ficado um bocadinho inflacionadas, o trabalho teve de aumentar nesses dias para compensar a tal folgazinha o que fez com que também desse muito menos assistência aqui ao Afixe nesta semana. Mas agora vai saber-me muito bem este fim-de-semana mais dilatado. Sobretudo para dormir, descansar
Mas também para me “cansar” de outro modo:
andar a pé,
ir à praia,
por algumas leituras em dia,
ouvir umas músicas,
ir ao cinema,
ver uns amigos,
experimentar cozinhados,
apanhar sol,
fazer jardinagem,…
… esperem, são só 4 dias! Pois é, entusiasmei-me demais, não dá para tanto.
Mas enfim, numa só palavra, descansar.
O pior é que o PC ainda está no estaleiro, de modo que nada de net.

Assim sendo, leitores e colegas, quem diz nada de net quer dizer nada de blog, é claro. Isto é uma despedida a sério, até segunda-feira – vá lá, domingo à noite.
A gente vê-se nessa altura.
Inté !
Afixado por Emiéle às 00:14 | Afixadelas (6)
maio 25, 2005
Trocada por outra?
Mãe, sabes que eu já não vou casar contigo? Agora vou casar com o... ranho.
É sempre bom para uma mulher ter a noção de que teve uma substituição condigna.
Afixado por Susana às 23:35 | Afixadelas (8)
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 10º dia

25 de Maio de 1990
Finalmente, uma festa neste hospital!!! Amor, estás a ouvir o barulho lá fora? Viste quando vínhamos do refeitório, aqueles senhores, senhoras, meninos, meninas e bebés espalhados pelas cadeiras, pelos corredores, sentados no chão???
Estão à espera dum bebé cigano que vai nascer. A mãe está na sala onde os bebés nascem, o pai anda a fumar cigarro depois de cigarro (a enfermeira diz que não vale a pena dizer que não se pode fumar...) e estão cá as famílias todas à espera que o menino (ou menina, a mãe não perguntou) nasça.
Aqui, no hospital, diz-se que os ciganos são sempre assim: quando nasce um ciganinho novo, quando alguém fica doente, quando...são sempre assim, Joãozito. Vêm todos e falam e esperam e falam e esperam. Agora só se vão embora quando nascer o bebé.
Até lá, duvido que possamos dormir...mas não é grave. Serve para quebrar a monotonia. E deve ser bom o menino que lá está dentro da barriga da mãe saber que tem tanta gente à espera. Espero que mãe não se tenha esquecido de o avisar, e que ele já venha preparado para esta festa toda. Ou, então, vai apanhar cá um destes sustos...
Olha, meu amor, hoje a enfermeira disse que o médico amanhã vai falar com a mãe, mas que não deve cá estar na Segunda Feira. Só nos devemos ver na Terça. Eu e tu. Fiquei um bocadinho triste, por não estares cá nos meus anos...mas estes são os últimos em que não apagas as velas comigo. Prometido???
Agora vamos tentar dormir e esperar que, como dizem lá na terra, a cigana tenha uma hora “curtinha”. Gosto de os ouvir ali, mas também não desgostava de dormir um bocadinho.
Faz como a mãe, pensa que só faltam 4 dias. O sono vai, de certeza, chegar!
Afixado por Isabel às 22:26 | Afixadelas (5)
As letras animadas do Afixe
Lancei o desafio, neste post, exactamente às 18h39. O ABC Dário aceitou-o às 19h58. Às 20h52 cá estava a resposta na minha caixa de correio - e que resposta. ABC Dário, do blogue Webcedário, brincando com as letras do Afixe. Muito obrigado, pá! Absolutamente genial!
Afixado por Rogério C. Pereira às 21:15 | Afixadelas (15)
Habemus Impostus
E a IVA XIX, em relação a quem não se espera qualquer processo de canonização, sucede IVA XXI. E quem se lixa é o crente - será que são aceites objecções de consciência?
Afixado por Rogério C. Pereira às 20:34 | Afixadelas (8)
Sensibilidades
Estava agora a folhear o livro do João Pedro e a verdade é que o murcon, para além de escrever bem c´má porra, esmera-se particularmente, puxando ao sentimento, quando fala de animais. Com este que transcrevo de seguida, fiquei cheio de vontade de ir para casa dar um abraço à Mia. E comprem o livro, que ler no papel é toda uma nova experiência (toda uma nova experiência, porque podia ser apenas parcialmente uma nova experiência, mas não. É toda!)
"O Xico, antes de se chamar «Xico», chamava-se «gatinho» e era um bebé vadio que apareceu no meu quintal, aí em meados de Janeiro. Era um gato muito bonito e muito desconfiado, que fazia sempre questão em manter um perímetro de segurança entre ele e qualquer outro mortal. Como é óbvio, eu e a Manela tentámos conquistá-lo pela barriga, oferecendo-lhe uma parte substancial dos biscoitos originalmente destinados à Ziggy, a gata oficial da casa. Ainda assim, a aproximação foi lenta, mas lá chegou o dia em que, finalmente, consegui o primeiro contacto físico, que teve um grande impacto no bichinho: aquele gesto deve ter sido a primeira vez que ele recebeu carinho de alguém e lembro-me muito bem do seu próprio espanto quando percebeu que estava ronronar.
Nunca me passou pela cabeça adoptá-lo. O malandro parecia feliz: vadio, sem dono, e com água e comida à descrição. Tenho um quintal de proporções assinaláveis e ele sentia-se lá seguro e bem vindo. Até o meu cão, o Jota, começou a aceitar a sua presença, facto por demais evidente quando uma vez surpreendi o gatinho a comer na sua gamela e o raio do cão a olhar para o atrevido com um ar muito pachorrento. Isto até ao dia em que a Manela reparou que o gato arrastava as patas de trás. Ficamos preocupados e o raio do bicho sentiu a nossa inquietação. Não foi fácil apanhá-lo desprevenido, mas, quando conseguimos, vimos logo que ele tinha duas grandes feridas nas patas e que as mesmas estavam sempre a sangrar. De início, ainda tentamos desinfectar as feridas, mas depressa se tornou evidente que a sua condição de gato vadio impedia a cicatrização das mesmas e resolvemos levá-lo ao veterinário. E começa aqui uma saga farmacêutica que já dura há uns bons cinco meses e cujo corolário só poderá ser a minha ruína financeira. Passo a explicar.
Em primeiro lugar, o gato não andava com as pernas tortas por causa das feridas: o nexo de causalidade era inverso. O veterinário tirou-lhe uma chapa e detectou um chumbo (filhos da puta) de uma espingarda de pressão alojado numa das vértebras (a antepenúltima) da coluna. Eram as lesões decorrentes da chumbada que lhe tinham semi-paralisado as patas de trás e era essa paralisia que o forçava a arrastar os membros inferiores. As feridas eram o resultado da fricção das patas com o solo. O bicho foi operado, retiraram-lhe o chumbo (as lesões, infelizmente, permanecem, mas o gato nem parece se importar muito com isso) e, foi durante o pós-operatório, que a minha mãe o baptizou de «Xico» e uma tremenda responsabilidade caíu em cima de nós.
Como é óbvio, o seu historial clínico não ficou por aqui. Só para terem uma pequena ideia, vou vos dar uma amostra dos haveres farmacêuticos que tenho em minha posse para tratar do Xico:
- Água oxigenada, algodão hidrogenado, Mercryl SM, Betadine SD, Leukoplast, Mölnycke, Halibut e Cicatrin para proceder à limpeza das feridas (há cinco meses que faço isso todos os dias e, apesar das evidentes melhoras, as malditas ainda não cicatrizaram);
- Diarsanyl, Romfen e Flagyl para tratar de uma infecção intestinal que, pelos vistos, é muito comum nos gatos vadios;
- Baytril para tratar de uma infecção urinária (o bicho mijava sangue) que rapidamente evoluíu para um tratamento com Lepicortinolo, quando (e esta é a última novidade) uma ecografia detectou uma pedra na bexiga;
- Um bisturi Romed (esta parte até gosto, eu sempre sonhei ter um bisturi, não me perguntem porquê) para cortar em metades, quartos e oitavos comprimidos minúsculos com um diâmetro inferior a 5mm;
- Feline s/d, que é uma comida diurética (diurética?) usada para baixar o pH da urina. O Xico nos próximos dois meses apenas pode comer dessa merda e essa merda custa cerca de €20 o quilo.
É claro que tudo isto não é nada comparado com aquilo que o Xico trouxe à minha vida (e quem tem gatos sabe muito bem do que estou a falar). O que me custa é vê-lo com dores. Um ser humano, que raios, sabe racionalizar a dor, atribuir-lhe origens, adivinhar-lhe terapias e até filosofar-lhe virtudes, mas um bicho não. Há apenas aquele olhar incompreensivo, quando lhe enfio comprimidos à força pela goela abaixo ou quando o magoo nos curativos. E em cada um desses olhares, há um bocado de mim que anoitece.
O Eugénio de Andrade deixou escrito que sempre soube que não há nada mais frágil no mundo do que a beleza. Eu, confesso a minha ignorância, nunca o soube. Mas um gajo aprende depressa."
Afixado por Rogério C. Pereira às 18:58 | Afixadelas (8)
Senhor Feliz

