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junho 28, 2005
O Regresso dos Tamagotchi
Fizeram furor aqui há uns anos. Na altura ainda fiz umas críticas em relação às criaturas e pensava que tinham passado à história. Acontece que no outro dia estava com uma menina, oiço-lhe uns apitos no bolso, e tive um clic: “Tens um Tamagotchi?” E não é que acertei?!!
Voltaram, oh gentes! Aquela aberraçãozinha é, nas palavras dessa menina “um animal electrónico”. Ou seja, existe com uma vida virtual, é um boneco que se tem de tratar como se fosse vivo porque tem mesmo um ciclo de vida.
Ela explicou-me ”Quando sai do ovo é menino se for preto e menina se for branco; cada dia que passa para ele é um ano; e vai tendo fases – bebé, infância, adolescência até adulto”
E este (que ela como é minha amiga tinha baptizado com o meu nome, imaginem!) era menina mas ao chegar à adolescência ficou preto! Ela acha que é rapaz por fora, mas continua menina…
Estes “seres” ( ? ) são muito exigentes. Tem de se lhe dar comida, pô-lo a dormir, limpá-lo quando faz as suas necessidades. E há paradoxos – tem de se lhe dar comida, mas ele às vezes quer coisas que lhe fazem mal e adoece; por outro lado se toma café e fuma charuto não entendo porque é que não come a papa sozinho; e se faz ginástica, caretas, o pino, também não compreendo que precise que o limpem, ainda mais se pode ir para a banheira.
“Quando chega a adulto, aí com 5 dias, apaixona-se e casa. Depois põe dois ovos, fica um para a mãe e outro para o pai”. Passadas 24 horas morrem o pai e a mãe e o pequeno tamagotchi sai do ovo. Recomeça o ciclo.
Ele pode ter até 50 amigos, mas não mais. Ao 51º apaga-se um.
E morrem.
Não apenas quando põem os ovos, podem morrer se não forem bem tratados. “Morrem de fome, de sujidade” e… atenção: “de tristeza”.Isto que tenho estado a descrever não é exactamente um brinquedo vulgar. Há uns anos foi uma coqueluche entre adultos, não só no Japão. Mas não me parece nada boa ideia para uma criança.
Uma coisa é um animal de estimação. Estabelece-se uma relação, há afecto verdadeiro.
Outra coisa um brinquedo que se usa e desliga. Mas isto está a meio caminho. Pretende ser tudo, mas parece-me muitíssimo confuso. Oxalá passe depressa a moda.
Afixado por Emiéle em 28 de junho de 2005, às 17:37
Afixadelas
Já ouvi falar mas nunca vi nenhum.
Afixado por johnny em 28 de junho de 2005, às 18:27
Não perdes muito.
E para uma criança não me parece mesmo nada boa ideia!
Afixado por Emiéle em 28 de junho de 2005, às 19:21
Se estiverem interessados posso fornecer-vos um bichinho desses para o telemóvel em formato java... há quem perca tempo com aquilo... eu tenho namorada!
Afixado por Farpas em 28 de junho de 2005, às 22:19
Fazes bem, Farpas! ele há lá comparação...
:))
Afixado por Emiéle em 28 de junho de 2005, às 22:27
Ai farpas e mesmo que não tivesses, arranjavas...que por muito trabalho que possam dar, são, de certeza, muito mais interessantes...e essa de ter filhos e morrer e só poder ter 50 amigos, é mesmo macabro, pá.
Nunca percebi como estas coisas funcionam? Qual a piada? Pode-se imaginar um adulto tão só, que precise duma "companhia" assim, mas uma criança?
Ok, esta noite vou ter pesadelos. A sério. Já os pais destes sempre me assustaram enão morriam ao 5º dia....
Afixado por isabel em 28 de junho de 2005, às 23:17
Felizmente, de todas as crianças que conheço e conheci, só uma teve um tamagotchi. Por acaso, essa teve também uma galinha, uma ovelha (que era substituída para ser sempre pequena), um ratinho, tartarugas e tem um cão há uns anos, por isso não me parece que lhe tenha feito grande mossa. De resto - e ainda, felizmente - conheço bastantes crianças com animais de estimação. Essa coisa é mesmo aberrante. E dá ideia que pode gerar sérios equívocos sobre o que é cuidar de um ser.
Afixado por susana em 29 de junho de 2005, às 00:21
Exactamente, Susana. Era mesmo isso que eu queria dizer. Parece-me grave que se imagine que "aquela coisa" virtual tem vida a sério, e é isso que alguns miúdos pensam. Contribui para isso os termos usados: nascer, morrer, e os tais cuidados básicos - dar de comer, pôr a dormir, mudar as fraldas ou lá o que é.
Porque é evidente que nós projectamos nos nossos brinquedos esses sentimentos e isso está certo. Qualquer menina põe a sua boneca a dormir e dá-lhe papinha. Mas no reino do “faz de conta”. E isso é normal e bom. Faz crescer. Aqui não, desvirtua as noções de vida. Porque quem não pode ter cão ou gato, pode ter um ratinho como o F da Isabel, ou um peixinho, ou uma tartaruga – e isso é vida!
Afixado por Emiéle em 29 de junho de 2005, às 08:31
Este post é mais sério do que parece à primeira leitura.
A verdade é que está em causa o que se ensina aos nossos putos. Como devemos lidar com noções como vida e responsabilidade. O valor de um animal de estimação não pode ser comparado com "esta coisa" que como dizes pretende ser mais do que um brinquedo, pretende ter vida.
Mas os miúdos acham que se morrer, depois nasce outro e não há problema. Ora a VIDA é para ser respeitada. Não é um brinquedo, nunca!
Afixado por Zé em 29 de junho de 2005, às 10:09
