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junho 27, 2005
Enquanto há calor...

O insecto
Das tuas ancas aos teus pés
quero fazer uma longa viagem.
Sou mais pequeno que um insecto.
Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centímetros queimados,
pálidas perspectivas.
Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!
Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.
Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno
de vaso escaldante!
Pablo Neruda
Afixado por Isabel em 27 de junho de 2005, às 21:37
Afixadelas
Olha...! Afinal era a sério! Quando ontem deixaste aqui aquele post nocturno, pensei que não era para continuar.
Bom, mas agora vou fazer outras coisas e volto aqui antes de me deitar.
Este e mais o anjo da Susana, devem dar lindos sonhos.
Afixado por Emiéle em 27 de junho de 2005, às 21:57
Não é para continuar...é para ir continuando, quando fizer calor...por causa das insónias e das melgas do Gibel.
Afixado por isabel em 27 de junho de 2005, às 22:19
parece que ficou mais calor...
Afixado por susana em 28 de junho de 2005, às 00:59
Excelente poema!
Afixado por bin em 28 de junho de 2005, às 06:46
Sim, tá um calor que não se pode...
Afixado por M. em 28 de junho de 2005, às 09:00
Aí também, M? pelos visto é geral...
Afixado por isabel em 28 de junho de 2005, às 09:30