Bastou um jogo por ele (bem) escolhido e eis a mão do meu filho mais novo, subitamente, a estender ao domínio do rato a sua habitual perícia manual. O jogo interactivo da Porto Editora coloca as personagens em diferentes espaços exteriores e domésticos, com tarefas a cumprir através de instruções muito claras faladas em português. O grau de dificuldade é pautado pelo tamanho e idade do animal escolhido no início do jogo. As animações são tranquilas, lentas, como convém a pessoas pequenas. A progressão do jogo não é linear, tendo aventuras transversais e mistérios pontuais para solucionar. E provocam gargalhadas.
Recomendo.
Afixado por Susana às 16:59 | Afixadelas (6)
Webcedário
Se há algo que não tem limites é a imaginação. Quem faz a prova diária desta afirmação é o webcedário. Um blog dedicado às letras, essas nossas amigas...
Aqui ficam alguns bons exemplos:
Afixado por Rogério C. Pereira às 15:29 | Afixadelas (5)
Ler
Desde esta manhã, quando estava a escrever aqui o post sobre as Feiras do Livro, que me tem perseguido lá do fundo da memória uma das minhas recordações mais agradáveis – a leitura do meu primeiro livro.
Foi uma oferta, como é evidente. Não tinha idade para comprar fosse o que fosse. Mas até o modo como me chegou ás mãos já foi muito agradável:
Eu era muito pequena, como se pode adivinhar, e já nem me lembro bem que tipo de festa era. Mas era uma festa. E festa de Natal, tenho a certeza. Lembro-me de que estava com um vestido de lã, agasalhada. O resto é um pouco nebuloso.
Mas o que não é nada nebuloso, muito pelo contrário, brilha com umas cores nítidas como se fosse agora, foi o chamarem pelo meu nome para me darem uma prenda. Meti-me na bicha e voltei para ao pé da minha família com qualquer coisa, talvez um jogo. Mas a minha mãe disse logo: Mas isso é para os meninos que não sabem ler! E dando-me a mão foi fazer a reclamação. Com grandes sorrisos, a “senhora das prendas” recolheu o tal jogo e ofereceu-me um livrinho.
Uau!!!
Imagino que cresci logo ali alguns centímetros!
Bem, devo reconhecer que ainda lia mal. Fazia algum esforço, tenho a certeza. E tenho essa certeza porque me recordo que, na volta para casa, já ia abrindo o livro para ver o que lá dizia, mas precisei de alguma calma para começar a ler ‘como-deve-ser’. O que me lembro muito, mas muito bem, foi a sensação que tive, já em casa e sentada calmamente, de olhar para uma página e compreender o que lá estava escrito. Não sei como me senti quando comecei a andar mas não acredito que a sensação fosse melhor. Abri o livro e abri o mundo. Porque a história saía das letras escritas e tomava volume e forma aos meus olhos.
Ainda vejo o primeiro parágrafo, e consigo relembrar como imaginei logo aquela "burrinha vaidosa que tinha um chapéu de palha"...
(se quiserem, recito de cor todo o primeiro parágrafo)
Afixado por Emiéle às 14:49 | Afixadelas (3)
Tou a ficar fartinha
de todo de vos ouvir a falar do bom tempo, quando aqui as minhas janelas ainda estão assim
e o meu humor também, como é bom de ver.
Eu sei que a dor de cotovelo é uma coisa muito feia, mas que dói, dói!
Afixado por M. Butterfly às 12:52 | Afixadelas (5)
Fausto no CCB

