« Tou a ficar fartinha | Entrada | Webcedário »
maio 25, 2005
Ler
Desde esta manhã, quando estava a escrever aqui o post sobre as Feiras do Livro, que me tem perseguido lá do fundo da memória uma das minhas recordações mais agradáveis – a leitura do meu primeiro livro.
Foi uma oferta, como é evidente. Não tinha idade para comprar fosse o que fosse. Mas até o modo como me chegou ás mãos já foi muito agradável:
Eu era muito pequena, como se pode adivinhar, e já nem me lembro bem que tipo de festa era. Mas era uma festa. E festa de Natal, tenho a certeza. Lembro-me de que estava com um vestido de lã, agasalhada. O resto é um pouco nebuloso.
Mas o que não é nada nebuloso, muito pelo contrário, brilha com umas cores nítidas como se fosse agora, foi o chamarem pelo meu nome para me darem uma prenda. Meti-me na bicha e voltei para ao pé da minha família com qualquer coisa, talvez um jogo. Mas a minha mãe disse logo: Mas isso é para os meninos que não sabem ler! E dando-me a mão foi fazer a reclamação. Com grandes sorrisos, a “senhora das prendas” recolheu o tal jogo e ofereceu-me um livrinho.
Uau!!!
Imagino que cresci logo ali alguns centímetros!
Bem, devo reconhecer que ainda lia mal. Fazia algum esforço, tenho a certeza. E tenho essa certeza porque me recordo que, na volta para casa, já ia abrindo o livro para ver o que lá dizia, mas precisei de alguma calma para começar a ler ‘como-deve-ser’. O que me lembro muito, mas muito bem, foi a sensação que tive, já em casa e sentada calmamente, de olhar para uma página e compreender o que lá estava escrito. Não sei como me senti quando comecei a andar mas não acredito que a sensação fosse melhor. Abri o livro e abri o mundo. Porque a história saía das letras escritas e tomava volume e forma aos meus olhos.
Ainda vejo o primeiro parágrafo, e consigo relembrar como imaginei logo aquela "burrinha vaidosa que tinha um chapéu de palha"...
(se quiserem, recito de cor todo o primeiro parágrafo)
Afixado por Emiéle em 25 de maio de 2005, às 14:49
Afixadelas
O meu foi o "Sílvia e a gatinha". Ainda o tenho e contei-o aos meus filhos. Do que o mais velho mais gostou foi dumas frases escritas na folha de rosto, ainda da pré-primária, com erros ortográficos. O mais pequeno ainda não lê.
Afixado por susana em 25 de maio de 2005, às 18:35
POr acaso o meu perdeu-se numas andanças por onde a minha família andou, mas ainda o tive muitos e muitos anos. Era "A Burrinha Toleirona" e o curioso é que era uma história quase sem bonecos. Teria uns 3 ou 4 no livro todo, nada como os actuais que tem um desenho por página. Aquilo já era livro de menina crescida! E, tal como ali disse, recordo com muita nitidez o deslumbramento de perceber o fio da história. Fiquei maravilhada.
Afixado por Emiéle em 25 de maio de 2005, às 19:30
Emiéle,
recita, por favor. O post trouxe boas recordações. É tão lindo aquele tempo em que crescemos por fora e por dentro. E a leitura, o abrir o livro e abrir o mundo de que falavas. Mas agora temos, também, muitas coisas lindas para abrir o mundo. Por dentro e ao largo. E sabe tão bem... Obrigada.
Afixado por alchemist em 25 de maio de 2005, às 20:12
