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maio 19, 2005

Os olhos dos outros

Ela até então tinha lidado muito bem com “o problema da idade”. Sentia-se muito bem, tinha saúde, vitalidade, e mesmo que os anos fossem passando isso não a preocupava minimamente.
Mas a partir do último aniversário começou a sentir menos segurança. Nem entende bem porquê, interroga-se um bocado, procura motivos racionais, familiares e, quem procura encontra sempre, é sabido, mas… Nada de muito sério. É uma impressão.
É verdade que tinha simplesmente mais um ano do que no ano anterior. Todos lhe diziam que até parecia ter menos e ela sabia-se muito bem, contudo alguma coisa tinha mexido no seu interior. Estava menos segura.
Nesse dia, numa carruagem do metro, um homem perguntava uma indicação. Precisava de ir a determinado sítio e não sabia qual a melhor estação para sair. A pessoa que estava a explicar não se estava a sair lá muito bem. Aquilo estava muito confuso e ela não resistiu a meter-se na conversa: -“Olhe, o melhor é sair antes nos Olivais e andar um pouco na direcção…” o homem então virou a cabeça para ela –“Diga, menina...
Menina !? Creio que o sorriso de resposta trazia um pouco de sol. Dois aros da espiral da vida tocaram um no outro, houve um relâmpago, soou uma campainha.
Como era possível apenas duas palavras apagarem aquele estranho mau estar dos últimos tempos…
Foram só duas palavras, mas à saída do metro vinha a sorrir.
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Afixado por Emiéle em 19 de maio de 2005, às 19:04

Afixadelas

Ainda me lembro da primeira vez que passei a senhora: achava-me uma miúda cheia de dúvidas e uns adolescentes à porta de uma papelaria disseram para um deles "sai daí, deixa passar a senhora!". Claro que ajudava ter um berço com um bebé, mas tinha 26 anos e senti-me muito mais velha. Agora gosto muito do comércio tradicional pelo hábito saudável de nos tratarem por meninas. É pouca coisa, mas sabe bem.

Afixado por susana em 19 de maio de 2005, às 19:34

Eu acho que vou sempre beber café ao mesmo sítio para não arriscar...

Afixado por isabel em 19 de maio de 2005, às 19:45

Pois é, já tinhas falado nesse café familiar. Aí de facto está assegurado o "menina".
Olha Susana, a primeira vez que me senti crescida, ou "senhora", era ainda mais ou menos miúda mas alguém parou para me deixar passar à frente numa porta. Senti-me crescer muitos centímetros!!!! Olha que ainda recordo a sensação. Mas essa foi boa ( na altura queria ser crescida mesmo)

Afixado por Emiéle em 19 de maio de 2005, às 23:57

Tens tanta razão Emiéle!!!!!
Não falo exactamente por mim ( e tu se calhar também não falaste por ti...) mas tenho ouvido amigas que me dizem exactamente isso! O que pode moralizar uma frase desse tipo.

Afixado por Gui em 20 de maio de 2005, às 10:00

Eheheheh!!!
Essa da Alice a crescer e diminuir, tá muita bem visto! É mesmo. Um dia parecemos velhos, no outro miúdos e no outro assim-assim! Que trapalhada.

Afixado por em 20 de maio de 2005, às 10:02

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