Porque Fausto é, apenas , o criador de “Por este rio acima” e de “Crónicas da terra ardente”, entre muitos outros.
Porque um concerto de Fausto é tão raro, que só pode ser um acontecimento.
Porque se eu me aturo, 365 dias por ano, e de quatro em quatro ainda tenho que fazer 24 horas suplementares, mereço, para além do céu, uma prenda:
Sexta Feira, dia 27 de Maio, às 21.00, estarei no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, para a apresentação do novo disco de Fausto "A ópera mágica do cantor maldito".
Afixado por Isabel às 11:11 | Afixadelas (6)
POBRE GENTE

Vivem perseguidos. Por desastres naturais, por guerras, por governos assassinos. São os famélicos da terra, os destituídos de tudo; os refugiados.
Agora, como se não lhes bastasse tão triste sina, vão ter de levar com o engenheiro António Guterres.
Afixado por João Garcez às 10:42 | Afixadelas (9)
Novo romance de História fantástica
Chama-se Custodians of Truth: The Continuance of Rex Deus, e foi escrito por Tim Wallace-Murphy and Marilyn Hopkins. Estes autores, pouco conhecidos aqui em Portugal onde nunca tiveram honras de uma obra traduzida, fazem parte da "Rennes-le-Château generation". São velhos caminhantes da estrada de aldrabice que começa em Rennes-le-Château e acaba onde o leitor quiser. Têm um livro novo, editado há poucos dias, mas sempre sobre o mesmo...

From the authors of Rosslyn comes this shocking occult exposé. Jesus Christ did not die on the cross, but survived and went on to have a family.
This continues the legend with facts concerning the Holy Grail and who the historical Jesus Christ was. It will shock readers with its perspectives, based on solid proof, and hard facts. The photographs will also be of great interest.
The actual burial place of Jesus Christ is revealed and documented as being at the Temple Mount in Jerusalem. The actual burial place of Mary Magdalene is at St. Maximin la Baume, Provence.
A careful documentation of the Rex Deus families, direct descendents of Jesus Christ, is examined. It goes back to its origins in the Egyptian Mystery Schools and the true teachings of Jesus Christ appear in many secret orders such as the Order of the Knights Templar and Freemasons.
That the Catholic Church successfully suppressed and destroyed those who sought to reveal the true teachings of Jesus Christ is documented. This resulted in the sacred teachings and the true custodians of truth going underground to survive and keep the blood line pure, intact, and alive for over two-thousand years. The job of the Catholic Church was to utilize their so-called Holy Inquisition to destroy anything which threatened what the Catholic Church founders sought to perpetuate, namely a false religion based on greed, power, and control in their name of Jesus Christ. How this was accomplished by the Catholic Church is documented in the book.
The Gnostic philosophy around the time of Jesus was another form of teachings by Jesus that was suppressed. All secret knowledge of Jesus Christ was suppressed by the Catholic Church so this would not interfere with the truth as the Catholic Church sought to spread and use for its own personal gain and control of the masses.
There are nineteen chapters in this nonfiction book. Some of the chapters include "Zep Tepi," "The Egyptian Origins of Judaism," "The Dark Ages and the Repressive Church," "The Rise of Rex Deus Aristocracy in Europe," "The Knights Templar," "The Beliefs of the Knights Templar," "The Holy Inquistion," "The St. Clairs of Roslin and the Foundation of Freemasonry," "Spiritual Awakening in the 21st Century," among others.
The reader will discover from factual documentation that the historical Jesus Christ was a holy man, an adept of ancient knowledge, and an adept whose knowledge informed his own teachings. The purpose of the Catholic Church was to suppress the true nature of Jesus Christ and his teachings, and recast him with their own teachings in an effort to achieve complete control. The Catholic Church was successful until now, a time when documentation of the facts is revealing the crumbling fraud known as the Catholic Church. This book will shock you with its material, statements, and documentation.
Highly recommended. This is a nonfiction work which will enchant, tantalize, irritate, and bring joy to its many readers depending on how they accept or reject the facts. The style of writing is concise, crisp, and enjoyable reading.
Custodians of Truth is a book to put at the top of your reading list, a book to give as a gift to an inquisitive friend, and a book to have your local librarian order for placement in the public library. Each person who reads this book will come away with a different, and personal perspective on the real Jesus Christ, and the Rex Deus' efforts to save the true teachings of Jesus Christ.
Em Custodians of Truth: The Continuance of Rex Deus - By Tim Wallace-Murphy and Marilyn Hopkins
Afixado por Bernardo Motta às 10:42 | Afixadelas (5)
Naquele tempo...

Naquele Tempo
Sob o caramachão de glicínia lilaz
As abelhas e eu
Tontas de perfume
Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas
Sophia de Mello Breyner Andresen
Abril de 98
Afixado por Isabel às 09:07 | Afixadelas (15)
Nem tudo é mau
Sempre ficamos com alguma coisa...

Afixado por Emiéle às 08:01 | Afixadelas (3)
Feira do Livro
Não devem ser precisas palavras porque quase todos sabemos. Contudo não faz mal lembrar.
Começam hoje as Feiras do Livro
Em Lisboa, como de costume no Parque Eduardo VII
( desculpem ter começado por Lisboa, mas a verdade é que eu vivo cá…)
E no Porto, no Pavilhão Rosa Mota
Mas o bonito, é que um pouco por todo o país vamos vendo multiplicar-se as Feiras do Livro, um modo de aproximar a montanha-livro do Mahomé-público.
Esperemos, sinceramente, que os hábitos de leitura aumentem.

