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maio 30, 2005

Não ou Sim

Considero que estou ainda muito mal informada. E estou a ser simpática comigo mesmo quando escrevo “ainda”, porque deixa pressupor que um dia ( ? ) estarei bem informada mas não sei se vou atingir esse ponto.
Não quero dizer que não tenha já ouvido muitas opiniões, lido muitos artigos, consultado vários textos, mas o que vou sabendo é que, muito socraticamente, (falo do outro, o original) cada vez mais sei que sei menos.
A Constituição Europeia é um documento enorme, muito técnico, e sempre que lhe deito o olho desanimo. Depois ponho-me a ouvir opiniões e também desanimo. Ainda bem que o nosso referendo não é amanhã.
Bom, agora vamos a França.
Continuo sem saber se os franceses fizeram bem. Mas uma coisa é certa e essa agrada-me: eles mostraram aos Senhores do Mundo de Bruxelas que não se pode decidir tudo e mais alguma coisa com total arrogância, uma certa sobranceria, falando para os povos que representam como sendo os detentores da verdade absoluta. Não aprecio nada o tom de paizinhos que sabem o que é melhor para os seus pequeninos. Uma coisa é uma família, outra uma democracia. Haver discussão, debate, troca de ideias só pode ser bom.
E o facto de no não se terem encontrado forças políticas muitos distintas, se calhar pode apenas querer dizer que aquela proposta tinha brechas de uma ponta à outra... Se calhar, eu não sei! Mas não me agrada o tipo de argumento de “não é bom mas foi o melhor que se arranjou”. Então, se não é bom, vamos procurar uma outra que o seja.
Contudo há uma questão que ficou a pairar: A Espanha fez um referendo. A Holanda vai fazer um referendo. Mas sabemos que muitos países já aprovaram o texto nos parlamentos, numa espécie de vitória na secretaria. Se a França tivesse feito o mesmo é sabido que o sim tinha ganho largamente. Portanto a questão evidente é, a que corresponde os sins que vieram directamente dos parlamentos ? Ou, é claro, um não vindo nas mesmas condições. Isto é uma dúvida que não se pode deixar de pôr.
Por enquanto, ainda estou muito pouco informada, mas só posso respeitar a decisão francesa. E esperar que, por cá, se analise correctamente o que está em jogo, traduzindo em palavras bem simples e não demagógicas aquele texto nada fácil.
Espero.
O que não quer dizer que acredite nisso...

Afixado por Emiéle em 30 de maio de 2005, às 14:21

Afixadelas

Émiéle, não é para ser do contra, mas acho que há muito poucas hipóteses de isso acontecer...
Seja o que for que ganhe, o não ou o sim, vai ser sempre aquele cujos apoiantes fizerem mais barulho.
Nem os mais informados, nem os mais convictos. Os mais barulhentos.

Afixado por M. em 30 de maio de 2005, às 15:39

Pois é. Eu também tenho as maiores dúvidas. E exactamente por me andar a informar e ainda saber tão pouco, é que me sinto tão receosa. Eu até sou uma sujeita interessada, agora imagina os consumidores de telenovelas por atacado, ou reality-shows, que o que querem é não ser chateados? Vão pensar na Cosntituição Europeia?
Deve ser como dizes - quem falar mais alto é que ganha. Debater a sério os prós e os contras, duvido.

Afixado por Emiéle em 30 de maio de 2005, às 15:59

Um Blogue sobre o Tratado da Constituição Europeia:


O Sítio do Também Não

Participem!

Afixado por o sítio do também não em 30 de maio de 2005, às 19:05

Já lá fui, Sítio do Também Não. (Vou chamar-te STN que é mais fácil).
Olhem que o STN é interessante e defende um ponto de vista que nos faz pensar.

Afixado por Emiéle em 30 de maio de 2005, às 23:00

Emiéle, eu, no início, antes de conhecer um pouco melhor o texto, também não incluía o "Não" na minha votação. Mas, depois de ler o dito e falar com alguns conhecedores do assunto, podes ter a certeza que vou votar "Não".
Os franceses são um povo profundamente irritante, mas são tb o que mais fomenta o debate, seja do que for. Eu recuso-me a votar numa constituição que não defenda claramente os direitos mais elementares dos cidadãos, e é isso mesmo que se passa neste caso. Preferir a procura desenfreada do lucro, sem colocar como prioritária a qualidade de vida do cidadão, é, inaceitável. É uma porta aberta à privatizaçao de TODOS os serviços de utilidade pública. É abrir a porta à exploração dos países mais pobres e com pior segurança social (sim, porque até termos todos as mesmas regalias, ainda por cima num serviço que deve prioritariamente produzir lucros...), agravando o desemprego nacional. E há muito mais. Não é de forma alguma um "Não à Europa", mas sim à forma abusiva como o projecto inicial, mais humanista, foi modificado, colocando a Europa nas mãos de neo-liberalistas desenfreados. Felizmente, a França disse "Não", enquanto a quase totalidade se vai deixando adormecer nas palavrinhas mansas dos grandes grupos de influência económica, claramente neo-liberais.
Não te esqueças que Giscar é também o presidente do Conselho da Europa, e um dos elementos com mais influência no projecto de construção europeia.
Eles bem podem tentar maquilhar esta derrota com o argumento da crise interna, mas a verdade é que ela ultrapassa fronteiras ao espelhar o futuro mercantilista que se avizinha para a Europa. É preciso travar esta tendência, mesmo que percamos inicialmente face à economia americana. A culpa é de quem deixou que a Constituiçao Europeia assumisse as características actuais.
Já agora (que isto já vai longo) deixo-te alguns links importantes sobre ambas as posições: aqui e aqui.

Afixado por bluegift em 1 de junho de 2005, às 14:41

Olha Blue, fico contentíssima com o teu comentário. Estava a achar que a malta por aqui estava demasiado tolerante, sem se ralar com esta questão. Se vires os comentários do post que escrevi sobre o facto de não estar pensado uma alternativa se as pessoas votassem Não, vês que esse ponto que deveria provocar admiração, foi aceite com toda a naturalidade.
Para ser franca, apesar de como disse ter de me informar melhor, a minha tendência é concordar com tudo o que dizes.

Afixado por Emiéle em 1 de junho de 2005, às 15:01

Ah, e obrigada pelos links.
Por cá ( Portugal ) para além do famoso, do Pacheco Pereira, há o que ficou num comentário mais acima "Sítio do Também Não" e agora apareceu
Sim à Europa outro sítio de debate.
Pelo menos na net corre informação.

Afixado por Emiéle em 1 de junho de 2005, às 16:56

Até que enfim, parece que vamos começar a ter debates. Obrigadíssima pelos links. De qualquer forma, parece que a Constituição terá que ser rectificada e novamente sujeita a votos. A votação tem que ser unânime.

Afixado por bluegift em 1 de junho de 2005, às 22:34

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