Afixado por Emiéle às 07:31 | Afixadelas (11)
Quinze mil anos luz
Pois, parece-me bem.
15.000 anos longe é suficientemente distante
Ando para aqui a pensar, se eu desse uma ajudinha ao mealheiro do João Pedro, quando ele comprasse o telescópio talvez encontrasse uma outra terrazinha também a uns dezasseis anos luz ( já agora andava-se um pouquinho mais ) deste nosso mundo.
E, como era descoberta de um aphixezinho, que o João Pedro já está adoptado por todos nós, tínhamos prioridade nas listas de imigração.
É que por cá, já não se pode viver!
Afixado por Emiéle às 06:44 | Afixadelas (4)
Dia Glorioso
Hoje, os humildes e abnegados representantes da Nação expõem com gravidade e mais uma vez a questão orçamental

Comovendo-se perante o povo que, com singular desvelo patriótico, acorre aos milhares às Tesourarias da Fazenda entregando tudo o que pode e tem para salvar os fundilhos da Pátria

Entretanto, alguns odiosos aviltam o esforço colectivo da Nação com os pasquins mais azedos

Enquanto a raça dos poetas da Pátria tece os versos negros costumeiros
Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje. (Miguel Torga)
gibel
Afixado por afixe às 04:37 | Afixadelas (3)
maio 24, 2005
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 9º dia

24 de Maio de 1990
Não temos novidades,serinho. Veio cá a avó Inês e trouxe-te um fato pequenininho que fez para ti.
Comemos peixe cozido ao almoço, o que é raro acontecer, tirando 97% das refeições.
O peixe cozido não tinha sal, o que é raro acontecer, tirando 99.9% das refeições.
Fomos fazer um novo CTG e a mãe acha que tu já acompanhas a música, com os teus pezitos na minha barriga. A tensão manteve-se alta, mas estável.
E foi um dia calmo. Pedi para ir um bocadinho para a janela da sala de espera, enquanto não havia visitas. Dá para ver o Tejo e a planície. Do outro lado vê-se a terra da mãe e dos avós.
Ontem, um amigo trouxe um livro e hoje, à janela, estive a lê-lo, alto, para ti. Possivelmente não percebeste. Mas a mim soube bem. Fala de buscas. Da busca da razão da vida. De uma razão para a vida. Hoje não precisaria de o ler para a encontrar, meu amor, mas já aconteceu...outros tempos, muito antes de teres começado a brincar e a chuchar no dedo, dentro de mim.
Talvez fosse a leitura do livro e o Tejo que permitiram que não custasse muito a pergunta que, a mãe sabia, um dia viria.
“Nunca tem visita às sete, pois não, Isabel?”
Não, nunca temos visita às sete, vingamo-nos com a das duas...e com a nossa janela cheia de azul e de verde, pensei, baixinho, para ti.
“Não está cá o pai do João Pedro”, respondi. Não menti. Não está cá o pai, meu amor.
Afixado por Isabel às 22:08 | Afixadelas (10)
Uma questão de prioridades
Uns emocionam-se com as vitórias da bola, outros com a escolha de António Guterres para o ACNUR, resta alguém para se emocionar com coisas verdadeiramente estruturais e importantes?
Ou esse tipo de emoções fica reservado para o Zé Povinho quando lhe começar a faltar o pão na mesa?
- Ó Zé, o menino tá com fome!
- Raio do puto! Ó Maria, mostra-lhes umas fotos do ACNUR ou canta-lhe o hino do Benfica, raisparta no miúdo! Mariquinhas!
Afixado por Rogério C. Pereira às 19:57 | Afixadelas (4)
6 virgula quê ??

Tivesse eu visto o post do Monty (eu sei que aqui ficava bem um link, mas não tou com paciência para tar aqui duas horas, tenho que ir ver o castelo...) e ter-me-ia poupado a uma manhã inteira de tentativas de desculpas mais ou menos esfarrapadas para sair mais cedo...tenho que marcar uma consulta...tou com afrontamentos, da idade mas pensas o quê, pá? Isto é do calor, a temperatura, topas?...tenho que ir a uma reunião da escola do meu filho...acho que tou outra vez com a tensão alta...esqueci-me de pagar o telefone, agora só mesmo na PT... partiu-se o salto do sapato...acabei por optar por me armar em militante consequente dos seus deveres e dos seus direitos e dizer, simplesmente: vou meter uma tarde de recuperação porque tenho trabalho partidário. Assim, tout court. Mai nada. Se trabalho a mais quando os gajos precisam, pagam-nas todas quando o País chama por mim ( Monty, já te cantaram esta????). E lá saí eu, airosa e segura. Claro que o “trabalho partidário” era às 16 horas, mas como nunca se sabe como está o trânsito na Avenida da Liberdade, o melhor é sair logo às 13…. E cá estou. Já estive a beber uma imperial (o que uma pessoa cresce...dantes sozinha numa esplanada, era sempre um suminho), fui 20m ao acto militante e estou, em casa, às cinco e meia...com as compras feitas, a militância cumprida, a alma cheia de azul e sem conseguir entender que treta é aquela que o Monty, fala ali em baixo e que parece que anda perto dos 6 virgula 9 qualquer coisa.
Agora, se me dão licença, vou olhar para o castelo e pensar um bocadinho no candidato. Lá em baixo ouço a vizinha a falar do filho da Augusta que anda metido na droga e na miúda da Clarisse que está para deixar a escola, porque quer ir trabalhar. Anda mas é a namorar com um matulão, acrescenta.
Convém concordar com o candidato, pelo menos, no 1º dia...Lisboa é gente, mas faça favor de não se esquecer do Tejo, se não vou ter que o convidar para a próxima Imperial na Esplanada de Alfama...o que sejamos honestos, também não seria um drama. O candidato tem bom ar e não me parece que me estragasse a paisagem.
Afixado por Isabel às 17:52 | Afixadelas (12)
Literatura para descansar
Quando comprei o livro do Bernardo, perguntei ao funcionário da livraria que tal se estava a vender. Ele, que estava no seu primeiro dia, não soube responder, mas, solícito, foi perguntar à colega que mandou dizer que comprasse descansado, que não estava a vender tanto como o do Dan Brown, mas que estava a vender bem.
Afixado por Rogério C. Pereira às 16:05 | Afixadelas (23)
Dicionário de Língua Portuguesa
"Uma boa desculpa", em português moderno, diz-se 6,83%. E fazer este post não está ser um bom 6,83% para não trabalhar - em rigor fi-lo ontem à noite e coloquei-o para publicação futura.
Afixado por Rogério C. Pereira às 15:54 | Afixadelas (2)
Questionário musical
O bin da fauna enviou-me este questionário. Não gosto de responder a questionários, mas como se trata do amigo bin, cá vai:
Tamanho total dos arquivos no meu computador?
Esta é fácil. 0 kb (mais coisa menos coisa). Não tenho esse hábito, já tive, é certo, mas, ultimamente, desde a última formatação, deixei-me disso.
Último disco que comprei:
Do último que comprei não me recordo, mas gravaram-me há pouco tempo "I am a bird now", dos "Antony and the Johnsons".
Canção que estou a escutar agora:
Um filho da puta que está aqui no Largo em frente ao meu escritório a cantar música pimba há dois dias. Acabou agora o "Miiiiíílaaaa, só eu e você" e começou, agorinha mesmo o "Zumba na caneca", da Tonicha. Mais valia levar uma injecção na testa. Nem consigo pensar.
5 canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim:
Nada fácil esta, vou tentar por bandas e cantores...
The Doors
Caetano Veloso
Legião Urbana
Zeca Afonso
Madredeus
E como não me importo de ser menos que o meu mensageiro, não lanço o testemunho a ninguém - quem quiser que responda.
Razões para a não escolha:
Porque estou altamente desinspirado, não me apetece fazer links e estou cheio de trabalho - e porque se por acaso não escolhesse o Jorge Morais ele ia levar a mal (just kidding, man).
P.S. - O palhaço aqui da frente está agora a atacar, no verdadeiro sentido da palavra, "New York, New York" (parece que tenho o Frank Sinatra a cagar debaixo da minha janela) - diiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiizzzzzzzz litatáune blúúzzzzzzzzz... E agora arranjou um amigo para fazer os back vocals - os dois, um saco, fundo dum poço...
Afixado por Rogério C. Pereira às 15:44 | Afixadelas (4)
Dear Madge
No dia 14 de Abril, o vitriolica webb's ite, da nossa querida aphixadora Madge Webb, fez um ano de vida. Na altura, furtei-me escandalosamente ao convite para fazer um desenho comemorativo - manifesta falta de tempo e de jeito. Entretanto, no dia 22 deste mês, a Madge fez anos (Parabéns!!!!), eu continuei a baldar-me, e, ainda por cima, não lhe dei os parabéns atempadamente.
Shame on me!!!
Tarde e a desoras, e com a ajuda mais que substancial, diga-se, da minha paciente mulher, lá se fez o desenhinho acima reproduzido, assim como no vitriolica webb's ite, que ilustra a imagem que nós temos da nossa british friend, a paciente Madge que, diga-se, nunca se furtou aos meus insistentes pedidos de ilustrações e é responsável pela quase totalidade dos desenhos que podem ser vistos no afixe.
Thanks, dear friend!
Afixado por Rogério C. Pereira às 12:37 | Afixadelas (12)
“Notícias Pedidas”
Acabei de ouvir o “Palmilha Dentada”, momento de humor da minha manhã, que hoje teve uma ideia inspirada: a rubrica “notícias pedidas”
A ideia é simples. Consideraram, e bem, que grande parte das notícias que as pessoas ouvem não as interessam, pelos mais diversos motivos que enumeraram de um modo bastante realista, de modo que inauguraram o Notícias Pedidas. Era mais ou menos o modelo do Músicas Pedidas. ( posso pedir um disco? )O ouvinte dizia uma frase e tinha direito a pedir uma notícia que o interessasse. O locutor procurava então entre o que tinha á sua frente a notícia que podia satisfazer o ouvinte.
Como grande parte do que faz o Palmilha Dentada teve muita graça e acertou mesmo no alvo. É que, realmente, grande parte das pessoas deseja é ouvir algumas notícias e não se rala mesmo nada com as outras. O pior é, como, o Palmilha News o estava a descobrir, que muitas vezes não se consegue que a notícia acerte com o desejo do ouvinte…

PS - última hora- e se abríssemos aqui um guichet de "notícias pedidas"? quem é que gostava de ouvir um boa notícia...vá façam os seus pedidos e a frase é "o Afixe é o meu blog de estimação".Vá lá!
Afixado por Emiéle às 08:16 | Afixadelas (23)
Que remédio…
Isto quando se zangam as comadres, descobre-se muita coisa. Parece que:
«Os medicamentos estão a ser vendidos mais caros do que a lei estipula porque não existe qualquer mecanismo de acompanhamento dos preços depois de o fármaco ter recebido autorização de introdução no mercado. Se esta situação fosse corrigida, o Estado e os utentes teriam poupado cerca de 50 milhões de euros em 2004, apenas com 15 medicamentos» , dizem os farmacêuticos.
Ora muito bem. Ficamos a saber que se está a pagar, quer o estado quer nós, bastante mais do que seria necessário.
Interessante.
Até porque, o que nunca se pode regatear é o preço do remédio que nos pode curar quando se está doente. Vale tudo. E, afinal, pode haver outras hipóteses.
Tem de se arrumar a casa como deve ser!
Afixado por Emiéle às 08:04 | Afixadelas (5)
Os portugueses, o telemóvel e os inquéritos
Seria interessante entender porque foi que nós, em Portugal, aderimos a este meio de comunicação portátil de um modo tão absoluto e entusiasta. Pelo que sei, Portugal é um dos países onde, em proporção, existe maior quantidade de telemóveis. E isto em paralelo a um decréscimo do uso dos telefones fixos. Existem muitas casas onde se fala exclusivamente por telemóvel – sobretudo em famílias de muito fracos recursos ou famílias muito jovens. Tenho a absoluta certeza.
E tenho este facto à frente dos olhos, quando leio que um estudo, efectuado em França, a pedido de uma agência de publicidade também francesa, estudo que cobriu toda a Europa, revelou que o nosso país é mais conservador do que os outros países europeus. Mas se foram efectuadas mil entrevistas telefónicas, como é que se levou em conta a verdadeira população do país? Mesmo que os outros requisitos ( idade, escolaridade, situação familiar ) fossem cuidadosamente escolhidos já o facto de se atender um telefone fixo era, à partida, selectivo.
Não.
Até podemos ser mais conservadores mas não é com este estudo que fico convencida.

Afixado por Emiéle às 07:41
À espera de quarta-feira
Naturalmente que estou muito preocupada com as finanças do país. No estado actual em que se está, com o problema gravíssimo do desemprego, e com tanta coisa urgente para resolver, a notícia de uma duplicação do valor do défice não é de animar ninguém.
Mas se o primeiro-ministro vai falar na quarta feira no parlamento, vou esperar até lá.
Também, mais um dia…
Afixado por Emiéle às 07:20 | Afixadelas (1)
maio 23, 2005
E o que é que se faz ao piano?
No caminho deixei que o sol me anestesiasse o rosto, absorvendo a luz laranja que, intensa, penetrava as pálpebras fechadas. Tinha acabado de assistir às lágrimas de quem se dispunha a visitar pela última vez, depois de tanto tempo, a casa onde tinha vivido todas as experiências iniciáticas da puberdade, o risco da juventude e a aflição dos primeiros apontamentos da idade adulta: a casa que fora dos pais.
Abrindo os olhos, vi um adolescente que quase caiu do passeio à nossa frente, equilibrando-se no último instante; um guarda-chuva castanho emergindo sob um contentor do lixo; uma rapariga loira que empurrava um carrinho de bebé vazio.
Passado o portão (sem cancelas), transpondo o declive pela subida pedregosa de sempre, constatei que continuava o mesmo paraíso para os incautos coelhos que escapavam às rodas dos carros e à mira do ocasional caçador furtivo que por ali passava.
Em frente da casa, vi os pequenos edifícios contíguos já em ruínas, cobertos pela hera e preenchidos pela vegetação. Na passagem estreita que acedia à porta de entrada, de um lado esculturas contemporâneas portuguesas, partidas e cobertas de pó; do outro, os pinheiros caídos da colina adjacente tinham espantado o aloés que antes ali triunfava e que agora persistia em aparecer todo esticado por entre alguns dos ramos carregados de pinhas caídos a monte. O cheiro era o mesmo.
Lá dentro salas e quartos quase vazios, mobília fora do espaço e do contexto em que foi usada, objectos dispersos, pilhas de papéis e fotografias (poucas) e uma luz serena. Nas janelas e varandas a paisagem está agora pontuada de edifícios e, tranlúcidas em frente do rio, as árvores por podar. Olhava em volta esperando rever o passado naquela casa, antecipando a memória “olha, daquela vez namorámos mesmo ali na escada”, “fizemos amor na varanda”, “zangámo-nos no teu quarto” – e nada: filmes que tiveram outro cenário e, já agora, uma personagem que não sou eu.
Depois de calar mais lágrimas e de nos abraçarmos no hall onde tantas vezes dançámos, pegámos nas coisas (muitas eram minhas) e partimos. No regresso falámos do crescimento caótico dos prédios naquela zona, do Presidente da Câmara e de coisas que não recordo. Olhando para o sol rasante que descia de frente para mim numa curva da estrada, deliberadamente, deixei-me cegar.
Afixado por Susana às 23:26 | Afixadelas (12)
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 8º dia

23 de Maio de 1990
Na noite de Sábado para Domingo, tinha entrado no quarto uma rapariga, ainda muito jovem com um bebé, acabado de nascer.
Nunca a ouvi falar, nunca a vi sorrir, nunca a vi chorar. Dela, recordo, apenas, a ausência de olhar. Nunca a vi olhar. No Domingo, não recebeu uma visita. O bebé não mamava, a enfermeira vinha buscá-lo, na hora das mamadas. Ela levantava-se, devagar, e saía. Sem um gesto, a não ser os passos que a levavam ao corredor. Normalmente voltava, quando o bebé já estava no berço. Sentava-se na cama ou deitava-se. Sempre sem expressão. Ontem, vieram falar com ela, logo pela manhã. Deixou o bebé no berço e foi, acompanhada de uma enfermeira e de outra senhora. Durante o resto do dia, a cena repetiu-se. Por mais duas vezes voltou a sair do quarto acompanhada. E a voltar.
Esta manhã, cedo, ainda não eram nove horas, a mesma senhora que cá tinha estado ontem, veio buscar os dois. Mãe e filho. Cerca de uma hora depois, ela voltou. Sozinha. Vestiu-se, pegou nas suas roupas e saíu. Nunca olhou para trás.
Na hora da medicação, a senhora da cama ao lado perguntou à enfermeira se tinha acontecido alguma coisa ao menino. “A mãe deu-o para adopção, e já foi para casa”, disse. Parece-me que também não havia expressão na sua voz.
No quarto fez-se silêncio.
Felizmente que nós podemos sair do quarto para almoçar , meu amor. A mãe precisa de aproveitar o caminho para o refeitório para respirar. E para te dizer que não era este o Mundo que te queria dar.
João Pedro, quero dar-te um mundo em que as pessoas olhem. Ajuda a mãe a fazer um Mundo em que as pessoas olhem.
Agora, meu amor, vamos descansar. Preciso de sentir-te para ter a certeza que vale a pena. Um beijo, para ti, serinho e desculpa as lágrimas. Às vezes é preciso chorar. Entre as coisas que te hei-de ensinar, para além de ouvir música, contar e rir, é que, às vezes, é preciso chorar.
Nota: A primeira parte deste texto, contrariamente às outras que aqui tenho deixado, foi feita de memória. Não sou, neste momento, capaz de aqui deixar as palavras que, nesse dia, escrevi no meu bloco. Até, ou sobretudo, porque não julgo que tenha esse direito. Nelas há perguntas, há dúvidas que me ultrapassam. Por respeito e pudor guardá-las-ei para mim.
Afixado por Isabel às 22:13 | Afixadelas (8)
Intimidades...
Ao ver os contornos desta festa, percebem-se melhor este tipo de resultados.
Entretanto, no país real, Constâncio aguarda entrega do título para proceder à entrega do défice. É disto que o meu povo gosta. E alguém sabe o resultado do défice? ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ GLO-RIO-SO ÉSSELBÊ GLO-RIO-SO ÉSSELBÊ! 6,83%? Ca ganda abada! ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ ÉSSELBÊ GLO-RIO-SO ÉSSELBÊ GLO-RIO-SO ÉSSELBÊ!
Afixado por Rogério C. Pereira às 20:19 | Afixadelas (2)
O mistério do jornalista desaparecido
Aqui há uns anitos, no tempo em que os animais falavam, entre os
meus 18 e os meus 23 anos, mais coisa menos coisa, a minha existência foi a modos que assombrada pela homossexualidade. É verdade, e pode ser atestado por quem me conhece de então. Puto provinciano imberbe, filhinho da mamã, com 18 aninhos à solta em Lisboa, aquilo era tudo meu, que é o mesmo que dizer que todas as gajas de Lisboa eram minhas, algumas não sabiam e tal e eram mais as vezes que apanhava grade (expressão idiomática das artes da caça que quer significar que ficava a apanhar bonés), do que as que levava a minha avante.
Mas, entre mortas e feridas (confesso que tive que abater algumas e bater em outras tantas) lá se ia orientando o rapaz.
Eis que de repente sou confrontado com um fenómeno: começava-se-me a parecer que a minha fortuna com eles era muito superior à que tinha com elas. Não, não estou a sair do armário, continuem lá a ler a porra do texto, fáchavor.
Sucede que, entre apanhar uma injecção na testa todos os dias e ter sorte com aquele ramo do saber, eu preferia de longe a primeira opção.
Isto tudo para contar uma das histórias de sucesso com o sexo forte que ainda hoje me faz corar até à raiz dos testículos (hoje estou numa de partilha - se até o Benfica já ganha campeonatos, porque raio não vos hei-de eu contar algumas das histórias negras da minha vida?).
Era uma vez um rapaz que saía toda a santa noite em Lisboa, já tinha tirado as medidas ao curso de Direito, e aquilo era coisa para se fazer facilmente em 5 anos, e portanto, havia que se ir tratando doutros cursos da vida, que o tempo urge.
Um dia, e tendo em conta que a famosa porteira da canção se encontrava ausente, lá tentámos a sorte no velho Frágil, ao menos para ver se era verdade que ali só se pegava de empurrão, coisa em que nos recusávamos a acreditar – antes não fosse eu um céptico e teria passado por menos vergonhas.
Como é óbvio, o dinheiro não abundava e a malta tinha que entrar nas discotecas já mais ou menos bem bebido, porque lá dentro não havia pastel para mais que uma cervejola e mesmo essa implicava, muitas vezes, ter que ir almoçar peixe à cantina no dia seguinte (peixe na cantina é uma história que dará concerteza outro post, mas, para terem uma ideia, fica, no meu imaginário, algures entre a injecção na testa e a tal outra cena). E lá andava um gajo, de b’jeca na mão, a ver que tal se safava naquela noite, gaja à direita com gajo com 80% de hipótese de não ser maricas, gaja com gaja (in your dreams baby), gajo com gajo (e que é que a mim me interessa isso?). Em suma, tudo indicava que alguém iria dormir sozinho a casa e era eu.
Antes de ir embora, vai de tirar a água no joelho, sem pensar bem no enorme risco que implicava entrar numa casa de banho daquele Frágil, naquela noite. Catrapumba. Estava eu a pensar como é que raio havia de ir para casa, quando sinto alguém no, urinol do lado, demasiado entusiasmado para o que era normal, por mais apertadinho que estivesse.
Viro-me para o lado e está um gajo em pleno peep-show altamente embrenhado num five-to-one. O problema é que o peeped era eu. Depois de lançar uns impropérios e de perguntar ao tipo que tal passava a mãezinha dele e tal, acabo de fazer o que tinha para fazer, que estas coisas do xixi não se podem deixar a meio, empurro o gajo contra o urinol e ainda o ouço dizer, ó caralho, péra aí, quisto já tá quase.
Fora do Frágil, a caminho da carreira 36 que devia estar a começar a passar, diz-me o idiota que tinha entrado comigo na discoteca: “Chegaste a encontrar aquele teu amigo? Porque a vida é cheio de desencontros dei-lhe o teu telefone de casa.”
Filho da puta, armado em poeta! Grande cabrão. O paneleiro tinha o meu número de telefone.
Fiz por me esquecer da cena, e lá fui para casa, que o sol já assomava no horizonte e eu não queria entrar em casa com as minhas velhas a saírem – sim, porque eu vivia com duas simpáticas velhinhas.
Na noite seguinte, já não sei bem porquê, fiquei em casa, e recebo um telefonema. Pois é, era o meu amigo de urinol, o tal do péra-aí-que-tá-quase. Conversa puxa conversa, e depois de eu o ter questionado novamente sobre as actividades nocturnas da mãezinha e que o havia de o pôr a assobiar para dentro, o gajo diz-me que está apaixonado, que foi amor à primeira mijadela e não sei mais o quê. Que se chamava António Pavão, que era pintor e que queria muito ir fazer xixi comigo outra vez.
Com muita paciência dos meus dezoito amigos da Juve Leo, just kidding, eram só dez (obrigado, Zé do Bigode!), lá me descartei do gajo, mais ainda o aturei umas quantas noites ao telefone, e sempre com a mesma conversa – aquilo devia ser pedra no rim.
Entretanto, eu tinha outra vida aqui nas berças, uma vida paralela, onde só se fazia xixi em urinóis conhecidos e ao lado de gente decente. Num fim de semana qualquer, em que vim buscar batatas à terra, toca o telefone. Notem bem, o telefone de casa dos meus pais, a pelo menos 300 km de distância do Frágil.
Sim (a mesma voz), boa tarde, o Sr. Python está? (o Sr. Python é o meu pai, que a mim toda a gente me tratava e trata pelo primeiro nome.). Ai Jesus, que me vou, então aquele filho da puta está a ligar-me para casa e quer falar com o meu pai? Quem fala, caralho? Aqui António Paixão. Ai o caralho, meu, estás a ver se cais por um desfiladeiro acima, e a mãezinha tem andado a render bem, coisital? Telefone nas trombas.
Trrrrriiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmm! (naquele tempo os telefones faziam Trrrrriiiiiiimmmmmmmmmmmmmmmm!)
Eu não acredito! ‘Tou? Sim, boa tarde (a mesmíssima voz), há bocado deve ter havido alguma confusão, que eu queria falar com o Sr. Python sobre uns assuntos. Não meu maricas descorçoado, não foi engano, se tornas a ligar para este número, palavra de honra que te ponho a fazer xixi pela boca. E pumba!
O telefone não tocou mais!
Passados uns tempos, tipo, 3 ou 4 meses, em pleno jantar de família, pergunta o meu pai à minha mãe, olha lá, aquele fulano do jornal que queria fazer uma reportagem sobre aquela cena nunca mais voltou a ligar, pois não? Que não, que não sabia de nada.
Palavra que até se me arrepiaram o pêlos do cu com a premonição, enquanto, a medo, perguntava ao meu pai como é que o tal do jornalista se chamava. António Paixão, porquê, atendeste algum telefonema e esqueceste-te de me dar o recado?
Não! (barrigada de riso) Ai Jesus, com licença, que se me tá a dar a volta à bexiga, com licença, que vou fazer xixi.
(Paixão! O outro era Pavão, o outro era Pavão. Quem disse que não há duas vozes iguais?)
Nunca mais soube de nada e ainda hoje é estória contada na família Python, a do mistério do jornalista desaparecido. Ai o gajo, hein, tanta coisa, tanta coisa, tanto interesse, e nunca mais disse nada. Azar o dele.
Pois, pai, azar o dele!
Afixado por Rogério C. Pereira às 18:01 | Afixadelas (18)
Aphixadores nas bancas
Hoje é verdadeiramente um dia especial, o dia em que venho aqui anunciar, fáchavor, quistaqui-quistaqui, dizia, venho aqui anunciar que estão já nas bancas os livros dos também aphixadores Bernardo Sanchez da Motta e João Pedro da Costa.
Bernardo, ele mesmo, apresenta assim a sua obra, já à venda em todas as livrarias dignas desse nome, "Trata-se da passagem a livro, numa forma ampliada e profundamente revista, de um trabalho de investigação que venho desenvolvendo desde Outubro de 1997 na Internet, em http://bmotta.planetaclix.pt. O trabalho versa sobre a sociedade secreta francesa conhecida pelo nome de “Prieuré de Sion”, ou “Priorado de Sião”, que tendo sido fundada em 1956 em França, se tem dedicado desde então à propagação de um embuste, de uma farsa esotérica poderosa, baseada num enigma francês originário da aldeia de Rennes-le-Château, localizada no topo de uma montanha nos Pirinéus." Mais informações aqui.
Já d'As Ruínas Circulares, e uma vez que João Pedro da Costa não se conseguiu contactar a si próprio a tempo da apresentação da obra, diz Tomas Azouz, autor do famosíssimo blog www.ousontmesclefs.blogspot.com, "As Ruínas Circulares é (porque não dizê-lo desde já) um livro maravilhoso, escrito por um autor magnânimo em cujo nome ecoam dois milénios da mais pura reflexão metafísica cristã. Do ponto de vista hermenêutico, a obra é assaz generosa e funciona um pouco como uma espécie de rotunda a partir da qual nascem artérias interpretativas que conduzirão o leitor encartado para lugares inesperados, nos quais o sexo, a droga, a aventura e a fortuna são pontos de paragem obrigatórios.". Para já, está à venda na Loja pauloquerido.com, mas, se bem percebi, tê-lo-emos brevemente em outros locais - para mais pormenores contactem o próprio n'As Ruínas ou por email. Entretanto, e enquanto o livro vem e não vem (puta de expressão esta, como diria o artista), e para quem não conheça as artes do João Pedro, alavanquem-se para este excerto e vejam lá se ficam ou não ficam desperados de vontade de mandar vir o raio do livro.
Muitos parabéns a ambos! Sois o nosso gorgulho!
Afixado por Rogério C. Pereira às 10:00 | Afixadelas (20)
Comunicar
Através de uma notícia da Teacher recebi uma informação a que não chegaria sozinha que não sei alemão.
Conta lá que os japoneses estão a trabalhar num "tradutor de linguagem de bebé".
Fiquei completamente aparvalhada, chocada, estarrecida, confusa ( desisto!) sem palavras! Pelo que a Inês traduziu do artigo,«Precisamente no Japão, o país com a mais baixa taxa de natalidade do mundo, um aparelho destes poderia abrir novas perspectivas. É que muitos jovens vêem as crianças como uma maçada ou sentem-se sobrecarregados com a educação». Valha-me aqui São Brazelton, Santa Dolto, meu querido São João dos Santos, todos os profetas da educação infantil!
UMA MÁQUINA!!!! Para uma mãe entender o seu filho?
Depois de andarmos há uns dias a ler a sensibilidade com que a Isabel fala de e para o seu filho prestes a nascer, isto parece-me uma cambalhota para um mundo alternativo como os que se conhecem na Ficção Cientifica!
Não há nada, absolutamente nada, que substitua a comunicação mãe – bebé. É uma aprendizagem lenta e mútua. Feita de frustrações é claro, mas isso é que faz crescer a criança. Nem falo já do facto mais subjectivo da beleza dessa relação, quero dizer que tudo implica esforço, e quer a mãe quer o filho devem “aprender a comunicar”. Receio muito pelo futuro desses pequenos japoneses.
Que solidão!

Afixado por Emiéle às 07:00 | Afixadelas (10)
maio 22, 2005
little bird
No dia dos pardalitos com catarro, fui roubar um à Madge.
Afixado por Rogério C. Pereira às 23:23 | Afixadelas (5)
CAMINHOS PARA O DIVINO
Uma coisa descobri ao ver os festejos dos novos campeões nacionais, sobretudo depois de estes se terem reduzido à quase nudez da roupa interior: alguns dos jogadores do Benfica são de Jesus, outros escolheram a Vodafone.
João Garcez
Afixado por afixe às 21:27 | Afixadelas (15)
Crónica dos últimos dias, antes de ti - 7º dia

22 de Maio de 1990
Hoje acordámos ainda mais cedo. Tu acordaste ainda mais cedo. Voltaste a pôr aquele pezito maluco, ali espetado, por volta das seis da manhã. E já ninguém aqui dormiu (ninguém, sou eu e tu, percebeste, meu amor?).
Claro que a esta hora, estamos os dois mais mortos que vi



